The Plan
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Obrigada pra minha revisora Nyulan, apesar de ter desaparecido a tarde inteira ¬¬.
E obrigada a todo mundo que continua acompanhando a fic ^^
THE PLAN
_ Sakura.
Ele a chamava pela quadragésima vez aquele dia, e ela, mais uma vez, o ignorava. Tentava prestar atenção no programa de televisão que se obrigara a assistir na ausência de Kakashi, ficando de costas para Shikamaru naquela sala.
O moreno fora colocado sentado no chão, próximo à porta da cozinha: o grisalho pelo jeito não ia muito com a cara dele, pois não fez questão de deixá-lo deitado em um dos confortáveis sofás como fizera anteriormente com Sasuke. A rosada não conseguia movimentá-lo sozinha, e ainda estava muito aborrecida para realizar uma tentativa.
_ Sakura, pare de fingir que não está me ouvindo.
Ela apertou as mãos em punhos firmes, machucando a palma com suas unhas cumpridas. Shikamaru a estava testando, só podia. Ele sabia que ela era incapaz de olhá-lo naquela posição sem se sentir culpada e desejar soltá-lo, por mais que fosse a missão dela e de seu tutor capturá-lo e impedi-lo de auxiliar Itachi Uchiha.É para o bem de Naruto, ele e Sasuke têm que se entender e com a interferência de Itachi isso é impossível – se reconfortava mentalmente, respirando fundo e ignorando, mais uma vez, o seu nome.
_ Você não precisa olhar pra mim Sakura, eu recebi uma missão agora. Eu quero que você leia.
_ Eu não posso ler seu receptor Shika. Ao contrario de você, eu não quero quebrar a regra 6¹. – falou com um tom de sarcasmo.
Ainda não havia perdoado o colega por ter roubado seu receptor, mesmo sabendo que ele tinha carta branca para fazê-lo devido à missão. Qualquer um podia agir de qualquer jeito necessário para realizar a missão, infringindo as regras ou não. Mas ela não possuía missão que a permitisse olhar o receptor de Shikamaru, por mais que adorasse a ideia de se vingar dessa forma.
_ Você não estará quebrando regra nenhuma, eu estou te dando permissão para olhar minha missão e me informar qual é. – ele respondeu com calma, sorrindo comedido enquanto percebera as costas da colega se tencionarem naquele sofá. Estava finalmente chegando à algum lugar, era questão de tempo para conseguir ganhar a confiança da rosada e sair daquele local.
_ Eu te conheço muito bem Shikamaru Nara. Não vou cair no seu joguinho. – ela respondeu com a voz firme, e o moreno apenas limitou-se a permanecer quieto.É uma questão de tempo...
Dez minutos se passaram, e nada de Sakura alterar sua postura.
Quinze minutos.
Vinte minutos.
Vinte e um minutos.
_ OK! Saco! – ela gritou, irritada, pondo-se de pé com um pulo e caminhando com passos pesados e furiosos até Shikamaru, não o fitando diretamente no rosto e fingindo não perceber o sorriso de canto de boca prepotente, vasculhando o bolso interno do colega de trabalho atrás de seu receptor.
Ela encontrou o envelope e retirou o papel com força, praticamente rasgando-o. Passou os olhos cor de esmeralda ferozes por cima das letras, e parou de respirar ao tomar consciência do que lia, arregalando o olhar em descrença e finalmente encarando Shikamaru.
_ O que foi?
_ Você sabia, não sabia? – perguntou sem desviar o olhar ou aparentar raiva novamente. Shikamaru piscou confuso, inclinando a cabeça levemente para o lado e erguendo os ombros em um sinal de dúvida.
_ Eu não sei do que você está falando.
_ Não se faça de cínico! Você sabia que eu ia te soltar quando descobrisse que sua missão é amparar Sasuke!
_ Quê?! – o próprio moreno aparentava estar tão surpreso quanto a colega, enquanto esta se ajoelhava ao seus pés e desamarrava seus calcanhares – Sasuke? O que Sasuke está fazendo nessa história? Ele não devia estar embarcando pros Estados Unidos em...
_ Eu também achei isso. Nós levamos Sasuke para o Lobby para que a memória dele fosse corrigida e pudesse continuar sua vida normal, mas pelo jeito não foi isso que aconteceu. – ela falou ofegantemente, circundando o corpo de Shikamaru e se concentrando em desamarrar seus pulsos – Algo deve ter dado errado, talvez Kakashi tenha sido interceptado, talvez o que quer que seja que o Lobby tenha feito no Sasuke não tenha surtido efeito... Eu não sei.
_ Como assim 'alterar a memória do Uchiha'?
_ Sasuke está se lembrando do Itachi.
Shikamaru, agora livre, não fez menção em se movimentar. A informação o atingiu como um balde de água fria: ele não tinha cogitado essa hipótese.
Naruto havia sido tão enfático quando afirmara que Sasuke não se recordava do passado, e ele acreditou que apenas o livre arbítrio de Itachi estava sendo o responsável pelo retorno das memórias do loiro, afinal de contas, nenhum desejo que o primogênito pudera ter envolvia a possibilidade de Sasuke retomar o passado mentalmente. Isso significava que todos os seus planos e teorias estavam equivocados, e provavelmente a situação era mais complicada do que ele havia previsto inicialmente.
_ Shikamaru o que está fazendo? Vá ajudar o Sasuke, pelo amor de Deus! – Sakura o censurou, puxando-o pelo braço para que se levantasse. O moreno, ainda distraído, se pôs de pé, e a rosada forçou sua cabeça com as duas mãos para que ele a encarasse nos olhos.
