The Scientist
9 Madrid II- "Vá em Frente"
Notas iniciais
11 de fevereiro. Principais pontos turísticos de Madrid, Espanha.
Eles ficaram em silêncio por cinco curtos minutos, mas logo desataram a falar. Estavam animados e em uma cidade como Madrid não tinha como não falar o tempo todo. Eles passaram apenas por duas ruas enquanto estavam no ônibus e logo depois desceram. Os ônibus turísticos em Madrid paravam em todos os pontos e, como eles tinham os bilhetes válidos para o dia inteiro, era só pegar o ônibus no primeiro ponto que encontrassem.
Percy estavam relaxado pela primeira vez em dias. Ele e Annabeth se davam muito bem, era bom conversar com ela, principalmente porque ela tinha argumento para tudo. A conversa nunca se tornava chata. Percy tinha que descobrir o que ela estavam pensando e a princípio para muitos isso é uma coisa chata, para ele era excitante. Ela era uma mulher fascinante, em todos os sentidos.
–La puerta de Acalalá–anunciou Annabeth. -Os espanhóis a construíram em 1778 para servir como porta de entrada para a cidade.
Percy a olhou incrédulo. Ela estava saindo do personagem. Era ele o esquisitão que sabia de tudo.
–Não acredito que você, a garota que não se preocupava com um trabalho escolar até o dia anterior da entrega, fez o dever de casa e pesquisou sobre a cidade para qual viria. -ele não estava querendo ofende-la, só estava surpreso.
–Ah, pelo amor de Deus, Perseu. Não acredita em mim? -ela revirou os olhos, depois abriu um sorriso brincalhão. -Faz bem em não acreditar. Eu li nas placas de orientação antes de passarmos.
Aquilo era mais uma coisa que ele tinha que acrescentar a sua lista "coisas que faz Annabeth Chase ser excitante": Nos anos que ela passara em treinamento na CIA, tinha aprendido a falar as principais línguas nativas dos países da União Européia. Isso incluía o espanhol e mais algumas outras que Percy não conseguiu se lembrar porque estava olhando — ou tentando, já que ela estava usando um casaco grosso -os seus seios. Ele era um pouco leigo em relação a idiomas e o único que aprendera de fato a falar fora o francês, e isso porque ele estava procurando fazer um possível mestrado na França.
–O que foi? -ela perguntou.
–O que foi o quê?
–Por que está me olhando desse jeito?
–Hã? Que jeito? -ele se fez de inocente.
–Do jeito que provavelmente o lobo mau olhou para chapezinho vermelho quando a viu na casa da vovó. -ela respondeu.
–Ah, não é nada. -ele disse um pouco nervoso com aquela colocação. -Só estou impressionado por você falar tantas línguas, e as falar muito bem ainda por cima. -ele mentiu.
Ela levantou uma sombrancelha e balançou a cabeça. Talvez estivesse se convencendo de que ele dissera a verdade, coisa que ele não fez.
–Percy, você já fez alguma coisa muito radical e sempre teve coragem de fazer? -ela perguntou com um sorriso tão sinistro que o deixou com medo.
–Ah, eu acho que não. -ele respondeu enquanto tentava se lembrar. -Bem, teve uma vez e eu colei em uma prova na faculdade e...
–Percy, Percy, não, ok? -ela o interrompeu. -Eu estou falando de uma coisa realmente radical. Qual é cara! Você sempre foi tão certinho, nunca quis fazer algo a mais?
–Bem, talvez sim. -ele disse e ela levantou as sombrancellas incentivando-o a continuar — Eu sempre quis fazer uma tatuagem.
Annabeth suspirou e fechou os olhos. Estava controlando a decepção, talvez.
–Tudo bem, eu acho que isso é o mais maléfico que você consegue ser. Eu estava falando de coisas loucas... -ela voltou a suspirar e o olhou daquela forma sinistra de novo. -Mas já que isso é algo que você sempre quis, que tal fazer uma?
Percy a olhou incrédulo mais uma vez naquele dia.
–Annabeth, eu não sei não ... -então ele olhou para ela mais uma vez. Estava com aquele olhar de decepção e então ele finalmente percebeu. Ela estava tentando fazê-lo viver, se divertir e experimentar com ela coisas que ele nunca fizera com ninguém. E isso incluía fazer uma tatuagem em solo espanhol. -Tudo bem, mas tem que ser pequena!
