The Plan
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Gomen, sei que demorei mais do que devia e podia.
Em minha defesa, digo que as provas foram de matar. Mas valeu a pena, ao que tudo indica não peguei prova final em nada, então as atualizações não serão interrompidas novamente até meados de Agosto. Também quero que vocês saibam que The Plan sempre foi e sempre será a minha fanfic mais difícil de escrever, e por isso demanda bastante tempo...
Espero que compreendam e a espera tenha valido a pena. Agora é período de férias, então vou atualizar mais!
Dedico a primeira cena deste capítulo a minha irmãzinha, apesar de saber que ela jamais vai chegar a ler... Mas caso um dia ela leia, ela vai saber o significado dessas palavras: Sim, sua troncha, eu ouvi essa conversa. ♥
Agradeço a xuxua sentimental Nuylan por me ajudar com a correção, principalmente desse capítulo em especial. Thanks, xubs.
THE PLAN
_ Okaasan... – Mikoto abriu os olhos e não precisou pensar muito para compreender que a figura pequena que a abraçava de lado se tratava de Sasuke, e pelo tom de voz, um Sasuke choroso. Preocupada, girou o corpo e abraçou seu filho mais novo, retirando os cabelos bagunçados do rosto de criança e fitando os olhos cheios de lágrimas.
_ O que foi meu amor? Teve um pesadelo? – o mais novo não respondeu, abaixando o olhar e escondendo o rosto corado no pescoço de sua mãe.
_ Arg... Sasuke, o que você está fazendo aqui há essa hora? – Fugaku reclamou, sentando-se na cama e olhando para o caçula com censura.
Sasuke encolheu-se ainda mais nos braços de Mikoto, pois não queria que seu pai o retirasse da cama de casal. Sabia que desde que completara dez anos o progenitor havia deixado explícito desejar que seu filho mais novo abandonasse esses hábitos infantis e se tornasse um homem. Mikoto, por outro lado, fuzilou o marido com o olhar.
_ Ele só tem doze anos Fugaku, tenha a santa paciência!
_ Itachi não vem mais pra nossa cama desde que completou quatro anos. – Fugaku respondeu com frieza, tratando de encarar a mulher com o mesmo olhar ríspido.
Permaneceram na briga de olhares por alguns segundos, até que o pai de família cedeu, suspirando profundamente. Levantou-se da cama, deu a volta, beijou Mikoto rapidamente nos lábios, gesto este que a fez corar e sorrir. Em seguida, fitou seu filho mais novo no colo da esposa, bagunçou ainda mais seus cabelos com as mãos e falou com um tom de voz sério.
_ Eu só quero seu bem Sasuke. Se você não crescer, a vida vai judiar muito de você. Tente ser mais independente como Itachi, ok?
Sasuke não respondeu, evitando olhar seu pai nos olhos. Odiava parecer um fraco na frente de seu Nii-san e Otousan, e só de imaginar em receber um olhar reprovador seus olhos brilhavam ainda mais com maior quantidade de lágrimas a serem derramadas. Mikoto murmurou um “Vá, Fugaku”, e o marido caminhou para fora do quarto, deixando mãe e filho a sós.
Na companhia de morena, Sasuke sentia-se mais confortável para liberar seus sentimentos, deixando as primeiras lágrimas escorrerem ao enterrar seu rosto molhado na dobra do pescoço da mãe mais uma vez, e esta passou a acariciar suas costas com ternura.
_ O que aconteceu Sasuke? – perguntou depois de alguns minutos, quando ficou claro que Sasuke estava pretendendo dormir com a mãe, e não falar. Por mais que Fugaku tivesse sido compreensivo e houvesse permitido o momento de mãe e filho, ela tinha plena consciência de que o marido não ia gostar nem um pouco de retornar ao quarto e encontrar o caçula ainda em seus braços.
Ainda mais chorando.
_ Itachi-nii não gosta mais de mim.
Mikoto sorriu docemente, puxando Sasuke até que este sentasse ao seu lado. Tinha vontade de rir quando Sasuke falava essas bobeiras de irmão ciumento, mas sabia que isso apenas ia ferir o maldito orgulho Uchiha que todos os homens de sua vida pareciam ter, e ele jamais voltaria a pedir sua ajuda. Então se limitou apenas a sorrir docemente, ajeitando os cabelos revoltos do filho que ainda evitava seu olhar, encarando o próprio colo.
_ Sasuke, esse choro é de novo por causa do Naruto?
_ Por que esse Dobe tem que ficar no pé do Itachi toda hora Okaasan??
_ Não o chame assim. – censurou levemente autoritária — Porque ele é uma criança sozinha, e Itachi esta sendo gentil em ajudá-lo Sasuke. Você devia fazer o mesmo...
_ Não! – falou em voz alta, emburrando-se e sentando-se com energia. Cruzou os braços e finalmente fitou os olhos de Mikoto, sem vestígios de lágrimas a não ser pelos longos traços salgados em sua bochecha – Ele não tem o direito de roubar o meu irmão só porque não tem um!
_ Sasuke, você esta sendo infantil... – o garoto abriu a boca para protestar, mas sua mãe o silenciou com o indicador sobre os lábios – Detesto concordar com seu pai, mas está mesmo. O que o Itachi fez pra você achar isso dessa vez?
