The Reason

19 Capítulo 20 - A razão é você


Notas iniciais
Meninas desculpem a demora. esses dias estão sendo difíceis, mas enfim!... Beijos

POVS ANGIE.

Já não aguento mais ver a hora passar e não ter notícias de nada. Já dormir e acordei, já perdi as contas de quantas vezes já rodei por esses corredores. Essa espera está sendo a mais longa da minha vida, já se passaram mais de um dia da cirurgia da Vilu e tudo que eles dizem é que o quadro está estável! Quero ver minha menina, quero beija-la e ficar ao lado dela.

Angie andava lentamente pelo corredor, com as mãos para traz e o olhar longe. Germán, estava sentado em uma cadeira roendo as unhas de tanto nervoso. Um médico foi até eles, rapidamente os dois se aproximaram dele.

– A Violetta já saiu da UTI, passa bem, apesar de um pouco debilitada. Já está no quarto e já pode receber visitar, mas nada de muito esforço, tudo isso para melhor recuperação dela. – Disse o médico com um pequeno sorriso.

Angie e Germán se olharam e sorriram – Podemos vê-la agora? – Perguntou Germán.

– Claro que sim – disse o doutor.

Eles pediram licença e se apressaram até quarto, abriram lentamente a porta e viram Vilu deitada com os olhos fechados. Se aproximaram e foram cada um para um lado da cama. Germán deu um beijo em sua testa, Angie deu um beijo em sua mão, que estava um pouco ferida, alisou carinhosamente seu rosto. A menina abriu os olhos devagar, e fechou novamente antes de abri-los e fixa-los na parede da frente. Ao poucos ela ia desviando-os até seu pai, que deu um leve sorriso e depois para Angie que já estava emocionada de vê-la fora de perigo.

– Oi meu amor – respondeu ele alisando a rosto dela com as costas da mão.

– Já está tudo bem, minha linda – Angie beijou sua testa. Ela olhava para os dois sem dizer nada.

– Está se sentindo bem? – perguntou Germán. Ela apenas concordou com a cabeça. – Lembra de alguma coisa? – perguntou ele preocupado com a memória da filha.

– Eu... briguei com você – respondeu ela com o tom de voz baixo.

Germán olhou para Angie, que olhou para filha – Não se preocupe com isso minha lindinha, já passou, o importante é que estamos juntos e bem.

– Angie é minha tia, irmã da mamãe – disse diretamente olhando carinhosamente para Angie.

A loira tomou um susto na hora, pois não sabia que Violetta havia descoberto quem ela era, olhou para Germán assustada e ele com o olhar e com a cabeça fez um sinal de positivo.

Ela segurou a mão de Vilu, colocou a contra seu peito e sorriu – sim querida, sou sua tia – olhou para Germán novamente. – Desculpa não ter ti falado antes, mas... foi difícil... – antes que ela pudesse terminar a frase.

– Acho que é por isso que somos tão amigas – respondeu Violetta, fazendo com que Angie parasse de se justificar e apenas vivesse aquele momento de ternura.

– Claro, nós nos amamos não é? – Angie deu um beijo no rosto da adolescente.

– Vocês não estão brigados, não é? – a menina olhava para os dois. Angie antes de responder qualquer coisa colocava alguns fios de cabelos atrás da orelha.

– Não, claro que não – disse Germán sorrindo para a filha – Sabe o que mais? Angie vai lá para casa, ajudar a cuidar de você – disse com um olhar de paz e ternura para a loira, que não resistiu e deu um sorriso para ele.

XXX

Depois de dois dias, Violetta teve alta. Já estava em casa, sendo mimada por todos e principalmente por Angie, que já havia ficado tanto tempo longe da menina que queria estar com ela em todos os momentos.

– Hora do remédio Vilu – disse Angie abrindo a porta.

– De novo? – reclamou a menina que estava sentada em sua cama.

– Lógico, precisa melhor logo – Angie sentava ao lado da cama colocando o comprimido naas mãos da menina e a entregando um copo de água.

Violetta bebeu o remédio – Preciso ficar boa logo, porque já estou com saudades do estúdio, não vejo a hora de voltar – respondeu ela com um sorriso um tanto duvidoso.

– Huuum, posso saber o porquê? Saudades do estúdio ou de mais alguma coisa? – Angie deu um sorriso sarcástico e a olhando de lado.

Violetta deu um sorriso – Do estúdio e dos meus amigos – concluiu ela sem graça.

– Aposto que tem algo mais nisso – disse Angeles sorrindo da menina, enquanto colocava o vidro de remédio no criado do quarto.

– Como você sabe? – perguntou Violetta

– Porque eu sou... sua tia – respondeu Angie rapidamente, antes que falasse outra coisa – sou sua tia e sei exatamente quando você está dizendo as coisas. Agora me fala, tem algum gatinho na área? – Angie sentou-se ao lado dela com a cara de curiosa.

Violetta olhou para baixo com vontade de rir – É o Léon... – ela deu uma risada, ambos riam juntas sem parar.

– Léon... deve estar um garoto lindo né? Ele sempre foi bem bacana... – concluiu Angie – Mas já...? — Ela hesitou em falar.

