The Perfect Nanny
14 Capítulo 14
Notas iniciais

— Eu não acredito que você aceitou isso. Você é ainda mais louca do que eu achei que seria. — disse Thea de boca cheia e eu ri. Cada vez que um dos Queen quebrava aquela cadeia enorme de regras de etiqueta era muito engraçado. — Ninguém em sã consciência aceitaria trabalhar de bom grado para minha mãe.
— Deus me livre de ter uma filha como você. — eu disse e tomei um gole do meu suco de laranja. — Eu me voluntariei, porque eu vi o quanto ela trabalhou para este leilão sair perfeito e é por uma boa causa também.
— Eu sei que ela realmente se esforçou, mas eu conheço a mãe que eu tenho, Felicity.
— Uhum, mas pelo menos ela não vai jogar garrafas na minha direção. Eu acho. Vamos esperar para ver. — eu disse balançando as sobrancelhas e Thea riu engasgando com sua mimosa.
Depois que eu tive uma longa conversa recheada de espirros e tosses com Kara no telefone, ela me explicou o que tinha que ser feito e não era tão difícil assim. Eu só iria cuidar da lista dos convidados e dos itens que seriam vendidos no leilão. E impedir que a Sra. Queen ficasse perto da Sra. Dowson e da família Collins por muito tempo. Ela odeia eles. Nada tão difícil assim. E eu fiquei muito mais aliviada quando Moira disse que as pestes não iriam participar do leilão. As meninas, aparentemente iriam ficar na Mansão desta vez com a Sra. Lance. Já Kellan tinha compromissos com Nate que envolviam uma maratona de jogos aparentemente.
Thea me ligou e disse que queria companhia até a hora do leilão, eu aceitei com a condição que não teria álcool envolvido, e aqui estávamos no Olive Garden, comendo uma lasanha juntas. Ela estava bebendo uma mimosa, mas garantiu que champagne nenhum a derrubava, mas eu tinha minhas dúvidas.
— Roy já voltou de Opal City? — perguntei e ela negou enquanto cortava um quadrinhos de massa, molho e queijo. — Quando ele volta?
— Esperançosamente, nunca mais. — ela respondeu e colocou tudo na boca.
Eu já tinha minhas suspeitas que eles tinham brigado, dado um tempo ou até terminado o relacionamento deles, porque Thea estava bebendo demais da conta e ficava arisca quando alguém mencionava um nome remotamente parecido com o de Roy.
Meu celular vibrou e eu vi que era uma mensagem de um número desconhecido.
"Desconhecido: Me diga, por favor, que estará no leilão de hoje noite."
Só uma pessoa foge de festas mais do que Oliver Queen, e esta pessoa se chama Bruce Wayne. Adicionei seu contato na minha agenda e digitei uma resposta rápida enquanto Thea se empanturrava de massa italiana com tamanha concentração.
"Felicity, S: Felizmente para você, vou estar sim."
Sua resposta veio de imediato.
"Bruce, W: Ótimo, porque eu não vou aguentar Alfred tagarelando no meu ouvido sobre as diferenças entre a porcelana chinesa e a russa."
"Felicity, S: E você prefere que seja eu tagarelando no seu ouvido?"
"Bruce, W: Sempre."
Sorri com sua resposta e percebi o olhar de Thea sobre mim.
— O que?
— Você está corada e sorrindo boba. Isso só acontece quando tem homens na jogada, Liss. — ela disse e eu corei forte. — Homens bonitos.
Balancei a cabeça e comecei a contar o que vinha ocorrendo desde o jantar com a família Bertinelli. Thea riu bastante e depois ficou preocupada com a reação de Kellan e Kiera quanto a noiva do irmão. Deixei a conversa com Oliver de fora, algo me dizia que Thea não estava pronta para ouvir sobre aquilo ainda.
— Eu entendo eles, eu prometi fazer aquela casa um verdadeiro inferno quando mamãe me disse que iria casar com Walter. — ela disse dando ombros e eu assenti, ouvindo. — Depois que eu conheci ele e me acostumei ter ele por perto, as coisas se acalmaram um pouco. Hoje, ele é como um pai para mim.
— E sobre o seu irmão? O que acha?
