The Reverse Side Of Beauty
6 - sunday -
Notas iniciais
não se acostumem com esse ritmo, eu vou demorar um pouco mais a postar o 7, porque ele ainda tá no forno e Q Só postei hoje porque a Noa-chan e a Dani me pediram A_A suas limda ♥ q e também porque eu fiquei com peso na consciência de ter postado algo tão pequeno ç_ç
MAS ENFIM, no more enrolation!
Enjoy! ~
Confuso, assustado e com uma puta dor de cabeça. Era assim que eu me sentia quando acordei.
A pior parte foi ver Yuu chateado por eu não ter confiado nele. Mas acordar agarrado em um amigo não é muito comum.
Deitei-me de novo, fechando os olhos e sentindo a cabeça latejar.
Eu havia beijado ele.
E nem lembrava.
Ele não se demorou no banho, saindo do banheiro já vestido, com um jeans e uma blusa preta.
- O banheiro fica ali. Suas roupas ainda estão lá, mas se quiser outras peças, pode pegar no meu guarda-roupa. — Ele indicou o móvel. — Estarei lá embaixo, tomando café. — Seu tom era ameno e desinteressado, de um jeito que nunca antes ele havia me tratado.
Fiquei olhando para a porta fechada por pelo menos dez minutos, minha cabeça quase dando um nó.
Eu gostava dele. Ele gostava de mim. Havíamos nos beijado. Eu tenho uma noiva. Ele agora tá puto da vida comigo. E eu ainda gosto dele.
Deixei de lado o ciclo que eu tinha feito na minha cabeça e resolvi ir tomar banho. Fiz o mais rápido possível e me enxuguei em uma toalha que estava próxima. Ainda estava úmida e tinha o cheiro dele.
É, eu fiz download completo da frescura do Ruki.
Resolvi mexer em seu guarda-roupa, já que minha roupa estava suada. Catei uma boxer azul em uma das gavetas e uma blusa branca em outra. Peguei um jeans preto na parte maior e antes de fechar a porta, uma caixa chamou minha atenção. Ele estava em uma prateleira, dentro do guarda-roupas, e era preta, com a tampa vermelha.
Curiosidade ou Tsuki ainda me matam.
E eu tive o maior susto da minha vida ao abrir aquela dita caixa.
Lá dentro havia pelo menos umas 10 revistas sobre mim, algumas abertas em reportagens, outras apenas em fotos, mas todas me tinham como conteúdo. E eu odiava cada revista que estava ali.
Mexi em todas, e de dentro de uma delas, caiu um pedaço de papel rabiscado, eu reconheci como sendo a nossa conversa. Ele havia sublinhado algumas coisas e o papel estava muito amassado, como se alguém estivesse manuseando-o por tempo demais. Imaginei com perfeição a cena dele deitado na cama e lendo o papel.
Havia também outro pedaço, este um pouco mais conservado e amassado apenas pelo jeito que fora colocado na caixa. Peguei o papel e o abri, tendo outro susto ao lê-lo:
“Coisas que o Uruha gosta:
— Música pop,
— chocolate quente com hortelã.
— Biscoitos de aveia (Ergh! Quem gosta de biscoitos de aveia?)
— Suco de maçã.
— Garotas magras. (perguntar pro Reita se eu preciso fazer regime)
— chocolate branco.
Porque tão diferente, Uru?”
Balancei a cabeça e guardei tudo no lugar, inclusive o bilhete amassado. Deixei a caixa em seu devido lugar e fechei a porta do móvel, arrumando meus cabelos com a ajuda do reflexo do grande espelho que havia na porta.
Deixei de qualquer jeito e sai para o corredor. Estava indo na direção do que eu achava que era a escada quando uma porta se abriu, bem ao meu lado, e uma garotinha morena de mais ou menos 14 anos saiu por ela e ficou plantada quando me viu.
- T-takashima-sama? — Ela pronunciou meu nome com apenas um fio de voz.
- Yo...?
