The Reason
18 Capítulo 19 - Esperança e união
Notas iniciais
A sirene da ambulância percorria rapidamente pelas ruas, Violetta estava desacordada, usava uma máscara de oxigênio e tinha ferimentos por todo corpo. Um médico auxiliava sua chegada até o hospital, German estava junto, chorava ao ver a filha naquela situação e um sentimento de impotência tomava conta dele. Sem poder fazer nada, era como se seu coração estivesse fora de si, tudo que deseja naquela hora era estar ali no lugar de sua menina.
Chegando rapidamente no hospital, a equipe de médicos e enfermeiros iam acompanhando a maca levando Violetta rapidamente para emergência. Germán ia ao lado da maca, mas ao entrarem em uma sala, tentaram proibir sua entrada.
– Desculpa, mas o Senhor deverá esperar aqui fora! — Respondeu uma enfermeira.
– NÃO! Preciso ficar com minha filha – Disse ele nervoso e amedrontado.
– Vamos te dar notícias rapidamente, por favor espere! – A enfermeira entrou rapidamente pela porta a trancando.
Germán colocou as mãos na cabeça e desabou a chorar! Um choro incontrolável, ele batia nas paredes do hospital como um louco, pessoas que estava ali perto tentavam controla-lo ao perceber sua desespero.
– Por favor Senhor, acalme-se – respondeu um homem tentando o segurar.
– Minha filha! Minha filha – Era tudo que ele conseguia responder.
– Tenha fé Senhor, a fé pode todas as coisas – Respondeu novamente o homem. Germán parou por um instante e o olhou como se aquilo que ele acabara de dizer fosse a solução para tudo.
Germán encostou na parede. Olhou para cima e começou a clamar – Senhor! tenha misericórdia! MISERICÓRDIA – disse ele soluçando – Não posso ficar sem minha filha, não permita isso por favor! – Germán desabou novamente, e foi amparado por aquele rapaz que estava ali em seu lado que nunca havia visto antes. Ele abraçou aquele homem como se fosse alguém de sua família, como se fosse seu apoio.
Alguns minutos se passaram, Germán estava sentado em uma cadeira a espera de alguma resposta ele pranteava naquela espera dolorida, um resposta que poderia mudar a sua vida para sempre. Um médico saiu pela porta, Germán se levantou de uma vez.
– E minha filha? – Perguntou Germán rapidamente aflito.
– Senhor Castillo, a situação da sua filha não é tão fácil. Ela não sofreu nenhum traumatismo no crânio, mas perdeu muito sangue em uma fratura na perna. Já vamos providenciar a cirurgia o mais rápido possível, mas ela vai precisar fazer uma transfusão de sangue urgente!
– Sangue? Doutor se for preciso eu doou todo o meu sangue pra ela – Disse ele sem nenhuma dúvida.
– Não é dessa forma que funciona, senhor. Qual o seu tipo sanguíneo?
– O meu é ... “B” positivo. – disse ele confuso – Sim, “B” positivo.
– O da sua filha é “O” negativo. Precisamos de um doador.
– Como assim o meu serve não? Eu sou o pai dela! – Exclamou ele.
– Infelizmente o sangue da sua filha não é compatível com o seu – Explicava o médico da melhor forma possível.
Germán colocou as mãos na cabeça e fechou os olhos – Isso não é possível!
– Senhor, “O” negativo pode doar para TODOS os tipos sanguíneos, mas ele só pode RECEBER dele mesmo, ou seja só pode receber de um “O” Negativo. Infelizmente o senhor não poderá ser um doador. E nosso banco de sangue não há esse tipo sanguíneo. Mas e a mãe de menina, ela com certeza tem o mesmo sangue! — Disse o médico atento.
– A mãe dela... – Germán chorava, sem consegui terminar a frase.
– SOU EU! Eu sou a mãe biológica dela – Angie disse firme e andava rapidamente até chegar perto deles. Germán a acompanhava pelo olhar, seus olhares se encontraram pela primeira vez depois de anos, ele a encarava sem acreditar que ela estava ali em sua frente. Angie tinha os olhos vermelhos e alguns resquícios de lágrimas pelo rosto, ela o encarou rapidamente e se virou para o médico.
POVS ANGIE
No momento em que vi Germán pela primeira vez depois de dois anos, senti minhas pernas tremendo e meu coração acelerado. Confesso que não estava preparada para aquele momento, mas agora a única pessoa que penso é na Violetta, e estou aqui para ela e por ela.
– Doutor, a mãe da Violetta morreu, mas eu fui a doadora do óvulo para a inseminação artificial dela, eu tenho o mesmo tipo sanguíneo que o dela, “O” negativo. Pode fazer o exame para comprovar... – Ela explicava olhando para o médico que confirmava com a cabeça, e logo depois deu uma pequena olhada para Germán, e o olhou com carinho, como se estivesse querendo transmitir confiança, apoio e força.
– Por acaso já doou sangue alguma vez? – Perguntou o médico
– Sempre, a cada 6 meses
– EXCELENTE! – Disse o médico rapidamente – Isso conclui que você está bem de saúde o que é muito importante. Vou preparar tudo e quando estiver pronto eu te chamo para começarmos logo a transfusão. – Ele saiu com passos acelerados pelo corredor.
Após a saída do médico, um silencio pairou sobre o ar, ambos permaneceram olhando para a porta que estava em frente sem dizerem nada. Um choro foi tomando conta de Germán, ele abaixou a cabeça e chorava profundamente, um choro que vinha da alma, do mais profundo do seu ser, Angie ao ver a cena, começou a chorar também, colocou uma de suas mãos no ombro dele e deu uma leve apertada. Ele, abriu os olhos e a olhou, e em seguida a abraçou. Se abraçaram e choravam juntos.
