The Plan

2 Capítulo 2


Notas iniciais
N/A: Bom, nesse capítulo acredito que vocês vão começar a entender um pouco as coisas (ou não).
Primeiramente, só quero deixar claro que todas as questões jurídicas/políticas mencionadas não tem nenhuma relação com a legislação do Brasil, pois o pais é fictício então por isso posso criar as regras que eu quiser nele. I am Kami, behold. LOL!
Sasuke devidamente apresentado, votações começam agora! Um leitor só pode votar uma vez, podendo mudar o voto sempre que desejar. Eu vou criar uma planilha no meu computador com o nome de vocês e o voto pra ter esse controle.

THE PLAN

Naruto observou o caminho tomado por Itachi por mais alguns instantes pela janela da cafeteria, como se esperasse que ele retornasse brevemente. Sabia que era tolice, mas não conseguia evitar esse comportamento.

Por fim, desviou o olhar, fitando novamente a mesa. O dinheiro era o suficiente para pagar os dois drinques de Naruto, sobrando troco e gorjeta. O guarda-chuva aparentava ser novo e, analisando mais atentamente, era possível inclusive perceber uma etiqueta de loja ainda presa no cabo do objeto.

Naruto olhou confuso para as notas de vinte reais e o guarda-chuva, bagunçando o seu cabelo enquanto pensava. Poderia parecer idiotice, e ele jamais falaria em voz alta, mas parecia, apenas parecia, que Itachi já sabia que o iria encontrar naquele lugar.

O loiro acordou de seus pensamentos com o celular vibrando. Botou a mão no bolso interno do paletó arruinado e retirou o aparelho, deixando o seu rascunho do discurso cair no processo. Olhou de canto de olho para o papel, pegando-o com a mão esquerda, enquanto atendia distraidamente o aparelho celular com a direita.

_ Uzumaki.

_ Naruto! Onde diabos você está? – A voz de Shikamaru ecoava urgentemente do outro lado da linha, fazendo o loiro finalmente acordar para a realidade.

_ Que horas são?

_ Cinco e meia! Onde você ‘tá? Você falou pra Sakura que só passaria em casa e iria direto para o estúdio, recusou até a disposição de motorista. Naruto, faltam vinte minutos!

Shikamaru estava irritado, era evidente. Apressando-se, Naruto acenou para o garçom, entregando o dinheiro em suas mãos e sussurrando um "fique com o troco", correndo em direção a porta com o guarda-chuva em mãos.

_ Vai dar tempo, eu estou perto.

_ Será que é difícil demais pra você seguir o combinado?

Naruto vez menção de abrir o guarda-chuva, mas percebeu que ainda segurava o discurso com a outra mão. Olhou-o rapidamente e, ouviu a voz de Itachi ecoar em sua mente:


"Em real, todo escritor é capaz de escrever um best-seller, bastando pouco conhecimento antropológico para assim fazê-lo. Leigos podem escrever obras primas infinitamente mais artísticas do que escritores notórios"

Se decidindo, sorriu ao jogar o papel rabiscado na lixeira do estabelecimento.

_ Desculpa Shika, mas dessa vez eu vou improvisar.

_ Mas o...

O loiro desligou o telefone, abriu o guarda-chuva e correu para fora, sem se importar em molhar os sapatos lustrosos e a barra de sua calça, as únicas peças de roupa que ainda não estavam destruídas. Bom... agora, pelo menos, tudo em seu visual combinava.


(***)


_ Finalizou, não finalizou? – perguntou o taxista. Uma pergunta um tanto peculiar, ainda mais por um taxista que aparentemente apenas estaria prestando um serviço de condução, mas Itachi não aparentava surpresa. Com feições entediadas e distantes, encarava os pingos de chuva batendo em sua janela, ignorando completamente a indagação a si dirigida.

O taxista suspirou sonoramente

_ Itachi, você sabe muito bem as regras do jogo. Não deixe de...