– Sim, nos beijamos – Violetta soltou uma gargalhada e estava toda vermelha.

– Aii que linda! – Angie disse com voz de bebe o que deixou a ainda mais envergonhada.

– Para Angie! – disse ela sorrindo.

– E você gosta dele?

– Sim, gosto ... estamos nos conhecendo – no momento em que ela respondeu, Germán abriu a porta rapidamente.

–Conhecendo quem Violetta? — Perguntou ele curioso.

– É... A aaa menina nova que entrou no estúdio – respondeu Violetta nervosa olhando para Angie que segurou o riso.

– Hora de dormir mocinha – disse ele cobrindo-a e dando um beijo em sua testa. Angie sorria ao ver a cena. Ele saiu deixando-as sozinha novamente.

– Bons sonhos lindinha – Angie abaixou e beijou em seu rosto.

– E como estão as coisas entre você e o papai? — pergunta essa que paralisou Angie sem saber o que responder.

– Estamos bem, dentro do possível... nos respeitando – disse ela sem argumentos.

– Tô perguntando, Romanticamente falando – Vilu sentou-se na cama.

– Romanticamente? Essa é nova... – Angie sorriu achando graça da forma da menina perguntar e sentou-se na cama – Você não muda né pestinha... Mas, não tem nada romanticamente aqui, é tudo amigavelmente.

– Vocês se gostam, e eu queria que ficassem juntos – respondeu ela com os olhinhos como se estivesse pedindo algo.

– E o fato de saber que sou irmã da sua mãe? Não muda em nada? – perguntou Angie curiosa – Afinal, antes você não sabia, mas agora você sabe... então...

– Não- disse a menina com sinceridade – não muda em nada, o meu desejo sempre foi o mesmo, que vocês dois fiquem juntos e sejam felizes para sempre – suspirou ela. Angie deu uma risada.

– Ai meu amor, quem dera se tudo fosse um conta da Disney! Agora dorme vai... – Angie deu outro beijo no rosto dela – eu te amo!

– Também te amo – respondeu Vilu sorrindo.

XXX

Depois de algum tempo, Angie estava sentada no balcão da cozinha tomando um chá, com seu laptop ao lado, ela checava alguns e-mails. Germán chegou sem ao menos ela perceber, quando o viu tomou um pequeno susto e sorriu logo em seguida.

– Não queria te assustar – respondeu ele abrindo a geladeira e tirando um jarro de água.

– Eu que estava muito concentrada aqui – ela riu e continuou a olhar para o computador.

Ele colocou um pouco de água no copo, se aproximou do balcão, deu algumas goladas e a olhou novamente.

– Você fica aqui até quando? – ele não queria parecer indiscreto, nem ao menos curioso, mas foi exatamente essa impressão que causou em Angie.

– Não sei direito, é incerto ainda – respondeu ela sorrindo, percebendo a onde ele queria chegar. – Porque a pergunta?

– É pela Violetta, não gostaria que ela sofresse mais – respondeu ele dando outra golada na água.

– Isso quer dizer, que você queria que eu ficasse? – Ela pergunta apoiando o cotovelo no balcão e o encarando. Ele arregalou os olhos antes de engolir a água.

– Não disse isso, eu dis...

– Mas quis insinuar – respondeu ela ainda do mesmo jeito sem se mover.

– Não! Não coloque palavras na minha boca – respondeu ele sério.

– Não estou colocando, só estou dizendo que foi o que pareceu... mas deixa pra lá.

– A única coisa que penso agora é na minha filha, porque ela sofreu muito quando você foi embora! – disse ele colocando o copo dentro da pia.

– Eu só fui embora porque você me exigiu isso! Porque caso contrário nunca iria deixa-la- respondeu Angie com firmeza e sinceridade.

– Foi necessário! – respondeu ele apoiado na pia, de costas para ela.

– Necessário? Necessário pra você, e não para nós duas! Essa separação doeu tanto nela quanto em mim. A diferença era que eu sabia o porquê injustamente nós estávamos nos separando. Existia outras formas menos dolorida de resolver essa situação – disse Angie o encarando.

– Aé? Então você acha mesmo que tudo continuaria naturalmente com toda essa mentira? – pergunta ele, desta vez olhando para ela.

Angie soltou o ar de uma só vez. Respirou fundo de novo e nada disse. Engoliu seco, estava sem argumentos.

– Você acha que tudo que aconteceu, sua mentira, sua partida, não doeu em mim? – Ele se aproximou dela e ficou de frente para ela separados apenas pelo balcão. – Você acha que eu não senti nada? Eu não sabia se eu te amava ou se te odiava, se eu queria você perto ou longe, eu fiquei confuso e perdido – disse ele com a voz forte.

– Como pode ver, essa decisão não fez mal apenas para mim e pra Violetta... – disse ela se levantando da cadeira – Acho melhor tudo continuar como está, afinal ninguém morre de amor, um dia todo mundo supera, e assim vai acontecer com a gente – ela o encarou por alguns segundos, passou por perto dele para ir até seu quarto, quando Germán segurou em seu braço. Ela olhou para aquela atitude, mirou em seus olhos e sentiu uma enorme fraqueza nas pernas.