Ela comemorou lhe dando um beijo estalado no rosto, eles saíram pela puerta del sol, que dava até a praça principal da cidade. Embarcaram no ônibus novamente e conversavam sobre a história da Espanha. Outra coisa a se acrescentar na lista "coisas que deixam Annabeth Chase e excitante, e atualmente muito gostosa": ela gostava de história e gostava de ouvir. Desde que fosse coisas legais e que Percy não falasse por mais de trinta minutos como havia feito no café da manhã.
Eles foram interrompidos por uma funcionária do ônibus se esfregando nele e falando um monte de coisas emboladas. Ela lhe entregou um panfleto com mais coisas emboladas. Annabeth lhe disse algo e a mulher fez cara feia, então saiu entregando os folhetos para outros passageiros.
–Por que toda mulher dá em cima de você? -ela perguntou mais pra si mesma do que pra ele.
–Eu sou bonito, inteligente e charmoso. Talvez tenha muitos motivos pra querer se esfregar em mim. -Percy deu de ombros. Ele não era tão confiante e não costumava a falar essas coisas egocêntricas. Mas ele tinha uma mulher linda, poderosa e principalmente perigosa. Ele não podia dar uma de Mané.
–Nada convencido você, não é? -ela bufou e pegou com certa rispidez o folheto de suas mãos. -Convidamos todos os que estão na cidade para a comemoração do día de San Valentín, na parte externa do Plaza Mayor. -ela leu o folheto. -Ah, então foi por isso...
–Que aquele cara dos vermelhos disse que os espanhóis estavam muito alegres e receptivos essa época do ano. -ele completou a linha de pensamento dela.
–Sim, e é no día de San Valentín¹ que eles fazem as maiores touradas e festas. E, é claro, tem a principal de todas as festa no Plaza Mayor. É onde rola o grande beijo coletivo dos namorados, fogos de artifícios e todas essas baboseiras românticas.
–Namorados? -perguntou Percy confuso. O quê os namorados tinham haver com o dia desse santo?
–Dias dos namorados, Percy. Caramba, como você é lerdo. -Annabeth sorriu pra ele e bagunçou os seus cabelos. -É dia dos namorados no mundo inteiro!
Caramba, ele tinha se esquecido aquilo. Estava inverno, as pessoas estavam amigáveis, espanhóis fazendo touradas e ele ficando excitado com cada coisa insignificante que a sua amiga fazia. Era obra do Cupido — ou Eros, seja lá o que as pessoas preferirem -, e ele tinha se esquecido dessa grande força do universo que ferrava com a sua vida amorosa. Maldito seja.
Eles seguiram para Gran Via. Annabeth lia os outdoors e os cartazes em frente as lojas, logo ela achou em estúdio de tatuagens.
–Aqui, é logo ali. Venha. –ela o chamou.
–Hã, Annabeth... Eu não sei se quero fazer isso, sabe? –Percy relutou.
Ela não esperou nem ele pestanejar, simplesmente agarrou o braço dele e o arrastou para dentro do local. Quando chegaram lá dentro, Percy quase correu como uma garotinha assustada quando viu o tatuador. Era um cara gordo, com desenhos e piercings por todo o corpo. Annabeth trocou algumas palavras com ele, o cara sorriu e disse.
–Americanos, hein? –o sorriso enfeitado com dentes de prata era algo completamente sinistro. – Bem, o que vai querer fazer garoto? E onde vai tatuar?
Percy pensou um pouco. Tinha uma tatuagem do seu pai que ele sempre quisera fazer: um tridente. Poseidon sempre fora um fanático pelo mar, tudo para ele era obro do mar. Desde de terremotos até arco-íris. Inclusive Percy fora trazido pelo deus mar, porque segundo ele fora numa praia que sua mãe e seu pai se conheceram. Percy gostava do tridente e ele tinha certeza de que nunca se arrependeria no desenho no seu corpo.
–Um tridente do deus do mar. No braço direito, um pouco abaixo do ombro. –ele respondeu ao tatuador.
