Notas iniciais
Yo!voltei pra postar assim no meio do dia (?) só por causa da pressão psicológica da Dani ♥ Esse chapie é pra tu nega *dá embrulhado num papel de presente* nMais uma coisa: c******, QUANTOS REVIEWS *-* *me gusta* qqq anyway, Boa leitura ~

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Acordar cedo é, e sempre vai ser, um dos meus maiores problemas.

Eu estava dormindo tranquilamente, sonhando com minha linda guitarra, e com potes de Nutella e homens pelados segurando estes potes, quando o maldito despertador tocou. Tentei desligá-lo, sem obter sucesso. Joguei o aparelho no chão, com toda força que eu consegui usar, por causa da posição, e ficou silêncio novamente. Paz, tranquilidade e os potes de Nutella voltando a dominar minha mente...

Tudo bem até o maldito celular tocar.

Eu estava tão enrolado no lençol que tive que me mexer todo pra conseguir pegar o aparelho. Atendi sem olhar o número.

- BOOOOOOM DIA, FLOR DO DIA! — Reita falou mais do que animado, me fazendo arredar o telefone da orelha.

- O que é, caralho?

- Credo, assim que você trata o seu futuro marido, Aoi? Pensei que você me amava, homem! — Falou numa falsa indignação

- Vai se fuder. O que você quer?

- Eu queria te acordar, pra você não se atrasar de novo pra escola. Ontem fiquei a fim de um menino lá, queria chegar cedo pra ver ele e pá.

- Para de ser viado, homem! Esperar o carinha chegar é coisa de boiola. Você não é isso. Imprense-o numa parede e faça-o pedir pra comer você, isso é coisa de macho.

Reita começou a rir feito louco do outro lado da linha.

- Certo, professora, algum outro ensinamento?

- Sim, tenha sempre camisinhas com você e não dê pro primeiro que passar. Só se você estiver muito necessitado.

- Ah, então é assim que você sempre acha alguém pra te comer? Descobri sua tática...

- Lógico que é, eu já deixo a plaquinha pronta aqui.

- Nossa, seu pervertido!

- Olha quem fala... Mas agora me deixa ir tomar meu banho, se não vou chegar atrasado na sua casa.

- Certo... Vem de Ferrari hoje, por favor? — Eu imaginei com perfeição a carinha de cachorro-pedinte-numa-rua-deserta dele.

- Vou pensar no seu caso. Tchal.

- Bata uma pensando em mim, amor. Tchal. — E desligou na minha cara.

- Vou bater é na tua cara mumificada, isso sim. — Falei, enquanto levantava da cama, quase caindo por causa do lençol que resolveu se enrolar na minha perna.

Fiz minha higiene matinal, tomei banho, levei quase meia hora pra colocar aquele maldito uniforme, e acabei deixando a gravata totalmente mal-amarrada e frouxa.

Desci para tomar café e minha irmã já estava toda saltitante e feliz.

- Bom dia, Yuu! — Ela berrou quando me viu — Ontem foi tão mágico! Takashima-sama é mais bonito pessoalmente, e o sorriso dele era... Incrível, aah... — Às vezes me pergunto de quem ela puxou esse lado afoito, já que meus pais são totalmente sérios.

Sérios e ausentes. Vivem metade do ano viajando e a outra metade enfurnados naquele escritório maldito. Nunca conheci duas pessoas mais alucinadas por dinheiro. Mas isso tinha lá o seu lado bom, pelo menos eu tinha uns seis carros só meus na garagem. Além de alguns milhões na conta bancária. Mas o que me preocupava era minha irmã, ela sempre foi criada mais por mim e pelos empregados do que pelos meus pais.

- Oi, que bom que se divertiu. — Falei, ainda estava com muito sono, acho que minha voz saiu arrastada.

- Sim! E você e a escola? Reita ficou na sua sala? Conheceu alguém novo? Você viu o Takashima-sama por lá? Tem meninos... — Ela quase me atropelou de tantas perguntas.

- Calma! Calma... Uma de cada vez... — Tentei me lembrar das perguntas que ela fazia. — A escola é legal, Reita ficou em outra sala, eu conheci um menino que não quis me dizer o nome dele e que quer me ver de vestido, eu nem sei como esse tal de Ta-alguma-coisa ai é, e sim, tem meninos bonitos por lá, afinal, tem eu. — Sorri triunfante.

- Se tem você, a situação é ruim... — Falou, jogando um guardanapo em mim.

- Claro que não, se eu fosse à sua escola você ia ver o tanto de menina que ia ficar babando em mim.

- Você devia quando vai se apresentar não devia falar "Oi meu nome é Yuu e meu sobrenome é Shiroyama", e sim: "Oi, meu nome é Sou Muito e meu sobrenome é Convencido". — falou, me fazendo rir.

- Certo, vou fazer isso da próxima vez que perguntarem meu nome.

- Blah — Mostrou a língua pra mim. — Eu já vou, nee.

- Certo, se cuida. — Beijou minha testa ao passar por mim.

