The Queen
6 Algo que começa com \"A\" e \"S\"
Notas iniciais
CENAS FORTES
Uchiha Sasuke
Sakura sumira. Nós tínhamos ganhado a guerra. Mas não foi o clima de felicidade que percorria por ali.
Criaturas do Submundo não são felizes.
Fiquei parado, vendo aquela aterrorizante cena. Os vampiros e as fadas devorando os seres caídos, não importando se são humanos ou não. Lobisomens chorando baixinho, uivando para os céus. Eles não queriam tê-las matado, mas querer não é poder.
Ao invés de sair dali, a única coisa que fiz foi olhar. E pensar. Nela, em quem mais?
Sakura ficara deslumbrante em sua forma original, apesar de não dotar suas próprias feições exóticas. Ela transbordava vida, força e poder. Além de raiva, essa maioria concentrada em mim.
Senti o músculo dos meus lábios subir. Eu sorria? É, talvez. Nunca entendi exatamente o porquê daquela estúpida fazer eu me sentir tão...humano?
Isso é uma perda de tempo.
_Sasuke. — Solicitou uma voz, grave e reconhecível. — Venha aqui, agora.
Caminhei até ele, que agora voltava a sua forma, com os cabelos negros e olhos violetas. Sua espada em suas costas, e o elmo coberto por sangue. O olhei de cima a baixo, notando os estragos que a rosada tinha feito, que não foram poucos.
Um lembrete: parabenizá-la por conseguir fazer Drácula lutar contra ela. No geral, ele só precisava olhar para qualquer ser para ele se desmaterializar em pó. Se o cara é forte? Bom, tomem por ele ser o líder do Submundo não por uma geração, mas sim por toda a eternidade.
Drácula é invencível.
O meu pai é invencível.
_Responda-me, — continuou, — qual parte de matar a herdeira daquela família você não entendeu?
Dei de ombros.
_Achei que ela estivesse morta.
Seus olhos estudiosos me examinaram.
_Não me desobedeça, filho. — Hesitei. Drácula nunca me chamara assim. — Coloque uma coisa em mente: você não me obedece por amor, você me obedece por medo do que eu faça se não o fazê-lo.
_E o que você vai fazer agora? — Perguntei.
Draco sorriu um segundo antes de enfiar uma de suas mãos no meu peito, e arrancar o meu coração.
* * *
Quando acordei era dia. Olhei para o calendário, três dias se passaram desde a minha morte. Senti um enjoo se formar na minha garganta, passei ruidosamente a mão pelo meu tórax, sabendo que ele estaria intacto.
Se eu não fosse um puro sangue, estaria morto...
Só há quatro maneiras de se matar um vampiro: um fada arrancar seu coração, um lobisomen comer seu cérebro, uma feiticeira torrar você ou um vampiro arrancar sua cabeça. Como devem ter percebido, um ser humano nunca nos mataria, o que mostra quanto surreal aqueles filmes de vampiros são. Aquele Edward me envergonha, na realidade... Desde quando temos pena por um humano?
Era pena? Creio que não... É algo responsável por aquele baboso romance... Seria algo que comece com "A", disso tenho certeza, mas deixamos isso para outra discussão.
Passei meus dedos entre os fios dos meus cabelos. Que saco. Acho que vou fazer sexo, mas com qual delas?
Sinceramente, sexo não é sexo quando se fala daquela desgraça rosada. É algo mais que isso, chega ser doloroso parar e, nossa, como sinto falta daquele traseiro apertado e os gemidos apaixonados dela... Faz quantos anos? Devia tê-la feito meu brinquedo mesmo, mas não teria graça, tudo já era fácil demais...
Tok tok.
Sentei-me na cama, olhando diretamente para a porta. Mulheres, sabia pelo cheiro que emanavam.
_Entrem. — Respondi, rouco. A embriaguez do sono era algo muito perigoso para as mulheres, porque quando isso acontecia necessitávamos do sangue delas por completo, delas por completo. Seja por sexo, alimentação, prazer, luxúria... Enfim, era como uma grande ressaca.
