The Perfect Nanny
15 Capítulo 15
Notas iniciais
— Felicity? Tem uma visita para você no hall de entrada.— disse a voz rouca de Slade.
— Estou indo. — forcei a minha voz ficar firme.
Corri ao banheiro e lavei meu rosto, coloquei um pouco de maquiagem e pinguei colírio no olho vermelho. Até que cobriu bastante. Alisei o vestido preto que estava amarrotado e saí do quarto soltando os cabelos. O rabo de cavalo estava me prometendo uma dor de cabeça e eu já havia tomado mais de três comprimidos para a enxaqueca que tive na madrugada enquanto estava de vigia. Eu sabia que teria tomar mais dois por causa do choro e do stress.
Respirei fundo e abri a porta do meu quarto. Kylie e Lily estavam sentadas no corredor em frente a minha porta e quando ambas me viram sorriram. Bem, Kylie sorriu, Lily apenas abanou o rabo em minha direção. Eu sorri de volta, por mais que talvez tivesse saído uma careta e desci as escadas com elas atrás de mim.
No meio do hall de entrada estava um furacão pink que era observado por todos os Queen como se fosse um animal exótico. Donna Smoak. Ah é, nesta confusão toda eu havia esquecido do meu próprio aniversário e da promessa que ela viria me visitar. Olhei para o relógio cuco de Moira na parede do hall e vi que havíamos perdido o horário da reserva que eu havia feito semanas atrás no Table Salt.
— Querida! — ela exclamou ao me ver e depois me engoliu em um abraço de mamãe urso panda que só ela tinha. Eu quis chorar de novo. Precisava de um pouco do colo dela. — Meu voo atrasou e eu só consegui sair agora das garras de Lindsey, lembra daquela noivazilla que eu te contei? Oh, sei que estamos atrasadas para nossa reserva, mas temos tempo para ir jantar em algum outro lugar. O que acha?
Eu assenti e só a apertei ainda mais e me enfurnei em seu cabelo.
Nem o cheiro dela conseguiu me acalmar desta vez, mas foi por quase nada.
— Ótimo. — ela disse e se distanciou e me analisou. Sua sobrancelha se ergueu quando viu meu real estado, mas eu neguei com a cabeça e ela entendeu. Não era o lugar ou a hora certa para isso. — Meu bebê está fazendo 28 aninhos! Que orgulho!
— Felicity? — chamou Moira e eu me virei.
Ah é, eles estavam ali ainda.
— É seu aniversário hoje?
Eu acenei confirmando e ela lançou um de seus poucos e raros olhares de compaixão para mim. Kiera estava recomposta e assim como Kellan fugia do meu olhar á todo custo. Ótimo. Também não quero falar com eles agora.
— Mãe. — eu disse e vi Moira e Oliver se surpreenderem com isso. — Estes são Moira e Oliver...
— Queen. — ela completou e apertou as mãos dos dois. — Sua noiva tem me caçado para eu desenhar o vestido de noiva dela, Sr. Queen.
Oliver acenou sorrindo levemente e eu vi que ele estava comparando nós duas.
Sim, eu também acho que sou adotada, Oliver.
— Estes são Kiera, Kellan e Kylie. — eu acenei para as crianças. — E Lily.
Minha mãe sorriu para os três e depois não disfarçou sua cara de nojo.
— Vocês dois tomaram um porre, não tomaram? Eu consigo sentir o cheiro de álcool e vômito de longe. — disse mamãe e os gêmeos coraram. — Felicity também bebia muito na idade de vocês, só Deus-sabe quando vômito dela eu limpei...
— Mãe. — eu repreendi e ela sorriu culpada.
— Mas é muito bom ter irmãos, não é? Um sempre cuidado do outro. — ela disse com um sorriso e Kellan finalmente olhou para mim e ele tinha o olhar vazio e desesperado de seu pai.
Mesmo sem saber, minha mãe só piorou a situação.
Vai Donna!
— Lis...
