The Scientist
28 Donetsk I - "Sobreviventes"
Notas iniciais
01 à 03 de maio.
Centro de concentração da Cia, Florenza, Itália.
Floresta de Donestk, Ucrânia.
Os homens que subiam pela montanha estavam vestidos de preto, o que era um tanto irônico, já que tanto quanto Percy, Annabeth também tinha certeza de que eram “os vermelhos”. Ela abriu as portas da varanda e viu que todos estavam quietos. Joey distribuía armas para os agentes que entravam na sala; Leo e Jason procuravam algo para fazer. Acabaram com uma pistola nas mãos e a cautela no olhar.
Annabeth puxou Percy para um canto perto das cortinas da sala.
–Eu não vou poder ficar com você aqui. Vou procurar Phill e bolar um plano de fuga de emergência. –ela disse.
O coração de Percy se apertou. Annabeth era inteligente, sábia e com um coração banhado a orgulho. Se trombasse com qualquer um dos vermelhos, poderia arranjar sérios problemas. Mas ele decidiu sorrir rapidamente e juntar os seus lábios em um beijo rápido.
–Tome cuidado. –sussurrou a ela.
–Fique atento a qualquer chamado para fugir.
Percy assentiu e Annabeth sumiu por uma das portas que davam ao pequeno aeroporto na cobertura. Já que eles estavam no topo de montanhas, aviões era o meio de transporte mais rápido e viável. Percy parou para ouvir o som das pessoas da sala, mas o curioso era que eles não faziam barulho algum. Todos estavam parados, estáticos, esperando algo acontecer.
–O que foi? Por que estão todos parados? –Percy perguntou a eles.
–Porque Phill acabou de me contactar. –Joey olhava para a tela do seu celular. –Ele e Annabeth já estão bolando um plano de fuga, mas precisamos ficar aqui.
–Onde está Piper ou as outras agentes mulheres? –indagou Percy.
–É obvio que estão fazendo outra coisa, como fortificar as defesas eletrônicas. –dessa vez foi Jason que respondeu. –Percy, eles não sabem que é você o cientista. Eles vão ver um monte de caras aqui e vão pegar o que acharem que é.
–Mas você e Leo não deviam estar aqui, não precisam tentar se passar por mim, já se têm agentes o suficiente.
Leo sorriu e passou as mãos no cabelo.
–Se estamos na chuva, é pra se molhar, cara. E além do mais, eu e Jason temos cara de nerds.
–Com certeza, não. –Joey se intrometeu. –Se escondam no laboratório junto com a Mclean. Jason eles já conheceram em Madrid, quando o pegaram. E o Valdez... Bem, com a cara que ele tem ninguém suspeitaria de que a CIA não deixou o mundo nas mãos dele.
–Espera. –Leo o interrompeu, parecendo muito ofendido. –Você disse o quê?
Montanha, com todo o seu corpo alto e musculoso, se postou ao lado deles com um semblante preocupado.
–Eles já estão aqui, vão entrar em poucos segundos. –ele anunciou.
–Merda... –Joey murmurou. –Percy, aconteça o que acontecer, fique o mais próximo da janela o possível.
–Rota de fuga? –Percy entendeu na hora a fala.
–Possivelmente. –Joey respondeu. –Tente não se estatelar no chão.
Percy assentiu, tentando deixar de lado o vestígio de raiva que sentiu ao ver Joey dar um pequeno sorriso. Ele e seu maldito medo de altura... Como coseguiria fugir pela janela?
Seus pensamentos foram interrompidos pelo som da maçaneta eletrônica da porta sendo aberta. Alguns homens entraram lá dentro com armas em punho, roupas de camuflagem e os rostos escondidos por máscaras. Pareciam um pouco amedrontados, o que era algo comum para alguém que estava invadindo um local da CIA. Mexer com americanos nunca dava boa coisa.
–Queremos saber quem é Percy Jackson! –disse o que parecia ser o líder.
–Chegaram adiantados. –Leo murmurou.