- AI MEU DELS, TAKASHIMA-SAMA ESTÁ NA MINHA CASA! CADÊ AS CAMÊRAS? TÔ APARECENDO EM QUE CANAL? SAKURA TV? — Ela começou a berrar, olhando ao redor e depois fixando o olhar em mim. — Takashima-sama! — Ela me atacou, me agarrando pela cintura e escondendo o rosto redondo no meu peito — É um prazer imenso conhecê-lo e...
- MIYUKI! LARGA O KOUYOU A-GO-RA! — Me assustei com a voz de Yuu atrás de mim, ele vinha em nossa direção com a expressão mais séria que eu já tinha visto em seu rosto. — Isso lá são modos de tratar uma visita? — Ela apenas olhou pra ele, mas sem me soltar. Parecia estar tão confusa quanto eu.
- Ele é sua visita?
- Sim! Agora solta! — Ele puxou-a de mim e eu fiquei calado, apenas observando a cena.
- E você nem me fala nada! — Ela esganiçou a voz. — Sabe que eu amo o Takashima-sama e nem me conta que ele vem dormir aqui e... — Ela parou de tagarelar de repente, olhando de mim para o irmão. — Você... Takashima-sama... AI MEU DELS, YUU! VOCÊ TÁ SAINDO COM ELE? - ela gritou, me fazendo apenas arregalar os olhos com o susto.
- Não! Lógico que não! Ele é só um amigo que dormiu aqui porque se sentiu mal ontem, oras. — Ele falou com calma, girando os olhos em seguida.
E aquelas palavras me doeram muito.
Eu era apenas um amigo.
Mas eu era apenas isso. Fui eu quem criou expectativas demais, fui eu quem me iludiu. Yuu nunca dissera nada sobre me querer mais do que isso. Amigos cuidavam do jeito que ele cuidava de mim. Preocupam-se e importam-se.
Apenas amigos.
Eu realmente não notei quando comecei a criar ilusões sobre o que Yuu sentia por mim.
No fim, ele era como os outros, apenas se aproximou de mim por eu ser famoso e achou que seria interessante entrar pra lista. Só aquele pensamento já me deu náuseas quando ele olhou pra mim.
- Mas... Mas... YUU, TAKASHIMA-SAMA TÁ AQUI! — Ela berrou de novo, as mãozinhas levantadas, um sorriso bonito no rosto. Era muito parecido com o de Yuu.
- E você não deveria estar, não vai pra casa da sua amiga?
- Ora, ela que espere! — Ela falou, vindo para perto de mim. Yuu se meteu entre nós, como um segurança.
- Miyuki, ele já vai embora, melhor você fazer o mesmo.
- Por que eu deveria obedecer você, Yuu?
- Porque eu sou seu irmão mais velho.
- E ele é o Takashima Kouyou! — Ela tentou me atacar de novo.
- Miyuki, por favor! — Ele segurou a menina pelos ombros. — Para, tá bem? Ele não tá muito bem ainda, não percebe?
Ela deu um sorriso triste em minha direção e acenou. Retribui o aceno apenas por educação.
- Você é incrível! Eu te amo! — Ela disse e meu sorriso se desfez na hora.
Sempre as mesmas coisas. Eu era incrível por minha beleza e pelo o que as pessoas achavam de mim. Apenas.
- Obrigado... — Respondi baixinho, forçando um sorriso.
Ela foi pelo corredor e desceu as escadas, sempre olhando pra mim.
Evitei o olhar dele, mas não pude deixar de fitá-lo quando ele me chamou.
- Uru... Me desculpe por isso. — Ele parecia realmente embaraçado.
- Tudo bem. — Falei, indo pelo mesmo caminho que a irmã dele fizera.
- Ei, aonde você vai?
- Vou embora, Aoi. — Trinquei os dentes ao falar seu nome.
- Por quê? Hoje é domingo, fica... — Ele me puxou pelo pulso e meu tentei me desvencilhar.
- Por quê? Pra quê? — Não percebi que estava quase chorando e sendo ríspido com ele.
- Kouyou... O que houve? — Ele perguntou, franzindo o cenho.
- Nada, Yuu! — Virei a cara, exigindo o máximo de mim pra não chorar.