— Eu sei, Kellan. — eu disse cortando. Eu iria começar a chorar de novo. — Eu sei.
— Bom, já que temos um aniversário para celebrar... Por que não pedimos umas pizzas bem gordurosas e bastante refrigerante? O bolo eu trouxe! — disse mamãe ao notar o clima tenso.
Em cima do aparador da porta estava uma caixa tão rosa quanto o vestido que mamãe usava e lá com certeza tinha um bolo de chocolate com recheio de chocolate e lascas de chocolate e glacê colorido.
— Eu vou fazer o pedido. — disse Oliver tirando o telefone do bolso da calça.
Uau. Ele sabia pedir pizza?
— Eu vou pegar alguns copos e talheres. — disse a Sra. Lance.
Fomos todos para a sala e o clima ficou mais leve quando minha mãe começou a tagarelar com Moira sobre os próximos eventos e as encomendas de vestidos de gala e de noiva que a estavam deixando louca na loja. Ninguém teve coragem de comentar sobre mais cedo. E eu até que agradeci por isso.
Eles não meus filhos.
Mesmo você queren...
Não! Eu não quero nada! Nada! Só quero comer a pizza que estava vindo e o bolo que mamãe trouxe. Apenas isso. E quem sabe um pouquinho paz não seria nada ruim, não é?
Claro que sim, mas estamos na Mansão Queen, lembra?
Recostei no sofá e olhei ao redor. Moira e mamãe pareciam ter ficado amigas enquanto falavam mal de alguma dondoca da sociedade. Oliver estava jogando Misterys com Kylie em seu colo e Lily ao lado. Ele realmente estava tentando e isso era o que importava, mesmo que isso signifique ter seu sapato mordido por Lily de tempos em tempos.
Kellan e Kiera estavam em um sofá. Ela estava olhando para a janela que mostrava o jardim da frente e ele estava olhando para o chão. O nada pareciam ser tão interessantes para eles agora. Acho que vo...
Não! Você até pode perdoar eles, mas eles tem que aprender que as pessoas tem sentimentos também. E eles machucaram os seus hoje.
Suspirei. Era verdade. Amanhã eu falo com eles. Era domingo. Poderíamos fazer a noite gamer ou outra noite cinema. Não sei. Eu só queria dormir. A dor de cabeça por causa do choro estava começando com um leve latejar em cima da minha sobrancelha.
Eddie entrou na sala com quatro caixas de pizzas depois de pelo menos vinte minutos de eu mesma fingindo que tinha algo interessante no meu celular para não conversar com ninguém e Iris veio atrás trazendo alguns copos e guardanapos. Eles sentaram perto de mim e abriram as caixas na mesinha de centro. Duas peperonni, uma marguerita e uma de extra queijo.
Uau. São as minhas favoritas, mas como é que...
Vi Oliver ajudar Kylie com uma fatia. Ela mordeu a pontinha do mesmo jeito que havia feito com o Belly Kids na praça e depois abocanhou quando viu que não era ruim.
— Puxe. — disse Oliver sorrindo levemente e o queijo derretido se esticou. — Puxe mais.
O queijo se esticou ao máximo e depois quebrou. Lily também estava comendo, mas eram seus petiscos caninos e não a pizza. Eu realmente não precisava limpar um piriri canino ao redor da casa. Ela sorriu e voltou a comer. Kylie parecia ter ganhado na loteria só porque estava sentada no colo de Oliver. Eu e mamãe fomos em direção á peperonni juntas e tive que tirar pelos menos algumas selfies antes de poder morder minha fatia.
— Não come essa. — eu disse olhando para Kiera que se esticava para pegar uma fatia de marguerita. — Tem pimenta.
Kiera soltou como se fosse algo radioativo e Kellan me olhou mais uma vez com o olhar vazio e perdido que eu estava começando a suspeitar que era parte do material genético dos Queen junto com o pacote de olhares céticos e frio, e os revirares de olhos, a postura arrogante, a rabungentisse e as oscilações de humor. Bem, eles eram filhos de Oliver.