- Você também. Ja nee.

- Ja.

-•-

- Eu mandei você vir de Ferrari! — Resmungou Reita, entrando no carro.

- Cala a boca e entra logo, quem manda ser fedelho e não ter carteira de motorista?

- Vai tomar no cu.

- Vai você.

- Vai você.

- Vem comigo? — Falei num tom malicioso, alisando a coxa dele.

- Só se for agora, moreno.

- Sua bicha oferecida! — Bati com força na perna dele, recebendo alguns xingamentos e ofensas à minha mãe.

Fomos falando besteiras o caminho todo, rindo alto e ouvindo musica, até que chegamos na escola. Estacionei o carro e logo ele desceu, pegando a minha mochila e a dele, que estavam no banco de trás. Entregou-me enquanto andávamos colégio adentro.

- Cadê você, Takanori... — Perguntou baixinho, enquanto olhava atentamente para os corredores, em busca do dito cujo.

- Quem é Takanori?

- O menino que eu te disse, coisinha mais fofa e abusavél!

- Você tem sérias inclinações à pedofilia, meu caro. Ele é de que série?

- Da nossa, 2º. Ah, ali está ele, tchal, preto. — Falou, saindo correndo de perto de mim e indo falar um baixinho da sala dele.

Continuei sozinho o caminho até a minha sala, e quando entrei, Uruha já estava sentado em seu lugar habitual, com os fones de ouvido e olhando a janela como se fosse algo incrível e raro. Sentei-me e o cutuquei, ele sorriu quando me viu.

Faz isso de novo não, meu coração quase parou, loiro.

- Ah, oi Shiroyama-san! — Falou, tirando os fones.

- Oi, Uruha, tudo bem?

- Sim... — Respondeu meio automático, mas respondeu. — E você?

- Com sono, mas sobrevivo.

- Sobrevive sim. — E ele sorriu de novo.

Porque diabos ele tinha que ser tão bonito?

Sentei-me ao seu lado em silêncio enquanto via ele voltar sua atenção para a janela. Logo o professor entrou na sala. Aula de matemática sempre foi outro grande problema pra mim.

Eu juro que tentava me concentrar naquelas inequações extraterrestres, mas, como um ímã, Uruha atraía meus olhos pra si. Eu ficava observando discretamente — pelo canto dos olhos e através do meu cabelo, que tinha feito uma espécie de cortina entre nós — cada movimento que ele fazia com a caneta. A letra inclinada, o jeito que ele mordia o canto dos lábios pra resolver o problema... Era tão... Acho que diferente seria a palavra. Como se fosse ensaiado, era meio perfeito, sei lá.

Certo eu não estou me apaixonando. Não estou.

Não estou.

Mas... Ele é tão perfeito, bonito, inteligente...

Eu me senti minha irmã agora, Kami!

Mas ele não deixa de ser bonito.

Porque tudo comigo tem que ser tão confuso?

Saí da minha confusão mental na exata hora em que o sinal tocou. Pelo visto fiquei tanto tempo pensando, secando e babando pelo loiro ao meu lado, que me esqueci do resto. Agora sim eu pareço uma menina apaixonada, argh.

Quando já estava na porta, percebi que só restara eu e Uruha na sala.

Ideias pervertidas, não se manifestem.

- Não vai descer, loiro? — Indaguei, virando-me e encarando-o.

- Não... Nunca saio de sala na hora do intervalo... Não gosto de ficar sozinho lá embaixo e... As garotas não me deixam em paz.

- Ah, claro! Esqueci que você é famosinho. — Debochei. — Quer que eu traga alguma coisa pra você?

- Ahn? — Levantou uma sobrancelha, deixando uma linda expressão de curiosidade no rosto.

- Tipo um doce ou algo do tipo...

- Ah! Não, não se incomode.

- Não será incômodo! Vou trazer um dos meus doces favoritos, certo? — Falei, saindo da sala.

Eu realmente estava estranho. Eu nunca era gentil e educado com as pessoas que eu mal-conheço. Acho que na verdade, eu nunca fui gentil e educado com ninguém. Ou eu tô pirando ou...

Eu já disse que não estou apaixonado por ele, droga!

-•-

- Oi, Reita. — Falei, sentando à mesa do loiro, que conversava animadamente com um moreno um pouco menor do que eu e que tinha um sorriso fofo.

Por que Reita tem sempre que ter alguém fofo e bonitinho por perto? Com exceção da minha linda pessoa, que é linda, gostosa e popozuda.

- Oi, Aoi! Deixa eu apresentar... — Apontou o moreno. — Esse é Uke Yutaka, ele é da minha sala.

- Ah, legal... — Falei, me sentando. — Que bom que está me trocando por um menininho fofo, múmia. Se ele não fosse fofo, eu não ia deixar você me trocar por ele!

O menino ficou vermelho como um tomate e começou a rir. Ele tinha covinhas nas bochechas rechonchudas, o que o deixava ainda mais fofo. Só faltava uma placa de neon na testa dele escrito: “SOU KAWAII, ME APERTE :3”.

