The Reason

14 Capítulo 15 - Palavras em vão


Notas iniciais
Boa noite meninas! + 1 cap pra vcs! Obrigada pelos comentários!

– Germán eu não sei por onde começar... – Ela abaixou o rosto – Mas primeiramente quero dizer o quanto você é importante para mim, o quanto eu te amo... você foi o primeiro homem que eu realmente amei e criei muitas ilusões sobre nós... ilusões que não passam de meras fantasias. Porque é uma coisa que não podemos viver... – Ela começou a chorar, sua voz foi ficando trêmula ao ponto dela não conseguir se controlar. Ele se aproximou e alisou os seus ombros subindo até o seu rosto fino. Ela sentia as mãos fortes dele sobre sua face. Germán continuava a olha-la com uma certa dúvida.

– Angie, o que foi? Está me assustando... que ilusões são essas? Porque não podemos ficar juntos? – German tirou lentamente as mãos do rosto dela, e cruzou os braços a espera de uma explicação plausível.

– Eu sou uma pessoa que eu não gostaria de ser, se eu pudesse mudar tudo isso pra não te fazer sofrer. Só quero que você saiba que tudo que vivi com você foi a coisa mais linda da minha vida. – Sem se dar conta, Angie já chorava um pouco. Um dor imensa invadia seu coração, sabia que estava chegando a hora da verdade e sem ao menos saber como ele reagiria.

– Eu digo o mesmo, foi a coisa mais intensa que vivi depois da morte da Maria – Germán dizia olhando para o rosto desfigurado dela.

– O amor que sinto pela Violetta, é tão... mais tão grande que não consigo explicar. O olhar dela, o cheirinho dela, senti-la em meus braços é tão mágico, é tão sublime. Eu juro, que daria a minha vida para que ela não sofresse nada nessa vida! – Angie esboçou um sorriso ao falar da menina, e seus olhos se desviavam para lado.

– Não estou entendo Angie, eu sei que você gosta muito da Vilu, mas não imaginava ser assim – Germán tinha a testa enrugada e uma expressão como se não estivesse entendendo nada.

– É sim, é muito maior do que você imagina, é um amor incondicional – respondeu Angie olhando nos olhos dele, profundamente, como se com aquela resposta ela dissesse “Sou eu Angeles”. Germán a olhava e aos poucos memórias passadas vieram repentinamente, agora ele tinha um olhar de suspeita.

– Eu... eu – German não conseguia dizer muitas coisas, ele estava paralisado sem reação.

– Germán, olha para mim... – Angie chorava, era um choro profundo. Germán a olhou de forma diferente – Olha pra mim, você sabe quem eu sou! – Angie disse de forma firme, mesmo sendo inevitável as lágrimas percorrerem sobre seu rosto.

– Angie? – Ele arqueou as sobrancelhas, sem querer imaginar o que seria.

Ela fechou os olhos, engoliu seco e respirou profundamente antes de dizer – Angeles Saramego!

Ele paralisou totalmente, sem conseguir esboçar nenhuma gesto, nenhuma palavra, nem mesmo moveu o semblante. Ele a olhava sem reação.

– Sou Angeles, sua ex cunhada, irmã da Maria. – Ela abaixou a cabeça e chorava profundamente, sem controle.

Nesse instante Germán mudou de fisionomia, sem conseguir acreditar no que acabava de ouvir, por alguns segundos ele imaginou, ou melhor ele desejou que tudo não passasse de uma brincadeira.

– Que tipo de brincadeira é essa? – Ele a olhava a espera de uma explicação. Por dentro ele não conseguia processar toda a informação, e parecia tudo isso estar muito distante dele.

– Não é brincadeira Germán, é a verdade! – Ela falou firme, seus olhos tremiam e seu corpo estava gelado.

German colocou as mãos na cabeça, virou de costas para ela e logo apoiou as mãos sobre o balcão da cozinha. Ele abaixou a cabeça e sem dizer nada ficou assim por algum tempo, tentando colocar tudo isso no lugar.

– Germán... a minha única intenção foi sempre me aproximar da Violetta, ficar perto dela!

– E por isso você tinha que seduzir o pai dela? Que espécie de pessoa é você? – German se virou rapidamente para ela, ele estava irado e nervoso.