Quando cara sinistro começou a fazer a tatuagem, Percy quase desmaiou por causa da dor. O rosto dele ficou completamente vermelho e até o seu pé direito se revirou. Annabeth ria da cara dele e até ameaçou gravar um vídeo para eles ganharem dinheiro com o YouTube.
–Eu te mato se fizer isso. –Percy rosnou para ela, fazendo-a rir mais ainda.
Eles pagaram com euros o tatuador quando ele terminou o seu trabalho. Percy olhou para a sua nova tatuagem, um tridente de cinco centímetros com tinta preta demarcava sua pele que ainda estava vermelha ao redor do desenho. Ele voltou a colocar o plástico que cobria a tatuagem e se sentiu mais livre, mais ousado. Annabeth Chase e suas idéias eram incríveis!
Ela sorriu pra ele e ele sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo. “Puta que pariu, tenho que parar com isso”, ele pensou.
–Gostou. Percy? –ela perguntou ainda sorrindo.
–Sim, muito. –ele respondeu.
Percy tomou coragem e segurou a mão dela. Ela no inicio relutou um pouco, mas logo conversava tranquila enquanto eles caminhavam até um restaurante da Gran Via. Eles se sentaram em um restaurante descontraído e com mesas na calçada. Percy se sentou de frente para Annabeth, de modo que dava pra ver tudo atrás dela. Inclusive uma morena muito bonita que estava sorrindo maliciosamente pra ele.
–Ah não, de novo não. –ele resmungou.
–O quê? –Annabeth se virou e olhou por cima do ombro. Quando ela viu a mulher ela entendeu. –Ah, tá. O quê é que você tem que enfeitiça as mulheres.
Percy deu de ombros. Annabeth bebeu um pouco do seu suco de laranja e disse:
–Vai lá falar com ela. –ela sugeriu. Mas havia algo estranho na sua voz, uma raiva contida.
–Pra quê? Pra beijá-la ou conseguir o telefone dela e depois transarmos? –ele perguntou cético pelo comportamento de Annabeth. –Não tem emoção se é só um beijo ou se é só por uma noite.
–Ah, céus, vamos lá, Percy, atenção para os fatos: estamos no século XXI e beijo e sexo é uma coisa banal como qualquer outra.
–Pra mim não é assim. –ele se expressou. –Você sabe o quanto um beijo é emocionante? Sabe o quanto ele mexe com os sentidos do corpo?
–Ah, não. Nem começa com as suas crises de nerdice...
–Pois um beijo, Annabeth, nada mais é incrível. A ansiedade que antecede o beijo na boca faz com que o organismo libere adrenalina. Aí, os batimentos cardíacos e o suor também aumentam. –Percy fez um pausa e então continuou. –Durante o beijo estimula-se a produção de adrenalina e serotonina, substâncias que fazem parte do chamado ‘sistema de recompensa’ do cérebro. É como se o órgão falasse: “vá em frente".
–E daí?
–E daí que eu gosto do meu cérebro dizendo “vá em frente” antes de beijar alguém. Isso faz o sexo ser maravilhoso.
Annabeth se inclinou sobre a mesa e ele sentiu o hálito quente dela contra o seu rosto. Annabeth tinha uma expressão irritada, ele só não sabia se era com ele ou com a mulher oferecida.
–Percy, para de viadagem e vai lá até lá.
Aquilo o irritou profundamente. Ela praticamente duvidou da masculinidade dele.
–Tudo bem, eu vou até lá. –ele se inclinou também e disse as palavras tão perto dos lábios dela que ela ficou fitando a sua boca. Ele ignorou o aviso do seu cérebro para ele seguir em frente e fazê-la perder o ar com um beijo avassalador –Mas se eu não gostar, eu vou ficar com outra, e com outra, e com outra!
–Então vai lá garotão. –disse ela mais irritada ainda.
Percy bufou, se levantou e foi até a morena bonita e gostosa. Ele se sentou do lado dela e torceu para que ela falasse inglês.
–Olá, moça. –ele cumprimentou.
–Olá, senhor. –disse ela em inglês com um sotaque espanhol. Era o mesmo modo que seu amigo, Leo Valdez , falava –Como vai?
–Vou bem, senhorita. Mas me chame apenas de Percy, que é o meu nome, por favor. –ele tentou parecer o mais confiante e sedutor possível – Eu vi que você ficou me observando enquanto eu almoçava com a minha irmã. –ele mentiu o parentesco com Annabeth.