Uma morena, duas loiras e duas ruivas entraram. Estavam vermelhas, talvez pelo fato de que eu estava nu por baixo da coberta, e suado. Parece que as mulheres acham isso incrivelmente sexy em um homem.
_Viemos satisfazê-lo... — Murmurou uma das ruivas, tão envergonhada que desviava qualquer contato comigo. Tímidas..
_Não diga.. — Respondi, recheado de sarcasmo. E uma pontada de decepção, talvez. Talvez pelo fato de não ter sido uma garota despeitada de cabelos róseos querendo minhas tripas entrar por ali. Revirei os olhos. Pensar nela estava se tornando um hábito, pelo que parecia. Provavelmente irei sugá-la na próxima vez que nos encontramos, quando estiver perto de morrer, deixo-a se curar para que eu faça novamente.
Passei a língua pelos meus lábios. Sim, por que não? Afinal Drácula tinha me mandado matá-la, certo? Eu tinha de fazê-lo.
_Não fale com ela assim. — Falou a outra ruiva, em tom de desafio. Encarei-a. Ela tinha um corpo dotado de curvas saciáveis, seu braço estendendo-se frontalmente em relação a outra, num gesto protetor.
Sorri. Ah, que pecado mandar duas irmãs para mim...
Rapidamente cheguei até ela, colando seu corpo no meu. Ela me encarava desafiadoramente com os olhos azuis.
Passei meus dedos em seu rosto, depositando uma mecha de cabelo atrás da sua orelha. Puxei-a para mim, inclinando-me em seu ouvido.
_Por que não a beija...? — Sugeri. Ela foi tomada por um arrepio inebriante, os olhos tornando-se opacos enquanto suas atitudes eram tomadas por minhas palavras.
Dizem que o demônio cochicha no ouvido de suas vítimas, sugerindo diversas formas de pecado. Pode-se dizer que vampiros e fadas também possam fazê-lo, induzindo ao pecado. Seria algo como ilusão, ou genjutsu em japonês. Algo realmente perverso para alguém como eu, amante de pecados familiares e capitais.
A ruiva já cambaleava em meus braços, enquanto sua irmã a encarava preocupadamente. Sorri para ele, descendo até seu rosto para um beijo doce e diabólico.
A garota quis negar no início, mas logo foi tomada pelo prazer e pela luxúria. Num rápido tempo, puxei o rosto de sua irmã para um outro beijo, logo nossas línguas se entrelaçam num desejo único. Separei-me, querendo saborear a visão proibida e contaminada que elas me ofereciam.
As outras já eram instigadas ao pecado, por olhá-las. O pecado era como uma contaminação sem freios e sem remédio.
Andei até a cama, chamando-as com uma das minhas mãos.
_Vamos... brincar? — Saboreei as palavras tóxicas que explodiam da minha garganta.
* * *
Depois do serviço terminado com as belas donzelas, ex-virgens agora, caminhava calmamente pelo salão, a procura de algum vestígio do loiro ou do ruivo.
No mesmo instante, estava inquieto, afinal o meu sussurrar para aquelas garotas tinha dado certo, então por que não funcionara em Sakura?
Tão rápido pensei na pergunta, veio a resposta: Ela é um feiticeira, sua anta. As vezes, minha pequena estupidez me incomodava. Desde o início que eu sabia que ela seria um brinquedo interessante.
Os pais dela tinham sido corajosos. Sabiam que Drácula voltaria, então me pediram para protegê-la. Estúpidos também, como feiticeiros deviam saber que não poderiam confiar em vampiros, mas mesmo assim...
Aqueles idiotas sabiam que seriam mortos, mas pediram uma única coisa a mim: que eu convivesse com ela. Só isso, nada a mais. Talvez eles achassem que eu sentiria algo por ela, além de luxúria. Algo como aquilo que comece com "A", ela certa vez me dissera que sentia isso por mim... ou somente meu cérebro brotava memórias na minha mente, confundindo-me?
Em todo o caso, parece que algo tinha dado certo: eu não consegui matá-la, mesmo quando já podia. E sentia raiva de quem chegasse perto dela. Certo que mandei Madara tirar sua bela virgindade para que ela gerasse meu filho, mas não é por isso que o perdoo.
