The Reverse Side Of Beauty
4 - le party -
Abri a porta tomando cuidado para não fazer nenhum ruído, — o que foi muito idiota da minha parte, já que a minha irmã não estava em casa — e entrei, fechando a porta com o mesmo cuidado idiota de antes.
Me surpreendi quando vi a quantidade de Uruhas que me encaravam, de vários tamanhos diferentes. Mas não havia apenas pôsteres dele ali, mas também de outros garotos e de algumas bandas de pop.
Ao lado da cama cheia de bichos de pelúcia havia uma prateleira cheia de revistas, separadas em caixas coloridas. Peguei uma das caixas, achando algumas revistas de garotas, com um garoto bonitinho na capa. Remexi mais um pouco e achei pelo menos umas 10 revistas com Uruha na capa. Babei pela capa de uma delas, que ele estava com os lábios entreabertos na foto, e peguei todas, recolocando a caixa no lugar, saindo com o cuidado de não fazer barulho.
Nem Tom Cruise em Missão Impossível foi tão bom em pegar uma coisa quanto eu fui agora.
Eu sou foda, admitam.
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Como alguém pode gostar de Britney Spears? E de Black Eyed Peas? A cada banda que eu lia, cada vez mais achava que ele tinha algum problema mental.
Mas no quesito problema mental, eu não perdia nenhum pouco pro loiro, já que eu estava comprando todos os cd's que, segundo a revista, ele gostava. Se Reita me visse agora, provavelmente diria que estou virando gay.
Mas eu já sou, então tenho direito de comprar essas frescuras.
Mas ainda assim, Britney é muito gay pra mim.
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- Daremos uma festa aqui, Yuu. — Meu pai falou, indiferente. — Espero que se comporte. E aquele seu amiguinho da faixa só virá porque os pais dele são sócios da empresa. Mas eu já disse: Se comporte!
Na língua do meu pai, isso significava:
- Não use roupas estranhas, amarre seu cabelo, não de em cima de nenhum dos meus sócios, não beba a ponto de fazer um streap tease em cima da mesa ou coisa do tipo.
- Certo, pai.
- E mais uma coisa, não saia convidando todo mundo.
- Posso chamar três amigos meus, pelo menos?
- São gays?
- Não.
- Pode.
Filho da puta preconceituoso.
Desculpa aí, vó.
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E os dias se passaram. Desde o incidente do banheiro, eu nunca mais tinha ficado a sós com o loiro. Ele já havia confirmado que iria à festa, assim como Reita e Ruki, já que Kai disse que tinha outro compromisso.
Minha irmã deu um piti sem precedentes quando comentei que havia falado com Kouyou, por isso nem em sonhos eu falaria que havia chamado ele pra festa.
E estava tudo bem.
Tirando o fato que eu não parava de pensar em Kouyou e que eu estava apaixonado por ele, estava tudo bem.
Pelo menos pra mim, já que eu o via com o rosto inchado com mais frequência. E isso me preocupava, muito.
~
- Aoi... Caralho, mano, você tá muito gostoso! — Ri ao ver como Reita me secou, enquanto entrava no quarto e eu terminava de colocar o paletó que meu pai me obrigara a usar.
- Credo, seu desesperado! Eu tenho mais de 1,70 e sou moreno, passa reto!
- Ah, desculpa. — Ele falou, sentando-se em uma das poltronas do meu quarto, a que ficava perto da mesa...
Mesa que estava forrada de revistas sobre o Uruha, droga!
- Mas que diabos... — Ele pegou uma, e seu sorriso foi aumentando a cada página — Ora, ora... Aoi se apaixonando? Que novidade, não?
- Eu não estou apaixonado. — Falei, passando lápis nos olhos.
- Ah, claro... Isso só está aqui porque você quer a lista de cosméticos que indicam aqui, lógico.
- Eu... Eu não sei o que fazer... — Admiti, baixando os ombros.
- Você gosta dele, não é?
- Não sei... Ele é bonito, claro... Mas não é só isso, entende? Eu... Gosto de estar com ele, de falar com ele... Mas parece que não é recíproco... E ainda tem o fato de ele ter uma noiva... E...
- Quem diria que aí dentro ainda tinha algum sentimento...
E eu terminei de me arrumar em silêncio. Falar com ele sobre isso só iria piorar as coisas.
-
A festa estava cheia.
Cheia de velhos idiotas, engomados, e que bebericavam e conversavam formalmente.
Haviam feito um tipo de pista de dança no jardim, mas eu não me atreveria a ir ali sozinho porque além de todas as amigas da minha irmã estarem lá, eu estava esperando Kouyou.
