The Reason
7 Capítulo 07 - Dores do passado
Notas iniciais
– Sim... digo não! – Respondeu ela confusa balançando a cabeça.
– Porque negar o que sentimos, se não estamos fazendo mal a ninguém? – Ele dizia tentando-a convencer e se aproximando dela até ficarem mais próximos.
–Germán, tem tantas coisas que nos separam – Ela estava séria, olhando em seus olhos.
Ele segurou em uma de suas mãos – Angie, você me atrai... e muito, não digo só fisicamente. Você é especial.
– Você também é especial, nunca imaginei isso acontecer... e estou muito confusa.
– Eu entendo, só quero que você fique bem – Ele deu um beijo em sua mão, ela esboçou um pequeno sorriso, abaixou a cabeça e subiu as escadas até o quarto de Vilu.
Ao entrar no quarto, ela estava com o semblante confuso e seu coração estava apertado, mas tudo mudou de repente quando olhou para o lindo rostinho de Violetta, ela estava muito feliz e ansiosa para seu primeiro dia de aula no estúdio.
– Angie, vamos... já está quase na hora- Violetta se levantava da cama.
Angie sorriu ao olhar para ela – Calma querida, temos tempo ainda... tá nervosa? – Perguntou Angie enquanto abraçava forte a menina.
– Claro Angie, tudo isso é muito novo pra mim – Respondeu ela retribuindo o abraço.
– Eu sei, mas fica tranquila que eu vou estar lá todo tempo... quer dizer eu vou ser sua professora de canto, vou estar ao seu lado para tudo viu – Ela olhava carinhosamente para a menina.
XXX
O primeiro dia de aula não poderia ter sido melhor. Violetta chegou um pouco tímida, mas logo fez amizade com o pessoal do estúdio, principalmente com Francesca e Camila. Ela estava realizada e feliz, sentia que já pertencia aquele lugar há muitos anos, ela sabia que estava no lugar certo, fazendo a coisa que mais amava: Música.
Ao chegarem em casa, abriram a porta a gargalhadas, quando pararam de uma vez ao verem Germán no meio da sala como uma estaca.
– Papai, o que você está fazendo aqui? – Perguntou Violetta tentando se conter.
– Bom, eu que pergunto onde as duas estavam? – Questiona ele, com os braços cruzados.
– Estava na aula de piano, hoje foi o primeiro dia – Respondeu Violetta sem olhar para Angie.
– E como foi? – perguntou ele se aproximando da filha.
– Foi... muito... muito bom! – Respondeu ela olhando para Angie e dando um leve sorriso. – Vou subir, tenho que fazer meus deveres, porque minha professora é muito exigente, se não fico de castigo – Disse a menina se referindo para Angie, e a olhando de lado.
Angie e Germán deram uma risada. A menina subiu para seu quarto rapidamente. Eles ficaram se olhando carinhosamente sem dizer uma palavra.
– Preciso falar com a Olga, licença – Disse Angie saindo para a cozinha aos olhares fixos de Germán sobre ela.
POV’S ANGIE
Não sei mais o que fazer, não sei mais o pensar, minhas emoções estão tão bagunçadas! Não consigo mais me concentrar no meu objetivo, minhas emoções estão falando mais alto do que minha razão. Eu estou aqui por outro motivo, o motivo é minha filha!
Chegada a hora do jantar, estavam todos na mesa, Violetta estava com um brilho nos olhos tão incrível, que era impossível não notar a alegria estampada em seu rosto.
– Olguinha o que temos pra hoje? – Perguntou a menina curiosa.
– Temos pene ao molho quatro queijos, eu sei que você adora – Respondeu Olga colocando a comida na mesa.
– Adoro mesmo, hoje estou com uma fome brutal – Disse a menina olhando a travessa na mesa. Angie abaixou a cabeça e deu uma risada ao reparar o olhar indignado de Germán para a filha.
– Violetta, que modos são esses? – Perguntou Germán, que apoio os cotovelos na mesa, entrelaçou os dedos e apoiou o queixo e continuou a olhar a filha sério.
– Porque você está falando de mim? Olha o seus modos também, que eu saiba não é nada elegante colocar os cotovelos sobre a mesa – Disse a menina querendo segurar o riso.