- Kou, tem que parar com essa sua mania de guardar as coisas pra você!
Ele me puxou e me abraçou. E eu me odiei mentalmente por ter deixado tal ato acontecer. Meu coração batia rápido demais e minhas pernas estavam bambas.
Eu me sentia muito confuso.
- Quero conversar com você... Mas quero fazer isso direito, hm? — Ele me soltou e me puxou para o quarto.
- Não quero falar.
- Uruha, você é tão complicado. — Ele falou, suspirando. — O que eu fiz? Foi minha irmã? Ela te disse alguma coisa que você não gostou?
- Não... A culpa é minha. Só minha.
- Do que você ta falando?
Ele me olhava com uma curiosidade sem igual.
Suspirei um pouco e desviei o olhar dele.
- De nada, Yuu.
- Kouyou...
- Não tem nada que você possa fazer, Yuu. A culpa foi minha. Me encantei e me iludi.
- Como assim?
- Somos só amigos. — Repeti a frase, olhando pra ele, que arregalou os olhos em surpresa.
- Kou... Kouyou, você não tem noção de como você me assustou, homem! — Ele falou, e parecia mais aliviado. Foi a minha vez de ficar confuso. — Sinceramente, Uruha, você realmente acha que minha irmã ia ficar de bico fechado se eu dissesse o que aconteceu? Isso poderia te prejudicar!
E eu realmente não havia pensado nessa possibilidade.
Eu estava aqui, o julgando mal, sendo que ele estava apenas me protegendo. Senti-me um idiota sem causa por conta disso.
- E... Se eu entendi bem, o senhor famosinho quer ser mais do que meu amigo? — Ele agora sorria de canto, se aproximando lentamente.
- Não foi isso, só que... — Pra que mesmo eu estava resistindo?
- Uru...
- Yuu, eu tenho noiva!
- Não sou ciumento. — Ele levantou uma das sobrancelhas, como se desafiasse a dar outra desculpa.
- Mas... — Dei um passo involuntário pra trás e ele parou.
- Sinceramente, Kouyou, eu não te entendo. — Ele suspirou. — Faz o maior drama e depois fica me evitando.
- Eu estou confuso, Aoi... — Admiti. — Não sei o que sentir... O que pensar... Você é um garoto!
- Isso te incomoda?
- Não...! Sim... Quer dizer... — Me enrolei, porque de fato, não me incomodava.
- Kouyou, eu nunca falo dessas coisas de sentimento, e eu vou falar agora: Eu gosto de você. Não é só da sua bunda, ou da sua conta bancária ou das suas coxas. Eu gosto de você, Kouyou. Do todo, do conjunto completo. Você me fascina de um jeito... — Não pude deixar de rir do comentário, mas ele se fascinava pelo Kouyou das revistas.
- Yuu... Eu não sou nada do que você imagina.
- Não? Então vai dizer que você é um estuprador de garotinhas indefesas?
- Não! — Eu não me contive em rir. E adorei o sorriso que ele exibia pra mim. – Só que... Eu sou bem mais do que um carinha bonito que gosta de pop.
- Me deixa conhecer esse seu lado, Uru... — Ele pediu, pegando a minha mão. — Me deixa ser mais que seu amigo.
Única coisa que consegui fazer foi sorrir pra ele em resposta e acenar positivamente. Ele me abraçou forte escondendo a cabeça na curva do meu pescoço.
Senti-me debilmente feliz naquela hora.
- Ne... Dá pra gente começar a explorar a caixinha de surpresas do Uruha agora? — Ele se afastou um pouco, sorrindo radiante.
- Ahn?
- Quer sair... Sei lá, pra um parque... Aí você me conta tudo... Seus gostos, suas manias... Melhor do que ficar enfurnado aqui dentro...
Concordei com um sorriso e um aceno.
Eu me senti tão completo naquele momento. Alguém que, de certa forma, se importava comigo e que estava disposto a realmente me conhecer. Alguém que estava se oferecendo pra escalar o muro que inconscientemente eu havia feito ao redor de mim.