_ Itachi disse que ia dar uma saída, mas prometeu que voltava pra jogar vídeo game comigo, e já está de noite... Ele se esqueceu de mim. – respondeu dengosamente, fungando. Mikoto precisava controlar-se totalmente para não se render aos dengos de seu caçula e abraçá-lo, permitindo que dormisse consigo. Sabia que o mais novo já tinha tomado consciência de que seus dengos eram o pronto fraco da progenitora, e utilizava-se destes artifícios como arma.
_ Sasuke – suspirou, pegando a criança no colo e retirando-a de sua cama, colocando-o de pé ao seu lado – Itachi pode ter saído com outro amigo, ou uma namorada... Ele está na idade de querer sair. Por que você já vai e pensa que foi Naruto? Garanto que se ele tivesse saído esta noite com o Shisui você não agiria assim.
_ Mas mamãe...
_ Não Sasuke. Não vou corroborar com isso, você está errado. E outra, se tem algum problema com o Itachi nesse aspecto, converse com ele. Seu irmão te ama, vai ouvir seus anseios.
_ Ama nada... – respondeu, fazendo bico. Mikoto sorriu novamente, dando um beijinho rápido nos lábios do mais novo, fazendo-o sorrir minimamente e desfazer a birra.
_ Ama sim, assim como eu e seu pai. As pessoas têm jeitos diferentes de expressar o amor, e se você refletir bem, vai se recordar das inúmeras vezes que Itachi deixou claro o quanto te ama.
_ Ok... – Sasuke respondeu, sentindo-se reconfortado pela demonstração de afeto de sua mãe. Esfregou os olhos, enxugando-os com a manga do pijama e se preparou para se retirar, dando um beijo rápido na bochecha de Mikoto, que tornava a se acomodar em seus lençóis. Caminhou para fora do quarto, mas assim que colocou a mão sobre a maçaneta, ouviu um pigarrear suave chamando novamente sua atenção.
_ Sasuke meu amor, nunca se esqueça de uma coisa: quando eu e seu pai morrermos, é Itachi quem viverá por você, e você quem viverá por ele. Vocês são irmãos, e esse é um laço muito forte e pra vida toda. Tenho certeza que ele não se esquece de você nem por um minuto, assim como você nunca vai esquecer-se dele, não é mesmo?
Sasuke sorriu, compreendendo o ensinamento que sua mãe queria lhe passar, olhou brevemente para a cama, concordando animadamente com a cabeça.
_ Hai! – falou com entusiasmo, retirando-se do quarto e correndo para de volta para o seu, pretendendo dormir cedo e importunar Itachi quando acordasse. Ele estava devendo vários rounds de vídeo game. Mas assim que abriu a porta, percebeu que seu quarto não estava inabitado como ele imaginava.
Itachi estava deitado em sua cama, de bruços, segurando o controle de seu supernintendo e realizando combos que Sasuke jamais havia visto. Itachi olhou minimamente para a porta, voltando a se concentrar no jogo enquanto falava, com um sorriso de canto de boca e provocador a postos.
_ Achei que ia ficar chorando no ouvido da Okaasan a noite inteira, Otouto.
_ Aniki! – Sasuke estava tão feliz que nem se deu conta da provocação do primogênito, correndo para dentro do quarto e colocando-se entre Itachi e televisão. O mais velho se viu obrigado a pausar o jogo, sentando-se corretamente na cama e finalmente encarando Sasuke, que sorria extremamente feliz – Você veio!
_ Claro que vim. De que adianta ter passado a tarde inteira atrás daquele jogo que você queria se não fosse trazê-lo pra você?
_ Foi isso que você foi fazer?
_ Lógico, o que mais seria? — respondeu, tirando uma fita do bolso de moletom e entregando para seu irmãozinho. Os olhos de Sasuke brilharam em contentamento, e Itachi realmente achou que o menor iria lhe abraçar em gratidão daquela vez.
Mas, obviamente, isso não aconteceu. Sasuke o amava profundamente, e ele tinha a completa certeza disso, mas o orgulho era ainda maior. Pegou com velocidade o novo jogo, retirando o antigo do vídeo game e colocando a fita nova, ligando o aparelho e agarrando o segundo controle. Jogou-se ao lado de Itachi na cama, e ambos passaram a aguardar o inicio da disputa com avidez.
_ Quem perder, vai lavar a louça o dia inteiro amanhã. – Sasuke desafiou, mexendo nos botões com velocidade na tentativa de pegar o melhor personagem jogável, mostrando a língua para Itachi quando conseguiu fazer tal façanha antes do mais velho.
_ Nossa Sasuke, não sabia que você gostava tanto de detergente assim. – respondeu entre uma risada, escolhendo um personagem de nível mediano.
_ Cale a boca Nii-san! – respondeu, tentando não sorrir e falhando miseravelmente. Estava realmente muito feliz com a companhia do irmão, e sua felicidade apenas crescera por saber que ele esteve fora procurando o presente. Seu presente.
Itachi também gostava da companhia de Sasuke. Claro que o provocava, afinal de contas, era irmão mais velho: e é isso que irmãos mais velhos fazem.
