The Pink Is The New Black
2 Pizza and Heinekens
Notas iniciais
Gates me deu um sorriso torto aquele que eu sempre amei, olhei para frente pasma, a Fer ainda não tinha percebido a minha reação (ela estava muito concentrada nas batatas fritas dela).
– Ai-meu-Deus! – falei pausadamente.
–Que foi? -Perguntou pegando o copo de Coca.
– O meu maior ídolo ta sentado na mesa do lado – falei quase sem ar.
– Como é que é?-Perguntou fazendo uma cara desconfiada. Quando ela olhou para o lado, e os viu,quase se engasgou. – Meu caraaaalho... – ela olhou pra mim incrédula.
– Qual era a probabilidade de isso acontecer? – perguntei eufórica.
– Não sei. 0,1? –ela levantou uma sobrancelha só. – Não to acreditando. –disse ela olhando pra mesa deles de novo e sorrindo para os caras.
– Você vai falar com eles? – perguntei. Ela anuiu. – O que vai dizer para eles?
Ela me olhou com um sorriso torto e uma tentativa de cara sedutora. Levantou uma sobrancelha e disse: — E aí gatinho tá de bobeira? – começamos a rir. Olhei para eles e vi que se entreolhavam curiosos uma vez que nós estávamos conversando em português.
– Droga! Minha camiseta! – praguejei.
– O que tem ela? – perguntou dando de ombros. Cara, não sei como ela conseguia, não estava nervosa. Porra Fer. Eu ainda mato você por ter tanto autocontrole.
– Eu não vesti ela.
– Se fodeu. – ela riu da minha cara.
Fiz uma cara feia e levantei da mesa. Eu tinha que ir buscá-la. Oportunidade única. 0,1% de isso acontecer de novo. Andei rapidamente até o elevador e fiquei pensando que com a minha emoção provavelmente seria mais rápido ir pelas escadas, mas sinceramente fiquei com medo de tropeçar.
Cheguei no meu andar e corri para a porta. Como nós pretendíamos ir ao o show, minha camiseta estava bem em cima na mala, peguei-a e voltei correndo para o elevador.
Ao chegar no salão, olhei para a mesa deles e não vi ninguém,fiz uma careta de desanimo. Olhei pra nossa mesa, mas ao invés de ver a Fer, vi duas cabeças masculinas.
Oh meu Deus. Eu não estava acreditando, minha melhor amiga tinha saído com os nossos ídolos e me deixado pra trás? Ela não tinha feito aquilo comigo.
De repente vi uma cabeça loira se esticar pro lado na nossa “ex” mesa, então reconheci ela. Mas que eram os dois... Não! Ela não tinha conseguido aquilo. Parei onde estava com a cara incrédula, meu cérebro só podia estar dando curtos.
A Fernanda me irritava às vezes. Mas eu já disse que ela é foda? É isso mesmo. M. Shadows e Synyster Gates estavam na mesa com ela.
Fui andando até a mesa, quando meu olhar cruzou o dela de novo, mexi os lábios num “filha da puta”. A menina riu e os dois olharam para mim. Ok congelei. Respirei fundo e continuei andando. Não podia dar uma de menininha histérica. Não sei se ia conseguir ficar tão calma como a Fer conseguia fingir (é, eu sei que os hormônios dela estavam pululando freneticamente dentro dela), mas ia fazer um esforço. O que eu falaria para eles? Mas não precisei pensar muito, por que quando sentei na mesa, o Matthew já me cumprimentou com um:
– Oi Jessica.
– Er... Oi – esbocei um sorriso nervoso.
– Olá... -Synyster cumprimentou. Eu sempre imaginei que ele fosse do tipo de se fazer de sexy. Se fazer não. Ele ERA! Tá parei.
– Olá. — copiei-o.
– Então, eu suponho que você tenha lembrado de trazer as canetas. – Fer disse sorrindo.
– Claro né. –Revirei os olhos. E os meninos riram. Matt estendeu a mão e sorriu pedindo a camisa. Entreguei a ele com um sorriso radiante. Eu ia ter uma camiseta autografada!
