The Reverse Side Of Beauty
1 - le fame -
Notas iniciais
O loiro encontrava-se sentado sozinho, no banco traseiro da luxuosa BMW preta. Seu olhar vazio e inexpressivo estava direcionado ao anel dourado que adornava o fino dedo anelar da sua mão direita.
Até uma semana antes do noivado, Takashima Kouyou nem sabia que este aconteceria.
Uma desagradável surpresa para o jovem.
Desde pequeno, o loiro tinha noção que esse seria seu destino, casar-se com a filha do presidente de alguma empresa transnacional, para, assim, facilitar uma futura parceria com a empresa de seu pai, a T. Corporation.
E, além de ser filho de um dos homens mais ricos do Japão, Kouyou possuía uma beleza invejável — olhos amendoados, lábios lindamente pecaminosos e um belo par de grossas coxas. – que lhe rendiam algumas campanhas publicitárias.
O veículo parou em um sinal, ficando bem ao lado de um dos outdoors de três metros de altura que continham a foto do belo rosto do rapaz, ao lado de um pequeno frasco de perfume. Kouyou moveu os olhos quase que por instinto e encarou o reflexo impresso. Logo desviou o olhar para um lugar vazio dentro do próprio veículo.
Fotos, vídeos, desfiles... Fama. Kouyou odiava aquilo. Todos ao seu redor o julgavam apenas pelo o que o loiro fazia, e não por quem ele era. Sempre era a capa, não o conteúdo. Nunca teve um amigo de verdade, nunca se importaram com seus sentimentos, nunca se preocupavam com a felicidade do loiro.
Seu pai o via como uma fonte de dinheiro.
-•-
Estava parado na frente da bela mansão, encarando os degraus. Mentalmente, o loiro ensaiava um de seus belos sorrisos para colocar no rosto quando sua noiva aparecesse. E isso não demorou muito a acontecer. Logo a menininha descia de três em três degraus, cantarolando e saltitando.
- Bom dia, Kou! — Ela se atirou no pescoço do loiro, que sorriu automaticamente.
- Oi, Tsuki.
- Ah, pensei que você não viria mais — Ela deu um selinho nos lábios fartos do garoto.
Kouyou já namorara forçado com tantas garotas que chegava até a ser traumatizado com meninas.
- Mas agora estou aqui.
- Em falar em estar aqui, hoje meu primo chega de Nova York, ele vem morar comigo.
- Que legal...
- Você deveria estar com ciúmes, Kou! É um garoto que vai ficar perto da sua namorada!
Implorou mentalmente que o primo da garota fosse um tarado pervertido ou um cara bonito, ou, que simplesmente Tsuki se apaixonasse pelo garoto. Livraria-se do casamento, pelo menos.
- Ah, mas eu estou com ciúmes. — mentiu — Mas ele é seu primo, nee?
- Tem alguém mais perfeito do que você, Kou? — a menina atacou o noivo, beijando-o.
-•-
O dia estava apenas começando para Shiroyama Yuu. Levantou-se da cama com um pouco de tontura — resultado de mais uma noite de bebedeira com os amigos — e foi até o banheiro. Fez sua higiene matinal e desceu, cumprimentando a irmã, que tomava calmamente seu desjejum.
- Bom dia, nii-chan! — Exclamou a pequena.
- Falaê. — Respondeu, passando uma generosa porção de Nutella numa fatia de torrada doce.
- Hoje eu vou ver o ensaio fotográfico do Takashima-sama, não é incrível? — Ela praticamente berrava, de tanta felicidade.
- E quem é esse? — Perguntou desinteressado, enquanto desenhava uma careta sobre o creme da sua torrada.
- Ora, quem é Takashima Kouyou? Você não conhece?
- Não. — Mordia os lábios, tentando não errar o desenho.
- Takashima Kouyou é simplesmente o menino mais lindo de todo o Japão! Ele é meigo, inteligente, delicado, bonito, educado, charmoso, bonito... — Suspirou.
- Bah, pra mim deve ser mais um daqueles garotos idiotas que só sabem tirar fotos, mas, fora isso, são um bando de nada, não sabem nem o hino do Japão.
- Não é não! Ele é muito inteligente! Tem as melhores notas na escola... Ah, sim, em falar em escola, ele estuda na mesma escola que você vai estudar.
- Sério? — Falou, finalmente mordendo a torrada, e não dando interesse à irmã. — Espero que ele não venha bancar o famosinho pra perto de mim, se não eu faço ele virar minha puta de estimação. – Riu, malicioso.
- Aff, Yuu! Pare de dizer que vai transformar Takashima-sama em uma bicha, ele ainda não sabe, mas vai casar comigo — Ela falou com uma voz melosa, levando as mãos teatralmente ao peito. — Depois que ele largar a Biscate-chan. — Sua voz tornou-se dura e seu olhar era maligno.
