The Plan
1 Capítulo 1
THE PLAN
_ E isso quer dizer...?
_ Que será um sucesso.
Naruto deixou o lápis rolar para longe de seus dedos, perseguindo-o com o olhar enquanto este deslizava para debaixo da mesa da biblioteca. Sakura o observava com o olhar cansado, suspirando duas vezes antes de, pela quinta vez no dia, debruçar-se em seus cotovelos, acariciando a testa enquanto tentava refletir.
_ Naruto... – ela recomeçou – é tudo muito simples. Basta você falar o que o povo deseja ouvir e não há como as coisas saírem erradas.
_ Mas Sakura-chan...
_ Quer saber, por hoje chega. – ela disse enfaticamente, fechando o livro e colocando-o abaixo de seu braço enquanto se levantava da cadeira e se debruçava em seguida para ajeitar a gravata do colega – Eu estou cansada, você está exausto, nada que eu fale fará você melhorar. Você esta pronto, está vestido impecavelmente e tem tudo na ponta da língua. Apenas lembre-se do que eu te falei, o que escrevemos e o que discutimos. Será um sucesso!
_ Sakura-chan... Se eu perder essa chance...
_ Eu sei, eu sei. E você não vai perder. – Sakura encarou o olhar cabisbaixo do amigo, levantando seu rosto com o indicador. Sorriu serenamente, antes de curvar o corpo e dar um beijo rápido e estalado na bochecha esquerda do rapaz. Bagunçou ainda mais seus cabelos loiros, já previamente despenteados pela mania exaustiva de Naruto de coçar a cabeça quando não entendia o que lhe era ensinado, e retirou-se da biblioteca, acenando para as poucas pessoas que encontrava em seu caminho.
Naruto suspirou, debruçou novamente sobre a mesa e analisou os rascunhos rabiscados. Permaneceu assim por cinco longos minutos, até decidir que não adiantava ficar se martirizando, afinal, o destino cuidaria do resto. Levantou-se energicamente, sorrindo para os colegas na biblioteca enquanto se retirava.
Caminhava pela rua, o dia estava nublado e ameaçador. Olhando para as nuvens, fez algumas rápidas constatações e decidiu correr: ao que o tempo indicava, poderia chegar à estação de metrô antes da chuva, e lá comprar um guarda-chuva para usá-lo até sua casa.
Constatações equivocadas: mal andara cinco quadras e começou a chover forte. Irritado com sua falta de sorte momentânea, adentrou ao primeiro estabelecimento que avistou, cobrindo os cabelos e correndo para se molhar o menos possível.
_ Droga... – xingou baixinho, ao observar que estragara seu terno ao prendê-lo na maçaneta da porta do estabelecimento. Não poderia utilizá-lo na aparição pública, certamente que deveria desembolsar mais uns duzentos reais para comprar um novo paletó e...
_ Ei! Olhe por onde anda!
Corrigindo, duzentos e cinquenta, pois sua camisa também estava imprestável.
_ Mas que merda! — Naruto exclamou, olhando criticamente o estrago que a bebida derramada do cliente fizera em sua roupa.
Corrigindo novamente: duzentos e setenta, sua gravata também havia manchado.
O cliente, irritado com os xingamentos de Naruto, se retirou sem prestar auxilio ou trocar maiores palavras. O loiro, respirando profundamente a fim de retomar a calma, sentou-se na primeira cadeira que viu, sem se importar em verificar se a mesa estava ocupada ou não.
Pegou alguns guardanapos, ainda xingando baixinho enquanto tentava retirar o excesso de bebida ao menos de sua gravata na tentativa de salvá-la, ato este que parecia ser realizado em vão. Desistindo, amassou o papel, jogando-o para frente e acertando uma pessoa que, coincidentemente, estava sentada a sua frente.
O homem aparentava ser alto e magro, mesmo estando sentado. Tinha os cabelos morenos num tom castanho bem escuro, com longos fios presos em um rabo de cavalo baixo e perfeitamente centralizado. Franjas repicadas entornavam seu rosto fino, emoldurando-o perfeitamente. Possuía os olhos negros, levemente amendoados, profundos e misteriosos, que encaravam Naruto com curiosidade, não parecendo ligar para o guardanapo amassado que acabara de acertar seu braço.
Sua pele era pálida, chegando a ser quase tão branca quanto a camisa que usava, e seus óculos estavam na ponta de seu nariz, beirando uma queda. Piscando com o contato visual, o homem retirou os óculos, colocando-os acima do caderno onde previamente escrevia, e tornou a investigar com o olhar a curiosa criatura loira diante de si.