Quando Naruto o chamou para comprarem jogos àquela tarde, Itachi obviamente ficou feliz por poder passar um tempo com o amigo...¹ Mas em nenhum momento esqueceu-se do jogo que Sasuke tanto desejava.
Jamais conseguiria esquecer-se de Sasuke.
(***)
Malditas recordações que não tinham hora nem lugar para aparecerem em sua mente!
Sasuke piscou furioso, balançando a cabeça com força e voltando a encarar Naruto com o olhar extremamente feroz. Os olhos azuis do ex-marido exibiam o brilho de desespero, olhando para todos os lados a procura de um milagre que conseguisse o retirar dali. Sasuke nem precisou aguardar uma resposta: o silêncio falava por si só.
Não adiantava, por mais que tentasse acreditar nas palavras de Shikamaru, por mais que tentasse compreender a ligação de Itachi e Naruto, por mais que arranjasse alguma maneira de toda aquela confusão ter algum sentido... Nada mais adiantava. Não quando ele acabara de descobrir quem era o maldito cretino que assassinara sem dó as pessoas que mais o amavam no mundo, e o pior de tudo: o maldito cretino nada mais era do que seu irmão mais velho.
Interrompeu o olhar com Naruto, andando com velocidade até a porta: iria sair dali, iria encontrar Itachi e fazê-lo pagar com sangue por toda destruição que causara em sua vida. Pouco interessava o relacionamento que possuíam quando eram crianças, estava mais do que evidente que tudo não passara de uma farsa muito bem criada. Itachi sempre foi ator, Sasuke sempre soube disso.
Itachi nunca mentia. Nunca. Isso não significava que ele era incapaz de ludibriar. Seu irmão não era conhecido como prodígio atoa, pois conseguia, em geral, causar a impressão que desejasse nas pessoas, tanto seus grandes amigos quantos aqueles que pouco o conheciam. Itachi era uma incógnita, um verdadeiro ator – e o mais irônico disso tudo era que conseguia demonstrar exatamente o contrário do que sentia ao utilizar as feições neutras e um bom jogo de palavras. Jamais mentia, mas manipulava cada palavra de maneira a causar o entendimento almejado instantaneamente.
E Itachi estava atuando agora. Anos de convivência com o irmão mais velho serviram para alguma cosia, afinal.²
Uma ova! – sua mente gritava em protesto, afastando aquelas recordações que voltavam à sua mente. Itachi o enganou! Itachi era um prodígio, óbvio que seria capaz de enganá-lo!
_ Sasuke!! – Naruto tentou impedi-lo, agarrando seu braço. No mesmo instante, o Uchiha conseguiu se desfazer da pegada de Naruto, invertendo suas posições e apertando o pulso do loiro com força, fazendo-o sugar ar pelos dentes ruidosamente devido a dor.
_ Eu ou ele. Escolha agora. – rosnou ferozmente, envolto em uma áurea tão sinistra que chegou a assustar o político.
Naruto continuou a fitá-lo, exibindo falta de esperança, como se não mais reconhecesse a pessoa que o segurava daquela forma.
_ Uchiha, Naruto não pode...
_ Cala a merda da sua boca, ninguém te dirigiu a palavra Nara! – Sasuke gritou com toda força, passando a respirar de maneira ofegante, tentando manter a cabeça e não quebrar de vez o pulso do ex-companheiro. A conexão de olhares pendurou por mais alguns instantes, Naruto tentando utilizar suas artimanhas e acalmar Sasuke com o olhar como sempre fazia.
Mas dessa vez parecia não estar surtindo efeito...
_ Eu repito: faça sua escolha agora. – ordenou em um sibilo selvagem, sentindo no tato de seus dedos os pelos de Naruto se eriçarem devido ao tom de voz que utilizara.
_ Eu... – começou a falar, seu lábio inferior tremia e ele sentia extrema vontade de chorar. Estava cansado de tudo aquilo, estava cansado de sofrer e fazer os dois irmãos Uchiha sofrerem, cansado de envolver terceiros naquela confusão. Mas simplesmente não conseguia dar uma resposta diversa do que a de praxe – Eu não posso escolher Sasuke. Eu amo vocês dois da mesma maneira.
E então ambos sentiram a diferença... Não havia mais como negar:
Os olhos azuis de Naruto, que tanto brilhavam perante o olhar de Sasuke, tantas emoções transmitiam e compartilhavam... Tornaram-se meros olhos normais, ainda sim belos, porém como quaisquer outros olhos da mesma coloração. O loiro, por sua vez, conseguiu visualizar pela primeira vez a máscara de frieza e os olhos gélidos e nada profundos que todos insistiam em dizer que Sasuke possuía: desprovidos de emoção, de intensidade e clamor – belos, porém mortos. Nem mesmo a raiva de antes estava presente para sua percepção.
_ Nossos laços acabam aqui, Uzumaki. – falou friamente, soltando seu braço e dando-lhe as costas, pronto para por um ponto final em tudo aquilo e não olhar mais para trás. Naruto ameaçou correr, mas Shikamaru foi mais rápido, impedindo que o loiro desse sequer um passo à frente.
