The Queen
2 Cruel
Notas iniciais
Uchiha Sasuke
Impaciência, tédio, raiva.
Suspirei cansado.
Nem sexo me agradava.
_Saia de cima de mim! — Empurrei a ruiva de longos cabelos. Ela caiu meio chocada, meio desejosa. Ela pareceu querer mais.
Elas sempre querem mais. E isso me irritava.
_Ah! M-mas Sasuke-kun, seu pai me mandou... – Falou minimamente, com voz melosa e entorpecida.
Que desprezível. A vontade que tenho é de arrancar-lhe a cabeça! Ali mesmo, sem nenhum pudor. Arrancar-lhe a carne do corpo, ver o sangue sobrepor o músculo.
Mas sentia minha paciência ser testada. “Seu pai me mandou”, meu pai, hm? É irônico que o meu pai esteja no corpo do meu filho. Quase aparentava uma brincadeira divina, do tipo que Deus faria com seus traidores.
Levantei-me com má vontade, buscando um roupão. Então calmamente andei até a porta abrindo-a e apontando para fora. Encarando a ruiva falei ríspido.
_Caia fora antes que eu mesmo a mate.
Ela encolheu-se temerosa, com os lábios trêmulos e o olhar baixo. Correu pelo quarto e passou por debaixo dos meus braços. Observei ela diminuir os passos para uma caminhada rápida e trombar em um homem e cair.
Um homem... Nasceu há sete anos e já aparentava ter a mesma idade que eu. Mas seu conhecimento era maior do que qualquer um.
Ele sorriu para a garota caída no chão.
_Aonde vai querida? — Perguntou, divertido. Olhava-a de modo superior, como um rei olha para um servo.
Envergonhada começou a gaguejar.
_E-ele não m-me quis...
Disse por fim, evitando contato visual com aquele homem em sinal de submissão.
Ele suspirou visivelmente decepcionado.
_Então você não é útil. — Com estas palavras, ele degolou-lhe. O corpo caiu imóvel, derramando sangue pelo corredor. Admirou o rosto da garota entre suas mãos, então o derrubou sem emoção. Encarando-me com olhos lilases, disse áspero — Você realmente não quer me obedecer...
Eu sorri.
_Isso não é jeito de se falar com o pai, Draco. – Falei com clara ironia.
Drácula riu sarcástico. Em um piscar erguia-me pelo pescoço, sufocando-me.
_Não é por você ser o meu filho com aquela mulher que você não deve me temer. — Ele semicerrou os olhos. — Quando parar de ser útil a mim, irei pessoalmente te matar. — Então me soltou do aperto. Passei a mão pelo pescoço num gesto instintivo. Ele me examinou, percebendo que estava tudo em ordem, terminou — Até lá você deve me obedecer, entendido?
Fechei os olhos, em consentimento.
_Sim, pai.
_Ótimo, — ele abanou as mãos num gesto indiferente — agora pode matar todas aquelas mulheres que estão na frente do castelo. – falou rapidamente. Sobressaltei-me levemente quase imperceptível.
_ Elas só querem...
_... Os filhos dela? — Terminou, sorrindo e interessado. – Depois que tomei este corpo, me sinto jovem e vivo. Claro, talvez porque antes não estava. Mas é uma sensação nova. – Seus olhos escureceram misteriosos. — Eu realmente gostaria de ter conhecido a mãe deste corpo, ela parece ser interessante.
_Mas ela é minha. – Sibilei, irritado.
Ele deu um suspiro, entretido.
_Você tomou o meu brinquedo, nada mais natural do que eu tomar o seu, não? — Ele sorriu — Deve ser interessante esse incesto, já que estou no corpo do filho dela...
_Você não irá tocá-la. – Disse determinado, fechando minha expressão.
_Talvez não, já que esta está morta — Ele me encarou, instigando-me. — não é?
Não poderia responder que não sabia. Ele reviraria a Terra a procura desta. E se ele a encontrasse, nem mesmo eu sei o que ele faria. Então confirmei com a cabeça.
_Ótimo. — Murmurou, dando-me as costas e caminhando, parando em frente ao corpo da garota. — E desfaça-se deste lixo... — Falou virando com o pé o corpo da garota morta.
