The Queen

1 Sonhos Imortais


Notas iniciais
Em especial para Uchiha Shikichika, que me deu a última recomendação ^^ - capítulo editado. Correção de erros gramaticais.

Haruno Sakura

Era como se eu caísse de um prédio, sem nada para me deter, nada para salvar. Nada a perder. Mas este estava invisível e eu só enxergava a imensidão do céu. Estrelas caíam ao meu lado, tocavam-me sem que eu sentisse algo. Mas, talvez, não sinto porque eu já estou morta. Será?

Dizem que quando morremos, não percebemos. Estamos condenados a uma vida invisível. Então senti o meu corpo bater em algo plano, que se desfez em vários pedaços. Virei-me, tentando olhar em que bati.

Um espelho. Que refletia a imagem de Sasuke. Todos os pedaços mostrando memórias que eu tenho com ele. Desde o início, quando o vi matando outro vampiro, até o fim, quando ele desapareceu em frente aos meus olhos.

Os restos subiam enquanto eu descia. Cada vez mais rápido. Fechei os olhos.

A morte poderia ser menos dolorosa, mas talvez ela não fosse realmente a solução. Talvez, ela não seja a solução.

Senti o meu corpo bater em algo plano, novamente. Outro espelho, que refletia Gaara. Que, assim como o primeiro, se desfez em milhões de pedaços, revelando-me memórias que tenho com ele.

O nosso encontro, até o fim, que ele revelara que também me usara. O quanto eu teria sido ingênua? Por que fui a única a se destruir?

De repente, meu corpo parou, como se boiasse num mar.

Algo me impedia de continuar a descer, algo tentava me trazer de volta.

Uma rápida memória. Quase não a percebi.

Um choro, talvez? Uma criança? Suspirei. Sim, uma criança.

_O meu filho... — Sussurrei.

_Você deveria estar com ele. — Falou uma voz dominante, irreconhecível. Tentei levantar, mas meu corpo não respondia.

_Quem é? — Pergunto, ressentida.

_Levante-se, querida. – Ordenou. Era fina, delicada. Uma voz feminina.

E como se fosse um servo, o meu corpo ergueu-se e assim pude olhá-la. Era linda, com longos cabelos negros e olhos igualmente negros.

_Quem és?

Ela sorriu. O sorriso brilhava como um diamante.

_Talvez eu seja a responsável por tudo o que te aconteceu. — Ela olhou ao redor. — Sabe onde estamos? — Neguei — Devia saber. Aqui é o Sonho Imortal, minha querida. O seu sonho. Estás sonhando, minha querida.

_Sonho Imortal...?

_Vampiros, fadas, lobisomens não sonham. Mas você não é nada disso, é? — Ela sorriu. — Afinal, o que é você, minha jovem?

Arregalei os olhos.

_O que... Sou?

Ela sorriu novamente.

_Não sabes nem o que és, imagina sobre mim... — Murmurou, parecia levemente irritada. Então seus olhos encontraram os meus. Sérios e autoritários. Então mudou de assunto — Não quer que seu filho morra, quer?

Meu corpo ficou rígido, minhas mãos fecharam em punho. Ergui minha cabeça.

_Não. — Respondi.

_Então precisa acordar. — Ela falou, rindo — E me procurar. Não deve morrer sonhando, minha jovem. Você realizará vários efeitos...

Meu corpo começava a subir lentamente, enquanto que a mulher ficava parada abaixo de mim. Ela retornou a sorrir.

_Sabe o que viu naqueles espelhos?

_As pessoas que devo matar. – Falei séria, sentindo um frio nas minhas entranhas.

_Não... São as pessoas que você deve amar...

Sorri irônica.

_Amar? Nunca.

_Você não nasceu do ódio. Você nasceu do amor. Você acha que eles te destruíram, mas você os destruiu. Quando mostrou a eles que não eram tudo aquilo que pensavam ser. Precisa trazê-los para o seu lado, minha querida.

_Como irei fazer isso? – Perguntei confusa.

_Como você os fez apaixonarem por você...

Senti aquela ilusão falhar.

_Espera! Quem é você? — Gritei.

Ela sorriu mais claramente. Um sorriso grande e amável.

_Ora, eu sou a Rainha.

Pisquei. E então novamente e rápido. Senti-me quente, como se envolta por chamas. Voltando totalmente a minha lucidez notei que o quarto em que eu estava pegava fogo. Um fogo azul profundo. Lindo.

Além de mim, uma única pessoa estava lá.

E eu o já vira antes.

_Kakashi... — Sussurrei, quase não reconhecendo minha própria voz.

Estava sentado em uma poltrona, lia um livro despreocupadamente. Como se o quarto não estivesse em chamas.

_Ora, você acordou. — Ele levantou-se fazendo uma reverência.

Arfei, fechando os olhos bruscamente. Quando os abro, todo o fogo se fora.

Contemplei minhas mãos, buscando queimaduras, mas elas estavam limpas e ilesas.

_Onde estou?

_Estamos no Santuário, um lugar especial situado no Japão. – Informou. Ele aparentava mais idade. Esfregou os cabelos num gesto cansado. — Que bom que acordou Sakura. Muitas coisas mudaram depois que dormiu.

_Quanto tempo eu dormi?

Ele soltou um sorriso fraco.

_Você dormiu durante sete anos, querida. – Falou com serenidade, assustando-me — E aqui é a morada de velhas amigas, que deveria conhecer.

_Quem?

Ele me olhou, sorridente.

_Feiticeiras.

Notas finais
Editado.