The Scientist

8 Madrid I -"Andaram nos bisbilhotando"


Notas iniciais
Pessoal, aviso importante: postarei dois capítulos hoje. Pq? pq só vou ter tempo de postar o próximo no domingo e acho chato deixar vc esperando.

11 de fevereiro, conjunto habitacional "Calle de las Conchas", Madrid, Espanha.

Percy estava em pânico e animado ao mesmo tempo. O pânico era devido ao que Annabeth havia acabado de lhe contar: os vermelhos estavam na cola dele e usariam várias pessoas para convencê-lo a abortar a missão. E estava animado devido ao fato deles estarem em Madrid, uma das cidades mais lindas e com as maiores riquezas históricas da Europa.

–E então ocorreu a batalha de Madrid. -contava ele a Annabeth. -Apesar de ser uma luta entre grupos de classes e ideológicos da época, os grupos tinham o apoio das principais forças tiradas daquele tempo: um lado era apoiado pelo fascismo e o outro era apoiado pelo comunismo. “As resistência da cidade colocaram cartazes com os diseres” iNo pasaran!”por todas as ruas e... -E assim Percy continuava a sua história.

Annabeth ouvia tudo com uma expressão de monotonia no rosto. Talvez ela tivesse achado legal nos primeiros minutos, mas agora que Percy já estava falando a vinte minutos sobre a Guerra Civil Espanhola, ela com certeza deveria estar cansada. Ela mexia o seu café com a colher há cinco minutos e o barulho do metal da colher retinindo na xícara ficava cada vez mais auditivél.

–Olá, gente. Bom dia. -cumprimentou Jason se sentando-se à mesa deles.

–Ah, graças a Deus! -comemorou Annabeth. -Eu não aguentava mais isso. -Ela se levantou da mesa em um salto e tomou o seu café em um só gole, depois colocando a xícara na mesa. -Jason, fique aqui ouvindo o lindo discurso de Percy sobre a batalha de Madrid, enquanto eu vou resolver algumas coisas com Daniel.

E então ela saiu com uma expressão de puro alívio no rosto em direção a Daniel. Jason, então, se sentou na cadeira em frente à Percy que outrora estava ocupada por ela. Eles estavam em uma pensão –onde tinha um restaurante abaixo dos quartos onde eles estavam hospedados- num conjunto habitacional humilde da cidade. A Casa de las conchas¹ era uma vila com casas de arquitetura antiga -muito bonitas, por sinal- e de telhados alinhados. Se alguém quisesse dar uma de homem-aranha e pular de casa em casa, conseguiria sem nenhuma dificuldade.

Os agentes tinham alugado aquela pensão em especial porque ela não chamava a atenção e não era tão evidente como um hotel no centro da cidade seria. Apenas Jason, Daniel, Annabeth e Percy estavam hospedados lá, mas ainda assim eram vigiados e tinham todo o apoio dos agentes espalhados por Madrid. Jason parecia tão animado quanto Percy estava naquela manhã. Ele tinha cinco folhas nas mãos e as estendeu para Percy dar uma olhava.

–O quê é isso, Jason? -Perseu perguntou.

–Isso, meu amigo, são informações sobre o suposto vírus contido na bomba. -Jason sorriu abertamente para ele e sussurrou as palavras seguintes: — Piper conseguiu abrir alguns arquivos com os detalhes das mensagens enviadas pelos rebeldes as instalações americanas aqui da Europa. Enquanto ela fazia isso, Leo hackeou as mensagens dos vermelhos e elas batiam exatamente com as informações que Piper conseguiu.

–E o que elas diziam. -perguntou Percy, já preocupado por tamanha exposição dos amigos.

–Elas diziam que o vírus contém 13% de Metanol, álcool liquido e altamente inflamável e que corroe o corpo humano de dentro pra fora. O vírus tem esse mesmo efeito. Sem falar que nas mensagens eles diziam claramente que o conteúdo da bomba desenvolvia uma reação em cadeia, as células do vírus se multiplicavam. É um processo parecido com aquele que você usou para...

–Para contribuir para o melhoramento do coquetel anti HIV. -completou Percy. -E parecido com o que eu usei também antes naquele... Meu experimento mal sucedido. -Ele praticamente cuspiu as palavras para fora. Não se sentia confortável falando daquilo.

–Isso mesmo. -confirmou Jason. -Não é a toa que te escolheram para essa missão. Você sabe muito bem como lidar com isso.

Percy começou a ficar nervoso. Suas mãos tremiam e estavam suadas, sua enxaqueca começava a dar sinais de que surgiria a qualquer momento.

–Jason, é melhor não falarmos de novo sobre isso. -ele pediu ao amigo. -Você não pode mais expor Piper e Leo dessa forma. Se vocês três forem pegos fazendo esse tipo de coisa, podem ser presos e irem à cadeira elétrica por traição!

–Percy, eu sei. Mas é horrível pra mim ver você se definhando tentando achar a solução para um problema do qual não sabe nada. -Jason tinha um olhar de culpa, mas ao mesmo tempo determinado nos olhos. -Eu achei que já estava na hora de agir. A CIA fica te fazendo de bobo e não nos fornece nenhuma informação. Eu tinha que fazer alguma coisa!

