The Perfection Of Paradise
22 Capítulo 22 - Uma Noite Em Paris
–Você tem certeza, que está bem com tudo isso?! – Dimitri terminou de fechar minha mala, enquanto eu pausava para respirar.
–Não, eu não tenho. – Fechei meus olhos com força, enquanto tentava controlar minha respiração. Janine havia saído logo depois de deixar seu recado, alegando que faria algumas compras antes de partirmos para Paris. De lá, iriamos direto para a Turquia.
–Vai ficar tudo bem. – Dimitri me puxou para seu peito e eu me deixei levar.
–Camarada, você tem sorte. – Resmunguei. – Mal tivemos uma noite juntos e eu já estou o levando comigo, para conhecer meu pai.
Dimitri riu. Uma sonora e gostosa risada.
–Quando vai contar para eles? – Ele beijou meu cabelo e eu suspirei.
–Eu não sei. Na verdade eu acho que não vou conseguir contar a eles. – Me afastei dele, para colocar outro sapato dentro da mala em cima da cama.
–Mas você sabe que não vai conseguir disfarçar isso por muito tempo. – Com cuidado, ele voltou a se aproximar e tocou meu estomago quase plano.
–Você não conhece meu pai. – Voltei a me afastar dele e dessa vez, sentei na cama. – Na verdade, você não conhece a família dele. Se eles souberem que estou grávida e sem um marido, acho que vou ser apedrejada.
Dimitri franziu o cenho.
–Mas eu estou aqui e mesmo que não sejamos casados, vou estar ao seu lado.
O fitei, sorrindo sem humor.
–É bom saber disso camarada. É realmente bom.
Assim que terminamos de fechar as malas, liguei para Eddie e o informei de minha viagem repentina. Por sorte o peguei acordado e tudo se resolveu bem. O informei que os festivais demorariam alguns dias e, portanto, eu estaria de volta somente do outro final de semana.
Como Janine estava hospedada em um hotel de luxo no centro, segui com Dimitri para o aeroporto e nos encontramos lá.
–Rose? – Janine me chamou, enquanto se aproximava com uma pequena mala de rodinhas e algumas sacolas penduradas em seu braço.
–Sim, mãe. – Desviei a atenção de meu café, para encara-la.
–Vou fazer o check-in. Você já o fez?
–Sim. – Respondi sem humor.
–Onde está seu noivo? – Ela perguntou e eu tive vontade de lhe lançar algo.
–Eu já te disse que ele não é meu noivo. – respondi entredentes.
Janine simplesmente me ignorou e seguiu seu caminho.
–Está tudo bem? – Dimitri sentou ao meu lado com seu próprio café em mãos.
–Minha mãe está me dando nos nervos. – Respirei fundo, me negando a deixar meu humor piorar. Eu estava extremamente cansada, com fome e malditamente indisposta com tudo aquilo.
–Você está com olheiras. – Ele apontou, me passando um pão de queijo que havia acabado de sair do forno. – Precisa descansar.
–Já vamos entrar em poucos minutos. – Disse após lançar um breve olhar ao meu relógio dourado de pulso. – Vou dormir sem dúvida alguma, até Paris.
Dimitri sorriu.
Já dentro do avião, nos acomodamos no assento e por mais que eu negasse, Dimitri me convenceu a dormir no seu ombro. Em poucos minutos, eu havia realmente apagado.
***
–Mamãe, eu já disse que isso realmente não é necessário. – Virei os olhos, observando a figura esbelta de cabelos vermelhos, bem na minha frente.
–Mas eu quero muito que me acompanhem ao Herve Novelli, pois já fiz uma reserva. – Ela insistiu, enquanto passava seus olhos nervosamente entre Dimitri e eu. – E não seja tão dura consigo mesma. Ficaremos por dois dias em Paris, graças à maldita tempestade. Não seria justo que ficássemos em qualquer hotel.
–Mãe, eu não tenho boas lembranças deste hotel. – E realmente eu não tinha. Era o preferido de Adrian em todas as vezes que vínhamos a Paris.
–Isso é bobagem e a comida é ótima. – Sem que eu pudesse fugir, ela chamou o Taxi e seguimos até o hotel que ela queria, em silêncio.
Herve Novelli ainda era exatamente da forma que eu lembrava. Suas paredes estilo colonial de tijolos escuros, contrastavam com os esboços de o que mais havia de moderno em luzes. Registramos-nos, e como eu havia suspeitado, Janine reservou dois quartos de casal. Um para ela e um para Dimitri e eu. Não me opus. Eu estava cansada demais para fazê-lo.
Já no quarto, me livrei de toda a pesada roupa e em seguida, fui para o banheiro aproveitar um bom banho de agua quente. Enquanto isso, Dimitri pediu comida pelo telefone.
Abri a porta do banheiro e me deparei com a porta da sacana aberta. Dimitri tinha os pés para cima do cercado e os olhos fechados. Como estávamos quase no último andar, a vista era esplêndida.