– Não venha me perguntar que espécie de pessoa que sou eu, porque VOCÊ também errou quando separou a Vilu da família dela! – Angie disse num tom de voz alto e firme, esquecendo-se das lágrimas naquele momento.

– Eu tenho os meus motivos! – Disse ele gritando. Ela parou e o olhou como se estivesse assustada com o comportamento dele. Ele sempre foi tão sensível, e naquela hora vê-lo tão irado sabia que tudo aquilo acabaria muito mal.

– Eu também tinha os meus motivos para ficar perto da Violeta, mesmo que fosse escondida! Motivos que você sabe muito bem quais são não é, Germán? – Ela fez uma pergunta provocadora, e o olhava o desafiando. Naquele momento parecia que toda história que viveram juntos, acabara de virar pó.

– Não me interessa quais são os seus motivos ANGELES! – Disse ele a encarando nos olhos. Os dois estavam irados um com o outro. E tudo que Angie sentiu em todos aqueles anos estava tudo vivo novamente, tudo voltou a se aflorar.

– Aahhh claro que não te interessa, porque você ficou com a Violetta não é? E eu? E eu? Como fico nessa história? – Perguntou ela falando alto. Seus olhos estavam cheios de fúria.

– Você é a tia da Violet... – Antes que ele pudesse justificar algo, Angie ficou ainda mais nervosa e despejou tudo que estava guardado em seu coração.

– Tia??? Eu não sou apenas tia dela... e você sabe disso muito bem! Eu sou a MÃE, ouviu bem... MÃE biológica da Violetta! – Angie se aproximou, apontando o dedo para o rosto dele, como uma leoa que defendia sua cria.

– Não me faça rir!!! – Ele disse com ironia – MÃE? A mãe da Violetta se chama Maria, está na certidão de nascimento dela, você quer olhar?

– Claro Germán, mas agora me diga como a Violetta nasceu? Como ela foi gerada dentro do útero da Maria? Me diga! – Angeles deu um sorriso sarcástico e se aproximou ainda mais dele.

– Isso não te dá o direito de se auto intitular ‘Mãe da Violetta’. – Germán respondeu ainda em um tom de voz alto.

– SIM! Me dá sim! Porque ela tem a MINHA genética, o MEU sangue, ela tem a MINHA personalidade, gostamos das mesmas coisas e tem mais, NÓS nos amamos como mãe e filha e isso você não vai poder mudar! – Ela fazia sinais com o dedo, sem deixar de encara-lo por nenhum segundo.

– Olha aqui, foi VOCÊ que aceitou ser doadora do óvulo para sua irmã, agora não me venha com desculpas – Ele dizia indo em direção a sala, Angie foi atrás dele furiosa.

– Mas eu fui ingênua Germán! – Angie começou a chorar, um choro em invadiu seu peito e deu um nó em sua garganta, como se ela estivesse desabafando toda sua mágoa. Germán, parou e se virou para ela e a olhou nos olhos.

– Fui ingênua! Não sabia muito bem o que era isso, não tinha muita noção do que era uma inseminação artificial. Maria e minha mãe me convenceram e eu só queria agradar a minha irmã, você sabe o quanto eu amava ela, o quanto a queria vê-la feliz. Nunca ia imaginar que toda essa história iria tomar essa proporção – Disse ela chorando.

–Tomou essa proporção porque você quis assim – Concluiu Germán com a voz firme parado no meio da sala.

– As coisas não são tão simples como você deseja – Disse ela enxugando o rosto molhado.

– Angeles por favor! Você NÃO é mãe da Violetta! Você é apenas tia e a doadora do óvulo da inseminação, nenhum tribunal vai reconhecer isso! – Ele falava de forma lenta, o que a revoltou de uma forma.

– Eu não estou falando nada de tribunal ou de lei! Estou falando de SENTIMENTOS! E o que sinto pela Vilu é amor, amor de mãe, quero protege-la de tudo e principalmente de você que só faz magoa-la e sufoca-la com seu ciúme doentio.

– Eu crio a minha filha da forma que eu quiser! – Respondeu ele na mesma altura.

– Claro! E pra você não importa a felicidade dela não é? – Disse ela se aproximando dele lentamente. Ele a encarava e a acompanhava com o olhar.

– Eu amo a minha filha! – Disse ele firme, enquanto ela chegava mais perto. Ele a olhava e não podia imaginar que aquela mulher que ele tanto amava, tanto desejava fosse sua cunhada. Seus sentimentos estavam misturados.

