The Plan

15 Capítulo 15


N/A: Queridos e queridas, essa nota é um pouquinho importante, peço que leiam.

Eu fiquei um pouco perdida na hora de escrever esse capítulo, então resolve fazer uma linha do tempo (com a respectiva idade dos personagens principais) pra poder me situar. Vou compartilhar as datas com vocês, pois se eu que sou a autora estava meio confusa, vocês devem estar ainda mais por causa da trama não-linear.

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– Desaparecimento de Minato – 1994 (Naruto e Sasuke – 10/Itachi 15)

– Início amizade de Naruto e Itachi – 1995 (Naruto e Sasuke – 11/Itachi 16)

– Vestibular e amizade verdadeira de Sasuke e Naruto – 2001 (Naruto e Sasuke – 17/ Itachi 22)

– Início da amizade colorida (lemon SasuNaru) – 2002 (Naruto e Sasuke – 18/Itachi 23)

– Início do namoro oficial (lemon NaruSasu) – 2006 (Naruto e Sasuke – 22/Itachi 27)

– Primeira tentativa de casamento – 2007 (Naruto e Sasuke – 23/Itachi 28)

– Despertar do Itachi e morte de Mikoto e Fugaku (lemon ItaNaru)- 2007

– Separação dos três personagens – de 2007 até 2010

– Reencontro/Casamento/Despertar de Sakura – 2010 – (Naruto e Sasuke – 26/Itachi – 31)

– Divórcio – 2012 (verão) (Naruto e Sasuke – 28/Itachi 33)

– Mudança de nível de Shikamaru (lemon NaruIta) - 2011 (outono — data atual) (Naruto e Sasuke – 28/Itachi 33)

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Acho que deu pra se situar né? Coloquei os lemons porque acho que são marcantes pra ajudar a lembrar... Aposto que vocês nem tinham percebido quantos anos se passaram entre as trocentas cenas não-lineares hahaha.

Por que eu fiz isso? Bom, porque, como já devem ter deduzido, vamos começar a fechar tudo que eu deixei em aberto na fanfic... Caso tenham dúvidas, consultem essa linha do tempo.

Muuuitos “arigatos” pra minha revisora Nyulan!

Beijos! Adoro vocês!



THE PLAN

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Frankfurt – Alemanha – 2007

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Itachi Uchiha suspirou entediado pela quadragésima vez aquela manhã cansativa de segunda-feira. O doutorado que conseguira naquela Universidade era o melhor na área de Economia aplicada no mundo inteiro, e seu pai chegou a expressar algumas vezes (em meio a conversas particulares, ou jantares de família que acabavam em brigas) o quão orgulhoso estava do primogênito, afirmando que o herdeiro só conseguiria fazê-lo mais feliz se conhecesse uma garota de família e parasse com... Como era mesmo que ele falava? A sim, essa "futilidade inútil de livros de ficção".

Relembrando de tais palavras, Itachi apertou com mais força a ponta do lápis, fazendo-o quebrar e furar a folha onde escrevia mecanicamente as anotações de sala de aula. Grunhiu irritado, apoiando a cabeça com a outra mão e buscava outro lápis em seus bolsos.

Itachi odiava Economia, mas fazia cursos ligados a essa área por causa da Empresa Sharingan. Seus pais sempre deixaram bem claro para os filhos que um dos dois deveria assumir as funções da empresa, e como Sasuke apresentara vocação para medicina desde criancinha, Itachi resolveu assumir esse fardo. Seu Otouto, por outro lado, nunca soube o quanto essa função era desprezada pelo irmão mais velho, e o prodígio não tinha a menor vontade de revelar. Afinal de contas, alguém deveria seguir o empreendimento familiar, e Sasuke já possuía uma carreira que exigia bastante de seu horário diário.

Adquirira um emprego excelente apenas dois dias depois que desembarcara na cidade devido ao seu currículo invejável, e o doutorado não parecia tão diferente do mestrado como ele achara inicialmente. Na verdade, tudo indicava que os próximos meses seriam extremamente tediosos... Ao menos conseguira manter o contrato com sua editora mesmo a distância, e podia continuar publicando os "inúteis e fúteis livros de ficção".

Tch, seu pai sequer se dera ao trabalho de ler ao menos um deles.

De qualquer maneira, ninguém de sua família parecia se interessar por livros, quer seja os dele, quer seja o de outros autores. O único que lia suas obras (e, inclusive, não tomava consciência desse fato) era Naruto. Itachi usava um pseudônimo para as publicações, e o loiro gostava da leitura de "Tsukuyomi"; frequentemente indicava algum de seus próprios livros para que o moreno lesse.

