The Reason

8 Capítulo 08 - Desistir agora?


Notas iniciais
Boa noite meninas! Boa leitura :)

Violetta chorava em seu quarto, estava em pé em frente à janela, a lua cheia clareava o ambiente, o vento soprava frio, e suas lágrimas ainda insistiam em rolar. Ela se sentia sozinha, sentia que ninguém se importava com o que ela sentia, nem com os seus sonhos.

Angie abriu devagar a porta do quarto, e logo observou a menina olhando pela janela, seu coração apertou, não conseguia ver sua menina sofrendo. Ela se aproximou aos poucos, chegou por traz das costas dela e colocou as mãos sobre os seus ombros, a apertou contra seu corpo.

– Meu amor, vai ficar doente se continuar tomando esse frio – Disse Angie dando um beijo na cabeça dela.

Violetta balançou os ombros como se dissesse “não tô nem ai” — E quem se importa? – Disse ela ainda olhando para fora.

– Eu me importo com você – Respondeu Angie ainda segurando-a contra seu corpo.

– Eu sei, mas um dia você também vai embora – Ela disse num tom firme.

– O que você está querendo dizer? – Angie fez a menina se virar de frente a ela.

– Todo mundo que eu gosto, um dia acaba indo embora – Ela tinha lágrimas nos olhos e um tom de voz suave. Angie sentiu uma dor profunda em seu peito.

– Porque está dizendo isso? – Angie engoliu seco.

– Primeiro foi a mamãe, depois minha avó, depois minha tia, e um dia vai ser você – Uma lágrima escorreu pelos olhos da menina, sem ela esboçar nenhum choro.

– Te prometo que nunca vou te deixar, você não confia em mim? – Disse Angie segurando suas mãos. A menina confirmou com a cabeça sem dizer mais nada. Angie enxugou sua lágrima com o dedo suavemente.

– Angie, um dia você vai acabar indo também, vai conhecer uma pessoa, vai se apaixonar, vai casar e vamos ficar longe uma da outra — Concluiu a menina com o olhar profundamente triste.

Angie puxou uma cadeira que havia do lado, sentou e ficou de frente para Violetta, ela olhava profundamente em seus olhos, segurava suas mãos, ela queria de toda forma passar confiança para a garotinha.

– Eu NUNCA, ouviu bem, NUNCA vou te deixar. Ah se você soubesse... – Angie parou de falar, e engoliu o choro – Se você soubesse o quanto eu te amo, não falaria isso. Vilu, se depender de mim, vou ficar ao seu lado pra sempre – Respondeu Angie olhando para a menina.

Violetta se curvou e a abraçou forte – Eu sei que errei, não podia ter falado aquilo com o papai.

– Sim Vilu, seu pai ficou muito triste quando você disse que ele não te amava. Seu pai pode ter muitos erros, mas uma coisa é certa, ele te ama mais do que tudo, nunca duvide disso – Angie fazia carinho no rosto dela.

– Eu só queria cantar, só queria ficar no estúdio, sem esconder nada dele.

– Eu sei, mas tenha calma, porque isso nós vamos consegui um dia – Ela respondeu esboçando um sorriso pra menina – Agora vamos dormir, porque já é muito tarde – Angie se levantou puxando a menina pela mão. Violetta se deitou e Angie a cobriu.

– Angie, deita comigo?

Angie deu um leve sorriso, se sentindo amada e tão importante – Claro amorzinho.

Ela se deitou ao lado de Violetta, a menina a envolveu com um dos braços e Angie alisava seus cabelos lentamente, e assim a menina logo pegou no sono. Angie ficou ali por um bom tempo a beijando e dando todo carinho que ela merecia.

POV’S ANGIE

Que situação! Eu realmente não sei o que fazer. De um lado Violetta que é minha maior preocupação está triste, se sentindo sozinha, e eu não posso contar nada para ela, se eu pudesse abrir meu coração e dizer toda a verdade só para não ver mais aquela carinha tão confusa. Mas de outro lado tinha Germán, por mais que eu não quisesse me preocupar com ele, eu já estava envolvida não poderia ignora-lo.

Após fazer Violetta dormir, Angie descia as escadas e foi até a cozinha fazer um chá. Ela estava em pé de frente ao balcão mexendo a colher no chá, mas seus olhos estavam parados. De repente ela sente os braços de Germán envolvidos em sua cintura, ela não consegue reagir, e imediatamente sente ele beijando seu pescoço calmamente. Ela revira os olhos, e encosta a cabeça em seu peitoral, naquele momento ela não queria pensar mais em nada apenas sentir tudo aquilo. Ele à solta e a faz virar, ficando ambos frente a frente.

– Conversou com ela? – Perguntou ele ainda segurando em sua cintura.

– Sim, conversei – Ela alisava seus braços – Ela está confusa, triste, talvez se desse mais liberdade para ela fazer o que mais gosta – Angie tentava contornar a situação, falando docemente com ele.

– Você já sabe a minha opinião – Ele respondeu beijando os ombros dela.

– Mas não pode mudar de opinião por sua filha? – Ela perguntou alisando sua nuca.