O assessor tomou consciência que se aquilo estava deixando-o cada vez mais confuso e desesperado não chegava sequer nos pés do que Sakura estava sentindo. Suas mãos tremiam levemente e estavam geladas, seus olhos brilhavam, recheados de lágrimas e ela parecia conter alguns soluções enquanto o implorava com o olhar para que resolvesse aquele problema.
Sentiu pena da colega... Naruto era grande amigo dos dois, mas Sasuke nada significava na vida de Shikamaru. Se o moreno sofria em pensar na dor que seu amigo passava, quem seria capaz de medir o sofrimento de Sakura ao aguentar as dores pelos dois melhores amigos?
_ Por favor Shika, por favor, os ajude! – implorou com uma voz chorosa, abraçando-o com força e deixando as lágrimas silenciosas escorrerem de seus olhos. Ainda pego de surpresa, o moreno se permitiu dois segundos de humanidade, abraçando sua colega e reconfortando-a com tapinhas leves em suas costas.
Porque, ao que tudo indicava, seriam várias horas de missões a partir dali, e seu lado humano teria que ficar enclausurado novamente pelo tempo necessário.
(***)
Itachi já tinha vestido as próprias roupas, separado as roupas de Naruto e estava pronto para arrombar aquela porta, vestir seu amado e arrastá-lo para fora daquele quarto de motel. Precisavam aproveitar a chuva para escaparem, estava extremamente forte e dificilmente haveriam pedestres que pudessem capturá-los nas ruas naquele momento. Suspirou fundo, preparando-se para dar um impulso forte contra a porta do banheiro quando, subitamente, ela foi aberta sem a necessidade de grandes destruições.
Naruto usava uma toalha para cobrir seu baixo ventre, parecia ter tomado uma ducha rápida, pois seus cabelos estavam molhados e despenteados. Sem olhar Itachi nos olhos, caminhou lentamente até o mais velho, encostando seu queixo no ombro do maior e abraçando-o logo em seguida.
_ O que aconteceu? – Itachi perguntou, um pouco mais calmo do que antes. Se Naruto havia saído por conta própria daquele banheiro, certamente já tinha colocado as ideias no lugar e, se sua sorte ainda estivesse do seu lado, contaria a verdade.
_ Eu não posso te levar lá. – Naruto sussurrou baixinho, abraçando-o ainda mais forte. Itachi, mesmo gostando do contato físico, segurou os braços do loiro e o impediu de envolvê-lo ainda mais forte, afastando-o minimamente de seu corpo e levantando seu queixo com o indicador, forçando-o a encará-lo nos olhos.
_ Do que você esta falando? – perguntou ao ver o olhar perdido e entristecido de seu amado, voltando a se preocupar; desta vez mais do que antes.
(***)
_ Então, tem estado ocupado demais com as missões para vir me visitar ou vai usar uma desculpa mais convincente?
_ Bom, se você tivesse lidando com as missões do 'trio problemático' tenho certeza que compreenderia minha falta de tempo...
Shizune sorriu docemente, contendo o leve ímpeto de gargalhar. Kakashi riu por debaixo da gola alta, sabendo que na verdade isso também não passava de mais uma desculpa esfarrapada, porém a colega era gentil demais para contrariá-lo... Pelo menos até que ela se irritasse consideravelmente. Ela apenas colocou a caneca de costume à sua frente, enchendo-a de café preto e quente até a borda: sem açúcar e forte, como ele costumava tomar.
Ela nunca esqueceu.
_ Achei que nossos anos de amizade fossem mais fortes do que isso Kakashi...
_ Bom... Para pessoas como nós a missão vem sempre antes, não é? – o grisalho respondeu, abaixando minimamente a gola para tomar um gole longo em sua bebida. Shizune acompanhou seu movimento com cautela, afinal, poucas pessoas tinham o privilégio de ver o rosto deste homem descoberto, e ela sabia que se tratava de uma dessas poucas pessoas. Kakashi fez um barulho de contemplação com a garganta, saboreando o gosto amargo que tanto o agradava com os olhos fechados. Ao abri-los, fitou o rosto intrigado de sua colega, sorrindo e mostrando os dentes brancos que poucas pessoas já viram na vida – Você cortou o cabelo.
_ Você já foi mais observador... Eu não fiz nada. – ela respondeu com a voz levemente trêmula. Sentia uma vontade inexplicável de empurrar Kakashi Dennis à fora. Como ele ousava aparecer tanto tempo depois para 'conversar' como se nada houvesse acontecido?
_ Talvez seja esse rubor na sua pele que tenha me dado a impressão que algo está diferente em você.
_ Sem delongas, o que está fazendo aqui? – perguntou rispidamente, endurecendo consideravelmente o olhar.
_ Oras, achei que tivesse visto que eu entrei com um Sasuke em transe pela ordem superior e...
_ Reformulando: o queaindaestá fazendo aqui? – ela perguntou, desistindo de manter a farsa de garçonete e sentando-se de frente para o colega com os braços cruzados.
Kakashi encarou os traços irritados de Shizune por mais alguns instantes, antes de tomar calmamente mais um gole de seu café.
_ Se veio aqui depois de tanto tempo e está de conversinha fiada, é que quer alguma coisa. Afinal, o Dennis é apenas um corredor de integração, você não precisa ficar aqui!
_ Shizune... – surpreendendo até mesmo a mulher, Kakashi esticou a mão para tentar tocá-la. Em desespero e movida pela raiva eminente, a morena agarrou o garfo mais próximo, e Kakashi precisou ser bem rápido para não ter sua mão direita perfurada pelo objeto de metal, que ficou na madeira com uma força realmente fenomenal.
