The Queen
1 Sonhos Imortais
Notas iniciais
Haruno Sakura
Era como se eu caísse de um prédio, sem nada para me deter, nada para salvar. Nada a perder. Mas este estava invisível e eu só enxergava a imensidão do céu. Estrelas caíam ao meu lado, tocavam-me sem que eu sentisse algo. Mas, talvez, não sinto porque eu já estou morta. Será?
Dizem que quando morremos, não percebemos. Estamos condenados a uma vida invisível. Então senti o meu corpo bater em algo plano, que se desfez em vários pedaços. Virei-me, tentando olhar em que bati.
Um espelho. Que refletia a imagem de Sasuke. Todos os pedaços mostrando memórias que eu tenho com ele. Desde o início, quando o vi matando outro vampiro, até o fim, quando ele desapareceu em frente aos meus olhos.
Os restos subiam enquanto eu descia. Cada vez mais rápido. Fechei os olhos.
A morte poderia ser menos dolorosa, mas talvez ela não fosse realmente a solução. Talvez, ela não seja a solução.
Senti o meu corpo bater em algo plano, novamente. Outro espelho, que refletia Gaara. Que, assim como o primeiro, se desfez em milhões de pedaços, revelando-me memórias que tenho com ele.
O nosso encontro, até o fim, que ele revelara que também me usara. O quanto eu teria sido ingênua? Por que fui a única a se destruir?
De repente, meu corpo parou, como se boiasse num mar.
Algo me impedia de continuar a descer, algo tentava me trazer de volta.
Uma rápida memória. Quase não a percebi.
Um choro, talvez? Uma criança? Suspirei. Sim, uma criança.
_O meu filho... — Sussurrei.
_Você deveria estar com ele. — Falou uma voz dominante, irreconhecível. Tentei levantar, mas meu corpo não respondia.
_Quem é? — Pergunto, ressentida.
_Levante-se, querida. – Ordenou. Era fina, delicada. Uma voz feminina.
E como se fosse um servo, o meu corpo ergueu-se e assim pude olhá-la. Era linda, com longos cabelos negros e olhos igualmente negros.
_Quem és?
Ela sorriu. O sorriso brilhava como um diamante.
_Talvez eu seja a responsável por tudo o que te aconteceu. — Ela olhou ao redor. — Sabe onde estamos? — Neguei — Devia saber. Aqui é o Sonho Imortal, minha querida. O seu sonho. Estás sonhando, minha querida.
_Sonho Imortal...?
_Vampiros, fadas, lobisomens não sonham. Mas você não é nada disso, é? — Ela sorriu. — Afinal, o que é você, minha jovem?
Arregalei os olhos.
_O que... Sou?
Ela sorriu novamente.
_Não sabes nem o que és, imagina sobre mim... — Murmurou, parecia levemente irritada. Então seus olhos encontraram os meus. Sérios e autoritários. Então mudou de assunto — Não quer que seu filho morra, quer?
Meu corpo ficou rígido, minhas mãos fecharam em punho. Ergui minha cabeça.
_Não. — Respondi.
_Então precisa acordar. — Ela falou, rindo — E me procurar. Não deve morrer sonhando, minha jovem. Você realizará vários efeitos...
Meu corpo começava a subir lentamente, enquanto que a mulher ficava parada abaixo de mim. Ela retornou a sorrir.
_Sabe o que viu naqueles espelhos?
_As pessoas que devo matar. – Falei séria, sentindo um frio nas minhas entranhas.
_Não... São as pessoas que você deve amar...
Sorri irônica.
_Amar? Nunca.
_Você não nasceu do ódio. Você nasceu do amor. Você acha que eles te destruíram, mas você os destruiu. Quando mostrou a eles que não eram tudo aquilo que pensavam ser. Precisa trazê-los para o seu lado, minha querida.
_Como irei fazer isso? – Perguntei confusa.
_Como você os fez apaixonarem por você...
Senti aquela ilusão falhar.
_Espera! Quem é você? — Gritei.
Ela sorriu mais claramente. Um sorriso grande e amável.
_Ora, eu sou a Rainha.
Pisquei. E então novamente e rápido. Senti-me quente, como se envolta por chamas. Voltando totalmente a minha lucidez notei que o quarto em que eu estava pegava fogo. Um fogo azul profundo. Lindo.
Além de mim, uma única pessoa estava lá.
E eu o já vira antes.
_Kakashi... — Sussurrei, quase não reconhecendo minha própria voz.
Estava sentado em uma poltrona, lia um livro despreocupadamente. Como se o quarto não estivesse em chamas.
_Ora, você acordou. — Ele levantou-se fazendo uma reverência.
Arfei, fechando os olhos bruscamente. Quando os abro, todo o fogo se fora.
Contemplei minhas mãos, buscando queimaduras, mas elas estavam limpas e ilesas.
_Onde estou?
_Estamos no Santuário, um lugar especial situado no Japão. – Informou. Ele aparentava mais idade. Esfregou os cabelos num gesto cansado. — Que bom que acordou Sakura. Muitas coisas mudaram depois que dormiu.
_Quanto tempo eu dormi?
Ele soltou um sorriso fraco.
_Você dormiu durante sete anos, querida. – Falou com serenidade, assustando-me — E aqui é a morada de velhas amigas, que deveria conhecer.
_Quem?
Ele me olhou, sorridente.
_Feiticeiras.
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