–Ah sim, eu estava de olho sim em você. –ela sim deu um sorriso confiante e sedutor.
Eles ficaram conversando por apenas cinco minutos até a mulher lhe agarrar e sussurrar no seu ouvido que ele era muito caliente. Percy disse que tinha que levar sua irmã para uma consulta médica, pegou o telefone da moça, que ele descobriu se chamar Teresa, e voltou para a mesa aonde Annabeth estava.
–E como foi o beijo? –perguntou ela levantando uma sombracelha loira.
–Babado. –Percy respondeu enquanto piscava ainda sob o efeito do beijo desesperado e estranho da mulher. –Meu cérebro não disse nada.
Annabeth deu um sorrisinho. Ela parecia menos irritada. Então Percy entendeu o que estava rolando. Ela estava com ciúmes. Ela sempre fora ciumenta, na adolescência tinha ciúmes até do vídeo game dele, porque alegava que ele passava muito tempo jogando e pouco conversando com ela.
Dessa vez enquanto andavam pela rua, foi ela quem segurou a mão dele. Eles caminharam por mais alguns metros até que uma feminista fazendo protesto, chamou Percy de gostoso. Annabeth soltou a mão dele e disse um pouco relutante para que ele fosse até lá e beijasse a mulher. Ele apenas parou em frente da feminista e ela foi logo o beijando, fazendo os que também estavam protestando aplaudirem e gritarem de satisfação. Depois que a mulher terminou de morder a boca dele igual a um predador o empurrou para o lado e continuou a passeata.
–Me senti um garoto de programa sendo usado e depois descartado. –ela contou a Annabeth.
Eles decidiram finalizar a tarde no parque do Retiro. Eles se sentaram em um banco da praça e ficaram conversando até que uma loira oxigenada deixou soltou o cachorro em cima de Percy. O cachorro era amigável então Percy foi levar o cão até a dona.
–Ah, mucha gracias, señor. –a mulher agradeceu e lhe deu um beijo que ele não retribuiu.
Ele voltou a se sentar ao lado de Annabeth, com uma sensação de enjôo e com a boca sangrando por causa da maluca feminista canibal. Annabeth tinha comprado sorvetes e lhe deu um. Percy pegou o sorvete e colocou na boca, bem no lugar da mordida da mulher. Annabeth deu uma risadinha e encostou a cabeça no ombro dele.
–Eu me sinto tão promiscuo. –Percy murmurou.
–Ah, fala sério, já vi caras pegarem vinte numa mesma noite e trasarem com cinco ou mais. –ela retrucou.
–É, mas eu não sou como os outros caras.
–Certamente não é.
Eles terminaram o sorvete em silêncio enquanto ouviam os músicos da praça tocarem uma música exclusivamente para eles. Quando os caras terminaram pediram dinheiro e disseram que é um falta total de respeito em Madrid não dar dinheiro a músicos da Praça do Retiro.
–Que aproveitadores – comentou Percy, depois que eles saíram.
–Sempre são. –ela completou.
Annabeth se levantou e estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar. Quando ele se levantou ela estava, pela segunda vez naquele dia, com o rosto muito próximo dele. Dessa vez o hálito dela tinha o cheiro de uma mistura de suco de morango sorvete de chocolate espanhol. Percy segurou no rosto dela e foi chegando mais perto.
–Percy, o que está fazendo? –ela perguntou atônita.
–Não sei, Annabeth. Só seu que meu cérebro esta dizendo “vá em frente”. –ele respondeu.
O beijo foi a coisa mais estranha que Percy já fez na vida, primeiro por causa da demora de Annabeth a retribuir, então ele teve que apenas encostar seus lábios de leve nos dela. Depois ela sorriu e o beijou de verdade, sugando todo o ar de seus pulmões. E logo no segundo seguinte a o lábio inferior dele –que fora ferido pela feminista canibal- começou a sangrar. Eles não queriam parar o beijo, mas o gosto de saliva e sangue não era muito bom. Então assim que terminaram, Annabeth ficou com a cabeça apoiada no peito dele e o rosto escondido em seu pescoço.