_ Não ouse descumprir as regras em público e ainda mais comigo, Hatake!
Ele sorriu de maneira prepotente e falsa, puxando mais uma vez a gola para impedi-la de visualizar seu rosto. Riu baixinho por alguns instantes, passando as mãos nos cabelos e tentando colocar os pensamentos no lugar. Novamente fitou os olhos estreitos e raivosos da mulher que mais uma vez cruzara os braços, e agora batia o pé direito no chão ritmicamente, demonstrando impaciência.
_ Agora você é quem vem com esse papo?
_ Não foi isso que você deixou claro aquele dia? – ela respondeu quase que instantaneamente, e antes que o grisalho pudesse questionar, um barulho conhecido pelos dois veio da mochila que o Kakashi colocara em cima da mesa. Ela riu alto, atraindo a atenção de alguns outros clientes que, até então, eram ignorantes a discussão do casal. Shizune se levantou, controlando a risada cruel e sorrindo o sorriso mais falso que Kakashi havia visto na vida, dando-lhe as costas em seguida e acenando enquanto falava – Vai lá Superman, o 'dever' o chama.
Tsk, mulheres.Pensou irritado enquanto procurava o notebook na bolsa e o abria para ver qual era a missão. Leu-a com cuidado, seus olhos arregalando cada vez mais a cada palavra. Procurou Shizune com o olhar rapidamente, mas ela já se ocupava em atender outros clientes.
Ainda com o olhar levemente perplexo, buscou o café a esmo com sua mão direita, abaixando novamente a gola e bebendo todo o conteúdo do líquido fumegante de uma vez só, sem parecer se incomodar com a temperatura da bebida em sua garganta. Talvez com o tratamento ríspido com seu organismo ele houvesse finalmente deixado de ter alucinações.
Era impossível aquela missão! Impossível!
Piscou forte, mas a missão ainda estava ali, implorando para ser realizada o quanto antes. Abaixou a tela do computador com força, encarando o objeto por alguns segundos como se o mesmo fosse se autodestruir. Às vezes, era realmente isso que ele desejava que acontecesse...
_ Isso já esta virando uma palhaçada. – falou para ninguém em particular, juntando seus pertences e se preparando para sair.
(***)
O loiro se calou, respirando fundo depois de tantos minutos falando sem parar e controlando seu ímpeto de perder o controle de suas emoções. Havia se vestido enquanto falava, sem se importar com sua privacidade naquele momento.
Itachi o escutou atentamente, sem interferir, e isso tornou as coisas muito mais fáceis. Quando Naruto disse que, na verdade, quem o empurrara na cama foi Sasuke, o Uchiha primogênito arregalou o olhar por alguns instantes, recobrando a compostura em seguida e voltando a ouvi-lo com total atenção.
Ambos ficaram em silêncio por um tempo assim que a voz de Naruto parou de soar, até que o moreno puxou o político pelo braço, e guiando-o para a porta e pretendendo sair dali o quanto antes.
_ O que está fazendo?
_ Vou te deixar com o Shikamaru e vou para o Lobby buscar o Sasuke.
_ O que? Itachi! – Naruto desprendeu-se da pegada do companheiro, sentindo as primeiras gotas grossas de chuva começarem a molhar suas roupas – Você não pode fazer isso! É isso que eles querem! Nós precisamos arranjar outra solução! Por favor, te suplico, não me faça me arrepender te ter te dito a verdade!
_ Qual é sua grande solução Naruto? Eu não vejo outra saída!
_ Você não pode simplesmen...
_ Itachi Uchiha. – alguém o chamou, fazendo o casal encerrar a discussão para encarar a figura próxima aos dois. Estava a poucos metros, e Naruto se perguntou como não ouviram tal pessoa se aproximar daquela maneira.
O estranho vestia uma capa de chuva escura que cobria todo o seu corpo e fazia sombras com o capuz, impedindo-o de identificar o indivíduo. Antes que questionasse algo, o homem levou as mãos até o capuz, abaixando-o e revelando seus cabelos grisalhos secos e espetados, que passaram a escorrer por seu rosto e nuca instantaneamente devido à intensidade da chuva.
Itachi parou de respirar ficou tenso ao lado de Naruto, mas assim que o loiro girou a cabeça para questionar o amado com o olhar, o Uchiha praticamente voou para cima daquele homem desconhecido, pronto para atacá-lo.
_ ITACHI!
O homem mais velho, no entanto, conseguiu segurar o braço de Itachi e o impediu de acertar um soco certeiro em seu rosto. Falando em voz alta e autoritária, o que contradizia completamente suas feições tristes e melancólicas, disse em um som alto o suficiente para Naruto ouvir:
_ Diga a Naruto Uzumaki quem matou Mikoto e Fugaku Uchiha...
_ NÃO! KAKASHI! – o moreno gritou, tentando acertá-lo mais uma vez com o outro braço, dessa vez conseguindo compelir o ato. O grisalho cambaleou para trás, cuspiu um pouco de sangue no chão, mas continuou a falar, para o espanto completo do moreno de cabelos cumpridos.
_ ... Isso é uma ordem superior. – levantou o olhar, encarando seu amigo com os olhar mais sentido que o moreno já presenciara na vida – Eu sinto muito...
Correspondendo mecanicamente a ordem superior, Itachi girou os calcanhares, voltando a visualizar um Naruto assustado pela estranha movimentação.