Percy percebeu que Jason e Piper não estavam mais na sala, e que lá só tinham quatro homens além dele. Leo era um deles. Ele ouviu o barulho de um avião a distancia, aquilo deveria ser parte do plano, por isso ele envolvia a janela e a altura. A mente de Percy ligou os pontos: Phill estava dirigindo o jatinho e Annabeth provavelmente estava lá dentro fazendo as reparações e os planos. Ele teria que pular da janela. E ele, como nunca antes na vida, estava apavorado e entusiasmado ao mesmo tempo.
Joey colocou a mão no ouvido, como se estivesse ouvindo algum recado no fone que ali estava. Franziu as sombracelhas e depois fez uma cara de quem não compreendia nada. Ele fez um sinal para os outros agentes e todos eles abaixaram as armas.
–Estamos nos rendendo, não precisam usar de violência. –Joey falou, visivelmente a contra gosto.
O líder dos vermelhos fez uma expressão atônita e olhou para os colegas, todos também confusos. Eles sussurraram entre si e logo depois o homem voltou a brandir a arma, só que dessa vez apenas uma de suas mãos a segurava, enquanto a outra ostentava um rádio comunicador.
–Octavian, eles se renderam. –disse o líder dos vermelhos no rádio.
–Ótimo, Franchesco, muito bom trabalho. –a voz doentia do homem que Percy insistia em chamar mentalmente de espantalho, respondeu. –Agora ache o cientista e traga-o para nós.
O tal do Franchesco deu um jeito de apoiar o rádio no cinto da calça e olhou para Percy e os agentes de um jeito intimidador, ou pelo menos tentou.
–Digam que é Percy Jackson, agora! –ele ordenou.
–Bem, não se tem como esconder as cosias por muito tempo. –Leo deu um passo à frente e fez um semblante de animal abandonado. –Podem me levar. Eu sou Percy Jackson.
–Ótimo. –Franchesco deu um passo à frente para prendê-lo.
–Espera! –Joey ficou na frente de Leo. –Ele fez isso para tentar me proteger. Eu sou Percy Jackson.
–Não eu sou... –disse outro agente.
E mais outro e mais outro, até que todos na sala, inclusive o próprio Percy, confessaram ser o cientista procurado pelos vermelhos. Os rebeldes ficaram atordoados e Franchesco pegou o rádio do cinto.
–Que droga, Octavian, todos dizem ser esse merda de cientista.
A voz de Octavian ecoou pelo aparelho.
–Não acredito que você caiu nesse maldito truque. –a voz dele parecia cansada. –Onde está o Sandro?
–Aqui, senhor. –respondeu um homem ao lado de Franchesco.
–Examine o braço direito de cada um deles. O verdadeiro Percy Jackson fez a tatuagem de um tridente, enquanto estava em Madrid e fazendo tour com a namoradinha. É bem abaixo do ombro.
Eles terão uma forma de identificá-lo, dissera Bob a Annabeth. E somente agora Percy entendia. Joey lhe lançou um olhar preocupado e logo seus olhos se desviaram para a janela. Percy estava começando a ficar aterrorizado, o barulho do possível avião particular havia sumido. Ele iria pular praticamente para o nada e terminar como uma mancha vermelha no chão.
–Fiquem de joelhos. Em fileiras. –ordenou Sandro.
Todos olharam para Joey e ele assentiu. Eles se ajoelharam, porém Percy estava mais para perto da janela. Ele fez cara de assustado, para se passar por um cara que apenas estava com medo de ser morto, e não pelo fato de ser o verdadeiro cientista e que iria cometer suicídio pulando de quase 50 metros.
Franchesco levantou a manga da blusa do Montanha e logo depois a de Leo. Joey estava do lado de Percy e o vermelho já estava quase chegando nele. A manga da camisa de Joey foi levantada e a tatuagem de um leão se fazia presente ali, mas um leão não era um Tridente, e todos que fingiram ser Percy Jackson, de fato não eram.
–Então você é o... –Franchesco ia dizendo.
