The Queen
13 Sozinha
Notas iniciais
Quando eu disse que pegaríamos a chave para a Zona Zero, não significava que entraríamos lá, sabe?
Mas mesmo assim, todos ficaram tensos.
Temari esfregava o braço preocupadamente.
_Não é tão fácil assim, sabe? — Ela falou baixinho.
_Você nos quer levar para a morte. — Explodiu Neji.
Fiz uma careta.
_Não exatamente, Neji. Eu quero trazer alguns. — Expliquei melhor e Tenten puxou os cabelos.
_O quê?!? — Exclamou. — Como faremos isso, quer explicar? E por que nós confiaríamos em você? Você entregou Gaara!
Todos me encararam. Não, eu não vou falar que fui estuprada por aquele canalha. Eles querem o quê? Naquele tempo eu não sabia de nada, e eu ainda estava grávida. Grávidas são estéricas.
Dei de ombros.
_Desespero. — Falei calmamente e ela bufou.
_Você tá curtindo com minha cara, né?
_Percebeu rápido. — Respondi.
_Parou — interrompeu Shikamaru, me olhando feio. -Você não tinha me dito que tinha os traído Sakura.
Apertei meus olhos.
_E era pra ter dito? Você me mataria. — Afirmei convicta, e ela não negou.
_Mas você devia ter dito. — Ele afirmou novamente. Ou seja, se eu tivesse falado, há uma enorme probabilidade de que eu estaria morta agora. Ou ele.
Não entendo essas coisas.
_Além do mais, — ele continuou — nossa obrigação é protege-la, então obviamente não poderia matá-la.
_Sei...
Ele deu os ombros.
_Não posso obriga-la a confiar em mim. Mas sem nós, você esta sozinha.
Ele me encarou.
Pus-me a levantar.
_Não é tão difícil o quanto parece, sabe? Viver sozinha, sem confiar em alguém. — Todos me encararam.
_Então isso é um "tchau"? — Perguntou Rock Lee.
Ele não mudara nada.
_E até nunca mais. — Completei.
_Não pode nos deixar! — Brigou Kiba.
_Ah, posso sim. — Afirmei, sorrindo ironicamente.
Rock Lee vinha na minha direção, talvez para me segurar, mas Neji o impediu, colocando o braço na frente.
Soltei um leve sorriso.
_Isso nunca daria certo. — Murmurei, andando com passos pesados.
Depois de um longo tempo, eu já não os enxergava. Já tinha adentrado uma floresta densa e a lua já estava no ápice.
Posso dizer que não é muito fácil encarar o mundo como eternos inimigos.
Principalmente quando você não tem ninguém. Nem família, amigos, namorado ou até um cachorro.
Bufei, irritada. O que eles queriam? Achavam que me humilhariam e eu não faria nada? Ah, por favor. E aquele esquizofrênico do Gaara... Quero mais que ele morra queimado no inferno.
Ele junto como os Uchihas.
Senti meus joelhos tremerem e eu desabar no chão.
Involuntariamente minhas lágrimas caíram. Ah, droga, beleza. Chorando, sozinha e morrendo de fome. Pode piorar o dia agora?
Infelizmente sim.
Estava longe, mas mesmo assim ouvi uivos longos. Lobos, por sorte.
Ou então, lobisomens.
Argh!
Levantei, meio desengonçada e sai cambaleando pela floresta. Mas, como sou a sorte em pessoa né, escorreguei numa poça de lama e ,praticamente, voei para dentro de um buraco numa planta.
Beleza! Sakura, um lembrete: nunca ache que o dia não pode piorar, porque pode.
Pelo menos poderia dormir ali...
Então senti um penicado nas minhas costas.
_Ai! — Reclamei.
Encarei os galhos. Apertei meu olhos.
Só pode ta de sacanagem comigo.
Qual é a chance de eu ter entrado numa planta venenosa. Olho para o lado e vejo um linda flor branca, cercada de espinhos. Oh, merda!
_Puta que pariu! — Cai no chão, começando a rolar. Minha pele queimava violentamente e coçava. Irritações surgiam por todo o meu corpo. Aquela era a Mala Mujer, uma das plantas mais perigosas do mundo. Argh!
A dor era tão profunda, parecia corroer meus ossos. Senti minha pele rasgar em alguns espinhos e sair sangue. Uma gota.
Um uivo longo e rouco.
Na noite sombria ouvi correrias.
_Droga... -Murmurei, levantando-me e começando a correr.
Segurava fortemente meu braço e sentia meus olhos descerem pesadamente. Fazia quanto tempo que não dormia? Estava esgotada. A pele queimou mais intensamente e não pude evitar o grito.
Auuuuuu!
Estavam mais próximos.
Já ouvia as árvores serem quebradas para dar passagem aos animais. Tentei o máximo me concentrar para criar meus poderes, mas nem uma única fagulha saía. E meu corpo começava a ficar dormente.
Logo não sentia minhas pernas.
