Notas iniciais
Oie, leitoras e leitores! Estou um pouco desiludida. Primeiro, quero que saibam que eu aprecio imenso todos os comentários, mas estou curiosa por saber porque é que desceram dos seis ou dez comentários por capitulo para apenas dois? O meu "trabalho" aqui depende completamente da vossa opinião, porque eu trabalho para os meus leitores e para saber o que acham do escrevo. A sério, façam comentários, mesmo que curtos, onde digam o que acharam. Eu não quero terminar essa antes do tempo (que já deve ser bem pouco e isso é mais uma razão para comentarem) por não ter comentários. Já agora, tenho uma surpresa para vocês no final do capitulo ;)

Leiam as notas do capitulo, por favor.

“Ele está bem” Johanna disse. Mas Cato não está bem. Eu vejo-o na hora de almoço, quando toda a gente está no refeitório, e até nos sentamos na mesma mesa. Ele olha olha para mim e fala um pouco comigo, mas algo está diferente, eu sinto-o nos meus ossos. Tento concentrar-me e ignoro esses pensamentos, focando-me no alvo à minha frente. Já não tenho de lançar facas, não hoje, mas é uma espingarda enorme, maior do que o meu braço, que eu tenho de segurar com os meus braços finos e, fazer mira e disparar. Já gastei metade dos cartuchos e ainda não acertei no alvo uma única vez.

-Você é um desastre. – a voz de Gale desconcentra-me e, mais uma vez, a bala passa longe do alvo – Isso é uma perda de tempo, Breil. Nem sei porque está aqui.

Viro-me para encarar Gale. Os olhos cinzentos do garoto me encaram amargamente. Sei que ele está ressentido, mais do que isso na verdade. Acabei por descobrir que Gale era amigo da Garota em Chamas, no entanto, a forma como a expressão dele se transforma e no que se transforma quando alguém diz o nome dela ou se refere a Katniss deixa bem claro que ele era mais do que um amigo. Isso apenas reforça a minha teoria sobre a inexistência de amor por parte de Katniss Everdeen. Ela não amava o Peeta, talvez sentisse algo por ele, mas não era amor.

Gale está de braços cruzados e tem uma sobrancelha levantada. Suspiro e jogo a arma para o chão, gesto que os meus braços agradecem.

-Não preciso que venha tornar meu dia pior. – esfrego a minha têmpora. Já não me reconheço. Esta não é Clove que entrou na arena e que ganhou os Jogos Vorazes. Sinceramente, sinto-me perdida entre tantos sentimentos e emoções. É a rebelião, as mortes sobre os meus ombros, a minha família desaparecida, Gale e os seus olhares acusadores seguidos por palavras quase gentis que me deixam confusa e, por fim o número mais importante da equação, Cato –Talvez eu me deva limitar às facas.

-Isso é perigoso, Breil. – ele diz – Em cenário de Guerra, você não pode contar apenas com um tipo de arma, tem de saber usar uma metralhadora ou um revolver. Ninguém vai a lado nenhum só com facas quando toda a gente á sua volta tem armas de fogo.

-Eu não sei usar essa merda! – exclamo, irritada e dando o pontapé na arma caída no chão. A espingarda é empurrada contra a parede e faz um pequeno estrondo quando os cartuchos saltam para fora – Se é assim tão fácil, então tenho a certeza de que não precisam de mim como soldado! Lute você e vingue a Garotinha em Chamas! – os meus punhos estão fechados e as unhas fincadas na minha pele.

Estranho o fato de Gale não dizer nada nem de me repreender por ter danificado uma arma de treino. O meu superior apenas olha para mim com uma expressão indecifrável e, o que me parecem horas depois, ele pergunta:

-Está melhor agora? – franzo o cenho. Ele está a zombar de mim? –Você está demasiado tensa, soldado Breil, por isso que não conseguia acertar o alvo. – e é como se uma luz se acendesse em cima da minha cabeça quando percebo o que o maldito estava a fazer. Gale me deixou extravasar porque isso me ajudaria a soltar a tensão.

-É, acho que estou melhor sim. – murmuro e olho para os meus pés – Você fez de prepósito, não fez? – levanto um pouco a cabeça e volto a encarar os olhos cinzentos de Gale, enquanto ele encolhe os ombros e dá um meio sorriso.

