The Science Of Seduction: Lesson Three

2 PARTE II – ROUTINE, SWEET ROUTINE 2


Notas iniciais
Eu gostaria de agradecer a todos os adoráveis reviews que estou recebendo nessa história. Muito, muito obrigada! Reviews são o combustivel do autor! Perdoem-me por não respondê-los individualmente, mas com trabalho, filho e casa, o tempo fica um pouco escasso. Assim que houver chance, entretanto, responderei um por um. Cheers!

Eram oito e meia da noite quando John arrastou-se escada acima em direção ao 221B. Ele atendera uma porção de casos de insolação naquela tarde, de londrinos desesperados com a onda de calor, e estava positivamente exausto. John largou a maleta sobre a mesa da sala e foi para a cozinha, onde Sherlock sentava-se à mesa, cercado de uma miríade de frascos, com um rolo de fita adesiva púrpura em mãos. O médico olhou confuso para aquela bagunça, mas deu de ombros e curvou-se para beijar o detetive.

- Como foi seu dia? – ele perguntou, abraçando Sherlock pelos ombros e enterrando o nariz nos cachos negros.

- Produtivo. Estou testando um novo reagente em células cancerígenas. Ah, e Molly convidou o patologista para jantar. Ela me mandou uma mensagem muito animada e agradecida. – ele falou, com uma careta. – Eu pedi comida indiana, chega dentro de alguns minutos.

- Que história é essa de Molly e do patologista? – John dirigiu-se para sua poltrona, sentando-se com um gemido. – Você andou brincando de cupido, Sherlock?

- Não, apenas chamei a atenção de Molly para o fato de que o doutor Kubrick estava extremamente atraído por ela. Primeiro ela ficou um pouco chateada comigo; mas depois, enquanto revisávamos uma autópsia, ela pareceu considerar meu conselho de chama-lo para um café válido, e resolveu segui-lo de imediato. — Sherlock parou de mexer nos frascos e olhou para John. – Ela reagiu tão mal assim?

- Quem reagiu a quê? – John perguntou, a cabeça escorada no encosto da poltrona, os olhos fechados.

- Sarah. Você está chateado com ela. A reação dela foi tão ruim assim? – John suspirou. Realmente, não havia ponto em esconder as coisas de Sherlock.

- Não sei... eu realmente não fiquei pra ver a reação. Eu meio que... despejei tudo em cima dela e saí. E depois, tive uma tarde corrida e não tive tempo de conversar com ela de novo. – ele virou-se na poltrona e olhou Sherlock, que colava pedaços de fita adesiva púrpura nos frascos – O que você está fazendo? – o detetive virou-se para ele com um sorriso, o rosto levemente rosado.

- Eu... estou identificando os meus frascos. Vamos evitar outro incidente como o do açucareiro, não é? Entretanto, — ele continuou, examinando um dos frascos contra a luz – tem algumas coisas aqui que eu não tenho certeza se eu cheguei a usar em experimentos ou não. – ele parecia embaraçado.

- Na dúvida, etiquete. – a campainha tocou nesse momento, e John ergueu-se, mas Sherlock e suas pernas infinitas já estavam na porta. O médico resolveu ver se ainda havia uma última cerveja na geladeira; Deus sabia que ele precisava de uma depois da tarde infernal que tivera.

Quando Sherlock voltou para a cozinha, encontrou John em frente à geladeira, muito pálido, respirando em longos haustos, segurando a porta com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Ele virou a cabeça vagarosamente na direção do detetive e perguntou, em voz monocórdia.

- Sherlock, o que é isso na prateleira de cima? – o detetive afastou-o, abriu a geladeira e pegou duas cervejas, levando-as junto com as sacolas de comida para a sala. John seguiu atrás dele, vagarosamente.

- Amostras para meu experimento, John. Eu disse a você que ia trazê-las para trabalhar em casa, tente prestar atenção. – ele sentou-se na poltrona, arrumando as coisas na mesa de café, e John sentou-se devagar na poltrona oposta, respirando fundo e apertando a ponte do nariz.

- Okay, nova regra, Sherlock.

- Hum?

- Nada de genitais na geladeira.

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Era uma sensação acolhedora, morna, e muito diferente a que ele estava acostumado. Acordar daquela maneira, braços longilíneos enroscados em torno do seu peito, pernas esguias enlaçadas nas suas, um peito plano e sólido contra suas costas e... oh, isso podia ficar ainda mais interessante: uma ereção matinal pressionada contra ele.