_ Esse daqui tá ainda melhor que o outro! – ele falava, e Itachi controlava o ímpeto de sorrir ao receber um elogio indireto. Sempre aceitava os livros e fingia ler, e depois discutia a trama com Naruto, que aparentemente achava tudo bem empolgante. O loiro sabia que Itachi escrevia e publicava, mas nunca soube qual nome ele utilizava e certamente jamais passou pela sua cabeça que ele seria o tal "Tsukuyomi".

Afinal de contas, o Uchiha era um ótimo ator.

Não sabia como iria viver distante de Naruto e Sasuke. Sim, realmente morava fora de casa há alguns anos, mas os três sempre se encontravam nas férias. Agora que os irmãos Uchiha tiveram a discussão em sua última visita ao casal, onde seu irmão anunciara com a maior cara de pau do mundo o casamento por interesse, Itachi sabia que não entrariam em contato tão cedo.

Naruto não sabia que seu noivo e Itachi haviam brigado. Sasuke deve ter inventado alguma desculpa esfarrapada para o Uzumaki, e uma semana depois o loirinho ligou em seu celular, convidando-o para o casamento. O Uchiha fingiu surpresa, desejou felicidades, mas disse que não poderia ir, pois cairia bem na época de sua mudança para a Alemanha. Naruto ficou entristecido, mas aceitou a desculpa.

Se levasse em consideração o fuso horário local, o casamento de seu irmãozinho e futuro cunhado se daria dentro de algumas horas. E o peito de Itachi parecia congelar só de recordar-se desse fato. Qualquer sonho irreal que possuía de ter algo com o loiro seria esmagado e pisoteado por essa cerimônia. Por isso, não reclamara tanto da ideia de se mudar para a Alemanha: afinal, ao menos estaria longe de toda fonte de sua dor emocional, quem sabe conseguisse superar isso mais facilmente com a distância.

Interrompendo seus pensamentos, sentiu o seu celular vibrar no bolso de seu jeans. Pedindo licença com um movimento de cabeça, se retirou da sala e caminhou até o final do corredor, atendendo o número por ele já conhecido.

_ Ligação intercontinental para celular... Sua conta mandará lembranças ao seu contracheque.

_ Cale a boca Itachi e me ajuda. Me sinto uma noiva em crise. – a voz levemente alterada de Naruto soou ao outro lado da linha, fazendo Itachi rir minimamente.

_ Ué, não vai ter chá de panelas hoje?

_ Há, há! Muito engraçado. – apesar de não estar vendo, o moreno conseguia visualizar muito bem o bico de Naruto em sua mente – Estou nervoso, eu sei que o casamento não vai mudar nada, mas ainda sim estou nervoso.

_ Que horas são ai?

_ Dez da noite.

_ Então durma... O tempo vai passar mais rápido se você dormir, amanhã vai ser tão corrido que nem vai dar tempo de você ficar nervoso.

_ OK... – Naruto respondeu, e os dois iniciaram um silêncio desconfortável por alguns segundos, até que o mais novo decidiu falar novamente – Itachi?

_ Sim?

_ Você vai vir nos visitar né?

_ Por que está perguntando isso?

_ Sinto que... sei lá...sinto um pressentimento de que não vou te ver tão cedo.

Itachi se calou por alguns instantes, e tudo que passava por sua mente era que, talvez, Sasuke não conseguia disfarçar muito bem a briga dos dois. Mas mesmo assim, o mais velho pretendia resolver aquele empecilho dentro de alguns meses... Apenas estava dando tempo para Sasuke relaxar a mente e perceber, posteriormente, que tinha mesmo iniciado um casamento da maneira errada.

_ Não seja idiota. Quando puder eu vou visitar vocês.

_ Ok então... Ahn... Acho que vou dormir.

_ Boa noite Naruto. Tudo de bom nessa fase nova da vida. – falou com uma voz rancorosa e fria que não enganaria ninguém, e Naruto não respondeu, desligando logo em seguida. Itachi olhou para o aparelho celular por quase um minuto antes de suspirar em derrota e guardá-lo nas vestes, virando-se para retornar a sala de aula e tentar se distrair naquela manhã miserável que mais parecia um luto.

_ Itachi Uchiha? – uma pessoa o interceptou no corredor, parando a sua frente com os braços cruzados e chamando-o pelo nome. Itachi fitou as características peculiares daquele homem: cabelos brancos, uma cicatriz em um dos olhos, rosto encoberto parcialmente por uma camisa de gola alta... Não era muito difícil reconhecer, mesmo se não fosse bom fisionomista.

_ Kakashi-sensei? – questionou, pego de surpresa. A última pessoa que esperava encontrar em um país como aquele era Kakashi.