Decidimos que iríamos a um parque que havia próximo da casa dele. O tempo estava perfeito, tempo nublado, sol não muito forte e uma brisa fraca. Fomos andando, e ele me bombardeava de perguntas durante o trajeto.
- Gosta de que tipo de música?
- Rock... Música eletrônica pra mim, só em festas.
- Sério? — Ele riu abobalhado. — Que bandas?
- Ah... Tem tantas! Eu gosto de X Japan, Luna Sea, Metallica, Slipknot... Coisas desse tipo.
- Olha, temos os mesmo gostos! Gosto das mesmas bandas. Menos Slipknot, não gosto. — Ele falou indiferente. Um sorriso sempre por seus lábios. — Gosta de doces?
- Depende do doce. Tem alguns que eu amo, mas tem outros... — Fiz uma cara de nojo, e ele riu mais um pouco. Sua risada me deixava feliz, no fim. — E você?
- Gosto de nutella.
- Nutella? Acredita que nunca provei?
- Mesmo? Nossa, tá perdendo, viu?
- Algum dia eu provo.
- Algum dia eu te dou pra provar.
- Vou cobrar! — Ele afirmou com a cabeça.
- Olha, tem um banco vazio ali! — Ele apontou para o banco um pouco distante, que, por um milagre do mundo, estava vazio.
- Quem chegar por último paga um sorvete! — Propus e logo sai correndo.
Ele fez uma expressão de surpresa, mas logo estava correndo atrás de mim, quase me alcançando.
- Eeeeeh! Eu gosto de sorvete de morango, viu? — Provoquei um pouco, apressando mais a corrida e quase me jogando no banco vazio.
- Droga! — Ele ficou falsamente indignado e sentou ao meu lado, nossas respirações aceleradas.
E do nada começamos a rir.
Isso aí, que nem dois retardados.
Rimos tanto, que nem sentimos quando a madeira do banco estalou e rachou, levando nós dois ao chão. Aoi caiu um pouco em cima de mim e resmunguei um pouco de dor, mas quando olhei pra ele, começamos a rir de novo. Eu me sentia um idiota feliz.
Ele se levantou e me puxou, ainda rindo.
- Por isso que estava vazio! — Ele falou, respirando fundo — A madeira estava podre!
- E nem percebemos isso!
- Claro, você estava mais preocupado com seu sorvete de morango! — Zombou e eu fiz um bico, que logo se desfez ao ver um pequeno corte em sua mão.
- Em falar em preocupação, você se machucou... — Peguei a mão machucada, tendo cuidado de não apertar o pequeno corte.
- Não tem problema, depois coloco um band-aid. — Ele falou dando de ombros.
- Tem certeza?
- Tenho sim. — E ele sorriu calmo. Ele procurou meus olhos com os seus por alguns segundos, poderia me perder no olhar dele. Tão calmo e sereno. — Então, vamos embora, antes que chamem a gente de vândalos.
- Culpa sua.
- Minha? De quem foi a ideia de sair correndo por aí apostando sorvetes! — Caminhávamos calmamente pelo parque, algumas pessoas passavam ao nosso lado, mas nem davam bola pra nós.
- Iiih, isso é papo de perdedor! — Debochei.
- Perdedor? Você só ganhou porque eu deixei!
- Ah, lógico! Só porque queria pagar um sorvete pra mim!
- Queria não, quero! Vamos logo à sorveteria. — Indicou com a cabeça o local que eu não notara estar tão próximo.
Um sorriso calmo e contido adornava os lábios fartos, ele estava com as mãos nos bolsos e olhava ao redor distraído.
- Aoi?
- Sim? — Dirigiu o sorriso a mim.
- Estou feliz por estar aqui.
- Estou feliz que você esteja feliz. — Ele estava um pouco corado.
Chegamos à sorveteria e Yuu se apoiou no vidro para escolher um dos sabores. Eu ria do jeito que ele mordia os lábios enquanto o homem o atendia. Ele pediu um sorvete de floresta negra pra ele e um de morango pra mim.