John tinha plena consciência de que ocasiões simples como essa – acordar numa manhã, durante a semana, no abraço firme e morno de Sherlock – seriam raras e preciosas; quando ele menos esperasse, o Jogo chamaria e a cama ficaria fria e vazia por dias e dias a fio. Ele resolveu ficar em silêncio, semiadormecido, simplesmente aproveitando o momento. A luz do Sol filtrava-se por uma nesga entre as cortinas, e pintava o quarto com uma luminosidade dourada, que emprestava um aspecto onírico àquela pacífica manhã de terça-feira.

Ele sentiu quando Sherlock acordou. Os braços que o enlaçavam o seguraram mais forte por um instante, e lábios encontraram seu caminho até o ponto mais sensível em seu pescoço.

- Bom dia, John. – a voz de Sherlock, levemente rouca e ainda mais grave devido ao sono era um poderoso afrodisíaco, John pensou, enquanto virava-se para beijá-lo. Três palavras bastavam para deixá-lo trêmulo e expectante. Ele beijou Sherlock lenta e ternamente, as mãos vagando pela pele macia do peito do detetive. Sherlock estreitou o abraço até seus quadris tocarem-se, o que arrancou um gemido dos dois. Na noite anterior, John estava exausto demais para qualquer outra coisa que não fosse deitar com a cabeça no ombro de Sherlock e deixar-se escorregar para um sono profundo e sem sonhos. Mas agora pela manhã, descansado e relaxado, vendo a luz do Sol brincar na pele pálida e levemente salpicada de sardas dos ombros do detetive enquanto ele lhe beijava o pescoço, ele se sentia mais do que disposto.

- Huum... eu poderia passar o dia inteiro assim. – ele tomou uma das mãos esguias na sua e beijou-lhe os dedos um por um.

- E por que não podemos, mesmo? – a voz de Sherlock veio abafada, deitado como ele estava com o rosto enterrado na curva do pescoço de John, que sorriu e beijou-lhe a têmpora.

- Em algum momento, nós temos que levantar. Eu tenho que fazer compras pra semana, arrumar o apartamento...

- E trazer suas coisas pra cá – Sherlock interrompeu, as mãos deslizando pelas laterais de seu corpo e provocando-lhe arrepios – Este é o seu quarto, agora; nosso quarto. Não faz sentido você ter que ir lá em cima toda vez que precisar de uma muda limpa de roupa. – John sorriu e beijou-o novamente. O beijo foi tornando-se mais duro à medida que as mãos de Sherlock escorregaram mais para baixo em seu corpo. Os dedos longos encontraram o caminho dentro de suas calças de pijama e logo envolveram sua ereção, arrancando-lhe um gemido, que foi abafado pelos lábios de Sherlock. Suas próprias mãos encontraram o caminho até o traseiro do detetive, e ele segurou-o com força, enterrando as unhas na carne macia, puxando-o contra si, sem nunca separar seus lábios dos dele. Sherlock rompeu o beijo em busca de ar, e enterrou os dentes na curva do ombro de John. – Tem certeza que quer sair da cama?

- Agora, não. – John fechou os olhos e pegou a cintura das calças de Sherlock. – Isso tem que ir embora. Nesse exato instante. – os dois apressaram-se em tirar o que ainda vestiam, atirando as roupas ao chão, e Sherlock deitou-se sobre John, um sorriso satisfeito nos lábios ao sentir a pele nua do médico contra a sua. – Bem melhor. – John começou a mordiscar a pele sensível do ombro de Sherlock, deixando pequenas marcas que cobria com beijos e lambidas. Sherlock olhava-o com olhos entreabertos, a respiração acelerada.

- John... eu gostaria de fazer algo... Posso? – ele acariciou com as pontas dos dedos o peito de John, arranhando-o de leve.

- Levando em conta o que aconteceu da última vez que você falou essas exatas palavras... por favor, fique a vontade. – John jogou-se na cama, olhando para Sherlock com as pupilas dilatadas e o rosto afogueado. Sherlock pairou por cima do corpo dele até que suas ereções estivessem perfeitamente alinhadas, e os dois estremeceram ao contato. Ele apoiou-se no colchão com a mão esquerda, a mão direita deslizando pelo abdômen de John provocativamente, envolvendo-lhe o pênis, masturbando-o em movimentos longos e lentos. John ergueu a mão para tocá-lo da mesma maneira, mas Sherlock fez que não com a cabeça; o médico levou as mãos às coxas do detetive, passando as unhas delicadamente, desconcentrando-o por um instante. Sherlock soltou-o e rolou sobre a cama, em direção ao criado-mudo. – Aonde você vai? – John perguntou, a voz estrangulada e um tom acima do normal.