_ I-Itachi...
_ Eu matei Mikoto e Fugaku Uchiha. – falou com a voz mecânica, fechando os olhos e deixando as lágrimas de dor escaparem pela tentativa desesperada de não obedecer ao comando hierárquico, ato esse que causara apenas dor e insatisfação. Quando abriu os olhos, viu que seu amado ainda estava na mesma posição, sem alterar em nada sua expressão facial – Naruto, eu...
_ Não!
_ Naruto, nós precisamos conversar. – o primogênito Uchiha tentou se aproximar, mas a cada passo dado, o loiro andava dois para trás, até que pareceu tomar consciência da situação em que se encontrava, virando-se abruptamente e começando a correr com velocidade para o mais longe possível daquela pessoa – Naruto!
_ FIQUE LONGE DE MIM! – gritou de maneira esganiçada por cima do ombro, correndo cada vez mais rápido e respirando ofegante durante todo o processo. Itachi limitou-se apenas a observar a fuga de seu amado, tremendo dos pés à cabeça pelo frio e desespero momentâneo. Ouviu a passada de Kakashi cada vez mais próxima, até que ele estava lado a lado com seu tutor.
_ Isso... Era a regra 9². Você não podia... Por conta própria... – sussurrou praticamente sem voz, ainda observando o ponto onde Naruto desaparecera no horizonte.
_ Eu sei... Foi uma missão Itachi.
_ Como você teve aaudácia! – o Uchiha mais velho virou-se pronto para atacar Kakashi mais uma vez, tentando descontar sua raiva momentânea em alguém, mesmo sabendo que para quebrar a regra 9, a missão utilizara-se da regra de ouro, e Kakashi não tinha culpa do que acontecia.
Contudo, o primogênito Uchiha ainda era humano, e a racionalidade não passava por sua mente naquele determinado momento. Tudo que ele queria era descontar essa dor em alguém, culpar alguém pelo seu sofrimento!
Kakashi, mais uma vez, se deixou ser atingido pelo pupilo, caindo sentado no chão depois do segundo soco. O moreno, respirando ofegante e fechando os olhos com força num misto de dor e desespero, trincou os dentes em ira e agarrou as próprias calças com as unhas, tentando se controlar, sabendo que desta vez o grisalho deixaria ser desacordado pelo amigo se isso significasse a diminuição de sua raiva.
_ Algo muito errado está acontecendo. – o mais velho interrompeu o silêncio, sem levantar o olhar para o homem ofegante a sua frente – E você, inevitavelmente, vai ter que me ouvir Itachi.
(***)
Naruto fugia, horrorizado pelas palavras que acabara de ouvir da boca do Uchiha primogênito. Como assim fora ele quem assassinara Fugaku e Mikoto?Como!
Não conseguia acreditar que aquela pessoa amável e carinhosa com todos os parentes, amigos, colegas, fosse ser capaz de fazer isso com os próprios pais! Como ele conseguia sequer amar uma pessoa fria e dissimulada dessa forma?
Ele se sentia um completo e total idiota influenciável: se Itachi conseguia se dissimular ao ponto de enganar seus pais e levá-los para a morte, o que não havia feito com ele e Sasuke? Será que tudo aquilo foi para impedir o primeiro casamento dos dois? Será que Itachi chegaria tão baixo a esse ponto? Pois o mais velho sabia como seu irmãozinho iria agir diante de tal notícia, não era segredo nenhum que Sasuke costumava agir impulsionado pela emoção e muitas vezes tomar as piores decisões.
Era isso, só podia ser! Não havia outra explicação: Itachi havia matado os próprios pais para impedir o casamento de Sasuke e Naruto.
Mas que merda!Seu cérebro gritava incansavelmente. Naruto tinha vontade de explodir toda humanidade tamanha era sua raiva, dor e desespero. Corria cada vez mais rápido, mesmo tendo a completa certeza que Itachi o havia perdido de vista há muitas quadras para trás. Tropeçava em seus próprios pés devido à chuva intensa daquela tarde, e não conseguiu evitar um escorregão praticamente forte, torcendo de leve seu calcanhar, mas sendo amparado por alguém antes que o estrago fosse maior.
Olhou para cima, tentando ver quem o havia salvado de uma queda dolorosa, deparando-se com os olhos selvagens e assassinos de uma pessoa que, há bastante tempo, não saia de seus pensamentos.
_ Sasuke... – sussurrou, e o ex-marido apenas lhe lançou um olhar de desprezo, soltando-o e fazendo-o cair em uma poça d'agua. Deu-lhe as costas e voltou pelo caminho que viera, andando suavemente com passadas largas.
Naruto observou a cena com perplexidade, mal se dando conta de que se sujara de lama na queda, mas que essa era lavada pouco a pouco devido ao aumento intenso da chuva torrencial.
_ Sasuke! – Naruto gritou quando se deu conta, finalmente, do que estava acontecendo. Colocou-se de pé correu com ainda mais velocidade atrás do Uchiha caçula, ignorando a dor latejante em seu calcanhar. Tinha a completa certeza que o Uchiha o ouvira, era impossível que o tom de voz que usara passasse despercebido, mas ainda sim o moreno não parou de andar, acelerando ainda mais a passada pela rua escorregadia e deserta. Não parecia se incomodar em nenhum momento com a chuva que encharcava seus cabelos e suas roupas. Naruto desejava apenas ficar mais perto do amado para conversar – ESPERE!