– Acho que devemos colocar tudo em pratos limpos agora! Ou nosso destino estará incompleto para sempre, não sou um homem de muitas atitudes, mas sinto que depois de 2 anos devemos conversar sobre o que houve. E resolver de vez essa situação! – Disse ele ainda segurando o braço dela de leve, ele soltou aos poucos, ela passou a mão sobre o rosto.

– Germán, vai adiantar dizer que se eu pudesse voltar no tempo, tinha feito tudo diferente? Eu sei que errei! Errei muito, mas eu não errei quanto te amei, por mais que essa culpa fosse tão pesada, eu jamais encarei como um erro. – Angie estava de frente para ele, dizendo tudo olhando profundamente em seus olhos.

Ele fechou os olhos antes que pudesse falar alguma coisa, imaginou as palavras certas, não queria dessa vez falar coisas que pudesse se arrepender. – Eu também te amei e muito. Criei muitas expectativas e fiz planos, mas tudo foi para o ralo, tudo acabou depois que descobri a verdade. Você também tem que entender o meu lado, eu não sabia por quem eu estava me apaixonando. – Ele falava calmamente, estavam próximos um do outro.

– Eu compreendo. Eu sei que fiz muitas coisas que eu não gostaria de ter feito, mas não sou uma pessoa perfeita, eu sinto muito – disse ela olhando para o chão.

– Também fiz muitas coisas da qual me arrependo, esses anos foram importantíssimos para que eu pudesse colocar meus pensamentos no lugar certo. – ele dava pequenos passos pela cozinha, e ela continuava parada.

– Sinto muito por ter te machucado, isso é algo que tenho que conviver... essa culpa por ter te causado uma dor, uma decepção. Se eu pudesse leva-la embora, tirar ela do seu coração, faria sem pensar duas vezes — Angie tinha lágrimas nos olhos. Depois de anos, ambos tinham uma conversa madura, sem ferir um ao outro.

– Foi algo que eu aprendi a conviver. Essa decepção me acompanhou por muito tempo- Ele parou de caminhar e parou em frente a ela novamente.

– Germán, quando estávamos juntos eu tinha certeza que eu seria a pessoa que um dia seguraria suas lágrimas, estaria ao seu lado nos momentos difíceis, mas foi justamente eu que provoquei tudo isso. Nos meus pensamentos queria ser teu porto seguro, mas na verdade eu fui sua tempestade, fui as ondas revoltas da sua vida. O que posso fazer para mudar isso? – Ela respira e o olha, balança a cabeça negativamente – NADA, não posso fazer nada. Só pedir que um dia me perdoe, por tudo! – Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela, sem ela esboçar nenhuma feição.

– Eu só preciso de uma razão... uma razão pra começar tudo de novo – disse ele se aproximando dela, seus olhos brilhavam mais do que a luz do sol, ele tinha um semblante tranquilo, sem remoço, sem dor. Ele segurou em seus ombros e com o polegar enxugava suas lágrimas.

– E eu encontrei essa razão que é você! É você – disse ele a olhando fixamente.

– Germán.. eu – ele colocou o dedo indicador sobre os seus lábios.

– Psiu, não diga nada... só quero que me escute. –

– Desde que você foi embora, minha vida virou um vazio, eu recordava dos seus beijos e do seu carinho todos os dias, e me perguntava como iria sobreviver sem tê-los? Tive tantas dificuldades com a Violetta, que só você resolveria. Seu espaço aqui nesta casa jamais foi preenchido, você chegou e marcou seu território no meu coração e no da Vilu. Por diversas vezes que quis justificar o seus erros com meus sentimentos, mas eu via que não adiantava em nada.

Angie escutava atenta a cada palavra. Seu coração batia rapidamente e sentiu uma paz, que há muito tempo não sentia – E a Vilu? E a nossa história?

– Por mais que eu tentei negar, nada pode mudar isso, vocês são mãe e filha! Primeiro porque a conexão que existem entre vocês é tão grande que nada explica, e outra é que isso como você mesmo disse, vocês duas que escolheram e ninguém pode mudar. Maria é a mãe da Violetta, a mãe que a carregou por 9 meses. E eu tive a certeza quando você doou o seu sangue para ela, eu não pude fazer nada! E nem a Maria se estivesse aqui... mas você a salvou, você deu a vida novamente pra ela, e eu serei eternamente grato!

Angie chorava agora com mais intensidade, um choro de alívio, de paz, de serenidade – Germán isso parece um sonho! – Ela engoliu, respirou, passou as mãos pelo rosto – Eu não quero jamais ficar no lugar da minha irmã, só quero ficar ao lado da Vilu, eu amo demais, e por ela eu daria a minha vida, e se depender de mim ela nunca vai ficar sabendo de tudo isso.

– Isso é algo que não precisamos decidir agora. – German esboçou um sorriso e a beijou na testa, ela fechou os olhos no momento– tenha uma boa noite, e saiu da cozinha para o quarto.