O loiro parecia irritado, sua pele estava avermelhada de raiva e agora direcionava um olhar assustado para si. Seus olhos eram de um azul cintilante que lembrava a cor do céu em seus melhores dias de sol; seus cabelos, no caso, faziam o papel do próprio sol: cachos dourados, com tons mechados de caramelo emolduravam a sua face de forma despojada, dando um ar juvenil ao homem de estatura séria e comportada, vestindo um terno aparentemente destruído, mas que deveria fazer jus a beleza de seu dono há poucos minutos atrás.
Naruto piscou atordoado, finalmente se dando conta do que acabara de fazer.
_ Me desculpe, não havia percebido que esta mesa estava ocupada. — falou, tentando sorrir e aparentar amigável ao estranho que não desprendia o olhar de si, lhe causando calafrios.
O estranho moreno sorriu um sorriso de canto de boca, recolocando os óculos e voltando a se concentrar no caderno que provavelmente deveria ser o único destinatário de sua atenção até a intromissão de Naruto.
_ Não se incomode, estou para me retirar daqui alguns momentos. – sua voz era profunda e tão misteriosa quanto os seus olhos.
_ Por favor, não por isso! Vou procurar uma mesa vazia.
Naruto levantou-se e olhou ao redor, notando que todas as mesas estavam ocupadas por pessoas que não haviam sequer notado sua aparição desastrosa no estabelecimento. Conversavam alegremente, sorrindo e falando alto, comendo quitutes e bebendo café. Naruto percebeu que, de fato, estava em uma cafeteria, apesar de que alguns ocupantes das mesas tomavam simples doses de baixo teor alcoólico.
_ A cafeteria está lotada. Fique, eu já ia sair antes de você chegar. – o moreno manteve a cordialidade, sorrindo de leve na tentativa de encorajar o loiro desastrado a não se retirar, estragando ainda mais sua roupa ao molhá-la com a chuva torrencial que batia forte nas janelas do bistrô.
Sentou-se novamente. Encarando com cuidado o homem. Sorriu um sorriso cheio de dentes em retorno ao sorriso tímido do moreno, esticando uma mão em seguida para o estranho.
_ Meu nome é Naruto. Desculpe-me, mais uma vez, pela intromissão.
O moreno fechou o caderno pela segunda vez, tomando a mão do loiro à sua enquanto respondia:
_ Itachi.
Ficaram em silêncio no momento seguinte, ambos não fazendo menção de desatar as mãos logo em seguida. Demoraram a perceber que, por fim, ainda estavam grudados pelos dedos, fazendo a realidade atingi-los de uma vez só e como se fossem compelidos a uma corrente elétrica, deslizaram suas palmas para o colo dos respectivos donos. Itachi voltou a encarar o caderno, tentando retomar a compostura e o caminho de suas ações.
_ Err... Acho que vou ter que comprar quiboa depois de sair daqui. – Naruto falou casualmente, gesticulando para a mancha na camisa branca. Itachi fez um barulho de estalar a língua nos dentes, abaixando o olhar novamente para o caderno.
_ Quiboa apenas vai estragar a roupa. Seria tolice desprender tempo tentando retirar essa mancha, use outra camisa.
Oras. Que audacioso! E daí se ele não possuía outras camisas? Quem aquele idiota era para chamá-lo de tolo, ainda mais nesse grau de casualidade?
_ Me desculpe novamente, mas acho não ser comum se dirigir a recém-conhecidos como tolos. – Naruto falou com educação, sorrindo na tentativa de não parecer tão agressivo. Itachi o encarou por cima dos óculos,
_ Naturalmente. Perdoe-me por pontuar o óbvio.
O loiro não entendeu, a principio, a frase de Itachi, prendendo-se apenas ao pedido de perdão. Longos dez segundos se passaram até que ele captasse a ironia da fala, fazendo-o avermelhar-se de vergonha por sua lerdeza, tornando a respirar para exclamar um contra-ataque.
Entretanto, foram interrompidos pelo garçom.
_ Gostaria de beber alguma coisa senhor? – ele questionou, direcionando seu olhar educadamente para Naruto, mas logo em seguida pousando os olhos com reprovação na mancha em sua camisa, mas não oferecendo nenhuma ajuda em sua assepsia.
_ Dry Martini, por favor.
Tanto Itachi quanto o garçom pareceram surpresos com o pedido de Naruto. O funcionário anotou o pedido, se retirando sem fazer maiores observações, enquanto Itachi voltou a abaixar os olhos para sua leitura, dando leves toques com o lápis no caderno enquanto lia, aparentemente corrigindo erros no que, ao que tudo indicava, acabara de escrever.
_ Dia duro.
_ O que quer dizer?
_ Dry Martini às quatro horas da tarde de uma segunda-feira. Dia duro.
_ Ora, ora, não estaria o senhor pontuando o óbvio novamente? – o loiro respondeu, dando um sorriso vencedor.
Itachi foi compelido a sorrir também, desta vez mostrando de leve os dentes perfeitamente alinhados.