– O que a Violetta precisa é de uma mãe – Ele a olhou nos olhos – Não quer ser a mãe da Violetta futuramente? – Perguntou ele com um sorrisinho no rosto.

Angie se estremeceu toda, e foi diminuindo o sorriso que antes estava em seu rosto, até ficar séria, ela respirou e rapidamente pensou ‘Eu já sou a mãe dela’. – Germán, por favor... isso já está indo longe demais – Ela ia se afastando lentamente.

– Porque você foge tanto? Sou tão feio assim?

Ela abriu um pequeno sorriso – Claro que não, você é lindo – Ela parou por um estante ‘não acredito que falei isso assim’.

– Só quero estar perto de você – Disse ele se aproximando e ficando frente a frente.

Ela o olhou nos olhos, ele segurou delicadamente em seu rosto, colocando atrás da orelha alguns fios de cabelos que estavam em seu rosto. E assim se beijaram, sem pressa, sem medo, como se fosse algo muito natural. Já estavam sem ar, quando pararam se olharam rapidamente e voltaram a se beijar, ele que estava com as mãos em sua cintura, foi subindo devagar pela sua barriga a apertando ainda mais contra seu corpo, enquanto ela estava na ponta dos pés com as mãos em sua nuca o fazendo arrepiar a cada momento. Ele impulsionou a perna dela, a fazendo sentar em cima do balcão e ficou entre elas, sem pararem de se beijar nenhum segundo. A respiração já não era a mesma, eles estavam ofegantes, ele lentamente beijou seu pescoço deixando ali um pouco de sua saliva, era impossível não sentir o cheiro do seu perfume, um aroma doce que o enlouquecia. Ele foi descendo os seus beijos pelo seu ombro, até chegar perto do sutiã, a fazendo arrepiar, novamente voltou e a beijou na boca. As mãos de Germán subiam para a barriga, e assim lentamente para seus seios, nesse momento ela revirou seus olhos, mas um sentimento de culpa e remorso invadiu seu coração de forma ligeira.

– Para para para! – Disse ela empurrando ele, e descendo de cima do balcão.

– O que foi Angie? – Perguntou ele intrigado

– Germán, isso não pode acontecer, me desculpa – Respondeu ela aflita.

– Tudo bem, eu que tenho que pedir desculpas se fui rápido demais.

– Não se preocupe – Ela balançava negativamente a cabeça – Já vou dormir, boa noite — Antes que ele pudesse responder, ela saiu rapidamente em direção ao seu quarto.

A loira andava de um lado para o outro dentro do quarto, parecia ser impossível dormir 5 minutos naquela noite.

– LÉO! – Disse ela num bom tom – Preciso falar com Léo mais rápido possível!

Léo, era o melhor amigo de Angie, ao contrário do que alguns pensavam, eles eram bons amigos, ou melhor melhores amigos. Angie confiava nele para tudo! Eles tinham uma ligação muito forte, eram como irmãos. Ela imediatamente pegou seu celular, e mandou um torpedo para ele

“Se eu estou enviando um torpedo há essa hora é porque o negócio não está bonito! Então se possível ou não (se vira) preciso de você amanhã! Bom resto de noite”

POV’S ANGIE

Quase aconteceu! A vontade de ter continuado aquele amasso é tão grande quanto a culpa que sinto! Que homem é esse? Ele me tira as estruturas, me coloca no chão, nunca senti isso em toda minha vida... e eu precisava sentir isso logo por ele? O último homem que poderia me comprometer.

Depois de 5 minutos o seu celular vibrou era a resposta de Léo

“Obrigado por me acordar! Mas tá perdoada só porque me ajudou da última vez em que eu estava morto de bêbado. Agora me deixa em paz, bjs”.

Angie deu uma risada, se recordando de tantos momentos bons que passou ao lado do seu melhor amigo. Ele era amigo para todas as horas! Meio maluco, mas com o coração do tamanho do mundo. No fundo ela sabia que ele teria as palavras certas.

Na manhã seguinte, Angie despertou logo cedo, deixou um recado colado na geladeira “Olga, avisa o Germán e a Vilu que tive que resolver um problema, mas antes do almoço estou aqui”.

Chegando a casa de Léo, bateu insistentemente na porta, até ela se abrir, olhou para o rosto de Léo, ainda amassado e despenteado.

– Obrigado por me acordar mais uma vez em menos de 5 horas- Disse ele olhando no relógio.

– Bom dia para você também – Disse Angie entrando pela casa.

– Mas eu nem ti convidei para entrar – Ele respondeu batendo a porta.

– Vamos Leonardo! É muito sério! – Angie se sentava no sofá – O que aconteceu nessa casa que está uma bagunça? – Perguntou Angie reparando.

– Ah você sabe, as mulheres me amam, não tenho sossego – Disse ele se gabando.

– Que mulheres? Afinal era sempre eu que ajeitava uma para você né – Ela ria.

– Acabei de passar o café, vou trocar de roupa, ou você vai querer conversar comigo assim? Tão sexy! – Ele dizia indo em direção ao quarto

Angie soltou uma risada – Ah! Não muda nunca!