Isso já podia explicar quase tudo.
Comi fatias das três e conversei bastante com Iris sobre o planejamento do casamento dos dois. Este era o último ano de Eddie na Mansão já que ele tinha passado do exame da polícia e agora era o Oficial Tawne. Ela também estava no último ano de jornalismo e seu professor já havia indicado ela para Catco e o Starling City Post para estágios. Os dois estavam animados com o futuro e eu fiquei realmente feliz por eles.
— Estava pensando em fazer na praia ou em um campo... Ao ar livre. — ela disse depois de tomar refrigerante e eu ri. — Não quero ficar claustrofóbica dentro de uma igreja quando se têm a opção de respirar ar puro.
Eu ri assentindo. Concordava com ela.
Eu nunca havia pensado em como seria meu casamento, ou muito menos se eu queria casar. Nunca mesmo. Nem quando criança. Claro, eu sempre fui rodeada pela influência de mamãe e seus vestidos de noiva, achava-os lindos, mas nunca pensei em vestir um e prometer amar e respeitar alguém com todos aqueles votos, e também.... Dois em cada três casamentos acabam em divórcio e com a sorte que eu tenho, eu nunca seria parte daquele um casamento que permaneceu firme e forte, mas eu não sentia como se tivesse perdendo alguma coisa.
Cantamos o "Parabéns" para mim e eu apaguei as velinhas com um sorriso. O bolo foi cortado e todo mundo conseguiu comer mais de um pedaço antes de ele acabar, porque era de chocolate com recheio de chocolate e lascas de chocolate e glacê colorido por cima. Duh. Sem falar que o bolo em si era no formato de um mouse. E eu adorei. Mamãe fez sua seção de fotos do meu aniversário como sempre fazia anualmente e incluiu todos os Queen nas fotos, até Oliver.
— Oh Deus não... — disse mamãe olhando para a tela de seu celular.
— O que foi?
Ela mostrou a tela para mim assim que eu perguntei. Era a foto de um vestido de noiva lindo, mas com uma mancha enorme de vinho. Ah, e a noiva, provavelmente, estava atrás dele em prantos junto com três madrinhas prontas para entrar em pânico junto com a noiva.
— Essa é Lindsey? — perguntei e ela assentiu.
— Eu tenho que levar o tira-manchas de chiffon para ela agora. — ela disse e me olhou tristemente. — Desculpe querida.
— Não se preocupe. Você veio com seu carro? — perguntei e ela apontou para o aplicativo do Uber aberto na tela do seu celular. — Eu te levo. Vamos.
Mamãe se despediu de todo mundo rapidamente e depois fomos para a garagem juntas. Peguei a Mercedes mais uma vez e sentei no banco do motorista enquanto ela sentava no banco do carona. Nós saímos da propriedade rapidamente, mas mamãe não deixou de comentar a quantidade de árvores ao redor da Mansão. Ela também gostava de árvores.
Nós chegamos no Starling Plaza e mamãe correu para suíte em que a noiva em apuros estava. Borrifou o tira-manchas de chiffon e passou um lencinho umedecido. Boom. O vestido estava limpo novamente como mágica, faltando quinze minutos exatos para o inicio da cerimônia.
Depois de salvar o dia mais importante da vida de Laura, nós fomos para a suíte do hotel que mamãe estava hospedada. Que era no Plaza também. O quarto dela estava uma bagunça. Vários vestidos pendurados em araras por todo o lugar, metros e mais metros de tule pelos sofás e eu nem vou começar a falar das flores.
— Venha aqui. — ela disse e nós duas deitamos na cama queen size enorme. — Pode falar.
— Falar o que?
— Felicity, eu sou sua mãe e não preciso usar óculos ainda. — ela disse e eu franzi as sobrancelhas ainda mais confusa.
Aonde ela queria chegar?
— Okay. Parece que ninguém naquela casa percebeu, apenas eu. — ela disse e depois riu. — Você está apaixonada pelo seu chefe, querida.
