The Queen
3 Quebra
Notas iniciais
Haruno Sakura
Diferente das fadas ou dos vampiros, as feiticeiras pareciam mais... Humanas. Não possuíam uma beleza extraordinária, mas uma beleza possível de existir. Tinha as bonitas, as feias... Cada uma com seu próprio bem.
O lugar que se chamava Santuário é lindo. Encontra-se embaixo de uma espécie de barreira de vidro, que reflete o exterior. Aqui dentro, era como se história de criança tivesse tomado vida: casas pequenas e fofas, estradas de pedra, animais iam e vinham, árvores altas e perfeitas, um lago tão cristalino quanto o Caribe. Paradisíaco.
Crianças corriam em perfeita paz, mulheres lavavam as suas roupas, varriam sua varanda, colhiam frutas. Mulheres feiticeiras.
E elas eram fortes. Muito fortes.
Suas casas de barro eram feitas com a ajuda de seus poderes. A água flutuava por cima de nossas cabeças, água criada por elas. O vento tornava-se mais forte quando nos aproximávamos de algumas. Outras tinham animais de fogo domésticos. Havia homens, mas estes não eram feiticeiros, eram humanos, refugiando-se aqui.
Ao que parece nesses sete anos a situação estaria catastrófica para os humanos. O Submundo surgiu com muito poder e destruição nas grandes metrópoles do mundo, tais como Tókyo, Nova York, Moscou, Xangai, São Paulo, Rio de Janeiro, Los Angeles, Londres e outras. Todas elas já eram dominadas pelos agentes de Drácula.
Drácula, o vampiro que tomara o corpo do meu filho. Kakashi me contava toda a história enquanto apresentava-me a “cidade”. Sasuke não tinha cumprido a promessa. Não o protegera.
Então por que a Rainha disse que eu poderia salvar o meu filho? Será que ela sabia sobre a possessão?
Perdida em meus pensamentos, não notei o que fazia.
_Sakura, controle-se! — Gritou Shizune. Arregalei os olhos, saindo do transe percebendo a rápida mudança de ambiente que eu provocara. O chão ao meu redor estava encharcado e a água batia na canela. – Onde estava com a cabeça?! Quer que sejamos submersos?! — Brigou.
Shizune era a chefe das feiticeiras do Santuário, conseqüentemente a mais forte. Tinha cabelos escuros e curtos na altura do pescoço, olhos igualmente escuros. Através de suas vestes, notavam-se curvas delicadas, mas nada exorbitante. Em contrapartida, sozinha já conseguira matar vinte e seis vampiros no pequeno tempo em que tinha saído para trazer remédios de uma cidade próxima, que por sinal é a única coisa que não se tem aqui. Suspirei.
_Desculpe-me, mas o que realmente fiz? – Perguntei se entender exatamente.
Ela esfregou a testa, impaciente.
_Sabe que não posso responder, querida. Só estou lhe treinando por causa da Rainha.
Não era a primeira vez que ela dizia, é verdade. Por algum motivo, Shizune sabia do meu sonho. Ela tinha me dito que iria me treinar (não que eu saiba exatamente o porquê desse treino...). Até agora só tenho conseguido algumas memórias confusas da Rainha, e em uma delas apareceu duas pessoas: um loiro, que lembrava o Naruto, e uma ruiva de longos cabelos. Eles choravam enquanto seus corpos derretiam, dando forma a algo feroz e assustador.
Quando sai do transe, a cidade por poucos segundos não tinha sido incendiada. Não me falaram como acontecera, e também não perguntei: se não me falaram então não era da minha conta.
Mesmo assim para os habitantes daqui, parecia ser algo comum. Um terremoto grave, um incêndio ou até uma nevada ou furacões. Nada de “sobrenatural” para eles.
_Sakura, concentre-se. — Ordenou a morena. Suspirei, enquanto ela levantava a água, transformando-a em estacas de gelo, arremessando-as contra mim. Pulei de um lado para o outro, evitando as maiores e as menores, cortava com a lateral da minha mão.
Então outra feiticeira veio em minha direção, transformando o chão abaixo dos meus pés em larva. Arqueei, dando uma pirueta, tentando não pisar no líquido viscoso. Tentei fugir, mas a larva me seguia.
_Mas que droga! Achei que fosse só a Shizune! — Reclamei, aos berros, enquanto a outra feiticeira ria despojadamente. Eu estava tão concentrada na larva, que não tinha notado a água sobre minha cabeça que desceu fria e rápida, como se fosse jogada de um balde. — Argh!