Matt assinou e passou pro Gates, depois a Fer virou de costas para eles assinarem a dela.
– Gostei dessa caneta. – Syn disse rolando ela entre os dedos.
– Nem vem! Filha única de mãe solteira. – Fer levantou o indicador em sinal de advertência. Eles riram.
– Hmmm – Syn fez uma cara de malícia. – E ela é sua?
– Nossa cara, recarregou a metralhadora hoje cedo? – Matt perguntou ao guitarrista. – É a terceira só agora.- Syn riu. – Então? Foram no show ontem? – mudou de assunto. A Fer deu um suspiro.
– Nem me lembre disso. – ela disse indignada e eles fizeram uma careta indagadora.
– Fernanda não começa porra! – rateei. – Eu te falei que isso podia acontecer.
– Você falou que PODIA não que IA acontecer. – resmungou. É, eles estavam atordoados e não entendiam bulhufas do que estava acontecendo.
– Mas aconteceu e eu não tenho culpa. – desculpei. Ela suspirou e cruzou os braços. Vai Fernanda mostra o que você tem de melhor, mal humor.
– Uhhmm, vocês poderia ser um pouquinho mais claras? – Gates perguntou erguendo os ombros. Ela abriu a boca pra soltar os cachorros em mim, mas eu a fulminei.
– Ah dane-se. Conta você. – disse ela voltando à latinha de Coca.
– Na verdade nossa intenção era de ter ido ao show, mas como o motivo principal da gente estar aqui era um concurso de dança que eu tive ontem, e ele atrasou, nós perdemos o horário do show e agora a Fernanda quer me matar.
– Né? Mil vezes um show do que ver um monte de mulher dançando. – ela resmungou.
– Bom ai eu fico em duvida. – Syn disse sorrindo.
– Ah claro. – ela revirou os olhos.
– Cara você está precisando voltar urgentemente para Huntington Beach. – Matt disse e nós rimos. Precisava ele me lembrar que aquela Michelle existia? A Fer me olhou com uma cara de “Aff” e eu olhei pra ela com uma de “Aff mesmo”. – De onde vocês são meninas?
Quando eu ia responder, senti meu bolso vibrar ao som de To End the Rapture.
– Wow! Gostei do seu toque. — Syn elogiou. Convencido né?
– Já volto – falei levantando. – Oi Pai. – atendi, já me afastando da mesa. Bela hora de ligar.
– Oi filha. Acabei de chegar no aeroporto.
–Que bom! Quer que eu vá te encontrar? – diz que não, diz que não. Implorei mentalmente.
– Quero. – Aff, não creio.
– Tem que ser agora?
– Tem, quanto antes melhor. E traga seus documentos e os da Fernanda. A mãe dela resolveu deixar ela fazer faculdade aqui.
– Mas pra que?
– Pra conseguir o visto dela de estudante, e seu de residente.
– Mas pai, você nem sabe se eu passei ainda.
– Não importa, é melhor deixar tudo encaminhado. – suspirei.
– Tá, meia hora eu to aí. – Falei contra vontade.
– To esperando. Beijo filha.
– Beijo – desliguei. Ah mas que merda. Meu pai sempre aparecia nas piores horas. SEMPRE.
Voltei pra mesa com uma careta mal humorada. A Fer me olhou “e ai?”
– Você quer saber a boa ou a má notícia? – perguntei.
– Boa.
– Meu pai chegou e vai ver nossos vistos pra gente ficar mais. E sua mãe concordou em você fazer faculdade aqui.
– Tá zoando? – ela disse com um sorrirão. – Cara eu amo seu pai Jeh..
– E a ruim é que a gente tem que ir agora.
– Tomar no cu dele... – pestanejou em português. – E se eu não quiser? A porra do consulado não vai fugir. Por que diabos têm que ser agora?
– Calma menina. – Matt disse já pressentindo o perigo.
– Eu to calma – disse.
– Deu pra ver — falei.
Ela suspirou.
– A gente vai ter que ir meninos – falou.
