The Princess Of Earthquakes

10 Recebo Uma Profecia


Depois que eu me tornei, oficialmente a namorada de Nico — OFICIALMENTE, NEGADA, UHUUUL! — Ele, Percy e o filho de Apolo, Kurt, me fizeram repousar, até que eu e o Nico ouvimos uma batida na porta, e Carol entrou no chalé, e disse:

- Nico, Nico, tsc, tsc, você sabe que dois campistas não podem ficar sosinhos em um chalé, se Quíron descobrir….

- Ele não vai descobrir, porque você não vai contar.

- É claro que… — Então olhou para mim, e reparou no meu anel — Thay, o que é isso na sua mão? — Ela disse, andando para a cama, e sentando na beirada, pegando a minha mão para analisar o anel — Posso ver?

- Claro! — Eu disse, radiante. Tirei o anel e ela olhou, leu a inscrição em ônix, e disse:

- “Nico’s Girl”. Que chique Thay, você é a garota do Gasparzinho!

- Rei dos mortos é mais legal… — Ele resmungou, e ela revirou os olhos.

- Enfim, eu vim avisar que já é hora da fogueira, Thay, se você achar que pode vir, é para eu chamar o Kurt para ver se você pode mesmo ir. O que você acha?

- Acho melhor chamar o Kurt.

- Certeza? — Perguntou Nico, me olhando com uma cara de preocupação.

- Ahaaaaan.

- Bem, vou lá chamar o manolo, já venho. — Disse Carol, saindo do chalé, e, em 5 minutos, voltando com um carinha loiro, de olhos azuis, com uma maletinha branca.

Ele falou com um sotaque alemão MUITO forte, tanto que eu não consegui entender tudo o que ele falava. O que eu entendi foi “Pode ir na fogueira.”.

Ou era isso ou era algo do gênero, eu pediria pra ele repetir, mas pelo tamanho do sorriso do Nico, eu acho que era isso mesmo.

- Bem, T., vai pro banho, poe uma roupa limpa, se arruma, que nós vamos para a fogueira! — Disse Nico, quase dando um duplo twist carpado de tanta felicidade. — Vai, vai, vai! Poe essa camiseta do camp, ahn, esses jeans e esse sapato aqui.

Ele me empurrou para o banheiro, só parando para me dar a bolsa de maquiagem que eu exigi. Tomei banho, coloquei a camiseta do camp limpa que Nico me deu, o meu jeans, e fiz a maquiagem toda em tons de rosa. O sapato que ele me entregou era a minha linda sapatilha preta, com cristaizinhos que eu ganhei de natal da mamãe.

Fiz uma trança no cabelo, e saí do banheiro. Quando saí do banheiro, o Nico ficou me olhando com uma cara de idiota apaixonado, eu apenas revirei os olhos e disse:

- Vamos logo.

- A fogueira é por aqui. — ele disse.

Fui com ele até a fogueira, e Nico me disse:

- Bem, você vai ficar ali com o Percy, ok?

- Ahn, tá.

E eu fui até onde o Percy estava, sob uma bandeira com um tridente.

Ele me explicou como funcionava a fogueira.

Os filhos de Apolo começaram a cantoria, com seus violões, liras, e todos acompanharam e, bem, eu também, embora eu nem soubesse a letra, era algo sobre os novos campistas, que aparentemente, chegavam com extrema frequência.

No meio da canção, minha cabeça começou a doer de um jeito infernal.

Do nada, uma garota ruiva que estava ao lado de Quíron se levantou, e abriu a boca. Dali, começou a sair uma fumacinha verde, que rastejou pelo chão em forma de anéis grossos, e sibilando, até a base da colina.

Aquilo foi p-a-v-o-r-o-s-o.

Eu tava quase caindo dura no chão de medo, e pelo jeito que Percy segurou meu braço, eu estava MESMO quase caindo dura no chão. Eu ouvi uma voz no meu cérebro, e, pelo modo que os outros campistas ficaram pálidos e olhavam para Quíron em panico, eu diria que também escutavam essa voz.

Ela dizia: Eu sou o espírito de Delfos, porta-voz das profecias de Febo Apolo, assassino da poderosa Píton. Filha do Mar, aproxime-se e pergunte.

- Thay, ande, vá lá perguntar. — Disse Percy, murmurando para mim. Mas eu não conseguia me mexer, eu tava a ponto de desmaiar de pavor. E, também, que raios eu iria perguntar?!

- Pergunta logo! — Percy resmungou

- O que eu pergunto?! — Eu consegui murmurar

- Seilá! Só vai lá e fala! — E ele me empurrou. Desci a colina e fiquei de frente para a fumaça, e disse:

- Ahn, oi, então, tudo bem? Você, er, tem algo pra, ahn, me dizer? Eu tenho algo pra fazer, ou coisa do gênero? — Eu balbuciei, que nem uma completa idiota, e a dor de cabeça ficando mais forte a cada palavra.

Na névoa se formou uma imagem, a de uma cozinha com uma mulher loira, de uns 50 e poucos anos. A cozinha era a da minha casa. A mulher era a mamãe.

Meus joelhos fraquejaram e eu quase caí, mas senti um braço em minha cintura, que me impediu de dar com a cabeça no chão. Era Nico, e ele disse:

- Calma, não vai acontecer nada com a sua mãe, é apenas a imagem dela, ok?

- C-claro… — Murmurei. A dor de cabeça ainda não havia parado. Ao contrário, ela estava ficando ainda pior. Muito pior.

A minha mãe da névoa disse, se encostando na pia, e olhando diretamente para mim:

Para o jardim subterrâneo,

A lira, a caveira e o tridente viajarão.

A irmã dos equinos, pelo filho da morte aprisionada será,

E a preferida da coruja, a ela se juntará.

O pai do rei espectral, sua protegida elegerá,

Que em sua nora se transformará.

E como a Princesa dos Terremotos, no Olimpo coroada será,

E entre os deuses, a discórdia semeará.


Quando a imagem de mamãe se desfez e a fumaça voltou para a ruiva, espiralando como uma cobra enorme, nem Nico conseguiu me segurar.

A dor de cabeça, misturada ao medo e ao choque venceu, e eu desmaiei, batendo com força a cabeça no chão, e pelo que senti antes de apagar, eu tinha feito outro corte feio na cabeça, pelo tanto de sangue que senti escorrendo.