Desabei com tudo no chão. Senti mais sangue escorrer do meu corpo. Mordi meu lábio fortemente para conter o grito. Arrastei-me para perto de uma árvore. Um pinheiro, rodeado de lama, muco e folhas.
Começava a chover.
E a relampear.
Logo meu corpo estava todo encharcado, e a lama sugava-me. Os uivos tornavam-se mais altos e alarmantes. Mais patadas.
Então vi algo que realmente me apavorou: uma longa e densa neblina chegava próximo a mim. Uma chuva de raios a seguia, como uma companhia perigosa.
Quando senti a árvore nas minhas costas, comecei a molhar mais rapidamente a lama, deixando a bem homogenia e grossa. Enchi minhas mãos, passando-a nas minhas feridas e queimaduras. A dor era horrível, algo como jogar pimenta em uma ferida aberta e profunda. Tive de me segurar para não gritar.
Logo, já estava soterrada na lama.
Cuidadosamente puxei algumas folhas para cima do meu corpo.
Meu sangue parara de derramar.
Sem cheiro e sem som, eles não me achariam.
Quando ouvi os passos quase a minha frente, fechei os olhos.
Ouvi vozes.
_Eu senti o sangue dela! Ela estava por aqui! — Gritava um, já na forma humana. Ouvia suas pegadas na lama.
_Você sentiu?! — Questionou bruto, outro. — Encontrem-na! E você? Não sentiu nada? Você deveria ser o melhor.
Esse não lhe respondeu. Então ouvi um murro. Este caiu quase ao meu lado.
_Você é tão inútil quanto os outros! Tem sorte de ser protegido pelo Senhor Uchiha!
_Não preciso de alguém para me proteger. — Rosnou em resposta, e no mesmo segundo soube quem era. Respirei fundo.
Naruto.
Antes que acontecesse algo mais, outro ser aproximou-se, e pude sentir o local ficar denso, como uma aura sombria que tomou de conta do lugar, estabelecendo ordem e medo.
_Senhor, ela não está aqui. Nós a perdemos — Informou o cara que brigou com Naruto.
Ele nada respondeu. Mas então ouvi uma respiração pesada e forte, como um engasgo e um grito horrendo de dor.
Senti um corpo cair ao meu lado, inerte.
Naruto engoliu seco.
_Não quero desculpas, eu quero que a encontrem. — Afirmou, autoritário e ríspido. — AGORA! — Gritou em ordem e ouvi trovões em fúria.
Todos correram em diversas direções, mas notei que ele e Naruto permaneceram ali, parados, quase a minha frente.
Eu sabia quem era.
Aquela raiva e aquela voz, rouca e autoritária reconheceria em qualquer lugar. Vagarosamente abri meus olhos. O mínimo possível.
E vi Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto na minha frente, quase pareciam me notar. Sasuke usava um terno negro, e gravata preta. A blusa de dentro era vinho, fazendo um contraste perfeito com seus cabelos negros que caíam molhados no seu rosto e seus olhos vermelhos profundos de ódio.
Naruto estava usando uma coleira com pedras de jade no pescoço, uma calça rasgada preta que deixava sua silhueta a mostra. O corpo másculo e dotado de músculos nu. Os cabelos loiros estavam baixos, em seus olhos que estavam enigmáticos dourados.
_Vamos encontrá-la, Sasuke.
Vi-o fechar a mão em punho.
_Dessa vez, não vacilarei. Eu mesmo irei matá-la. Com minhas próprias mãos.
Quase quis rir. Ele sempre fala isso, certo? Mas algo me fez mudar de opinião. Ele ergueu o rosto, mostrando claramente os olhos. Os olhos que já me fizeram ficar constrangida, agora me deixavam arrepiada na espinha. Olhos azuis como o relâmpago, porém uma fagulha vermelha no fundo. Como uma cidade inteira caindo nas ruínas do fogo, numa eterna tempestade de relâmpagos.
Deus, ele realmente vai me matar.
Senti um frio na barriga, meus olhos enxerem de lágrimas. A garganta fechar e meu coração apertar. Sim, ele vai me matar.
Apertei meus olhos, mas voltei a encarar a cena.
_Sasuke... — Murmurou Naruto, meio atordoado e meio triste, enquanto Sasuke Dava-lhe as costas, desfazendo-se em corvos.
Eu estou com medo.
Eu estou com muito medo do Sasuke. Quase solucei de medo. Senti meu corpo tremer de frio pela primeira vez, enquanto Naruto permanecia parado na minha frente em pé, encarando o local onde Sasuke sumira.
Rapidamente ele virou-se com os olhos dourados mais profundos que nunca vira. Um olhar de dor e raiva. Um olhar que encarou o meu diretamente. Senti aí, que ele sempre soube onde eu estava escondida.
Arfei de medo.