Sua frase foi interrompida pela porta sendo abertas e agentes americanos da CIA atirando diretamente nos vermelhos. Pelo jeito havia mais vermelhos no decorrer da montanha, já que um tiroteio foi desencadeado. Percy deu um chute em Franchesco que caiu no chão com um baque e batendo a cabeça. Joey pegou uma das armas que ele tinha colocado no chão quando ficou de joelhos e foi para o lado de Percy.
Então aquele era o plano, parecer estarem rendidos quando estavam na verdade esperando reforços.
–Está ouvindo? – Joey perguntou.
–Não, não ouço nada. –Percy respondeu.
–Turbinas de avião. Não está ouvindo nada mesmo?
–Não. –Percy voltou a afirmar.
–Que pena. –Joey finalizou a conversa.
Percy foi empurrado com violência por Joey e acabou batendo com as costas no corrimão da varanda. Ele se perguntou se alguém teria aberto as portas da varanda, mas isso já não tinha a menor importância. Ele estava em queda livre.
Percy gritou e sentiu os ossos do seu corpo balançando freneticamente pela velocidade do ar. A sorte foi que em quase 3 segundos, um jatinho particular deu uma guinada e a mão de alguém o segurou. Era Annabeth, segurando na porta e com uma corda de segurança amarrada à cintura. Seu rosto estava vermelho pelo esforço e com um puxão, ela conseguiu colocar metade do tronco de Percy para dentro. E a partir da aí, ele se esgueirou para dentro do avião, com a porta se fechando atrás de si.
–Um dia ainda mato o Joey. –Annabeth sussurrou com a respiração acelerada e coberta por uma camada fina de suor. –Pelo menos o filho da mãe te jogou no tempo certo.
Percy não conseguiu responder. Em qualquer outro momento ele estaria rindo, mas tinha passado por um momento assustador em que a sua fobia foi levada ao limite. Uma gota de sangue passou em frente aos seus olhos, sua cabeça doía. Só então ele percebeu que tinha batido com a cabeça na porta do pequeno avião.
Percy colocou os dedos na ferida um pouco acima da sua sobrancelha direita. Quando viu o sangue, ele sorriu. Bem ou mal, com pânico ou não, ele estava vivo. Havia escapado por mais uma vez.
E essa foi à única coisa de que ele se lembrou antes de desmaiar.
[...]
Annabeth olhava para Percy deitado na cadeira inclinável do jatinho particular da CIA. Deveria custar alguns milhões aquele pequeno avião e ela até se sentiu bem por desfrutar de certo luxo. Ela estava cansada, mas não conseguia parar de olhá-lo. O corte no supercílio o deixara mais bonito, se é que era possível. Ele estava sem camisa, segundo as regras de primeiros socorros, tirar o máximo de roupas o possível fazia a pessoa respirar melhor. Annabeth bem que queria, mas não tirou as calças dele e nem o deixou nu; era um risco, pois ela podia atacá-lo e fazer coisas nada decentes e Phill estava pilotando o avião.
Não pega bem o seu chefe te ver transando com o namorado.
Percy se mexeu parecendo desconfortável na cadeira. Seus olhos verdes se abriram e Annabeth sorriu para ele.
–Dormi por muito tempo? –ele perguntou.
–Já está de noite e faltam dez horas para chegarmos a Kiev. –Annabeth respondeu. –Você dormiu muito, sim.
Percy deu uma risada sem humor e fechou os olhos enquanto coçava a cabeça.
–Quem está pilotando?
–Phill. Foi o único que pode vir conosco. –Annabeth passou a mão pelos cabelos negros dele. Já estavam grandes novamente desde que ele o cortara na Bulgária. –Até que cheguemos a Kiev e encontremos Thalia e Nico, estamos nós três por conta própria.
–Ah, que maravilha... –Percy revirou os olhos.
Percy segurou a mão dele e relaxou na cadeira. Seus olhos esquadrinharam o rosto de Annabeth, cada milímetro, cada detalhe. Ele sorriu de lado, sempre sabia quando havia algo de errado com ela.
–Me diga o que foi. –pediu.
–Eu só estava pensando um pouco. –ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, como sempre fazia quando estava em uma situação desconfortável.