Lixo. Era assim que ele chamava os humanos. Tinha vontade de dizer que é por causa desse lixo que estávamos “vivos”. Claro, que para ele, não faria diferença, já que ele se alimenta de tudo que se movia: humanos, lobisomens, fadas, vampiros. Tudo, exceto feiticeiras. Por isso nos mandara exterminar com todas que existiam no mundo durante esses anos.
Milhares foram mortas.
Só restara um local em que elas permaneciam: o Santuário. Um lugar que possuía a magia mais forte de todo o universo, decorrente de suas habitantes. Só humanos entrava, além dos Caçadores.
Descendo as escadas da mansão, parando diante a uma janela vendo centenas de mães berrarem por seus filhos que queriam de volta. Drácula nos ordenara para trazer todas as crianças de Las Vegas. Tinha dito que era a melhor refeição, pois estas eram totalmente puras de sangue e de alma.
Logo, as mães não sabiam que todos os seus filhos já estavam mortos. E nós a mataríamos em breve, vagarosamente. As mais belas, ele as queria vivas para tornar-las bolsas de sangue e escravas sexuais.
Toda aquela cidade já tinha sido dominada. Não demorou muito para outras também serem tomadas por criaturas do Submundo. Logo, as potências mundiais serão dominadas por vampiros. Poderíamos sair durante o dia, como qualquer um. Sem a presença das feiticeiras, com as fadas e lobisomens sendo controlados, e caçadores sendo extintos, éramos temidos naquele planeta.
Nada iria detê-lo.
_Sasuke, — Murmurou uma voz conhecida. O loiro de cabelos repicados parou ao meu lado, estarrecido diante a vista — irá começar.
_Eu sei...
O massacre. Milhares de mulheres trucidadas em segundos. Sendo estupradas, esquartejadas, dilaceradas. Mortas sem piedade, sem vergonha, sem pena. Parecia agradá-los vê-las sofrer.
Elas gritavam desesperadas. Tentavam em vão se defender, fugir. Imploravam por suas vidas.
Logo não se via mais a areia que rodeava a mansão. Fora coberta por sangue e corpos.
As que sobreviviam, tentavam inutilmente se matar pelos abusos que sofreram ou pelo terror que presenciaram. Repulsivo, esta era a palavra certa para aquilo. Pela primeira vez na minha vida, senti vergonha do que sou.
_Temos que fazer algo a respeito, Sasuke. — Murmurou Naruto, enraivecido. — Ele matara todos por diversão! Só restam as feiticeiras contra ele, que brevemente irão se liquidadas!
O encarei, descrente.
_Não tem como ele invadir o Santuário. É o equilíbrio da Natureza para o mundo. Para nós. É o limite estabelecido.
Ele sorriu desanimado.
_E você acha que Drácula aceita limites? — Perguntou.
Não respondi. A resposta era óbvia. Ele não via vantagem em viver num mundo do qual não era dono. Não ainda.
_O que acha que deveríamos fazer? — Perguntei sarcástico. — Ele é o nosso mestre, o meu pai... – Falei, sentindo acidez na minha boca.
_Ele matou o seu filho, Sasuke! — Ele gritou raivoso. Não respondi nada, não tinha nada a falar. Só ergui a cabeça, convencido com orgulho ferido, fazendo o loiro ficar mais furioso ainda. — Se Sakura estivesse aqui, ela não cruzaria os braços! Ela tentaria fazer algo. Teria vergonha de você.
O encarei de canto.
_De mim? Por quê?
_Porque você está sendo um covarde! — Falou ríspido. Saiu pesando duro. Fiquei observando-o se afastar, então ele pára. — Ah, você sabe quem é a comida favorita do Draco?
Mesmo sem notar minha resposta negativa, ele continuou.
_É sua esposa, Hinata. — Ele me olhou com ódio. Surpreendi-me com a resposta — É melhor você salvá-la, se não eu mesmo te matarei, Uchiha. E mandarei o seu pai para o inferno, de onde ele nunca devia ter saído.
Fiquei atônito, piscando. Então entendi a mensagem e confirmei, deixando Naruto voltar ao seu rumo. Voltei à janela, aquela visão monstruosa. Coisas deformadas e negras como o asfalto movimentavam-se por lá, absorvendo os corpos, o sangue derramado. Coisas que Drácula comandava, criaturas de outro mundo. Comiam tudo o que viam como se fossem células que realizam fagocitose.