O grisalho fora seu professor de taekwondo quando era adolescente. Àquela época, Sasuke tinha muitas crises de ciúmes pelo tempo que Itachi desprendia dando força a Naruto devido ao desaparecimento de seu pai, e sua mãe os sugeriu que fizessem alguma atividade juntos. Sasuke decidiu que seria taekwondo, e Itachi não quis contrariar. Fizeram as aulas por seis meses, até Sasuke quebrar a perna em uma queda mal realizada e Mikoto arrastá-los para fora da academia, afirmando que isso era uma "luta de ogros" em alto e bom som. Kakashi, inclusive, foi um dos telespectadores do show... Sua mãe realmente conseguia envergonhá-los com sua superproteção.

_ Não imaginava que você ainda se lembrasse de mim.

_ Bom, você não é uma pessoa muito fácil de esquecer...

Os olhos de Kakashi se estreitaram, demonstrando que este sorria por detrás da gola alta. Estendeu uma mão para que Itachi o cumprimentasse e o moreno aceitou o gesto com educação.

_ Não esperava te encontrar do outro lado do planeta.

_ Na verdade, eu vim por sua causa. Preciso conversar um assunto importante contigo...

_ Kakashi, eu já sou meio velho pra começar uma carreira olímpica. – o moreno respondeu sorrindo educadamente, não compreendendo realmente o que seu ex-professor desejava tanto conversar consigo. O grisalho riu de maneira divertida, balançando a cabeça em negação.

_ Não é sobre taekwondo... Tem um tempinho, ahn, agora? – questionou com educação, olhando para o relógio em seguida. Itachi conseguiu visualizar o mostruário digital do aparelho da distância em que estava, e franziu o cenho devido ao horário irregular. O relógio de Kakashi marcava 22hr10min, será que ele acabara de chegar de viagem e não teve tempo para arrumá-lo? Será que o assunto o qual pretendia tratar consigo demandava tamanha pressa?

_ Ok... Permita-me pegar apenas as minhas coisas.


(***)


_ Eu me arrependo por ter saído com você naquela maldita manhã... Se tem uma coisa que eu me arrependo nessa vida, certamente é isso Hatake. – Itachi sussurrou, ainda apertando o tecido de suas calças com os punhos tensos. Kakashi, grunhindo um pouco pela dor e limpando a reminiscência de sangue que ainda escorria sobre o corte à lateral de seu olho, se levantou e olhou Itachi de cima.

O moreno, apesar de estar de pé, ainda estava curvado na tentativa de conter o tremor de seu corpo.

_ Não adiantaria nada se você não fosse. Eu iria usar o comando superior se você não fosse por conta própria, e você sabe bem disso.

Amaciou um pouco suas feições, observando o quanto Itachi crescera dede que costumava ser seu professor quando este ainda era adolescente. O quanto amadurecera, o quanto a vida havia judiado de sua pessoa e de seus sonhos... Realmente não achava justo nada daquilo que acontecia com seu pupilo.

Mas as regras... Ahhh... As regras...


(***)


Itachi, demonstrando sua educação impecável de um membro da família Uchiha, convidou Kakashi para almoçar e, assim, tratarem do assunto relevante. O grisalho, no entanto, pediu que a conversa fosse feita em um lugar reservado, e então o moreno decidiu levá-lo para seu apartamento.

Podia estar achando muito estranha toda aquela aparição do ex-professor, mas, por outro lado, sua curiosidade era grande e sabia que estaria mais seguro em casa do que em qualquer outro lugar reservado com essa pessoa semi-conhecida.

Kakashi elogiou a casa, aceitou uma bebida, sentou no sofá da sala e aguardou... Itachi perdera a consciência no mesmo instante, e Hatake o amparou pelos braços, colocando-o sentado ao seu lado.

O despertar de Itachi fora consideravelmente rápido, a conversa mental que tiveram foi breve e explicativa. Dentro de uma hora e meia o Uchiha acordara, tossindo forte e respirando de maneira ofegante, e Kakashi já tinha um copo d'água a postos, colocando-os com cuidado sobre as mãos trêmulas do pupilo.

_ É horrível despertar, eu sei, quando aconteceu comigo eu cheguei a vomitar. – o grisalho falou cordialmente entre as tossidas fortes do moreno, que chegava a choramingar devido a dor que sentia em sua cabeça e peito – Esse foi um despertar parcial, ainda há mais informações para eu prestar a você, mas eu decidi ser bonzinho e fazer algo para ti que não fizeram pra mim.

_ O... quê? – perguntou sem fôlego, tossindo ainda mais. Kakashi se levantou, olhando o moreno de cima e sorrindo cordialmente enquanto lhe estendia a mão para auxiliá-lo a se levantar.

_ Eu tive um pouco de pressa, pois sua missão inicial começará dentro de algumas horas, mas não foi bem exatamente por isso... Eu quero saber se tem o interesse de se despedir.

_ ... despedir? – Itachi questionou com uma voz rouca, finalmente parando de tossir.

