The Perfection Of Paradise
21 Capítulo 21 - Janine Hathaway Mazur
"Eu estava em um lindo campo coberto de flores e grama alta. Encarei o céu azul e então respirei fundo. A sensação do vento soprando bem de leve era maravilhosa."
-Que horas são? – Alguém murmurou bem próximo ao meu ouvido. Abri meus olhos e senti o peso de braços ao meu redor. Algo estava se movendo mesmo que lentamente.
-O que? – Me sentei, puxando os lençóis na altura de meus seios.
Dimitri me encarou de forma totalmente perdida. Seu cabelo estava um completo ninho de gatos, como eu tinha certeza estar o meu.
-Eu acho que tem algum batendo na porta. – ele me fitou por um momento e logo, começou a passar seus olhos pelo chão do quarto. Tudo estava um verdadeiro caos de roupas.
-O que? – Me levantei em um pulo, dando uma olhada no relógio de cabeceira. Passava um pouco das oito horas, e havíamos dormido menos que três horas. – Meu Deus, quem está madrugando? – Levantei da cama e escutei uma segunda batida insistente.
-Já vai – Gritei, enquanto ia ao armário pegar um robe. – Por que diabos, Ozzy não está latindo? – Franzi o cenho.
-O deixamos com a vizinha, se esqueceu? – Dimitri encontrou de alguma forma suas calças, e já havia inclusive as vestido.
-Ah é verdade. – Respondi assim que fechei o robe.
Há passos rápidos, abri a porta da sala e quando vi de quem se tratava, quase cai para trás.
-Mãe? – Janine estava na soleira sorridente, usando um grande chapéu de cor de trigo, contrastando com um longo vestido marrom.
-Bom dia filha. – Janine nem perguntou e tão logo, me empurrou para o lado, para que ela pudesse passar. Já dentro, tirou seus óculos escuros caros e chapéu. – Seu porteiro é um completo idiota. Acredita que não queria me deixar entrar?
Abri e fechei a boca três vezes, sem conseguir pronunciar palavra alguma. Rapidamente tentei ajeitar meu cabelo em um coque mal feito.
-Mãe, eu... – Comecei a falar, quando um barulho de água soou no ambiente silencioso.
-Tem alguém aqui? – Janine franziu uma perfeita sobrancelha em minha direção. Quando eu não respondi, ela insistiu. – É seu amante?
-Sim. – Respondi rápido demais. – Quer dizer, não.
-É o tal Adrian? – Ela deu a volta em mim e me amaldiçoei por não ter contado a ela, que já havíamos terminado. – Eu sei que você e aquele rapaz bonito, estavam juntos há vários anos, mesmo você não nos tendo apresentando formalmente.
-Mãe, é complicado. – Respirei pesadamente. – E de qualquer forma, eu não estou mais com Adrian.
-Está com quem então? – Ela abriu bem os olhos e eu voltei a me amaldiçoar. – Ah, Rose, por favor, não me vai dizer que está solteira, bem na semana do casamento de sua prima Raisha.
-O que? – Foi minha vez de franzir o cenho. –Raisha está casando?
-Sim e se você tivesse retornado meus e-mails e de seu pai, eu não teria que vir até aqui para te convidar. – Janine cruzou os braços defensivamente na altura dos seios.
-Meu Deus – Toquei minha testa, pensando no tamanho da implicância daquela notícia. Raisha era sobrinha de Abe e consequentemente, minha prima de primeiro grau da Turquia. Se ela estaria casando, eu tinha como obrigação ser sua madrinha de casamento e o pior, seria uma vergonha sem tamanho para a família, a madrinha aparecer sem um padrinho. Ou seja, sem um companheiro. O vexame em meu caso seria maior ainda, por eu ser a mais velha.
Quando voltei para encara-la, percebi que Janine ia em direção ao som de água corrente. Meu quarto.
-Mãe, espera ai. – Corri atrás dela, mas não fui o suficientemente rápida. Janine entrou no quarto e foi abrindo a porta do banheiro.
-Oh pelo amor de Deus. – Ela cobriu seus lábios quando se deparou com um enorme homem nu, refletido no boxe de vidro.
-Sai dai. – A puxei pelo braço e Dimitri se assustou, puxando uma toalha para si.
-Você me disse que estava solteira. – Ela disse em sua defesa.
-Mas isso não quer dizer, que você deva entrar no banheiro dos outros! – Vociferei. –Vamos lá para a sala, para que ele se troque.
Janine me seguiu e então, para fugir de suas perguntas, comecei a coar café. Ela se manteve em silêncio, apenas olhando as mensagens de seu celular e meus cômodos.
-Você sabe que poderia estar vivendo melhor conosco. Verdade? –Ela voltou a falar, me fazendo coçar os olhos. Deus, por que mesmo isso estava acontecendo comigo?
-Eu vivo bem aqui mãe. Tenho um cachorro, uma profissão, uma casa boa.
-Mas está sozinha novamente. – Não consegui desviar de seu olhar.
-Mãe, casamento não é tudo. – Disse calmamente, tentando fazer com que ela entendesse da melhor forma.
Janine estava prestes a protestar, quando Dimitri saiu do quarto. Seu cabelo marrom estava totalmente penteado para trás e ele vestia a mesma roupa de ontem, depois do banho. Provavelmente muito encabulado, para ir ao seu próprio quarto. Dei um passo à frente, passando uma caneca com café para minha mãe.
-Mãe, este é Dimitri. Dimitri está é Janine. – Ambos se cumprimentaram e Janine não conseguiu disfarçar seu interesse por ele. Eu não sabia ao certo, se isso era uma boa ou má notícia.
