The Reason
15 Capítulo 16 - Por que tem que ser assim?
– NÃO!!! – Ela estendeu o choro ainda mais – Germán, por tudo... não a leve de mim – Angie se aproximou dele, desesperadamente e começou a sacudi-lo pelo ombro – Por favor!! Eu preciso dela, e ela de mim... nós podemos entrar em um acordo!
– Eu sinto muito, mas vou leva-la! Ela não pode conviver com tudo isso, com essa mentira, com essa falsidade – Respondeu ele ríspido, depois que ela parou de balança-lo.
Ela chorava descontroladamente, seu rosto virou um mar de lágrimas. Ela olhava de um lado a outro em busca de alguma resposta, começou a rodar de um lado para o outro, com as mãos no rosto, enquanto Germán a observava.
– E o estúdio? Ela ama o estúdio e tem amigos! Você não pode tirar isso dela assim! – Angie implorava olhando nos olhos de Germán, seus olhos pediam, encareciam, mas nada mudaria sua opinião, ele permanecia sério e intacto.
– Ela vai se acostumar em outro lugar e também poderá fazer outros amigos – Ele tinha os braços cruzados e olhava para o chão.
– Amigos? Violetta nunca teve amigos! –Angie dizia de forma rude, ela estava muito alterada e seus olhos não paravam de jorrar por se quer um minuto.
– Não há nada que você possa fazer pra mudar minha decisão – Respondeu ele direto e sem rodeios.
Ela então viu que nada do que ela falasse ou implorasse ia mudar sua opinião. Ela estava parada olhando para ele, respirou fundo, limpou as lágrimas e aos poucos foi se acalmando e voltando a seu estado quase normal.
– Tudo bem Germán, se alguém tem que ir embora, esse alguém sou eu! – Ela colocou as mãos na cintura, dando nitidez ao que falava. – Não quero que a Violetta sofra mais indo pra um lugar que ela não conhece, não tem amigos... Então EU vou embora, vou ficar longe se é isso que você realmente quer.
– Angie, você vai embora pra onde? Aqui é seu trabalho... isso não faz sentido – Disse ele achando tudo aquilo sem sentido.
– Há algum tempo recebi a proposta de ir para a Espanha, um trabalho muito bom que me ofereceram, mas eu recusei porque estava aqui com a Violetta e não fazia sentindo eu deixa-la. – Ela suspirou profundamente – Está decidido Germán, eu vou embora! Mas por favor, me prometa que não vai tirar a Vilu do estúdio... – Os seus olhos imploravam aquilo, e ele viu a carência do pedido.
–Tudo bem Angie, eu prometo. Se você for embora, eu vou ficar aqui e deixar a Vilu estudando lá, eu sei que ela ama muito e faz bem para ela – Germán disse calmo sem tirar os olhos do dela. – Agora, eu peço que você não prolongue essa viagem, seja rápida, porque não quero mais mentiras sobre essa casa!
– Não vou demorar. Quando você se der conta eu já terei partido – Ela não chorava mais, entretanto uma dor imensurável tomava conta do seu coração, só de imaginar se despedir de Violetta e ficar tanto tempo longe de novo.
– Eu peço que se despeça da Violetta sem muito drama, sem muito choro... porque não quero que ela sofra! – Disse ele sentando-se no sofá, apoiando os cotovelos nas pernas e as mãos na cabeça e olhava para baixo, imaginando que tudo aquilo fosse um terrível pesadelo.
POVS ANGIE.
O que? Me despedir da Violetta sem choro? Sem drama? Ele só podia estar brincando! Como eu iria me despedir da minha filha, ficar não sei quanto tempo longe dela, e não iria chorar ou me abalar? Tudo bem que vou fazer de tudo para que essa despedida não seja dolorida para ela, mas eu sei que ela vai sofrer, sei do amor dela por mim e sei também que nossa separação será muito difícil.
– Como assim? Você acha que sou feita de que? De Pedra!? Ao invés de um coração eu tenho um cubo de gelo? Não coloque restrições na despedida com a minha filha! Por que isso pertence a mim e a ela, eu tenho esse direito! Direito de chorar, de sofrer e de saber que vou ficar um bom tempo sem vê-la! Na verdade é um direito do qual eu já usufruo a muito tempo! – Disse ela vermelha, alterando a voz e fazendo movimentos com as mãos. Ela estava extremamente abatida. Seus cabelos estavam avoaçados, e seu corpo estava gelado desde a hora em que iniciou a conversa.
– Eu nem preciso te dizer que você NUNCA, vai tocar nesse assunto com a Violetta! Ouviu bem? – Ele se levantava do sofá, caminhou até ela e parou em sua frente cruzando os braços.