Percy queria começar uma discussão. Ele podia descobrir tudo aquilo sozinho, não estava desesperado e nem necessitando de ajuda. Mas ao olhar para Jason ele viu um retrato de si próprio: um cara assustado com a situação e com medo de não voltar para as pessoas que ama. Ele sabia que Jason estava apaixonado por Piper, desde que estavam na Europa ele sabia que ele falava com ela por Skype. Percy pensou na sua mãe também e em como queria voltar para lhe dar um abraço. Não poderia ficar chateado com alguém que estava tão frustrado como ele.

–Tudo bem. -ele murmurou se dando por vencido. -Eu vou dar uma olhada nesses papeis. Qualquer coisa eu te conto.

–Obrigado. — Jason suspirou de alívio. -Eu também preciso saber de uma coisa, Percy. -ele se inclinou e o seu rosto ficou tão perto do de Percy que ele teve que reprimir o impulso de não lhe dar um soco e alegar assédio sexual. -Você deixou alguém colocar as mãos nos arquivos do seu antigo projeto.

–Primeiro: saia de tão perto de mim. Segundo: não, ninguém tocou nos meus arquivos sem ser você. -respondeu Percy.

Jason saiu de perto dele e voltou a se sentar ereto na sua cadeira, ele estava visivelmente atordoado e seus olhos azuis estavam agitados.

–Eu me lembro de deixar os arquivos devidamente guardados durante os experimentos. -Jason disse. -E depois de que os agentes foram até o laboratório eu os vi queimarem todos os papeis. Ninguém ficou com nada, nem mesmo aquele empresário dono de produtos farmacêuticos para quem você trabalhava.

–E eu também acho que ele não pegou nada. Ele era um homem bom demais e até me livrou da cadeia quando os agentes quiseram me levar. -Percy olhava para os carros passando pela rua, atrás de Jason. -Não acho que esse vírus tenha alguma coisa a ver com os meus antigos experimentos.

Eles ficaram em silêncio, suas mentes trabalhando para achar um ponto coerente naquela situação.

–Bem, de qualquer forma eu vou analisar esses escritos aqui. -disse Percy rompendo o silêncio. -Obrigado pela ajuda. Mas me prometa não conversar sobre isso com Piper e Leo, nunca mais.

–Tudo bem, eu prometo. -falou Jason um tanto quanto relutante. -Pelo menos eles nos deram informações valiosas. -Jason bufou e se levantou da cadeira. -Eu vou dar uma volta na cidade e distrair a cabeça.

–Tudo bem, vejo você aqui no final da tarde.

E então Jason se foi pela Calle de rua mayor². Percy continuou sentado na sua mesa no restaurante da pensão. Ele até tinha pensando em ir para o seu quarto tentar dormir um pouco, mas ele estava com muita preguiça de subir as escadarias da pensão que levavam para os quartos. Ele pegou uma revista que uma garçonete — que estava dando claramente em cima dele — deixou ali. Ele tentou ler e traduzir as palavras. Ele se lembrou de quando o seu pai voltou de uma temporada na Espanha e passou um verão inteiro tentando lhe ensinar espanhol. Percy até que aprendera muita coisa do idioma.

–Aqui. -Annabeth o tirou da sua leitura batendo a mão na mesa com um tipo de ingresso na mão. -Bilhetes para andar num daqueles ônibus de turismo com dois andares e com o andar superior destapado.

–Annabeth, eu sei o que é um ônibus de turismo espanhol. -Percy disse.

Ela revirou os olhos e Percy percebeu que ela fazia muito isso quando conversava com ele.

–Tudo bem, sabichão. Vai querer fazer um tour pela droga da cidade ou não? -ela perguntou.

–Eu estou muito ocupado, sabe? -ele a olhou e viu que ela estava com uma expressão assassina por ele estar recusando o convite. Ele sorriu e prosseguiu: — Mas acho que posso abrir uma exceção para te acompanhar.

Annabeth não estava mais com a sua cara assassina e saiu andando em direção a rua. Percy a seguiu e perguntou:

–Esse passeio é só uma tarde entre amigos ou é algo relacionado a missão?

–Um pouco dos dois. Em parte porque quero passear por Madrid e também porque eu espero que os vermelhos venham até você para conversar. -respondeu ela- Assim nós podemos saber um pouco dos planos dele e até capturar algum para tirarmos mais informações.

–Então vocês estão me usando como isca? -ele perguntou com a voz um oitavo a cima, mostrando apreensão.

–Grita mais, Percy. O pessoal em Nova Dehlim ainda não ouviu. -Ela o repreendeu. -Sim, talvez você seja a isca. Que seja, não importa. Vamos apenas aproveitar a tarde e o tour pela cidade.

Annabeth fez sinal para o ônibus vermelho de turismo. Eles entraram no ônibus e subiram as escadas para se sentarem no andar de cima, que era completamente descoberto e que dava pra ver toda a cidade.

Percy se sentou no corredor e Annabeth no canto. Ela estava com óculos escuros e quando o ônibus começou a andar, os seus cabelos loiros — que pareciam feitos de ouro sob a luz do sol — voavam com o efeito do vento. Ela virou o rosto para Percy, sorriu e disse:

– iVamos, que nos vamos, chico!³

¹= Conjunto habitacional em Madrid. Lugar onde os mais pobres ou os estrangeiros moram.

²=Rua onde principal de acesso e saída ao conjunto habitacional Calle de las Conchas.

³= Vamos que vamos, garoto!

Notas finais
Posto o próximo daqui a pouco. :) Mas comentem nesse também, hein!