_ Sasuke!! SASUKE!! POR FAVOR!! – gritava em plenos pulmões, desesperado, enquanto via a silhueta de Sasuke desaparecer no horizonte chuvoso e escuro. Shikamaru não permitiu em nenhum momento que este se soltasse, e depois de alguns segundos de escândalo, tapou a boca de Naruto com uma das mãos.
_ Naruto pelo amor de Deus! Várias pessoas dessa cidade estão atrás de você, fique quieto! – falou com urgência em seu ouvido, fazendo o politico finalmente recobrar a consciência de seus atos. Concordou timidamente com a cabeça, deixando as lágrimas escorrerem assim que seu assessor o soltou, mantendo-se de costas para o moreno enquanto tentava estabilizar a respiração.
_ Eu quero fazer algo Shika... Dói, muito. Aqui. – sussurrou, segurando o peito com a mão direita e apertando sua camisa encharcada com força.
Doía muito, doía muito mais do que quando Sasuke pedira divórcio, e ele jamais acreditou que conseguiria sentir uma dor daquela magnitude. Mal conseguia respirar corretamente, e quando pensava que perdera a ligação com Sasuke... Sua vontade, sem qualquer enaltecimento à dor, era de morrer.
_ Se dói pra mim, imagino o quanto doa pra você...
Ao ouvir essas palavras, Naruto girou os calcanhares e encarou seu amigo, percebendo, pela primeira vez, que este também deixava uma lágrima escorrer. No entanto, suas feições estavam impassíveis e serenas e ele sorria um sorriso amarelo, tentando reconfortar o amigo que tanto sofria.
_ Por que você também está chorando?
_ Estou com raiva e irritado com tudo isso. Eu também sou gente Naruto, também tenho meus limites... – sussurrou penosamente, limpando a lágrima solitária com a ponta dos dedos.
Naruto piscou atordoado, sem saber exatamente o que falar. Ver Shikamaru sofrendo pela confusão que ele estava causando apenas o fazia se sentir cada vez mais como um lixo deplorável. Abriu e fechou a boca diversas vezes, antes de falar a única coisa que conseguia proferir naquela situação:
_ Eu sinto muito...
O moreno o encarou, sorrindo de canto de boca e bagunçando os cabelos molhados do chefe. Respirou fundo, tentando conter novamente as emoções e voltar a agir com profissionalismo. Andou até a porta, fechou-a e passou a tranca de segurança. Buscou seu receptor dentro da jaqueta impermeável, verificando se alguma missão relativa à Sasuke era iniciada.
No entanto, nada de novo apareceu no envelope.
_ Bom... Aparentemente Sasuke não fará nenhuma besteira nos próximos momentos, eu estou encarregado das missões referentes a ele por algum motivo e não recebi missão alguma. – explicou para o loiro, que suspirou aliviado, retirando a mão do peito e passando-a nervosamente sobre os cabelos, antes e andar até uma das cadeiras do colega e sentar-se em uma posição que transmitia o desespero intenso. Shikamaru resolveu prosseguir o assunto de Itachi, já que aparentemente o loiro havia se esquecido – Eu sei que Itachi matou os pais Naruto, eu recebi um dossiê da família Uchiha quando fui promovido ao terceiro grau... Mas você precisa saber que isso foi uma missão.
_ Não interessa Shika... Sendo missão ou não, que tipo de pessoa faz isso? – respondeu, com a voz fraca, encarando os próprios joelhos, mas se controlando para não chorar novamente. Já nem tinha forças para chorar mais uma vez – Itachi é um monstro, Sasuke está certo.
_ Não, não esta. Naruto, olhe pra mim. – o loiro realizou o ordenado, e Shikamaru continuou a observa-lo com o olhar triste e o sorriso falso nos lábios – Você deve estar congelando, tome um banho e depois pegamos um taxi, vamos até o partido para que eu pegue meu carro e vamos buscar Itachi. Precisamos conversar, nós três. Já estamos envolvidos nisso até o talo, não adianta você deixar de confiar no Uchiha nessa altura do campeonato. Tenho certeza que entenderá os motivos dele.
_ Espero que você esteja certo. – Naruto respondeu, levantando-se e subindo as escadas em direção ao banheiro. Já estivera na casa de Shikamaru inúmeras vezes, sabia muito bem onde cada coisa se encontrava. Quando chegou ao último degrau, se deu conta de que o assessor também estava molhado, e virou-se para encarar Shikamaru no andar de baixo – Você não vai tomar banho? Também deve estar com frio.
_ Eu estou bem, pode ir. – respondeu, voltando para o local onde cochilava a pouco e sentando-se no sofá encharcado. Naruto ainda o encarou algumas vezes, até finalmente continuar seu caminho ao banheiro.
Quando ouviu a porta ser fechada, Shikamaru deixou suas emoções aflorarem. Pegou um enfeite de porcelana próximo, jogando-o com toda força e extrema raiva na parede oposta, ao mesmo tempo em que lágrimas de raiva e fúria voltavam a escorrer de seus olhos.
_ Não é apenas problemático viver num mundo assim. – sibilou para os cacos de porcelana, controlando-se para não quebrar um novo objeto – É asqueroso.
