The Pink Is The New Black
10 Damn Cat.
Notas iniciais
Esse ficou meio ENORME, mas eu queria colocar tudo num só para esclarecer o que vai acontecer tudo de uma vez
Boa Leitura!!!
Enjoy ^^
Acordei com um peso em cima de mim, levei um tempo para perceber que a Fernanda estava deitada por cima de mim. Tinha me esquecido que não gostava de dormir com ela por causa disso, ela se empoleirava em cima dos outros. Empurrei para o lado e ela acordou.
- Grossa! Você poderia ser um pouquinho mais delicada – ela falou brava.
- E você poderia ser um pouquinho menos espaçosa- retruquei.
- A cama é minha! — reclamou
- Vai se ferrar Fer, você também não ia gostar se acordasse com alguém em cima de você.
Ela abriu a boca pensando numa resposta.
- Sabe de uma coisa? Volta a dormi! – falei levantando.
- Boa idéia! – ela falou virando para o outro lado.
Troquei de roupa e desci para tomar café.
- Bom dia Solange! – falei quando cheguei na cozinha.
- Bom dia Jéssica! – ela respondeu sorrindo.
Olhei para mesa só tinha fritura. Fiz uma careta.
- Hã Solange? – chamei.
- Oi querida!
- Não precisa fazer todas essas frituras de manhã, nós não estamos acostumadas com isso – falei sentando na mesa.
- Como assim? Você quer me dizer que não tomam um café reforçado de manhã?
- Não sei o que você quer dizer com reforçado, mas fritura logo de manhã faz o meu estomago revirar – falei com outra careta.
- O que vocês estão acostumadas a comer então?
- Pão com margarina, presunto, queijo, café com leite, suco, Nescau, frutas... Cereais.
- Só isso? – perguntou incrédula – isso não é um café saudável.
- Claro que é saudável. O que não é, é comer gordura logo de manhã.
- Tudo bem então, se vocês foram acostumadas assim – disse dando de ombro.
- Veja pelo o lado bom, você não fica fedendo gordura logo cedo. – falei sorrindo.
- Falando nisso, o que vão querer para o almoço?
- Sei lá, pode ser qualquer coisa, desde que não seja hambúrguer doce assado – falei lembrando do “churrasco”.
Ela sorriu.
- Todo mundo de fora fala isso.
- E com razão – falei me servindo de leite.
Terminei o meu café, subi para o quarto peguei o Notebook e fiquei conversando com os meus amigos do Brasil até a hora do almoço.
Desci para a cozinha, a Fer já estava lá. A Solange tinha feito uma travessa de macarrão. Terminei de almoçar, coloquei uma roupa de dança numa mochila e peguei as chaves da X6.
- Por que você não vai de Murcielago? – a Fer perguntou.
- Porque eu não quero chegar chegando logo no primeiro dia.
Ela revirou os olhos.
- Desde quando você liga pra isso?
- Sabe que eu não sei? Acho que acordei assim hoje – falei dando de ombro – já tá indo também? – Percebi que ela já estava arrumada.
- É que eu tenho que achar o lugar primeiro, eu não conheço nada daqui.
- Eu tenho que fazer a mesma coisa – falei sorrindo.
É duro não saber nada da onde você mora.
Não foi difícil achar. O lugar ficava a meia hora da minha casa.
Cheguei na secretária para me informar e a moça me recebeu com uma alegria quando falei quem eu era.
- Então você é a famosa Jéssica? Bem vinda a nossa escola, estávamos ansiosos para conhecer você pessoalmente – a secretária falou toda empolgada.
- Obrigada, também estava ansiosa para conhecer aqui! – contei sorrindo.
- Deixa eu te explicar os termos antes de você conhecer a escola. – ela colocou uma papelada em cima da mesa. Os termos eram os mesmos da outra escola. Ela me deu mais umas orientações e fomos conhecer a escola. Era gigante lá dentro, passamos por várias salas, ela me conduziu até uma no final do corredor.
- Com licença professores tenho alguém para apresentar para vocês – ela disse batendo na porta.
- Claro, entrem! – ouvi uma voz lá de dentro.
Ela entrou na sala e eu fui atrás.