_ Depois da sua missão inicial, você não poderá mais ter contato com ninguém desta vida. Você possuirá uma nova identidade... Podemos, no máximo, manter o seu pseudônimo de escritor, se for de seu interesse. Não convém entrar em detalhes agora, falaremos sobre isso depois. Eu posso te conceder algumas poucas horas para se despedir de alguém em sua vida que você considere relevante, mas apenas uma única pessoa... Então escolha bem com quem quer passar seus últimos momentos como Itachi Uchiha.


(***)


_ De nada adianta se arrepender das coisas passadas Itachi. Nada trará seus pais de volta, nada fará com que Sasuke e Naruto tenham tido um bom casamento na primeira tentativa. Nada conseguirá fazê-lo esquecer de seu amor por Naruto e seguir em frente. Você, por ter tentado quase duas décadas aprisionar os sentimentos, já devia ter percebido isso...

_ Então por quê!? – Itachi gritou em um tom de voz de dar pena. O Uchiha raramente perdia a compostura, mas parece que acabara de chegar ao seu limite. Deixou seu corpo escorregar ao chão, abraçando seus joelhos encharcados e mantendo a cabeça baixa, de modo que Kakashi não conseguia visualizar seu rosto no momento de fúria e desespero – Por quê!? Por que eu não posso simplesmente ser feliz!? Por que nós três não conseguirmos ser feliz NUNCA!?

_ Porque está no destino dos três essa infelicidade em nome de um bem coletivo maior... Essas são as regras, não são? Siga as missões, não toque na alma de mesma hierarquia, não revele a verdade às almas de primeiro grau... Você quebrou todas elas, e sabe muito bem qual é a punição pra isso.

_ Deus não pode ser tão injusto! Regras, leis, padrões, não são sinônimo de justiça! – Itachi gritou mais uma vez, e Kakashi riu baixinho, se agachando diante do Uchiha e acariciando seu rosto com o polegar, fazendo-o se mover minimamente para encará-lo.

_ Essa é a questão Itachi, ai que está todo o problema. Como um Deus perfeito poderia fazer tudo isso com três pessoas tão importantes para o destino da Terra?

_ Três? Mas Naruto e Sasuke... Só eles...

_ Não Itachi, você não sabe a sua missão de vida. Posso te garantir que é algo grandioso.


(***)


Kakashi se surpreendeu com a velocidade como Itachi conseguia registrar suas informações e entender os acontecimentos. Aceitou sua oferta e pediu um tempo com Naruto Uzumaki, surpreendendo até mesmo o próprio grisalho. Na verdade, Kakashi imaginava que o primogênito Uchiha iria pedir um tempo com o irmão mais novo, afinal de contas, eles pareciam bastante unidos à época do curso de artes marciais.

O guiou até a entrada mais próxima para o Lobby, sempre observando Itachi de canto de olho na esperança de captar alguma expressão de surpresa. Mas o moreno parecia sério, compenetrado e frio... Realmente, não era muito fácil surpreender um prodígio como aquele, e ele parecia se acostumar rápido com tudo que o havia sido informado.

Algumas horas depois, Itachi retornou ao seu próprio apartamento cabisbaixo, encontrando Kakashi entediado com o controle remoto na mão, pulando entre os canais alemães e não entendendo uma única palavra do que era dita nos noticiários. Itachi sentou-se ao lado de Kakashi, abaixando a cabeça em suas mãos e suspirando pesadamente.

_ Você está cheirando a sexo. – Kakashi comentou nada inocentemente, sentindo vontade de rir. O primogênito Uchiha não parecia sequer prestar atenção na provocação, sua cabeça funcionava a mil por hora e ele tinha extrema dificuldade em se controlar perante o tutor e não deixar as emoções a respeito da separação com Naruto transparecer em seu exterior – Eu vou iniciar a segunda fase do despertar agora. Segure isso.

Kakashi devolveu a Itachi o caderno que este utilizava no doutorado, pois o tempo livre que possuíra já o havia conseguido transformá-lo em receptor.

_ Quando você acordar, já saberá qual é sua missão. Dirija-se novamente ao Lobby, relate a missão e use a porta apropriada. Vou te aguardar no devido lugar, mas saiba: se não conseguir cumprir a missão, eu serei designado a realizá-la. E caso eu não consiga realizar, outra pessoa o fará. É algo inevitável. O destino, Itachi, é inevitável. Ninguém dribla o destino.