Como é que é? Inferno, não!
— Mãe. Nem comece. — eu disse me sentando na cama e ela riu alto. — Não tem graça.
— Claro que tem! Vocês chegam a ser patéticos. — ela disse se sentando também. — Ok, olhe nos meus olhos e diga que não aconteceu nada entre vocês dois ainda ou que você não sente nada por ele, se falar á verdade, eu volto á tomar meus antipsicóticos.
Ela olhou firmemente para mim e eu suspirei. Ela riu alto mais uma vez.
— Eu sabia! Eu sabia! — ela disse balançando suas pernas no alto como uma perfeita criança que era. Uma criança com mais de quarenta anos. — Vocês são tão óbvios!
— Pare. — eu disse pegando um travesseiro e tacando nela, que pegou e abraçou. — Não tem nada acontecendo entre mim e Oliver.
— Hmm, você chama ele pelo primeiro nome? — perguntou ela e eu peguei outro travesseiro em uma clara ameaça. — Tudo bem. Tudo bem. Já que Oliver Queen é um assunto proibido, pode me contar por que você está com cara de choro?
Suspirei dramaticamente. E eu pensando que tinha coberto tudo com a maquiagem, aquele curso não valeu quase nada se eu não conseguia esconder dela que eu havia chorado.
— Ah, não foi nada. — eu disse e ela ergueu uma sobrancelha loira para mim.
Voltei a me deitar e ela também. Contei tudo para ela desde o primeiro dia em que cheguei na Mansão Queen. A noite no hospital com Kellan, a quase demissão, sorvete com Kylie, a segunda quase demissão, Bruce Wayne, a festinha, depois a guerra de comida, Moira na minha cola, a festa de gala, Bruce Wayne de novo, a noite de amassos na piscina, o jantar com os Bertinelli, depois o surto de Kiera no jantar com Helena e o porre dos gêmeos ontem, a conversa hoje e por fim, o choro.
— Tudo isso em um intervalo de um mês? — perguntou ela com a expressão séria agora e eu assenti. — Uau. Parece que você está lindando com cinco de versões de você mesma ao mesmo tempo.
— Mãe... — resmunguei e ela soltou um suspiro. — O que eu faço?
— Querida, está mais que claro para mim que você ama os três. Kellan e Kiera cresceram sem uma figura materna presente e estão se acostumando ainda com você por perto. — ela disse e virou de lado apoiando a cabeço no ombro. — Kylie se sentiu segura o bastante com você para falar e já está muito apegada á você, mas você não pode forçar os três á morrerem de amores pelo pai. Deus sabe que eu já tentei isso e não deu muito certo.
Revirei os olhos para sua comparação desnecessária.
— Oliver tem que achar uma maneira de se reaproximar deles sozinho. — ela disse. — Ou você planeja ficar naquela casa até Kylie entrar na faculdade?
Eu nunca tinha pensado nisso. No tempo em que ficaria dentro da Mansão Queen e da vida deles. O contrato que havia assinado era de seis meses. Ele expirava em Janeiro do ano que vem. Eu tinha tempo suficiente para decidir até que chegasse a hora de ir embora ou não.
— Agora, em relação á Oliver... — ela começou e eu fechei a cara. — Me escute bem, antes de qualquer coisa acontecer entre vocês dois, pense nas crianças e em você mesma primeiro. Eu tenho olhos, ele é muito bonito e tem um dom para fazer filhos lindos, mas... Eu prefiro ficar sem netos lindos do que ver você com seu coração quebrado de novo.
É claro que ela tinha que lembrar disso... Não seria Donna Jane Smoak se ela não lembrasse do fiasco que ocorreu na época do MIT com Cooper Sheldon. Mais conhecido como o pior período da minha vida, e olha que eu já fiquei desempregada várias vezes.
Suspirei.
Eu tenho feito isso muito ultimamente.
