The Scientist
18 Paris II - "A equipe fantasma e uma dose de veneno"
Notas iniciais
06 a 08 de março.
Ponte Neuf.
Salão de belas artes parisiense. Paris, França.
–Eu disse que ela ia dar crise. –Piper comentou.
–Eu estou dando crise? –Annabeth repetiu a frase gritando, mas logo continuou em voz baixa: — Vocês se envolvem em algo de confidencia mundial, aparecem no local de rota da nossa viagem e sou eu que estou com algum problema, não é?
Percy observava os olhos cinza de Annabeth, hoje eles estavam da cor do céu nublado de Paris. Ele se sentia mal por todo aquele espírito jovem e brincalhão da loira parecer ter se envaidecido de dentro dela. E ele se sentia mal porque gostava dela daquele jeito, principalmente porque ela era tudo o que o próprio não era. Quando estavam em Burgas, era como se completassem.
–Por que vocês vieram pra cá? E por que diabos vocês têm como conseguir formações confidenciais? –Percy perguntou.
–Você já ouviu falar da Deep Web? –Leo perguntou. –Bem, Annabeth já deve ter ouvido.
–Prendi uns idiotas que conseguiram informações secretas da NASA por lá uma vez. –ela respondeu ainda com os olhos queimando em raiva e voltados para o Rio Sena.
–Então, a Deep Web funciona como uma internet paralela, alternativa. Qualquer criminoso pode postar algo e se comunicar por ali. E eu... –Leo ruborizou um pouco- Bem, digamos que eu entrei na Deep Web pela primeira vez com 14 anos para... Pra ver vídeo pornô.
Os outros quatros soltaram risadas abafadas. Até mesmo Annabeth abriu um sorrisinho de lado.
–Por qual razão você fez isso, gênio? Existe conteúdo pornô de qualidade na internet normal. –Piper disse e o cutucou nas costelas, fazendo-o ficar mais vermelho ainda.
–Eu já tinha visto todos da internet normal. –Leo respondeu e mais risadas foram dadas. –Mas continuando, o quê eu achei por lá foi um mundo alternativo virtual doentio. Pra vocês terem noção o tipo de pornografia que se tem por lá é pedofilia, zoofilia e até neocrofilia.
–Isso é horrível. E como ninguém consegue prender os caras que postam isso lá? –Jason perguntou.
–O navegador não é instável, está sempre mudando e os usuários têm sempre que mudar de nome, identidade. Você entra lá em um dia e no outro qualquer rastro já foi apagado. –Dessa vez, foi Annabeth quem respondeu. –Mas até agora vocês ainda não disseram quais e como conseguiram essas informações confidenciais.
–Isso é simples, loira. Eu e Piper na tentativa de ajudar vocês a não andarem tanto às cegas, pegamos as informações no departamento dela na CIA e procuramos na Deep Web. –Leo tomou fôlego e continuou com aquele sorriso louco no rosto — Resultado: nós conseguimos achar uma linha de comunicação dos vermelhos. Eu rastreie por apenas um dia, mas consegui descobrir que a bomba está localizada no local menos provável possível e que eles estão atrás de um cara cuja letra inicial do nome é “J” e que ele está querendo chegar até Percy e contar algo que pode fazê-lo solucionar os problemas das fórmulas químicas que param o vírus.
–E ainda podemos fazer isso mais vezes. Apenas precisamos achar a nova linha de comunicação dos caras. E por isso estamos aqui, para que qualquer mínima informação que vocês receberem, possamos procurar e encontrar mais segredos. –Piper completou.
Percy não tinha percebido, mas estava com um braço envolvendo os ombros de Annabeth. Ela não parecia desconfortável com aquilo, mas sim com as informações a pouco recebidas. Percy observou seus lábios levemente arroxeados pelo frio de Paris, formarem um perfeito “O”. Todos olhavam para ela e quando ela percebeu isso, simplesmente se livrou do abraço de Percy e voltou a ficar com os olhos cheios de fúria. Ela engoliu em seco a raiva e disse com a voz trêmula:
–Vocês entrarem em uma rede cibernética odiada pelo governo. Vocês roubaram informações dos arquivos da CIA. Sabe o que vai acontecer se algum agente descobrirem vocês? Irão ser mandados pra cadeira elétrica por alta traição, não terão direito a nem mesmo argumentar.