_Está morta, Sakura. – Enfatizou Shizuni, decepcionada. — Acha que quando encontrar os vampiros eles lutaram contra você um por um? – Suspirou — Vamos treinar de novo! Tente notar a aproximação, usando a audição.
Preparei minha posição de luta, com um punho fechado a altura do ombro, o outro abaixo do meu dorso. Uma típica posição de lutador de boxe. Pelo que eu saiba, eu possuía somente uma super força, capaz de trucidar qualquer coisa que tocasse com meu punho. Então recomeçou.
Foi assim durante dias. Treinos e mais treinos.
Quando terminamos já era noite. Shizune estava cansada e arfava. Eu nem mesmo suava. Estava morta e mortos não cansam, não suspiram, não arfam. Mas mesmo assim ainda fazia, por força do hábito.
_Preciso falar com Kakashi, sobre a nossa estratégia de fuga — Informou Shizune.- Vá para o quarto e descanse. Hoje, você foi um pouquinho melhor... — Falou rindo em aprovação.
Fala sério. Um pouquinho? Como assim? Eu fui ótima! Desviei de todos os ataques, só um de fogo que não consegui desviar (e quase pego fogo, não que eu tenha sentido dor, mas era horripilante ver aquilo tomar conta do meu corpo e eu não sentir nada), fora isso, fui perfeita. Droga! Nunca sou boa o suficiente!
Bufei.
_Ok... – Murmurei. Já começando a andar em direção a minha cabana, esbarrei num ombro de um cara, que me olha espantado, quase tremendo. Estranhei. O que um humano fazia por aqui a essa hora da noite? No campo de treinamento, o único lugar restrito as feiticeiras?
Ele começou a andar mais apressadamente, como se fugisse de mim ou de outra coisa. Fiquei parada, observando-o com estranheza. Já ia segui-lo quando fui puxada para trás por alguém forte. Ui...
_Deixe-o, — sussurrou em tom de ordem — não fará nada de errado. Além disso, nós somos obrigados a acolhê-los mesmo sendo suspeitos sobre sua lealdade.
Era um rapaz. Alto, com o cabelo amarrado para trás em um rabo de cavalo. Pele bronzeada e aparentava cansaço. Olhos pequenos e castanhos, investigadores e inteligentes. Ele sorriu, de lado, soltando-me e coçando o cabelo perguntou.
_Você é...?
_Sakura, prazer. E você?
_Shikamaru. Igualmente. — Ele olhou ao redor procurando alguém, mas parecia não ter encontrado. — Complicada... – Murmurou meio pra si mesmo — Você conhece uma garota loira, com quatro coques na cabeça? De olhos azuis? Ela tem uma personalidade bem forte e às vezes é metida.
Fiquei encarando o nada, esperando a resposta cair mas não caiu. Ele esfregou os cabelos.
_Ela chama-se Temari. — Arregalei os olhos fazendo-o sorrir. — Posso interpretar isso como um sim?
_O que você quer com ela? – Instiguei com uma raiva camuflada.
Ele sorriu mais amplamente agora.
_Sou o namorado dela... – Falou abertamente como se fosse algo brilhante de se dizer.
Engoli o nó na garganta. Namorado? Ela tinha namorado? Eu achava que aquela louca só vivia atrás de vampirinho e blá e essas coisas...
_Você já viu ela? Sabe onde está? — Perguntou, já começando a ficar nervoso. Esfreguei a mão na minha roupa de treino. A única coisa que consegui dizer foi:
_Eu sinto muito...
Ele parou. Sua pequena felicidade ou alegria ou viadagem, sei-lá-o-quê tinha sumido. Uma áurea meio sombria o envolveu. Talvez receber a notícia que sua namorada estava morta de uma desconhecida não deve ser realmente algo muito confortável.
O clima ficou desagradável e carregado. Então ele suspirou, com a voz embargada emendou, quebrando o silêncio.
_Entendo. Então a pegaram. E Gaara?
Só em mencionar o nome já me causava frio na minha barriga. Desviei o olhar encarando o céu estrelado. Se eu pudesse o mataria de verdade, porque mentalmente já estava cansada.
Suspirei, recuperando minhas forças e ergui a cabeça, o encarando com os olhos semicerrados.
_Também. – Disse simplesmente fazendo-o rir.