(***)


_ As pessoas mudam com o tempo, nossas convicções de vida se alteram, moldam-se aos padrões em que vivemos. Foi muito mais fácil para mim se apegar as verdades impostas nas inúmeras reuniões que tive ao Lobby. Foi muito mais fácil para mim aceitar o fato de não poder ficar ao lado de minha alma gêmea, pois lutar seria muito mais difícil. É fácil se prender a padrões de destino imposto, é fácil transferir suas responsabilidades para os outros... Tudo isso é extremamente fácil, difícil é lutar como você e Naruto estão lutando, Itachi. – Kakashi sorriu por detrás do tecido que cobria o rosto, estendendo a mão encharcada na tentativa de oferecer auxilio para que este se colocasse de pé – E eu o admiro por isso, porque eu sempre preferi o fácil.


(***)


Aprendeu algumas coisas a respeito de Itachi nessas poucas horas em que tivera contato com o moreno: ele era como um livro difícil de ser lido, um livro técnico, e quem ousasse interpretá-lo deveria saber os termos mais complexos para entender a leitura em seu contexto. Itachi era um desafio para todos na sociedade, mas não para uma pessoa que teve acesso irrestrito em sua mente durante o despertar.

Kakashi finalmente conhecera o primogênito Uchiha pelo seu próprio ponto de vista: entendera seus sentimentos pelo pai, pela mãe, por Sasuke e por Naruto. A intensidade de sua devoção para com Naruto e a maneira como ele se autoflagelava para não ferir os sentimentos de seu irmãozinho, criaram algumas suspeitas na cabeça do grisalho, e durante a segunda etapa do despertar de Itachi, adiantou-se para o Lobby antes do que o aprendiz.

Por ser uma alma de terceiro grau e tutor oficial de Itachi, conseguira um dossiê da família Uchiha e soube, logo na primeira página, que a ligação do moreno com o garoto loiro não era algo normal. Não era uma simples paixão platônica, e era correspondida na mesma intensidade. Apesar de só ter tirado a prova real anos depois, tudo indicava que estava diante de um caso de almas gêmeas... Entretanto, na própria ficha de Naruto, constava que o loiro era alma gêmea oficial de Sasuke Uchiha. Kakashi não precisou pensar muito para conseguir somar dois mais dois e entender o que acontecia.

_ Triste, não é? – Shizune o interrompeu, e então o grisalho percebeu que a morena lia a ficha por cima de seu ombro. Apesar de se tratarem de documentos destinados apenas a ele, qualquer um poderia compartilhar de suas informações enquanto ele permanecesse no Lobby. Afinal de contas, o que ocorre no Lobby permanece no Lobby¹.

_ Depende do ponto de vista... – Kakashi respondeu pensativamente, sabendo muito bem o que as palavras de Shizune significavam por detrás de seu contexto atual.

_ Você realmente acredita que Ele faria os dois Uchiha nascerem na mesma família, ambos tão próximos de Uzumaki, apenas pelo acaso? Você não acha que há algo maior por detrás disso Kakashi? – Novamente, a morena estava interpretando tais informações com olhos nada imparciais.

_ Não seja tola Shizune. Apenas siga as regras.


(***)


Sujeitos: Mikoto e Fugaku Uchiha.

Idade: 50 e 55 anos.

Morenos, olhos escuros, altura de 1,60 e 1,80, respectivamente.

Almas em primeiro grau.

Desenvolvimento passado: avançado.

Plano superior: tornarem-se pais de Itachi e Sasuke Uchiha, ajudarem na criação de Naruto Uzumaki.

Missão: matar os sujeitos sem deixar pistas para dar início à consumação do plano de Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha.

Relatório:

Auxílio superior necessário? Sim [ ] Não [ ]

Tarefa concluída? Sim [ ] Não [ ]

Prazo: duas horas.


_ Itachi?

_ Tadaima, Okaasan...

Mikoto acordara com um toque suave em seus cabelos, surpreendendo-se instantaneamente ao abrir os olhos e encarar os olhos lacrimejantes de seu primogênito. Sentou-se, esfregando os dois olhos com a mão direita e voltando a encarar seu filho, percebendo que realmente estava com sono: era apenas uma alucinação decorrente do sono, seu garoto não estava prestes a chorar; certamente estava tendo delírios de sono, pois, como esperado, não haviam lágrimas nas pálpebras dos olhos cor de ônix.

_ Okaeri, Itachi... Quando chegou? – perguntou, exibindo um sorriso maternal. Sabia que seu filho deveria estar na Alemanha estudando naquele momento e não podia voltar para o Japão antes das férias, e se seu garoto estava ali naquele momento, significava que estava perdendo aulas... Mas no fundo, bem no fundo, estava verdadeiramente feliz por ver o filho. Sonhara com ele a noite inteira, ele e Sasuke.

Como sentia falta de Sasuke...

_ Eu cheguei agora, quero conversar com vocês dois.

_ Itachi, eu e o seu pai...

_ Otousan já está na cozinha nos aguardando.