- Sabe que eu não sou esse monstro que você imagina, Yume. Sou bonzinho, só que gosto de garotos. — sorriu de canto, e logo ingeriu boa parte do suco que estava em seu copo. — E quem é 'Biscate-chan'?
- Eu sei, mano, só que às vezes você me assusta... Já pegou mais caras do que eu! — Falou num falso tom de indignação. — É a noiva dele, aquela coisa aguada e burra, só sabe ficar pra lá e pra cá gritando 'Kyaah' — Levantou as mãos ironicamente, numa imitação grotesca da garota — Isso irrita.
Aoi apenas riu da situação. Gostava de quando sua irmã contava suas histórias, era engraçado ver como ela se encantava por qualquer um que tivesse um sorriso bonito e um corpo sedutor.
Como se com ele fosse diferente. Humpf.
Era, de certa forma, já que o moreno quase nunca gostava de sair com caras burros, mas sair com caras feios era bem pior.
-•-
O loiro andava calmamente pelo corredor da escola, que estava apinhado de estudantes. Ignorava as garotas que teimavam em seguí-lo usando fones de ouvido. Música era seu ponto de fuga, onde ele encontrava paz e sossego.
Entrou na sala e sentou-se no habitual lugar, ao lado da janela, e pôs-se a olhar para o campo lá fora. Admirava a liberdade.
As cadeiras eram duplas, ou seja, dois alunos por mesa. Mas ninguém se sentava ao lado de Kouyou, talvez por acharem que ele era calado demais, ou bonito demais, ou até mesmo por achar que ele era esnobe. Mas esnobe era algo que definitivamente Kouyou não era. Só não gostava de quando as pessoas se aproximavam por interesse.
Quase caiu da cadeira ao ver um menino sentado ao seu lado. Logo o loiro percebera que o menino era novato, tanto por nunca ter visto ninguém parecido com ele — o garoto tinha cabelos pretos, cortados aleatoriamente, na altura do ombro, e tendo os fios levemente desfiados. Os orbes negros estudavam minuciosamente a sala, e os fartos lábios estavam repuxados em um leve sorriso. E pelo fato de ele ter sentado ao lado do loiro.
Logo os olhos do moreno pararam no loiro. Eles encararam-se por alguns segundos, mas logo o loiro desviou o olhar para a janela. Depois de alguns segundos, o loiro foi cutucado. Tirou os fones de ouvido e virou-se para o moreno.
- Sim?
-Você não se importa se eu sentar aqui?
- Não.
- Hm, certo. Meu nome é Shiroyama Yuu.
Kouyou ficou calado, como sempre, nunca necessitava falar seu nome.
- E o seu? — Yuu indagou, quando percebeu que o menino não iria falar o nome.
- Você realmente não sabe meu nome?
- Como saberia? Acabei de te conhecer.
- Mas... Não gosto de brincadeiras.
- Não estou brincando. E... Porque eu deveria saber seu nome?
- Porque todos sabem.
- Eu não sei. — Yuu levantou uma sobrancelha — Vai me bater por isso?
O loiro ficou sem resposta. Deveria ficar irritado, mas estava feliz por aquele garoto não saber seu nome e estar tratando-o como a uma pessoa qualquer.
- Não vou bater... É que eu sou famoso — Falou a contra-gosto — Todos sabem meu nome.
- Mas eu não sei! — Yuu virou-se de frente para o loiro. — Quer saber? Não quero saber seu nome, Sr. Famosinho.
- Não me chame assim!
- Porque não?
- Porque eu tenho nome e não gosto que me chamem por outra coisa que não seja o meu nome!
- Mas eu não sei o seu nome. — Ele falou com toda calma, como se explicasse algo a uma criança de dois anos.
- E eu não vou dizer!
- Oras, então vou te chamar do que eu quiser. — Falou desafiador.
Qualquer um que estivesse no lugar de Kouyou já teria desistido e dito seu nome, mas o loiro estava gostando da discussão. Era divertido.
- Vai me apelidar? — Perguntou, mas seu tom de voz demonstrava uma leve ansiosidade.
- Vou. — O moreno pareceu ponderar por alguns segundos, enquanto escolhia um apelido para o colega.
Sim, Yuu já o considerava um colega. Mesmo o menino sendo irritante e mesquinho, havia alguma coisa no loiro que o moreno sinceramente gostara.
Eu aposto que ele gostou foi das coxas, mas como estou descrevendo uma história açucarada, não posso colocar perversões.
Ora que se foda, a história é minha, não é?
Ele provavelmente ficou encantado com a beleza do garoto e com as coxas roliças que o mesmo possuía.