Mas o Uchiha não esperou, dobrando uma esquina para uma rua particularmente estreita e ainda mais deserta. O loiro continuou a seguí-lo, mas perdeu o moreno de vista, mas jamais deixou de correr a esmo na crescente escuridão feita pelas nuvens carregadas.
_ Sasuke! — gritou alto enquanto corria, respirando fundo para gritar mais uma vez, mas alguém o puxou pela roupa e o jogou contra uma superfície dura, fazendo-o expirar todo o oxigênio e fechar os olhos com força devido à dor, gemendo alto. Mal teve tempo de abrir os olhos quando recebeu um soco certeiro e forte em sua mandíbula.
_ Eu te odeio! – ouviu a voz de Sasuke gritar alto quando seu corpo foi novamente movido pela pegada na gola de sua camisa, sendo erguido contra a uma parede com brutalidade. Abriu os olhos e encarou os raivosos acinzentados de Sasuke devido a um raio particularmente luminoso que durou alguns instantes, antes de levar uma lambida no canto da boca e fechar novamente seus olhos para o beijo violento que veio em seguida.
Sentia-se como se tivesse 17 anos novamente e estivesse relacionando-se com Sasuke pela primeira vez, pois não conseguia sentir vestígios de carinho em nenhum instante naquele beijo voluptuoso e brutal, somente luxúria física. Passou a sentir o gosto de seu próprio sangue, não sabia se devido ao soco anterior ou a intensidade das mordidas do moreno, mas não se importava, seu corpo estava completamente imerso em prazer naquele instante.
_ Ah! Sasuke! Pare! – falou em voz alta quando o moreno desprendeu seus lábios (e dentes) de sua boca, passando a mordê-lo com força no pescoço, provavelmente arrancando sangue de mais um ponto de seu corpo.
O loiro gemia de dor, implorava para que o outro parasse com a carícia violenta (se é que poderia ser chamada de carícia), mas ainda sim não conseguia forças para empurrar Sasuke para longe de si. Tentou sutilmente afastá-lo de seu pescoço com as mãos, mas instantaneamente o Uchiha as agarrou, ficando as unhas em seus pulsos com força e prendendo-o contra a parede. Naruto gritou de dor quando a mordida em seu pescoço foi intensificada, mas sua voz esganiçada foi abafada pelo som alto e estridente de um trovão.
_ S-a-a-suke! Pare! Olhe pra mim! Quero, AHH! Quero conversar com você!
_ Olhar? Conversar? – Sasuke sussurrou em seu ouvido, parando de mastigá-lo por alguns instantes. Naruto gemeu alto, irritando-se profundamente com a reação de seu corpo pelo simples som da voz grave e predatória de Sasuke ao pé de seu ouvido. Estava excitado e não podia estar, não deviaestar. Tinha que tentar se explicar pra ele, perguntá-lo como conseguira sair do Lobby e tratar de assuntos extremamente importantes, não se deixar levar dessa maneira – Não caio mais nessa, Usuratonkachi.
_ Ahh! – o loiro suspirou languidamente quando a mão de Sasuke, sem grandes cerimônias, adentrou sua calça e agarrou seu pênis com força, começando a estimulá-lo – T-teme, nós estamos na rua!
_ Foda-se.
_ Sasuke, ah! Por favor, para! Eu não quero ter que te machucar! – o loiro falou, e instantaneamente o moreno parou de estimulá-lo, afastando minimamente o corpo para trás para poder olhar em seus olhos.
_ Me machucar? – Sasuke falou perigosamente, estreitando o olhar imerso em ira, ato esse que passou quase despercebido pelo outro devido à crescente escuridão. Naruto não conseguiu impedir seu corpo de se arrepiar, engolindo em seco devido ao medo. Estremeceu quando seu ex-marido exibiu um sorriso de canto de boca extremamente amarelo e o girou naquela parede molhada e suja do beco, fazendo-o ficar de costas, mas ainda mantendo-o preso pelos pulsos – Mais do que você já machucou?
_ Sasuke, pelo amor de Deus me escuta!
Mas ele não ouviu. Ele não ouvia nada além da própria raiva e ciúmes desmedido, o que, de alguma forma, o faziam ficar ainda mais forte do que o normal, conseguindo prender os dois braços de Naruto apenas com uma de suas mãos. Com a mão esquerda abaixou minimamente as calças do ex-marido, ignorando os protestos e debatidas.
Ambos estavam completamente encharcados pela chuva, suas roupas grudavam no próprio corpo e a visão de Sasuke era completamente prejudicada pelos grossos pingos em seus cílios, as nuvens carregadas que impediam sequer a claridade das estrelas de auxiliá-lo na apreciação do corpo do loiro. Ambos sabiam que por mais que Naruto estivesse reclamando, ele nada fazia verdadeiramente para escapar da pegada do seu amado. Sasuke, com certa dificuldade, conseguiu abrir o botão de sua calca jeans e abaixá-la minimamente, retirando seu membro excitado para fora e gemendo com o contato estranhamente estimulante da chuva fria em sua pele.
Encaixou-se no quadril de Naruto, que rebolou minimamente e inconscientes, choramingando de leve pelo prazer, ansiedade e antecipação pela dor intensa. Sabia que sentiria uma dor fenomenal por uma penetração sem qualquer preparação previa e a água nada ajudaria nesse quesito.
