The Perks Of Living Together
9 When you're sick, somebody is there for you.
Notas iniciais
Pela terceira vez naquela noite, Aomine Daiki despertou. Não é que ele tinha algum problema de insônia ou algo parecido, mas é que algo simplesmente não o deixava dormir. Ou melhor, alguém.
Suspirou pesadamente antes de se levantar e encarar o menor ao seu lado, que tremia descontroladamente. Não importava se estava um calor horrível naquele dia ou se ele estava usando um cobertor grosso naquele momento, ele simplesmente tremia. Assim que observou a expressão sofrida que seu namorado fazia, Aomine não pôde deixar de se sentir preocupado.
– Oe, Tetsu. – Sussurrou para o menor enquanto colocava a mão em sua testa – Você está fervendo.
Aquilo era apenas a constatação do óbvio. Como ele não percebera antes? Nem ele, nem o outro idiota que também se diz namorado do pequeno, aquele Bakagami. 'Então era por isso que ele estava agindo de forma tão estranha desde que chegou em casa...' recordou-se.
Levantou-se da cama e caminhou em direção ao ruivo, que agora dormia profundamente, completamente inconsciente da situação do menor. O moreno colocou uma mão em seu ombro e começou a sacudi-lo, tentando despertar Kagami.
– Kagami, temos um problema. Acorda. – Falou quase em um sussurro, tentando não elevar muito sua voz por causa do menor. Infelizmente, aquele idiota de cabelos vermelhos simplesmente não acordou e virou-se para o lado oposto ao de Aomine – Oe! Não me ignore, bastardo!
Situações drásticas exigem medidas drásticas, certo? Exatamente por isso, o maior começou a puxar o tigre para fora da cama, derrubando-o com tudo no chão e fugindo para o banheiro logo em seguida, esperando que o ruivo acordasse simplesmente uma fera descontrolada.
Dois minutos se passaram com Aomine trancado no banheiro, esperando pela reação exagerada do outro, mas nada aconteceu e o apartamento continuava em silêncio absoluto. Criando coragem, o moreno voltou para o quarto e percebeu que Kagami continuava dormindo, agora no chão, praticamente inabalado com a queda. Aquela era simplesmente a constatação de que o ruivo era um idiota, mas o moreno já sabia disso a um bom tempo.
– Eu não acredito nisso... O Tetsu está com febre e você fica aí dormindo?! – Disse com a voz um pouco alterada – Só podia ser esse Bakagami mesmo.
Não vendo outra opção, Aomine teve que ir na cozinha, pegar um copo de água, voltar para o quarto e jogar o líquido na cara do ruivo, que acordou quase se afogando.
– A-Ah! P-Por Kami-sama, o que diabos...?! – Gritou o ruivo assustado, tentando se enxugar enquanto tossia um pouco – Ahomine, que ideia foi essa?!
– Você não estava acordando, então tive que fazer isso. – Deu os ombros – Se você não morresse ao invés de dormir, eu seria muito mais gentil, Bakagami. E fale mais baixo, por favor.
– E qual é a emergência para você me acordar às quatro da madrugada?! – Disse apontando para o relógio no criado mudo, sem baixar o tom de voz.
– Eu já disse para você falar mais baixo, idiota! Tetsu não está bem.
Assim que ouviu o nome do menor seguido das palavras “não está bem”, o ruivo se desarmou, mas logo empalideceu e engoliu seco. Levantou-se vagarosamente e observou seu namorado tremendo com uma expressão sofrida. Kagami sentiu-se imediatamente culpado por não ter prestado atenção suficiente à pessoa que amava.
– Kuroko... – Sussurrou o ruivo enquanto colocava a mão na testa dele, logo virando-se para o moreno – Ele está queimando! Nós temos um termômetro aqui em casa?
– Acho que sim... Eu vou procurar. – Sem pensar duas vezes o maior correu do quarto para o banheiro, procurando a caixa de remédios – Oe, como vamos fazer para baixar a febre dele? – Gritou para o rapaz no quarto.
– E-Eu não sei... Acho que eu nunca fiquei doente... – Admitiu o ruivo coçando a cabeça.