– Ela vai ficar boa, eu tenho certeza – Disse Angie ainda abraçada a ela.
– Tenho medo! Medo de perde-la – disse ele
– Germán ... – Eles se soltaram e olhavam um para o outro – Tenho fé que a Violetta vai ficar boa, temos que ter fé! — Ele apenas concordo com a cabeça.
– Obrigado, obrigado por estar aqui, por doar o seu sangue. – Ele disse com sinceridade e gratidão.
– Não tem que agradecer, faço isso pela nossa menina!
– Por favor Senhora, já vamos começar a transfusão de sangue – disse uma enfermeira, abrindo a porta e fazendo sinal para Angie entrar. Ela olhou rapidamente para ele, apertou sua mão e entrou.
POVS ANGIE.
Estou aqui doando meu sangue para minha filha. Como sempre tive certeza, eu sou a mãe da Violetta, eu tenho o mesmo tipo sanguíneo e estar doando uma parte minha para ela é mais do que uma esperança, acho que é a maior prova de amor que posso demonstrar a ela e a todos. Se fosse necessário doaria todo o meu sangue sem pensar duas vezes. Tudo que mais desejo agora é vê-la com saúde, feliz, e claro ao meu lado, para enche-la de amor e carinho, porque isso eu tenho de sobra só pra ela!
Algumas horas se passaram e a cirurgia ainda não havia chegado ao fim, Angie estava em um quarto descansando, pois ficou um pouco fraca após a transfusão de sangue. Germán estava em frente ao centro cirúrgico, juntamente com Olga e Ramalho. Ele olhava para o relógio a cada um minuto, como se uma eternidade tivesse passado. Nesse instante Angeles chega perto deles, caminhando um pouco lento e muito pálida. Germán estava sentado em uma cadeira com a cabeça baixa, ele estava extremamente abatido, ao avistar Angie, ele se levantou e ofereceu seu lugar para ela sentar, vendo o estado em que ela se encontrava. A loira não disse nada apenas consentiu com a cabeça e sentou-se no lugar dele.
– Minha menina linda – Disse Olga abraçando a e beijando a na cabeça.
– Olguinha que saudades – respondeu ela abraçada mesmo sentada. Olga não largou dela e ficaram por ali calados a espera de alguma notícia.
Germán andava de um lado para o outro, o tempo estava o corroendo por dentro, a cada segundo a dor e a angustia aumentavam ainda mais.
– Vou comprar água – Disse Ramalho
– Eu vou com você, ficar aqui é ainda pior – Disse Olga o acompanhando.
– E eu não aguento mais, essa espera é a pior coisa do mundo – Disse Germán, encostado na parede com os braços cruzados.
– Sinto a mesma coisa – Disse ela sentada com a cabeça encostada na parede olhando para cima.
– Já faz muito tempo que estão lá – Disse Germán a olhando.
– German, tenho certeza que ela vai ficar bem – Disse Angie se levantando lentamente, ao ficar totalmente em pé, sentiu uma fraqueza e uma tontura repentina, ela desequilibrou, mas foi rapidamente amparado por Germán que agiu como um reflexo. Os dois se olharam por alguns segundos, mas ambos despistaram.
– Obrigada – Disse ela sentando-se na cadeira novamente.
– Você ainda está pálida – disse Germán sem graça.
No mesmo instante, o médico saiu de dentro do centro cirúrgico, olhou para os dois que nessa hora já estavam de pé ansiosos.
– A cirurgia foi ótima, e a filha de vocês passa bem, já não há grandes riscos – disse ele com um sorriso aliviado.
Germán colocou as mãos no rosto e sorria e agradecia ao mesmo tempo. Angie chorava de alívio, ambos olharam um para o outro e tomados de emoção se abraçaram sem pensar em mais nada. Quando se deram conta do abraço, se soltaram rapidamente e entreolharam novamente, mas a paz e o alívio renovaram as esperanças.
– Podemos vê-la? – perguntou Angie
– Ela está na UTI, e só podem vê-la através do vidro, mas acredito que amanhã ela estará no quarto. – Respondeu o médico.
Os dois foram até a UTI e através do vidro, observaram Violetta que estava ligada a vários aparelhos e dormia profundamente.
– Minha bebezinha – disse German, colocando as mãos no vidro e emocionado, aliviado e cheio de esperanças.
– Ah, eu trocaria de lugar com você sem nenhum dúvida amorzinho – Lágrimas desciam dos olhos de Angie por ver a menina naquela situação, apenas dela estar fora de perigo ainda doía.
– Só de pensar em ficar sem ela, minha vida se tornou insuportável. Nada fazia mais sentido, porque ela é tudo pra mim – Germán dizia sem tirar os olhos da filha nem por um segundo – Ela vai ficar muito feliz quando te ver.
Angie abaixou a cabeça e gaguejou – É, n..nós já nos encontramos, me desculpa, eu ia te contar, só estava esperando o momento ideal. – Respondeu ela olhando novamente para Vilu.
Germán olhou para ela e hesitou –Eu nunca vi uma pessoa sentir tantas saudades quanto ela de você – ele deu uma pequena risada. Angie também, apenas sorriu.
– German, esses dois anos foram os mais complexos da minha vida, cheios de altos e baixos, alegrias e tristezas. Mas tudo que fazia era pensando nela – respondeu ela calmamente.
– Ela é uma menina muito especial – Germán tentou mudar de assunto.
Angie balançou a cabeça e o olhou, entendendo perfeitamente que ele queria encerrar aquele assunto por ali – A gente se fala depois – ela o olhou e saiu do quarto.
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