– Embora? – o Syn perguntou.
– Não, temos que encontrar com o meu pai – respondi.
– Mas, então vocês voltam? – o Matt perguntou.
Confirmamos com a cabeça.
– Então a gente se encontra por aí – falou.
– É eu acho que sim – respondi feliz.
Ganhamos um beijo deles e fomos para entrada do hotel
– GURIA!!!! – gritamos juntas. Enquanto procurávamos um taxi.
– Ai, eu não acredito agora eu posso morrer feliz – ela gritou. A Fer tinha cada idéia.
– Ai... Eles são tão fofos. – falei mais pra mim do que pra ela.
– Será que a gente vê eles de novo? – perguntou.
– Tomara né? E nem é tão impossível assim, uma vez que estamos no mesmo hotel – respondi.
– Eu ainda mato o seu pai Jessica – rateou.
– Nem me fale, que raiva – falei acenando para um taxi que se aproximava.
Chegamos no aeroporto encontrei o meu pai já na entrada. Ele abriu um sorriso quando nos viu.
– Meus amores como é que vocês estão? – ele disse nos abraçando.
– Com raiva! – a Fer respondeu.
– Como? – perguntou.
– Nada não pai, estamos bem – respondi.
Ele nos olhou desconfiado.
– Vamos então, eu aluguei um carro – falou.
– Que tipo de carro? – a Fernanda já se animou. Nós éramos loucas por carro.
Ele nos deu um sorrisinho travesso.
– Não aluguei o que vocês estão pensando.
– A então eu não vou dirigir um Camaro? – fiz um biquinho.
– Não, e sou eu que vou dirigir – falou.
– Ah tio – A Fer choramingou.
– Nem vem meninas, vocês não conhecem o lugar, e eu conheço vocês muito bem para saber que não vão querer dirigir no limite – falou.
Olhamos para ele confusas.
– Quem é você? E o que fez com o meu pai? – perguntei. Com o meu pai nunca teve esse negócio de velocidade máxima. Ele nos levavam sempre em corridas e sempre nos incentivavam a correr.
– Ele ainda tá aqui, só que um pouco mais responsável. – falou.
– Difícil! – a Fer murmurou.
– Vamos lá meninas – ele nos guiou.
Era uma Mercedes 350i preta.
– Tiiiooo! – a Fer choramingou.
– Paaaiii! – choraminguei também.
– Não comecem, podem entrar no carro. – rateou.
– Merda! – xinguei.
Demoramos quase duas horas naquele consulado, tinha muito papeis para assinar, muita coisa para explicar. Enfim saímos de lá com a cabeça girando.
– Eu vou passar na casa do Charles – ele disse. Charles era um amigo do meu pai que agora morava na Califórnia – vocês querem voltar para o hotel ou ir comigo?
Nos entreolhamos.
– Voltar para o Hotel – falamos juntas.
– O que tem de tão importante lá? – ele estreitou os olhos.
– Piscina! — Falei rápido – tá um calor desgraçado aqui.
– Na casa do Charles também tem piscina – argumentou.
– Mas não é de um hotel né tio? – a Fer ajudou.
– E depois não vamos ter muito o que fazer lá – falei.
– Tá então, eu acho que vou dormir por lá, porque vamos vê a casa de vocês. E vocês se cuidem, amanhã eu ligo para dizer o horário que eu encontro com vocês – falou.
– Beleza pai! – dei um beijo nele.
Ele foi embora e pegamos um taxi de volta ao hotel. Já estava escurecendo quando chegamos lá.
Subimos até a nossa suíte olhando para todos os lados para ver se os encontrávamos, mas não tivemos muito sucesso. Talvez eles já tivessem ido embora. Chegamos na suíte fui Direto para o banho.
– Fer – gritei do banheiro. – Ligue para a sua mãe, você não ligou até agora.
– Tá – gritou em resposta.
[POV’s Fernanda]
Procurei meu celular dentro daquela bolsa gigante. Porra, eu odeio andar de bolsa, e gigante ainda, tinha que ser da Jéssica. É, eu tinha pegado uma bolsa emprestado, por que eu só uso mochila. Demorei séculos pra achar meu celular naquela sacola.