-Talvez. – Gale coloca a mão no meu ombro num gesto que poderia ser considerado amigável se ninguém soubesse que eu cortei a garganta da pessoa que ele amava – Vá descansar, Breil. Ninguém quer uma líder à beira de um esgotamento nervoso.

-O treino ainda não acabou, faltam três horas. – retruco e mexo os ombros de forma a afastar a sua mão, que cai ao lado do corpo de Gale –Não seria justo se fosse antes dos outros.

-Eu sou seu superior, solado Breil, eu decido o que é justo e o que não é. – mordo o lábio para controlar a vontade de lhe perguntar se ele acha justo eu estar viva e Katniss não – E os médicos recomendaram que você não se esforçasse demasiado. Vá descansar, Breil. – não digo uma palavra, limito-me a abanar a cabeça e a sair da sala.

À saída, em vez de seguir o caminho do corredor até à porta de saída, eu volto para trás, para uma outra sala de treino. Estão todos distraídos com o seu treinamento, pelo que ninguém repara em mim e no estojo com uma linha de facas altamente mortais e criadas a pensar nos pontos fracos da vítima. Há apenas quinze estojos daqueles em toda a Panem e eu tive o cuidado de levar cinco para o meu quarto sempre que podia e deixar outros dez distribuídos pelas salas de treinamento. Agora, levo o sexto estojo comigo. Não gosto da ideia de outras pessoas a usarem facas, por haver a hipótese de se tornarem melhores do que eu. Mas isso é muito pouco provável. Afinal, eu nunca falho, é impossível fazer melhor do isso.

Não volto para o meu quarto tão cedo, ainda tenho algumas horas livres no meu horário até à hora oficial de descanso. Não é que eu queira desafiar as ordens de Gale, mas eu pura e simplesmente não ia conseguir ficar quieta e descansar. É uma forma de fugir aos meus pensamentos, concentrar-me em actividades físicas e descarregar tudo nisso.

Tac. Tac. Tac. Tac. Tac. Uma a uma as facas são lançadas contra a parede forrada de cartão. No início eu as lanço de costas, primeiro marcando um x onde é suposto a lâmina ficar cravada e depois me afasto cerca de quinze metros, me viro de costas, coloco os braços na posição correta, inspiro profundamente e numa questão de segundos a faca atravessou o espaço que me separa da parede de cimento com cheiro a humidade. A outra parte do tempo eu gasto sentada no chão, com uma perna estendida e a outra dobrada, com o joelho quase a tocar-me no queixo, a brincar com as lâminas das facas. Todas elas são diferentes e essas diferenças podem demorar muito tempo para se fazerem notar. Uma faca chama a minha especial atenção. É uma faca que pode ser facilmente confundida com as outras, passando por “uma faca normal”, mas aos meus olhos os pormenores não passam despercebidos. Como que protegendo a lâmina principal, a mais grossa e comprida, a segunda lâmina, fina e com metade do tamanho da outra, reveste a lâmina principal, encontrando-se à sua volta. Estão as duas presas uma à outra e podem ser confundidas por uma única lâmina. Mas é isso que elas são, não é? São uma única lâmina, uma única faca. Duas coisas de formas e tamanhos diferentes juntam-se e formam um todo. Essa metáfora descreve perfeitamente a minha relação com Cato. Somos um só, embora lutemos contra isso às vezes, porque a nossa mente limitada pelos ensinamentos do Centro de Treinamento não foi preparada para um sentimento tão arrebatador como o amor. Não há amor na vida dos carreiristas, ou não devia haver, e eu compreendo perfeitamente porquê. Eu sei que fiz o correto ao começar uma rebelião, mas teria sido tudo tão mais fácil se eu não tivesse o Cato comigo, se não tivesse de me preocupar com ele e se o vou magoar ou não. E foi exactamente isso que aconteceu, eu o magoei e Cato quase morreu por minha causa. Outra vez. Parece que a lista de dividas não para, tal como a lista de mortos nesta guerra que há tão pouco tempo começou. Ou não. Talvez sempre tenhamos estado em guerra. Se calhar a 1ª Guerra nunca terminou ou começou, tudo isto é continuação de uma outra Guerra, mais antiga do que se pode sequer imaginar. É uma Guerra que teve início no preciso momento que o primeiro ser humano respirou pela primeira vez. Tal como alguém disse há muito tempo “O Homem é o lobo do Homem”, porque os seus instintos são mais fortes do que a sua parte racional, que impõe limites. Porque o Homem é um animal, um animal racional, e será sempre a causa dos seus próprios problemas. O que eu quero dizer é que, e só agora percebi isso, eu não comecei a rebelião que desencadeou esta Guerra, eu apenas fiz com que as pessoas saíssem daquele estado patético em que estavam, iludidas pela palavra “paz”, e se apercebessem do que estava a acontecer. A Guerra nunca terminou e eu receio de que nunca termine, a não ser que a própria raça Humana termine.