- Só pegando uma coisa... ah, aqui está. – ele voltou com um pequeno tubo de hidratante em mãos. John olhou-o com a sobrancelha erguida em surpresa.

- Por que você tem um tubo de hidratante no criado-mudo? – Sherlock despejou uma pequena quantidade de creme na mão e olhou para John com um sorriso pequeno.

- Mycroft esqueceu aqui um dia desses, e eu escondi só pra irritá-lo. Estou feliz de ter feito isso. – ele voltou a reclinar-se sobre John quase na mesma posição anterior, mas fazendo-o virar-se levemente sobre o lado direito, ele mesmo um pouco deitado sobre seu lado esquerdo, as pernas enlaçando as de John, e o médico sorriu, entendendo o porquê do creme... ou pensando que havia entendido, porque o próximo gesto de Sherlock pegou-o de surpresa. Os dedos esguios e habilidosos do detetive, de alguma maneira, envolveram ambas as ereções ao mesmo tempo, e John pensou que fosse explodir com o contato na hora; era um prazer diferente de qualquer coisa que ele já sentira, ter seu pênis pressionado contra o de Sherlock, a mão longa e macia dele envolvendo-os. E então Sherlock começou a movimentar a mão, primeiro de maneira hesitante, em estocadas longas e lentas, mas logo estabeleceu um ritmo constante e firme, que provocou espasmos no corpo de John. O médico enterrou as mãos no traseiro de Sherlock, apertando os dedos de uma forma que ele sabia que certamente deixaria marcas na pele pálida, e seus quadris pularam, tentando estreitar o contato entre os dois. Sherlock encostou a testa na de John, ofegante, tentando concentrar-se em manter o ritmo constante o máximo de tempo possível, a mão deslizando com facilidade com o auxílio do creme. Ele já sentia a agora familiar sensação de calor construir-se em seu ventre, e os pequenos ruídos desarticulados que John fazia apenas aumentavam seu prazer. – John... tu es la plus belle chose que j'ai jamais vue... Je ne te quitterai jamais, jamais dan la vie... – John sentiu seu sangue em ebulição ao ouvir Sherlock murmurando em francês no seu ouvido, enquanto sua mão mantinha o ritmo implacável, acelerando aos poucos, construindo seu prazer vagarosamente — Je t'aime, John, je t'adore... – John subiu as mãos para segurar o rosto de Sherlock e beijou-o com desespero, arquejando na boca do detetive, sentindo como se seu corpo fosse se desmanchar em pedaços. A língua de Sherlock invadiu sua boca e explorou cada polegada dela vorazmente, e ele rompeu o beijo, mordiscando-lhe os lábios. Sherlock encarou-o com os olhos escuros e a testa porejada de suor, e John viu em seus olhos que ele também estava muito próximo de seu limite. O movimento da mão tornou-se frenético, o aperto quase insuportável - Je veux te voir jouir, John. Jouis pour moi. –Foi como se uma granada de luz explodisse no quarto; uma brancura ofuscante tomou a visão de John por um instante, e ele gritou o nome de Sherlock, um grito estrangulado e trêmulo, o corpo erguido contra o do detetive. Enquanto seu corpo caía na cama, tomado de tremores, ele sentiu Sherlock enrijecer, seu nome apenas um suspiro nos lábios dele, derramando-se sobre o abdômen de John, e o detetive deixou seu orgasmo tomar-lhe as forças, caindo, uma massa de membros flácidos e trêmulos sobre o médico. John ergueu as mãos e começou a acariciar os cabelos de Sherlock lentamente, enquanto os dois acalmavam as respirações ofegantes. Sherlock ergueu-se lentamente e olhou John com um sorriso satisfeito – Feliz por ter ficado na cama mais um pouco? – o médico riu, beijando a bagunça de cachos negros.

- Definitivamente. Mas agora, eu acho que é hora de um banho. – Sherlock ergueu-se devagar e olhou para a cama.

- E de trocar os lençóis, também.

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- Você pesquisou um bocado de coisas na Internet. – John comentou mais tarde, brincalhão, enquanto Sherlock o ajudava a arrumar suas coisas para levar para o quarto de baixo. Bom, "ajudando" era força de expressão; ele sentou-se na cama e ficou observando John separar pilhas de camisetas e calças e dobrar uma quantidade aparentemente interminável de blusões de lã.