- Tá aqui seu prêmio. — Ele entregou o doce a mim.
- Obrigado, Yuu!
Tomamos os doces em silêncio e eu me arrepiei quando Yuu limpou um pouco de sorvete que estava no canto da minha boca. Ele levou o dedo à própria boca e lambeu. Ele sorriu e continuou a tomar o sorvete como se nada tivesse acontecido.
Pegamos um susto quando o celular dele começou a tocar. E só nessa hora fui perceber que não me lembrava de onde havia deixado o meu celular. Ele pareceu mais do que entediado enquanto respondia. Sorriu pra mim uma vez e voltou a falar no telefone.
- Ruki-san quer falar com você. — Falou me passando o telefone.
- Ruki? Como ele sabe seu número?
- Reita. — Disse somente e eu levantei as sobrancelhas enquanto ouvia resmungos baixos do outro lado da linha.
- Ru-chan?
- Kou! Kou, esse maníaco do Yuu te fez alguma coisa? Como você tá? Ele te machucou?
- Ru, pra que tanto desespero? Eu estou bem, Yuu-san me tratou bem — Um sorriso bobo surgiu nos lábios fartos quando eu disse isso — E estamos tomando sorvete.
- Olha, toma cuidado com esse aí, se não até o fim do dia você vai estar chupando outra coisa e...
- RUKI! — O repreendi, sentindo minhas bochechas esquentarem. — Ruki, sério, para com isso.
- Só estou sendo realista!
- Aham, sei... Mas, ei, o que você ta fazendo junto com o Reita-san?
- Eu...? Junto com... Não diga bobagens, eu... Eu só... Estava passeando no shopping quando o encontrei e... A gente não...
- Ruki... — Falei em tom ameaçador.
- A-gente-saiu-da-sua-casa-e-passou-a-noite-juntos-e-ele-me-levou-pra-tomar-café-e-passear. — Falou tudo junto, e eu tinha quase certeza que ele jamais repetiria tal coisa. Pra ele, passar a noite só com um cara era estranho demais. Sair pra tomar café depois disso, então.
- Que bom, espero que você e o Reita-san se deem bem.
- Ele meu deu bem, ô se deu... — Falou rindo, e resmungou logo depois, provavelmente sendo agredido pelo loiro da faixa. — Mas enfim, Kou, eu vou desligar.
- Tudo bem, comporte-se Ruki-chan!
- Diz pra essa puta morena aí do teu lado se comportar, entendeu?
- Não fala assim, Ruu... — Tentei falar mais baixo, mas o moreno ainda me fitava calmo. — Nem o conhece direito.
- Mas eu conheço o melhor amigo e parte do passado sombrio dele. Nem vem.
- Tudo bem, não vou discutir sobre isso. — Suspirei cansado, finalmente terminando o doce. — Jaa, Ru-chan.
- Jyaaah!
Devolvi o aparelho a Aoi, que se manteve calado e me fitando todo o tempo. Ele sorriu e me puxou pela mão, mas a soltou assim que chegamos à rua.
- Então, já quer ir embora? — Ele perguntou, enfiando as mãos nos bolsos.
- Querer eu não quero, mas tenho que ir. Parece que meu pai chegou ontem de viagem, ter que ficar aturar ele falando sobre bolsa de valores um pouco.
- Sorte que meu pai só vai me perturbar depois que eu estiver na faculdade. Ele diz que mesmo sendo da família, tenho que ser expert no que faço.
- Queria que fosse assim comigo. — Eu tentei sorrir um pouco, encarando o chão.
- Kouyou? — Ele me chamou e eu fitei os orbes pretos.
- Hm?
- Quero pedir que você só sorria quando realmente tiver vontade. E que pode contar o que for pra mim. Esqueceu que eu ainda tenho que conhecer o verdadeiro Uruha?
Eu fiquei totalmente sem palavras diante daquilo. Ele sorriu daquela forma adorável, apenas repuxando um pouco os lábios fartos e continuou andando ao meu lado.
Optei por me manter em silêncio até que chegássemos de volta em sua residência.