-Clove! –alguém me chama. Viro o rosto na direcção da voz. Blye está sorrindo com uma faca na mão – Deixou cair esta pelo caminho.

Me levanto e, sem esboçar nenhuma expressão, pego na faca e a jogo contra a parede. Blye se sobressalta um pouco com o meu gesto explicitamente agressivo e eu olho para ele daquela forma que eu costumava usar para os outros tributos no Centro de Treinamento. Não me importo se ele salvou Cato ou não, o garoto rebelde interrompeu o meu momento de descanso por causa da porra de uma faca caída no chão!

Respiro fundo e massajo as têmporas, contando baixinho até dez. Volto a olhar para Blye depois de contar até dez uma três vezes.

-Você veio aqui só por causa disso? – ele assente nervosamente. O garoto rebelde está pálido, mas a expressão dele não é a de alguém que vai desmaiar. Blye Wellwood é mais forte do que parece – Então pode ir embora. Eu quero ficar sozinha.

-Eu achei que talvez você quisesse companhia. — Blye olha directamente nos meus olhos, colocando as mãos nos bolsos da sweatshirt que está usando. Todos estamos usando roupas semelhantes. Agora que a Guerra limitou os nossos mantimentos e o próprio acesso a eles, tenho de usar sweatshirts cinzentas ou pretas todos os dias, com calças de ganga pretas e uma vez ou outra coloco um gorro de lã (não está frio, mas eu simplesmente passei a gostar de gorros, pois são perfeitos para esconder a minha cara quando estou farta de ouvir alguém. Então baixo o gorro, tapando o meu rosto até aos lábios, dou meia volta e deixo o desgraçado que estava me aborrecendo e fazendo perder meu tempo a falar sozinho).

-Estou habituada a estar sozinha, de uma forma ou de outra. – encolho os ombros e recolho as facas, voltando a pô-las no estojo – Vou voltar para o meu quarto, acho que posso ir sozinha. – Blye assente e volta a andar pelo corredor. Eu suspiro e, numa voz que demonstra bem a minha falta de vontade, eu pergunto:

-Vai esperar por mim ou não, Wellwood?

*

Blye é uma boa companhia, acho que fiz a escolha certa ao ir com ele, mesmo que apenas tenhamos conversado durante quinze minutos. O garoto é simpático e sabe manter uma conversa agradável. Eu é que não sou a boa companhia, tenho a mente demasiado ocupado e sinto-me exausta emocionalmente.

Blye deixa-me à porta do meu quarto, levando o estojo de facas com ele – eu até tive sorte em ele não me denunciar por roubar material que devia servir apenas para os treinos. Entro no meu quarto calmamente, quase contente até, o tempo com Blye serviu para eu descontrair um pouco. É só quando dispo a sweatshirt e a vou atirar para a minha cama que vejo Cato lá, deitado e com os braços em cima da cabeça. Os sapatos dele estão aos pés da cama, assim como o seu casaco cinzento. Ele olha para mim, é um olhar desconfiado e desaprovador que me confunde.

-Oi. – coloco a sweatshirt na mesa de cabeceira e sento-me na borda da cama.

-Oi. – Cato diz num tom seco e cansado que me faz franzir as sobrancelhas.

-Está tudo bem? – é estranho como a minha voz sai, quase tímida e tão contida. Cato também nota isso e levanta uma sobrancelha.