–Annabeth, eles só estavam querendo ajudar. –Jason interviu – Sei que contando isso a vocês, vocês acabaram se tornando cúmplices, mas nós vamos tomar cuidado. Piper e Leo vão passar despercebidos, seremos quase que uma equipe fantasma.
–Não me interessa o que vocês serão. –Annabeth respondeu ríspida. –Eu não quero saber de nada. –ela se virou para Piper e dessa vez os olhos cinza estavam carregados de dor. –Você sabe o quanto eu tenho medo de colocar a vida de alguém em perigo. Você sabe que eu não posso falhar mais uma vez.
Depois dessas palavras, Annabeth simplesmente se virou e foi-se andando na direção de onde Percy e ela vieram. Piper deixou uma lágrima escapar, pelo visto as palavras ditas por Annabeth eram cortantes para ambas. Piper gritou o nome dela e foi correndo em sua direção.
Percy deu um passo à frente decidido a ir atrás delas, mas Jason segurou seu braço, impedindo-o de ir.
–Deixa elas se resolverem, cara. É papo de mulher. –o loiro o aconselhou.
–É... Parece que alguém voltou a ficar apaixonado pela mesma mulher. –Leo cantarolou.
Percy se virou pra ele com os olhos em fenda e Jason e Leo soltaram uma risada cúmplice. Eles estavam diferentes. Jason carregava medo no olhar depois da surra em Madrid, mas ainda parecia confiante como ninguém. Já Leo, carregava seriedade no par de olhos castanhos, mas parecia deixar o sorriso louco brincar em seus lábios apenas para não perder a pose de bobo da côrte.
–Vocês não sabem de nada que aconteceu entre a gente. –Percy retrucou, mas logo depois riu sendo acompanhado pelos outros. –Ah cara, sei lá... Ela é tão diferente de todas as outras.
Jason e Leo se entreolharam e trocaram algumas informações via olhares. Aquilo dava raiva em Percy, pois seus amigos compartilhavam segredos sobre ele e ele não sabia o que era.
–Bem, eu vou dar uma volta pela cidade. –Leo anunciou. –Vejo vocês por aí.
Depois que Leo já estava longe o suficiente, Jason pousou uma mão no ombro de Percy e disse:
–Cara, se lá o que você e Annabeth estiverem tendo juntos. É melhor pararem.
–O que? Mas porquê?
–Percy, eu não sei o que aconteceu com ela nesses 10 anos que vocês ficaram separados, tentei perguntar a Piper, mas ela nunca me contou nada. A única coisa que sei é que ela parece perturbada e pelos olhares que ela te deu quando ainda estavam caminhando para cá, a paz que ela precisava acabou sendo encontrada em você.
–Mas isso é bom, não é?
Jason suspirou e revirou os olhos, como se Percy fosse uma criança em que a única coisa que importava era a própria diversão.
–Percy, o quê vai acontecer com vocês quando essa missão acabar? Vocês vão seguir cada um o seu caminho, cara. –Jason apertou um pouco mais forte o ombro dele. –Vocês mal podem ficar juntos durante essa missão, quem dirá depois. Você não pode fazê-la se apegar tanto a você se tem a intenção de ir embora.
Percy ficou pensando nas palavras do amigo. Ele percebeu que Jason não estava preocupado com ele, mas sim com Annabeth. Seja lá o que tenha acontecido com ela, Percy não queria ser mais um a acrescentar dor a ela. Ele queria curá-la, até mesmo carregar a dor dela nos ombros se for preciso.
–Ela ama você. –Jason disse.
–Jason, você ta viajando...
–Percy, ela te ama. –ele retrucou com firmeza. –Por isso pense bem no quê está fazendo.
E então, Jason se virou e caminhou para o lado oposto ao que as meninas tinham ido. Percy ficou parado na ponte, olhando para o chão. Ele sabia que podia acreditar nas palavras de Jason, diferentemente de outras pessoas, ele nunca mentia. Agora a única coisa que ele tinha certeza era que Annabeth o amava.
