The Perks Of Living Together
1 It's better than sleeping alone.
Notas iniciais
Kuroko mal podia acreditar, mas era a sétima vez naquela semana que ele acordava no chão. Suspirou profundamente, sentindo a raiva e a indignação correr por dentro de si, fazendo com que ele se levantasse em um pulo, encarando o culpado por aquela situação. Ou melhor, os culpados, que agora dormiam tranquilamente, espalhados pela cama de casal. Aomine e Kagami não deixavam nem um mísero espaço para o azulado se deitar.
Tudo bem, não era nada surpreendente o fato de que os dois conseguissem ocupar a cama inteira, afinal o tamanho dos rapazes era monstruoso, mas tinha que haver algum espaço ali para o pequeno Kuroko, afinal aquela cama era enorme! Eles demoraram a comprar uma cama exatamente porque não achavam uma grande o suficiente, e agora vem este problema.
Mesmo irritado com os dois brutamontes, Kuroko não teve coragem de acorda-los para dar-lhes um esporro. Eram três da manhã, pelo amor de Deus! Provavelmente não surtiria efeito algum se ele falasse qualquer coisa para os rapazes sonolentos. Então resolveu pegar seu travesseiro e ir dormir no sofá da sala, tendo como companhia seu cachorro, Nigou.
Obviamente, ele não sairia dali sem ao menos se vingar. Aproveitando-se do sono de pedra dos rapazes, Kuroko conseguiu, depois de muito esforço, coloca-los em uma posição constrangedora: Um abraçando o outro com seus rostos quase colados. Pegou seu celular, tirou várias fotos e mandou todos os seus contatos. Satisfeito com seu trabalho, ele se retirou do quarto e foi finalmente para a sala, deitando-se no sofá com Nigou entre suas pernas.
O cachorro ficou encarando seu dono por um tempo, talvez um pouco confuso com a cabeça tombada para o lado, esperando explicações do porque tinha que dividir sua cama com o azulado. Não adiantava comprar uma enorme cama para ele, já que Nigou sempre iria preferir o sofá.
– Eles me empurraram para fora da cama, Nigou. Não há muito que eu possa fazer. – Tetsuya se explicou para o cão. Era quase cômico ter que dar satisfações a ele, mas nada inaceitável – Mas não se preocupe, amanhã eu vou conversar com eles. Além do que, já me vinguei propriamente.
E assim, os dois foram embalados por um sono tranquilo.
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Kagami abriu os olhos vagarosamente e se deparou com o última coisa que queria ver em toda sua vida quando acordasse: Aomine. 'Porque raios eu estou abraçado com ele?!' pensou tentando sair de perto do outro. E o pior, parecia estar sozinho com ele na cama. Aquilo não podia ficar pior.
Ou melhor, podia.
Foi naquele momento que ouviu seu celular anunciando uma nova mensagem. Com a mão livre, já que uma delas estava presa embaixo do moreno, tocando partes um tanto íntimas, o ruivo conseguiu alcançar seu celular no criado-mudo ao lado da cama. Percebeu então que tinham várias e várias mensagens para ele, a maioria muito estranhas.
“Kagamicchi, que fofo! Vocês foram feitos um para o outro! Quando é o casamento? -Kise”
“Espero que esteja tratando Daiki muito bem, Kagami Taiga. Ou sofrerá as consequências. -Akashi”
“Sempre soube. -Takao”
“Filho, por favor, não deixe esse deliquente te influenciar. -Kiyoshi”
“Usem proteção. Pode não ser um item da sorte, mas continua sendo necessário. -Midorima”
“Espero que você esteja na zona de ataque. Entendeu? Na zona! -Izuki”
“Taiga, a Alex achou muito fofo, mas eu não sei se aprovo. -Tatsuya”
'O que raios está acontecendo?!' o ruivo pensou ao rolar a tela, percebendo que apareciam cada vez mais mensagens. Do que esse povo estava falando? Resolveu perguntar pelo menos, antes de tirar conclusões precipitadas.
“Kise, do que você está falando?” digitou vagarosamente, afinal era difícil fazer aquilo com uma única mão e morrendo de sono. Mas não precisou esperar muito por uma resposta, afinal o loiro ficava pendurado no celular o dia inteiro.
“Kagamicchi e Aominecchi, oras! Estou feliz por vocês, mas não esqueçam do Kurokocchi, senão eu vou rouba-lo para mim!” foi o que dizia a mensagem. Em anexo, vinha uma foto muito, mas muito constrangedora: ele e Aomine abraçados enquanto dormiam. De onde ele tirara aquela foto?!