Dito isso, Itachi parou de afagar os cabelos castanhos e sedosos de sua mãe, dando-lhe as costas e saindo do quarto, fechando a porta com um click suave. Mikoto suspirou pesadamente, seria difícil fazer ambos os filhos compreenderem que as coisas no casamento não iam muito bem...

Itachi desceu as escadas, adentrou a cozinha e sentou-se à mesa de jantar, diante do líder Uchiha, que já se encontrava sentado e o analisava com o cenho franzido, mantendo os braços cruzados.

_ O que significa isso Itachi?

_ Aguarde Okaasan, quero falar com os dois presentes.

_ Itachi, sua mãe não é uma boa mãe, fracassou na criação de Sasuke, ela não necessita estar presente em uma conversa de família.

Naquele momento, Mikoto adentrou a cozinha vestindo sua camisola branca e cumprida, mas com os cabelos naturalmente penteados e lisos. Fugaku parou de falar, fitando a direção oposta do cômodo, enquanto a mulher se sentara ao lado de Itachi, o mais longe possível do marido.

Não era de hoje que o casamento dos dois não vinha bem, e Itachi jamais fora tolo o suficiente para não ter percebido. Desde que Sasuke anunciara o relacionamento com Naruto, a relação do casal vinha piorando cada vez mais. Apesar de terem tentado convencer tanto o caçula quanto o loiro da barbaridade que era aquela relação nada natural representava, não tratavam mal o casal de jovens. Pelo contrário, acreditavam que eventualmente ambos cairiam em si e desfariam aquela relação completamente sem sentido e pecaminosa. Mas quando o filho mais novo anunciara o casamento, Fugaku ficou furioso: culpou Mikoto, alegando que a mulher não conseguira criar da maneira correta os filhos, e depositara todas as suas demais expectativas em Itachi.

A infelicidade passou a reinar na relação do casal, ambos estavam cada vez mais insatisfeitos um com o outro, eventualmente culpando o parceiro de todos os problemas e, no fundo, à si mesmo pelos atos dos filhos... Por mais que em real se amassem imensamente.

Era um simples caso de orgulho Uchiha destruindo todos os demais sentimentos. Maldita maldição familiar.

Mikoto falava a todo instante que desejava que Itachi trouxesse uma namorada para que a família conhecesse, mas o jovem adulto nunca trouxera ninguém. E o primogênito sabia o quanto as escolhas dele e Sasuke fizeram mal aos seus pais, mesmo que não considerasse, em nenhum momento, um caso de afronta à família ou aos bons costumes religiosos.

Todavia, e independente de qualquer outra coisa, ele queria proporcionar felicidade aos pais, nem que fosse uma falsa felicidade. Afinal de contas, ele sabia o quanto uma felicidade ignorante podia ser a salvação de uma vida digna... Saber demais, às vezes, apenas causava dor...

Muita... Muita... Muita dor.

_ Eu tenho um anuncio para fazer a vocês. Eu estou namorando há três anos e vou me casar.

_ O quê? – os dois perguntaram em uníssono, incrédulos. Mikoto exibiu um sorriso radiante sem sequer se dar conta que exteriorizava suas emoções.

_ Que história é essa Itachi! – Fugaku exigiu respostas, debruçando-se sobre a mesa com celeridade.

_ É isso mesmo. Eu nunca disse nada antes, pois vocês estavam tendo tantos problemas com Sasuke e Naruto... Preferi ter tudo planejado antes de informar a família. Sasuke já sabe, a cerimonia será dentro de seis meses...

_ Mas quem é essa pessoa? Itachi! Como pode esconder isso de nós? – Mikoto falava enquanto ria e chorava, temendo a resposta do filho. A noticia seria maravilhosa se fosse uma garota de boa índole, mas seria definitivamente o fim de seu casamento caso Itachi tivesse as mesmas preferências sexuais que seu irmão mais novo. Ela sentia, no fundo, que seu marido apenas não desfazia a união por esperar pelo nascimento de netos.

_ Minha noiva se chama Hinata Hyuuga, nós...

Itachi pretendia prolongar a mentira, incrementá-la ainda mais, declarar o quanto era apaixonado pela herdeira Hyuuga (quem, bem verdade, não via há mais de dez anos) quando sua mãe, ignorando qualquer outra informação que seu filho pudesse proferir, levantou-se de sua cabeça e jogou-se de encontro ao do moreno, abraçando-o com força e beijando seu rosto sem parar.

_ Okaasan! – Itachi exclamou, sentindo um aperto no peito descomunal diante da reação desmensurada de sua mãe. Realmente esperava vê-los felizes com a mentira, mas não achava que tal informação fosse deixá-la tão eufórica. Segurou os braços de Mikoto, tentando-a retirá-la de cima de si, quando percebeu que fora ajudado por Fugaku.