_ É impossível Naruto. É impossível me machucar mais do que você já machucou. – falou em tom gutural, inclinando o seu quadril para frente e penetrando aquele lugar por ele tão conhecido e adorado com certa dificuldade. Naruto jogou a cabeça para trás, e Sasuke puxou seus cabelos para mantê-lo naquela posição enquanto o penetrava vagarosamente, rosnando em seu ouvido antes de mordê-lo com a mesma força que havia mordido seu pescoço machucado. Naruto choramingou baixinho, sua respiração acelerando ainda mais, lágrimas de dor se formavam em suas pálpebras. Ainda sim não tentou fugir daquilo que, para muitos, poderia ser considerado uma tortura – Pelo que parece ele já chegou perto da sua bunda né? Era pra doer mais.
_ Não fale assim... – falou com a voz falha. Sasuke o lambeu sua nuca, retirando-se completamente do corpo de Naruto e penetrando-o com mais força, puxando ainda mais seus cabelos. Mordeu a pele exposta de Naruto, decidido em marcá-lo como seu, a deixar sua identidade registrada para que Itachi soubesse de quem era aquela pessoa – Sasuke... – Naruto suspirou seu nome com luxúria, começando a acompanhar os movimentos do parceiro, esquecendo completamente o assunto que queria tratar com ele, o prazer estava fazendo-o perder qualquer coerência em seus pensamentos.
_ Eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio... – repetia ritmicamente, acelerando cada vez mais o vai e vem, fazendo o coração de Naruto apertar-se com força na caixa torácica. Choramingou, imerso em prazer, desespero e dor emocional pelas palavras duras do amado.
Sasuke soltou seus braços e cabelos, e antes que o moreno pudesse fazer qualquer coisa, o loiro conseguiu girar seu corpo e ficar de frente para o amado, enlaçando uma das pernas no quadril de Sasuke e puxando-o para frente.
O Uchiha entendeu o convite, pressionando o corpo de Naruto contra a parede. Quanto se sentiu seguro, Naruto retirou a outra perna do chão, entrelaçando as duas no quadril do moreno, que o penetrou novamente sem dificuldade alguma, segurando sua cintura para ter apoio e firmeza no vai e vem. Naruto gemeu, procurando a boca de Sasuke a esmo na para que pudesse beijá-lo; agora estava ainda mais escuro, mal conseguia ver a pessoa que estava a sua frente.
Foi surpreendido quando os lábios de Sasuke encontraram os seus e ele sentiu sua pele romper-se pela força da mordida recebera, em seguida sendo compensada por uma lambida suave e carinhosa. Sasuke o beijou por muito tempo, fazendo um vai e vem forte, mas lento. Naruto estava se sentindo muito melhor com o beijo mais suave e com a estimulação em sua próstata, mas em um determinado momento precisou interromper o beijo para respirar.
_ Eu... odeio... te amar. – ouviu Sasuke falar com uma voz completamente repleta de emoção enquanto acelerava a velocidade das investidas, e nesse momento um raio caiu próximo ao local onde os dois se encontravam, iluminando as feições sentidas e dolorosas de Sasuke. Naruto viu em cada traço do rosto do amado a dor emocional estampada, e era difícil dizer se ele estaria ou não chorando devido à quantidade de água sobre sua pele.
_ Eu sinto muito... – sussurrou em resposta, novamente na escuridão, abraçando os ombros do amado e trazendo-o para mais perto de si, ganhando um soluço contido em seu ouvido. O som nada familiar fez a dor em seu peito triplicar, mas nenhum dos dois pretendia parar...
Por mais alguns instantes continuaram o ato, Naruto não sabia dizer se era sua imaginação ou não, mas parecia que Sasuke estava menos brutal do que antes, segurando seus quadris de maneira mais afetuosa e descansando sua cabeça na testa do parceiro. Naruto ouvia os gemidos de prazer que se assemelhavam tanto aos seus, sentia a respiração quente de Sasuke em sua pele, os cabelos negros e molhados grudando em seu rosto, o cheiro que ele por tanto tempo tinha o prazer de sentir todas as manhãs invadindo suas narinas...
E então ele decidiu que, independente do que precisasse ser feito, ele iria resolver isso. Iria arranjar uma solução para todo o sofrimento que os três passavam, custe o que custar. E isso era uma promessa pra toda a vida; Naruto jamais deixava de cumprir uma promessa.
_ Sasuke... Eu te amo, nunca duvide disso... ahhnn... – sussurrou dengosamente as palavras, ganhando uma investida particularmente forte do parceiro, como se ordenasse que parasse de falar essas besteiras. Ambos estavam próximos do orgasmo, grunhindo em prazer intenso e crescente.
O loiro, retribuindo os gestos feitos pelo Uchiha anteriormente, o mordeu com força. Diante de tal ato animalesco, Sasuke acelerou a velocidade das investidas, chegando ao orgasmo conjuntamente com Uzumaki sem sequer ter tocado no membro do loiro enquanto brigavam e se amavam com os corpos.
Respiravam profundamente, o loiro procurava a boca de Sasuke com a sua, mas desta vez o Uchiha não queria beijá-lo, saindo de dentro do corpo do outro e colocando-o cuidadosamente de pé no chão. Virou-se de costas para arrumar sua calça e se retirar.
_ Teme... Eu preciso conversar com você, fique. – o loiro falou ofegantemente, buscando o moreno teimoso com o braço, mas ganhando um tapa, afastando-o do corpo daquele que desejava tocar.
_ Não chegue perto de mim. – Sasuke alertou, tentando caminhar para longe dali, sendo impedindo de ir mais além quando a mão direita de Naruto segurou a barra de sua camisa encharcada com força.
_ Eu vou resolver isso. Eu vou conseguir, eu te juro! – falou com a voz firme, e depois apenas silêncio se sucedeu. Por longos trinta segundos somente os sons de trovões e chuvas eram ouvidos pelos dois ocupantes daquele beco, até que Sasuke voltou a caminhar lentamente, desta vez sendo permitido pelo loiro.