- Essa é a Jéssica, é ela que vai representar a escola. Esses são Jully e Nilson seus novos coreógrafos – ela nos apresentou.
- Seja bem vinda Jéssica! – a Jully falou me cumprimentado.
- Pronta para a primeira aula? – o Nilson perguntou assim que me cumprimentou.
- Claro, só preciso trocar de roupa primeiro.
- Tem um vestiário logo ali – a Jully falou apontando para uma porta no canto da sala – troca lá e depois nós conversamos – ela falou sorrindo.
Troquei de roupa sorrindo, estava começando a me sentir em casa de novo. Quando voltei reparei na sala, ela tinha espelhos nas três paredes, eu adorava aquilo dava para sempre você ver os seus movimentos não importava a posição que estivesse.
- Vem aqui Jéssica! – a Jully me chamou no canto da sala – vamos alongar um pouco enquanto o Nilson da seqüência na aula.
- Ah pessoal! – ele falou batendo palmas lá na frente da sala para ter a atenção de todo mundo. – Essa é a Jéssica a menina que vai representar a escola, como eu tinha dito para vocês antes.
Todos os vinte e poucos alunos acenaram, menos um grupinho de cinco meninas no outro canto que cruzaram os braços e me fuzilaram. Segurei o impulso de revirar os olhos “sempre tinha quer ter alguém daquele tipo”.
Eles voltaram para a aula e eu e a Jully fomos nos alongar.
- Estou vendo que você cuida do seu corpo isso é muito bom para uma dançarina – ela elogiou.
- É já me falaram isso! – respondi. Na verdade eu não me cuidava tanto assim, o bom é que eu dançava muito então compensava o tanto que eu comia.
Terminamos de nos alongar e fomos nos juntar com o resto do grupo.
- Bom pessoal, nós vamos começar a passar a primeira coreografia da nossa próxima apresentação – o Nilson falou – vamos fazer grupos de cinco pessoas para facilitar um pouco. Tá faltando alguém?
- A Sophia, a Mayara, o Christian e o... – enquanto uma menina falava a porta abriu.
- Desculpe Jully, nós estávamos terminando de assinar uns papeis – uma menina morena falou.
- Tudo bem pessoal, vamos fazer assim vocês que chegaram agora vão fazer um grupo com a Jessica – ela falou me apontando. A menina sorriu para mim e eu retribuí.
- Oi eu sou a Mayara! — ela se apresentou.
- Jessica! – me apresentei também.
- Prazer, esses são Christian, Sophia e Victor. O Christian era ruivo e a Sophia era loira.
Olhei quando ela disse Victor. Ele estava atrás dos outros, ele deu um passo vindo na minha direção com um sorriso. Era o menino que eu tinha conhecido na balada.
- Nunca passou pela a minha cabeça que a Jessica era você – ele falou me abraçando para a surpresa de todos – e ai como você tá? – perguntou se separando.
- Eu to bem e você? – perguntei. Ele era uma pessoa que eu achava que nunca mais ia ver.
- Eu to bem também! – ele respondeu.
- Pera ai. Vocês já se conhecem? – A Sophia perguntou.
- Nós nos conhecemos sexta! – ele explicou.
- A onde? – o Christian perguntou entrando no assunto também.
- Naquela balada lá perto de casa – ele falou.
- A tá explicado! – ele falou com um sorriso torto. A Mayara deu um cutucão nele.
- Pronto gente? – a Jully chamou lá da frente – a primeira música nós vamos passar todo o dia porque ela vai ser a mais complicada. Então vão se acostumando com ela.
Eu sei lá de quem era aquela música. O ritmo era puxado mesmo, mas a sala era bem treinada então não tivemos muitas dificuldades. O restante da aula foi mais light.
- Ei Jéssica nós vamos comer alguma coisa, quer vir junto? – a Mayara perguntou quando eu estava pegando a minha mochila.
- Eu não estou com muita fome!
- Um suco então? –o Christian ofereceu.
- É, pode ser!
- Beleza! — A Mayara falou.
Fomos até o refeitório da escola. Os dois pediram X.salada e eu um suco de morango com leite.
- Cadê a Sophia? – o Christian perguntou olhando para os lados.
- Ela precisou ir embora mais cedo porque tinha uns negócios para resolver em casa – a Mayara explicou.