Peguei meu celular, o plano de fundo era uma foto do Matt. Sorri, eu conhecia ele pessoalmente, e tinha conversado com ele. Que foda.
Disquei o numero do celular da minha mãe. Meus DEUS, digitei um numero gigante, deram duas linhas, DDD, DDI e mais um numero da operadora e numero do celular dela... Aff o mundo ia acabar em números.
– Oi Mããe. – falei toda melosa. Entenda. Esse não era meu normal, mas se não fosse assim com ela, a mulher teria um chilique.
– Filha. Você quase me mata. Por que não ligou antes? – ela quase berrou. Mãe tenha dó dos meus tímpanos.
– Mãe, quem sabe você desliga, por que desse jeito não precisa nem de telefone. – falei revirando os olhos. – Eu estava ocupada com umas coisas aqui.
– Que coisas?
– Minha cama e meu travesseiro. – menti.
– Quando você chegar eu vou te levar num médico. Acho que você está com a doença do sono.
– Como assim? Eu não vou estudar aqui? – perguntei confusa.
– Vai. Mas suas aulas só começam em Agosto. Você vai ficar um tempo aqui antes de se mudar definitivamente.
– Ah Mãe. Vou desperdiçar 12 horas à toa. – resmunguei.
– Como assim?
– É, seis horas pra ir até o Brasil, e mais seis para voltar. – falei rindo. – Já estou aqui mãe...
– Não, eu não me despedi direito de você. Teus primos vão chegar do Rio só para se despedir. – argumentou.
– Fala sério mãe... Eu nem sou muito ligada neles.
– Não importa você vem e ponto final.
– Ah tá, mas eu vou passar uns dias aqui ainda. Sério, pelo menos até a Jessica se mudar para a casa nova.
– Não. Sua passagem já está comprada para depois de amanhã, às duas horas. Está com o Walter. – Walter era o pai da Jeh.
– Ah mãe... Juro que te mato quando chegar ai. Só um pouquinho. – resmunguei.
– Eu também te amo filha. – revirei os olhos. Cara, odiava melação com a minha mãe. Imagina aquele tipo de mãe que quer ser sua melhor amiga. Então multiplica. Minha mãe é um pouquinho pior.
– OK. Então tá. Fazer o que? Amanhã eu te ligo, vou lá em baixo pegar alguma coisa pra comer, meu estomago está roncando.
– Tudo bem. Te comporta. Mande um beijo pra Jessica.
– Mando.
– Beijo
– Outro. Tchau mãe.
– Tchau. – desliguei.
Não estava acreditando que eu teria que voltar pra porra do Brasil. Aquela parada de matar minha mãe era verdade... Tinha cada idéia.
Coloquei o celular no bolso e fui pra porta, mas ela estava trancada e a chave não estava ali. No mínimo a Jeh tinha pegado. Maldita mania dela de tirar a chave do trinco. Cheguei no quarto dela e encontrei a chave em cima da cama.
– Jeh, vou buscar alguma coisa pra comer. Já venho. – falei pra porta do banheiro.
–Tá mas não demora. E vê se enxerga eles...
– Não vou contar com isso. Mas tudo bem. – gritei já saindo do quarto.
Quando estava trancando a porta da nossa suíte, ouvi alguém abrir a da suíte da frente, virei pra trás e me deparei com o Matt e o Zacky.
–Hey... – disse Matt. Eu abri um sorriso largo.
– Oi de novo Matt. – Zacky olhou meio confuso para nós. – Oi Zacky.
– Cara essa é a Fernanda. Uma das garotas que eu falei que a gente conversou.
– Ah... Oi Fernanda – eles falavam meu nome estranho, mas deixe quieto.
– Só Fer....- disse sorrindo. – Ou Fe, é mais fácil pra vocês.
–Chegando agora? – Matt perguntou.
– Não, vou buscar algo pra comer, não coloco nada no estomago desde àquela hora. – contei.