- Sendo o virgem da relação, eu estava em clara desvantagem. – Sherlock falou, remexendo numa pilha de camisetas desbotadas que John costumava usar pra dormir. – Não queria parecer uma criatura completamente inepta para você. – John sorriu, sem virar-se.

- É, mas agora quem parece totalmente inepto sou eu. É tudo diferente... eu também preciso aprender, Lockie. – ele virou-se para Sherlock e ergueu as sobrancelhas comicamente. – Melhor me mostrar alguns sites de tutoriais amorosos. – o travesseiro que Sherlock jogou acertou-o em cheio no rosto. – Bastardo. – ele falou, a voz repleta de carinho – Vamos, deixe de ser preguiçoso e me ajude a levar essas roupas. Mais tarde eu busco o resto.

- Você vai fazer compras hoje? – Sherlock bracejava uma caixa de papelão cheia de roupas íntimas e uma braçada de camisas devidamente penduradas em cabides. John descia as escadas à frente dele, uma pilha perigosamente alta de camisetas e calças nos braços estendidos, e uma sacola cheia de sapatos no ombro.

- Não temos comida nenhuma em casa, Sherlock. E viver de delivery não é nem saudável, nem barato. – ele abriu a porta do quarto com o pé e largou as roupas sobre a cama já despida de lençóis – Hum, eu vou ter que ir até uma loja e comprar lençóis. Os poucos que nós temos não vão aguentar o ritmo. — ele falou, com um sorrisinho. Sherlock terminou de pendurar as camisas, e começou a esvaziar uma gaveta de sua cômoda para a roupa íntima de John.

- Ugh, por favor, não diga que eu tenho que ir junto comprar roupas de cama. – ele cuspiu as últimas palavras no mesmo tom que usava para dizer "Anderson".

- Eu gostaria que você fosse. – John terminara de guardar as camisetas, e virou-se para Sherlock notando, com uma ponta de divertimento, que ele separava suas meias por cores antes de guarda-las. – Se você não for, não vai poder dizer nada sobre os lençóis que eu comprar. Nenhuma palavra. Nadica de nada. – ele cruzou os braços e encostou-se no guarda-roupa. Sherlock olhou-o por um instante, e voltou à tarefa de organizar as meias.

- Tudo bem. Eu não vou reclamar.

- E nem vai coloca-los no lixo, usá-los para experimentos ou dá-los para alguém. – o detetive bufou, sabendo que John o pegara. – Você vai até o Tesco comigo?

- Você lembra o que aconteceu da última vez? – os dois olharam-se, memórias de um garotinho curioso, um tapa bem dado por uma mãe furiosa e uma mulher indignada na fila da registradora ameaçando chamar a polícia passando entre os dois.

- É... melhor não. Mas se você quiser alguma coisa, melhor fazer uma lista. – os dois saíram do quarto e foram até a cozinha para uma xícara de chá. Enquanto John colocava a chaleira para ferver, Sherlock arrancou uma página de seu caderno e começou a anotar itens.

- Melhor levar meu cartão. – ele falou – Especialmente se você também vai comprar lençóis. – John assentiu, preparando as canecas. Quando o chá ficou pronto, Sherlock entregou a lista para John, que pegou a caneta das mãos dele para acrescentar seus próprios itens.

- Okay, vamos ver... Parafina, álcool 96 graus, barbante encerado, cano de PVC, silver tape, gelo seco, querosene... Sherlock, você pretende explodir o flat? Eu não vou comprar NADA disso, a não ser que você me dê um excelente motivo para cada item, que não envolva a destruição da nossa casa, nem mesmo parcialmente. – Sherlock encarou-o em silêncio, carranqueando – Eu vou trazer... a parafina, o cano de PVC e a silver tape. E só. Se vire com isso. – um sorriso mínimo curvou os lábios de Sherlock.

- E o que está do outro lado do papel? – John virou a folha e corou furiosamente, rindo.

- Isso eu posso comprar. – ele olhou para Sherlock, a cabeça inclinada – Você... não acha que é ir rápido demais? Eu quero dizer...

- Eu só quero estar preparado, John. – ele respondeu, sorrindo – Além do mais, é melhor do que usar o hidratante do meu irmão, não é?

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A loja estava fresca e agradável, uma boa mudança do exterior abafado. A vendedora (na casa dos trinta anos, solteira, tinha um gato branco; ele estava pegando os hábitos irritantes de Sherlock) explicava a ele a diferença entre os materiais e tramas que a loja oferecia, a fim de que John escolhesse o que fosse mais adequado a suas necessidades. O método de John era mais simples: se ele gostasse da cor, ele esfregava as mãos no lençol; se fosse agradável ao toque, ele levava.

