The Queen
4 A forma original
Notas iniciais
Haruno Sakura
Surpresa, voltei meus olhos para Kakashi. Aquele que voava era Drácula?! Meu filho? Tipo, ele voa?! No corpo do meu filho?! E sai destruindo tudo com a cara dele!? Como ele ousa fazer isso?!
_Como eles conseguiram entrar? Como a barreira quebrou? — Começou a perguntar-se Kakashi, e quase como um terror a resposta veio aos meus lábios.
_O humano... Eles mandaram um humano para destruir os símbolos da barreira...
Ele me encarou, analisando-me.
_Você deve ir. — Ordenou. Arregalei os olhos irritados.
_O quê?! Estás louco?!Nunca vou abandoná-las, Kakashi! Não vou fugir!
Ele me puxou pelos ombros, derrubando-me no chão.
_Você não entende?! Eles querem você! — Exclamou. Eu arregalei os olhos sentindo meus lábios secos.
_Por que... Eu? — Perguntei, já sentindo raiva. Então senti uma dor aguda na minha perna. Não sei dizer como, mas eu sabia o porquê daquela dor. Uma feiticeira estava morta. Arfei – Não... — sussurrei, tentando me levantar, mas novamente senti outra pontada. Uma dor tão forte, no peito, que fez me perder o ar, derrubando-me no chão, fazendo-me gritar. Outra feiticeira. Não qualquer. Shizune. — Parem! — Gritei, mas no mesmo instante Kakashi tampou minha boca enquanto as lágrimas caíam dos meus olhos e as dores aumentavam e tomavam de conta de mim.
Notei que uma pessoa tinha aparecido. Olhei para trás, vendo uma cara conhecida. Shikamaru.
Ele estava ferido, o braço direito sangrava e ele não o mexia. Arfava involuntariamente.
_Kakashi...
_Leva-a daqui, Shikamaru. — Ele colocou-me sob os ombros deste, com as minhas mãos atadas por um pedaço de pano que fora rasgado de sua roupa.
_Não Kakashi, não pode — minha fala foi parada por outra onda de dor. Segurei o gemido. Elas morriam, morriam aos montes, junto com uma parte minha. — por favor, deixe-me ajudar... — Falei arfando.
Ele me encarou, como se aquilo fosse uma despedida silenciosa e sorriu silenciosamente por trás da máscara. Então desapareceu.
_Não! — Gritei, erguendo o braço para tentar alcançá-lo nesse gesto inútil. Shikamaru me apertou, e começou a correr. ’
_Vamos indo... — Assoviou, cansado.
_Solte-me! Preciso ajudá-los! Solte-me! — Comecei a me debater até conseguir rasgar as cordas das minhas mãos e empurrei-o com toda a minha força derrubando-nos no chão.
_Não Sakura! — Gritou, mas era tarde. Corria morro abaixo vendo a cidade pegar fogo na destruição. Crianças gritavam e corriam por todos os lados. A desvantagem numérica era visível. No mínimo havia vinte vampiros e fadas e cinco lobisomens para cada feiticeira. Elas lutavam bravamente, mas uma ou outra morriam tentando proteger seus filhos ou outras crianças.
Corri ladeira abaixo, sentindo meus passos ficarem mais ligeiros mesmo sabendo que eu quase não faria nada. Até agora não entendia muita coisa: eu estava morta, mas não conseguia ser uma vampira ou uma fada. Os poderes simplesmente não vinham. Por quê?
Então o vi.
Drácula estava parado em frente à Shizune, examinando-a, virando-a com o pé, como se fosse um pedaço de lixo.
_Não a toque! — Vociferei, fazendo todos os olhos caírem em mim. Ele me olhou, meio interrogativo, com um pouco de diversão. Vi Sasuke do outro lado, afastado da matança. Quando me viu parecia que iria vomitar a qualquer instante. Gaara prendeu a respiração, ficando paralisado.
Era como se eu tivesse apertado um pause na briga e agora, toda a cena estava voltada pra mim. Eu sei, eu divo. Sou fabulosa.
_E quem é você? — Perguntou Drácula, examinando-me da cabeça aos pés. Olhos violetas, cabelo negro. Lindo. Ele estava no corpo do meu filho. Como ele ousa?! Ah desgraçado!