Alguns minutos depois, ele voltou e sentou no sofá de frente para ela.

– Chora as mágoas meu amor, o que está te perturbando? – Perguntou ele enquanto bebia café.

– Léo, o problema é o Germán! – Ela disse com os olhos parados

– Você já tem uns meses que está na casa dele não é... e a garotinha? A que você diz que é sua filha?

– Ela é minha filha! Agora eu sinto isso mais do que nunca – Ela sorriu ao falar de Violetta – Ela é incrível, meiga e carinhosa. Canta divinamente bem, nos parecemos em tantas coisas, se pudesse ficava horas falando dela. Mas o problema aqui não é a Violetta e sim o Germán – Ela disse num tom firme.

– E como ele é? – Léo perguntou curioso, por se recordar de Angie falando mal dele.

– Ele é muito mais do que eu imaginava – Ela deu um pequeno sorriso

– O que? Ele é gay? – Léo pergunta abismado.

– Não Léo! Hum... Aquele ali tá muito longe de ser gay – Ela deu uma risadinha.

– Ihhhh – Léo balançava a cabeça rindo – Já sei, pela sua risada, e por esses olhinhos azuis brilhando agora, já vi que essa história é longa...você ta gostando dele não é?

– Gosto. Gosto e muito!

– Que situação! Ele não faz ideia de quem você é, precisa contar a verdade – Disse ele desse vez sério e olhando em seus olhos. – Não dá para começar uma relação com mentiras.

– Mas não sei se quero começar uma relação.

– Mas é só diversão?

– Não Léo, é muito mais do que isso, é um sentimento de verdade — Ela dizia movimentando as mãos.

– Você o ama ou não? – Questionou ele, sentando –se novamente no sofá com uma xícara na mão.

– Amo Léo, eu tentei negar para mim mesma, mas meu coração e meu corpo diz que sim. Ele se aproxima e meu corpo se estremece. Sua voz, seu perfume me contagiam de uma forma inexplicável. Eu tinha um plano, e você sabe muito bem... um plano de me vingar do Germán e ficar com a Violetta, tudo ia perfeitamente bem, até... – Ela parou e se levantou sem concluir a frase.

– Até se apaixonar pelo seu alvo, se apaixonar pelo homem errado, o homem que já foi marido de sua irmã! – Leonardo disse calmo olhando para xícara.

– Exatamente. E mais ele é sensível, inteligente, carinhoso, lindo, e tudo de incrível que uma mulher deseja em um homem.

– Pelo visto, já aconteceram muitas coisas – Ele sorriu descaradamente.

– Não! Nós nos beijamos algumas vezes, mas ontem quase aconteceu... – Ela diz arrependida.

– Angie, a única coisa que te resta é contar a verdade para ele, mesmo que isso custe o relacionamento de vocês e a Violetta né – Ele o encarava, e ela andava de um lado para o outro.

– Não! Não posso perder a Vilu por nada... eu a amo, amo mais do que tudo! – Ela começou a chorar ao falar de Violetta.

– Mas vai continuar com mentiras?

– Eu sei que também não posso – Ela limpava os olhos de lágrimas.

– Angie, a gente não escolhe por quem se apaixona, se foi pelo Germán, é que uma relação bonita pode ser construída entre vocês, mas com mentiras isso é impossível. Vai machucar você, ele e a Violetta. – Ele se aproximou dela, segurou em suas mãos – Você precisa contar a verdade, o mais rápido possível, antes que tudo isso vire uma bola de neve.

Ela chorava e concordou com a cabeça – Ele nunca vai me aceitar, sou muito mais do que a cunhada dele, eu sou a mulher que doou o óvulo para que a filha dele pudesse nascer! – Ela disse com a voz trêmula.

– Eu sempre te disse que o que fizeram com você não tem perdão. Você era uma menina Angie, nem sabia o que era óvulo e inseminação artificial – Ele dizia com uma certa pena da amiga.

– Eu pensava assim também – ela andava pela sala – Me arrependia de ter aceitado tudo isso, mas tudo mudou depois que conheci a Violetta – Angie parou e esboçou um pequeno sorriso – Ela é a razão de tudo isso, e cada dia a amo mais, é um amor incondicional. Agora eu sei Léo, o que é amor de mãe, porque o que eu sinto por ela é o mais puro e verdadeiro amor materno, mesmo que ela não tenha saído da minha barriga.

– E quando ele souber quem você realmente é? – Ele sentou novamente e esticou os pés até a mesa do centro.

– Vai me odiar, mas tenho que entender que isso é um amor impossível

– Calma calma – Disse Léo, parando em sua frente e segurando em seus ombros – Te desejo muita sorte, e você sabe que sempre pode contar comigo, mesmo que seja de madrugada – ele revirou os olhos e logo depois deu um sorriso.

Ela riu e o abraçou – Você sempre foi um grande amigo! Obrigada por me escutar, por me dar conselhos, te prometo que vou tentar não te ligar de madrugada... e vê se arruma essa casa. – Ela balançou o queixo dele, e deu um beijo no rosto. Foi até a porta – Se cuida – Ela deu um olhar de agradecimento.