_ Perdoe-me novamente, acreditei inutilmente que o senhor não era capaz de absorver o que seria óbvio, apenas quis ajudar seu entendimento e iniciar uma conversa amigável, tendo em vista que nem eu nem você pretendemos nos molhar nos próximos minutos.
_ Estamos presos aqui. — um barulho ensurdecedor de trovão ecoou, assustando algumas mulheres sentadas em uma mesa ao lado. Itachi e Naruto se divertiram com os gritos femininos desesperados, não se assustando de maneira alguma.
_ De fato.
Alguns minutos se passaram. Naruto recebeu sua taça e bebericou seu conteúdo, solvendo até a última gota. Sem uma nova bebida (e dinheiro para pagar uma segunda dose) começou a se sentir entediado e levemente curioso ao que o misterioso moreno fazia em seu caderno surrado. Havia parado de pontuar e recomeçara a escrever, não dando a mínima atenção para a companhia a sua frente. E Naruto não gostava de passar despercebido.
_ O que está fazendo?
Itachi neste momento não olhou para Naruto, e aparentemente possuía o dom de escrever e conversar ao mesmo tempo.
_ Trabalhando.
_ No que trabalha?
_ Quer que eu pontue o óbvio novamente? – Sorriu, olhando-o rapidamente antes de posicionar os olhos novamente no caderno. Naruto, sentindo a atenção voltar para si, se sentiu reconfortado, fazendo pouco caso à provocação do moreno.
_ Não é obvio. Você trabalha escrevendo, pode ser um jornalista, ou estar desenvolvendo uma tabela de dados pra uma multinacional, ou...
_ Por eu ter dito se tratar de algo óbvio, você já deveria ter compreendido qual é minha profissão.
Naruto analisou Itachi trabalhar por mais alguns segundos, piscando e se sentindo envergonhado do chute que posteriormente daria.
_ Escritor?
_ Sim.
_ Não quis chutar escritor antes. Parece algo tão fora do comum, sempre imaginei escritores escrevendo em seus notebooks que jamais saem da casa, vestido uma roupa surrada e rodeados de canecas de café frio, gatos preguiçosos e luz baixa, sem sequer um raio de sol adentrando o escritório de trabalho, que se trataria provavelmente de um sótão improvisado e levemente mofado. – Itachi riu, e Naruto calou-se, maravilhado como o moreno misterioso e sua mais nova atitude, como se esperasse ser impossível ouvir uma risada advinda de tal pessoa.
_ Você esta falando de escritores de filme de terror barato. Não de escritores reais.
_ Não quis te ofender. Às vezes falo demais. – Naruto disse, Itachi concordou com a cabeça, deixando o sorriso sumir enquanto voltava a escrever. O loiro ficou alguns minutos em silêncio e, novamente incapaz de se conter, voltou a falar – Como um escritor de verdade trabalha?
_ Realmente fala demais. – Itachi constatou em voz alta, fechando o caderno e desistindo de seus afazeres, guardando em uma bolsa que estava pendurada no encosto de sua cadeira, juntamente com os óculos que usava para leitura.
Naruto o olhava com curiosos olhos azuis, cintilando ao perceber que, finalmente, adquirira completa atenção do moreno.
Itachi não pode deixar de notar a energia intensa que rodeava o loiro, e que seria considerável gastar um pequeno tempo de seu dia para trocar experiências com uma pessoa tão... peculiar.
_ Depende do tipo de livro, ou da proposta da editora, ou até mesmo da forma de inspiração do escritor.
_ Como assim?
_ Os melhores escritores não vivem para escrever. Escrevem quando a inspiração os toca, e por isso estão sempre munidos de papel e caneta. Entretanto, a maioria dos escritores que possuem suas obras nas prateleiras seguem passos mecânicos para a escrita de best-sellers.
_ Eu achava que best-sellers eram bons livros.
Itachi gargalhou. Literalmente gargalhou! Os olhos de Naruto brilharam em fascínio.
_ Best-sellers deveriam ser bons livros. Mas pra adentrar a lista de best-sellers você deve escrever livros que o grande público gosta de ler, e assim conseguir vender. Best-sellers, em geral, são escritos por profissionais, escritores que sabem o que devem escrever para atingir o público massa, não necessitando de inspiração artística para fazê-lo. São escritos e guardados em gavetas, liberados as editoras conforme a demanda destas e do público, enquanto as verdadeiras obras de arte demoram anos para serem feitas, e raramente são conhecidas pelo público ou só se tornam conhecidas com o passar dos anos, quando os leitores, em geral, refinam seu gosto. Em real, todo escritor é capaz de escrever um best-seller, bastando pouco conhecimento antropológico para assim fazê-lo. Leigos podem escrever obras primas infinitamente mais artísticas do que escritores notórios.