Ele já escolhera três conjuntos macios de algodão egípcio – um preto, um púrpura e um azul-marinho – e agora hesitava entre um conjunto verde-escuro do mesmo algodão ou um luxuoso conjunto de seda preta. Ele tentava não pensar em Sherlock nu, deitado nos lençóis, a pele de marfim contrastando maravilhosamente com os materiais escuros, as mãos agarrando o tecido enquanto ele contorcia-se sob seu corpo... e agora seus jeans estavam extremamente desconfortáveis. Ele tentou limpar a mente e acalmar-se antes que a vendedora voltasse e a situação ficasse embaraçosa. Seu celular tocou o alerta de mensagem.

Traga um conjunto vermelho. – SH

Nah-ah. Você não veio fazer compras, perdeu o direito de escolha. – John

Por que será que Sherlock queria lençóis vermelhos? A imaginação de John começou a vagar novamente. Lençóis cor de rubi e Sherlock deitado sobre eles, pele pálida e cabelos negros, como um vampiro de Anne Rice... talvez não fosse má ideia. Não, ele tinha que se manter focado. Sherlock não ia escolher, esse era o acordo.

Eu abro mão da parafina, pelos lençóis vermelhos. – SH

Ele não recuaria em seus princípios. Sherlock oferecera uma permuta, nada mais justo do que aceitar.

"É, certo, continue se dizendo isso, Watson.", John pensou.

- E então, já decidiu? — a vendedora aproximou-se sorrindo. Ele olhou uma última vez para o celular antes de guarda-lo no bolso.

- Sim... você tem alguma coisa em vermelho?

A loja, felizmente, fazia entregas. Depois de deixar o endereço com a vendedora e de se certificar com Sherlock que ele esperaria o entregador, John correu até uma cafeteria para um sanduíche e uma xícara de chá, antes de ir cuidar das compras da semana. Àquela hora, a filial onde ele normalmente fazia suas compras estava relativamente vazia e tranquila; alguns poucos casais, algumas senhoras de idade, uma que outra mãe com um bebê a tiracolo. Ele pegou um carrinho e começou com sua própria lista, deixando as insanidades de Sherlock por último.

- Deixe-me ver... – ele ia falando consigo mesmo, enquanto riscava itens da lista à medida que os pegava. – Leite integral, pão, chá, Jammie Dodgers, ovos, bacon, feijões em lata, queijo, manteiga, geléia... certo... ainda tenho que pegar as carnes, arroz, espaguete, açúcar e... ouch! – ele trombou o carrinho contra o de outra pessoa. – Me desculpe, eu não estava prestando atenção... – ele ergueu os olhos e encontrou uma figura familiar. – Jeanette?

- John. – a mulher respondeu, num tom contido e com um sorriso tenso. – Como vai?

- Bem, muito bem, obrigado. Você... você parece ótima.

- E como vai Sherlock? – ela perguntou, em tom de mofa. John não conseguiu conter um sorriso pequeno.

- Ótimo, ótimo, só... Sherlock, você sabe como ele é. – ela bufou, desdenhosa, olhando o carrinho cheio.

- Sei bem. Ainda fazendo você correr atrás dele e entregar tudo em mãos, pelo visto. – ela endireitou a postura e agarrou a barra do carrinho. Foi um... prazer vê-lo, John.

- Igualmente. – ele olhou as costas dela, tensas, enquanto ela afastava-se rapidamente pelo corredor dos enlatados. Dando de ombros, ele foi terminar suas compras. Levando em consideração a quantidade de mulheres com quem ele saíra no último ano e meio (e mais ainda, levando em consideração a quantidade delas que o haviam deixado justamente por causa de Sherlock), ele estava fadado a ter muitos e muitos encontros embaraçosos ainda.

Depois de pegar todos os gêneros – e de uma passada rápida na pequena seção de perfumaria e drogaria -, John dirigiu-se ao caixa, já sentindo suas pernas exaustas. Escolheu uma das filas menores e encostou-se no carrinho, com um suspiro alto, e só quando a pessoa da frente voltou-se foi que ele reparou atrás de quem ele parara: Jeanette.

- Olá de novo. – ele falou, sem graça. Ela encarou-o por um momento e baixou o olhar para o carrinho dele, corando furiosamente e virando para frente. John olhou na mesma direção e viu o que lhe provocara tal reação.

O último item da lista de Sherlock.

Um tubo de lubrificante e uma caixa de camisinhas.