_ Kakashi – o moreno exclamou para o taxista, fazendo este se calar – Não preciso que você me lecione todo santo dia coisas que eu já sei como funcionam.

Silêncio interrompido apenas pelas freadas leves do carro e sinalização de conversões. Kakashi olhava o moreno pelo canto do olho, evidenciando a tristeza no olhar do rapaz. Encarou a estrada novamente e, sorrindo por detrás de sua máscara nada convencional, falou em um tom mais amigável.

_ Eu apenas não desejo ter que agir.

_ Não será necessário. Confie em mim, Ele confiou. – o moreno falou em tom baixo, descansando a cabeça na janela gelada e umedecida.

_ Mas Ele não tem mais o controle, você tem...

_ Chega Kakashi, por favor! Você não faz ideia de como isso é difícil! – Itachi sussurrou num tom de súplica, fechando os olhos com melancolia. O grisalho, sabendo o que se passava na mente do pupilo, atendeu ao seu pedido, planejando não mais importuna-lo pelo assunto. Por hora...

Kakashi estacionou o taxi numa vaga de rua, próximo a uma loja de eletrônicos. Desligou o carro e empurrou o banco para trás, esticando as pernas e abrindo um jornal velho pra ler.

Itachi abriu os olhos e encarou o grisalho, não compreendendo o comportamento.

_ O que esta fazendo?

_ Esperando.

_ Sasuke?

_ Sasuke.

Ele trincou os dentes e apertou os punhos com força, mas se recompôs rapidamente, tentando manter uma posição serena.

_ Achei que iria demorar mais.

_ Eu também. Mas recebi um alerta do plano esta tarde. Seja lá o que você fez, foi bem feito.

_ Eu vou voltar a pé, destrava a porta. – o moreno ordenou, tentando abrir a porta o mais rápido que podia.

_ Não. Vai ser rápido, e eu não vou precisar falar com o Sasuke. Se acalme.

_ Não me interessa! – apesar das palavras grosseiras, a voz de Itachi estava perfeitamente composta e imersa de polidez – Eu não quero ver a cara dele.

_ Faz parte da sua lição. Você não pode sair, ordens superiores.

O moreno olhou estático para o grisalho, que o observava com feições sérias. Trincou os dentes novamente e tentou relaxar no banco, encarando a calçada com irritação.

Vários minutos se passaram e os ocupantes do veículo não mais trocaram palavras. Itachi estava visivelmente irritado, Kakashi, por sua vez, parecia curioso. Eventualmente olhava para o moreno por cima de seu jornal, como se esperasse que este quebrasse o para-brisa e saísse correndo para longe. Mas o moreno nada fez, mantendo o olhar irritado no mesmo foco, mal piscava os olhos.

Subitamente, uma pessoa foi vista andando na chuva, levemente cabisbaixo e com um guarda-chuva que não o protegia nem um pouco da chuva torrencial. Passou pelo carro, seguindo em frente sem olhar para o lado. Kakashi dobrou o jornal e entregou-lhe para Itachi, saindo do carro em seguida, com um grande guarda-chuva protegendo sua cabeça, urgência evidente em suas passadas largas.

O moreno observou tudo com cuidado. Kakashi andou em uma direção oposta à que o homem vinha, e, depois de certificar a posição deste com um rápido olhar para trás, gritou:

_ SASUKE!

Sasuke parou de caminhar no mesmo instante que Kakashi dobrava a esquina, e quando o moreno mais novo olhou para trás, a fim de constatar quem o havia chamado, não encontrou ninguém na rua. Dando de ombros, girou o corpo para olhar pra frente e recomeçar seu caminho, mas desistiu ao encarar a vitrine. Surpreso, derrubou o guarda-chuva, observando o conteúdo da loja e se esquecendo completamente de tudo que ocorria ao seu redor.