Quando deu onze e meia, mamãe praticamente me expulsou do quarto para eu não chegar ainda mais tarde na Mansão. Eu não queria voltar pra lá agora, mas eu tinha que voltar. Porque era paga para isso. Ri sem humor algum quando entrei na Mercedes e liguei o motor. Eu não me esqueceria destas palavras de Kellan tão cedo assim.
Peguei a Avenida Principal e tive o vislumbre de Lamb Valley. O mesmo bairro que estava tendo a maior festa ontem. Deus. Só de pensar no que poderia ter acontecido ontem com Kiera se ela não tivesse me ligado... Eu me arrepiava. Olhei mais uma vez para o subúrbio de classe média-alta e nem parecia que o inferno havia acontecido ali ontem.
Dirigi mais lentamente do que o normal, parando em todos os faróis e sendo xingada por alguns apressados. Não que eu me importasse. Não estava com pressa alguma em chegar na Mansão.
Você está apaixonada pelo seu chefe.
Outras palavras que eu não iria esquecer tão cedo também. É claro que eu não estava apaixonada por Oliver. Ele era ridiculamente bonito, eu não negava. Ele era absurdamente gostoso, eu não negava. Ele beijava muito e tinha uma pegada que deveria ser considerada uma arma branca, mais uma vez, eu não negava. Mas apaixonada? Isso eu negava até a morte. Era mais como uma paixão platônica, o que acontecia entre nós dois. Eu não tinha tempo e nem motivos para me apaixonar pelo meu chefe que eu mal via em casa, e que estava noivo. De outra mulher.
Não. Nope. Nada mais e nada menos.
Memórias do que aconteceu na piscina, na festa de gala, no leilão e acho eu que na volta da balada com Thea (eu ainda não sabia se aquilo era ou não uma pegadinha que meu cérebro estava tentando pregar em mim) voltaram com tudo e eu diminuí ainda mais a velocidade da Mercedes até parar. Eu estava no começo da estrada particular dos Queen. Suspirei. Eu poderia pensar melhor trancada no meu quarto. Sim, isso soava como um bom plano.
Girei a chave na ignição novamente e o motor não respondeu com o rugido surdo costumeiro. Ah, não. Girei de novo e fiquei sem resposta. Mais uma vez, e nada. Mais uma e silêncio absoluto. Bem que o universo poderia conspirar pelo menos uma vez ao meu favor como presente de aniversário.
Olhei no painel e vi que já eram mais de meia-noite. Ótimo. Nem pedir para o nada eu poderia fazer mais. O que possivelmente pode dar ainda mais errado agora? Um relâmpago iluminou a noite escura entre as árvores e eu bati a minha cabeça no volante.
Quer mais alguma coisa? Continue usando essa sua boca grande.
A garoa começou e depois de dois minutos, estava caindo o mundo. E ninguém atendia a merda do telefone naquela merda de Mansão. Era impossível que todos já tinham ido dormir, era meia-noite em um final de semana! Isso nunca acontecia! Por que justo hoje?
— Alô, alguém por aí? Estou precisando de ajuda, o carro quebrou e nem se eu quisesse voltar andando eu conseguiria com essa chuva. Estou no começo da estrada e... — a linha caiu. Perfeito. A bateria tinha acabado e eu não sabia se a mensagem tinha chegado ou não, porque o sinal estava fraco.
Recostei no banco e ouvi os trovões estourarem no céu. Eu lembro que costumava ter medo deles, mas minha mãe me disse que eram apenas os anjos jogando boliche no céu. E os relâmpagos eram fotos que Deus tirava de nós. Sim, era bobo, mas para uma criança eram tudo. Uma sensação de segurança á mais, eu acho. Não sabia dizer ao certo, teria que pesquisar naqueles livros de terapia para crianças que havia pensando em ler para entender um pouco mais o comportamento das pestes.
Observei a chuva cair pelo vidro e contei as gotas, fiz corrida com elas, tentei formar figuras e até baforei no vidro para desenhar. E a chuva não acabava. Tudo bem que este últimos meses, não tinha caído uma gota do céu, mas tinha que tirar esse atraso todo hoje?