-Comigo sim. E com você? – ele estala a língua e ri sarcasticamente. É um riso cru e nada se parece com aqueles que ele costuma dar perto de mim – Nem sei porque perguntei, você parece bem animada depois do “passeio” com o Wellwood. – ah claro, só podia ser isso.

Espeto o meu dedo no peito de Cato e levanto-me.

-Seu ciumento idiota, você me andou a espiar? – coloco as mãos na cintura e o fulmino com o olhar – Nem acredito que estava preocupada com você e você andava me espiando!

-Clove, — Cato suspira e passo a mão pelos cabelos, apertando-os com uma expressão frustrada – eu não segui você. Eu passei pela sala de treinamento onde você estava e o Gale me disse que você já tinha saído. – os seus maxilares cerram – E foi quando eu estava à sua procura que a vi de sorrisinhos com aquele moloque.

-O Blye tem a mesma idade que eu. – retruco e suspiro, voltando a sentar-me na cama. O meu olhar busca o do meu namorado enquanto me deito lado dele – Porque não me chamou, loirinho? – Cato faz uma expressão cómica ao ouvir a sua nova alcunha.

-Não quis interromper a sua diversão. – ele diz acidamente –Porque é que você está sequer aqui? Não devia estar entretida com o seu amiguinho, não? — engulo em seco, pondo aquela máscara de frieza e indiferença que já me é tão familiar. Não posso deixar que Cato que me magoou.

-Esteja calado, Cato, e não diga merda. – praticamente rosno e sinto meu rosto corar de raiva.

-Oh, eu é que me devo calar? – ele gargalha sarcasticamente e me fita reprovadoramente, de novo – Eu realmente não percebo porque você aqui. Já terminou o que tinha a fazer com o novato? – outro rosnado escapa da minha garganta.

-Seu desgraçado. – Cato se levanta e se coloca à minha frente, estufando o peito e me olhando com tanta raiva quanto aquela com que eu olho para ele – Eu tenho estado morrendo de preocupação com você estes dias e você me acusa de ter estar traindo? Ficou louco de vez? – a minha voz sai bastante alta e forte, embora não seja um grito.

-Eu é que estou louco? – ele bufa e abana a cabeça – Você começou isto, — ele aponta para o espaço à nossa volta e mesmo estando num quarto eu sei a que ele se refere – esta Guerra é culpa sua! Os meus pais estão enterrados nos escombros de um edifício qualquer por sua culpa! – os meus olhos se esbugalham de espanto e sinto como se tivesse levado uma bofetada — E se os seus pais morrerem será sua culpa também! Não que você se importe com qualquer coisa…

-Eu não sabia sobre os seus pais. – murmuro, dando um passo em direção a Cato, mas ele dá outro passo para trás – Cato…

-Não. – ele olha para o chão e volta a abanar a cabeça – Você não sabe como isto é, Clove, não tente me confortar e dizer que entende. – suspiro e volto a dar um passo em frente. Desta vez Cato fica imóvel – Eles – ele começa, a sua voz embargada. Nunca ouvi ou vi Cato chorar por causa dos seus pais, pelo que estou completamente surpreendida, tanto pela noticia e pelo tempo que ele conseguiu esconder de mim e também pela sua reação agora e o que acha sobre eu ser a culpada do que aconteceu – eram os meus pais. Nós não tínhamos uma boa relação, mas… Porra! – um soluço e um grunhido de frustração e dor irrompem do peito de Cato. O meu namorado não consegue dizer mais nada, apenas fica a olhar para o chão, a soluçar.

-Ei. – rodeio o seu torso com os meus braços, numa tentativa cautelosa de o abraçar – Pode chorar. Eu estou aqui e não vou dizer que compreendo, porque eu não compreendo. Mas, Cato, — movo a minha mão para o seu queixo e o levanto, fazendo com que estejamos a olhar nos olhos um do outro. Ver o rosto inchado e franzido de Cato me faz sentir tão mal que desejo poder sentir toda a sua dor e livrá-lo desse fardo – eu não tive culpa. Eu nunca, jamais faria algo que fosse prejudicar você, direta ou indiretamente. – ele assente e esfrega o rosto.