Seu pai, com um toque leve no ombro da esposa, a trouxera para trás e envolveu sua cintura com um dos braços com suavidade e carinho. Itachi observou com um sorriso singelo nos lábios os olhos de sua mãe arregalarem de surpresa por sentir o toque de seu marido em seu ventre, como de demonstrasse o orgulho que tinha da vida que um dia ela gerara. Os olhos negros de Mikoto encherem-se de lágrimas diante de tantas emoções.

_ Estamos orgulhosos de você Itachi. – Fugaku falou com uma voz neutra, sem sorrir ou demonstrar qualquer outra emoção, mas o primogênito sabia que seu pai estava tão contente quanto sua mãe, se não até mais.

_ Ela está nos esperando em casa, com a família inteira, para um jantar... – Itachi falou com a voz também neutra, mas sem conseguir continuar encarando seus pais nos olhos – Sugiro que troquem de roupa...

Mikoto, ainda sorrindo e exibindo uma quantidade avassaladora de emoções, deu mais um beijo estalado na bochecha de filho mais velho, apressando-se para subir ao quarto em seguida.

Itachi continuou sentado, olhando para baixo, até sentir a mão de seu pai apoiar-se em seu ombro direito, indicando-o que deveria olhar para cima.

E essa foi a primeira, e última, vez que tivera o privilégio de ver Fugaku Uchiha sorrir...

A vida realmente é injusta.

_ Você está pronto, meu filho. – ele sabia exatamente o que o líder Uchiha queria dizer com tais palavras: aos olhos de Fugaku, Itachi estava, finalmente, pronto para assumir a empresa.

_ Otousan...

_ Não volte para Alemanha, fique no Japão e ajude sua mulher nos preparativos do casamento. Não há a necessidade de continuar estudando, você acabou de me provar que finalmente se tornou um homem de responsabilidades.

Não sabia que seu peito podia doer daquela maneira. Sempre odiou mentir, sempre, mas naquele momento repudiava tanto tal ação que tudo que desejava era desaparecer daquela casa como se nunca houvesse nascido... Sabia que seus pais estavam felizes, e que eles mereciam ser felizes nos últimos instantes de suas vidas, mas ainda sim se sentia a pior pessoa do mundo por ocultar a verdade.

Acostume-se Itachi... Mentiras agora farão parte de sua rotina diária... – seu subconsciente sussurrava ao seu ouvido.

O Uchiha mais velho não aguardou uma resposta de seu filho, subindo e acompanhando a esposa no quarto do casal com passos firmes.

Itachi ainda ficou algum tempo sentado, temendo levemente dos pés a cabeça. Não queria fazer, não podia fazer! De nada adiantara tornar os últimos momentos de seus pais mais felizes, nada modificava o fato de que seria através de suas mãos que o casal Uchiha perderia a vida covardemente.

Abruptamente, levantou-se da cadeira e correu em direção ao quarto de seus pais. Iria tirá-los de lá! Iria fugir com eles, e conseguiria resolver toda essa babaquice de...

Seus pensamentos foram mais uma vez interrompidos por Kakashi. O grisalho estava parado de braços cruzados ao lado da porta entreaberta do quarto do casal, encarando Itachi com um olhar expressivo e repreendedor. O moreno fitou seu olhar por alguns instantes, quando a memória das palavras de Kakashi retornaram a sua mente.


_ Se não conseguir cumprir a missão, eu serei designado a realizá-la. E caso eu não consiga realizar, outra pessoa o fará. É algo inevitável. O destino, Itachi, é inevitável. Ninguém dribla o destino.


_ Me desculpe pelas coisas horríveis que eu falei pra você... – ouviu a voz de seu pai soar contidamente de dentro quarto, interrompendo suas lembranças, assim como um estalar e lábios semelhantes ao som de um beijo apaixonado.

_ Eu estou tão feliz, meu amor! – a voz de Mikoto soou no mesmo tom, assim como mais e mais estalos de lábios em selinhos apaixonados.

Kakashi suspirou minimamente, caminhando até o local onde Itachi permanecia como uma estátua e entregou-se um vidrinho em suas mãos, sussurrando em seguida no seu ouvido.

_ Se outro alguém fizer a sua missão, não ligarão para tais gentilezas. Mas ninguém disse que precisa haver dor. — encarou uma última vez os olhos confusos e desesperados de Itachi, fechando os dedos do homem mais novo ao redor do vidrinho, e descendo as escadas com extrema cautela, sem fazer um barulho sequer.


(***)


_ O fácil, no entanto, não significa o correto. Acho que errei em muitos momentos da minha vida por seguir cegamente as regras, sem levar em consideração as situações fáticas e o dinamismo humano. Nós não somos robôs que atendemos a verdades absolutas que são as regras da física, química e matemática. Nós somos humanos. E muitas vezes eu esqueci o quanto a humanidade era importante, muito mais importante do que uma mera missão.