Itachi, observando de camarote a reação de Sasuke, também encarou o objeto da loja. Tratava-se de vários televisores, sendo quem em todos eles encontrava-se a figura de Naruto Uzumaki, sorrindo, respondendo a algumas perguntas que um repórter o fazia.

Itachi sentia que seu coração havia parado de funcionar, a dor era enorme.

Sasuke correu para dentro da loja, assistindo um televisor com áudio que mostrava Naruto. O moreno mais velho podia ver claramente o sorriso estampado no rosto de perfil do Uchiha, e teve certeza que por trás da franja seus olhos brilhavam em excitação.

Limitou-se apenas em sentir um imenso aperto no peito, e uma grande vontade de quebrar todos os televisores daquela loja. Mas ele sabia, muito bem, que o que aconteceria a seguir seria inevitável.

Ao fim da entrevista, Sasuke saiu da loja correndo, ignorando qualquer coisa que o atendente havia falado. Corria em direção ao lugar de onde viera, e não recolheu seu guarda-chuva do chão, sequer se importando em se molhar e pisar nas poças de lama.

Kakashi entrou no carro subitamente, fazendo Itachi se sobressaltar.

_ Você acabou de observar uma abordagem à distância. Em uma situação como esta, é desnecessário abortar de frente e revelar sua...

_ Kakashi, cale a boca! — Itachi falou em um tom de voz que não costumava utilizar, ligando o rádio e aumentando até o último volume. Olhou para Kakashi com impaciência, e em seguida para o asfalto, indicando que gostaria de sair dali o quanto antes.

O grisalho cooperou desta vez, dando partida no automóvel e acelerando para longe.


(***)


Naruto voltava para cara radiante. Sua entrevista havia sido um sucesso, definitivamente deveria ter considerado improvisar antes. Aparentemente os estragos em sua roupa apenas o aproximaram mais a uma figura de um trabalhador, deixando evidente que gastava mais tempo com serviço do que se preocupando com pormenores como quais marcas de terno estava vestindo. O repórter, inclusive, citou isso nas suas considerações finais.

_ A próxima vez me diga seus planos! Odeio ser pego de surpresa. – Shikamaru falou, tentando parecer severo. Porém, o loiro reparou muito bem no sorriso do colega pelo retrovisor do carro do partido.

_ Não tinha plano, já te disse.

_ Não tem como ter ido tão bem sem um plano Naruto.

_ Bom, talvez eu apenas tenha um dom nato pra coisa ué. — Shikamaru riu, Naruto sorriu feliz. Mal percebeu quando o motorista estacionou o carro a frente de sua casa, de tão realizado que se sentia. Voltou a si com a voz de Shikamaru, que falava em tom preocupado.

_ Você está esperando visita?

O loiro olhou em direção a sua casa, ainda sorrindo, pensando absurdamente que poderia ser Itachi parado em seu parapeito. Mas não era Itachi, era ele, definitivamente era ele: apesar de os cabelos negros-azulados não estarem espetados pelo gel, e sim caídos em seu rosto molhado; apesar de seus olhos não demonstrarem a raiva inerente, e sim uma súplica ansiedade nunca antes vista; apesar de sua postura não mostrar a arrogância, e sim o medo de ser ignorando, lá estava ele.

Sasuke Uchiha.

_ Filho da puta! – foi tudo que Naruto disse antes de sair do carro batendo a porta. Marchou até a figura estática de Sasuke, que o encarava com os olhos arregalados, respirando rapidamente pela boca.

_ Naruto, me escute! – Sasuke suplicou, tentando agarrar a manga do Uzumaki enquanto este fingia não reconhecê-lo, se concentrando em por a chave na fechadura da porta, errando mais de três vezes devido ao nervosismo. Naruto empurrou Sasuke, fazendo-o soltar sua manga. – Por favor!

A porta se abriu e o loiro voou para dentro de casa, colocando força nos braços no momento de fechá-la. Porém, a porta se chocou de encontro ao pé de Sasuke, que resmungou de dor.