A raiva transbordava do meu corpo, meus punhos sangravam, meus dentes estavam trincados. Drácula surpreendeu-se levemente e rápido demais para ser percebido por outros.
_Eu sou sua mãe, filho da puta! — Gritei, dando um soco no chão com toda a raiva que eu tinha. De primeira não acontecera nada. Então começou um terremoto, as rochas começaram a cair e matar quem estivesse próximo. Em segundos, o ambiente tranqüilo de antes se tornara um caos de fogo, gelo e terra num aglomerado sem ordem.
Os vampiros, lobisomens e fadas tiveram que recuar quando viram larva subir em erupção de todas as rochas, como demônios atraídos por sangue. Como se Santuário estivesse localizado sobre um enorme vulcão. Pedras de fogo eram arremessadas contra as criaturas. Muitas caíam mortas, totalmente esmagadas. As feiticeiras que sobravam me ajudaram, abrindo mais a cratera e aumentando o volume da larva.
Drácula estava longe, mas pude ver um sorriso nos seus lábios.
_Você é a Sakura... a última sangue...
Antes que eu terminasse de ouvir o que ele disse, as feiticeiras haviam feito outra barreira. Esta era de fogo e nos protegeria por um tempo curto.
Eu olhei ao redor, procurando Kakashi, mas não o vi. No lugar dele, vi outra pessoa. O homem de antes, que correra de mim momentos antes de dormir.
_Você! — Apontei acusadoramente para ele. Ele tremeu, correu em direção a barreira, mas o fogo o impedia.
Caminhei pesadamente até ele, puxando-o pela gola da camisa.
_Vo-você não p-pode m-me matar! — Gaguejou o homem medroso, confiante. Sorri.
_Quer apostar? — Eu não sabia como, mas as presas que até agora não sabia que tinha, surgiram na minha boca. Pela primeira vez, eu senti o cheiro de sangue no ar. Um doce metálico.
Puxei o cabelo do homem para trás, expondo o seu pescoço.
Então mordi.
Ouvi feiticeiras gritarem para que eu não fizesse isso, mas já era tarde. O sangue derretia-se ao toque dos meus lábios. Quente e doce como chocolate. Mordi mais fundo. O homem debatia-se freneticamente, mas aos poucos foi perdendo a força, e logo a vida.
Derrubei o corpo morto no chão, sentindo uma eletricidade me percorrer. Suave mais violento, a sensação só poderia ser comparada com um choque: leve demais pra sentir dor, era o suficiente para te despertar.
Como se algo dentro de você dormisse.
Senti meu corpo pegar fogo. Olhei-me vendo chamas alaranjadas me consumindo. A água circulava junto ao fogo assim como o ar, que ficava mais forte. Involuntariamente fui empurrada para cima pela própria terra.
A barreira enfim quebrou, mas ninguém se mexeu.
Eu me transformava. Eu sentia.
Os meus longos cabelos rosa tornaram-se louros e lisos, chegando à cintura. Meus seios tornavam-se fartos, e eu era dotada de curvas que estavam à mostra. Formou-se no meu corpo um vestido feito de cristal. Volumoso nas laterais. Na frente cobria-me uma fina película de vidro, como uma seda da cor azul. Minha pele estava mais rosada e fogo nascia das minhas mãos. O ar condensava-se, transformando-se em água e então se tornaram estacas de gelo pontiagudas.
Todos me olhavam. Encaravam-me admirados. Drácula sorriu, levemente, então voou ao meu encontro.
Ficamos um em frente ao outro. O fogo cintilava ao meu redor, no ritmo do bater de suas asas.
_O seu modo Orginal de feiticeira é perfeito. Nunca pensei que veria outro assim... — Exclamou. Ela visível a satisfação dele. Eu ergui o queixo. — achei que só Mikoto o tivesse... — Falou baixo.
_Parece que não. — Respondi cortante, erguendo a mão direita devagar, trazendo consigo uma bola flamejante. O poder era tanto que eu não sabia se estava sob meu controle.
Ele sorriu.
_Fogo não irá me matar. — Falou debochadamente.
