Notas iniciais
RECOMENDAÇÃO, AE ♥ brigada moça *-* q
Boa leitura~~~

\"\"

Na medida em que o casamento se aproximava, eu ficava cada vez mais triste. Como se o tempo que me restava para viver estivesse contado, e isso me sufocava.

- Kou! — Tsuki berrou, enquanto descia as escadas e vinha ao meu encontro.

- Oi.

- Vem, deixa eu te apresentar o meu primo! Ele chegou ontem de noite, ele é muito legal e... — Ela e essa mania de nunca calar a boca. Pergunto-me como vou sobreviver passando dias inteiros perto dela.

Entramos na casa, e ela começou a gritar pelo nome do primo, que se chamava Miyavi.

- Ooooi! — Um garoto magrelo, alto, e muito bonito, parou no alto da escada. Ele usava roupas frouxas, exceto a blusa, que era extremamente justa. Seus cabelos eram compridos e tinham um corte assimétrico.

- Myv, esse é o Kouyou! — Ela falou, me abraçando.

O moreno desceu as escadas calmamente, brincando com o piercing que adornava o lábio inferior. Ele também tinha um no nariz e outro na sobrancelha, e as orelhas eram totalmente adornadas. Mas isso não chamava tanta atenção quanto as tatuagens que apareciam discretamente próximos do pescoço e nas mãos.

- Nossa, ele é muito bonito mesmo. — Me elogiou, quando chegou mais perto de nós.

- Eu sei! Que sortuda eu sou de casar com ele, nee?

- Muito sortuda! — Respondeu.

Ela me puxou para o sofá e o poste humano nos seguiu. Eu era consideravelmente alto, mas ele conseguia ser maior do que eu. Eles ficaram conversando sobre um monte de coisas ao mesmo tempo, e eu só falava quando me pediam ou me perguntavam alguma coisa. Descobri que seu nome verdadeiro era Ishihara Takamasa, mas todos o chamavam de Miyavi, que ele tinha sido expulso da escola em que estudava, e que tinha a minha idade. Mas eu realmente não dei muita bola pra isso. Meu pensamento estava longe.

Mais exatamente num moreno engraçado chamado Shiroyama Yuu.

Eu sei que eu não devia pensar nele, ou melhor, que eu não podia pensar nele, mas era algo automático, como se os pensamentos sobre ele decidissem acampar na minha mente.

Ainda não entendia o que estava acontecendo, mas o que quer que fosse, eu sabia que sempre iria me fazer bem. Eu me sentia feliz perto dele, como se nada de ruim fosse me acontecer só por ele estar perto.

Chegava a ser ridículo, mas eu sentia meu coração bater mais rápido.

- Certo, eu vou sair, tenho que ver se acho alguns amigos meus que moravam por aqui, volto de noite, Tsuki. — O mais alto falou, me deixando sozinho com a moreninha que estava sentada ao meu lado, pendurada em meu braço.

- Até! — Ela falou empolgada.

Empolgada demais pro meu gosto.

Quando ouvi a porta fechar ela praticamente se jogou em cima de mim, sentando de frente no meu colo e logo atacando meu pescoço sem nenhuma cerimônia.

- Tsuki, para... Alguém pode ver... — Tentei afastá-la, mas ela se desvencilhava e voltava a atacar.

- Não tem ninguém por aqui, para de ser chato, Kou! — Resmungou enquanto tentava tirar minha blusa. — A gente nunca passa dos beijinhos, isso já tá começando a me irritar...

E eu congelei com a informação.

Não que eu tivesse trauma com garotas me assediando.

É que eu tenho um pânico mortal com garotas me assediando. Culpa de uma das minhas namoradas, e eu tenho medo e nojo até hoje só de pensar no que ela fez comigo.

- Tsuki, eu fiz votos de castidade, lembra? — Perguntei, empurrando ela no sofá e tentando tirar as mãos dela de cima de mim. E, sim, esse voto de castidade era minha desculpa.

- Que se foda esse anel idiota!

- Olha, a gente vai casar em menos de um mês e aí... — Aí fode tudo. — Você pode fazer o que quiser comigo. — Mentir era uma das minhas maiores qualidades.

- Certo, certo... Mas depois do casamento você não me escapa! — Me abraçou, me fazendo beijá-la.

- Er... Desculpa atrapalhar os pombinhos... — A voz do moreno se fez presente na sala, e graças a ele, ela parou de me beijar. — Mas eu acho que a chave do meu carro caiu aí no sofá...