_ Vai embora seu desgraçado! – Naruto gritou, abrindo e fechando a porta novamente para machucar ainda mais o pé de Sasuke, mas ele foi mais rápido e conseguiu manter a porta aberta o suficiente para por parcialmente o corpo dentro da casa.

_ Eu só quero que você me escute! E se você não tiver nada pra falar depois que eu terminar, vou embora e nunca mais apareço. Eu juro Naruto!

Reavaliou: não ouvira Sasuke jurar muitas coisas em sua vida, mas nas raras ocasiões em que o fizera ele manteve sua palavra. Ainda em fúria, escancarou a porta e cruzou os braços, pronto para ouvir qualquer mentira que o moreno ia falar.

Sasuke tentou entrar na casa, mas Naruto o impediu com a palma em seu peito, empurrando-o para trás de volta à chuva.

_ Na minha casa você não entra. Eu consigo muito bem te ouvir daqui.

Sasuke não imaginou que fosse recepcionado com tanto ódio, mas sabia que merecia aquele comportamento. Sentindo frio, mas impedindo ao máximo seus dentes de trincarem, começou a falar em voz alta, sem nunca quebrar o contato com o olhar do loiro.

_ Eu... Eu procurei você todos esses anos Naruto. – o loiro fez menção de falar, mas Sasuke ergueu a mão em um gesto para impedi-lo – Por favor, espere eu terminar. Te vi hoje na televisão, não fazia ideia dos candidatos a prefeitos dessa cidade, pois estou aqui só de passagem. Peguei o nome do partido, liguei lá, mas ninguém queria me informar onde você morava, óbvio. Reconheci a voz da Sakura, me identifiquei e ela me passou seu endereço, falando "assim ele vai ter o prazer de quebrar a sua cara".

Naruto, mesmo irritado, não pode deixar de sorrir.

_ A Sakura-chan me entende muito bem. – Sasuke pareceu ainda mais ofendido, mas decidiu ignorar a intromissão de Naruto. Pensou por alguns instantes em como explicar as coisas para o ex-namorado, decidindo ser direto.

_ Naruto, eu fui embora porque meus pais morreram.

A informação fez toda postura de Naruto se dissolver. Os braços cruzados caíram pesadamente ao lado de seu corpo, seu olhos arregalaram completamente. Nenhum dos dois se moveu pelo tempo que parecia uma eternidade, até Naruto se recompor para voltar a falar.

_ Q-quê?

_ Me deixe entrar, eu te explico tudo. – imediatamente Naruto deu um passo para o lado, permitindo que o moreno adentrasse em sua sala de jantar. Sasuke estava ensopado dos pés a cabeça, mas o anfitrião não se importou com o piso molhado.

_ Sente-se. – ordenou em um tom menos severo, apontando para a mesa de jantar. Sasuke se sentou em uma das pontas, Naruto sentou-se ao seu lado, reanalisando Sasuke com a iluminação da sala.

Sasuke estava lindo, como sempre fora. Algumas poucas mudanças eram evidentes: estava um pouco mais alto e levemente mais encorpado, em forma. Seus cabelos abaixados devido à chuva o faziam parecer mais delicado do que realmente era, pois o loiro sabia muito bem do que Sasuke era capaz. Sua pele exibia a mesma palidez de sempre, os olhos acinzentados e escuros imerso de uma grande quantidade de emoções irreconhecíveis pelo loiro. Ele tremia: impossível era saber se tremia de emoção ou de frio.

_ Você quer uma toalha? Ou...

_ Não. Só quero que você me escute.

O loiro nada disse, aguardando para ouvir o que o ex-namorado tinha a lhe falar. Sasuke demorou um pouco para por as ideias no lugar e recomeçar a falar, suspirando e implorando para todos os Deuses do mundo que ele não estragasse as coisas de vez.