E de repente a solução para cortar o efeito de uma bomba química parecia não ser a única coisa que ele teria que descobrir. Percy teria que saber o quê de fato sentia por ela.
[...]
Percy estava vestindo o smoking que havia sido deixado no seu quarto. Ele se sentia importante naquela roupa, não pelo status social que ela representava, mas sim pelo bilhete que tinha sido deixado juntamente com ela. Ele se lembrada na tarde interior quando ainda estava escrevendo sobre produtos químicos em que se utilizava metanol e de repente o serviço de quarto entregara o smoking com um bilhete contendo uma letra caprichosa.
Era a letra de Annabeth, que desde a Ponte Neuf tinha saído com Daniel para alguma coisa secreta. E ela dizia que tinha reservado trinta corridos minutos do seu dia para escolher a roupa para ele. Ele não poderia se sentir mais feliz, ela realmente o amava e ele sabia disso porque convivera tempo suficiente pra reconhecer os pequenos atos carinhosos dela. E deixar de perseguir doentes que queriam uma terceira guerra mundial, apenas para escolher uma roupa pra ele, era prova suficiente de amor.
Ele ajeitava a vestimenta enquanto as pessoas entravam no enorme e luxuoso salão de belas artes de Paris. O chefe de Annabeth, Phill Manson, havia avisado a ele para esperar por ela a alguns metros da entrada do salão. E ali ele estava.
Até que algumas vozes um pouco altas foram ouvidas atrás de si.
–É burrice passar aqui para falar com ele. Deveríamos entrar logo de uma vez dentro da festa. –disse a provável voz de Daniel.
–Daniel, vamos, pare com isso. Eu vou apenas trocar algumas palavras e informações com ele, não precisa ficar com ciúmes, Sir Crawley. –Annabeth respondeu com aquele tom descontraído que sempre fazia Percy se sentir feliz.
–Eu mesmo posso fazer isso, Annie.
–Não pode, Daniel. Entre logo e me espere onde eu te falei pra me esperar.
–Mas Annabeth...
Percy não perdeu tempo e se fez visível. Postou-se ao lado dela e olhou feio para o britânico, que retribuía o mesmo olhar de repulsa.
–Você não ouviu a moça? Ela não quer sua companhia. Então entre logo. –ele disse de forma fria.
–Olha aqui, Jackson, não é porque você é a porra de um cientista que pode falar assim comigo. –Daniel respondeu no mesmo tom baixo e frio de voz. –Acho melhor você...
–Parem com isso, vocês dois. –Annabeth o interrompeu. –Percy, eu não disse em nenhum momento que eu não queria a companhia do Daniel e Daniel, entre, por favor, você sabe o posto em que tem que ficar. Nos vemos lá dentro.
Daniel bufou e saiu ainda encarando Percy com desprezo. Ele e Annabeth observaram Crawley entrar no local e logo depois Percy sentiu um tapa forte sendo desferido no seu braço.
–Ai! –ele resmungou.
–Isso é pra você parar de ser tão imbecil e ficar brigando com o Daniel por nada. –ela bufou e seus olhos avaliaram Percy de cima a baixo. Ele recebeu outro tapa. –E isso é por você não saber se arrumar direito e não ter penteado o cabelo e nem mesmo ter colocado a gravata.
–Caramba, pára de me bater. –Percy pediu. –E eu não estou brigando com ele por nada. E penteei o cabelo sim, ele é que não fica no lugar. E essa droga de gravata borboleta, eu não consigo colocar nem a pau.
Annabeth bufou mais uma vez e Percy percebeu que ela estava na TPM. Ele fez uma anotação mental para não perturbá-la nesse período. Ela semicerrou os olhos e virou a cabeça para o lado, logo depois deu um sorriso juvenil que fez parecer que ela tinha voltado no tempo e estava com 17 anos novamente.
–Ei, você está usando óculos. –ela tirou os óculos dele e colocou em si, como costumava fazer no passado.
–É, você estava tão concentrada em me bater que nem percebeu. –Percy fingiu uma cara triste.
–Pare de fazer graça, Sr Jackson. –ela lhe devolveu os óculos- Por que está usando óculos hoje?
–Essa dor de cabeça insuportável. Eu os coloquei porque talvez possa ser algum efeito da miopia– Percy massageou as têmporas. –Hoje não está fácil.