(***)
Não sabia ao certo o que deveria falar: Itachi jamais imaginou que Kakashi abdicaria de tudo para ajudá-lo, nem em seus devaneios mais surreais. Sentia-se levemente culpado por isso, pois sabia que, cedo ou tarde, seu tutor sofreria as consequências pelos seus atos irracionais.
Mas Kakashi ainda sorria, parecendo despreocupado e contente com o que acabara de fazer.
_ Bom, mais um pra lista de cassados... – Itachi comentou sutilmente, soltando sua mão das mãos do grisalho ao se levantar. Olhou novamente o rosto descoberto, encarando o sorriso e se perguntando por que diabos o mais velho tinha essa mania estranha de esconder a parte inferior da face... Afinal, possua um dos sorrisos mais alinhados e belos que o moreno já vira na vida. Balançou a cabeça minimamente, não era hora para pensar nesses assuntos revestidos apenas de leve curiosidade, precisavam agir.
Como se estivesse lendo os pensamentos de Itachi, Kakashi novamente encobriu o rosto, feliz por finalmente arrancar uma reação do Uchiha. Percebeu que a surpresa estampada no rosto de Itachi se desfez, e o olhar astuto de quem aguardava ordens estava a postos. O grisalho ficou ainda mais contente, pois fazia anos que Itachi não confiava o suficiente em si para acatar qualquer ordem sua, como fazia antes de toda essa confusão com Naruto começar.
_ Ok Itachi, já que eu vou me ferrar junto com vocês dois, vou me certificar de fazer tudo que está no alcance pra conseguirmos realizar o necessário. Por mais que eu já possua algumas ideias do que devemos fazer, gostaria de discuti-las com Shikamaru antes.
_ Por quê? – questionou, franzindo o cenho sem realmente entender onde o mais velho desejava chegar.
_ Porque estou à parte apenas de metade das situações, Shikamaru deve estar à parte de outra metade. Acredito que juntando ambas as informações, consigamos resolver esse enigma a respeito do que está acontecendo nos planos superiores. Sinceramente, há uma grande falha em minha teoria, pois de acordo com ela, Sasuke não teria a capacidade de recordar o passado.
_ A teoria de Shikamaru também é falha nesse aspecto...
_ Mais um motivo para conversarmos todos juntos.
_ Há uma nova informação que preciso acrescentar.
_ Diga.
_ Naruto teve sua consciência teleportada para o Lobby, e usaram como receptor para isso o corpo de Sasuke. Naruto recebeu uma ameaça, para que nos rendêssemos, caso contrário, Sasuke sofreria as consequências. E, ao mesmo tempo, Sasuke foi teleportado para o corpo de Naruto, se assustou com minha presença e, talvez por isso, a ligação temporária foi desfeita.
Um trovão particularmente forte apenas embalou ainda mais as palavras impactantes de Itachi, Kakashi não podia se sentir mais surpreso na vida do que naquele determinado instante. Em todos os treinamentos que passara nessa vida (e em algumas vidas passadas, diga-se de passagem) nunca tomou consciência de que a ligação de almas gêmeas possuía tal capacidade.
_ Tem certeza que Naruto não sonhou com isso?
_ Sasuke está no Lobby, não está? – Itachi respondeu a pergunta outra pergunta, confirmando a veracidade do que dizia. Kakashi mordeu o lábio, levemente preocupado e se sentindo arrependido por ter levado o Uchiha mais novo aos tratos das almas superiores... A situação era ainda mais complexa e injusta do que imaginava.
_ Vamos atrás de Shikamaru Itachi, temo que sem o complemento dessas lacunas vamos continuar andando em círculos.
_ Mas Sasuke...
_ Sasuke tem um plano superior importante, ninguém vai matá-lo, não se preocupe. E sem um bom planejamento, não conseguiremos tirá-lo de lá. – Kakashi recomeçou a andar na rua cheia de poças, ignorando novamente a chuva.
Alguns segundos depois ouviu os passos apressados de Itachi, e não pode evitar de sorrir. Por mais que tudo estivesse uma completa bagunça, era realmente bom ter seu amigo de volta.
(***)
_ Shikamaru eu estive... pensando... – Naruto parou prontamente de falar, ao perceber seu amigo dormindo profundamente no sofá.
Os lábios de Shikamaru estavam roxos devido ao frio, e ele estremecia de leve. Mas ao que tudo demonstrava, seu sono era maior do que qualquer outro incomodo momentâneo. Realmente, o assessor passou por poucas e boas nos últimos dias, e por mais que seus dias também houvessem sido uma completa loucura, Itachi e ele conseguiram dormir por algumas horas no quarto de motel.
Itachi...
Andou mecanicamente até o quarto principal da casa, encontrando um cobertor acima da cama. Levou para a sala e cobriu Shikamaru, decidindo conceder-lhe algumas horas de descanso. Itachi era adulto e evoluído, saberia se cuidar. O mesmo valia para Sasuke.
E Naruto... bom... Naruto precisava pensar.