_ Eu... Eu recebi um telefonema do meu tio Madara as dez horas da manhã àquele dia. Achei que ele simplesmente estava tentando botar "bom senso" na minha cabeça e impedir que eu... bem... você sabe. – passou as mãos nos cabelos, na tentativa de tirar um pouco o excesso de água – Eu não atendi e ele continuou ligando. Na terceira ou quarta tentativa, eu atendi pronto pra o mandar ir pro inferno, mas então ele me disse... Meus pais morreram em um acidente de carro. – a voz de Sasuke falhou, mas tanto ele como Naruto fingiram não ter percebido o momento de fraqueza – Alguém dirigia, porque meus pais estavam no banco de trás do carro da minha mãe. Mas não foi encontrado o corpo do motorista, então o desgraçado deve ter fugido. Não temos testemunhas nem pistas, digitais, nada... É como se o homem não existisse. Ao que tudo indica, foi uma tentativa de sequestro, mas o sequestrador era muito ruim de volante...

Um silêncio desconfortável se iniciou. Naruto esticou sua mão para o moreno, e este instantaneamente a segurou, respirando mais aliviado, mas ainda sim contendo as lágrimas. Seu orgulho era poderoso demais para que ele chorasse, nem mesmo na frente de Naruto.

_ Por que você não me ligou? Sumiu do mapa, não atendeu minhas ligações...

_ Eu estava confuso, sozinho. Peguei um avião e fui pra minha cidade, não falei com ninguém por um bom tempo... Eu... pensei muito no que meus pais queriam pra mim.

_ O que quer dizer?

_ Sobre nós... – Sasuke não mais aguentou, quebrou o contato visual, olhando para o lado envergonhado pelo que diria a seguir – Eu quis sumir Naruto, eu quis te esquecer. Eu achei que devia fazer isso em memória aos meus pais.

_ Mas que absurdo é esse que você tá me falando? – Naruto largou a mão de Sasuke, se colocando de pé e derrubando a cadeira onde anteriormente estava sentado. Sua raiva voltava gradualmente – Você me deixou plantado naquele cartório, não me deu nenhuma explicação e sumiu! Tá certo, sinto muito pela perda dos seus pais e entendo a sua dor, mas nós íamos fazer isso! Estava tudo decidido, mesmo os seus pais sendo contra! E não era como se eu estivesse te obrigando, pois faríamos isso apenas por você! Claro, não precisávamos assinar os papéis naquele dia, você só devia me ligar e avisar e eu iria com você no velório, ou ficava do lado de fora do cemitério se eu ofendo tanto a memória dos seus pais!

_ Naruto...

_ Mas dizer que fez isso em memória aos seus pais só mostra que você tinha dúvidas do que queria, seu bastardo! – o loiro o interrompeu, calando Sasuke por longos dois minutos. Os únicos ruídos do ambiente eram a respiração irritada de Naruto e os pingos que caiam dos cabelos morenos. Encaravam um ao outro, o olhar raivoso se chocando contra o arrependido.

_ Você tem razão, eu tinha dúvidas. Mas agora eu não tenho mais Naruto, eu quero ficar com você. Eu amo v... – as palavras de Sasuke foram impedidas de serem ditas por um soco direcionado bem no meio de seu rosto. O moreno caiu da cadeira, segurando o rosto que agora sangrava em um pequeno corte na lateral.

_ NÃO OUSE FALAR ISSO! – Sasuke encarou Naruto novamente, e este tinha lágrimas nos belos olhos azuis ferozes. O loiro estava extremamente irritado – Você não faz IDEIA de como eu sofri! Enquanto você estava sendo um completo babaca no outro lado do mundo! Um... egoísta!

Sasuke se levantou do chão calmamente, impando o sangue com a barra da camisa molhada. Andou até Naruto encarando-o frente a frente e constatando que, finalmente, os dois homens possuíam a mesma altura. Piscou varias vezes, até falar em um tom baixo e sério.