Mas voltemos à duvida de Yuu em relação ao apelido de nosso querido Kouyou. Os segundos pareceram uma eternidade para o loiro, jamais ninguém falara com ele daquela forma, e, céus, iria receber um apelido. Mesmo que fosse uma coisa pejorativa, Kouyou já estava muito feliz.
- Já sei! — Exclamou o moreno, com um sorriso nos lábios. — Uruha.
- U...Ru...Ha — Repetiu Kouyou.
- Sim. Gostou?
- Gostei.
- Aposto que tem muitos outros... Mas esse vai ser como EU vou te chamar. Certo?
Sentiu uma pontada de uma coisa que não sentia há anos — felicidade.
- C-certo. — Um sorriso tímido brotou nos lábios do loiro.
Logo o professor chamou atenção dos dois e começou a aula. Mesmo a aula sendo chata, Kouyou, que agora será chamado por mim também de Uruha, não estava nenhum pouco entediado. Ele realmente gostava do jeito que o moreno o tratava, e sentia vontade de rir quando estava perto do novato.
Estava distraído na explicação que o homem rechonchudo dava aos quatro ventos, quando um leve cutucão foi sentido por Uruha. Qualquer um teria se irritado, mas ele apenas olhou calmo para o moreno que o chamara. Este o encarou e olhou para baixo, indicando para onde o outro deveria olhar. O olhar calmo de Uruha recaiu sobre um pedaço de papel dobrado.
Ele o apanhou com os dedos finos e o abriu, o mais discretamente que pode.
"Não vai me dizer seu nome mesmo?"
Olhou para o lado, e encontrou um Yuu concentrado na aula. Teve vontade de rir quando este lhe olhou pelo canto dos olhos e sorriu minimamente.
"Não.", escreveu Uruha, com sua caligrafia inclinada.
Ele devolveu o papel discretamente ao moreno, que soltou um muxoxo ao ler. Franziu o cenho e pôs-se a escrever de novo.
"Certo. E sua idade? Pode me dizer isso?"
"17 anos."
"Ahn? o_o' Sério?"
Uruha não conseguiu deixar de rir do pequeno desenho que o moreno tinha feito.
"Sim, sério. E você?"
"18 anos :3 Posso perguntar outra coisa?"
"Que legal. Se não for meu nome, pode perguntar o que quiser."
"Sim, posso entrar em motéis, festas e assistir filmes pornôs -n. Esse anel, no seu dedo, é de noivado?"
"Como se você já não fizesse tudo isso antes. Sim."
"Certo, eu fazia. Vai ser nosso segredo, não conte pra mais ninguém ♥. Mas você só tem 17 anos o_o' Pra que se casar tão cedo?"
Uruha sentiu seu coração bater mais rápido quando viu o pequeno coração desenhado por Yuu.
Idiota, não?
"Certo, ficarei calado. Ah, é um tipo de casamento forçado."
URUHA, VOCÊ ANDOU BEBENDO? E se Yuu for um jornalista disfarçado pra pegar informações para aquelas revistas de adolescentes? Se bem que uma notícia como essa sairia no jornal, pelo menos. E na primeira folha.
Mas como eu sei que Yuu não é um jornalista que vai pegar informações para o jornal ou sei lá o que, vamos continuar.
"Casamento forçado? Que ruim D: Mas quem se casar com você, vai ser uma sortuda."
"Sim, muito ruim. Eu não tenho a mesma certeza. Mas e você?"
"Pois eu tenho! Eu? Eu acho que também terei sorte se casar com você, mas como ainda não permitem esse tipo de coisa aqui no Japão, e. Tô brincando."
Kouyou quase morreu de rir do que o moreno havia escrito. Era difícil alguém fazê-lo rir dessa forma, o único que conseguia era seu primo Ruki, que, mesmo o tirando do sério, arrancava muitas risadas do maior, por causa de seu jeito desastrado e destrambelhado.
"Certo, então quando casamos?"
"Agora não rola, não estou vestido a rigor. Aliás, você vai se vestir de noiva?"
"Ah, claro, temos que estar bem vestidos pra isso. Eu não, mas se você quiser, não vou ligar"
"Então você gosta de garotos de saia?"
"Ahn?"
"Você é gay, Uruha?"
"Não, tenho noiva, esqueceu?"
"Então isso te rebaixa a um bissexual, já que você gosta de meninos de vestido e tem uma noiva."
"Mas calma, eu só disse que não me incomodaria de ver você de vestido."
"Mal nos conhecemos e você já vem com fetiches pra cima de mim?"
"Claro, tenho algemas também."
Yuu teve que morder os lábios para não rir. Realmente tinha sorte de ter escolhido aquele lugar.
E ambos sentiam que aquele era só o inicio de uma amizade.
Ou algo mais.
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