Mais uma vez utilizando-se da iluminação de um raio, viu as costas de seu amado dobrarem a esquina, voltando para a rua deserta. Seu coração doía em deixá-lo ir, mas ele sabia que não devia obrigá-lo a ficar. Tinha que dar o espaço para Sasuke, e precisava pensar no que fazer para conseguir resolver toda essa confusão. Ignorando suas próprias lágrimas, advindas de dores emocionais e físicas, ajustou sua calça e respirou fundo, decidindo que havia apenas uma pessoa que poderia ajudá-lo com tudo isso.
Necessitava encontrá-lo o quanto antes.
(***)
Shikamaru, ainda sentindo dor pelas cordas que há poucos instantes envolviam seus pulsos, corria na chuva sem se importar com suas roupas ou com uma provável gripe pela manhã. A entrada mais próxima do Lobby era o Dennis e não era muito longe da casa de Sakura, como acabara de receber sua missão é provável que Sasuke tivesse acabado de sair de lá.
Acelerou o passo, sabendo que jamais conseguiria um táxi naquelas condições de tempo e que ônibus era algo fora de cogitação. Maldito Kakashi que sequer se deu ao trabalho de tirar seu carro do estacionamento do partido quando o sequestrou...
Depois da terceira quadra decidiu correr. Possuía um considerável treinamento físico, treinamento este que todas as almas de segundo grau posavam logo depois do despertar e com ele não fora diferente enquanto estava nessa posição. Correu todo o caminho sem parar para descalçar, pegando atalho em algumas ruas pouco movimentadas, sabendo que pouco provavelmente seria assaltado naquela chuva torrencial intensa.
Quando estava há mais ou menos um quilômetro do Dennis, ouviu, para seu espanto, um gemido extremamente alto, seguido da voz de Naruto.
_ S-a-a-suke! Pare! Olhe pra mim! Quero, AHH! Quero conversar com você!
Shikamaru parou de correr, escutando os murmúrios, gemidos e barulhos de roupas sendo aberta. Sentia-se quente e com vergonha, mas aparentemente acabara de encontrar Sasuke. Decidiu não interferir e aguardar que os dois terminassem a... ahn... 'conversa' de uma distância segura, mas ainda sim ouvindo alguns gritos mais intensos. Esses dois realmente conseguiam fazer barulho...
Os inconsequentes problemáticos deram sorte de ser ele aquele que os ouvia, se fosse alguma alma integrante da missão coletiva estariam perdidos.
Aguardou pelo tempo que parecia uma eternidade, tentando se concentrar apenas no barulho de chuva. Quando estava quase caindo no sono (sequer recordava a última vez que tivera uma noite de sono pacífica) finalmente observou a figura de Sasuke sair com passadas largas e apressadas do beco. Respirou fundo e o seguiu com a maior cautela que conseguiu, chegando próximo deste sem que fosse descoberto. Quando julgou estar a uma distância considerável dos ouvidos do Uchiha caçula, respirou fundo e falou em um tom alto para que o Uchiha o escutasse.
_ Sasuke Uchiha, cale-se e siga-me. – dando um pulo de surpresa, o moreno encharcado girou o corpo, virando-se e encarando Shikamaru com olhos assustados. Antes que esse pudesse abrir a boca para protestar, Shikamaru continuou a falar – Isso é uma ordem superior.
O moreno pálido e encharcado calou-se, como esperado, e acompanhou Shikamaru com uma expressão de completo pavor e espanto, não entendo como seu corpo conseguia se mover sem que ele o comandasse para tal. Cada passo que dava ia contra todas as suas certezas da vida, e o fato de não conseguir questionar verbalmente o subalterno de Naruto apenas o deixava cada vez mais desesperado. Caminharam rapidamente por muitos lugares, até que chegaram a uma casa simples, aparentemente o lar do assessor.
Shikamaru abriu a porta da frente, entrou e foi acompanhado mecanicamente. Logo que fechou a porta e passou o trinco, Sasuke viu-se novamente capaz de mexer seu próprio corpo, olhando com incredulidade para o outro moreno também completamente encharcado.
_ Como... fez isso? – perguntou com a voz falha, cada vez mais irritado com toda essa loucura que acontecia em sua vida e parecia tender apenas a piorar.
Shikamaru suspirou cansado, murmurou algo que parecia vagamente a palavra 'problemático', e indicou uma cadeira de madeira com a mão, para que Sasuke se sentasse e ouvisse as explicações pertinentes. Mas o medico não fez menção de se mexer nem sequer um dedo.
_ Uchiha, não haja como se não me conhecesse. Se quiser entender um pouco do que está acontecendo, engula esse orgulho, sente-se e escute o que eu tenho pra dizer.
Sasuke bufou, odiando compelir a ordem de Shikamaru, mas no fim considerou que aquilo era definitivamente melhor do que ficar amarrado ouvindo um monte de absurdos de um completo desconhecido, pelo menos o Nara mostrava a cara. Ainda um pouco relutante, caminhou até a cadeira e se jogou sobre o assento, cruzando os braços impaciente e esperando o inicio do sermão.
O assessor, analisando a poça de água que se formava em seu tapete, apenas suspirou de leve antes de começar a falar durante vários minutos a fio.
(***)
As batidas em sua porta eram insistentes, logo agora que ele achou (erroneamente) que teria um momento de sossego para descansar antes de Sasuke sair do banho.