–Me lembre de nunca mais deixar você sair beijando várias por aí. –ela falou.
–Me lembre de nunca ceder as suas provocações.
Eles sorriram um pouco e ficaram abraços no meio da praça, o sol poente iluminando seus rostos. Percy se deu conta do por que estava querendo tanto beijá-la. Era porque ele precisava de carinho, fazia muito tempo que ele não recebia isso de uma mulher, e ainda mais uma mulher como Annabeth. Ele precisava de um abraço que transmitisse o paz, enquanto o mundo estava prestes a entrar em guerra. Ele precisava do abraço de alguém para confortá-lo e fazê-lo acreditar que tudo ia ficar bem com a sua mãe.
–Quer ir pra casa? –ele, gentilmente e em um sussurro, perguntou a ela.
–Sim. –ela simplesmente respondeu.
Então eles pegaram o ônibus no ponto. Se sentaram e entrelaçaram suas mãos. Aquele era o mesmo ônibus que eles pegaram pela manhã. E a mesma mulher ficou dando em cima dele. Mas ele não tinha olhos pra ela, não tinha olhos pra nenhuma, a melhor de todas estava ali do lado dele.
Eles observaram a silhueta de Madrid e as luzes reluzentes da cidade sob a escuridão da noite. Percy virou o rosto de Annabeth para si e a beijou mais calmamente dessa vez. Ele queria evitar uma hemorragia labial.
Quando chegaram a pequena pensão e subiram para os quartos, Annabeth o beijou. Ele ficou feliz por ter sido ela a tomar a iniciativa dessa vez. Ele queria continuar com o clima “apenas trocando carinho”, mas ela era gostosa demais pra ele não ficar excitado.
–Acho que tem alguém animadinho aqui. –disse Annabeth sorrindo.
Percy ficou envergonhado ao perceber que já estava com indícios de uma ereção.
–Com uma mulher incrível como você é difícil não ficar. –ele retrucou.
–Bem, eu acho que vou entrar. –ela murmurou.
–O quê? Ah não, está tão bom aqui. –ele choramingou. –Não quer ir pro meu quarto?
Ela gargalhou e o olhou travessa. Ela estava o provocando e iria deixá-lo ali. Precisando de carinho, sofrendo sob as maldições do deus do amor e completamente duro.
–Boa noite, Percy. –ela se despediu e começou a fechar a porta lentamente, só para torturá-lo mais ainda. –Te vejo no Día de San Valentín.
–Annabeth, não faz isso. Vamos pro meu quarto. –ele pediu uma última vez até ela fechar a porta e ele ouviu o barulho dela a trancando. –Eu tenho camisinha... –ele murmurou baixinho com a testa escorada na porta do quarto dela.
E#le foi para o seu quarto e tomou um banho muito gelado, o que era quase suicido já que estava no inverno espanhol. Quando terminou o banho, ele se deitou apenas usando uma calça de moletom.
Ficou pensando no beijo daquela mulher loira e nos olhos cinza dela enquanto ela lhe abraçava e escondia seus rosto no pescoço dele. O quê tinha aquela mulher? Era totalmente diferente da garota indisciplinada que ele havia conhecido.
Ela era linda, sensual e intelectual sem nem mesmo fazer esforço pra isso. Como ele podia guardar magoa de alguém tão diferente da que ela era no passado? Ele fechou os olhos e imaginou ela ali do lado dele, tocando a sua pele ainda molhada pelo banho. Imaginou ela sussurrando o nome dele enquanto se contorcia de prazer debaixo de seu corpo. Imaginou ele beijando cada pedaço de sua pele braça, e imaginou aqueles lindos cabelos dourados espalhados pelo peito dele enquanto ela dormia tranquilamente.
Ele sempre quisera isso, porém agora estava mais perto de conseguir do que nunca. Annabeth Chase seria dele, ela iria perceber o que perdeu todos aqueles anos.
Ele iria transar com ela, ou passariam a vida inteira se masturbando pensando nisso.
¹= Nos países europeus, nos EUA e em alguns países da América latina, o dia dos namorados se é comemorado no dia 14 de fevereiro. Uma data em tributo ao santo da Igreja Católica, São Valentino. Por isso em inglês "Valentine's Day" e em espanhol "Día de San Valentín.
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