Sentou-se em uma poltrona, expirando ruidosamente e jogando a cabeça para trás. Massageou as têmporas com os dois indicadores, tentando fazer aquela dor de cabeça insuportável conseguisse se esvair. Seu assessor tinha razão: por mais condenável que fosse às ações de Itachi, ele merecia poder tentar se explicar. Se Shikamaru, que tinha acesso a um dossiê da família Uchiha, havia verbalizado que Naruto não deveria deixar de confiar no primogênito, ele talvez devesse ouvir a explicação antes de tirar suas próprias conclusões.
Sua mente continuou a refletir sobre as mais diversas possibilidades, suspeitava até que houvesse caído no sono por alguns instantes, até que ouviu batidas leves na porta. Aguardou alguma reação de Shikamaru, mas este sequer se moveu com o barulho; deveria realmente estar exausto.
Levantou-se, decidindo atender a porta por conta própria. Por precação (afinal de contas, não é prudente abrir a porta para estranhos, muito menos sabendo que seu nome estava estampado em vários receptores alheios) olhou através do olho mágico, surpreendendo-se ao fitar o corpo por ele tão conhecido.
Abriu apenas uma fresta, encarando Itachi com um olhar entristecido. O moreno retribuiu seu olhar da mesma maneira, e Kakashi fez um barulho de impaciência ao seu lado, anunciando pela primeira vez sua presença para o loiro distraído.
_ Naruto, este é o meu tutor, Kakashi. – Itachi apresentou-o, um pouco envergonhado pela situação fora do convencional. Naruto cumprimentou o grisalho com um aceno leve de cabeça – Ele veio para nos... ajudar.
_ Acho que você e Itachi têm que conversar. – o próprio Kakashi falou, apressando-se e entrando no apartamento de Shikamaru sem ser convidado, escancarando a porta no processo. Caminhou até a sala, sentou no sofá onde o loiro havia cochilado há poucos instantes e se espreguiçou, continuando sua explicação – Conheço Shikamaru há anos, e precisamos conversar sobre estratégias. Vamos esperar ele acordar, enquanto isso vocês dois deveriam conversar.
Naruto corou levemente, fitando seus próprios pés por alguns instantes. Por fim, percebeu que as palavras do grisalho estavam corretas, e puxou Itachi pelo pulso para dentro de casa, sentindo o formigar tão conhecido com o contato físico. Itachi seguiu seus passos sem pestanejar, batendo a porta da frente após atravessá-la e acordando Shikamaru com o som mais alto do que o convencional.
_ Ei, oi, não se desespere. Venho em paz! – Kakashi falou, com as mãos para frente em sinal de redenção, assim que Shikamaru avistou sua presença e pulou para cima de si. Desconfiado, o moreno andou para trás, fitando o mais velho e aguardando maiores explicações. O grisalho suspirou fundo, passando as mãos pelos cabelos molhados – Isso é problemático...
_ Era exatamente o que eu ia dizer Hatake, explique-se, já! – Shikamaru ordenou.
Itachi não foi capaz de continuar a prestar atenção na conversa, pois Naruto o arrastara até a cozinha e fechava a porta, tentando conseguir um momento de privacidade.
Por algum tempo, ficou de costas para o amado, segurando a maçaneta com força e tentando chegar a uma decisão do que fazer. Itachi fitava as costas do loiro, também envolto na mesma indecisão a respeito do que deveria ser dito ou feito.
Por fim, decidiu deixar a natureza de suas ações seguirem seu curso, e deu dos passos à frente, envolvendo Naruto em um abraço e descansando seu queixo no ombro esquerdo do amado. O loiro suspirou profundamente, fez um barulho de irritação com a boca, mas não tentou se soltar da pegada de Itachi.
_ Itachi, por favor...
_ Eu preciso que confie em mim, se você não confiar de nada adiantará te contar tudo isso. Eu vou quebrar mais uma regra³ em revelar os detalhes a uma alma não desperta, então preciso saber se valerá a pena. – o moreno sussurrou ao pé de seu ouvido, inalando o cheiro de banho tomado que Naruto exalava imerso em completo deleite.
Sem sequer se dar conta do que fazia, beijou com leveza o pescoço do enamorado, e visualizou ali uma marca roxa de relance antes de Naruto girar o corpo para encará-lo novamente. Não era uma marca feita por ele, e definitivamente não estava ali na noite passada.
Itachi fitou os olhos cor de topázio, verificando emoções extremamente intensas por detrás da coloração azulada. Naruto parecia confuso, extremamente perdido, e imerso em grande sofrimento.
_ Confie em mim. – tornou a pedir, sem jamais desfazer o contato visual. Em um determinado momento o politico lacrimejou, mas conseguiu se controlar antes de derramar novas lágrimas. Pigarreou alto, afastando seu corpo de Itachi minimamente. Deu a volta na cozinha e apoiou-se na pia, novamente deixando apenas suas costas à vista de Itachi.
_ Sasuke esteve aqui, me ouviu falar a respeito desse... acontecimento... E cortou nossa ligação devido à intensa raiva que sentiu de você e por mim, provavelmente por me considerar um cúmplice. – explicou com a voz fraca, tentando mantê-la firme enquanto falava – Eu não sei mais o que devo fazer, estou perdido, não vejo mais saída. Não sei o que fazer para termos paz novamente.