Procurei algo para me distrair no porta-luva e só achei propagandas dos novos modelos da Mercedes, um condomínio novo para os super-ricos, dois restaurantes novos na cidade e uma pizzaria. O tipo de propaganda que nos entregam no trânsito engarrafado de Starling.
Olhei para o céu, ou pelo menos tentei, e não vi nenhum indício que esta chuva iria acabar tão cedo assim. Agora era se acostumar com o fato que eu não irei dormir na minha cama hoje. Fui para o banco de trás e me deitei. Era confortável, não tanto quanto a minha cama ortopédica forrada de lençóis de algodão egípcio ou meus travesseiros de penas de ganso, mas era confortável o bastante para passar uma noite.
Já havia dormido em lugares piores.
Coloquei meus óculos de lado e dobrei o casaco para servir de travesseiro. O carro estava abafado, frio eu não iria sentir pelo menos. Fechei os olhos e fiz uma análise rápida de mim mesma.
Eu era bonita, mas não linda. Era engraçada, mas não hilária.
É isso que você vai fazer enquanto estiver presa aqui? Listar os defeitos?
Parece que não, já que você está me fazendo companhia vozinha chata do subconsciente. Eu pensei amarga e depois ri. Louca. Eu estava ficando completamente louca, isso sim. A ponto de discutir comigo mesma, sozinha, em um carro no meio de um temporal depois de um aniversário de merda.
Louca o bastante á ponto de ver faróis ligados?
Sim, louca o bastante á ponto de ver faróis lig... O que? Me levantei em um pulo e vi faróis ligados vindo em minha direção. A mensagem chegou! Graças á Deus! Era a SUV preta que Slade usava e ela parou bem de frente á Mercedes! Eu acho que sou capaz de beijá-lo por ter vindo me salvar! Coloquei os óculos e recoloquei o casaco, amaldiçoando por estar usando saltos hoje. A estrada de terra deveria estar lama pura, ou seja, eu teria que ir descalça.
Em meio a chuva, Slade batucou os dedos na janela e eu peguei a chave da ignição só para garantir e saí pela porta. O ar frio me abraçou e eu tremi. Nossa. A chuva estava mais fria ainda. Nossa duplo. Mas nada estava tão frio que o olhar que Oliver Queen estava me dando agora.
— Vamos. — ele disse levemente molhado e eu assenti. Até que o chão não estava lameado e eu acho que até conseguia andar nele com os sapatos. Só achei mesmo, porque no primeiro passo, eu tropecei e só não beijei o chão, porque ele me segurou.
Ele tinha ótimos reflexos. Fiquei levemente invejosa. Eu era um desastre ambulante.
Eu sabia disso.
Ele sabia disso.
Todo mundo sabia disso.
Ele não largou do meu braço até eu estar sentada dentro da SUV, molhando tudo por causa da chuva. Meu cabelo estava ensopado, o casaco também, mas por dentro do vestido estava seco ainda e o risco de ficar gripada era bem menor. Oliver entrou logo depois, também molhado, e ligou o motor.
Ficamos em silêncio até o enorme portão aparecer e a terra molhada ser substituída por cascalho molhado. Olhei ao redor e vi as árvores. O ar deveria estar super puro agora. A Mansão estava completamente escura. Agora, eu não sabia se era porque tinha acabado a luz ou porque já estavam todos dormindo. Se tivesse acabado a luz, como eles ouviram a mensagem? Dei ombros e observei o homem ao meu lado.
Estava respirando calmamente, mas seus olhos contavam outra história. Eu não sabia dizer o que era. Ele desceu e fez a curva para dentro da garagem. O portão não se abriu como de costume.
— Estamos sem energia. — ele disse e saiu do carro.
A-há! Eu estava certa!