- Hum... Jéssica conta alguma coisa de você! – o Christian.
Fiz uma careta.
- O que você quer saber?
- Ah sei lá... A onde é que você aprendeu a dançar desse jeito? Acredite, nós estávamos lá e nunca tínhamos visto nada igual e olha que aqui tem um pessoal ótimo.
— Ah eu sempre gostei de dançar e tive ótimos professores também – respondi dando de ombro.
- É bom ter você no grupo, essa turma que estamos é muito boa – a Mayara falou. – nos estávamos precisando de alguém com mais personalidade na frente e a Jeniffer como líder não estava fazendo isso.
- Eu acho que é por isso que ela já te odeia tanto – o Christian me falou dando uma mordida no sanduíche dele.
- Quem é Jeniffer? – Mas eu já imaginava que fosse umas das meninas que me olharam torto na aula.
- É aquela de cabelo preto sentada na mesa do canto. – ela apontou.
- Eu já imaginava que fossem algumas delas – falei dando um gole no meu suco.
- Eu acho que ela tá mais puta da vida por você já conhecer o Victor do que tomar o lugar dela. Ela é louca por ele. – ela contou.
- E falando nele – o Christian disse acenando sobre a cabeça.
O Victor estava entrando pela a porta do refeitório. Olhei de relance para a mesa da tal de Jeniffer, uma das meninas cutucou ela e apontou para o Victor, ela abriu um sorriso enorme.
Olhei para ele de novo. Era mesmo de tirar o fôlego, ele tinha um charme que era difícil de explicar. O sorriso da Jeniffer se apagou assim que ele veio na direção da nossa mesa.
- E ai pessoal! – ele falou enquanto se sentava – to morrendo de sede, de quem é o suco?
- Meu, pode pegar se quiser – ofereci.
- Obrigado! – ele tomou um gole e fez um careta – é com leite?
-É! — respondi.
- Gosto estranho hem?
- Eu gosto! – falei dando de ombro.
- Isso não vai matar a minha sede – ele falou sorrindo.
- Acho melhor você pegar uma água então.
- Vou fazer isso – ele disse levantando.
- Vocês parecem que já se conhecem há mais tempo e não só quatro á dias – a Mayara falou.
Dei de ombro.
- E ai, tá gostando da Califórnia? — ele perguntou voltando com uma garrafa de água.
- Tô sim! – respondi. Morando na Califórnia, tendo uns dos Avengers como vizinho e sem contar que eles iam estar sempre lá em casa, o que mais eu ia querer?
Conversamos um pouco, descobri que os três e mais a Sophia já dançavam a sete anos juntos, nessa hora deu saudades dos meus amigos que deixei para trás, nem me despedi direito deles, e agora só se falamos por internet. Ainda bem que a Fer estava comigo.
Olhei no relógio eram quase cinco e meia.
- Eu tenho que ir – falei pegando a minha bolsa
- Eu também! — a Mayara falou levantando.
- Tá cedo ainda! – o Christian resmungou.
- É, mas eu fiquei um tempinho sem dançar, to meio quebrada.
- Ah isso sempre acontece comigo – O Victor falou – vai esta pior amanhã.
- É eu sei, Tchau meninos!
- Tchau até amanhã! – responderam.
A Mayara saiu meio apressada na frente.
- Desculpe Jessica, eu tenho que ir rápido se não perco o ônibus.
- A onde você mora?
- Perto daquele mercado grande que tem mais pra frente.
- Eu passo por lá, quer uma carona?
- Pode ser! – ela falou sorrindo.
Fomos para o estacionamento.
- E você a onde você mora? – ela perguntou já dentro do carro.
- Um pouco mais pra frente do mercado.
- É naquela região que as casas são enormes?
Confirmei com a cabeça.
- Nós morávamos ali antes, mas quando o meu pai faleceu as coisas mudaram um pouco e a casa ficou muito grande. Você mora sozinha? – perguntou.
-Não moro com uma amiga.
Ficamos tagarelando até o mercado.
- Pode me deixar aqui, obrigada Jessica, até amanhã! – ela falou descendo do carro.
- Tchau!
Cheguei em casa a Fer estava arrumada.
- A onde você vai? – perguntei.