- Certo — Me levantei rápido, deixando a menina jogada no mesmo. — Eu já estava de saída.

- Já? — Ela choramingou.

- Aham, tenho que ir fazer umas fotos agora... — Já falei que adoro quando meu trabalho me salva dela?

- Ah, tudo bem... — Ela se levantou e me abraçou, segurando meu queixo pra me beijar. — Eu te amo, Kou-chan!

- Eu também.

- Quer uma carona? — Ofereceu o mais alto, que acabara de encontrar as chaves.

- Sim, vamos.

-

Miyavi me deixou no parque onde eu faria o photoshoot daquela tarde, e onde a van da agência em que eu trabalhava já me esperava pra me maquiar e arrumar meu cabelo.

O photoshoot correu tranquilo, tinha as garotas que ficavam berrando a uma distância, mas eu já havia meio que me acostumado com aquilo.

Logo eu já estava me arrumando pra ir embora quando meu primo apareceu.

- Oi, Kouxudo!

- Oi, Takanori.

- Porra, mano, Ru-ki! Será que dá pra me chamar de Ruki? Não dói, e é mais fácil de pronunciar!

- Desculpa, Ruki.

- Isso, viu como é mais fácil? Mas... Desculpa por aquilo de manha, eu não queria te fazer chorar...

- Tudo bem, já passou.

- Sério, Kou, eu não quero que você case com ela... — Ele veio até mim e me abraçou, escondendo o rosto redondinho no meu peito.

- Eu também não, mas eu já te disse, não tenho escolha... E vamos parar por aqui, não quero discutir de novo, tá bem?

- Aham... Pra te mostrar que eu estou arrependido, eu aceito ser seu padrinho de casamento e te levar pra sair amanhã com o Kai e o Reita. — Ele sorriu travesso, tocando a ponta do meu nariz.

- Que bom que vai ser meu padrinho, chibi! — Ele franziu a testa quando eu disse isso. — Mas... Quem é Reita?

- Um novato da minha sala, o idiota tá caidinho por mim... — Falou, ajeitando uma mecha do cabelo descolorido. — Dá em cima de mim e nem percebe.

Sim, Ruki era gay. Eu nunca liguei pra isso, e até achava mais cômodo, pelo menos ele nunca teria problemas com o meu, já que ele declarou isso em alto e bom som durante uma festa de nossa família. Minha tia quase teve um troço, e meu pai deu graças aos céus por minha tia ter casado e pego o nome dos Matsumoto. Pra mim, não fez diferença, porque ele sempre seria o meu primo, independente de qualquer coisa, era sempre ele quem me apoiaria, me ajudaria e me deixaria feliz.

- E você vai só ficar com ele e jogar fora? — Alfinetei.

- Claro, todos meus relacionamentos são assim, essa coisa de namorar não é comigo!

- Claro que não é, você é do mundo!

E rimos juntos. Ele tinha esse dom. Era a única pessoa que me fazia rir.

Ele e Shiroyama Yuu.

-

Mais um dia daqueles bem irritantes estava começando. Levantei a muito custo da minha cama, tomei meu banho e me arrumei pra escola. Quase me assustei ao ver o sorriso que estava no meu rosto.

O motivo?

Shiroyama Yuu.

Certo, eu estou pegando a frescura do Takanori, só pode.

Fui pra escola sem tomar café — sentar naquela mesa enorme sozinho me deprimia, e muito — e cheguei cedo, encontrando o fiel grupo de garotas que sempre me esperavam na entrada das aulas e como sempre, as ignorei, passando direto pra sala. Fones de ouvido são úteis demais. Quando cheguei na sala, os tirei, queria saber quando ele chegasse. O que não demorou muito. Ele sorriu quando me viu e sentou-se ao meu lado.

- Bom dia, Uru!

- Bom dia Aoi-san!

- Tudo bem com você?

- Sim, claro. E com você?

- Estou bem e... — Ele abriu a mochila e tirou de lá alguns CDs de musica pop, meu gênero favorito.

Gênero favorito segundo a revista Boy's Today, porque o que eu gosto mesmo de ouvir é rock.

- Eu trouxe alguns cds, queria saber se você gosta de algum...

Olhei os CDs com calma. Odiava cada um deles, mas, para as fans, era o que eu mais gostava. Até o meu suposto CD favorito estava ali no meio.

