The Return
13 Sought
Notas iniciais
Enfim, fanfic está por um fio :c Bem pertinho do fim -qs Como já sei tudo o que vai acontecer nos próximos capítulos, acho que escrevo e posto o próximo amanhã. No máximo, segunda, tá? Boa leitura ^^
(POV Claire)
Abri os olhos, repentinamente, naquela manhã. A claridade me atingiu em cheio e minha cabeça latejou. Tentei levar a mão até a testa, mas agulhas e sondas me impediram. Olhei ao redor e notei que não estava no meu quarto. Ou no quarto do hotel de Liverpool. A julgar pelas paredes brancas, pela camisola que eu usava e pelas sondas, eu estava num hospital. O problema era que eu não lembrava do motivo.
Tentei me sentar na cama, mas uma dor percorreu toda a extensão de meu peito, fazendo-me arquejar. Receosa, agarrei o lençol e joguei-o para o lado. Desci o olhar para o vão entre meus seios e me arrependi, de imediato. Porque, ao invés de encontrar a vastidão lisa e sem nenhum arranhão, tudo o que vi foram ataduras banhadas no líquido rubro que era meu sangue.
Senti uma pontada de dor, quando encostei um dos dedos no local. Pela aparência, aquilo tinha sido causado por algum objeto pequeno e, obviamente, letal. Provavelmente, um punhal, ou uma adaga, tinha sido a arma usada. A julgar pela dor que sentia, o objeto tinha entrado e atingido uma profundidade perigosa. Eu não tinha ideias suficientes para imaginar o quanto aquele corte tinha prejudicado meu organismo. Olhei para o soro disposto ao meu lado, e notei que ele estava quase seco e as gotas desciam devagar, pela sonda. Então eu estivera ali por muito tempo. Tempo suficiente para todo aquele soro se esgotar, naquela velocidade. Isso se aqueles fosses os únicos litros que injetaram em minhas veias — a julgar por elas, aquele deveria ser a segunda, se não a terceira, bolsa esgotada.
Analisei o quarto e notei as poltronas — em tom de marfim -, juntamente de uma mesa de centro. Haviam duas jaquetas jogadas sobre um das poltronas e, na outra, havia uma mochila. Como se alguém estivesse preparado para ficar comigo, durante todo o tempo, naquele lugar. Mas quem seria?
– Ah, você acordou. — ouvi a voz baixinha e fina soar.
Olhei, rapidamente, para a porta, a tempo de ver uma pequena enfermeira fechar a porta. Ela andou até mim, segurando outra bolsa de soro e sorriu.
– Seu irmão disse que logo voltaria, querida. E aquele outro, também. — ela disse, enquanto trocava as bolsas de soro.
Franzi o cenho. Chris estava ali? Quando ele chegara?
– Eu estou aqui há quanto tempo? — eu perguntei, atônita.
A enfermeira, moreninha de cabelos pretos e lisos, sorriu.
– Há dois dias, querida.
– Estou dormindo há dois dias? — perguntei, surpresa.
A enfermeira assentiu.
– Você precisou ser sedada, assim que chegou. Seu ferimento era muito profundo e tivemos que sedá-la antes e depois da cirurgia. É uma surpresa que já esteja acordada. — ela constatou, atravessando o quarto, indo na direção do banheiro, com a bolsa, vazia, de soro.
Cirurgia? Eu tinha feito uma cirurgia? E por que eu não conseguia lembrar do motivo para estar ali?
– Como eu cheguei aqui? — perguntei, franzindo o cenho.
A enfermeira — Nancy, pelo que vi no seu crachá — me estudou.
– Eu não sei bem. — ela revelou.
Olhei dela para a janela. O que diabos tinha acontecido? Porque minha mente bloqueava minhas memórias?
– Você não lembra? — ela perguntou, tão surpresa quanto eu.
Balancei a cabeça, constrangida.
– Não lembro de, absolutamente, nada.
Ela me olhou e abriu um pequeno sorriso, confortante.
– Deve ser por conta dos sedativos. Sua mente deve estar cansada, ainda, e seus pensamentos estão meio bloqueados. Você deve lembrar logo. — ela concluiu, andando, novamente, para o meu lado, e ajustando a velocidade do soro.
Assenti, engolindo em seco.
– Obrigada. — eu sussurrei, frustrada. Como alguém podia não lembrar do que acontecera há apenas alguns dias?
– Quando precisar, só precisa chamar. — ela disse, sorrindo e dando um tchauzinho.
Respirei fundo e me concentrei. Há cerca de cinco dias eu chegara em Liverpool, junto de... Leon! Isso, eu tinha vindo com Leon. Nós viemos para descobrir algo... Mas... O quê? Puxei um pouco mais da memória e lembrei da conversa com o presidente. Umbrella. Eu tinha vindo para descobrir os novos planos da Umbrella. Mas... Tudo o que lembrava era de ter ido para a inauguração. Nada mais. Que diabos de sedativos tinham usado em mim?!