– Eu também não... – Aomine disse reaparecendo no local com o termômetro – Mas vamos logo ver como está a temperatura dele. Talvez assim saberemos o que fazer depois.
Colocaram o termômetro eletrônico na orelha de Tetsuya e esperaram ele apitar, revelando a temperatura de 40,5ºC. Os rapazes ficaram olhando para o objeto um pouco confusos, esperando algum tipo de insight divino.
– 40,5ºC de temperatura? Isso é bom ou ruim? – Indagou Kagami olhando para o moreno.
– Eu não faço ideia... Eu te acordei por isso, eu não faço ideia de como tratar uma pessoa doente... – Admitiu Aomine engolindo seco – O que faremos agora?
Depois de uma discussão de quase vinte minutos de como proceder, ele resolveram ligar para pedir ajuda para alguém, já que não confiavam muito na internet (o que, em minha humilde opinião como autora, seria a coisa mais sensata a se fazer).
Ainda tomaram mais uns dez minutos tentando decidir para quem ligar. A opção mais sensata seria ligar para Midorima, que é médico, mas os rapazes tinham medo que ele cobrasse pelo serviço. Eles até pensaram em ligar para Akashi, mas não queriam atrapalhar o sono imperial. Tentaram pensarem cada pessoa que eles poderiam ligar sem parecerem muito idiotas e nenhuma apareceu na mente.
No final, eles ligaram para Kise Ryouta por falta de opções.
– O Kurokocchi está com uma febre de 40,5ºC?! Vocês são idiotas?! Essa temperatura é altíssima!– Kise gritou desesperado do outro lado da linha – Por essas e outras tenho certeza de que eu seria um namorado muito melhor do que vocês dois juntos!
– Não é hora para discutirmos isso, Kidiota! Precisamos de ajuda! O que nós fazemos? – O ruivo exasperou para o celular em cima da mesa da sala, que estava no viva-voz.
– Vocês tem que tentar baixar a temperatura dele a qualquer custo. Ahn... Pressionem um pano molhado frio na testa dele, isso pode ajudar.
Kagami correu para a cozinha, enchendo um pote com água fria, pegando um pano limpo e correndo de volta para o quarto. Cuidadosamente mergulhou o pano na água e o torceu um pouco, logo em seguida depositando-o suavemente na testa de Tetsuya, que se assustou um pouco com o choque térmico, mas continuou dormindo.
– Ele ainda está quente! Não funcionou, Kise! – Kagami disse assim que alcançou o celular na sala.
– Não é um efeito imediato, Bakagamicchi! – Exasperou do outro lado da linha – Acho que é melhor que vocês façam com que ele tome um remédio para baixar a febre. O pano molhado ajuda, mas não resolve. Eu conheço um muito bom, verifiquem se vocês têm na caixa de remédios.
Aomine logo estava revirando a caixa procurando pelo medicamento, apenas para constatar que não tinha nada. Estalou a língua antes de sair correndo para trocar de roupa no quarto.
– Aonde você vai? – Kagami apareceu na porta com o telefone na mão.
– Eu vou em uma farmácia 24h. Não posso deixar o Tetsu assim. – Disse determinado – Enquanto isso, cuide bem dele. – Dizendo isso, correu para fora do apartamento.
– Pode deixar. – Falou mais para si mesmo do que para Aomine, voltando sua atenção para o telefone logo em seguida – Kise, o que eu posso fazer agora?
– Ahn... O Kurokocchi comeu alguma coisa no jantar? – Perguntou o loiro.
– Não que eu me recorde... – Agora lembrava-se que o menor nem ao menos tocara em sua comida e ficara apenas observando os rapazes. Ele apenas afirmara que não estava com fome.
– Seria bom preparar algo leve para ele comer. Uma sopa ou algo assim.
– Certo, eu posso pesquisar algo na internet. – O ruivo disse caminhando em direção a cozinha – Eu vou deixar você dormir agora, Kise. Obrigado pela ajuda.