O moreno havia escutado cada palavra sua sem dizer nada, limitando-se apenas em prestar atenção. Shikamaru acreditava que Sasuke não seria um bom ouvinte, e iria fazer muitas perguntas e atrapalhar constantemente a explicação. Pelo jeito se enganara completamente.
Ele devia estar cansado de ficar na ignorância, ou então considerou tudo que o assessor disse uma completa loucura sem fundamento, se limitando a pedir um banheiro para que pudesse tomar banho e sair logo de lá. Shikamaru, um pouco perplexo pelo pedido, o guiou até a suíte de hóspedes e o deixou a sós para que refletisse o que queria refletir.
Apesar de conhecer Sasuke desde a época da faculdade (afinal, Naruto era um amigo em comum ainda na época que eles não haviam assumido o relacionamento) eles não tiveram grandes conversas ou envolvimento nessa época da vida. A personalidade de Sasuke era um mistério pra o assessor, ele não sabia muito além do que o informado naquele relatório da família Uchiha que recebera no dia da promoção. Era difícil ter certeza se havia usado as palavras certas, mas esperava, pelo bem e Naruto, que pudesse ajudar a confusão emocional do Uchiha de alguma forma. Shikamaru não tinha duvidas do quão importante àquela pessoa era para o seu amigo...
Todavia, mal se jogara no sofá, ainda molhado e pretendendo descansar por apenas alguns minutos, quando alguém começou a socar sua porta insistentemente. Se fosse Kakashi, desta vez, Shikamaru estava pronto e não seria pego de surpresa. Se espreguiçando e pretendendo se livrar o quanto antes do visitante incomodo, abriu a porta rapidamente, dando de cara com Naruto Uzumaki.
_ Naruto? – questionou o óbvio, surpreso por demasia por estar de cara com seu chefe encharcado naquele determinado momento. Sabia que Naruto não estava com Itachi por tê-lo encontrado com o Uchiha mais novo, mas não acreditava que Itachi fosse deixá-lo solto por muito tempo, ainda mais com a missão coletiva ainda a postos...
Isso cheirava a dedo do Kakashi.
Trincou os dentes, tentando não evidenciar sua raiva para o loiro. Naruto poderia se considerar sortudo, pois apenas a chuva o tivesse impedido de ser capturado pelas demais almas em missão.
_ Shika, preciso de ajuda. Me deixa entrar.
_ Ahn... – geralmente Shikamaru não teria problema nenhum em deixar o loiro entrar em sua casa e ficar por lá o tanto de tempo que desejasse, mas acreditava que ter um Sasuke em seu chuveiro naquele momento não era um bom agouro...
Droga Itachi, você deveria estar cuidando do Naruto enquanto eu cuidava do Sasuke!Pensou irritado, tentando criar um plano de fuga para aquela situação.
_ Qual o problema? Visita? – Naruto questionou com uma sobrancelha erguida, achando a situação um pouco estranha. Shikamaru não parecia estar pronto para um encontro, suas roupas encharcadas e suas grandes olheiras demonstravam que talvez ele tivesse acabado de chegar depois de um grande período ausente.
_ Sim e não, e não é o que você está pensando. – o moreno respondeu envergonhado, apenas o Uzumaki poderia pensar em algo assim em um momento como aquele.
_ Ok, então ao menos me dê uma luz, eu não sei o que fazer. Kakashi apareceu usando o comando de ordem superior ou sei lá que babaquice é essa e o Itachi revelou pra mim que ele matou... Os próprios pais Shika! Mikoto e Fugaku, aqueles que me ajudaram tanto na minha infância quando...
_ O... QUÊ!?
O discurso alterado e praticamente sem pausas de Naruto foi interrompido por alguém que estava no andar de cima assistindo-os ao pé da escada. Ambos olharam para cima, se deparando com um Sasuke Uchiha mais pálido do que o normal, com as feições indecifráveis e os punhos fechados a lateral do corpo.
_ Sasuke? O que você está fazendo aqu... – o loiro tentou questionar, sendo interrompido por Sasuke mais uma vez enquanto este dava passos mecânicos em direção aos ocupantes do térreo, sem sequer prestar verdadeiramente atenção no que fazia, encarando os olhos de Naruto com uma determinação nunca antes vista.
_ O... que foi que você disse? – o moreno tornou a questionar o tom de sua voz não passava de um sussurro fraco e descrente – Itachi matou... osmeuspais?
O assessor observava o desespero estampado no olhar de Naruto não compreendendo prontamente o que de tão assustador havia acontecido. Certamente seu chefe era capaz de pensar rapidamente em uma desculpa e controlar toda aquela...
Mas então tudo fez sentido de uma hora para outra, a questão não era se Naruto era capaz de arranjar uma saída na situação ou não: Naruto não pode mentir com esse contato visual com Sasuke, o moreno perceberia devido à ligação de almas gêmeas que eles possuíam.
_ Uchiha, o que o Naruto quis dizer é que...
_ Cale a sua boca ou eu arrebento os seus dentes. – o médico rosnou sem jamais interromper o contato visual com Naruto, colocando finalmente seus pés no assoalho de madeira e caminhando até que ficasse cara a cara com o ex-marido – Quero ouvir a resposta de você.
E então Shikamaru se deu conta que 'problemático' não era uma palavra que conseguiria definir aquela situação, nem mesmo de longe...
...Continua...
Notas finais
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² regra 9: A missão decorrente do chamado possuirá caráter pessoal e será um segredo eterno entre o tutor e tutorado, não cabendo à ninguém questionar o conteúdo de seu sacramento.
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