The Queen
3 Capitulo I
Notas iniciais
O castelo Pallas parecia servir como divisor de águas já que separava com perfeição o sul do norte a centenas de anos, antes que os reinos fossem unificados, apenas o norte era ocupado e governado por um único rei, o sul, a parte mais fria do continente era ocupado por tribos, algumas mantinham acampamento fixo em uma única parte, e outras eram nômades e vagavam por todo o território, no entanto quando o reino foi divido em dois, um dos reis marchou para o sul em busca de formar aliança com as tribos, que o proclamaram como seu rei, então ele os uniu sob um único estandarte, anos mais tarde norte e sul foram unificados com a derrota do rei do norte de Agallea, e o casamento da irmã caçula do mesmo com o rei sulista.
Pallas era o castelo dos governantes de Agallea, uma fortificação magnifica que cobria todo o alto de uma extensa colina, havia sido construído de um material que depois de tantos anos era praticamente indestrutível, durante todo o ano ele erguia-se dourado por conta do sol, e nas épocas das chuvas, por conta da agua sua coloração mudava para vermelho papoula, mas não era a fortificação, os belos jardins ou os entalhes na arquitetura exterior que chamava atenção de emissários e embaixadores, mas sim o seu interior. Tudo em seu interior parecia saído de uma arca do tesouro, no salão de entrada as paredes lisas, eram marcadas por ricas e detalhadas pinturas que mostravam toda a história daquele povo e de seus governantes, símbolos de proteção e de seus deuses estavam entalhadas nas grossas colunas de madeira escura, na sala do trono, um dos maiores salões do castelo que poderia ser facilmente ocupado por mais de três mil homens, tinha em suas paredes grandes e ricas tapeçarias com o retrato de seus governantes, que quando retiradas para festas e banquetes, deixavam a mostra paredes de mármores com desenhos simétricos, as colunas também eram de madeira entalhada, porém com detalhes em ouro, o trono se encontrava na extremidade do salão, elevado em um pedestal de mármore a um metro e meio de chão, um trono imponente feito em ouro maciço e estofado com veludo vermelho e dourado, ao seu lado um trono menor feito em prata e igualmente estofado com veludo vermelho e prata, atrás do trono estavam ostentados com orgulho os estandartes da casa real; o fundo de cor papoula, com dois dragões dourados carregando uma magnólia branca e dourada coroada.
As pinturas históricas tomavam conta dos corredores, as portas de todos os aposentos tinham os mesmos entalhes, os pavimentos mais recentes tinham retratado em suas paredes cenas dos últimos cem anos, a guerra entre as duas famílias e a vitória dos Lyazar, atual família reinante, os aposentos dos reis e seus filhos encontravam-se em uma área onde o prédio erguia-se ao redor de um pátio circular e ornamentado com uma fonte e as flores preferidas da rainha, havia sido a mesma a optar por toda a família ficar no mesmo prédio, ela queria manter seus filhos próximos a si.
O templo de orações era a construção mais rústica do castelo, era como uma cabana retangular feita em madeira escura. Dentro se encontravam estatuas simbolizando todos os deuses e um altar em frente a cada um, ali as velas era mantidas sempre acesas por ser um local muito escuro, o sacerdote encontrava-se sempre lá, disponível para qualquer um que fosse a busca de um auxilio dos deuses. O sacerdote não tinha um nome, havia abandonado qualquer nomeação ao responder o chamado dos deuses.
O templo do castelo era apenas uma construção menor do templo da cidade, porem era mais convencional que a rainha, uma mulher extremamente fiel às crenças do seu povo, fosse rezar em um pequeno templo dentro do castelo, ao invés de todos os dias descer a colina e atravessar a cidade para rezar no Grande Templo, o que geraria grande comoção ao povo, e um grande transtorno a rainha.