-Então, vocês são amigos? – Ela perguntou, dando um gole em seu café.
Dimitri abriu a boca para responder, mas eu me adiantei.
-Sim. Somos amigos. – Desviei do olhar significativo de Dimitri, e me servi com café. – E se você puder encurtar o assunto, eu gostaria de avisar que possivelmente não vou conseguir ir ao casamento da Raisha. – Encostei contra a pia de mármore.
Janine quase engasgou com o próprio café.
-Por que não? Você sabe como é importante para o seu pai!
Dimitri tratou de se servir, a ficar entre nós.
-Mas eu não estou namorando e muito menos, tenho um par para essas formalidades. – Bufei virando os olhos.
Janine pareceu considerar por um momento e logo, ela passou seus olhos pelas costas de Dimitri.
-Leve ele. – Foi minha vez de quase cuspir o café.
-Como assim, leve ele? – Meu tom saiu engasgado. – Ele não tem obrigação. Isso são formalidades idiotas de família.
-Mas você disse que é seu amigo, não? – Janine sorriu de forma bastante maliciosa. A ignorei.
-Sim, é meu amigo. – Dessa vez, quando olhei para Dimitri, ele tinha os olhos inexpressivos.
-Então eu tenho certeza que ele não se importará em se passar como seu noivo, para que suas primas não caçoem de você na cerimônia.
Abri tanto a boca, que achei que meu maxilar fosse rachar, mas antes que eu protestasse mais uma vez, Dimitri resolveu falar.
-Eu não tenho problemas com isso. – Sua voz tranquila se dirigiu exclusivamente em direção a Janine, me fazendo questionar se ele estaria aborrecido comigo, pela citação do amigo. – Se Rose precisar, eu posso me postar ao papel.
-Você não precisa. – Respirei fundo.
-Sim, ele precisa. – Janine ficou entre nós. – Você conhece muito bem a família de seu pai. Não sei como tem a coragem de cogitar, não aparecer em uma cerimônia como essa.
-Mãe – Voltei a começar com minha suplica, quando Janine abriu o telefone, me ignorando totalmente. Quando a ligação foi completada no viva-vos, uma voz feliz respondeu do outro lado.
-Janine? Está tudo bem?
-Sim meu querido. Estou ligando para informa-lo que já estou com a Rose.
-Ah, minha filha. Ela está bem? – Abe como era de seu feitio, se animou ao ouvir a citação de meu nome.
-Sim e inclusive, esta aqui do meu lado, querendo falar com você. – Janine me ergueu o telefone e seu olhar era bastante persuasivo. Respirando fundo, tomei o moderno aparelho.
-Oi pai. – Mal reconheci minha voz quando saiu. Bem diferente de Janine, eu e Abe éramos muito ligados desde meu nascimento, e quando percebi que sua real intenção era que eu morasse na Turquia e seguisse a linha de raciocínio da idade da pedra, acabei tendo de romper o laço de sangue. No começo foi muito difícil para ambos, mas estávamos nos dando bem de vários anos pra cá.
-Como você está? Está trabalhando muito?
-Um pouco. – Virei os olhos. Dimitri tinha os olhos fixos em mim, mas não demonstrava nenhuma expressão.
-Está entusiasmada com o casamento de sua prima? Eu sei que deveríamos ter enviado um convite antes, mas algumas mudanças foram feitas e então, sua mãe foi te levar pessoalmente. – Novamente Abe estava sendo paciente. Meu coração se quebrou.
-Eu soube do casamento. – Encarei a janela da sala. –Mas, pai...
Abe me interrompeu. – Já pedi para fazerem o seu vestido. Na próxima semana quando estiver aqui, ele já estará pronto para prova-lo.
Fechei os olhos com força. Como eu iria contar a ele que não poderia ir? Como eu não disse nada, ele continuou.
-E não se preocupe com seu acompanhante, pois também providenciaremos roupa para ele.
-Pai, eu... – Voltei a insistir, mesmo com os olhos de Janine e Dimitri em mim.
-Não se preocupe Kiz. Eu já conversei com sua mãe e entendo que tem um companheiro americano. Ela também me disse que você o ama e é por isso, que eu quero que ele venha com você.
Por Deus, meu pai pensava que eu ainda estava com Adrian.
Eu notei a expectativa em sua voz e por mais que o silêncio se estendesse, eu ainda era capaz de ver em seu rosto, a esperança. -Qual foi à última vez em que tínhamos nos visto? — Abe sempre foi muito rigoroso com os costumes de seu povo, mas estava disposto a abrir uma exceção por minha causa. Como eu poderia dizer não a ele? Não que realmente eu seria obrigada a casar com alguém da Turquia, mas esse sempre foi seu gosto desde que eu era menina.
E foi pensando na saudade que sentia dele, que tomei minha decisão.
-Está bem. Vemo-nos em breve. – Respirei fundo e fechei o telefone.
Notas finais
Em primeiro lugar, obrigada a todos os comentários.
Bom, como todos puderam ver, Janine é quase outra pessoa nessa fic. Sim, precisei mudar um pouco a personalidade dela e espero que isso, não desagrade vocês. Mesmo assim, ela continua chata. Agora Abe, sim ele é fofinho e ama a Rose.
Que droga de festa é essa heim? Rose e Dimitri hahahahaha vai ser lindo
E ah gente, a fic está chegando ao final :(
Sim, eu também estou triste :(
Beijos e OBRIGADA AS RECOMENDAÇÕES TBM! ♥ ♥ ♥
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