Virei, voltando a descer as escadas. Na sala de estar, Draco sentava-se numa poltrona, com as pernas cruzadas, apoiando a cabeça na mão, enquanto Hinata sentava-se no braço da cadeira, apática. Usava somente um lingerie rosa bebê, com meias 3/8. Havia marcas de mordidas por todo o seu corpo e estava visivelmente fraca.
__... Então o que faremos?- Tinha chegado ao fim de uma conversa, da qual eu não tinha sido convidado a participar. A Akatsuki estava presente e era Deidara que perguntava.
Draco permanecia de olhos fechados, começou a abrir-los lentamente.
_Colocaremos uma recompensa. – respondeu, acariciando as pernas da Hyuuga.
Todos ficaram confusos. Então rapidamente me informaram o conteúdo da reunião. Era um plano para invadir o Santuário colocando um preço na traição dos humanos perante as feiticeiras.
_Nenhum ser humano que nos conheça trairia as feiticeiras. – Argumentei. — São as únicas chances de sobrevivência deles.
_E o que seria? — Perguntou Itachi, curioso.
Draco sorriu.
_A vida deles... – Falou superior. — A partir de amanha, começaremos a habitar aquela cidade, por bem ou por mau. — Todos ficaram abismados, mas eu já imaginava. Em seguida tomou sua forma original. Diferente de todos, sua forma original não havia nada de macabro. Seus cabelos tornavam-se brancos e os olhos vermelhos sangue. Ele pegou a espada que tinha ao seu lado, passando a lâmina em Hinata, fazendo-a sangrar levemente. Ela emitiu um leve chiado. Ele sorriu, passando o dedo na lâmina retirando o sangue, dirigindo-o a boca. — Las Vegas será a sede do meu mundo. Hoje mandaremos avisos. O humano que entregar as feiticeiras será poupado. Mataremos todos, e os que resistirem transformaremos em vampiros. E quando terminarmos... – ele sorriu perigosamente — Bom, teremos que fazer isso novamente em outra cidade. Não deixaremos que ninguém sobreviva, somente as mulheres belas... Bom, podem ir.
Eles pensaram durante alguns segundos, mas então desapareceram. Somente eu fiquei ali, encarando Draco que ainda torturava Hinata.
_O que faz com ela? — Perguntei.
_Ino não mais me interessa, já que você a usou... — Murmurou, mordendo o pescoço de Hinata. Ela gemeu baixinho, enquanto ele apertava suas coxas. — E essa também é linda. É uma pena que você nunca a provou, não é?
Ele me encarou. Nada respondi. Gaara apareceu.
_Pai, as mulheres já foram escolhidas. Irá vê-las? — Perguntou, curvando-se para Draco, que abanou a mão casualmente para que Gaara tirasse essa formalidade.
_Depois... — Falou, dirigindo-se a Hinata que tremia. — primeiro, quero acabar com essa...
_Você não pode matá-la. — Falei alto. Gaara me olhou intrigado enquanto Draco me olhava entretido.
_Por que não? — Perguntou, sorrindo.
Engoli a seco.
_Porque ela é irmã dele... - Respondi. Drácula me encarou, sério. Impassível.
_Achei que já o tinha matado.
_Ele não foi encontrado. Ela é o único meio de alcançá-lo.
_Hm... — Ele examinou Hinata, então a soltou. — Você é uma Hyuuga, não? Achei que todos eles tinham sido transformados.
_Só falta ele. — Respondi.
_Devia matá-lo por sua incompetência.
_Mas não irá, pois ainda sou útil.
_Sim, é verdade. — Falou, relaxando o corpo na poltrona. — E a outra família? Essa que era o problema... — Murmurou.
Sim... A outra família...
_Foram mortos há sete anos... Todos eles...
Drácula examinou o corpo, Gaara me encarava atentamente, como se eu tivesse perto da morte. Talvez estivesse, mas não iria falar a completa verdade.
_Quem era a mãe... Do seu filho, Sasuke? — Falou rouco e interessado.
Suspirei.
_A última sobrevivente daquela família...
Ele sorriu.
_Sim, ela realmente devia ser uma garota interessante...
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