_Foi bom você tê-lo visto, Sakura. Não disse que você estava aqui, porque ele realmente iria te matar. Asseguro-lhe sobre isso. E, infelizmente, você é a única que conseguira parar essa maldita guerra. — Ele abaixou-se e segurou o meu pescoço, fazendo a minha cabeça bater no tronco da árvore. — Mas, da próxima vez que nos encontramos, não será tão fácil. E, acredite quando eu digo que Sasuke irá te matar, porque ele vai.
Então me examinou. Lentamente abandonou meu pescoço e tornou-se uma raposa vermelha, correndo velozmente para algum lugar, deixando-me só.
Senti a chuva cair com mais força, sentia sua força na minha pele. Minha mente trabalhando a mil, quase como se fosse minha culpa.
Eu preciso fugir. Eu necessito fugir daqui, de tudo! Senti as lágrimas aumentarem e o meu corpo responder ao frio, trêmulo. Comecei a arrastar-me no chão, com a força dos meus braços. O meu corpo queimando fortemente.
Não tenho ninguém.
Sakura, por favor seja forte.
Tive aquela necessidade de gritar de raiva, explodir em ódio. Por que sou a culpada? Eles me quebraram antes de tudo! Por que eu? Eu não pedi! Eu nunca quis nada disso! Eu nada pedi! Eu só queria ficar em casa, então por que?
Apertei minha mão fortemente, arrastando-me com mais força. O local já começava a alagar com a água forte. Senti meus joelhos responderem lentamente, já recuperando-se da dormência. Minhas queimaduras e minha pele acostumarem-se com a dor.
Logo já conseguia mexer minhas pernas. Pus-me em pé, cambaleante no início e logo peguei o fogo da corrida, sentindo o vento cortar-me como uma lâmina. Uma raiva desesperadora tomar posse do meu corpo transformando-me em quase um animal movido a instintos.
Então desabei em um lago limpo, com possível água cristalina. Esfreguei minhas feridas, meu corpo, minha roupa rasgada. Meus cabelos bagunçados e quebradiços. Notei somente agora que ainda vestia as roupas do dia com Sasuke. Somente um espartilho, e uma fina calcinha que já dava sinais do seu fim.
Deus, como fiquei assim?
Tirei as roupas no lago, ficando assim nua. Não adiantaria de nada vesti-las pois pareceria uma prostituta. O frio pego meu corpo. Percebi que estava limpa.
Queria sumir. Deixar este fardo para outra pessoa. Relembrei de toda a minha vida. Era tudo tão comum. Tão normal.
Relaxe, deixe a calma lhe invadir. A dor.
Era quase uma ordem. E eu segui.
Deixei meu corpo. Uma paz, uma calma.
Aquela sensação de enfim sozinha tomou posse de mim.
As lágrimas caíam. A dor em mim tomava conta. Tudo veio em uma fúria sem igual.
Então senti o meu poder.
Enfim fluir para fora.
Com o meu comando.
Memórias agradáveis invadiam minha mente.
Os beijos, os abraços, as conversas, as lutas, os desafios, o sangue, o horror...
Abri os olhos rapidamente enquanto a imagem dele congelava na minha mente.
Foi como uma explosão.
A água empurrou-me para fora, rodando o meu corpo. Parecia tornar-se um escudo de cristal ao meu redor. O fogo subir e descer sobre ela. As gotas da chuva pararem todas no ar, congeladas no tempo. O ar parou de mover-se.
Siga seus instintos. Deixe o seu corpo viver.
A terra desprendia-se do chão, flutuando no ar, envolvendo o meu corpo.
Respirei profundamente, calma e terna.
Um controle absoluto que nunca havia sentido, que gerava uma paz interior que eu nunca tinha sentido.
Respirei fundo novamente. Vi meus cabelos mudarem de cor, o rosa tornava-se mais escuro, porém vivo. Um vermelho vivo e longo. Meu corpo ser tomado por uma armadura de cristal, porém resistente como diamante e mais escuro. Uma lança brilhante da cor do oceano pela manhã estava na minha mão, longa e perigosa, cintilante.
A água lentamente deixava-me no chão, com calma e segurança. Animais formavam-se ao meu redor, com um instinto de proteção. Atacariam qualquer um que viesse me atacar.
Eu não estava sozinha.
Eu tenho tudo comigo.
Em mim.
Caminhei lentamente, colocando minha lança nas minhas costas.
Eu sentia que essa armadura era diferente. Essa mudança era totalmente diferente. Parecia ser minha única forma.
Esse é o seu poder materializado no seu corpo. A voz falou novamente. E quem é você pra saber de tudo isso, perguntei na minha mente. Será a rainha? Ora, se é realmente ela por que não falara comigo antes?
Não sou a rainha. Sou uma amiga, não sua. Sou uma amiga do equilíbrio. Nós já nos encontramos antes. Você sabe quem sou.
Sei é? Então por que não se manifestou antes?
Só apareço quando estão sozinhos, quando estão prestes a entregar-se ao fim, no último momento de suas vidas.
Sorri.
_A quanto tempo, Morte.
Sei onde esta a chave.
Diga então.
Está no Inferno.
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