–Você nunca descobriu o porquê disso não? –Annabeth perguntou.
–Sim, na faculdade. –Percy soltou uma risada. –Eu tinha um amigo que fazia medicina e queria se especializar em neurologia. Então ele fez alguns testes comigo no laboratório da universidade. Ele descobriu que eu tenho Síndrome de Asperger, um leve grau de autismo.
–Meu Deus, eu sempre soube que você era louco mesmo. –Annabeth disse e deu uma risada sendo acompanhada por Percy.
–Não é loucura, é só muita informação na cabeça. Que resulta em uma dor de cabeça insuportável pra mim. –Percy explicou.
–Quer que eu te arrume algum remédio?
–Não precisa. –Percy pegou uma cartela de comprimidos do bolso da calça e engoliu um sem nem mesmo precisar de água. Ele balançou a cartela de remédios na frente do rosto. –A boa e velha aspirina, pelo menos comigo, sempre funciona.
Annabeth sorriu docilmente para ele e ele pensou ter ouvido ela sussurrar um “você é incrível”. Ela começou a tentar dar um jeito no cabelo dele e em seguida deu um nó corretíssimo na gravata borboleta. Ela explicou a Percy sobre os comunicadores que ele teria que usar. Colocou um parecido com um fone de ouvido na orelha dele.
Percy apenas prestava atenção em parte do que ela falava. Ele estava ocupado demais a observando-a linda daquele jeito. Ela vestia um vestido vermelho escarlate, o batom em seus lábios era da mesma cor. Para a alegria dele, a cortina loira estava solta e jogada para o lado direito. Percy queria tanto que aquela mulher bonita fosse a sua acompanhante que quase implorou. Quase.
–Entendeu tudo, Percy? –ela indagou.
–Sim senhora.
–Então eu já vou indo. –ela suspirou e tentou transmiti-lhe um sorriso confiante. –Nos vemos lá dentro e qualquer coisa é só falar que eu vou ouvir pelo comunicador.
Ela deu um passo para seguir em frente, mas Percy a puxou e a envolveu em seus braços. Ele ficou olhando por alguns segundos para os olhos cinza e logo depois sorriu. Para a surpresa de Annabeth e até dele mesmo, seu corpo, em um movimento involuntário, a beijou. Era um beijo calmo e cuidadoso, afinal ele não queria borrar o batom nos lábios dela e deixá-la parecendo o coringa. Era tudo muito devagar e surpreendentemente bom. Quando se separaram Percy sorriu galanteador pra ela.
–Espero que não tenha se importado. –ele disse. –Eu não consegui evitar. Sabe, é que eu gosto muito de te beijar.
Ela o olhou com ternura e o batom ainda em perfeito estado contornava um sorriso apaixonado.
–Nos vemos lá dentro. –ela se despediu e foi.
[...]
Percy entrou no local sozinho. Era um salão esplendoroso com taças banhadas em ouro, lustres de prata e pessoas cheias de grana. Ele estava procurando uma mesa para se sentar, mas pelo visto estavam todas cheias.
–Ora, ora se não é o rapazinho que sempre foi melhor até mesmo que todos os professores. –disse uma voz logo atrás dele.
Percy se virou e deu de cara com um homem alto e sorridente. Um dos melhores amigos que ele já teve na vida.
–Bob?
–Percy Jackson. –Bob respondeu ainda sorrindo.
Bob o abraçou e deu três tapinhas nas costas de Percy. Bob era alto demais. Tinha 1,98m mais precisamente. Os cabelos brancos eram tão rebeldes como o de Percy e os olhos eram de uma cor esquisita que parecia prata.
–Eu adoraria ficar aqui e conversar com você por mais um tempo, Percy. Mas eu tenho que fazer a apresentação do próximo prêmio. –Bob lamentou.
–Tudo bem, não tem problema. –Percy tentou fingir a decepção.
–Ah, mas é claro que tem. Olha. –Bob passou a taça de vinho branco da mão esquerda para a direita e pegou um papel no boldo do seu smoking. –Eu tenho uma casa em Versalhes e nesse papel aí está o endereço. Vá me visitar enquanto ainda estiver aqui na França.