Saí do carro também e corri até a portinha da garagem. Entrei para dentro. Estava escuro, e eu não conseguia ver nada de nada com as lentes dos óculos molhadas, mas eu conseguia tatear e achar a pequena manivela que abria o portão manualmente. Eu o empurrei com força e Oliver estacionou o carro com perfeição. Eu não conseguia ver nada pela escuridão e nem pelas lentes, então as limpei elas com a barra do vestido e depois trombei em algo.
Ou alguém.
— Desculpe. — eu disse.
Sua mão voltou para o meu braço, voltando a me guiar pelo caminho escuro. Achei a porta e o corredor frio me recepcionou. O piso de madeira estava ainda mais gelado, mas agora eu só queria vestir uma roupa quente já que um banho não seria possível no momento.
Oliver andava calmamente e decidido. Fazendo as curvas e eu só conseguia acompanhar por onde estávamos indo pelo vento que vinha de diferentes direções e a troca de piso embaixo dos meus pés. Quando senti o piso frio, sabia que estávamos no hall.
— O gerador principal ficou sobrecarregado, então todos estão dormindo na casa de hóspedes no fundo da casa, lá o gerador ainda está funcionando. Então troque de roupa e nós iremos juntos para lá. — ele disse e ascendeu uma vela que eu nem sabia que tinha com um fósforo que eu também nem sabia que ele tinha em mãos.
Ele me entregou a vela e ascendeu outra. Eu assenti e subi as escadas com ele atrás de mim. Ele virou na ala proibida e eu virei na ala liberada. Antes de entrar no quarto, arrisquei um olhar e vi que ele já estava me olhando. Corei e fugi para o meu quarto.
Fui diretamente para o closet e peguei um pijama de frio e uma toalha.
Pela janela eu consegui ver as luzes da casa de hóspedes acesas depois da piscina, até piscarem e tudo ficar escuro. Ótimo. Sem banho para mim. Grudei a vela no peitoril interno da janela e tirei o casaco. Eu não ia ficar com essa roupa molhada de jeito nenhum. Ah, não iria ficar mesmo. Alcancei o zíper do vestido e tirei ele que caiu com um barulho no chão por causa da água. Peguei a toalha e sequei minhas pernas e os braços.
— Felicity? — chamou Oliver e eu me virei. Merda. A porta estava aberta.
Coloquei a toalha na minha frente e agradeci á Deus pela falta de luz, ou eu teria um ataque de pressão arterial alta de tão corada que eu fiquei. Não sei se era por causa da minha falta de roupa ou a falta de roupa dele.
— Sinto muito, mas parece que o gerador de lá também ficou sobrecarregado.
Eu assenti rapidamente, incapaz de falar qualquer coisa no momento. Até que senti algo respirando bem perto de meus pés e pulei e gritei alto. Bem alto nos dois casos ditos.
— Hey... É a Lily. Estava procurando por ela. — disse Oliver se abaixando ao meu lado e pegando a cadelinha no colo.
Respirei aliviada e fiz carinho em Lily que lambeu minha mão em resposta.
— As vezes eu esqueço que temos ela na casa. — eu disse e ele assentiu sorrindo de leve.
Depois recebeu uma mordida de Lily que o vez gemer baixinho e deixar ela cair no chão. Eu só vi um vulto amarelado sair correndo do meu quarto e depois ri baixinho da cara de dor que Oliver tinha. Ele não estava acostumado com essas mordidas como eu estava.
Eu não fiquei surpresa quando atmosfera mudou assim que trocamos um olhar divertido que se transformou em outra coisa. Ele parecia estar observando cada detalhe de meu rosto, assim como eu fazia com o dele. Oliver tinha uma cicatriz pequena perto do queixo, ninguém iria notar se não tivesse tão perto dele como eu estava.
Quando foi que nos aproximamos tanto assim? E onde estava a maldita toalha?
Eu sei que a linha do raciocínio se perdeu em minha mente quando ele levantou uma de suas mãos e pousou as costas dos dedos em minha bochecha e depois libertou o lábio inferior do aperto de meus dentes. Eu comecei a hiper-ventilar. E não conseguia esconder isso hoje, agora... Neste exato momento.