— Ollie sempre foi reservado. Sempre. Mesmo quando nosso pai era vivo. Ele nunca se abriu com ninguém. Acho que só com o Dig, mas ainda sim é bem pouco pelo que eu sei. — ela disse e o garçom serviu a sobremesa.
Uma taça gigante de sorvete com mais de 13 bolas de sabores diferentes com acompanhamentos diversos. Afundei minha colher na bola rosa e senti os pedacinhos de morango derretendo em minha boca. Thea não se demorou e fez a mesma coisa, apenas escolheu a mais branquinha que deveria baunilha ou coco.
— Ás vezes, eu acho que Dig é o único que realmente sabe o que esta acontecendo com esta família. — eu disse e Thea riu assentindo.
— Provavelmente está certa.... — ela disse e eu peguei mais uma colher de sorvete, de chocolate desta vez. — Quando vamos sair juntas novamente? Eu tenho uma noite á fantasia planejada na Verdant semana que vem.
Oh, merda.
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O salão de festa do Pallace Hotel estava um verdadeiro conto de fadas. Lustres enormes brilhantes. Arranjos enormes de flores delicadas. Garçons vestidos impecavelmente. Seguranças discretos. E comida e champagne sendo servidos á todo instante. Paparazzis oferecendo sangue e virgens para poder entrar e dar uma olhada exclusiva de tudo. É... Moira Queen sabia dar uma festa como ninguém.
Eu me prostrei na entrada do salão, logo após a revista dos convidados pelos seguranças. Estava segurando meu tablet com a lista de convidados e pela fila que se formava, tinha gente de tudo que é jeito e tipo. Desde vestidos longos de Hollywood até quimonos floridos e turbantes coloridos. Vários gostos e culturas no mesmo lugar.
Logo após o tapete vermelho onde os fotógrafos de todas as revistas fashion e de fofoca do mundo inteiro, previamente selecionados por Moira é claro, os convidados passavam por uma triagem eletrônica e a triagem pelos seguranças e depois passavam por mim com seus sorrisos encenados e bolsos cheios de grana.
Acho que todos estavam aqui pelos aquarelas de Da Vinci ou pelos jogos de louça japonesa e francesa. Estes eram apenas alguns dos artigos que iriam á leilão e eu já estava apaixonada por um bule de chá que não era nem um pouco parecido com a Sra. Bule de Chá da Bela & A Fera. Isso já dizia muita coisa!
A fila começou a andar e eu me concentrei em cada pessoa que passava por mim me dizendo seus nomes e entregando os convites. Até que alguns convidados eram educados e me desejavam uma boa noite, diziam obrigado e retribuíam os desejos de um bom leilão, já outros... Nem tanto. Sabe aquilo que as pessoas dizem que o dinheiro sobe a cabeça? Então, aparentemente deseduca as pessoas também.
— Alfred Pennyworth e Bruce Wayne. — disse uma voz e eu ergui o olhar para um conhecido.
Bruce estava impecável em seu smoking azul petróleo, como sempre, e ao seu lado um senhor grisalho com um sorriso galante usando um smoking do mesmo tom de azul mas com padrões diferentes. Os dois disseram boa noite, entregaram os convites e eu marquei seus nomes na lista com um toque no meu tablet e sorri de volta.
— Você guarda uma dança para mim? — perguntou Bruce sorrindo e colocando as mãos nos bolsos na calça. Eu corei fortemente ao ver o olhar interessado de Alfred em cima de mim.
Foi ele que criou Bruce, não foi? Uau. Sem pressão alguma.
— Por favor?
Eu assenti e ele sorriu.
— Você está linda, por sinal. — ele disse e Alfred assentiu como se concordasse.
— Por favor, se divirtam. — eu disse quando a fila parou novamente. Por minha culpa.
Eles entraram e eu cumprimentei e marquei o nome de cada convidado que passou depois de Bruce para dentro do salão. Mesmo concentrada no que eu tinha que fazer, o sorriso dele ficou na minha mente e nem Helena e Dianna Bertinelli poderiam estragar aquilo.
Espera. O que?
O que Helena, Dianna e Frank Bertinelli estavam fazendo aqui? Eu tenho a mais absoluta certeza de toda essa galáxia que os nomes deles não estavam na lista que eu revisei quatro vezes ontem á noite. Minha visão ficou turva quando eu vi Helena se apossar do braço de Oliver que estava acompanhando aquela família nojenta.