– Legal, a gente também está indo. – Zacky informou. – Vamos juntos.
– Uhum.. – concordei sorrindo. Cara, eu tava sonhando.
– Então, não deu tempo de vocês responderem de onde são. – Matt quebrou o silencio no elevador.
– Ah é... – sorri. – Somos do Brasil.
– Ah... Gostei muito de lá. – Zacky disse. – Adorei a comida... — Aquelas brincadeiras de que o Zacky só pensava em comer não era mentira. Sempre soube disso. – A feijoada hmmm – ele revirou os olhinhos.
– Cara, não sei o que aquilo tem demais.... – resmunguei. – Tá, é gostoso, mas é feijão...
– Prefiro o churrasco. – Matt falou.
– BINGO! – falei. – Pelo menos um de vocês tem bom gosto. – Matt sorriu. Ai aquelas covinhas. Tá parei. – Não tem churrasco aqui né? – perguntei.
– Tem, mas é bem diferente. – o Zac contou.
Chegamos no Térreo, fomos pro salão de refeições. Peguei o cardápio e comecei a ler. Lembrei da Jessica quando li o nome do Xburger gigante, e comecei a rir. Resolvi pedir uma pizza. Era o mais rápido, fácil e seguro.
– Quero uma pizza de pepperoni. – pedi. – e uma Coca de 600 ml e uma Heineken. – A Jeh não era muito chegada na cerveja, por isso pedi a Coca.
– Hey, por que não comem pizza com a gente? – Zacky convidou. Olhei rápido para ele, com meus olhos provavelmente brilhando.
– Porque sei lá né.... – falei constrangida. – Não vou me convidar...
– Mas nós estamos convidando vocês. – Matt disse. Own Matt seu lindo.
–Ah, vou ver com a Jeh. Duvido que ela não queira, mas...
– Se ela não quiser você vai né... – Zac falou empolgado.
– Ela VAI querer – falei com convicção.
– Então nos encontramos lá na cobertura, perto da piscina – o Matt disse.
– Pode ser então – confirmei. Eles pediram para levar a minha pizza para já ficar com eles.
A pizza chegou e subimos de novo para a suíte. Chamei pela a Jessica e ela não respondeu. Bufei e fui até o quarto dela e a encontrei atirada na cama dormindo.
– Jessica! – chamei da porta – to saindo.
– Você ainda não foi? – perguntou com uma cara de sono.
– Não to indo agora, vou comer pizza – não podia perder a oportunidade de fazer uma surpresa para ela.
– Pera ai então – ela pulou da cama – vou junto. – ela começou a procurar uma roupa na mala.
Como sabia que ela ia demorar resolvi tomar uma ducha, porque eu estava grudenta do dia inteiro, e ia aproveitar para trocar de camiseta, não queria ficar de mascotinha deles. Sai do banho refiz a maquiagem e a Jessica ainda estava se arrumando. Caralho, como ela conseguia demorar tanto?
– Vamos Jessica! – apressei.
– Pera aí! Deixa só eu passar um perfume, vai que a gente encontra uns gatinhos – falou. Eu revirei os olhos, pensando comigo “claro que vamos”.
[POV’s Jessica]
Eu ainda estava muito cansada da noite anterior, e o meu estomago roncava, não tinha comido nada o dia inteiro, só tinha beliscado aquele prato enorme. Ela avisou que iria comer pizza e eu logo levantei para ir junto. Enquanto eu me arrumava ela foi tomar banho.
Terminei de me arrumar e fomos para o elevador.
– Oh sonsa! Você apertou o botão da cobertura – apontei.
– Mas é pra lá que nós vamos! – falou.
– Pensei que você quisesse comer pizza – retruquei.
– Mas deve ter outra coisa lá em cima — deu de ombro com um sorrisinho travesso. O que será que ela estava aprontando? No mínimo queria me jogar na piscina.
– A gente podia comer fora do hotel – retruquei.
– Ah não Jeh. Eu quero dormir cedo hoje e se nós sairmos vamos demorar – falou.