_Acho que ele não foi muito gentil com você, certo? – Falou entre risos.
Grunhi, dando-lhe as costas.
_Preciso ir, foi um prazer. – Disse voltando a andando deixando o garoto de cabelos presos sozinho.
Sem rumo e sem sono, porque obviamente mortos não dormem, vaguei pelas pequenas vias de acesso que tinha na cidade. Passei por mercados, floriculturas, águas termais e bares. Não sabia para onde o meu corpo levava minha mente. Talvez necessitasse de silêncio, ficar sozinha. Foi então que ouvi uma conversa (sem querer, claro. Não sou bisbilhoteira! Run!) entre duas vozes conhecidas.
_... Só ela pode ir lá! Ela é a única! — Falou Kakashi, nervoso.
_Ela não sabe nem da metade dos poderes que tem e você já quer que ela fale com Deus?! – Impressionou-se Shizune.
Do que eles estavam falando? Deus? Eu rezo todo dia, mesmo sendo um zumbi e tal... Meio zumbi porque minha pele não caía e eu não saia por ai falando “cérebro...”. Não, eu não como carne crua. A não ser sushi. Enfim, falar com Deus seria nesse sentido até porque não existe outro tipo possível de conversar com ele... Né? Argh!
_Ele é a nossa única chance! — Soltou Kakashi, com a irritação mostrando-se em sua voz. Parecia esgotado. Só nesse momento percebi que ele passara sete anos cuidando de mim, e eu nem mesmo disse um obrigado. Uau, fui uma ingrata! Espera... Vem cá, como ele me trouxe aqui?
_A Guerra não será agora, você sabe... – Murmurou calmamente Shizune, tentando em vão (pelo que parecia) acalmá-lo.
_Eles não podem esperar! Meus irmãos precisam de ajuda, e aquela garota é a única que poderá fazer isso!
Plaf! Um tapa e daqueles que deixa marca.
_Sabe que ela nunca nem viu os pais? Sabe que ela não tem ideia do que é? Do porquê a rainha só aparece pra ela? Ela só é uma criança! Sofreu mais do que muitos nessa história... – Exaltou Shizune.
_E eu, Shizune? Eu não devia sofrer... – Falou tristemente Kakashi.
A voz de Shizune ficou mais terna.
_Você está cumprindo seu propósito, Anjo...
Anjo.
Anjo? Como assim anjo? Tipo aqueles de bumbum rosa que ficam voando ao redor de Deus como mosquitos? Arregalei os olhos, caindo de bunda no chão, fazendo barulho. Ouvi os passos deles, me levantei devagar esfregando meu bumbum e os vi na porta, encarando-me. Um mais azul que o outro.
_Sakura... Desde quando está aqui? — Perguntou Kakashi. Pela primeira vez sem máscara. Ele era incrivelmente perfeito, tão lindo que não conseguiria descrevê-lo. Ele tinha uma grande cicatriz no seu olho direito, da sobrancelha até a bochecha, um corte vertical. Que deixaria qualquer um ridículo, mas sempre tem o filho da puta que foge a regra e Kakashi era esse filho da puta.
Meus olhos voltaram em Shizune, que usava um top pequeno preto, revelando uma tatuagem na sua barriga que nunca vira. Era cheia de detalhes, e palavras desconhecidas.
_O que você é...? – Perguntei à Kakashi. Ele ficou sério e eu, com medo demais para ficar, corri. Corri desesperadamente para longe deles, sentindo minhas lágrimas caírem. O que acontecia aqui? Era sobre mim que falavam?
Então senti meu corpo amolecer, minha visão escureceu então cai no chão atrás de uma casa, tendo um rápido... Sonho?
Estrelas caíam, como se o universo chorasse pela perda. Uma delas caiu na Terra. Uma mulher, já senhora admirava o fenômeno belo e triste.
A visão mudou, revelando algo totalmente diferente.
O casal, o loiro e a ruiva que vira antes, conversava animadamente com outro. Dos quatro reconheci somente uma pessoa: a Rainha. Ela sorria, visivelmente feliz, enquanto o homem ao seu lado continha um sorriso, quase gentil. Tinha longos cabelos negros, e uma expressão dura, mas parecia ser carinhoso com ela.
_Drácula é o amor da minha vida... — Murmurou a morena, a Rainha.
_Own, o amor é lindo... — Brincou a ruiva fazendo um coração no ar.