-Me desculpa. – Cato sussurra, os olhos brilhando com dor e arrependimento. Outra lágrima escorre pelo seu rosto e, colocando-me de bicos de pés, eu a beijo – Você devia estar fula comigo e querendo me matar. – balanço ligeiramente a cabeça.

-Você perdeu sua família, é uma desculpa aceitável. Cato, — afago o seu rosto – era isso que você queria me contar? – ele assente e eu suspiro – Porque não me contou antes?

-Eu não… — Cato encolhe os ombros – Eu não senti nada nos primeiros dias, sabe? Mas à medida que o tempo foi passando eu comecei a lembrar-me das brigas e das repreensões e parte de mim estava satisfeito por não ter de passar por isso outra vez. Mas houve momentos bons, mesmo que poucos e curtos, em que aquilo realmente parecia uma família. Não faz sentido…

-Faz sentido sim. — retruco suavemente – E você tem toda a razão para estar assim e eu percebo porque me culpa e é…

-Clove, não. – Cato tapa a minha boca com os dedos e a sua expressão volta a ser culpada – Aquilo que eu disse, eu não senti nem sinto isso. Eu sei que eles não morreram por sua culpa e que nada disto é sua culpa. Eu estava zangado e magoado, e ainda estou, mas me arrependo do que disse, ok? Não acredite naquilo, pequena.

-Ok. – assinto e Cato remove a mão da minha boca, rodeando a minha cintura – Eu senti saudade você, babaca. E você pode me contar tudo, viu? Pode confiar em mim e eu nunca vou julgar você nem desprezar suas decisões. – mordo o lábio e franzo o cenho – Eu te amo, Cato, não se esqueça disso nem em momentos como este. Você não pode ser virar contra mim desse jeito só porque está magoado ou com raiva de algo ou alguém. Estamos numa relação e numa Guerra, devemos ficar juntos e não nos voltarmos um contra o outro. Eu não sou seu inimigo, eu sua melhor aliada, ok?

-Eu sei, pequena, eu sei. Me desculpa por tudo, ok? – encosto a minha cabeça no peito de Cato e o sinto beijar o topo da minha cabeça – Eu também te amo, muito mesmo e eu me odeio quando magoo você. E o pior é que – as suas palavras são agora simples sussurros e eu me sinto estremecer quando as ouço – às vezes eu te quero machucar, Clove. Não é por causa de você, é porque eu nasci para matar e fazer sofrer e há momentos em que você me descontrola e eu quero te machucar, ver você sofrendo. Eu não faço isso, porque depois me lembro que você é a garota baixinha e teimosa que eu amo e que se alguma coisa acontece com você então acontece comigo também.

-Eu compreendo. – digo e levanto o rosto, o encarando. Não estou a mentir, eu compreendo perfeitamente o que Cato sente – E eu sei que você não seria capaz de me magoar propositadamente e que isso são os efeitos dos treinos e das coisas que meteram na sua cabeça, Cato. Eu sou a sua pequena, — um pequeno sorriso se forma no canto dos meus lábios – você não pode viver sem mim.

-Não mesmo. – ele concorda e suspira de alívio – Você não acha que eu sou louco nem tem medo de mim? – rolo os olhos.

-Não se esqueça de que eu sou a garota das facas, eu sei me defender. E loirinho, — agora estamos os dois a sorrir, mesmo que os sorrisos sejam curtos – eu sou ainda mais louca do que você.

-Ótimo. – Cato seca as lágrimas que ainda estavam no seu rosto agora mais relaxado – E sempre gostei das minhas garotas loucas, ainda mais quando sou eu que as deixo assim. – gargalho um pouco e Cato pisca o olho sedutoramente.

-Ah, aposto que sim. – inclino a cabeça para o lado e a minha expressão se suaviza – Eu sinto muito pelos seus pais.

-Obrigado. Vamos esquecer esse assunto, pode ser? – balanço a cabeça, concordando – Me beija logo, garota louca.

-Às suas ordens. – digo antes de, ao mesmo tempo que entrelaço os meus braços à volta do seu pescoço, choco os meus lábios contra os de Cato, num encontro faminto e apaixonante que expressa tão bem aquilo que ambos sentimos e não conseguimos expressar por palavras.