_ Naruto, nós vamos conseguir. Não interessa a raiva que Sasuke está sentindo, não interessa o plano, não interessa nada disso. Eu te amo, e amo Sasuke como meu irmão mais novo. E se o amor não sobressair a tudo isso, não vejo motivos para viver em um mundo sem a soberania desse sentimento.
Itachi pretendia falar mais, verdadeiramente pretendia, mas no exato momento em que proferira as últimas palavras, o loiro girou os calcanhares e correu ao seu encontro, abraçando-o com força e tomando-lhe os lábios em um beijo terno e sem malícias.
Por mais que tivessem compartilhado esse tipo de carícias há poucas horas atrás, o beijo parecia ainda mais intenso do que antes. Itachi precisou se controlar imensamente para não gemer com um singelo tocar de lábios, e Naruto não se preocupou tanto com esse detalhe, deixando os sons escaparem garganta a fora. Quando os dois desfizeram o contato, saboreando cada qual a leve dormência em sua pele, Itachi voltou a encarar Naruto com seriedade, levando as mãos à lateral de seu rosto e afagando-o com carinho.
_ É importante que você me compreenda. Está pronto pra me ouvir?
_ Estou. – respondeu sem folego, imitando o gesto do mais velho e passando a acariciar a mandíbula de Itachi com os polegares – Eu te amo e não consigo deixar de te amar, independente do que você tenha feito.
_ Eu sei. – Itachi respondeu, unindo sua testa a de Naruto e desfrutando do momento de afeição por mais alguns segundos, até tomar as mãos de Naruto as suas, ganhando a atenção do rapaz novamente – E quero que saiba que o mesmo vale pra você. Sei muito bem que você e Sasuke não devem ter apenas discutido... Sua pele foi marcada por ele.
Naruto corou, levando uma das mãos ao pescoço. Recordou-se no mesmo instante da cena animalesca no beco daquela rua deserta, e tal lembrança causou um brilho no olhar de Naruto que não passou despercebido pelo moreno. No entanto, limitou-se a sorrir, por mais que seu coração ardesse em ciúmes.
Era humano, afinal de contas. Mas como todo humano, podia controlar suas emoções e deixar a racionalidade superar os impulsos irracionais e possessivos: Sabia que Naruto não tinha escolha, então não havia motivos para deixar-se exaltar daquela maneira.
_ Mas não me importo minha Raposa. Só quero que preste atenção no que tenho a lhe dizer.
Nos próximos minutos, Naruto não ousou desviar a atenção das palavras que Itachi proferia, por mais que muitas doessem de maneira intensa em seu coração. Seria forte e iria enfrentar toda essa confusão ao lado do amado, afinal de contas, Itachi enfrentara tudo completamente sozinho até o presente momento.
Era o mínimo que podia, e devia, fazer.
(***)
_ Ora veja quem vem lá? Fazia tempo que não tinha o prazer de ver caras novas nas redondezas!!
Era, sem sombra de duvidas, uma pessoa peculiar, levemente assustadora. Seus olhos castanhos puxavam para um tom esverdeado, tornando-se cor de mel e levemente dourados. Seus cabelos, compridos e soltos, eram negros e lisos, emoldurando o rosto de traços finos e perigosos. Sua pele era extremamente pálida, como se não saísse à luz do sol há meses. Provavelmente estava enclausurado naquela pocilga desde que abrira o negocio ilegal, era difícil para Sasuke chegar a um veredito.
_ Procuro seu material especial. – declarou com a voz seca e profissional, não gostando do ar amigável que o estranho tentava transmitir. O vendedor sorriu de canto de boca e exibiu um olhar perigoso e cintilante. E, surpreendendo Sasuke por sua confiança no mínimo integrante, começou a retirar as armas do compartimento inferior do balcão, exibindo-as como se fossem os objetos mais comuns do mundo, sem sequer suspeitar das intenções do Uchiha.
_ Temos aqui algo certeiro, de boa qualidade, sem grandes sofisticações, no entanto hábil: uma Beretta 92 .45 ACP. Agora, acredito que o senhor seja alguém mais pratico não é mesmo? O que me diz de uma M1911 .45 ACP? – para um leigo como Sasuke, as duas armas pareciam completamente iguais, então não soube responder a pergunta. O homem de longos cabelos fez um barulho de contemplação com a garganta, retirando mais alguns acenais do compartimento – Talvez uma Taurus PT-938? Ou você é do tipo clássico que prefere uma Walther PPK 9mm ou Smith & Wesson?
_ Como pode me mostrar tudo isso sem pestanejar? E se eu for um policial? – perguntou, não aguentando mais sua curiosidade. O homem piscou atordoado por uns instantes, mas por fim deixou-se levar por uma gargalhada intensa, balançando a cabeça e fazendo gestos como se estivesse com falta de ar. Sasuke notou a peculiaridade de seu comportamento, e percebeu que o vendedor estava agindo em total tom de chacota – Qual a graça palhaço?
_ Ora! Isso é jeito de se falar com alguém rodeado por tantas belezinhas como essas? – apontou para as armas, fazendo Sasuke abaixar o olhar para contemplá-las e relembrar onde se encontrava. Realmente não devia provocar o homem, por mais insuportável que ele fosse – Sasuke Uchiha, achei que fosse mais esperto do que isso!