– Porra Fernanda! Não temos nada para fazer amanhã, a gente pode dormir. E fala sério, nós estamos na Califórnia vamos ficar trancadas dentro de um hotel? – retruquei.
– Tá se não tiver nada divertido lá nós podemos ir em outro lugar então – disse impaciente.
A porta do elevador abriu de frente para uma piscina enorme, o lugar era muito massa, com umas tochas para iluminar uma musiquinha de fundo. Apesar disso, tinha pouca gente sentada nas mesas em frente ao barzinho. Eu apostava que não tinha nada para comer lá.
– Fer vamos ali – apontei a grade de proteção. Eu queria ver a Califórnia do alto.
– O que você quer fazer lá? Cuspir lá em baixo? – perguntou com um sorrisinho.
– Vê se está escrito Fernanda na minha testa? – retruquei.
– Ah quando é que alguma vez eu fiz isso? – perguntou indignada.
– Tem certeza que você não lembra? Se quiser eu te lembro? — Falei.
– Tudo bem eu me lembro, mas depende na situação e agora não é uma muito boa.
– E por que não? Não que eu vá cuspir lá embaixo – perguntei.
Mas uma voz chamou quando ela foi responder.
– Fernanda, Jessica!
– Tem alguém chamando a gente – falei olhando para o lado procurando da onde tinha vindo à voz.
– Acho que é dali – ela apontou uma mesa escondida no canto do bar – vamos lá – ela catou o meu pulso e me arrostou junto.
– Ei como assim vamos lá? Nem conhecemos aqueles caras – rateei.
– Jessica olha direito – mandou – fala sério que você não reconhece a voz do Matt.
– Claro que reconheço e o que isso tem a ver com a gente estar indo na direção de uma mesa com um bando de homens... Ai Meu Deus! — olhei direito para a mesa. – Fernanda o que é que você...?
– Eles chamaram a gente para jantar com eles.
– O meu Dear God! – exclamei. Ela riu – quando que você encontrou eles?
– Quando fui buscar comida, e sim, nós vamos comer pizza, foi isso que eu comprei, já está com eles – respondeu.
– Aff! – falei abismada.
Chegamos na mesa o Matt levantou para nos receber.
– E ai meninas? – cumprimentou. – Gente essas são a Fernanda...
– Fer, Matt. – ela corrigiu.
– Tá, a Fer e a Jessica. – Os outros sorriram.
– Oi meninas – Arin cumprimentou. – tudo bem?
– Tudo ok e vocês? – a Fer respondeu. Eu ainda estava tentando recuperar o fôlego.
– Tudo bem também. Sentem aí... – Disse Johnny, oferecendo cadeiras para nós. Eu sentei ao lado dele, e a Fer conseguiu um lugar no meio do Matt e do Zacky. Na mesa já tinham algumas garrafas de cerveja.
– Fer, para quem é a Coca? – Matt perguntou entregando a ela uma garrafinha de seiscentos.
– Ah é da Jeh, ela de modo geral não é muito fã de cerveja, mas eu acho que ela não liga de beber hoje, uma vez que ia ser a única que não iria beber. – ela respondeu sorrindo e piscando para mim. É claro que eu ia aceitar, eu ia me sentir completamente estranha no meio de 6 roqueiros bêbados, então pra não me sentir tão mal eu resolvi beber, qualquer merda que eu falasse colocaria a culpa na bebida.
Matt serviu cerveja em uma taça para a Fer, e o Johnny para mim, a deles já estavam cheias. Olhei pra Fer, e ela sorria com o gesto do Matt. Ok, eu preferia que fosse o Syn que estivesse enchendo a minha, mas tudo bem era só formalidade. Então dei falta dele na mesa. Olhei para Fer com uma cara de “cadê ele?”. E ela deu de ombros olhou de canto pro Matt e sorriu como quem diz “não sei, o que importa é que o meu está aqui”.
Não demorou muito ele chegou e sentou no outro lado da mesa. Ótimo, eu poderia ficar olhando ele o tempo todo que nem ia perceber.