- Pra faculdade! – ela falou com amargura.
- Não era só em Agosto? – perguntei confusa.
- Era mais resolveram que o curso de Designer e mais uns outros lá começariam hoje, dá pra acreditar? – ela disse enfiando uns cadernos na bolsa com má vontade.
- É dá! — falei sorrindo.
- Queria ver se eu deixasse para ir outro dia – ela falou, mas pra si mesma do que pra mim – eu fiz janta, não agüento mais comer massa.
- Então somos duas!
Ela sorriu.
- Eu vou indo, depois você me conta como foi lá – ela falou pegando a chave do carro e indo para a porta.
- Ok. Boa... Ah sei l. O que se diz para o primeiro dia de faculdade?
- Sei lá também, pode ser boa sorte – ela disse sorrindo.
- Boa sorte então!
- Obrigada, tchau até depois.
Subi e tomei um banho e depois fui jantar. A Fer tinha feito frango ensopado com batatas, tava uma delicia. Fui dar comida para a Píchi, mas o pote dela estava cheio, acho que a Solange estava dando comida para ela, porque com certeza não era a Fer.
Fiquei assistindo até as dez. Eu estava meio quebrada da aula de hoje, então fui para a cama mais cedo.
Acordei sendo empurrada de leve nos ombros.
- Jéssica acorda – era a voz da Fer. Abri os olhos meio confusa, parecia que eu tinha acabado de deitar e eu não dormia até tão tarde a ponto de ela vir me acordar.
- Que horas são? – Olhei para a janela ainda estava escuro.
- Onze e meia – respondeu.
- O que aconteceu? – perguntei assustada.
- Nada, eu só queria saber como é que foi lá na dança hoje.
Fechei os olhos e contei até dez respirando pesadamente. Eu NÃO acreditava que ela tinha me ACORDADO só para aquilo. Eu odiava quando me acordavam e ainda por cima quando não era nada.
- Tá tudo bem com você? – perguntou empurrando os meus ombros.
- Espera um pouco que eu to tentando me acalmar – falei levantando uma mão ainda de olhos fechados.
- Ah desculpa Jessica, mas eu estava curiosa! – ela falou rindo.
- Mas custava espera até amanhã? – perguntei abrindo os olhos.
- Tudo bem eu espero – ele falou começando a levantar da cama.
- Agora você vai ouvi! – falei puxando o braço dela e fazendo ela sentar na marra.
- Então conta logo e para de dá chilique!
- Por que será que eu to dando chilique? – perguntei – Ah! Será porque eu fui acordada no meio da noite?
- Jessica! Não são nem meia noite ainda – ela falou revirando os olhos.
- Não interessa! – reclamei.
- Você vai contar logo ou eu vou ter que esperar até amanhã?
Respirei fundo me acalmando.
- Tá! Ah foi bem legal, eu já tenho uns amigos, tem um grupo de meninas que me odeiam porque uma delas era a líder do grupo e agora eu to no lugar dela, mas a Mayara falou, a Mayara é a minha amiga tá? – expliquei – então, ela disse que ela tá mais fudida por eu já conhecer o Victor.
- Victor? Esse nome não me é estranho – ela disse pensativa – não é aquele da... – ela parou.
- Da balada de sexta – completei – coincidência né? Ele dança também.
- Até de mais — ela revirou os olhos.
- Ai! Fer ele é tão fofo – falei sorrindo.
- E o Gates? – perguntou.
Meu sorriso morreu.
- O que tem o Syn? – perguntei confusa.
- Você não gosta dele?
- Claro que eu gosto! Mas eu também não disse que to apaixonada pelo o Victor, além do mais eu não sei quanto tempo vai demorar para eu consegui o Syn e se eu consegui e não vou ficar na seca até lá – falei.
- Até que a idéia não é ruim, vou fazer a mesma coisa — falou.
- Pode ser mais eu não quero usar o Victor.
- Contanto que eu consiga o que eu quero – ela falou dando de ombro.
- Você quem sabe! – falei dando de ombro também – e aí, como foi na faculdade?
- Foi muito massa! – ela falou toda empolgada – as aulas de Designer são de mais, eu acho que tem gente que já me odeia também, mas fiz amizade com um grupo de roqueiros, eles são muitos divertidos.