Em seguida, essa imagem se dissipou tornando-se outra. Agora horripilante.
Estava preso por correntes, machucado demais para fazer algo. O homem de antes, Drácula, segurava uma lâmina na mão, enquanto a mulher gritava em súplica.
_Pare! Você irá matá-lo, Drácula! Pare! Sabe que não pode fazer isso! — Gritava a rainha aos berros.
_Por que você e não eu? Eu devia ter seus poderes! — Brigou. Ela emudeceu, enquanto o ser de cabelos prateados agonizava. Com um susto vi quem era: Kakashi! E ele tinha asas!– Você não é digno... — Murmurou Drácula, com um sorriso macabro no rosto.
_Não faça isso! Não... DRÁCULA! — Gritou a rainha. Um grito cortante saiu da garganta de Kakashi, derramando líquido dourado no chão. Drácula riu mais. As asas tinham sido arrancadas sem dó. Caídas no chão, agora apodreciam.
A imagem derreteu-se, dando origem a outra, mas com os mesmos personagens. O casal, o loiro e a ruiva.
_Devolva-nos o nosso filho! — Gritou a ruiva, sua pele brilhava, os olhos ficando da cor do sangue derramado de antes: dourados.
_Faça Mikoto fazer em mim! Faça! — Gritou Drácula, segurando uma criança de cabelos loiros e olhos azuis. Uma criança assistia de longe, este possuía cabelos negros e olhos ônix. Era lindo e possuía uma inocência tão real, que era tenebroso vê-la ali. — Se não o matarei!
O casal olhou para Mikoto, pedindo em silêncio ajuda. Mikoto era o nome da rainha, percebi rapidamente.
_Não posso... — Ela soluçava — Desculpem, mas não posso. Existem leis que devem ser cumpridas, Drácula. E você está quebrando todas! — Gritou, ela chorava sangue.
Drácula fechou a expressão, frio. Segurou o pescoço da criança com força, fazendo-a chorar. A ruiva gritou.
_Pare! — Ela foi em direção de Drácula, com um punhal, o seu marido foi ao lado com uma katana, mas Drácula usou a criança como escudo. E ela foi acertada.
Um grito vazio saiu da mãe desesperada que caiu ao chão. O loiro olhou Mikoto, bruto e frio.
_Faça-o. — Obrigou a rainha, cortante como navalha.
Ela chorou, pegando a lâmina e cortando o pulso mostrando a Drácula e a criança.
_Beba o meu sangue e se tornara imortal... -Murmurou. Ele sorriu, mas antes que ele a mordesse, ela derramou o sangue na boca da criança morta.
No início ela não respondeu, mas então ela abriu os olhos. Eles eram dourados.
Acordei ensopada de suor, sem saber ao certo o que realmente vira e quanto tempo se passara desde então. Ouvi vozes gritarem meu nome, com luzes apontadas para todas as direções, lanternas. Olhei para cima, o céu já estava escuro, imaginei estar em torno de duas da manhã.
Levantei-me cambaleante. Dei alguns poucos passos sentir uma mão no meu ombro. Olhei para trás vendo o homem de cabelos prata, usando novamente a máscara.
_Até que enfim te encontramos, nos deixou preocupados... — Falou Kakashi, cansado.
Senti meus olhos ficarem úmidos e pulei em cima dele. Ele pareceu espantado pelo meu abraço repentino, mas o devolveu. Podia jurar que sorria por debaixo da máscara.
_Obrigada... Obrigada por tudo, Kakashi! — Choraminguei no seu ombro. Ele afegava afetuosamente os meus cabelos.
_De nada, pequena... — Murmurou.
Separamo-nos sorrindo.
_Você desapareceu por dois dias! O que fazia? — Perguntou curioso.
_Sonhava. – Respondi sincera. Ele parecia mais curioso. Eu lhe contaria se não tivesse acontecido.
Ouve uma explosão. O chão tremeu e por pouco não caíamos. Senti fragmentos caírem sobre mim, então olhamos para cima, e notamos a barreira do Santuário cair e despedaçar-se como vidro. Era lindo e assustador. Então várias criaturas adentraram dentro da cidade. Assustadores e poderosos. Ouviu-se um grito, e mais centenas. De todas as criaturas somente uma delas voava com asas com penas. Apesar destas serem negras como o breu.
Ele tinha longos cabelos brancos.
O corpo de Kakashi enrijeceu.
_Drácula...- Murmurou raivoso.
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