Quando ele chegou em casa, com mais sacolas do que conseguia carregar, ele atirou o pacote no colo de Sherlock, que estava deitado no sofá, vestindo apenas as calças do pijama, lendo um volume sobre neurocirurgia da coleção de John.

- Da próxima vez, você é quem vai comprar.

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- Quantas línguas você fala, afinal? – John jazia, exaurido, com a cabeça no peito de Sherlock, depois de um banho muito, muito demorado. Sherlock acariciava as costas dele preguiçosamente, as pontas dos dedos traçando o caminho das cicatrizes.

- Apenas cinco. Inglês, francês, espanhol, alemão e árabe. Embora meu árabe precise de um pouco de trabalho. – John soltou uma risada bufada.

- Apenas cinco? – Sherlock sorriu, beijando-lhe os cabelos.

- Mycroft me ensinou todas essas línguas, e ele também fala português, italiano, russo, japonês, mandarim, hindi e coreano.

- Bastardo esnobe – John murmurou, a voz abafada pela pele macia do pescoço de Sherlock, onde ele começava a depositar beijos suaves. – Eu preferia não citar o nome do seu irmão enquanto estamos na cama. – Sherlock soltou um murmúrio satisfeito, fechando os olhos, até que ouviu o distinto toque de seu telefone, anunciando uma mensagem. John ergueu a cabeça.

- Ignore.

- Pode ser importante.

- Se for importante, a pessoa vai ligar. – e como que em resposta, o telefone tocou, anunciando uma chamada. Sherlock grunhiu um palavrão e desvencilhou-se dos braços de John, alcançando o telefone na mesa de cabeceira. – Sherlock Holmes. – ele ouviu por alguns instantes. – E foi apenas isso? Por que está me ligando? – o que quer que a pessoa do outro lado da linha tenha dito, fez Sherlock fechar os olhos e ranger os dentes, irritado. – Me dê quinze minutos, e diga para mandarem um carro me buscar. Se eles vão me tirar da cama depois da meia-noite, é o mínimo que me devem. – ele desligou o celular e atirou-o na cama com raiva, começando a vestir-se.

- O que foi?

- Gregson. – Sherlock respondeu, abotoando rapidamente a camisa. – Houve uma quebra de segurança no Clube Diógenes e meu irmão e Lestrade pediram que ele me contatasse. Você sabe como Gregson é cabeça-dura e obtuso; nem mesmo Lestrade confia nele para lidar com uma situação delicada como essa sozinho. – John pareceu confuso, enquanto Sherlock sentava na cama para calçar os sapatos.

- E a situação é delicada porque...?

- É o Clube Diógenes, John. Você deve imaginar o tipo de coisas que pode ter sido levada, especialmente se lembrar de que meu irmão é um dos patronos do clube. – ele terminou de abotoar o terno e colocou o celular no bolso – Se eu precisar de você, eu ligo. Vindo do meu irmão, provavelmente é só um caso chato envolvendo algum político gordo e estúpido como ele, e eu devo voltar pela manhã. – ele deu um beijo breve em John e saiu correndo pela porta – Boa noite!

John acomodou-se para dormir, sabendo que seu sono seria, na melhor das hipóteses, superficial. Seu cérebro estaria esperando uma ligação a noite inteira, e o manteria num estado de madorna, quando muito. Mas a manhã veio, e nenhuma notícia de Sherlock chegara. John foi para a clínica desassossegado, tentando dizer a si mesmo que estava tudo bem, e que Sherlock já sumira por mais de três dias sem uma palavra, mas a intimidade dos últimos dias quebrara o equilíbrio antigo do relacionamento dos dois. Ele agora se preocupava em dobro.

Ao chegar à clínica, ele evitou as tentativas de conversa da parte de Sarah. Ainda estava aborrecido com a reação dela, e ela ainda lhe falava com certo distanciamento. Um fluxo constante de pacientes o manteve ocupado até pouco depois do meio-dia, quando ele finalmente conseguiu parar e sentar para uma xícara de chá na sala de descanso. Ele recuperou seu celular do bolso, e suspirou, exasperado, ao ver que não havia nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nada. Ainda assim, fazia apenas doze horas. Até onde ele sabia, Sherlock estava em Baker Street, deitado no sofá, mergulhado nas profundezas de seu Palácio Mental.

Exceto que, naquele instante, Sherlock entrou pela porta da clínica, indo direto até o balcão da recepção, uma toalha ensopada de sangue apertada contra o bíceps esquerdo, as faces angulosas mais pálidas do que o normal.