- Até imagino! – Eu conheci uns amigos “divertidos” dela. E acredite não eram nada divertidos.
- Mas o resto foi legal, é uma ótima faculdade – falou pensativa.
- Vê se leva a sério – falei.
- Eu sempre levo!
- Ahã, quando já esta com a corda no pescoço – falei. Ela nunca tinha reprovado, mas sempre deixava para levar a sério nas ultimas horas.
Ela me deu um soco no braço.
- Aii! Devagar menina, eu to dolorida – falei esfregando o meu braço.
- Desculpa, eu acho que preciso aprender a controlar a minha força de novo –
- Por que você não volta a fazer Kung Fu? — Perguntei. Mas logo me arrependi, lembrando de como eu sofri na mão dela quando ela fazia aquela maldita luta. Queria que eu lutasse com ela toda à hora. E na maioria das vezes eu sempre apanhava. Até eu aprender algumas técnicas que ela me ensinou, eu tive vários hematomas.
- Não sei! — ela falou pensativa. Droga ela tava considerando a idéia.
- É eu acho melhor não
Ela sorriu.
- Vou pensar no seu caso – disse levantando.
- Boa noite! – falei voltando a me enrolar nas cobertas.
- Você esta me expulsando? – ela perguntou com uma imitação da cara do Matt.
Eu ri.
- Boa noite Jeh – ela disse fechando a porta do quarto.
No outro dia cheguei no estacionamento da escola, o Victor estava sentado no meio fio, perto da entrada da secretária.
Desci do carro e fui andando até ele, enquanto guardava as chaves do carro na bolsa. Eu tinha que passar por lá de qualquer maneira.
Ele abriu um sorriso quando me viu.
- Oi, eu estava esperanto você – ele falou quando cheguei perto – carro maneiro – falou apontando para a Murcielago. Hoje era o segundo dia então eu podia “chegar chegando”.
- Também acho ele maneiro.
- Então ainda esta dolorida? – ele perguntou enquanto chegava mais perto e colocando as mãos na minha cintura.
- Sabe que não? – respondi enquanto passava as minhas mãos pela a cintura dele também.
- Quem bom isso seria ruim pra você – ele falou inclinando o rosto na direção do meu.
- Com certeza! – concordei me inclinando também.
Nossos lábios chegaram a roçar, mas ele se afastou como estivesse sido puxado e uma mão que estava na minha cintura se soltou.
Olhei meio confusa. Mas logo se esclareceu. Ele realmente tinha sido puxado, a tal de Jeniffer estava enganchada no braço que tinha me soltado. Ela me olhava furiosa.
- Mas o que é que você...? – ele falou tentando se soltar.
- Não vai me apresentar a sua amiga? – ela gesticulou com indiferença pra mim.
Dessa vez eu revirei os olhos, quanta imaturidade, parecia até que ela era namorada dele.
Eu tive uma idéia.
- É sua namorada? – perguntei com um sorriso divertido.
- É claro que não! – ele disse se soltando.
Ela ficou toda vermelha.
- Bom, pela reação dela achei que fosse – falei dando de ombro.
- Por que você fez isso? – ele perguntou meio bravo.
- Eu só queria conhecer a menina nova – ela falou com uma cara como se as palavras tivessem gosto amargo na boca.
- Então da próxima vez, você pode vir perguntar direto pra mim, daí você não precisa passar esse vexame de novo – falei pegando a mão dele e dando as costas. Mas parei e olhei para trás de novo – a propósito meu no nome é Jessica. – e entrei pela a porta puxando o Victor comigo.
Quando já estávamos no corredor ele sorriu.
- Quê? – perguntei.
- Você tem personalidade – ele falou parando e me puxando para parar também.
- Isso é bom ou é ruim?
- Bom eu gosto – ele falou chegando mais perto e me beijando. Dessa vez ninguém atrapalhou. Bom, pelo menos não nos primeiros 15 segundos.
- Ei vamos parar de namorico, nós estamos atrasados – ouvi a voz do Christian. A gente se separou, a Mayara e a Sophia estavam atrás sorrindo, elas acenaram.
- Oi meninas! – falei ajeitando a minha bolsa no ombro.