– Sem problemas, Kagamicchi. Pode me ligar se tiver qualquer problema! – A voz de Kise agora era um pouco sonolenta – Quando o Kurokocchi estiver melhor me avise, por favor. E caso ele não esteja melhor, levem ele ao hospital.
Com uma receita que encontrara na internet, Kagami começou a preparar um sopa para o menor, e quando ela estava ficando quase pronta, Aomine finalmente retornara da farmácia com uma sacola na mão, parecendo exausto.
– O que você está fazendo? – Perguntou curioso ao notar a panela no fogão.
– Kise disse que era bom que ele comece algo leve. Conseguiu o remédio?
– Claro. Termine logo essa sopa e vá para o quarto. Eu vou trocar o pano do Tetsu. – Dizendo aquilo, deixou Kagami sozinho novamente.
Assim que estava pronta, o ruivo apareceu com uma bandeja indo em direção ao moreno, que estava tentando acordar o menor para que ele tomasse o remédio.
– Oe, Tetsu... – Disse suavemente – Acorde.
– A-Aomine-kun? – O menor disse abrindo os olhos vagarosamente.
– Desculpe-me por te acordar, mas você está com febre e precisamos tratar você. – Disse o maior abrindo um sorriso aliviado. Aomine estava com medo de que o menor não acordasse...
– E você tem que comer algo para ficar melhor, Kuroko. – Kagami depositou a bandeja no criado-mudo e ajudou Aomine a levantar o menor, que estava mole e exausto.
– Kagami-kun... Aomine-kun... Minha cabeça está pesada... – Kuroko gemeu sentindo-se fraco.
– Não se preocupe, vai passar. – Eu uníssono, os maiores disseram para seu pequeno, na tentativa de tranquiliza-lo.
A partir daquele momento, os maiores apenas se preocuparam em cuidar de seu pequeno: trocaram sua roupa, secaram o suor de seu corpo, passaram pelo difícil processo de alimentá-lo, deram o remédio e trocavam de tempos em tempos a toalha molhada em sua testa. Os rapazes já sabiam que não haveria descanso naquela noite, mas não que eles estivessem muito preocupados com isso: tudo o que queriam era que Tetsuya estivesse bem na manhã seguinte.
– Eu já me sinto melhor... Vocês podem ir dormir... – Disse o menor encolhido nas cobertas.
– Nós iremos dormir assim que você melhorar. – Sorriu o moreno afagando os cabelos do azulado – Agora descanse, Tetsu. – Completou dando um beijo na bochecha quente do menor. Kagami, um pouco ciumento, também deu um beijo na outra bochecha de Kuroko e sussurrou para que ele ficasse bom logo.
Na manhã seguinte, Kuroko já aparentava estar melhor, mas ainda sim os rapazes ligaram para seu trabalho avisando que ele não ia, mesmo com a insistência do pequeno dizendo que já estava bem o suficiente. Mesmo assim, Kuroko estava um pouco feliz com aquilo. Na verdade, estava se sentindo muito amado. Não imaginara que os rapazes seriam tão atenciosos e cuidadosos quando o assunto era alguém estar doente.
'Acho que isso é um pouco egoísta, mas gostaria de ficar doente mais vezes...' pensou o menor com um sorriso no rosto enquanto observava os namorados o ajudando durante a manhã.
. . .
“Daiki e Taiga: Fico muito satisfeito que tenham conseguido baixar a febre de Tetsuya mesmo sem nenhum conhecimento ou experiência do que fazer neste tipo de situação. Mas devo dizer que estou insatisfeito com a escolha de vocês ao pedir ajuda. Da próxima vez usem o meu telefone de contato ou o de Shintarou. Usem o meu como prioridade, posso mandar uma equipe médica para o apartamento de vocês quando for preciso. -Akashi”
Essa foi a mensagem que Aomine e Kagami encontraram em seus celulares assim que o dia raiou. Estranhamente, Kise disse que não ligou para Akashi avisando sobre a febre do azulado e que não teve nem tempo de comentar isso com ninguém.
Os rapazes ficaram imaginando de onde o imperador tirou aquela informação, mas logo ficaram com medo de descobrir. Eles tinham amor por suas vidas, então foi uma escolha sábia.
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