A mesma se encontrava no templo tendo uma aparentemente difícil conversa com o sacerdote, quando foi interrompida pelo riso harmonioso e delicada de uma bela e muito jovem moça, a mesma corria pelos corredores, o cabelo solto ondulando no vento, as saias nas mãos deixava amostra os pés descalços, sendo seguida por suas damas, como o retrato de uma ninfa correndo em um campo de flores. Elaena era a nona filha, a caçula, mais nova de cinco meninos e três meninas, sempre superprotegida e mimada pelos mais velhos, era a preferida do pai, e a bebê da mãe, todos ao seu redor se rendiam ao seu charme e beleza. Ela era em poucas palavras, divina.
_Elaena_ repreendeu a mãe ao ver o estado da menina._ perdoe minha filha Eminencia.
O sacerdote apenas sorriu gentilmente observando a menina, Elaena estava prestes a completar catorze anos, e o senhor ainda lembrava-se dela com apenas um ano, no dia que foi ungida e abençoada pelos deuses.
_Creio que até mesmo os deuses apreciem a jovialidade da princesa, minha rainha_ disse o senhor com sua voz sabia e com um sorriso brincalhão que evidenciava lhe as rugas da idade_ temos um assunto a tratar com a princesa, não temos, Majestade?
_A sim, como pude esquecer-me_ a rainha chamou a filha com as mãos, em um pedido silencioso para que se aproximasse _ estava agora mesmo conversando com o sacerdote sobre isso_ a rainha tocou o rosto da filha como que reverenciando a beleza dos traços joviais_ seu pai recebeu hoje pela manha um corvo vindo de Westeros, há duas semanas ele enviou uma carta a Robb Stark, Rei do Inverno, ele fez uma oferta de casamento, o firmamento de uma aliança, seu pai a ofereceu para se tornar a rainha dele.
O sorriso da menina deu lugar a uma expressão séria.
_Não a o que ser feito minha filha, você saíra de Agallea em duas semanas, e se casara com Robb Stark em Winterfell assim que chegar a Westeros._ decretou a mulher_ Henrik, Godrik e Caesar irão para acompanha-la, um exército a escoltara assim como ao seu dote, você deve escolher seu séquito pessoal, todas as nossas costureiras foram mobilizadas para fazer roupas novas para você, roupas dignas de uma rainha._ ela informou duramente.
Doía-lhe dizer aquelas palavras, dizer que sua bebê iria para longe dela e seria a rainha em um reino distante, mas ela nada poderia fazer àquela era a vontade do seu marido, era a vontade do rei, e se o rei desejava que fosse daquela forma então assim seria.
A princesa também nada fez ou disse, afinal, aquela era a vontade do rei, e seu dever como filha era obedecer à vontade de seu pai.
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Godrik cavalgou durante pouco mais de dois dias com seus dezessete guerreiros bem treinados, seguiram de Porto Branco a Winterfell, seus cavalos cortavam o vento da mesma forma como uma lamina afiada atravessa um pedaço de carne. Ele estava em uma expedição em Braavos quando recebeu uma carta de seu pai, pedindo que estendesse sua viagem até o Norte para negociar os termos do casamento com os Stark. Não lhe agradava a ideia de que entregaria sua irmã para que a mesma contraísse matrimonio em um continente longe de casa e ainda arrasado pela guerra civil.
Era possível ver algumas vilas em reconstrução pelo caminho até Winterfell, o território nortenho era vasto, mas fora essas pequenas vilas, o Norte tinha poucos habitantes. Godrik viu Winterfell de longe, era um castelo grande e em ampliação, era possível ver os guindastes e as vigas de madeira da estrutura do castelo, o príncipe sabia que a fortaleza havia sido invadida pelos Greyjoy enquanto o rei marchava para o sul em busca da libertação de seu pai e suas irmãs, o rei voltou assim que soube e expulsou os homens de Greyjoy que restavam, mas os mesmos colocaram fogo no que ainda não havia sido destruído.
_Senhor_ chamou Darius, Olhos de Águia, que era chamado assim, pois diziam que havia recebido como benção dos deuses o dom de ver a distancias que ninguém poderia_ Um grupo de soldados sob o estandarte dos do lobo cinza se aproxima.