- E ai tudo bem? – a Sophia perguntou
- Tudo sim!
- Vamos gente? – ele voltou a perguntar. Nós não estávamos tão atrasados assim.
- Vamos então! – a Victor respondeu.
Ele e o Christian foram na frente, eu e as meninas fomos um pouco mais devagar conversando. Contei no que tinha acabado de acontecer.
- Sério que ela fez isso? – a Sophia perguntou incrédula.
Confirmei com a cabeça.
- Eu não acredito que ela chegou nesse ponto – a Mayara falou
Dei de ombro e entrei na sala.
Fizemos o mesmo grupo de ontem, a Jeniffer não parava de me encarar, teve uma hora que eu não agüentei mais e bufei.
- Acho que você arranjou uma inimiga Jessica – a Sophia falou quando paramos para descansar um pouco.
- Por quê? — O Victor perguntou.
- Por que será? – a Mayara perguntou em um tom de ironia.
Ele fez uma cara confusa.
- Jura que você não sabe? – perguntei com um sorriso divertido. Porque homens tinham que ser tão desligados?
- Não! — ele respondeu ainda mais confuso.
- Homens! – A Sophia bufou revirando os olhos.
Ele olhou para o Christian em busca de apoio.
- Cara, lendo nas estrelinhas, eu diria que a Jeniffer gosta de você e agora quer matar a Jessica.
Ele olhou para nós e confirmamos com a cabeça.
- Sério? – perguntou.
Reviramos os olhos.
- Deixa pra lá – a Mayara disse – mas aposto que ela vai vir falar com você – falou virando para mim.
Dei de ombro.
- Vai armar o maior barraco, ela sempre faz isso – a Sophia falou.
Sorri
- Eu ADORO barracos.
Elas sorriram.
A aula terminou e fomos andando para o estacionamento.
- Christian você vai comigo? – o Victor perguntou.
- Vou, tenho que ir para aquelas bandas hoje.
- Falando nisso, você vai comigo também né Mayara? – perguntei.
- Vou a Sophia pode ir também? Ela vai ficar lá em casa hoje. – perguntou.
- Claro!
- Tchau então — o Victor disse puxando a minha mão e me beijando.
- Até amanhã — falei – tchau Christian.
- Tchau, até amanhã meninas.
Eles foram para o outro lado do estacionamento e a Mayara começou a bater nos bolsos desesperadamente.
- Acho que esqueci o meu celular lá na sala, já volto – ela falou largando a bolsa no chão e voltando correndo para dentro.
A Sophia revirou os olhos.
- Ela sempre faz isso.
Eu sorri.
Os meninos passaram por nós e acenamos.
- Nós precisamos sair qualquer dia, a May disse que você tem uma amiga que mora junto, podemos sair às quatro – sugeriu.
- Claro, vai ser bom sair um pouco, é só marcar.
A Mayara voltou, e fomos andando até o carro.
- Ei? – ouvi a voz da Jeniffer chamar nas nossas costas – ei você!
- É a Jeniffer! — a Sophia bufou.
- Acho que é com você Jessica, nós não falamos com a vaca e ela sabe muito bem disso! – a Mayara disse. Até agora nenhuma de nós tinha olhado para trás.
- É eu acho que é comigo – Mas continuei andando.
- Você não vai ver? – A Sophia perguntou com um sorriso.
- Meu nome não é “Ei você!”
Elas gargalharam.
- Mas será que ela sabe o seu nome? – a May perguntou.
- Ah ela sabe sim! – confirmei com a cabeça.
- Jessica! – ela chamou.
- Não disse – falei e me virei – que é?
Ela estava com mais quatro meninas.
- Então você é a nova peguete do Victor- ela falou em tom de provocação quando chegou até a gente – tome cuidado com ele, me disseram que ele só que se aproveitar das meninas, não quer nada sério.
- Cala a boca Jeniffer, o Victor não é desse tipo! – a Sophia explodiu.
— Claro que é! –ela estava divertindo com a situação – então você vai querer fazer parte dessa lista dele? Tem certeza que você vai continuar ficando com ele? – perguntou com um sorriso debochado.
- Sabe... Eu acho que vou, também não quero nada sério – O sorriso dela morreu. A May e a Sophia gargalharam quando ela fez uma cara de ódio.