_ Sinto polêmica rodeando seu discurso. Você não deveria falar assim, deveria? Está desmerecendo sua profissão.
_ Você não é meu agente nem meu leitor. Posso ser franco com alguém que me desconhece, eventualmente. Faz bem para lavar a alma. – Itachi ergueu o copo vazio de Naruto, acenando para o garçom repetir o pedido. Naruto protestou.
_ Ei, Itachi, eu não tenho dinheiro pra uma segunda dose. – falou em voz baixa, enquanto o garçom fazia um sinal de positivo, tratando de fazer o drinque.
– Estou comprando seu silêncio, Naruto-kun. – ele respondeu, sorrindo de canto de boca.
Foi a vez de Naruto gargalhar.
_ Ok. – falou entre o riso – E você está escrevendo um best-seller ou uma obra prima?
Itachi deixou o sorriso se desfazer, encarando seriamente o loiro a sua frente.
_ Existem cosias que não podem ser compartilhada nem com desconhecidos.
Naruto sentiu sua pele arrepiar, seu interesse por Itachi crescendo em proporções geométricas. Ajeitou-se na cadeira, recebendo a nova bebida em seguida, tomando um gole intenso. Percebeu que apesar do silêncio e da aparente falta de curiosidade do moreno, conseguiria adentrar mais à fundo no universo de Itachi se compartilhasse, da mesma maneira, sua vida com ele.
_ Eu não sou escritor, mas também escrevo algumas coisas, sabe. – Itachi nada disse, mas Naruto continuou a falar, fingindo não se dar conta da falta de interesse aparente – Entendo muito bem isso de "fazer o que a massa deseja".
_ Eu sei.
_ Como?
_ Naruto Uzumaki, vereador em segundo mandato, candidato à Prefeito. Eu não votei em você.
_ Certamente que não. – Naruto abaixou levemente a cabeça, encarando a sua própria bebida.
Itachi era uma pessoa (ao menos aparentemente) culta, não era o foco de suas campanhas. Naruto tentava, ao máximo, fazer seu trabalho da maior e melhor forma possível, dentro da liberdade que a política proporcionava, mas para ser bem colocado nas eleições deveria seguir aquilo programado pelo partido, letra por letra, promessa por promessa. Itachi tê-lo reconhecido já era algo levemente curioso, nem seus próprios eleitores costumavam se lembrar de ter votado nele. A política, atualmente, era uma piada sem graça.
_ Eu não voto. Justifico há anos, meu titulo é de outra capital. – Itachi sorriu, tentando reconfortar o outro.
_ Não, eu entendo o que quer dizer. Eu não votaria em mim se ouvisse minhas promessas e meus discursos. Mas você sabe como a coisa funciona: assim como eu preciso falar o que eles desejam ouvir pra ser eleito, você precisa escrever os best-sellers para ganhar seu pão de cada dia.
_ Errado.
Naruto piscou, extremamente confuso. Itachi retirou a carteira do bolso, contando algumas notas de dinheiro e colocando o conteúdo em sua mesa.
_ Só porque eu disse que sou um escritor você tirou suas conclusões, acreditando que eu escrevo best-sellers para meu sustento. Errado. Minha fonte de renda não advém de meu trabalho, eu não escrevo best-sellers.
Naruto ficou em silêncio, boquiaberto, enquanto Itachi guardava a carteira e voltava a encarar o loiro.
_ Assim como eu supus que o senhor se trataria de mais um corrupto com os bolsos recheados.
_ Ei! Você...! – Itachi ergueu a mão, fazendo um sinal para o raivosos Naruto se calar.
_ No entanto, você é vereador e não possui dinheiro para pagar um segundo drinque e planeja comprar quiboa para não comprar uma nova camisa, isso tudo em pleno inicio de mês. Seu salário é de dois mil e quinhentos reais, baixo rendimento para alguém que mora em uma capital, o que não te permite gastos fora do orçamento. Isso indica que sua renda é fruto de seu salário e somente dele. O que indica, por fim, a sua idoneidade política.
Se possível, o loiro ficou ainda mais admirado e boquiaberto, encarado Itachi como se estivesse diante de um alienígena. O moreno sorriu uma última vez, se levantando e segurando a bolsa em sua lateral, colocando o seu guarda-chuva de tamanho mediano e completamente seco em cima da mesa, apontando-o para Naruto.
_ Mas, novamente, estou apenas constatando o óbvio. Foi um prazer conhecê-lo, Naruto-kun.
Isso dito, e antes o outro pudesse ter qualquer reação, Itachi saiu da loja.
Não se preocupou com os grossos pingos de chuva que molhavam sua camisa, nem em correr para tentar manter-se seco, acenando para o primeiro táxi que passou na rua, adentrando no automóvel e desaparecendo da vida de Naruto da mesma forma que apareceu, misteriosamente pelo acaso.
… Continua …
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