Cato desliza as suas mãos pelo interior da minha blusa e tenho a certeza de que ele me sente a ficar um pouco rígida, pois afasta-se e olha para mim na dúvida. Mordiscando o lábio inferior – não numa tentativa de parecer sensual, mas sim na tentativa de fazer o meu nervosismo desaparecer – tiro a minha blusa e jogo-a para a cama. Vejo com ansiedade e prazer Cato a olhar para o meu tronco descoberto e a sorrir, a sua expressão de completo agrado. As mãos dele puxam-me contra o seu corpo e a movo as pontas dos meus dedos, com as unhas roçando, pelo seu peito, percorrendo o abdómen liso e o tanquinho – e ele ainda tem uma T-shirt vestida.

-Clo… — sorrio torto, beijando, sugando e mordicando o pescoço dele. Cato grunhe e as mãos deles vão para a minha cintura, levantando-me. Circundo a cintura dele com as minhas pernas e volto a atacar os lábios de Cato, que agora que percebeu ter a minha permissão para apalpar a minha parte traseira não parece querer abdicar disso.

-Acho que você tem roupa a mais. – pego nas bordas da t-shirt de Cato e a subo. Cato levanta os braços e me ajuda a tirar-lhe a t-shirt. Como fiz com a minha, jogo a peça de roupa para a cama.

Cato volta a beijar-me e senta-se na cama, comigo ao seu colo. O hálito de Cato é fresco, mas nem mesmo isso alivia o calor que sinto. Aperto os fios de cabelo de Cato nas minhas mãos á medida que ele desce os beijos pelo meu pescoço até ao meu peito.

-Cato… — gemo, cerrando os olhos com força quando sinto a sua mão infiltrar-se no interior da parte traseira das minhas calças e apertando levemente.

Somos interrompidos por um toc toc repetitivo e irritante na porta.

-Mas que mer… — suspiro e calo Cato com o beijo rápido, saio do colo dele e volto a vestir a minha sweatshirt – Clove. – ele chama com uma carranca – Ignore isso, venha cá.

-Cato, vá lá. Pode ser importante. – o meu namorado bufa e eu rolo os olhos – Eu prometo que mais tarde a gente continua, ok?

-Ok. – Cato, a contra vontade, levanta-se e veste a t-shirt. Eu ando até á porta e quando a estou quase a abrir ele me abraça por trás — Mas eu vou cobrar essa promessa, viu? – assinto e viro um pouco o rosto, o beijando na bochecha.

Giro a maçaneta e abro a porta. Johanna Mason agarra o meu pulso e começa a puxar-me pelo corredor. Cato segura a minha outra mão e anda atrás de nós.

-Hum, Johanna, o que você está fazendo? – ouço-a bufar e olho para Cato, que tem uma expressão confusa e encolho os ombros.

-Me desculpe por interromper a sessão de gemidos, — opa, opa. Ela ouviu? – mas o Brutus me “pediu” para eu chamar vocês, seus pervertidos, para fazerem o vosso trabalho. – ela diz num tom irritado.

-Que trabalho?

-Oras, que trabalho? As filmagens, é claro. Ah, mais uma coisa. – a garota para de repente e olha para nós, com uma expressão divertida – Acabámos de receber dois vistantes.

-A sério?

-Quem? – a voz de Cato se sobrepõe sobre a minha, mas a pergunta dele é mais direta e objectiva, por isso dou-me ao trabalho de conter a vontade de fazer um comentário sobre como ele também tem voz de gigante.

-Dois vencedores. Annie Cresta e Finnick Odair. – franzo o cenho.

-E porque eles estão cá no 2? – Johanna abana levemente a cabeça.

-Porque será, garotinha das facas? – ouço Cato resmungar qualquer coisa, mas ignoro –Eles vieram para o casamento.

Surpresa:

Então, leitores, eu decidi fazer um pequeno concurso. O vencedor irá escrever o penúltimo capitulo desta fanfiction comigo e ainda terá a oferta de escrever comigo uma fanfiction Clato que já começei a escrever. Tudo o precisam de saber está aqui e podem fazer as perguntas que quiserem.

Obrigada!

Notas finais
Por favor, comentem e deixem críticas construtivas! Participem no conurso, please?
Bjs e até para a semana!