Eu sorri. Não parecia. Só poderia arriscar, mas tenho um pressentimento que vi o medo no fundo dos seus olhos.
_Eu acho que não... — As flamas tornaram-se azuis assim como o oceano. Ele fechou o rosto, batendo mais ferozmente as asas. Vistas de perto, era um lindo mal. Quase obsceno vê-las, como se somente por fazer isso era em si um pecado que levaria a morte. Eram longas, cobriam quase todo o seu corpo.
Eu ergui com força os dois braços, enquanto Drácula gritava uma ordem para todos os seres do Submundo. Para que eles saíssem dali, mas era tarde.
Quando meus braços subiram por completo, a terra reagiu abrindo-se como um grande buraco de areia movediça. A terra os engolia. Rajadas de fogo queimavam os que estavam presos e erguiam-se em colunas. Drácula voava entre elas, desviando-se de cada jorro de fogo, apontando-me a espada.
Em ato reflexo, ergui meu braço protegendo meu rosto. A espada bateu em algo transparente e foi repelida. Em segundos, um escudo cristalino aparecera onde a espada fora repelida. Sim, talvez o poder vivia. Então uma enorme lâmina de cristal formou-se ao redor do meu braço, longa e afiada.
Vampiros voltavam a lutar contra as feiticeiras, mas estas pareciam mais fortes do que nunca. O cabelo de cada uma tornava-se o elemento que controlava logo a garota que controlava larvas, tinha um cabelo denso, que se derramava ao chão, rodeando e acariciando o rosto da mestra, que agora possuía olhos vermelhos.
Minha velocidade havia aumentado, logo eu e Drácula nos chocávamos como raios dançantes no céu, em constante conflito. Assim como as criaturas do Submundo tentavam me atacar, as feiticeiras tentavam atacar Drácula com seus elementos.
Ele era incrivelmente rápido e forte, além disso, criava ilusões muito reais, fazendo-me acertar o ar. Quando ele tentou me acertar por trás, ele conseguiu.
Eu arregalei os olhos.
Eu sabia que ele viria por trás, mas o escudo simplesmente não fora. Ele não queria.
O poder me sugava.
Meu corpo encolheu, enquanto eu gritava de dor. Os elementos terra, água, fogo e ar, circulavam-me me atingindo e endurecendo, rodando-me como uma esfera. Não para proteger, mas para conter.
Eu gritava.
Então o poder simplesmente explodiu em chamas.
Negras.
Não conseguia parar de gritar enquanto cenas apareciam na minha mente, pessoas mortas, crianças, um lugar que mais parecia o inferno, bebês, uma garota ruiva chorando desesperadamente, uma imagem conhecida, estraçalhando-me por dentro, o meu poder estraçalhando-me por fora.
Meus cabelos voavam, tornando-se escuros. O que acontecia? Então ele simplesmente parou.
Todo o poder parou de sair, e eu voltava ao normal.
Abri meus olhos lentamente, e tomei um susto quando olhei para uma paisagem que nunca vira na vida.
Eu caía metros por segundo, velocidade que me assustava. Olhei para os lados: ninguém, nem mesmo um vampiro ou fada.
Já visualizava uma floresta, densa e alta, um rio enorme com curvas. Segundos depois, adentrei a folhagem tropical. Comecei a sentir os galhos no meu rosto, cortando-me. Quando percebi que nada iria me segurar, procurei algo em que poderia segurar. Mas tudo escapava ou se quebrava.
Com muita força e unha, encravei meus dedos no tronco de uma árvore, sentindo e ouvindo um baque gigantesco do meu corpo contra ela. Minha respiração faltou por algum tempo, mas me mantive ali.
De cabeça pra baixo e minhas unhas sangrando, quebradas. Com casca de árvore por dentro do tampo.
Já perdia o equilíbrio, quando enfim consegui segurar um galho e me jogar no chão. Doeu um pouco, mas pelo menos não perdi minhas pernas, minha cara. Enfim, continuava inteira.
Levantei-me cambaleante, colocando a mão na cintura, onde sangrava. Olhei ao redor, abaixei a cabeça, começando a andar.
Estava só, completamente só.
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