– Germán.. Germán.. você acha que a Violetta vai ser criança pra sempre? Um dia, ela vai ser dona da própria vida e vai saber sim, da onde ela veio! Disso eu tenho certeza – Respondeu ela olhando nos olhos, sem receio algum. – Agora vou arrumar minhas coisas! – Disse ela saindo, e deixando ali um olhar de rancor e tristeza. Ao chegar no quarto e trancar a porta, ela desabou! Como se uma onda de tristeza, mágoa, arrependimento, angústia e todos outros sentimentos estavam aflorados, ela não sabia o que pensar, o que fazer e muito menos como agir. Seu pranto estava cada vez mais intenso.
XXX
Eram por volta das 21:00 horas quando Angie parou em frente ao quarto de Violetta que estava com a porta trancada. Antes de bater ela respirou fundo e tentou “engolir” o choro, as lágrimas, engolir tudo que a consumia naquele momento, ela precisa ser forte por sua filha. Ela sem bater, abriu lentamente a porta. Vilu já estava deitada olhando uma revista, Angie entrou sem que a menina percebesse, a olhou com tanto carinho e naquele momento sentiu vontade de chorar, ela rapidamente recuperou o folego e deu um sorriso um tanto melancólico.
– Achei que você já estava dormindo princesa! Chegou desmaiada no colo do seu pai – Disse Angie sentando-se ao lado da cama, enquanto a menina permanecia deitada com um olhar de ternura e de paz, ela não fazia noção do que estava acontecendo, e muito menos da triste história que a acompanhava mesmo sem ela saber. Angie deu um beijo em sua testa e outro beijo estalado em sua bochecha.
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou a menina desconfiada.
– Não por que? – Perguntou Angie tentando disfarçar, mesmo sendo impossível com aqueles olhos vermelhos e o semblante abatido.
– Porque parece... parece que está triste – Concluiu a menina olhando em seus olhos.
Angie esboçou um sorriso forçado – Só parece, meu amor.
– Ih Angie! Esqueci de fazer o dever de casa de literatura – Disse ela colocando as mãos na cabeça forçando uma expressão de preocupada.
Angie deu uma risada e balançou a cabeça negativamente – Não tem problema minha linda!
– O que? Você falando que não tem problema? Sempre que eu esqueço você me dá bronca! – Disse a menina espantada.
– Tudo bem, esquece – Angie disse não dando a mínima importância – Vilu, o que eu vim te falar agora é outra coisa.
– Já sei, você e o papai estão namorando de verdade! – Disse ela empolgada. Angie a olhou com certa pena e logo pensou “quem dera fosse isso”.
– Não Vilu, não é isso. É que é... eu vou embora. – Disse ela olhando para o chão e logo depois olhando para garotinha que ainda estava deitada sem desconfiar de nada.
– Mas volta quando? No outro dia? – Violetta perguntou sem entender.
Angie respirou fundo, mas era impossível uma lágrima percorrer sobre seu rosto e Violetta começar a se dar conta do que estava acontecendo.
– Não vou voltar, infelizmente! Isso está me doendo tanto Vilu, você não faz ideia. – Angie engoliu o chora mais uma vez, e teve seu coração partido ao meio ao observar que lágrimas escorriam pelo rosto da menina ainda deitada e iam direto para o travesseiro.
– Mas por que? Você e o papai brigaram não é?! – A menina tinha a voz trêmula, e foi se sentando aos poucos na cama, ficando de frente para Angeles.
– Não. Não é isso, é que... eu recebi uma proposta para trabalhar na Espanha... é um trabalho muito bom, então eu resolvi ir – Angie desviava o olhar ao falar, não queria de forma alguma encarar Vilu naquele momento.
– Só isso que você tem pra me dizer? Hein? E quando você me disse que nunca ia ficar longe de mim, que sempre ia ficar ao meu lado... – Violetta falava chorando. Seus olhos estavam confusos, um sentimento de revolta e inconformismo estava sobre ela.
– Vilu... eu juro que a última coisa no mundo que eu gostaria de não estar fazendo, era ter essa conversa com você – Angie também chorava, mas tentava manter a calma.
– Você tomou essa decisão porque quis! Sabia.. Eu sabia que você também iria embora um dia – Disse ela angustiada sem conseguir entender nada.
Angie não conseguia pensar em nada, as palavras de Violetta foram tão fortes ao ponto de tirar toda sua força e de esquecer por completo tudo que planejou em dizer. Violetta aumentou seu pranto, colocou as mãozinhas no rosto e chorava. Angie estava inerte, não podia fazer nada naquele momento para diminuir sua dor, ela apenas a olhava com muita pena se sentindo a pior pessoa do mundo.