O filho do Rei de Agallea mandou que os homens parassem e aguardasse a chegada dos homens do norte, o que não tardou a acontecer. Cerca de trinta homens se aproximaram parando a poucos metros, no centro, cavalgando a frente de todos os outros estava um mais jovem que a maioria que os cercava, ele era alto e não devia ter mais que vinte anos, a pele alva, olhos azuis gélidos, cabelo ruivo e cacheado, e uma barba curta e arruivada, ele tinha porte austero, sério, Godrik tinha certeza que Elaena se o visse, o acharia um homem bonito.
_Quem vem?_ a voz era fria com gelo, como um homem a espera de um movimento em falso para retalhar os inimigos.
_Majestade_ Godrik fez uma reverencia com a cabeça_ sou o príncipe Godrik Lyazar, segundo filho do rei de Agallea, venho em nome de meu pai para que negociemos os termos do casamento entre Vossa Graça e minha irmã caçula_ explicou o mais velho_ trouxemos um presente para o senhor, uma amostra da estima de meu pai por ter aceitado sua oferta.
_É bem vindo a Winterfell, Alteza, sigam-nos._ Robb Stark fez seu cavalo dar a volta e cavalgou de volta para o portão do castelo.
Os guerreiros de Agallea seguiram seu príncipe quando o mesmo se colocou a cavalgar seguindo o rei. O vilarejo ao redor de Winterfell parecia tão em reconstrução quanto o próprio castelo, grande parte do muro já estava reconstruído feito com grandes e pesadas pedras cinzentas, o pátio e o resto da fortificação parecia tomado por trabalhadores e material para a reforma do castelo, tudo seguindo em ritmo acelerado, os homens desmontaram os cavalos e entregaram as rédeas nas mãos dos rapazes que tomavam conta dos estábulos. E então caminharam em direção à única torre ocupada enquanto o grande salão passava por sua reforma.
O Rei pediu que um servo chamasse por meistre Luwin e sua mãe, o príncipe observava tudo com olhos atentos, à torre que os Stark ocupavam era grande e austera como todo o resto do castelo, tinha moveis de madeira escura, e uma grande lareira, a sala que estavam devia servir momentaneamente de gabinete para o rei, Godrik viu quando uma jovem de cabelos e olhos escuros, razoavelmente bonita, mas nada que chamasse atenção de um homem, entrou, ela trazia consigo uma bandeja que deixou sobre a mesa e saiu, mas não sem antes lançar um longo olhar sobre o rei, que pareceu distraído demais com um de seus lordes para notar. O príncipe pode ver aquele não era um olhar de respeito ou admiração, era o olhar de uma amante apaixonada, e poderia jurar que se entre ela e o rei não havia nada, há algum tempo atrás já houvera.
_Darius_ o príncipe chamou discretamente_ descubra mais sobre a moça que saiu, quero que saiba sobre seu passado e presente, sobre sua família e sobre suas ligações_ ordenou ao guerreiro assim que o mesmo se aproximou.
A porta mais uma vez foi aberta, desta vez por uma bonita mulher ruiva, que pelos traços deveria ser a mãe do rei. Lady Catelyn Stark usava um vestido cinza e cola de pele, logo atrás dela vinha um senhor vestido em cinza.
_Como já lhe disse vossa graça vim para tratar dos termos do casamento_ começou o irmão mais velho de Elaena_ meu pai, Rei Rodrik Lyazar de Agallea, lhe dará como dote cinco milhões de dragões de ouro, vinte navios drackar de guerra, dez mil soldados armados e montados, mil homens exilados de Agallea para a Muralha, e é claro, sua filha preferida para ser sua rainha._ ele disse em um folego só, deixando os poucos lordes presentes boquiabertos.
_Senhor, sua irmã tem algum defeito terrível?_ questionou Grande Jon, ainda estupefato.
A pergunta de certa forma enfureceu príncipe Godrik, que se sentiu ofendido em nome de sua irmã.
_Minha irmã, Sor, é a mais bela e virtuosa donzela que alguma vez já foi vista por olhos humanos, dizem os devotos que ela foi abençoada com a beleza divina.
_Lorde Umber não quis ofender_ desculpou-se o rei, ao que o príncipe apenas assentiu.