Germán, continua na mesma posição, e olha para os lados, Olga, Ramalho e Angie estavam o encarando, todos se contendo da vontade de rir. Ele olhava novamente para a filha, e de repente solta uma risada. Todos riem da situação
– Mas que língua é essa? Está afiadíssima hein – Ele diz rindo. Violetta apenas ri. – Vamos me dá seu prato que eu vou servir você já que está brutalmente faminta.
Depois de terminarem o jantar e sobremesa, Germán precisou sair com Ramalho para resolverem algumas coisas. Angie e Violetta no sofá da sala, a menina estava com deitada com a cabeça apoiada no colo de Angie, quando de repente.
– Angie, vamos cantar aquela música de hoje? Como é mesmo que ela se chama- Pergunta a menina.
– “Podemos”, mas se seu pai chegar? – Pergunta Angie intrigada.
– Ele não vai chegar agora, e também ele não pode me proibir de cantar na hora que eu quero... vamos Angie, começa vai – Pediu a menina ainda deitada em seu colo.
“No Soy ave para volar, y um cuadro no se pintar, no soy poeta escultor tan solo soy lo que soy” – Angie cantava olhando os olhos de Violetta enquanto mexia em seu cabelo.
“Pero hay cosas que si se ven aqui te mostrare, em tus ojos puedo ver, lo puedes lograr, prueba imaginar, podemos pintar colores de alma, podemos gritar y eh eh podemos volar sin tener alas, ser la letra in mim cancion” – As duas cantaram juntas o refrão, pareciam que haviam ensaiado, pois saiu perfeitamente lindo. Ambas deram um sorriso uma para a outra.
– Vilu, você tem um dom– Disse Angie passando a mão pelo rosto da menina.
– Queria que meu pai também achasse isso – Ela disse com o rostinho tristonho
– Tenho certeza eu um dia ele vai reconhecer – Angie tentou animar a menina.
– Angie, será que se eu conversar com ele, sem dizer nada do estúdio, ela vai deixar? – perguntou Violetta.
– Vilu, eu não sei, mas você pode tentar – Disse Angie sorrindo para a menina.
– É, preciso ter coragem, não gosto de mentir pro papai – Disse Violetta
– Eu sei minha linda, eu sei... mas vamos deitar que já está na hora – Angie pegou na mão dela e foram para o quarto.
Angie colocou Violetta na cama, e assim desceu para seu quarto. Germán havia chegado e estava sentado em seu escritório, resolvendo vários negócios. Quando a porta bateu.
– Papai – Disse Violetta entrando
–Vilu, você deveria estar dormindo a essa hora – Reprendeu Germán.
– Eu sei, mas não estava conseguindo dormir – disse ela sem jeito.
– Quer me dizer alguma coisa? — Germán a olhava, pois sabia que ela queria dizer algo. Ela concordou com a cabeça que sim.
– Papai, eu quero cantar! – Disse ela rápido e em tom firme, o olhando nos olhos.
– O que? – Perguntou ele sem entender.
– Disse que quero cantar, quero estudar música.
– Violetta já conversamos sobre isso – Respondeu ele calmamente.
– Não! Você falou sobre isso, mas nunca quis saber da minha opinião. – Ela estava seria.
– Mas essa é minha opinião sobre você, eu sou seu pai e decido por você – Respondeu ele já perdendo a paciência.
– Mas você não pode decidir certas coisas sobre mim. Papai não vou estar fazendo mal a ninguém – Insistiu ela.
– Sim, vai estar! Fazendo mal a você mesma – Disse ele se levantando da cadeira
– A música não faz mal a ninguém, ela só une as pessoas. Minha mãe amava música, porque não posso amar também? – Perguntou ela.
– Porque a música matou a sua mãe! – Disse ele alto.
– NÃO! O que matou minha mãe foi um acidente de carro – Ela respondeu no mesmo tom.
– Violetta, vai para seu quarto! Não quero falar sobre isso – Ele abaixava o tom de voz gradativamente.
– É sempre assim, você nunca resolve nada, nunca fala nada, é sempre a mesma coisa “Violetta vai para o quarto” – Dizia a menina imitando a voz dele. Germán ficou irado e soltou um grito!
– CHEGA! VAI AGORA! – Apontando o dedo para fora.
– Eu amo a música goste você ou não! Porque um dia vou ser dona da minha vida e vou decidir o que quero. Você está apenas adiando um pouquinho o meu sonho Germán Castillo! – Disse a menina saindo e batendo forte a porta.