– E ai garotas? Não conseguiram fugir da gente né? – disse ele colocando o celular no bolso. No mínimo a Jabiraca da Michelle tinha ligado.
– Vamos fingir que a gente não paga pra ver vocês... – Fer disse sorrindo. Nós rimos.
– Gente, eu não sei vocês, mas eu estou com fome. – Zacky disse se servindo de pizza.
– Você tá sempre com fome né porpeta! – Syn debochou, mas pegou um pedaço também.
– Educação nota mil pra vocês. – Arin disse. – Primeiro as damas. – Ele perguntou qual sabor nós queríamos. Escolhemos pepperoni e ele colocou uma fatia para cada uma. Logo eles começaram a falar sobre o show que perdemos. Era um pouco difícil de entender tudo, eles falavam extremamente rápido e com muitos nomes técnicos. A Fer entendia um pouco mais do que eu, conhecia melhor aqueles termos, o pai dela tinha uma banda então estava acostumada.
Comemos e conversamos até quase 8h. Como o assunto era rock eu fiquei quieta, tinha medo de falar alguma coisa que não estivesse nada a ver. Eu não podia imaginar que no rock podia ter tantos nomes científicos. Já a Fernanda sabia todos, ela se interagiu com eles muito fácil.
– A parte que eu mais gosto nos shows e bater em todo mundo no mosh – ela falou.
– Sério que você já participou de uma? – O Johnny perguntou surpreso.
– Aham – respondeu com uma cara indiferente, como se fosse à coisa mais normal do mundo.
– Você deve ter apanhado muito pra aprender a sobreviver àquilo. – o Matt disse com uma cara de dó.
– Não, na verdade eu nunca apanhei – contou ela dando de ombros.
Eles se olharam com uma cara “como assim?”.
Ela fazia Kung Fu, isso é uns dos motivos pelo qual ela nunca tinha apanhado.
– E que... Ah nada esquece – é, ela não contar.
– Tem muita gente que se machuca feio – o Arin comentou.
– Esse é uns dos motivos porque eu escolho ficar na frente – contei. Eles riram. – Em Curitiba a Fer queria me levar pro meio daquela roda. – Ela riu.
– Em qual música você pulou no mosh? – Syn perguntou.
– Critical Acclaim.- ela contou. – Mas depois saí da roda, tinha que conseguir achar a Jessica de novo, e eu queria ficar bem na frente em So Far Away, ai não “podia perder tempo” lá. – Eles sorriram.
– Em Curitiba aconteceu uma coisa que eu me emocionei, me emociono até hoje quando olho para aquela bandeira pendurada no estúdio. – começou Matt. – Eu estava cantando So Far Away, e duas meninas nos deram uma bandeira do Brasil... Mas era diferente, tinha um Deathbat do Rev nela, a cabeça azul, as asas amarelas e uma auréola branca escrito forever. – Eu a Fer nos olhamos surpresas. Nós tínhamos feito aquela bandeira.
– Que bom que gostaram... – falei sem jeito.
– Deu um trabalho pra fazer isso um dia antes de ir para a fila. – a Fer começou. – Tivemos a idéia na noite que antecedia o dia que íamos passar na frente do Master Hall. – contou. Os meninos olharam para nós abismados.
– Vocês fizeram aquela... – Zacky resmungou.
– É, eu desenhei e a Jeh pintou. – ela disse sorrindo com as bochechas vermelhas.
– Bem que o rosto de vocês era vagamente familiar – Matt disse olhando a Fer com atenção. Ela olhou para ele e sorriu.
– De quem foi a ideia? – Syn perguntou.
– A Fer teve a idéia do deathbat com a cabeça azul e asas amarelas, e eu dei a idéia de fazer o deathbat do Rev. – falei. – Achamos que vocês fossem gostar.
– Muito criativo... – disse Johnny me dando um tapinha no ombro. – O Matt mima aquela bandeira, como se o Jimmy estivesse nela. Tá, não só ele, todos nós gostamos muito dela.