_ Pode me bater o quanto quiser. Mas isso não vai me impedir de falar. Nós éramos crianças, não tínhamos ideia do que estávamos fazendo. Eu estava confuso e agi como um idiota, eu errei, mas isso não diminui nem um pouco o meu amor por você. E é engolindo todo meu orgulho que eu venho aqui pedir perdão. Acho que nunca pedi desculpas pra ninguém na minha vida, mesmo quando eu estava errado. Se você nunca mais quiser olhar na minha cara ou falar comigo novamente, eu aceito. Mas não saio daqui sem receber ao menos seu perdão.

Naruto encarou o moreno, deixando as lágrimas escorrerem livremente de seus olhos. Tinha vontade de espancar Sasuke com todas as suas forças, mas, ao mesmo tempo seu corpo desejava estar mais próximo do dono de seu coração. Não conseguia decidir o que fazer, e depois de alguns instantes, seus pensamentos foram interrompidos pela trigésima vez aquele dia.

_ Usuratonkachi. – O apelido provocante tão conhecido foi seguido pelos lábios de Sasuke ao encontro dos seus.

Oh.

Ao contrário da aparência dos dois homens, o beijo não mudara, nem um pouquinho. Era urgente, com paixão, e Naruto não deixou de retribuir. As mãos de Sasuke seguraram a parte de traz do corpo de Naruto, puxando-o para perto de si, fazendo suas intimidades se friccionarem. Ambos gemeram baixinho, deixando a sensação tão conhecida voltar a sua memória.

O loiro acariciava os cabelos molhados do ex-namorado com as mãos, aprofundando o beijo e explorando o interior da boca de seu moreno favorito. Sasuke, por sua vez, tentava inverter a situação, querendo ele dominar o beijo.

Algum tempo se passou desta constante guerra de dominação que sempre impregnava o relacionamento deles, mas foi Naruto quem interrompeu o beijo, necessitando respirar.

Sasuke sorriu ao se sentir vitorioso.

_ Já que você estava pensando demais e já estava começando a feder, eu resolvi decidir por você. – o moreno disse, recebendo um soquinho no ombro de Naruto em resposta.

Ambos riram de leve, mas o loiro foi o primeiro a recobrar a seriedade, deixando Sasuke novamente temeroso. Ele se aproximou do loiro, colando sua testa à dele enquanto se perdia no olhar de safiras.

_ Eu sinto muito pela sua família. Mas a situação mudou. – Naruto falou seriamente, Sasuke deu-lhe um selinho, contornando sua mandíbula com os dedos finos e compridos.

_ Me dê uma chance. Apenas uma.

_ O que você quer Sasuke?

_ Você. Quero fazer o que devia ter feito há três anos: quero me casar com você!

Naruto continuava confuso, olhando para os olhos acinzentados e respirando descompassadamente.

Sasuke nunca havia falado em casamento em voz alta, na tentativa anterior, quando ocorreu todo aquele desastre, eles apenas se referiam a "papelada" ou qualquer outro termo genérico. Nunca houve um pedido, o casamento estava apenas sendo realizado por motivos de cidadania.

O Uchiha era japonês, e sua cidadania japonesa o impedia de realizar muitas coisas naquele país. Uma delas eram os concursos públicos. Na época, Sasuke e Naruto haviam acabado de terminar a faculdade, e o estrangeiro havia se formado médico enquanto o loiro pegava o canudo de ciências sociais. Estavam namorando há oito meses quando o moreno entrou irritado no apartamento do namorado, dizendo que esse país era ridículo e que o loiro tinha que mudar muitas regras quando chegasse na política.

Sasuke havia feito um concurso público para se tornar administrador hospitalar de um hospital de renome no país, mas sua contratação foi proibida devido a sua cidadania japonesa. Era uma forma de tentar conter o grande número de imigrantes, Naruto havia explicado isso parar o moreno, mas sua ira não diminuía. E então o loiro propôs, se assinassem a papelada Sasuke poderia manter dupla cidadania e realizar quantos concursos públicos ele quisesse. O moreno concordou e em poucas semanas estavam vendo esse... detalhe.