- Eu preciso falar com o Doutor Watson. – ele informou à jovem atrás do balcão, que olhou-o, espantada.

- O doutor Watson está em horário de almoço, mas a doutora Sawyer...

- NÃO! Eu... preciso que você chame o doutor Watson. — a voz de Sherlock ecoou na recepção quase vazia, atraindo a atenção de Sarah, que estava num dos consultórios e veio ver que barulho era aquele. Ela apertou os lábios ao ver a fonte de toda a confusão.

- Sherlock. – ela saudou-o, friamente. Sherlock endireitou-se, olhando-a de cima, apertando com mais força a toalha.

- Doutora Sawyer. Poderia, por gentileza, chamar John?

- O que houve? — ela aproximou-se, tentando tocar no braço ferido, mas Sherlock encolheu-se, desviando dela.

- Fui ferido durante uma perseguição a um suspeito. – ela mediu-o de cima a baixo, os lábios franzidos numa expressão de desgosto.

- Você deveria ter procurado um pronto-socorro. Perdeu muito tempo para chegar até aqui, pela quantidade de sangue que parece ter perdido. – Sherlock suspirou, apoiando-se no balcão, tonto.

- Doutora Sawyer, poderia deixar seus ciúmes e objeções de lado e chamar John para me atender? Por favor. – Sarah empalideceu diante das acusações, mas sinalizou para que a recepcionista chamasse John através do ramal interno. – Obrigado. – Sherlock murmurou, indo sentar-se em uma das cadeiras da sala de espera. Sarah hesitou por um momento e sentou-se ao lado dele.

- Por que você não foi até o pronto-socorro, Sherlock? Pergunto como médica. Você perdeu uma quantidade preocupante de sangue. – Sherlock encolheu os ombros.

- Já estive pior. Eu... não me sinto confortável com estranhos me tocando, a não ser que seja absolutamente necessário, doutora Sawyer. – ele admitiu, em voz baixa. Sarah olhou-o em descrença. – Eu não estou aqui para esfregar minha suposta vitória na sua cara, a despeito do que você parece pensar. – Sarah abriu a boca para replicar, mas John já chegava à recepção.

- O que houve, Jenny? – a recepcionista apontou para a sala de espera, e John empalideceu ao ver Sherlock com a toalha ensopada de sangue pressionada contra o braço. – Sherlock! Que diabos... por que você não me ligou? – ele ajoelhou-se diante do detetive, levando às mãos até a toalha e removendo-a delicadamente, fazendo uma careta ao ver o corte longo e profundo no braço, sangrando profusamente.

- Meu celular quebrou durante a briga. Depois que Gregson me alcançou, eu vim direto para cá. – John ajudou-o a erguer-se, sem olhar para Sarah, fazendo Sherlock apoiar-se em seus ombros.

- Vamos lá, vamos limpar e suturar esse corte. – John conduziu-o até uma das salas de curativos e, após uma breve hesitação, Sarah seguiu-os, parando escondida nas sombras do corredor, espiando os dois. John tirou o terno e a camisa rasgados e fez Sherlock deitar-se na maca, começando a limpar com iodo o corte. – O que aconteceu, Lockie? – o tom carinhoso e preocupado fez Sarah encolher-se, e o olhar que Sherlock lançou a John a fez sentir-se mal por estar espiando um momento íntimo dos dois. Mas uma visão da humanidade do detetive era demais para que ela pudesse resistir, e ela continuou escondida.

- Faca grande, e um sujeito maior ainda – foi a tentativa de piada de Sherlock, mas ele estava pálido e parecia exausto. – Foi uma tentativa idiota de um grupo albanês de recuperar certos documentos que estavam em poder do meu irmão. Eles foram espertos até certo ponto: invadiram o escritório dele no Clube Diógenes, conseguiram pegar os ditos documentos; mas foram estúpidos o suficiente para usar a célula local da Máfia Russa para fazer o trabalho braçal depois da fuga do Clube. Estúpidos. – John aplicou a anestesia local e começou a suturar o corte com pontos delicados e precisos. Sherlock relaxou levemente e fechou os olhos. – Acho que perdi muito sangue. Estou me sentindo um pouco tonto.

- Perda de sangue, cansaço e fome. Você só precisa comer alguma coisa e descansar, e vai ficar bem. – os dois ficaram em silêncio enquanto John terminava a sutura, e quando terminou, ele pensou que Sherlock adormecera. Sarah viu, com um aperto no peito, quando John afastou os cachos suados da testa de Sherlock e depositou um beijo suave. O detetive abriu os olhos e ergueu a cabeça, beijando-o nos lábios. Sarah afastou-se e voltou para a recepção, cuidando para não fazer nenhum barulho.