–Hã, eu não acho que vou ter tempo para ir até lá. –Percy disse. Ele estava pensando no fato de que não sabia qual seria o próximo passo e nem o próximo lugar para onde a missão o levaria.
Bob sorriu e Percy percebeu uma triste certeza no seu semblante.
–Você vai me procurar, Percy. Eu tenho certeza que vai. –Bob suspirou e olhou para ele divertido. –Você não está apaixonado, não é?
Percy arqueou as sombracelhas, mas nenhuma resposta foi formulada pelo o seu cérebro. Ele apenas negou balançando a cabeça. Bob pendeu a cabeça pra trás e deu uma gargalhada animada.
–Você está sim. –Bob concluiu. –Bem, isso significa que talvez você tenha esquecido aquela loira do colegial. Lembro-me que a maioria das suas brigas com Rachel era por causa dela. Você a superou?
–Ahã. –Percy disse quase que em um gemido. Mas em uma nova tentativa disse com firmeza:- Sim, claro. Não sinto mais nada por ela.
–Sei. –Bob não parecia muito convencido. — Bem, eu tenho que ir, vou apresentar o prêmio de cientista revelação daqui a alguns minutos. Tenha uma boa noite, Percy. –Bob chegou bem perto dele e disse com um semblante preocupado: -Tome cuidado com o que lhe dão para beber, garoto.
E assim ele se foi caminhando até o palco de premiações. Percy ficou atônito com a rapidez com que ele apareceu e desapareceu. Ele sentiu uma presença feminina ao seu lado. Abaixou os olhos e viu que era Sofia Gorbochov. Ela vestia um vestido negro e seus cabelos estavam presos em um coque. Parecia uma assassina como de fato era.
–Como vai, Sr Jackson? –ela perguntou.
Percy queria cuspir na cara dela e dizer umas boas verdades por ela ser tão falsa. Mas ouviu uma voz no seu ouvido.
“Seja um bom menino e dê uma de ator. Finja que não sabe de nada, garotão.” Era a voz de Annabeth falando no seu ouvido. Provavelmente ela estava ouvindo a conversa dele com Bob também, mas tinha preferido se pronunciar apenas na conversa com a vadia.
–Estou ótimo, Sofia. E você? –ele cumprimentou com um sorriso forçado.
–Melhor agora. –ela deu um gole na bebida que estava na taça em suas mãos e retribuiu o sorriso. –Parece que Jápeto irá apresentar o prêmio de cientista revelação.
–É, ele é um cara legal. –Percy disse olhando para o lado do palco, onde se encontrava Bob. Ele chamava Jápeto tanto por Bob que ás vezes esquecia que esse não era seu nome verdadeiro. –Eu não o conheço, mas conversei um pouco com ele antes dele ir para lá.
–Ah sim. –Sofia pegou uma taça de champanhe da bandeja de um garçom que estava passando e deu para Percy. –Aceita uma bebida, Percy?
Algo lhe dizia para que não aceitasse, mas se negasse seu papel iria todo por água a baixo. Então ele pegou a taça com champanhe e deu dois goles. Sua cabeça voltou a doer por causa do álcool. Por isso ele pegou outra aspirina do bolso e engoliu. Sofia observou tudo e depois sorriu.
Ela segurou a mão dele e sussurrou em seu ouvido:
–Acho que podemos fazer uma festa particular em um lugar mais reservado. O que acha, Sr Jackson?
“Percy, não vai. Não vá com ela, me ouviu?” Annabeth disse no comunicador em seu ouvido. Ele estava com tanta raiva de Sofia e dos vermelhos que seu cérebro estava sobrecarregado com ódio. Quem eles eram pra pensar que podiam jogar uma bomba química no seu país?
–Claro, Srta Gorbochov. –Ele aceitou apertou com um pouco de força a mão dela na sua e sorriu frio. –Será um prazer.
Sofia seria muito burra se não tivesse entendido que ele já sabia de tudo. Ela o guiou puxando sua mão com força para fora do salão. As pessoas se levantaram para a apresentação do prêmio e a voz de Bob ao fundo foi ouvida fazendo uma daquelas piadas sem graças de eventos desse tipo. As pessoas riram abertamente do que Bob havia dito, mas Percy não ouviu nenhuma palavra.