– Eu também amo a MINHA FILHA! E tudo que eu desejava era ficar perto dela – Respondeu Angie que já estava muito próxima dele. Estavam um de frente ao outro e se olhavam profundamente, agora mais calmos, mas ainda cheios de fúria.

– Queria ficar perto da Violetta né? Mas a vingança era seduzir o pai não é? Era fazer ele de bobo, de palhaço, de otário! – Ele falava com ar de desgosto, de angústia, seus olhos haviam poucas lágrimas. Ela balançava a cabeça negativamente enquanto ele dizia.

– Não... não foi, eu juro! Não foi nada intencional. Tudo que eu planejava era ficar perto da Vilu, cuidar, dar carinho, atenção, mima-la, mas tudo que eu menos esperava era... me apaixonar perdidamente pelo pai dela. – Uma lágrima escorreu pelo semblante dela, sem tirar os olhos do dele.

– Angeles, Por favor! Chega de mentiras – Ele saiu da frente dela e se afastou com os braços cruzados.

– Não, não é mentira! Eu no início queria te odiar de todas as formas, mas por mais que eu tentasse os meus sentimentos diziam o contrário. Você foi demostrando que não era a pessoa que eu imaginava, que você tinha sentimentos que tinha um coração de verdade. – Em meio lágrimas ela encontrou forças para dizer tudo que estava em seu coração.

Germán a encarava sério com os braços cruzados, pareciam que suas palavras não geravam efeito nenhum sobre ele, ou ele fingia muito bem – Não quero saber dos seus sentimento Senhorita Angeles. Eu sei que errei, e errei muito em distanciar a Violetta da família dela, mas você errou muito mais... mentiu para nós, me usou como seu passatempo e tudo que eu queria era te amar. Nós passamos a noite juntos, juramos amor um para o outro...fizemos planos!! Como você pode ser tão falsa?? – Germán falava com desgosto e profunda tristeza, como se tivesse levado uma punhalada no peito.

– Aquela noite – Ela olhou para cima e respirou fundo – Foi a melhor noite da minha vida. Você me fez sentir desejada, amada, mulher! E eu nunca... nunca vou me esquecer de cada detalhe, de cada beijo – Ela falava serenamente, olhando em seus olhos, querendo transmitir confiança e verdade.

– Pois eu vou tentar esquecer...TUDO! – Disse ele de forma dura – Esquecer que um dia você esteve nessa casa, que um dia me envolvi com você! Angeles, eu quero que você saia dessa casa! – Disse ele com uma das mãos direcionada a porta.

– Eu não vou deixar a Violetta! – Ela falou alto, com os olhos arregalados. – Não vou deixa-la nunca mais!

– Você vai sair dessa casa por bem ou por mal!

– Germán, ela precisa de mim! – Disse Angie se aproximando dele mais furiosa ainda

– Presta atenção! Ou você desaparece ou eu e Violetta desaparecemos... ai te garanto que nunca mais você vai voltar a vê-la – Ele dizia num tom de ameaça. Os dois estavam frente a frente, naquele momento só havia ódio e rancor.

– Eu vou atrás de você nem que seja no fim do mundo! – Ela gritou, tinha o rosto vermelho e o seu rosto já estava em prantos, só de imaginar a possibilidade de perder Violetta novamente.

– Você vai por bem ou por mal!– Ele foi até ela, pegou fortemente em seu braço e começou a puxa-la até a porta, ela tentava se soltar, mas era inevitável, Germán era muito forte e estava decidido o que queria.

–Você está me machucando! – Ela berrou, e ele a soltou no mesmo instante. Angie aumentou seu choro, ao ponto de soluçar. O silencio pairou sobre o ambiente. Germán abaixou a cabeça sem olhar para ela, só era possível escutar o choro de Angie.

– Olha onde paramos?!!! – Disse ela aos prantos olhando para ele, que permaneceu calado, mas que nessa altura também fora tomado por lágrimas. – Veja Germán, onde chegou essa conversa? A poucas horas estávamos apaixonados e agora isso? — Ela dizia ainda chorando.

– Angeles! Eu vou embora com a Violetta, amanhã mesmo! Já está mais que decidido, e eu permito de você se despeça dela. – Germán enxugava as lágrimas nos olhos.