- Vou ligar pro meu motorista vir me buscar. — Anunciei enquanto subíamos as escadas de volta pro seu quarto.
- Tudo bem. — Ele pareceu um pouco indiferente, conformado até.
- Amanhã não sei se vou pra escola?
- Ehh? Por quê?
- Tenho um ensaio na hora da aula.
- Seu pai não se importa se seu trabalho afetar seus estudos?
- Nem um pouco. – Sorri, pesaroso. — Mas então, como vou fazer pra te ver?
Sim, o fato de que saber que eu não o veria no dia seguinte me incomodou, conscientemente.
- Me ligue. — Disse simplesmente.
Ele me entregou o meu celular, que estava sobre a mesa de cabeceira da cama e pegou o seu, ditando os números de seu aparelho para que eu salvasse. O fiz rapidamente e disquei, para que o meu número ficasse em sua agenda. Ele ficou mexendo no aparelho enquanto eu ligava para o motorista e o chamei até onde estávamos.
- Ele já vem. — Falei, chamando sua atenção.
Ele olhava distraído para a janela, vendo sem realmente enxergar.
- Tudo bem.
Ficamos em silêncio, ainda nos olhando.
Desde pela manhã, aquela troca de olhares era tão intensa que chegava a me assustar. A maneira que ele me olhava, como se eu fosse algo precioso... Importante.
- Se importa de sair comigo amanhã? — Indaguei, me sentando ao seu lado na cama.
- Sair com você? Parece legal. Pra onde?
- Não sei... Não posso sair pra lugares públicos, realmente tivemos sorte de não ser atacados hoje à tarde. — Falei usando um tom falso de preocupação. Ele riu abertamente, e me olhou por quase um minuto antes de responder.
- Podemos ir para casa do Reita. Quarto dele é quase um cinema em miniatura, Ruki vai poder ficar de olho em mim. — Falou com um pouco de ironia. — E eu posso ficar perto de você sem ninguém de fora olhando.
Aquela ideia me pareceu tão perfeita. Sorri só de imaginar passar a tarde com ele e meu primo. Mesmo que eu soubesse que no fundo, ele iria ficar apenas agarrando o outro loiro, mas pelo menos eu acho que ficaria perto dele. Balancei a cabeça ao imaginar a cena, apenas substituindo o casal em questão por eu e Yuu. Ainda não era certo, não é?
- Gostei da ideia. — Falei, simples.
- Que bom. Vou marcar amanhã na escola com Reita e seu primo.
Apenas afirmei com a cabeça e outra vez o silêncio se fez presente.
Sem eu notar, me aproximei mais do moreno, sentando bem ao seu lado, as coxas juntas. Antes que eu fizesse ou falasse algo, sua mão puxou meu queixo delicadamente e nos beijamos. E agora eu estava consciente para dizer que o sabor dos lábios dele era, sem dúvidas, o melhor que eu já sentira. Não passou de um selinho demorado, pois logo bateram à porta, me chamando. Yuu estava vermelho como um pimentão, e eu devia estar igual ou pior que isso. Sorrimos cúmplices e ele me acompanhou até a porta, sem nem se encostar em mim.
Suspirei derrotado ao entrar no carro. O coração ainda batendo rápido por causa do contato, um sorriso idiota que teimava em não me largar e a certeza que era dele que eu precisava.
Eu estava lindamente fodido.
Notas finais
Okei, eu estou ~muito~ chateada com algumas coisas que me aconteceram por esses dias, mas nada relevante demais, e eu só fico feliz com reviews e *le drama* HSASHAOHSAOIHSAOISHA não, sério, se vocês querem ver o 7 por aqui, é melhor vocês deixarem um review bom munitinho e apashonamt, okie? QQ
E o Reituki. Cara, o Reituki vai sair, eu quero um chapie intermediário só pra isso, mas eu nunca escrevi e é como me aventurar em terras desconhecidas e wut. So, quem tiver idéia, sugestão ou sei lá o que, é só falar por review ou mandar mp ;3 q
daqui a pouco as notas tão maiores do que os capitulos e *le vira fumaça*
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