- Eu não sou fofo, certo? — Falou, fazendo um tom de falsa indignação. — E me chame de Kai.

- Certo, certo... — Falei ainda rindo.

- Então, seu amigo enfaixado ai já falou que está afim de um anão de jardim? — Ele perguntou, apontando pra Reita.

- Foi, eu vi na hora da entrada... Cadê ele?

- Foi ver o primo dele, Takashima Kouyou, aquele menino famoso... Ele é da sua sala.

Takashima...

Uruha...

Bonito...

Estuda na mesma escola...

Processa...

Lerdeza é foda.

Kouyou é Uruha e Uruha é Kouyou!

E foi como se alguém tivesse me dado um tapa na nuca.

Uruha é Takashima Kouyou!

Ah, pode ter outros modelos nesta escola, não é? E além do que, eu saberia se ele fosse o Takashima, porque minha irmã vive falando dele e...

Caralho!

O Uruha é o Takashima Kouyou!

- Aoi, algum problema?

- Não, não... Só estava pensando numa coisa aí.

- Você? Pensando? Essa é nova. — Reita zoou. Eu dei uns bons tapas no braço dele.

- O loiro aqui é você!

- Hey! Eu sou loiro, mas não sou burro!

- Só um pouco.

Ficamos conversando besteiras durante o resto do intervalo, e na hora de voltar pra sala, passei na lanchonete, comprei alguns doces e fui pra sala, me despedindo dos garotos ao passar pela sala deles. O tal primo do Uruha já estava na porta e cumprimentou os outros com um sorriso. Passei direto, sem me dirigir ao menor e encontrei Uruha sentado na cadeira, a cabeça baixa. Sentei-me ao seu lado e meio que automaticamente passei as mãos nos fios macios, sorrindo internamente com o gesto. Ele levantou o rosto, mas virou pra janela, sem querer me olhar.

- Você... Você não tá bem, eu sei... Mas... — Tentei falar, não queria que ele e achasse intrometido em querer saber o que tinha acontecido, mas ainda assim, me deixou preocupado, parecia que ele estava chorando.

- Eu estou bem sim, foi só um cisco que caiu no meu olho... — Mentiu, ainda sem olhar pra mim.

- Uruha, olha pra mim.

Ele hesitou por alguns segundos, mas logo obedeceu, os olhos já inchados, o nariz vermelho e a expressão mais triste que eu já vira no rosto bonito dele.

- Não quero que me conte o que aconteceu, só quero que você fique bem, tá? — Enxuguei com a ponta dos dedos uma lágrima que insistia em rolar pela pele clara.

- Eu... Eu não sei se vou conseguir ficar... Eu... Não quero casar, Aoi! O casamento é daqui a menos de dois meses... — Ele voltou a chorar, as lágrimas caindo pelo rosto fluentemente.

E eu não percebi quando o abracei.

Cadê meu lado 'Seme machão'?

- Vai ficar tudo bem, eu já disse. — Falei, passando a mão pelos cabelos loiros. — Agora trate de enxugar essas lágrimas, bebê chorão! — Ele riu um pouco, enquanto tentava enxugar o rosto com a manga da camisa.

- Obrigado, Aoi... Por se preocupar comigo...

- De nada, Takashima Kouyou.

Ele se afastou com os olhos arregalados e boquiaberto, eu tive que me controlar pra não rir.

- Ei, calma! Eu descobri isso agora no intervalo... Meu amigo é amigo de um amigo do seu primo e me contou... Liguei ao fato da minha irmã ter me dito que você estudava aqui e PAM! Descobri seu nome!

Ele sorriu um pouco, e sentou na cadeira, me olhando.

- O que foi? — Perguntei.

- Você... Não me tratou diferente...

- Claro que não, só porque você é famosinho, acha que eu vou te deixar num pedestal? Você é tão humano quanto eu! Além do que, eu só vou te chamar de Uruha, que se foda esse seu nome famoso aí.

Ele riu, e, droga... Aquilo fez o meu coração bater mais rápido.

Ficamos conversando até que o resto dos alunos e o professor viessem pra sala, e ele parecia tão diferente... Como se aquele Uruha chorão nunca existisse. Bipolaridade é uma das qualidades dele, sem dúvida.

-•-

Depois de ouvir muitas reclamações da parte de Reita por não o deixar vir passar a tarde na minha casa, eu finalmente cheguei nesta. Sozinho, como quase sempre ficava quando chegava da escola. Mas o motivo de Reita não ter vindo era que eu estava com um plano na cabeça e tinha que colocá-lo em ação. E com o loiro por perto, isso dificultaria as coisas. Dificultaria porque ele iria ficar perguntando por que diabos eu estava fazendo aquilo, e admitir pra mim mesmo que eu estou gostando do Uruha é uma coisa, mas falar isso pra outra pessoa era algo totalmente diferente.

Além do que, o que eu iria fazer era altamente perigoso.

E vergonhoso.

Notas finais
Mandem reviews pwlo menos pra falar mal da foto do chapie, e.