Me senti vingado quando destrocei o brinquedo que ele tanto adorava no ano retrasado. Como se chamava ela? Nem isso me lembro, mas lembro-me da sensação: Madara implorando misericórdia pela vida da mulher, que berrava desesperadamente no chão depois de uma transa. Lembro-me também do som que sua coluna vertebral fez quando arranquei-a do seu corpo, ainda viva e o grito desesperador de Madara.
O fato é que todos nós nos tornamos mais terríveis ainda depois que Drácula acordou, assim como Sakura despertara as feiticeiras na guerra, exigindo seu poder máximo.
Por onde Drácula passava, pecado consumia o ambiente. Imagino que nem o próprio diabo conseguiria algo assim. Em nossas masmorras Caçadores, feiticeiras e humanos eram acorrentados para serem torturados em um teatro, para que outros humanos vejam, achando que tudo aquilo é um perfeito faz-de-conta.
Fascinante. Inebriante.
Sasuke, você realmente é um pau-mandado, seu estúpido. Ah, aquela voz insuportável no fundo da minha mente. De jeito meio tosco, meu fim de consciência jorrava palavras revoltosas de Sakura para que eu me contivesse. Você é um mesquinho, que acha que manda em alguma coisa. Você é somente mais um estúpido filhinho de papai!
Palavras duras e fortes. Algo que ela realmente falaria para mim, palavras que rodeariam minha mente antes de eu fazer algo que não presta ou simplesmente deixar meu instinto me guiar.
Mesmo longe, aquele ser insuportável não deixava-me perder o controle.
Esfreguei o cenho, tentando conter uma explosão de tédio quando minha mente me prendia nela. Em memórias nossas de prazer, raiva e risos.
_Ei, Sasuke. — Chamou-me uma voz, quase distante. Virei para olhar o dono dela. Naruto vestia uma roupa laranja, esquisitamente alegre demais para um período como aquele. Seu rosto estava marcado de suor e sangue, que escorria na coleira de jade em seu pescoço. — Podemos conversar?
Vacilante, afirmei. Uma coleira. Drácula dizia que lobisomens eram seus fantoches, que ele os mataria quando quisesse, o que já provou ser verdade quando dizimou uma alcateia sozinho, quando esta negou servi-lo. Obriga-os usar coleira, assim faziam algo que seus instintos repudiariam como comer feiticeiros e humanos.
Pode-se dizer que lobisomens são os "bonzinhos" daqui, apesar de mesmo assim matarem e beberem o sangue humano.
E Naruto não deveria estar usando coleira.
_Por que esta usando-a? — Perguntei a Naruto, assim que entramos num quarto. Ele fez uma careta, apontando para a coleira.
_Se eu não usá-la, ele mandará Hinata para o teatro. — Respondeu sem rodeios.
_Achei que fosse somente o pessoal das masmorras... — Murmurei.
Naruto deu de ombros.
_Qualquer um que ele não possa matá-lo, ele torturará, e não há uma tortura maior que a psicológica como a proporcionada pelo teatro. É ruim até para criaturas como nós.
Sim, sofrer com todos assistindo sem nada a fazer, despreocupados e felizes enquanto te despedaçam sem censura na frente de todos, sabendo que nunca cessará por ser um imortal. Não, não há nada pior. Talvez só aquilo que Drácula poderia fazer a Naruto e a Hinata: um ser obrigado a ver o teatro do outro, sem nada a fazer pela eternidade.
_Tenho que ensinar boas maneiras para o meu filho... — Murmurei, meio irônico, arrancando um sorriso de Naruto.
_Essa piadinha sem graça tinha que ser sua. — Falou, com o sorriso morrendo em seus lábios.
Dei de ombros.
_Tão idiota quanto você.
Ele fez uma careta.
_Há-há, engraçado, muito engraçado Sasuke. — Sorri de lado. Quando olhei novamente o loiro, ele estava sério, fitando o céu que adentrava o cômodo pela janela. — Achei que... você estava perdendo o controle...
Relembrei meus pensamentos de hoje.
_Talvez eu realmente esteja... — Falei, em um suspiro.