Na verdade, eu queria que todos me vissem junto com ele. Desculpem se eu gosto de me mostrar.
Não demorou muito e ele chegou.
Lindo, perfeito e discreto, daquele jeito que só ele sabia ser. Eu poderia colocá-lo numa redoma de vidro e ter orgasmos só por ficar admirando aquele rosto perfeito.
Seus olhos varreram a casa, e eu fui até ele, Reita nos meus encalços. Ele sorriu quando me viu, mostrando os dentes alvos.
- Pensei que não viria! — Falei, quando estava perto o suficiente.
- Desculpe Yuu, eu peguei engarrafamento.
- Te perdoo dessa vez. — Pisquei pra ele, ganhando um sorriso bobo e bochechas rosadas em resposta.
- Ei, onde está o Ruki? — Reita apareceu das trevas, olhando pelos lados de Uruha, procurando pelo menor.
- Ele não vem. Disse algo sobre não ter roupas, algo assim. Melhor você se acostumar com isso, ele sempre é assim.
- O quê?! — Reita estava visivelmente puto. — Aquele baixinho folgado não vai me dar bolo assim não! Me dá o endereço dele, vou lá buscá-lo.
Uruha franziu o cenho, mas logo deu as instruções ao loiro. Deu também o número de Ruki.
- Certo, eu vou lá. Vou trazer aquele rabisco de gente nem que seja arrastado pela aquela cabeça oxigenada dele.
Isso foi a coisa mais romântica que eu já ouvi do Reita, acreditem ou não. Estava até surpreso com a atitude dele, isso era uma coisa que Reita jamais faria.
Logo ele já tinha ido embora, me deixando a sós com meu loiro.
- Hei, tem uma pista de dança lá atrás. Quer ir dançar?
- Quero sim, melhor do que ficar aqui. — Ele se referia a algumas pessoas que já olhavam pra ele. Bando de urubus.
-
Não que Uruha dançasse. É que ele deixasse qualquer bailarina profissional querendo vender a alma, pra conseguir fazer metade do que ele fazia. Nem eu sabia dançar daquele jeito, e olha que eu vivia em festas e boates.
O pior — ou melhor — é que ele estava dançando comigo, e, de vez em quando, uma mão boba passava por ele. Claro que a mão boba era a minha.
Tinha umas garotas que ficavam simplesmente secando ele na cara dura, algumas o reconheceram e sempre ficavam olhando. Acabou que depois de umas duas músicas eu podia sentir muitos olhares direcionados a nós.
- Eu to com sede, Yuu! — Ele falou, me segurando pelos ombros e se inclinando pra falar mais perto do meu ouvido. Minha mão foi automaticamente pra cintura dele.
- Tem um bar ali, vem. — E eu o puxei ate o bar, que ficava no canto da tenda.
Sorri idiotamente ao sentir os dedos dele entrelaçados nos meus.
- O que vão querer? — O barman nos perguntou.
- Me vê uma vodka.
- Claro, e pra você...? — Ele olhou pra Uruha, que me fitou, como se pedisse autorização.
- Eu quero uma garrafa, ele vai beber comigo. — Falei, e vi suas sobrancelhas se levantarem, mesmo que por pouco tempo.
- Mas senhor, fomos autorizados apenas a servir doses, e não garrafas.
- Meu senhor, eu sou o filho do dono da festa, então faça o favor de me dar a garrafa de vodka? E um energético. — Falei com a maior calma que eu pude reunir, tentando não ser rude com o homem.
Ele abriu e fechou a boca algumas vezes, antes de se virar e pegar uma garrafa de vodka e uma latinha de energético de dentro da geladeira de tampa de vidro.
- Aqui está, senhor... Me desculpe, sim?
- Tudo bem. — Peguei as duas coisas e mais um par de copos de vidro que ele tinha nos entregado e puxei o loiro pra uma das mesas altas que estavam nas extremidades da barraca. Eram feitas apenas para servir de suporte para bebidas.
- Yuu.
- Hm?
- Eu nunca... Nunca bebi.
- Não? — Olhei pra ele, e mesmo com as luzes piscando toda hora, eu podia ver que suas bochechas estavam um pouco coradas. Ele afirmou com a cabeça. — Bem, nunca é tarde pra começar... Se você quiser, é claro.
- Eu... Eu quero, Yuu.
Eu sorri com a frase, colocando quase todo o conteúdo da latinha de energético no copo e um pouco da bebida alcoólica.
- Nada muito forte, se você quiser parar, só não beber, hm?
Ele fez que sim com a cabeça, logo sorvendo o liquido. Fez uma pequena careta quando terminou.