John ajudou Sherlock a erguer-se e os dois foram até a recepção, o medico ligando para Greg.

- Hey, Greg, é o John. Sim, eu sei, de nada. Você pode pedir pro Mycroft mandar um carro até a clínica onde eu trabalho, para buscar Sherlock? Um corte um pouco feio, ele perdeu um bocado de sangue, e eu não confio em coloca-lo em um táxi sozinho. Não, eu estou cheio de pacientes ainda, não tenho como sair Greg. Obrigado. – ele virou-se para Sarah, que estava encostada no balcão, os braços cruzados e uma expressão indecifrável. – Eu só vou aguardar o carro ali fora com ele e já volto, Sarah. Meu próximo paciente ainda não chegou, certo?

- Certo. – ele viraram-se, e Sarah chamou-os novamente. – Esperem. Sherlock? – o detetive virou-se, a mão de John em suas costas, conduzindo-o à saída, e inclinou a cabeça. – Se você machucar ele... – ele deu um sorriso de lado e puxou John para seu braços, beijando-o ferozmente e abraçando-o como um polvo.

- Não precisa me dizer isso, doutora Sawyer. Assim como eu não preciso lhe lembrar para manter uma distância respeitosa. Eu já peguei mais assassinos do que você tratou de resfriados. Conheço mais de uma centena de maneiras de desaparecer com um corpo. Boa tarde. – ele puxou John consigo, sem olhar para a mulher pálida e irritada que ficara para trás.

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John voltou para Baker Street no final da tarde, e encontrou Sherlock enroscado no sofá, laptop no colo, parecendo muito concentrado.

- Eu espero que você tenha comido e dormido um pouco – ele falou, à guisa de saudação, indo direto para a cozinha ligar a chaleira. Voltou para sala e inclinou-se para um beijo leve nos lábios, empurrando as pernas de Sherlock para poder sentar-se. O detetive ergueu as canelas, esperou John acomodar-se e derrubou-as no colo dele. – Você não precisava ter falado daquele jeito com Sarah, Sherlock. Foi rude. E não é da sua natureza demonstrações de ciúme. – Sherlock manteve os olhos grudados na tela.

- Foi rude da parte dela ficar nos espiando enquanto você suturava o meu braço, também. – ele falou num tom seco, batendo a tampa do laptop e largando-o no chão ao lado do sofá. – É bom que ela se acostume com a ideia de que nós estamos em um relacionamento, John, já que você não pretende abrir mão do seu emprego, e eu, certamente, não pretendo abrir mão de você. – ele levantou-se e saiu batendo os pés em direção ao quarto. John suspirou e ergueu-se, indo atrás dele.

- Sherlock... – ele sentou-se ao lado do detetive, que estava deitado de lado na cama, as costas voltadas para a porta – Você não precisa ter ciúmes da Sarah. Você não precisa ter ciúmes de ninguém. – ele acariciou a nuca de Sherlock, sentindo-o relaxar aos poucos sob seu toque – É com você que eu estou, é com você que eu quero estar. Certo? – Sherlock respirou fundo e virou-se para ele, um ar embaraçado no rosto.

- Certo. – ele pegou a mão de John e puxou-o para que ele deitasse também – Eu... me desculpe pelo descontrole. Eu só posso creditar isso à perda de sangue. – ele falou, sério. John começou a rir e curvou-se para beijá-lo.

- Claro, o que quer que te ajude a dormir à noite. – o detetive olhou-o, uma mão subindo pela coxa do médico.

- Na verdade, tem algo que me ajudaria a dormir melhor esta noite... – ele inclinou-se para beijar o pescoço de John, que suspirou e deixou-se cair na cama. Mas antes que eles pudessem continuar, o celular de Sherlock tocou, e eles grunhiram em frustração. – Eu realmente gostaria de ignorar...

- É, eu sei. – John foi até a sala recuperar o aparelho, e franziu a testa ao ver o remetente da mensagem – É do Dimmo. – Sherlock pulou da cama e arrancou o celular da mão de John, abrindo a mensagem e lendo, os olhos brilhantes.

- Oh, isso é ótimo. Lindo! – ele jogou o aparelho para John e começou a vestir-se rapidamente. Quando terminou, arrumou as lapelas e agarrou John pela gola da camisa, dando-lhe um beijo estalado nos lábios – Pegue sua jaqueta, John. Nós temos um triplo assassinato!