Ele entrou em meu espaço pessoal que já era bem mínimo e me encarou profundamente. Sua mão nunca deixando meu rosto. Apenas aquele toque quente fazia coisas muito estranhas em meu corpo. Eu sabia muito bem que essas coisas poderiam ter vários nomes. Excitação. Tesão. Aquela vontade louca de tocar alguém e depois evoluir para outra cois...
— Felicity. — ele disse meu nome bem baixinho com sua voz rouca e eu senti o efeito disso diretamente dentro da minha calcinha.
— Oliver. — eu disse com aquele fiapinho de voz que me restava e senti a outra mão me tocar no ombro e depois escorregar até o pescoço. Se ele não conseguisse ouvir o meu coração batendo feio louco, ele iria sentir.
Eventualmente.
Cacete.
O que eu estou fazendo aqui? Por que ele está tão perto? Por que ele está me deixando quente? Deus... Ele tem uma noiva! E três filhos e uma mãe que estão dormindo inocentemente á menos de duzentos metros de nós! Então o que infernos eu estou fazendo aqui?
Vivendo.
Ele se aproximou mais e sua boca pairou sobre a minha, como se pedisse permissão. E eu odiei o fato de quem fui que eu fechei a distância entre nós, desta vez, mas foi tão bom sentir seus lábios nos meus de novo. Foi exatamente como na vez dentro da piscina.
Ele segurou meu rosto com ambas as mãos e pediu permissão novamente e eu cedi novamente. Deus. Aquela língua sabia fazer maravilhas. Corei com o pensamento, mas não me importei se ele viu ou não, porque estava bastante ocupada tocando seus braços e costas como desejava secretamente desde quando vi ele treinando no Instituto Al Ghul. Suas mãos escorregaram do meu rosto até se apossarem completamente e meio que de um modo possessivo da minha cintura.
Perigosamente perto da minha calcinha.
Me separei dele levemente quando precisei de ar e suas mãos desceram até as minhas pernas e eu rezei para que ninguém nos interrompesse desta vez. E não interromperam. Fui erguida e abracei o quadril dele com as minhas pernas só para sentir como minha excitação era recíproca. Senti a parede fria atrás de mim e depois a boca quente de Oliver em meu pescoço, e não consegui conter o gemido que saiu da minha boca.
Isso era errado. Muito errado. Mas só Deus-sabe o quão bom era também. Eu arranhei seus braços assim que senti sua língua contra minha pele, a mesma que iria ficar marcada, mas eu poderia me preocupar com isso depois, não poderia? Claro que sim.
Sua boca voltou contra a minha. Mais dura. Mais quente. Mais selvagem.
O cenário mudou e eu não vou fingir que eu não gemi de novo, porque eu gemi. Me agarrei á Oliver como uma trepadeira humana e arranhei suas costas com força, porque aquilo que ele fazia com a língua... Era simplesmente divino.
— Felicity... — ele disse ofegante em meu pescoço quando nos separamos de novo. As mãos passeando livremente por minhas coxas, mas não aonde eu queria que estivessem. Ele passou o nariz pelo meu pescoço e desceu lentamente até o vale entre meus seios.
Ele estava me cheirando?
Isso realmente importa?
— Sim ou não, Felicity. — ele disse e nossos olhares se trancaram mais uma vez. O dele estava queimando e eu sabia que o meu não deveria estar diferente. — Sim ou não?
Uma resposta. Uma noite. Nada mais do que isso. Nada menos do que isso. Era tudo que ele podia oferecer. E tudo que eu poderia aceitar. Sem voltar atrás depois. Sem arrependimentos depois. Eu queria isso, não queria? Eu consigo fazer isso, não consigo?
Meu subconsciente me olhou e assentiu. Então...
Dane-se.
— Sim. — eu respondi e ele voltou a me beijar.

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