Germán ficou irado e foi atrás da menina, em passos largos.
– Violetta!!! Volta aqui, olha como você fala comigo!! – Disse ele alto.
– Você não me ama pai! – Ela disse chorando.
Germán parou e a olhou, sentindo uma punhalada em seu coração com as palavras que a filha havia dito.
– Como assim minha filha? Eu não te amo? Você é minha vida, tudo que faço é pensando em você.
– Papai seu amor me sufoca, não me deixa ter liberdade pra nada! Você me prende num caixa de cristal e acha que nunca vou poder conhecer pessoas e nem o mundo! – Ela dizia alto e chorando.
Nessa hora Angie chegou na sala assustada com os gritos que escutou de seu quarto. Ela se espantou ao ver cena dos dois brigando e não pensou duas vezes em intervir.
– O que está acontecendo? – Disse ela acelerando os passos para perto deles.
– Pergunta para esse egoísta ai –Violetta dizia com o rosto cheio de lágrimas.
– Olha como você fala comigo! – Disse Germán em alto tom.
– Calma vocês dois, ao gritos ninguém vai resolver nada – Angie se aproximou da menina e a envolveu com um de seus braços.
– Fui pedir pro papai me deixar estudar música, e olha onde chegamos... Se minha mãe tivesse aqui NADA disso estaria acontecendo – disse Vilu nervosa.
– Acho que essa conversa não vai dar em nada, os dois estão nervosos e podem falar coisas que podem se arrepender. – Angie se virou para a menina segurando em seu rosto – Querida vai para seu quarto, daqui a pouco eu vou lá pra gente conversar, por favor – Disse Angie calmamente.
Violetta olhou para seu pai e subiu as escadas. Germán sentou -se no sofá e colocou as mãos na testa.
– Minha filha acha que eu não a amo – ele estava de cabeça baixa.
Angie se aproximou e sentou do lado dele, ela sentiu que ele precisava dela naquele momento, e por mais que ela soubesse de tudo que ele já fez, não conseguiu odiá-lo, não conseguiu sentir raiva e nem rancor.
– German, a Vilu estava nervosa, não considere o que ela disse. – Ela alisava um de seus ombros.
– Ela disse que meu amor a sufoca, Angie você sabe o que isso significa? — Ele tinha lágrimas nos olhos.
– Germán, talvez ela se precipitou muito em falar isso, mas tudo que Violetta quer, é um pouco mais de liberdade, de fazer o que ela gosta – Disse Angie ao lado dela.
– Algo me diz que a Violetta não pode estar no meio da música – ele ainda de cabeça baixa.
–Talvez é a sua dor que diga isso. Mas a história da Violetta é diferente da Maria, tem certas coisas que você não pode decidir por ela.
– A Maria morreu pela música, vivia nas estradas e não imaginava o risco que corria e... – Ele não conseguiu terminar a frase.
– Foi a hora dela Germán, isso ninguém poderia mudar, infelizmente – Angie abaixou a cabeça e sentiu a dor da perda da irmã, que tantas vezes ela questionava.
– Não posso nem pensar em perder a Violetta, ela é tudo de maravilhoso que me restou, de um passado obscuro, triste, sombrio, um passado dolorido, eu só não desistir de viver por causa dela. Ela foi minha luz em meio a escuridão, ela guiou meus passos quando eu não conseguia andar, ela abriu os meus olhos para enxergar um mundo bonito do qual eu não conseguia ver.
Lágrimas escorriam pelos olhos de Angie, depois de tantos longos anos de fúria e raiva, ela conseguia entender um pouco de tudo que ele passou, isso não justificava tudo que ele fez, mas ela conseguiu enxergar de outro modo a forma de como ele encarou a perda de Maria.
Angie segurou em suas mãos, ele se virou para ela, ele estava emocionado. Ela o abraçou sem se dar conta, o abraçou forte. Foram se soltando lentamente, até ficarem frente a frente, ela sem dizer nada, o beijou. Foi um selinho demorado, seguido de outra e mais outro. Ele sorriu e beijou sua testa.
– Obrigado por tudo – Ele disse e beijou uma de suas mãos. – Vai lá falar com a Vilu, ela precisa de você – Ela consentiu com a cabeça e subiu as escadas.
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