- Andou lendo alguma revista sobre mim, Shiroyama?

- Ahn? Não, não! — Ele riu sem-graça — É que vai ter uma festa na minha casa, pra comemorar alguma-coisa-sem-graça da empresa dos meus pais, aí eu que escolho a playlist... Queria que me ajudasse, já que você também vai a essa festa.

- Vou?

- Sim! Como meu convidado de honra! Se quiser eu uso meu vestido de puta, mas você tem que ir, certo? — Ele fez uma cara de cachorro pidão, e eu comecei a rir.

- Certo, eu vou...

- Ah, só mais uma coisa... Minha irmã é doida varrida por você, não poste nada no seu blog que você vai a essa festa.

- Como você sabe que eu tenho um blog?

- Er... Minha irmã me contou!

- Ah, claro... — Estava cada vez mais confuso.

- Enfim, vamos escolher as músicas? — Ele mudou de assunto, colocando os CDs na minha frente e tirando uma folha do próprio caderno pra anotar as musicas.

Era engraçado o jeito que ele me olhava, e às vezes ele me secava na cara dura! Ficamos escolhendo as músicas até a hora em que o professor chegou e começou a aula chata dele. A aula passou devagar, com Aoi sempre me olhando. Eu estava acostumado a ser o centro das atenções, mas com ele era diferente, eu me sentia com vergonha, e com uma imensa vontade de ficar olhando pra ele também.

Fiquei rabiscando no meu caderno, até que o sinal tocou e eu finalmente percebi que havia escrito o nome dele no canto da folha. Odiei-me mentalmente por isso.

- Uru? — Ele me chamou, ainda sentado do meu lado.

- Ahn?

- Quer descer comigo?

- Não... Já disse por quê. — Mas ficar longe dele não me parecia convidativo.

- Vem comigo, você não vai ficar só e as garotas vão ficar com vergonha porque você vai estar comigo, vem! — Me estendeu a mão. — Eu te protejo.

Eu hesitei, mas logo fui com ele. Eu confiava idiotamente nele, e isso era um problema.

Descemos sem nenhum problema, só que algumas pessoas ficavam me olhando, nos olhando.

- Aoi, tá todo mundo olhando.

- Você é famoso já devia estar acostumado.

- Eu sei... Mas é que...

- Mas o que é o caralho, para de frescura!

- Aham, tá, tá...

Continuamos andando e sentamos numa mesa onde estavam Ruki, Kai e mais outro menino que eu nunca tinha visto. Os dois primeiros me olhavam como se eu fosse um ET ou coisa parecida.

-Que foi? — Resmunguei, enquanto me sentava.

- Olha quem saiu da toca!

- Nossa, que macumba você fez pra esse aí resolver sair de lá? — Ruki perguntou a Aoi, que ria abobalhado, abrindo uma embalagem de chiclete.

- Eu joguei meu charme irresistível e prometi uma noite de sexo selvagem com ele. Só faltou sair correndo de lá. — Falou, dando uma piscadela safada pra mim, o que me fez rir.

- Nossa, por isso que o Kouyou não quer casar! Ele é mais fresco do que eu! — Ruki falou, e eu senti minhas bochechas esquentarem.

- Eeei! — Aoi o repreendeu antes que eu pudesse fazer. — Kouyou pode até ser fresco, mas ele já tá apaixonado por mim, eu vou usar meu vestido de ir pra baile funk no dia da festa, não é, amor?

Começamos a rir, eu não sabia que o intervalo era tão legal. Tudo estava às mil maravilhas, eu estava me divertindo, estava perto do Aoi e do meu primo.

Mas minha alegria não durou muito. Quando estávamos voltando pra sala, fomos atacados por garotas. Atacados, eu repito. Empurraram Ruki, Kai e o outro loiro pra longe, e só não fizeram o mesmo o Aoi porque ele se agarrou no meu braço. As garotas me agarravam, beijavam o meu rosto, apertavam minha bunda, berravam e aquilo me deixou um pouco desesperado, parecia que elas iriam me esmagar. De repente, senti minha mão ser puxada pra fora do montinho que havia se formado ao meu redor, e quem quer que fosse, me puxava com rapidez, o que me fez correr. Só fui perceber que era Aoi que me puxava quando já estávamos quase no banheiro masculino, sendo seguidos de perto por uma turba de garotas.