Nunca foi algo romântico.

_ Teme...

_ Dobe... – Sasuke se inclinou na tentativa de capturar os lábios de Naruto junto aos seus, mas este virou o rosto. Suspirando, deu dois passos para trás – Eu não vou te forçar a nada, mas você sabe o que eu quero.

Andou até a mesa novamente, depositando em sua superfície um cartão. Virou-se para Naruto, caminhou lentamente e, pegando suas mãos, perguntou.

_ Você me perdoa?

_ Sim.

_ Então pense. Pense, e me ligue depois que pensar. – Sasuke deu aquele sorriso confiante de canto de boca que era sua marca registrada e beijou as mãos de Naruto. Ao soltá-las, caminhou para porta da sala que ainda estava aberta – Só não demore muito pra me aceitar de volta, posso ter perdido o interesse até lá.

_ Bastardo arrogante! – Naruto gritou e Sasuke se foi, rindo sonoramente da própria piada.

O loiro andou até a mesa e pegou o cartão com as mãos. Era um simples cartão de negócios escrito "Dr. Sasuke Uchiha – Oncologista*" e um telefone celular abaixo seguia, com um endereço de uma clínica na cidade vizinha. No verso, porém, havia escritos a mão:

"Eu sabia que você não ia deixar eu te falar, mas escrever eu posso. Eu te amo, seu idiota."


(***)


Sujeito: Naruto Uzumaki

Idade: 26 anos.

Loiro, olhos azuis, magro, 1,75.

Alma em primeiro grau.

Desenvolvimento passado: retrógrado.

Plano superior: ocupar a cadeira de presidente-representante na ONU. Realização de tratados e pacificação internacional.

Missão: impulsionar a carreira política do sujeito para uma boa colocação nas eleições de prefeito.

Relatório: Naruto Uzumaki adentra o recinto, readquire a inspiração necessária e realiza um discurso impulsionador de sua carreira política. Divisor de águas.

Auxílio superior necessário? Sim [ ] Não [ ]

Tarefa concluída? Sim [ ] Não [ ]

Prazo: seis meses.

Prazo: seis meses.

Prazo: seis meses.

Prazo: seis meses.


_ Prazo: seis meses. – Itachi repetia para si mesmo. Seis meses. Ele possuía seis meses para realizar a tarefa que lhe fora dada. Ela já estava concluída, e ao assinalar em "sim" para "tarefa concluída" a folha de Naruto Uzumaki não mais existiria em seu caderno, e ele provavelmente nunca mais encontraria o loiro. – Mas... Eu tenho seis meses.

_ Itachi. – o moreno olhou para a porta de seu quarto, observando Kakashi ler o pornô de sempre, parado ao lado de sua porta silenciosamente – Nem pense em fazer isso.

_ Eu tenho seis meses pra entregar o relatório Kakashi.

_ Mas você já fez a missão. O entregue agora.

Tanto Itachi quanto Kakashi ficaram em silêncio, cada um lendo respectivamente o que continham em mãos. Por fim, o grisalho fechou o seu livro, virando de costas e falando em voz baixa.

_ Não pense que só por que você está no segundo nível não tem que superar suas limitações. Todos nós sofremos com a primeira vida de trabalho, e o egoísmo é o que gera a superpopulação do primeiro nível. Não regrida, Itachi.

Dito isso, saiu fechando a porta atrás de si com um suave click. Itachi encarou a porta por alguns instantes, em seguida voltando à ler as palavras já decoradas.

Seis meses.

Seis meses.

Seis meses.


Seis meses de esperança.


... Continua...

Notas finais
* Oncologista é o medico que trata câncer. É importante pra história saber a especialização do Sasuke.