_Você não será mais um vampiro, Sasuke. Você será um monstro. Se isso acontecer, vai ser pior que o próprio inferno, Uchiha.
Eu encarei aqueles profundos olhos azuis. Olhos que já viram o pior pesadelo de todos os tempos: o próprio inferno. Naruto viu assim que morreu, na transição para lobisomem. Ninguém ao certo sabe a verdadeira história dele. Alguns dizem que ele foi o primeiro lobisomem que nasceu. Outros dizem que ele foi o primeiro Caçador...
Mas ele nunca admitira essas histórias. Nem negara. Nem mesmo me contara como chegara no inferno e voltara. Mas prefiro assim, lá nem nós devemos saber como realmente é.
_Se você diz... — Murmurei.
_Você sente falta dela? — Perguntou.
_De quem? — Perguntei, fingindo desentendimento. Ele sempre contornava nossas conversas para ela, e isso me deixava irado.
Ele sorriu novamente.
_Ora, de quem eu poderia falar?
Ergui a sobrancelha.
_Da Karin? — Sugeri. Imediatamente Naruto fechou a cara.
_Até hoje não gosto de saber que você transou com minha prima.... — Murmurou, fazendo-me rir.
_Ah, cara, tu sabe que transo com todo mundo...
Um sorriso sarcástico brilhou no rosto do loiro e eu logo acrescentei.
_Exceto homens, claro. — Encarei-o, torcendo para que a raiva que contivesse no meu olhar fosse o suficiente para que ele não fizesse aquele maldito e horroroso comentário.
_Não foi isso que o Deidara me falou... — Falou. Ah, desgraçado!
_Caralho, ele tava vestido de empregada com o cabelo solto e encaracolado!! Achei que fosse uma garota! Puta que pariu, Naruto! Oh inferno! Isso foi há milênios atrás! Eu ainda era virgem!
Gritava, já ofegante, enquanto o Naruto chorava de rir.
_Como foi que você disse? Ah, sim: Naruto, peguei uma loira ontem... ela usava um tampa olho, e franja. Cara, ela é gostosa... — Mais risos.Uma veia saltou na minha testa, quando ele bateu levemente no meu ombro. — Sempre soube, cara. Sempre.
_Há-há, morrendo de rir, seu idiota.
_Ei cara, quando é que tu vai atrás da rosada?
Encarei o loiro.
_Nossa, que rápida mudança de assunto? E por que sempre fala dela? Podemos falar da Emma Watson, que a propósito, peguei na semana passada, ou da Taylor Swift, que peguei um dia antes da Emma, ou da Taylor Momsen, que peguei um dia antes da Swift... — Naruto me olhava horrorizado. Dei de ombros. — Estávamos no mesmo hotel.
Ele sacudiu a cabeça.
_Foda-se, cara, não quero saber das gatas que tu pega, mas quero o número da Emma depois, mas não fala pra Hinata. Voltando: quando tu vai atrás da Sakura?
Eu o encarei, então soltei um suspiro.
_Quando Drácula sair da minha cola... — Murmurei.- Se eu for atrás dela agora, ele a mataria...
Naruto fez uma cara de "tiro no alvo".
_Tá preocupadinho com a Sakura-chan, né?
Claro que não idiota.
_Por que o "chan"? Você não tem essa intimidade pra falar dela assim... — Murmurei. Oh merda, lá vem isso. Que droga ela fez comigo?! — Sempre assim, toda vez que ela aparece na minha mente, algo que começa com "A" e com "S" vem na minha mente, só não sei o nome...
O sorriso do loiro só alargou, como se eu fosse o maior palhaço da história.
_Ah, querido Uchiha, isso com "S" não seria sentimentos? E o "A"... quem diria que o Uchiha Sasuke amaria alguém... — Debochou.
Eu fiz uma careta.
_Eu sentir "A"... "A"... como é mesmo?
_Amor idiota...
_Isso aí. Bom, isso aí por alguém. Eu sou um vampiro. Agora vaza daqui cara...
_Ta bom, ta bom, estressadinho...
Ele saiu rindo, enquanto eu já tinha esquecido o nome com"A" novamente.
Notas finais
Mas foi kawai no fim né? :333
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