- Entra, rápido! — Me empurrou pra dentro de um dos boxes do banheiro e fechou a porta, trancando pelo lado de dentro. — Vai que elas resolvem entrar aqui, ne? — Ele sorriu sem-graça e respirou fundo.

- Desculpa, Aoi... Eu não queria te meter nisso... Eu te disse que era assim, sempre foi... — Tentei me explicar, não achando as palavras certas.

- Hey, hey... Calma... Eu gostei disso, foi engraçado, eu quero dizer... — Ele riu abobalhado, me olhando. — Se você quiser vir pro intervalo todo dia, eu não me importo se a gente acabar assim, aqui no banheiro e... — Ele corou muito, só tendo noção do que falara depois de se ouvir.

Sinceramente esperava que aquilo fosse sério.

- Calma, Aoi, eu ainda nem te vi de vestido e você já quer vir pro banheiro todo dia? Humpf. — Fiz um tom de falsa indignação, tirando o clima tenso em que ele estava.

Ficamos conversando sobre amenidades, e ali, no box apertado, eu podia ver cada detalhe que seu rosto fazia quando ele falava, cada gesto com as mãos inquietas, cada sorriso que ele dava. Era tudo tão incrível que eu tive a nítida sensação de ter babado.

Não me surpreendeu o fato de eu estar gostando de um garoto, mas sim, de eu estar gostando de alguém. Eu nunca havia sentido isso, o coração bater mais forte, vontade de admirar uma pessoa, gostar realmente dela, mesmo ela sendo cheia de defeitos... É novo. Cada novo sentimento que ele me despertava era totalmente desconhecido pra mim.

Quando saímos do banheiro, não havia mais ninguém no pátio, a não ser Ruki, sentado perto da entrada, fones de ouvido o distraindo.

- Ruki-chan? — Me aproximei, acariciando os fios descoloridos.

- Kou! — Ele tirou os fones. — Eu estava preocupado... Não em você ter sumido, mas tava preocupado com o que esse aí — Ele apontou pra Aoi com o queixo. — poderia fazer com você...

- Af, Ruki, Aoi nunca faria nenhum mal pra mim, e só pra você saber, foi ele que me salvou das garotas. — Sussurrei, em tom de repreensão.

Ele me fitou curioso, e olhou para o moreno, que estava um pouco afastado de nós.

- Hm, que seja... Vá pra sala. — Ele se levantou e foi embora, sem olhar para o moreno.

- Ele tá com raiva de mim? — Aoi perguntou, ficando ao meu lado.

- Não, acho que é ciúmes de mim, só ele que falava comigo, e aí você apareceu...

- Hm, entendo. — Ele franziu o cenho, mas logo sua expressão se tranquilizou. — Vamos fazer o que ele disse e ir pra sala, hm?

E fomos caminhando em silêncio, lado a lado.

-

- Não acredito que você tá se apaixonando pelo Yuu, caralho!

- Eu não estou! — Neguei com veemência.

- Claro que está! Você já viu o jeito que olha pra ele?

- Ruki! Pare de falar asneiras! Eu só conheço ele há dois dias... Vai ver que gostei do jeito dele me tratar, acho ele legal e...

- E daí que só conhece há dois dias? Você está atraído por ele, e não venha mentir pra mim. — Ele apontou o dedo miúdo na minha cara. — Olha, Yuu não é flor que se cheire, tá me ouvindo? Eu fiquei sabendo de cada história dele que te deixaria de cabelo em pé! Ou te deixaria com outra coisa em pé, nee? — Alfinetou maliciosamente.

- Aham, agora eu vou largar meu casamento por causa do Yuu! Você fala dele como se eu fosse ficar com ele ou coisa assim... Entende uma coisa Ruki, Aoi é meu amigo, ponto. Somente um amigo. Entendeu ou quer que eu desenhe?

- Amigo, humpf. Aposto que vocês estavam se amassando lá no banheiro, isso sim... Eu aposto meu iPod que você é doido pra ficar com ele!

- Vá se ferrar, Ruki.

Notas finais
é a Hoku, oi peçouas 83
então, eu aqui obrigando a Yuu a me deixar postar, e ainda vou postar e cuidar dos próximos porque ela não ia poder~

digam "obrigada tia hoku, nós te amamos" porque senão vocês só iam ver o próximo daqui há 3 meses o-ó nqt

continuem deixando reviews e ninguém se machuca :3 HOHO