Ouvi o zunido da porta sendo novamente aberta. Virei a cabeça, rapidamente, esperando ver meu irmão, ou o outro — que provavelmente era Leon -, mas tudo o que vi foi uma nova enfermeira andando na minha direção. Olhei mais para ela e notei que era bem mais alta que a anterior e, diferentemente da outra, estava com o rosto coberto. Ela chegou bem mais perto e um frio percorreu minha espinha. A jovem remexeu o soro e, em seguida, virou-se na minha direção. Seu rosto continuava encoberto por um capuz. E ela prosseguia sem dizer nada.
– O que... Por que você não tira esse capuz, enfermeira... — olhei o crachá. — Nancy?!
Era impossível. Aquela não era Nancy. O tom de pele era demasiadamente diferente. E o cabelos era loiro, eu podia ver.
– Quem é você?! — gritei, entrando em desespero.
Se eu pudesse ver seu rosto, poderia ver um sorriso em seus lábios. Eu podia ter certeza. Mas ela não me deu ouvidos. Não falou nada, nem fez menção de remover o capuz. Ela só pôs a mão no bolso e retirou um pano. Pelo cheiro de Clorofórmio e Éter que tomaram, imeadiatamente, o ar, pude ter certeza que ela não planejava fazer nada de bom. Ela esticou a mão na direção do meu rosto e eu entrei em pânico. Tentei afastar seu braço, mas ela era forte. Tentei me levantar da cama, mas eu estava debilitada demais para fazer qualquer esforço.
Me pegar numa situação daquelas era um prato cheio, com toda certeza. Ela aproximou-se mais e tentou empurrar o pano no meu rosto, bem na parte do nariz e da boca. Sim, ela pretendia me fazer desmaiar. Mas qual o motivo disso?
– Socorro! — gritei, desesperada, me debatendo na cama. O medo superando as pontadas de dor.
Ela conseguiu, finalmente, empurrar o pano em minha boca e apertou, com força. Me debati ainda mais e tentei afastar seu braço do meu rosto. Mas a dor no meu peito se tornou ainda mais aguda e um grito meu foi abafado pelo pano. Meu ferimento tinha reaberto.
– Você não vai se safar, Claire Redfield. — a voz soou estranhamente familiar.
Arregalei os olhos, no exato instante em que reconheci a voz. Não podia ser... Não podia. O capuz caiu e o rosto dela se revelou.
– Cadê o Chris, e o Leon, pra te salvar, docinho? — ela rosnou, no instante em que meus sentidos me traíram e minha visão começou a escurecer. Tentei me debater mais uma vez, mas era inútil. No meu estado atual, nada do que eu pudesse fazer surtiria efeito. E, muito menos, nela. Eu estava nas mãos dela. Só dela.
Tudo o que vi, antes de desmaiar por completo, inebriada pelo cheiro forte dos produtos químicos que ela usara, foi um sorriso escarnioso se abrindo, enquanto ela puxava, sem mais delongas, a sonda do soro e me tomava nos braços.
Se eu não tivesse sorte, até o fim do dia eu estaria morta. Ou antes disso.
(POV Leon)
– Vamos logo, Chris, você está demorando demais. Não podemos deixá-la sozinha, durante tanto tempo! — resmunguei, enquanto Chris pagava seu café na lanchonete do hospital.
Ele me lançou um olhar contido e suspirou.
– Você nem devia estar aqui. — ele concluiu, pegando o café e me acompanhando para fora da lanchonete.
Arqueei as sobrancelhas.
– Eu precisava comer, também. — me defendi. — Apesar de eu achar que foi muita imprudência deixá-la sozinha, naquele quarto.
Ele assentiu.
– Mas a enfermeira prometeu que não tiraria os olhos dela. — ele constatou.
Meneei a cabeça.
– Espero que a Nancy não tenha, mesmo, tirado os olhos dela. — rezei.
Assim que dobramos o corredor, vimos que um aglomerado se formava na porta do quarto da Claire. Meu coração apertou e acelerei os passos, mais preocupado a cada segundo. Passei, atordoado, pelas médicas e enfermeiras paradas na porta, abismadas, e adentrei o quarto. Paralisei no exato instante em que dei-me conta da situação.
– Não. — eu soltei, caindo de joelhos no chão.
O quarto estava vazio, a cama estava bagunçada, o suporte do soro estava jogado no chão e o próprio soro já molhara boa parte do piso, ao lado da cama. E o pior de tudo: a Claire não estava lá.
Notas finais
Beijinhos, pessoal, até o próximo ^^
P.s. acho que o de amanhã será melhor k
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