_Espero também que aja suporte para receber o séquito de minha irmã_ Godrik pigarreou e pegou a lista que lhe havia sido enviada_ ela foi um tanto quanto exagerada ao escolher seu séquito_ comentou._ quatro damas de companhia, sua aia, duas camareiras, uma camareira mor, dez lavadeiras, vinte servos, um sacerdote, cinco cavalariços, oito cozinheiras, um arauto, dois artistas, um mestre carpinteiro, um bardo, três cantores e cinco músicos, quatro costureiras, formando um total de sessenta empregados.
Metade da sala ainda encontrava-se espantada com o numero da criadagem da princesa quando o príncipe continuou.
_Minha irmã chega em dois meses, por conta disso tomei a liberdade de trazer um navio com trabalhadores, carpinteiros e engenheiros para ajudar na reforma, para que seja agilizada de forma a que pelo menos uma parte esteja pronta para a chegada de minha irmã.
_Fica para o jantar, Alteza?_ pela primeira vez a voz de Lady Stark foi ouvida.
_Sinto Milady, mas não poderei, devo retornar o mais rápido possível a minha rota_ ele conclui sinalizando para que seus guerreiros saíssem, porem antes que os seguisse se retesou_ já ia esquecendo me, Gaius, traga a caixa por favor_ um guerreiro alto com um comprido cabelo loiro trouxe uma caixa de marfim entalhada com detalhes em ouro_ um presente de meu pai._ o príncipe reverenciou o rei e sua mãe e saiu pela porta juntamente de seus homens.
Dentro da caixa encontravam-se duas coroas, a maior tinha o mesmo formato da tradicional coroa do rei do Norte, porém era feita da mais pura platina e brilhava pelo polimento, a segunda era menor e delicada, em um formato singular, erguia-se como uma aureola de ouro branco e diamantes que se assemelhavam a pedaços de gelo, digna de uma Rainha do Norte. O rei apenas esperava que sua nova rainha não fosse tão decepcionante quanto a anterior.
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Em seus quinze anos, Elaena ainda era do tipo de donzela que desejava um cavaleiro em armadura brilhante, que moveria exércitos para salva-la se necessário, um homem bonito, com queixo forte, sorriso brilhante e olhos tão belos quanto pedras preciosas, ela queria um marido que fosse como os heróis e príncipes das historias que sua mãe lhe contava quando era pequena, e que hoje lia em seus livros de romance.
Ela queria ser rainha, e só os deuses sabes o quanto ela desejava realizar a vontade de seus pais, porém ainda era uma garota com medo do que a esperava em outro reino, e com medo de ficar longe dos pais.
_O que a perturba irmãzinha?_ questionou Caesar, se aproximando da mais nova.
_Como será que é meu futuro marido?_ ela perguntou, parando e encarando o irmão em seus olhos verdes cinzentos.
_Devo confessar que não tenho a menor ideia, meu amor._ ele respondeu olhando para Elaena com afeto.
_Acho que nunca serei capaz de amar este marido como eu o amo, Caesar_ ela disse com a voz fraca, o que anunciava sua tristeza perante seu destino incerto.
_Creio minha querida, que o rei não esteja lhe pedindo para que ame seu futuro marido, apenas para que se case com ele._ comentou o mais velho.
_Então, o amor e o casamento são incompatíveis._ ela afirmou abaixando o rosto para ocultar do irmão os olhos marejados.
_Não. Mas me disseram que um não implica no outro_ Caesar ergueu com delicadeza o rosto da irmã.
_E isso não é triste, irmão?_ uma lagrima rolou pelo rosto alvo de Elaena, e foi contida pelo dedo de Caesar.
_A maior parte das coisas na vida se mostra tristes, irmãzinha._ ele comentou com um sorriso triste_ Mais uma vez, me foi dito.
_E se meu marido se mostrar rude? Ou grosseiro?_ ela questionou temerosa.
_Então vou arrancar o coração dele com uma faca de jantar, e oferece-lo a você em uma bandeja de prata._ ele sentenciou com raiva, fazendo um sorriso cruel aparecer no rosto bonito, enquanto via um sorriso aliviado aparecer no rosto da irmã._ Agora, cara irmã, permita-me que a acompanhe até seus aposentos.
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