–Vai cair da cadeira. – Apontei para ele, quando passei a soleira. Dimitri abriu um olho.
–Paris é linda. – Ele sorriu. Um meio sorriso.
–Ah sim. – Sentei ao seu lado em uma cadeira de madeira vazia. A brisa fria balançava meus cabelos molhados. – Vai tomar banho?
–Sim. Já vou. – Dimitri então levantou da cadeira e seguiu em direção ao banheiro, mas antes, se virou para me encarar – A entrega de comida deve estar chegando, então não estranhe o que eu pedi. – Ele pareceu realmente encabulado. – Eu não entendo francês.
Eu ri. Uma sonora gargalhada, fazendo com que Dimitri abrisse ainda mais seu sorriso desajeitado.
–Não sendo miúdo de pato, eu comeria até os pratos. – Pisquei para ele, que assim que tirou a camiseta, lançou em minha cabeça.
–Espertinha. – Ele bateu a porta e então, me voltei para a visão de Paris. De lá de cima, eu consegui ter uma vista bastante ampla de monumentos e pessoas andando na rua, embora por causa da altura, só parecessem pequenas formigas coloridas. Sorri.
Segurando meu rosto com ambas as mãos, me permiti viajar um pouco em minhas próprias memórias.
–Eu já te disse que amo essa comida? – Adrian fechou os olhos e eu vi o prazer em suas feições.
–Você sempre come a mesma coisa, desde que conhecemos este restaurante. – Mordi o lábio, observando meu próprio prato. A especiaria de laranja e costela estava realmente deliciosa.
–E você sempre faz o mesmo comentário. – Ele riu. Aquela suave e doce risada.
Ajeitando o cachecol listrado, ele chamou ao garçom.
–Por favor, nos traga o cardápio de sobremesas. – Ele pronunciou em um perfeito francês. Graças a sua família política, Adrian teve uma criação em um verdadeiro berço de ouro. Poliglota, pronunciava perfeitamente cada sotaque. Fosse ele inglês, francês, italiano ou espanhol.
–Você insiste em me fazer pequena. – Virei os olhos, enquanto sorria.
Adrian pegou minha mão.
–Eu já disse que você ainda pode fazer umas aulas de idioma. – Ele franziu o cenho.
–Eu não tenho muito interesse. – Dei de ombros. – Prefiro me ocupar com coisas mais cabíveis como ajudar no hospital e também, na ONG que Mia está abrindo.
–Você e essa ideia absurda de ONGS. – Rapidamente se separou de minha mão. Cada vez que eu citava sobre os planos de Mia sobre as ONGS, ele raramente não alterava seu humor.
–Qual problema com elas? – O fitei de forma significativa, enquanto aceitava o cardápio que o garçom me ofereceu.
–ONGS são coisas para pessoas desocupadas, Rose. Você é uma cardiologista brilhante e ao invés de pensar em ganhar dinheiro, se preocupa com crianças sem pais ou morrendo de fome. – Ele bufou.
–Eu me preocupo por que quero ajudar. – Franzi o cenho diante de sua frieza. –Nem todas têm o privilegio de nascer em berços de ouro.
Percebendo minha irritação, ele logo contorceu seu comentário.
–Tudo bem carinho. Desculpe-me. – Adrian então voltou a pegar minha mão em cima da mesa. – Eu não vou brigar mais por causa disso. Okay?
Uma mão em meu ombro me fez pular do lugar. Dimitri franziu o cenho. Ele já havia tomado banho e estava vestindo calças folgadas negras e uma camiseta branca.
–Te assustei?
–Eu estava pensando. – Me levantei e comecei a caminhar em direção a cama, para logo me apoiar dentre os travesseiros macios. – Me responde uma coisa?
Perguntei a Dimitri, enquanto encarava o teto branco do quarto.
–Claro que sim. – Ele se aproximou, enquanto enxugava seu cabelo com uma toalha branca.
–Você acha que as pessoas mudam? Quero dizer, uma pessoa que claramente não gosta de ajudar os outros, poderia mudar de postura só por outra?
Quando fitei Dimitri, ele tinha o cenho franzido.
–Eu não sei o que você quer dizer, mas geralmente quem não gosta de ajudar os outros, raramente muda. Isso está com ela. É como... – Dimitri pausou para escolher melhor suas palavras. – É como ser individualista. Pensa em si só. Pessoas assim além de tenderem a ficar sozinhas, tendem a serem extremamente infelizes em relacionamentos, pois ela não se importa com nada além do que si mesma. E ai calha o caso de mudar pelos outros. – Dimitri deu de ombros. – Se ela é individualista, como pode mudar por outro, quando nem se trata dela?
–Você tem razão. – Comentei pensativamente.
Notas finais
Gente, como fiquei mega feliz com os comentários, segue mais um post :)
Espero que gostem!
Por favor, não sejam leitores fantasmas! Participem com agente da fic.
Beijos ♥
Fale com o autor