–Estava pensando o quê?
–Por que eu fui tão idiota de não ter te amado antes.
Percy pareceu estar sem palavras por um momento, mas logo balançou a cabeça enquanto sorria.
–Você fez bem em não me amar. Eu era um cara desesperado, Annie. –ele entrelaçou os dedos de suas mãos. –Eu te venerava, achava te amar simplesmente pela sua beleza, pela ideia de termos algo juntos ou de simplesmente não querer ficar sozinho. Eram raros os momentos que eu gostava de você pelo o que você era, mas eu amava a imagem que tinha de você dentro da cabeça.
–E hoje me ama por quê? –ela perguntou um pouco confusa e com o cenho franzido.
–Te amo porque agora sou um homem. Porque te vejo como você é e não da forma que eu quero que você seja. –Percy encostou a cabeça no apoio da cadeira e fechou os olhos. –Existe uma diferença muito grande entre essas duas coisas.
Depois de um tempo ele voltou a dormir e Annabeth voltou a pensar.
[...]
–Desculpe atrapalhar o sono de veludo de vocês, mas tenho noticias. –Phill se postou entre as cadeiras que Percy e Annabeth estavam deitados.
Percy limpou a baba que escorria no canto da boca e começou a vestir uma blusa. Annabeth levantou, como sempre quando acordava, com o seu habitual mal humor.
–O que houve? –ela perguntou.
–Acabei de descobrir que existe um espião na CIA. — Phill suspirou pesadamente. –Só odiei a forma como descobrir.
–E como foi isso? –Percy indagou enquanto se sentada na cadeira para ouvir com mais precisão.
–Sabotaram o avião, não saímos com o tanque cheio, então não vamos poder chegar ao centro de Kiev. Vocês vão ficar na floresta de Donestk.
Annabeth se postou de pé olhando fixamente para o homem a sua frente. Percy achou a cena um pouco engraçada. Annabeth era alta e tinha um corpão, Phill era baixinho, careca e magro. Ela ficava tão intimidadora e o cara tão diminuído, mas ainda assim não abaixava a guarda.
–O que você quer dizer com “vocês”?
–A gasolina que estava no motor era adulterada. Corroeu o motor e as ferragens. Também destruíram os paraquedas, só um está em estado de uso. –Phill mexeu no seu cavanhaque e olhou nos olhos de Annabeth com pesar. –Eu vou ficar aqui e vocês pulam. Tenho que garantir que o avião não prejudique ninguém.
–E depois o que vai acontecer? –Annabeth olhava para baixo como se não quisesse encarar que seu chefe e amigo iria morrer.
–Depois o avião explode. Vocês vão para Kiev encontram Nico e Thalia e desestabilizarão o sistema de comunicação dos vermelhos.
–Por que tudo tem que terminar com uma explosão? –Percy perguntou para si mesmo, só que em voz alta.
Annabeth lhe lançou um olhar reprendedor e Phill se limitou a sorrir, parecia que estava conformando-se ao longo da viagem, convencendo a si próprio de que aquela era a única solução.
–Já fiz uma mochila especial de viagem pra vocês. Com quites de primeiros socorros, o básico para sobrevivência e alguns aparelhos de comunicação. –disse Phill. –Vocês podem pular daqui a cinco minutos.
Foi só Phill terminar de falar que o jatinho entrou em turbulência. Percy avistou a mochila da qual ele havia falado e prendeu asna frente do corpo. Annabeth ainda estava parada com os olhos marejados. Ela nutriu um sentimento fraterno muito forte pelo o seu chefe e com certeza era traumático saber que ele estava prestes a morrer. Percy pegou o paraquedas também e se postou na frente dela lhe mostrando.
–Nunca pulei com isso. Me ajuda? –ele perguntou.
Annabeth assentiu e limpou as lágrimas dos olhos.
–É fácil. Vou começar a amarrar as cordas em mim e depois eu começo com você, está bem?
–Claro.
Annabeth amarou as cordas agilmente, como se fossem linhas de tear. Percy foi até a cabine do piloto onde Phill estava e lhe deu um aperto de mão.