Eu não entendia como é que alguém pode se rebaixar a tanto.
- Eu estou falando sério Jessica, ele não vale nada só quer se aproveitar – falou mal conseguindo controlar a voz.
- E você tá louca pra que ele se aproveite de você né? – falei em tom de provocação também.
Ela deu um passo pra frente.
- Você não sabe com quem tá mexendo! – ameaçou.
Dei um passo pra frente ficando mais perto dela. Ela não estava esperando aquilo e recuou um pouco.
- É, eu sei, é você quem não sabe!
- Eu tenho mais quatro meninas comigo tem certeza que vai encarar? – perguntou com um leve tremor na voz.
- Não me interessa, a única que tá me enchendo o saco tá bem na minha frente – falei – e quer saber? Parece bem a sua carinha se garantir com quatro meninas, pelas atitudes infantis que você tem, parece que ainda está no colegial. Ela ficou toda vermelha.
- A Jessica não ta sozinha, eu também to louca pra socar a sua cara! – a Sophia disse dando um passo pra frente também.
- Deixa pra lá Jeniffer – uma menina falou puxando o braço dela.
Ela me fulminou, e deu as costas bufando.
Entramos no carro e explodimos.
- QUE MENINA IRRITANTE! – A May explodiu.
- Eu ainda quebro a cara dela – a Sophia disse socando o painel do meu carro.
Fiz uma cara de sofrimento.
- Então deixa pra quebrar a cara dela e não o painel do meu carro.
Ela sorriu.
- Desculpa Jessica, me empolguei!
Revirei os olhos e sai do estacionamento.
- Esse é o seu carro? Não é a X6 de ontem? – A May perguntou.
- A X6 é minha e da Fer, e esse é só meu, ela também tem uma só dela, meu pai é meio exagerado sabe?
- Ah se o meu pai fosse assim – a Sophia comentou
- Sabe? Pra quem gosta tanto assim do Victor, falar mal dele não é uma boa opção – a May disse do banco de trás, retomando o assusto de novo.
- Ah, mas ela só disse aquilo para me provocar – falei olhando pelo o retrovisor.
- Mesmo assim, você fala mal de quem gosta? Eu não falo – ela disse indignada.
- É tem razão! — concordei.
- Ela é uma retardada, aposto que a mãe dela deixou ela cai quando era menor – e Sophia comentou.
Nós rimos.
- May o que nós vamos fazer? – perguntou.
- Não sei, vamos ficar em casa assistindo, sei lá, não tem muitas coisas pra fazer, hoje é terça – feira.
- Ah May... – ela gemeu.
- Por que não vão lá em casa? A Fernanda vai para a faculdade eu fico sozinha até umas onze, podemos arranjar alguma coisa pra fazer – dei a idéia.
A Sophia sorriu.
-Será que não vamos incomodar? – a May perguntou.
- Se incomodasse eu não estava convidando – respondi – mas porque vocês não posam lá? Nós vamos para o mesmo lugar amanhã.
- Pode ser! – a Sophia respondeu.
- Mas eu preciso passar em casa primeira pra pegar algumas roupas – a May falou.
- Isso é o de menos, a onde você mora?
Fomos até a casa dela e depois passamos no mercado para comprar lasanha que era só colocar no microondas.
- Esse lugar é lindo né? – a May comentou quando estávamos estacionando na garagem.
- É grande aqui! – a Sophia disse olhando para a casa. Mas logo se virou para mim – será que a sua amiga não vai se importar?
- Claro que vai, mas é só fingir que não é com vocês quando ela quiser socar alguém.
Elas me olharam de olhos arregalados.
- Gente, eu to brincando.
- Ah tá! – responderam.
Oh povinho sem senso de humor poxa.
Abri a porta e logo a Píchi veio correndo. Não dava pra saber se ela estava feliz ou chorando, mas pela a cara que ela fez logo em seguida, sim ela estava chorando.
- Que fofuxa! – a May comentou.
Peguei ela no colo e ela choramingou.
- O que será que aconteceu? – perguntei para mim mesma. Mas lembrei que a Fer estava em casa. – FERNANDA! – gritei.
- Que é? – ouvi a voz dela do 2° andar.
- O que você fez com a Píchi?