– Desenha bem Fer – Arin comentou. Ela sorriu
– Obrigada. É, eu gosto de desenhar...- ela falou virando o copo de cerveja. Me deu até um frio na barriga pensando no que ela ia fazer em seguida. Ela tinha mania de terminar com a cerveja e abrir a boca naquele arroto estrondoso, nada feminino.
– Fernanda! – falei rápido, entes que ela fizesse aquilo. Ela já estava abrindo a boca ensaiando.
Ainda olhando pra cima, ela fechou a boca e me olhou agradecida. – Ufa, foi por pouco. – disse rindo. – Tenho que parar com isso.
– Isso o que? – perguntou Zac dando um arroto. Acho que ela se empolgou com a falta de regras que rolava entre eles, e soltou um três vezes mais destruidor do que do Zacky.
Eles olharam assustados para ela. Eles não, todos nós, eu não acreditava que ela tinha mesmo feito aquilo.
– Ótimo. Agora se afogue na piscina. – falei rindo.
– Caralho menina... – Johnny disse abismado. – que potencia!
– 365 cavalos. – ela disse com uma joinha.
– E uma porca. – falei e a mesa explodiu em risadas.
– Era com isso que eu disse que tenho que parar. – contou se recompondo na cadeira.
– Mas convenhamos, melhor pra fora do que pra dentro. – Matt disse. – Até por que... – ele arrotou também. – pra dentro estufa.
Minha cabeça já estava rodando. Eu tinha bebido mais do que de costume, e eu estava cansada. Comecei a pescar então Johnny percebeu e levantou meu queixo com o indicador.
– Ei, já está cansada? – perguntou.
– É... Aquela maldita apresentação ainda tá fazendo efeito no meu corpo. – falei tombando a cabeça.
– Eu falei... Mil vezes ter ido no show. – lá veio a Fer.
– Ah eu também estou cansado. – disse Arin. Ele parecia estar na mesma situação que eu.
– Eu também – Zacky completou.
– Então vamos aproveitar e descer todo mundo. – Matt falou levantando. Imitamos ele, e fomos para o elevador. Fiquei surpresa de saber que eles estavam na suíte em frente a nossa, mas estava tão cansada que meu cérebro nem registrou a informação com muita emoção.
A Fer praticamente me carregava nos ombros, eu estava apoiada nela, não sabia o que estava acontecendo comigo, eu nem tinha bebido tanto assim.
– O que vão fazer amanhã? – Syn perguntou.
– Piscina – murmurei no automático, pegando a chave no bolso. Tentei colocar a chave na fechadura algumas vezes, enquanto a Fer combinava qualquer coisa sobre se encontrar com eles na piscina no outro dia. – essa fechadura tá entupida! – explodi na décima tentativa. Eles riram da minha cara. Tinha falado algo errado?
– Amooor.... – a Fer pegou a chave da minha mão com delicadeza. – você tá fazendo isso errado. A chave está de ponta cabeça. – Sabia que tinha alguma coisa errada. Eles riram ainda mais. E dessa vez eu acompanhei meio zonza.
Ela abriu a porta e me empurrou pra dentro. Me apoiei na porta pra dar mais uma olhada neles.
– Então até amanhã... – ouvi a Fer falando para eles.
– Até amanhã.
– Que horas? – ela perguntou.
– Dez horas pode ser? – perguntei. Não era nem cedo nem tarde.
– Por mim tudo bem. – o Matt falou olhando para os outros que concordaram com a cabeça.
– É... pode ser. – A Fer disse depois de uns segundos. Provavelmente estava calculando quantas horas ela teria de sono.
– Hem...vocês não querem que eles assinem a suas camisetas também?- o Matt perguntou.
– Claro! Bem lembrado – a garota entrou correndo e voltou com as duas camisetas.
Nós nos despedimos deles e fechamos a porta. Tirei o tênis e a calça e me joguei na cama, sorrindo com o dia maravilhoso que tive.
Notas finais
A historia da bandeira nao é viajem... eu e a Fer pretendemos mesmo fazer ela no proximo show
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