–Sinto muito. –falou Percy.
–Talvez sinta mesmo. –Phill retrucou. –Cuide bem dela, rapaz. Jamais conheci uma mulher mais valiosa que ela.
–Eu sei disso, senhor. E vou cuidar, pode deixar.
Ele voltou para onde Annabeth estava e ela começou a marrar as cordas do paraquedas na mesma velocidade que antes. Percy ficou preso na frente dela, ele iria puxar a corda do paraquedas.
O avião deu uma guinada e Phill gritou um palavrão. Eles estavam caindo e numa velocidade muito rápida.
–Vocês têm que ir. Agora! –Phill ordenou.
Percy prendeu a mochila com os mantimentos que Phill havia falado com mais força em si. Ele mesmo abriu a porta e olhou para trás esperando um consentimento de Annabeth. Ela assentiu e eles pularam.
O chão já não parecia tão distante, estava cada vez mais perto. Annabeth disse alguma coisa no ouvido dele, mas as palavras foram literalmente levadas pelo vento. Num último instante Percy entendeu: “puxe a corda”. E foi isso o que ele fez.
O que não adiantou muita coisa, já que o paraquedas apenas desacelerou a queda, mas ela continuou gradativamente. Percy deduziu, pelas regras de física básica, que eles haviam pulado de uma distancia muito baixa. O que, com toda certeza, atrapalhou tudo.
E o pior: eles iriam cair num lago. Aquilo poderia ser fatal.
Em poucos segundos, Percy sentiu o impacto da água extremamente gelada envolvendo o seu corpo. Ele emergiu, com a mochila ainda presa ao seu corpo. Annabeth estava se debatendo na água. Percy mergulhou e a ajudou a tirar as cordas do paraquedas.
Ela emergiu também, ofegante e tossindo muito. Eles estavam na Ucrânia agora e lá, mesmo no verão, fazia um frio desgraçado acompanhado por uma neve insistente. Percy praticamente colocou Annabeth nas costas e levou todo o peso dela, e da mochila com mantimentos também, até a margem do lago.
Percy a jogou na margem, estava tão cansado que se desligou até da delicadeza. Ele tremia de frio e sua roupa estava encharcada. Assim como a de Annabeth, que estava muito pálida e com os lábios roxos.
–Droga. –Percy murmurou. –Você está ficando com hipotermia.
Percy estava acostumado com água fria. Sempre nadou nas congelantes águas da praia de Montauk com o seu pai. Mas Annabeth não estava tão acostumada assim, seu corpo tremia demais. Ele a abraçou tentando esquentá-la, o que não adiantou muito já que ele também estava todo molhado.
–Temos que sair daqui. –Annabeth tentou falar, tropeçando nas próprias palavras por causa do frio.
–Vamos descansar um pouco, prometo arranjar um lugar quente.
–Não, Percy. Realmente precisamos sair daqui. Olhe. –Annabeth indicou com a cabeça que havia homens se movimentando e um pouco mais distante havia barulhos de tiros. –Aqui é o cenário de guerra da Ucrânia. Os separatistas e os unificadores se enfrentam aqui.
–Acho que deveríamos ganhar um prêmio por sermos tão azarados. –Percy cuspiu as palavras.- Que ódio!
Ele colocou a mochila atrás das costas e ajudou Annabeth a correr.
[...]
Se existe pessoa mais azarada que Annabeth? Não, ela duvidada que existisse. Eles conseguiram achar uma cabana abandonada no meio da floresta. Annabeth estava deitada num colchão achado no local. E todo o lugar era preenchido pelos seus gritos de dor.
–Como você conseguiu achar isso, eu não sei. –Percy bebeu um gole do uísque que achouna cabana e deu para Annabeth. Enquanto costurava o corte profundo na perna dela. –Beba o uísque, vai ajudar a deixar os músculos do seu corpo dormente. Phill não colocou morfina na mochila.
–Eu nem consigo mais sentir a minha perna. –Annabeth se engasgou com o próprio ar. –Acho que eu vou desmaiar.