– Vilu.. olha para mim? – Disse Angie se aproximando ainda mais dela, tirou suas mãos que protegia o rosto e levantou seu queixo. – Mesmo de longe eu vou te levar comigo, vou estar sempre presente e por favor me perdoa? Me perdoa se eu não consegui cumprir com o que te prometi eu vou fazer todo o possível para reverter essa situação.
– Eu sei que você nunca mais vai voltar – respondeu a menina balançando a cabeça negativamente. Ela se levantou da cama revoltada e disparou tantas coisas de uma só vez – É sempre assim, todo mundo vai embora um dia! Eu achei que com você ia ser diferente, que você ia ficar junto com o papai e se tornaria minha mãe.
Angie se levantou, ficando de frente a menina ouvindo tudo que ela dizia. – Vilu, eu prometo que um dia... um dia vou ser sua mãe! Eu sei que você não está entendendo nada agora, mas um dia você vai compreender tudo, meu amor! – Violetta deu as costas para Angie, que se aproximou e colocou as mãos no ombro da pequena. – Eu vou embora, mas eu deixo todo meu amor com você, você não faz ideia como eu te amo – Angie chorava e beijava a cabeça de Violetta, que chorava parada sem conseguir dizer nada.
– Isso são promessas... que nunca serão cumpridas! – Disse Violetta em alto tom enxugando as lágrimas e saindo do quarto correndo. Angeles, não tinha forças para ir atrás, tudo que ela conseguia naquele momento era tornar o seu pranto ainda mais intenso e profundo.
Angie retomou sua coragem, ao sair do quarto de Violetta para procura-la, deu de cara com Germán, que tinha os olhos vermelhos e expressão angustiada.
– Tudo isso poderia ser evitado – Disse ele.
– Não quero que ela sofra! – Ela não parava de chorar por nenhum minuto.
– Isso é inevitável nesse momento, tudo isso afeta todo mundo, principalmente ela.
– Vou procura-la, deve estar na sala de TV – Respondeu ela já descendo as escadas e indo em direção a sala.
Violetta estava sentada no chão, com as pernas dobradas, os braços apoiados nos joelhos e a cabeça enfiada entre eles. Ao abrir a porta, Angie foi se aproximando ainda mais dela.
– Vilu, não vamos tornar isso mais difícil do que está sendo, me dê sua mão, venha cá... – Angie disse carinhosamente, estendendo sua mão, ela lentamente foi levantando o rosto, descruzando as pernas, olhou para os olhos dela, se levantou do chão e correu até seus braços.
Angie a abraçou forte. As duas choravam muito era como se aquele abraço fosse o último de suas vidas. Germán entrou pela sala ao se deparar com a cena sentiu uma forte dor em seu peito, separa-las era mesmo a solução? Como Violetta ficaria depois disso? Todas essas perguntas rodavam pela sua mente, sem resposta para nenhuma delas.
Ainda abraçadas, Angie a pegou no colo, a menina deitou sua cabeça em seu ombro, ali ela sentia toda proteção, carinho e amparo do mundo, ela deseja com todas as suas forças que aquele momento se eternizasse.
–Eu sei que essa separação está sendo tão dolorida para você quanto pra mim. Mas um dia seremos tudo que desejamos uma para outra, ninguém vai nos separar... minha filha! – Ela deu ênfase nas últimas palavras e apertou ainda mais em seu colo. Germán entrou em sua frente, e fez uma cara como se dissesse “já está bom, vamos acabar com isso de uma vez”. Angie não se importou com a expressão no rosto dele e continuou.
– Continue estudando música, você tem muito talento e eu tenho muito orgulho de você meu docinho! Continue fazendo amigos, seja feliz! É tudo que desejo pra você...- Ela dizia alisando os cabelos da menina, como ela amava.
– Eu te amo Angie! Você foi a pessoa mais incrível que eu já conheci. Você mudou a minha vida, aprendi tantas coisas com você que jamais vou esquecer! Nunca esqueça de mim, porque eu NUNCA vou me esquecer de você – Violetta dizia ainda no colo, olhando nos olhos dela, Angie alisava seu rosto e a olhava com profundo amor.
– Jamais! Isso é impossível! – Ela dava muitos beijos pelo rosto da menina. Violetta desceu do colo, olhava para ela e para Germán, como se pensasse “eles não vão se despedir?”.
– Vilu, vá para seu quarto minha filha! – Disse Germán. A menina olhou mais uma vez para a loira e esboçou um pequeno sorriso antes de sair pela porta.
– Você não precisava ter exigido isso! Olha para ela... está sofrendo! – Respondeu Angie inconformada.
– Foi você que deixou chegar neste ponto – respondeu ele diretamente.
Ela foi até a sala, pegou sua mala, olhou para Germán que estava parado a fitando. Respirou fundo e saiu pela porta da frente da mansão Castillo.
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