Ele sentiu uma fisgada no estômago e quando se deu conta, já estava do lado de fora do salão. Eram 23:00PM, o que significava que ninguém estava andando pelas ruas de Paris a essa hora. Os carros dos convidados da festa estavam estacionados na calçada. E Percy sabia que a única parte movimentada da cidade a essa hora era o Moulin Rouge, onde ocorria as festas de bordel.
A fisgada no estômago ficou mais forte e de repente ele viu quatro homens enormes parados a sua frente, dois a cada lado de Sofia. Ele sentia dor no corpo todo e de repente já não conseguia ficar mais de pé. Caiu de joelhos no asfalto da rua.
–Parece que você descobriu tudo, não é? –Sofia o olhava com nojo. –Você não passa de um cientista de merda. Então, é melhor dizer logo o que descobriu sobre a cura para o vírus.
Percy queria se levantar, mas não conseguia. Ele sentiu a bile lhe subindo a garganta e colou uma das mãos ali. Seu estômago revirou-se e ele soube que iria vomitar. E assim fez, mas para seu espanto a única coisa que colocou para fora foi sangue pastoso. Ele sentia suas mãos tremerem sem parar, seus olhos ardiam e sua respiração estava acelerada.
Sofia deu uma risadinha divertida.
–Veneno. Eu te dei veneno, Percy. E sabe o que é isso? –ela balançou um frasco com um líquido azul dentro. –Isso é o remédio que corta o efeito do veneno. E você tem apenas uma hora para nos dizer tudo o que descobriu sobre a bomba, senão nós iremos deixá-lo morrer deitado sobre a poça do próprio sangue.
“Ah, meu Deus. Percy onde você está?“ Annabeth praticamente berrou em seu ouvido. O problema foi que ela falou tão alto que Sofia e os homens ouviram. Eles soltaram risadas cúmplices.
–Deixa que eu cuido disso. –disse um dos grandalhões.
Ele deu um passo a frente e deu um soco no ouvido esquerdo de Percy. Bem a onde estava o comunicador. Os óculos de grau dele voaram de seu rosto e o pequeno comunicador de curto circuito e queimou seu ouvido internamente. Percy, desesperado, tirou o aparelho de lá de dentro. Ele sentiu um filete de sangue escorrendo pelo seu ouvido.
O ódio se apossou dele fazendo-o se levantar e desferir um soco na face do homem a sua frente. O cara caiu pra trás com a mão na boca. Os outros homens entraram em um frenesi e bateram em Percy juntos, todos de uma vez. Ele sentiu um chute nas costelas e um na barriga, que foi logo seguido de uma banda que o fez cair no chão novamente.
–Já chega! –Sofia ordenou. –Ele vai receber punição suficiente durante essa uma hora agonizando sob o efeito do veneno. Se quebrarem ele toda, aí que ele vai ficar com raiva o suficiente para não nos contar nada.
Um dos homens gritou algo em espanhol para ele, mas Percy não entendeu. O homem cuspiu no chão ao lado dele. Sofia gritou mais algumas ordens e um carro negro parou do seu lado. Os homens de terno preto entraram no que parecia uma mini van e puxaram Percy consigo. Ele conseguiu tirar forças de dentro de si e deu mais dois socos em um dos caras. Mas logo seu corpo todo ficou dormente e ele deu um grito agonizante.
Todos dentro da mini van gargalharam.
–Irais sofrer muito ainda, rapaz. –Um dos homens lhe disse com um sotaque britânico.
Sua cabeça explodia de dor. Seu corpo parecia estar sendo transpassado por pequenas agulhas. E seu estômago expulsava sangue para fora através da sua boca.
–Para a Catedral de Notre Dame, François. –Sofia ordenou ao motorista.
Antes de o carro dar partida, Percy viu a silhueta de Annabeth na entrada do salão. As lágrimas em seus olhos brilhavam com o efeito das luzes da rua. Ela apontou uma arma para o carro e tentou atirar em um dos pneus, mas já era tarde.
O carro já estava muito longe dela. E Percy, infelizmente, estava cada vez mais próximo da morte.
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