Percy assentiu, com as sombracelhas juntas de preocupação. Constantemente ele jogava o uísque na ferida, aquilo era o que resolvia tudo, era o único álcool para desinfetar a ferida. Annabeth agradeceu aos céus por Percy ter noções de técnicas de enfermagem. E agradeceu também por Phill ter lembrado de colocar linhas e agulhas especiais para dar pontos em feridas, mas o amaldiçoou por ter esquecido a morfina.
Phill... Mas alguém que ela amava que se fora.
Seus pensamentos se esvaziaram com a dor. Maldita seja a armadilha deixada pelos unificadores na floresta. Era um buraco fundo com uma lâmina feita para arrancar as pernas dos inimigos, mas como Percy a estava segurando, ela não teve o azar extremo de enfiar a perna toda no buraco camuflado. Um corte quase atravessando a sua panturrilha era o suficiente.
–Terminei. –Percy disse e Annabeth agradeceu. –vou trazer água para limpar isso aqui.
E foi isso o que ele fez. Encheu um balde na pia da cozinha da cabana e trouxe para perto de Annabeth. Percy já havia dado banho nos dois assim que chegaram e agora vestiam roupas secas, mas ela ainda sentia frio. As únicas coisas sujas eram os ferimentos de Annabeth e as mãos de Percy, todos banhados em sangue. Ela esticou os braços e pegou os pães que havia na cabana.
Annabeth comeu, sentindo a energia voltar ao seu corpo enquanto Percy finalizada de limpar as mãos. Os olhos dele estavam agitados, assim como os sentimentos dela.
Phill, se fora. Era tudo o que ela conseguia pensar. Silena Beuregard se fora e Charles Beckendorf também. E Annabeth não conseguia ser livrar dos pensamentos sombrios que apontavam que a culpa era dela.
–Ei, o que foi? –Percy perguntou deitando-se ao lado dela. Ele limpou algumas lágrimas que insistiam em cair pelo rosto delicado de Annabeth.
–Nada, só estava pensando. –Annabeth disse. –E essa merda dessa perna também não ajuda em nada.
–Você anda pensando demais ultimamente. –Percy a abraçou envolvendo tudo o que podia do corpo dela em seus braços. Era uma forma de aquecer um ao outro. –E a perna vai melhorar, pode demorar um pouco, mas vai.
Annabeth se conformou com a perna, mas não com seus pensamentos. Lá estava a pessoa que ela mais amava no mundo a confortando e a protegendo. E ela tinha um medo absurdo de falhar naquela missão e perdê-lo.
Percy estava apenas de cueca e ela de calcinha e sutiã. Pode parecer loucura, mas segundo as regras de primeiros socorros as pessoas que queriam se aquecer deveriam se livrar do máximo de roupas possíveis , se abraçar e se encher de cobertores.
E era assim que eles estavam. Pelo visto a cabana era de algum dos combatentes da guerra, já que havia de tudo lá dentro. Inclusive cobertores quentinhos e comida.
A mão direita de Annabeth deslizou para as marcas de cortes nas suas coxas e Percy observava quieto ela acariciar a região. Ele estava curioso para saber como ela adquiriu aquilo, mas não era do feitio dele perguntar. Ela o conhecia tanto que deduziu só de olhá-lo nos olhos.
–Percy, como você está? –ela perguntou.
Percy levantou uma sobrancelha e respondeu:
–Cansado fisicamente e mentalmente. Com medo do que pode vir.
–E seu psicológico? –Annabeth voltou a indagar.
Percy sorriu tristemente de lado e apoiou a cabeça em uma das mãos para olhá-la.
–Está um pouco ferrado, mas acho que ainda aguenta mais algumas coisas.
–Ótimo.
–Por que a pergunta, Annabeth?
–Porque eu vou te contar o meu passado. –Annabeth respondeu calmamente.
Seus olhos se tornaram tristes, seu peito parecia que iria explodir a qualquer momento e as lembranças e as vozes de gritos invadiram a sua mente.
–Vou te contar toda a história de como consegui essas marcas. –Ela acrescentou.
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