(***)


Itachi sentava-se ao lado da garagem, na grama do jardim. Chorava, sem nem se importar em manter a "postura Uchiha". Sabia que aquela altura seus pais já estavam mortos, que não haveria mais volta alguma...

Kakashi estava certo, não havia a necessidade de sentir dor.

O pó que o grisalho o dera se tratava de um sonífero forte, e Itachi o utilizara em um brinde antes da partida conjuntamente com os pais. Os dois não chegaram sequer a terminar a taça de champanhe antes de adormecerem, cada qual segurando fortemente a mão um do outro.

Demorou quase meia hora para criar coragem e colocar os dois pais dentro do carro, no banco de trás. Com a mão tremula e coberta por aquelas luvas de médico idiotas que Sasuke sempre jogava em qualquer canto da casa, ligou o carro, colocando-o em ponto morto. Abriu as janelas do carro, fechou as janelas da garagem... Fitou seus pais uma última vez, registrando o quão serenos aparentavam ao estarem dormindo daquela maneira, e se retirou, fechando a garagem sem deixar qualquer fresta para escapatória do monóxido de carbono.²

E agora chorava, sem ter forças para se levantar e apagar as evidências. Mal ouvia o ronco do motor suave ao seu ouvido, pois começara a chover, e os barulhos de trovões abafavam qualquer outro som.

_ Itachi... Eu termino por você. – ouviu Kakashi falar ao pé de seu ouvido, acariciando suas costas na tentativa de reconfortá-lo, fingindo ignorar os soluços penosos do pupilo.

Colocou, da mesma maneira, um par de luvas de borracha. Abriu a garagem, aguardou a saída do ar envenenado, e entrou no carro.

Debruçou-se sobre o banco do motorista, medindo a pulsação dos dois corpos, certificando-se de que realmente estavam mortos. De fato estavam, até levemente gelados, e isso significava que Itachi, realmente, havia conseguido cumprir sua missão por conta própria. Ajeitou-se no banco, engatou a primeira marcha e dirigiu para fora, a fim de simular o acidente de carro.

Ele faria isso e apagaria as demais digitais da casa, afinal de contas, não havia porque torturar o moreno ainda mais. Humanidade, às vezes, podia ser colocada no meio de missões...

Apenas às vezes...

A explosão ouvida minutos depois apenas fizera a ficha de Itachi cair.

E Itachi Uchiha morreu naquele exato instante. Nascia a farsa, a mentira, a sombra: Itachi Sarutobi.


(***)


Itachi sentia-se em um dèjá vu. Aquela chuva, a mão de Kakashi estendida à sua frente, aguardando para ser agarrada... As lembranças apenas retornavam cada vez com mais intensidade, a vontade de desaparecer do mundo triplicava de uma maneira colossal.

Como o Uchiha simplesmente o olhava com aqueles olhos ônix desprovidos de qualquer sentimento, Kakashi achou que deveria agir mais escancaradamente. Puxou a gola de sua blusa para baixo, revelando seu o rosto ao moreno, que arregalou o olhar diante da exposição.

Sorriu, contente por conseguir alguma reação do príncipe do gelo, levando a mão às costas, abrindo sua mochila impermeável e retirando de dentro desta o notebook velho e surrado. Arremessou-o metros à frente.

_ Kakashi! – Itachi exclamou, visualizando os pedaços espatifados do computador quicarem pela calçada encharcada. Kakashi riu, e então o Uchiha voltou a fitá-lo, sem demonstrar mais nenhum vestígio da máscara que sempre usava em suas feições.

_ Os que quebram as regras são considerados lixo e castigados nesse mundo em que vivemos; mas, os que abandonam seus amigos, são piores que lixo.³ – falou com um sorriso nos lábios, estendendo novamente a mão para o pupilo.

E, cessando qualquer tentativa de entender o que acontecia, Itachi aceitou o gesto, repetindo o dèjá vu uma segunda vez e tomando a mão de Kakashi para que este o ajudasse a se levantar.


...Continua...


Notas finais
¹ Regra 1.
² A ingestão de monóxido de carbono fora a causa da morte do casal, não o acidente de carro. O acidente se dera apenas para abafar os vestígios do elemento químico, pois em batidas de carro podem ocorrer explosões, e a incineração de cadáveres torna difícil a realização de investigação legista ao ponto de descobrir o envenenamento pelo CO.
³ Esse é um quote original do Kishimoto. Kakashi fala isso na época do clássico, logo após a primeira missão do time 7, nos episódios iniciais do anime.
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N/A: O capitulo foi MUITO trabalhoso por causa das épocas diferentes de cada cena (e consequente diferença de personalidade de cada personagem principalmente do Kakashi, que se modifica no tempo) então, pelo amor de Deus, me digam o que acharam! o/