- Então?
- Eu gostei. Me dá mais! – E eu prontamente atendi o seu pedido, servindo-o de mais vodka com energético.
Coloquei apenas a parte alcoólica no meu copo e tomei, sentido o liquido esquentar minha garganta.
- Por que você não toma com energético? — Ele me indagou, depois de ter virado o segundo copo.
- Porque eu enjoei disso. É fraco demais.
- Ah.
- Vem, vamos voltar a dançar, hm?
Ele largou o copo em cima da mesa, e eu não soltei o meu, ainda pela metade. Viramos a atração de novo, mas dessa vez ele ondulava mais ainda os quadris, pelo fato da música ser mais ritmada. Pensamentos pervertidos, pecaminosos e indecentes inundaram minha mente, e eu bebi um pouco, tentando me distrair.
Ele tomou o copo de minhas mãos, bebendo o que ainda havia de uma só vez.
- Uruha, você não deveria beber desse jeito!
- Me deixa beber, eu não sei se vou poder fazer isso de novo! — Ele falou, se aproximando de mim, perigosamente.
E ele começou encostar-se a mim, e eu estava realmente me controlando pra não agarrar ele ali no meio.
- Yuu, eu quero mais disso! — Ele disse, mostrando o copo vazio. — Por favoooor. — Ele fez uma cara de cachorro pidão que volta pra casa num dia chuvoso.
- Mas você não é acostumado a beber e...
- Foi você que inventou, agora eu quero mais! — E ele saiu me puxando, voltando à mesa e se servindo da garrafa, derrubando quase metade do que havia posto no copo.
Virou o copo, limpando a boca em seguida. Naquele momento eu fiquei com medo de ter o transformado num alcoólatra.
- Uruha...
- Cala a boca e bebe, Yuu! — Ele me empurrou o copo novamente cheio, enquanto bebia direto da garrafa. Eu tentei tirar dele, mas o que eu consegui foi alguns tapas e reclamações.
Ele deixou a garrafa, agora pela metade, em cima da mesa e me puxou pro meio da pista, dançando com os braços ao redor do meu pescoço. Ele se jogava contra mim, e mordia os lábios, os olhos levemente desfocados, já pelo efeito da bebida. Suas mãos foram até minha nuca e me puxaram para um beijo.
Produção, ele não podia fazer isso, além de porre, ele tá porre.
MAOE, AOE, ELE TÁ TE BEIJANDO BEESHA, APROVEITE, APROVEITE!
Enfim, ele me beijou. E não foi um beijo daqueles inocentes, foi daqueles de tirar as cáries do último dente com a língua.
Eu interrompi o beijo, mas ele continuou dando pequenos selinhos e sugando meu lábio inferior.
Tentei afastá-lo um pouco, já que eu não podia me aproveitar — muito — da situação, e voltei a dançar, sendo acompanhados por movimentos mais ritmados do loiro.
Até que eu vi Reita se aproximando, com um baixinho loiro e meio enfezado ao seu lado.
- RUUUUU-CHAAAAN! — Kouyou berrou, me soltando e indo abraçar o menor, que desfez a cara amarrada na hora. — Ruki, que bom que você veio, sabia que o Yuu me deu vodka? Ele é tão perfeito...
- Aoi, como diabos você deixa ele porre desse jeito?! — Reita olhou pra mim, não me repreendendo, mas reclamando.
- Eu dei Ice pra ele, não tenho culpa se ele quis virar meia garrafa de vodka de uma vez.
- AAAH! Bem lembrado, Yuu! — Ele falou feliz, saindo puxando o menor até as mesas.
- Kou, volta aqui, não bebe mais...
- Shiroyama Yuu! — Ele virou pra mim, a voz meio embargada. — Eu só vou deixar você mandar em mim quando estivermos na cama. Aqui ninguém manda em mim!
- Eu mando! — Ruki falou, alterando o tom de voz e segurando o maior pelo pulso.
- Você? Aham, senta lá! — Ele se livrou das mãos do menor e continuou seu caminho até a garrafa.
- Tá vendo o que você fez? — Reita me repreendeu, cutucando meu ombro. — Agora o Takashima é um bebum!
- E se isso sair nas revistas? — Ruki praticamente me fuzilou com os olhos.
- Famosos vivem fazendo isso, sabe?
- Mas não o Kou!
- Fica calmo, ele vai ficar...
- WHEN I GROW UP, I WANNA BE THIN... — Ele berrava, enquanto rebolava e dançava, um pouco — muito — fora do ritmo.
- Puta. Que. Pariu.
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