“Que porra é essa?! De onde você tirou isso?!” Kagami começara a ficar irritado. Ao que parecia, quase todos os seus contatos receberam aquela foto.
“Kurokocchi me mandou no meio da madrugada.” respondeu simplesmente. Aquilo fez o sangue do tigre ferver, fazendo-o ter uma reação exagerada, empurrando Aomine para fora da cama. Com um baque e um grito agudo de dor, a pantera finalmente estava acordada pronta para uma briga.
– Que porras?! Bakagami, isso lá é jeito de me acordar? – Exasperou o maior, pulando de volta para a cama, completamente desperto.
– A culpa é sua por me abraçar durante a noite! Agora olhe isso! – Mostrou a foto para o rapaz, que arregalou os olhos – Kuroko mandou essa foto para todo mundo!
– Por que ele fez isso?! – Tomou o celular da mão de Taiga, incrédulo com o que estava vendo.
– Porque vocês novamente me empurraram para fora da cama.
Aquilo foi o suficiente para os dois engolirem seco. Virara-se para encarar a porta e lá estava Tetsuya, encarando os dois com um olhar gélido, braços cruzados e uma aura quase negra. Os rapazes na cama se encararam, suando frio, sem saber o que dizer para o azulado. Então já que eles não se pronunciariam, Kuroko faria isso.
– Ou vocês passam a me deixar dormir no meio, ou eu vou dormir no sofá a partir de hoje. – Disse quase furioso – Não... Até melhor: Ou vocês dois vão dormir no sofá.
– M-Mas, Tetsu! Hoje era a minha vez de dormir com você!
O que acontecia era que os rapazes queriam monopolizar sua companhia até na hora de dormir. Então existiam turnos para ver quem ia dormir abraçado com o azulado, e com a intenção de não quebrar a regra dos turnos, Kuroko tinha que dormir nas pontas. Exatamente por isso, ele era chutado para fora da cama quase todas as noites.
– Eu não quero saber, Aomine-kun. Estou cansado de acordar no chão. – O azulado respondeu friamente de volta – Além do que, estou namorando com os dois, então acostumem-se em ter que me dividir, imbecis.
Bom, aquilo era verdade, por mais vergonhoso que fosse para Aomine e Kagami. Os dois pediram para namorar Kuroko ao mesmo tempo há mais ou menos um seis meses atrás, e ele aceitou os dois. Desde então, os três passavam a maior parte do tempo juntos, e logo depois acabaram tendo que morar juntos. O problema era que os maiores ainda perdiam tempo tentando monopolizar Kuroko, e ainda tinham problemas de convivência.
– E então? O que vai ser? – Pressionou o azulado, mas não conseguiu resposta alguma. Suspirando pesadamente, ele pegou uma muda de roupas e não encarou os rapazes – Eu vou sair com o Nigou. Quando voltar, não quero ver vocês dois nesse quarto.
Dizendo aquilo, bateu a porta do quarto com força, deixando seus namorados atônitos. Ambos ficaram em silêncio por um tempo, mas logo o tigre resolveu quebra-lo.
– Que tal darmos uma trégua? Pelo menos na hora de dormir. Pelo Kuroko, sabe? – Completou.
– Tá. Mas só na hora de dormir. Continuo não gostando de você, isso é pelo Tetsu. – Concordou.
– Também te odeio, Ahomine. – Resmungou de volta. Estranhamente nenhum dos dois estava realmente falando a verdade, mas quem se importa?
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Aomine não estava gostando nada daquela situação. Afinal, ele estava tendo que encarar Kuroko e Kagami dormindo de conchinha. Quando o azulado dormia na ponta, o moreno pelo menos não via aquela cena ridícula, já que o corpo do ruivo escondia. Resmungou para si mesmo alguns xingamentos baixinho.
Obviamente não deixaria aquilo continuar, puxando o azulado si, repousando sua cabeça em seu peitoral moreno, deixando que ele a usasse como travesseiro. Não conseguiu puxar todo o corpo, porque o ruivo o segurava pela cintura enquanto dormia. “Esse maldito... Querendo monopolizar o meu Tetsu!” estalou a língua. Mas ao ver o rosto tranquilo do azulado descansando entre os dois, Aomine não pôde deixar de pensar “Se é por ele, eu não acho que isso importa muito...”, e juntou-se aos dois no mundo dos sonhos.
Desde então, Tetsuya nunca mais acordou no chão, mas agora ele acordava com algumas dores incômodas, como nas costas ou no pescoço. “Bom... É melhor que dormir sozinho, certo?” foi a conclusão do rapaz a cada manhã que acordava entre as duas pessoas que mais amava.
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