Ela demorou para responder.
- Nada!
- E POR QUE ELA ESTÁ DESSE JEITO? – gritei de novo.
- EU VOU SABER?
Bufei enquanto colocava a cachorra no chão.
- Meninas, vocês querem colocar as coisas naquela sala ali – apontei a do X Box – depois levamos para os quartos.
- Pode ser – a Sophia respondeu – o que é que aconteceu com a cachorra? – perguntou.
- Ela tá estranha, a Fer deve ter feito alguma coisa.
Fui com elas até a sala. A Píchi parou do lado da casinha dela e começou a latir.
- Mas o que é? – perguntei me agachando e olhando para dentro da casinha.
Tinha um par de olhos verdes brilhantes me encarando lá dentro. Era um gatinho preto. Eu poderia ter achado fofo se ele não estivesse na MINHA casa e na casinha da MINHA cachorra. Enfiei a mão na casinha e puxei a coisa peluda.
- Você tem um gato também? Eu adoro gatos – A May comentou.
- Não, não tenho – falei balançando aquele troço minúsculo na minha mão. A Píchi começou a rosnar.
- Ããh... Então o que ele está fazendo aqui? – ela perguntou confusa.
- Não faço a mínima idéia.
- É meu! – ouvi a voz da Fernanda nas minhas costas. – oi meninas, prazer Fernanda.
- Oi! – elas responderam meio assustadas.
- Mayara e Sophia – a May apresentou as duas, a outra garota olhava a Fer com os olhos arregalados. Também, eu não podia culpá-las, de todos os dias de roqueira dela, hoje ela estava mais demoníaca. Toda de preto com uma mega maquiagem reforçada vermelha.
- Devolve o meu gato fazendo o favor – ele falou pegando o bicho das minhas mãos.
- Da onde isso saiu?
- Eu comprei hoje – ela deu de ombro.
— Mas tinha que ser um gato? – perguntei indignada.
- Eu gosto! – deu de ombro
Gostava nada, era só pra provocar porque eu já tinha um cachorro.
- Eu tenho que ir, estou atrasada depois a gente conversa, tchau meninas – ele acenou e saiu da sala.
- Nossa a sua amiga não é nada parecida com você – A Sophia comentou ainda olhando para a onde a Fer tinha saído.
- Geralmente ela não se veste com roupas tão pesadas assim, devem ter baixado algum espírito roqueiro nela – expliquei.
Elas sorriram.
Fizemos a lasanha e fomos comer na sala. Jogamos um pouco e depois fomos assistir um filme. A Fer chegou e se juntou com a gente. Elas acabaram percebendo que a roqueira não era tão demoníaca assim.
No outro dia como era sexta pegamos mais leve na aula. A Jeniffer continuava me olhando torto. Resolvemos não contar para o Victor do incidente. A Sophia disse que ele poderia não reagir muito bem e fosse tirar satisfação. Eu não me importava, tanto faz, o assunto era meu e não dele.
Depois da aula cheguei em casa a Fer estava com aquele maldito gato no colo assistindo TV.
- Não vai para a faculdade? – perguntei, por que ela não estava arrumada, estava com a mesma roupa que acordou.
- Eu não tenho aula na sexta – explicou.
- Que folga hem? — provoquei.
Ela sorriu.
- Vamos jantar fora? — perguntou.
- Vamos to louca pra sair, podemos dar umas voltas pela as redondezas depois – dei a idéia.
- Pode ser vou me arrumar — ela disse empolgada já levantando. – a onde é que eu coloco o Whisp?
Então era aquele o nome do bichano? Oh menina sem criatividade.
- Sei lá, coloque no seu quarto – respondi indo para escada. Mas ainda deu para ouvir ela me xingando de algumas coisas que não vale a pena repetir.
Tomei um banho e vesti uma roupa básica, Jeans, camiseta e tênis. Ouvi o meu celular tocando lá em baixo, saí do quarto correndo. Eu não sei da onde aquele maldito gato saiu, mas quando eu ia começar a descer a escada, ele passou na minha frente e para não pisar nele, eu dei um passo maior e acabei pisando de mau jeito na escada e rolei degraus abaixo. E bati na mesinha de centro derrubando o que tinha em cima dela.
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