Ao ouvir seu nome, o mundo de Sasuke parou de girar. Engoliu em seco, ergueu levemente o olhar das armas para o homem e percebeu, para o seu completo horror, que um revolver estava apontando diretamente para sua testa.
_ O nome é Orochimaru Sannin, alma de quarto grau, ao seu dispor. – assim que proferira tais palavras em um tom de voz arrastado, Orochimaru puxou o gatilho, fazendo o barulho metálico ecoar pelo ambiente. Sasuke fechou os olhos com força e parou de respirar, pronto para morrer.
No entanto, o dor do tiro não o atingira. Depois de alguns segundos, criou coragem e tentou novamente abrir os olhos, se surpreendendo quando fora capaz de realizar tal alto. Expirou ruidosamente, tremendo dos pés a cabeça, e o estranho excêntrico gargalhou avidamente.
_ Não costumo matar os integrantes de minhas missões Uchiha, fique tranquilo. – girou a arma com os dedos, entregando-a apontando seu cabo em direção ao mais novo, indicando estar entregando-lhe o objeto.
Com as mãos trêmulas e os olhos arregalados, o médico compeliu o ordenamento silencioso e tomou a arma às mãos. Orochimaru pareceu satisfeito, e retirou um novo objeto debaixo do balcão enquanto falava.
_ Esta é uma Colt Python .357 Magnum, atenderá prontamente seu objetivo, se me permite conceder minha humilde opinião.
_ Como sabe o que pretendo fazer? – a pergunta deveria ter saído ríspida de sua garganta, mas Sasuke gaguejara e falhara miseravelmente, praticamente sussurrando; afinal, ainda estava em choque pela sensação de quase morte.
_ Vejamos. – o moreno de cabelos cumpridos apontou para o objeto que segurava, e o Uchiha se deu conta de que se tratava de um pequeno álbum de fotografias. Cantarolando com despreocupação. Orochimaru passou a folhear as páginas de plástico, até encontrar uma onde continha uma solitária foto do próprio Sasuke, a qual ele não recordava de ter tirado em nenhum momento de sua vida. Retirou a fotografia do plástico, girando-a e lendo o conteúdo escrito atrás do retrato, de modo que o mais novo não conseguia ler conjuntamente, apenas observar os contornos de seu próprio rosto abatido – Sujeito: Sasuke Uchiha. Idade: 28 anos. Moreno, pálido, olhos cinza-escuro, magro, 1,77 de altura. Alma em primeiro grau. Desenvolvimento passado: retrógrado. Plano superior... – neste momento, Orochimaru fez uma pausa em sua leitura, passando a gargalhar novamente. Sasuke franziu o cenho em questionamento, mas nada pronunciou, aguardando que o homem se controlasse novamente – Ah... boa piada. Missão...
Neste momento, Orochimaru bateu a foto de encontro ao balcão com força, fazendo Sasuke se assustar e fitá-lo nos olhos mais uma vez, segurando firmemente a arma como se não soubesse que a mesma estava sem munição. O mais velho sorriu o sorriso mais horripilante que o outro moreno havia presenciado em toda a sua vida.
_ Sasuke Uchiha, me responda uma coisa: se você pudesse escolher entre ficar com Naruto, ou se vingar de Itachi... O que você escolheria?
Sasuke piscou algumas vezes, tentando refletir. Sabia que era extremamente difícil não desejar Naruto, que o queria com todas as forças, por mais que houvesse – de alguma forma – conseguido desfazer a ligação que possuíam anteriormente. No entanto, sua raiva por Itachi superava qualquer outro sentimento...
Não havia nem sequer o que considerar.
_ Eu escolheria uma morte lenta e dolorosa para Itachi. – respondeu com uma voz repleta de veneno, estreitando as feições perigosamente. No entanto, uma tontura o atingiu quase que no mesmo instante, e foi obrigado a se apoiar no balcão na tentativa de não cair.
_ Resposta certa, Sasuke-kun.
Seus olhos ficaram cada vez mais pesados, estava difícil se manter de pé. Depois de alguns momentos de luta, sucumbiu, deixando seu corpo escorregar de encontro ao chão e adormecendo ali mesmo, naquele piso imundo. Orochimaru deu a volta, parando ao lado de Sasuke e abaixando-se para analisá-lo com maior proximidade.
Acariciou o rosto do menor, percebendo que ele era extremamente mais bonito de perto do que na fotografia. Riu pelo nariz, observando a foto acima do balcão se desfazer em mil pedacinhos por si só, e voltou a olhar o corpo inerte do moreno.
_ Bem vindo à evolução, pupilo. – sibilou próximo ao ouvido de Sasuke, erguendo-o em seu colo em seguida sem demonstrar dificuldade alguma, e carregando-o para dentro de seu estabelecimento, a fim de completar o processo de evolução da maneira correta.
... Continua ...
Notas finais
² flashback do capitulo 10.
³ Regra 9.
.
N/A: Armas em The Plan também! o/ Quem me conheceu através das Uchihacests sabe essa minha peculiar obsessão.
Enfim, sempre costumo dizer algo sobre as armas nas notas, mas dessa vez não o farei, pois citei muitos revolveres e pistolas, certo? Google é amigo dos curiosos.
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