Isso não é bom.
Não. Isso é péssimo.
— Ora, ora! Vejam quem está de recepcionista hoje! — disse Dianna com um falso tom de simpatia. Eu nunca quis esganar alguém do jeito que eu queria esganar ela e arrancar aquele cabelo melado da cabeça gorda dela cheia de botox.
— Pois é... Mil e uma utilidades! — eu respondi tentando ser simpática e eles entraram.
Espera. Eles entraram? Moira vai comer meu fígado e o coração no almoço! Eu não podia ir lá e expulsar a família. Primeiro, a fila ainda continuava enorme. Segundo, eu não tinha coragem suficiente. E terceiro, Helena Bertinelli já parecia me odiar o suficiente.
Cada convidado entrou e foi marcado na lista. Apenas um homem não compareceu, um tal de Sebastian Blood. Ah, era o prefeito da cidade! Eu acenei para os seguranças e eles fecharam as portas e o segundo esquema de segurança da festa foi posto em prática por cada um. Festa exclusiva, lembra?
Eu até tinha um fone de bluetooth em minha orelha que estava conectado com a rede de comunicadores deles.
Eu me analisei no espelho que tinha ali perto e não estava nada mal. O coque lateral tinha ficado perfeito e a maquiagem também, graças á Curtis. Eu estava usando um batom vermelho que combinava com o vestido tubinho que estava usando. Ele tinha apenas dois adornos que eram zíperes na saia que criavam fendas.
Vermelho é a minha cor, de acordo com Curtis e Thea.
Reuni toda a minha coragem, que era bem pouca na noite presente, e caminhei até o grupinho onde Oliver estava e cutuquei seu ombro. Ele olhou para mim surpreso e eu amarelei quando todos olharam para mim, bem, Helena me fuzilou com os olhos azuis dela.
— Deixa para lá. — eu disse acenando antes de sair correndo.
— O que foi, Felicity? — perguntou ele atrás de mim quando estava á uma distância segura daquela família nojenta e radioativa.
— Bom, a família da sua noiva não está na lista, para começar. — eu disse e ele não pareceu surpreso.
— Você quer que eu os expulse? — perguntou erguendo uma sobrancelha e eu quis gritar um "SIM" para qualquer um poder ouvir, mas neguei com a cabeça por questões de educação que Donna Smoak me deu.
— Quero que salve os meus rins e o fígado, porque sua mãe vai querer eles para o almoço de amanhã quando os vir. — eu disse. — Eu estava indo bem, sabe? Sorrindo, cumprimentando todo mundo... Sem problema nenhum, até eles chegarem e nós dois conhecemos bem a opinião da sua mãe em relação a sua noiva e a família dela. Não sei se o senhor gosta de brincar com ela de tiro ao alvo com garrafas de uísque, mas eu não. Primeiro porque eu tenho miopia e porque meu senso de mira é horrível por causa da miopia... Eu vou parar de falar em 3...2...1.
Oliver apenas piscou e riu baixinho da minha tagarelice. Sério mesmo? Ótimo, ria da minha desgraça Oliver. Eu comecei a sentir o começo daquela hiper-ventilação assim que ele me parou e me encarou como se pudesse ver a lingerie por baixo do vestido, ou a falta dela.
— Eu não sou um herói. — a voz dele em sua versão mais rouca fez coisas com o meu corpo que eu não tinha coragem nem de pensar.
— Você podia ser o meu. Só hoje. Só por cinco minutos. — eu disse sem me abater pelo olhar profundo dele. Nossa. Olhos azuis que pareciam néons ou que pareciam o mar das Bahamas, eu estava em dúvida agora.
— Por que eu deveria fazer isso?
— Porque eu acredito que tenha um coração e ele está se sentindo muito bonzinho com babás/recepcionistas hoje. — eu disse e ele sorriu quebrando sua carranca falsamente séria. — E eu lembro que nós combinamos que eu iria ajudar você com as crianças? Elas são três, você sabe né? Então tecnicamente eu tenho três favores e estou cobrando um agora.
Ele fez um gesto para o tablet que estava debaixo do meu braço e eu o cedi. Ele buscou pela lista inteira até achar o seu próprio nome e me olhar mais uma vez.
Bahamas. Com certeza, mar das Bahamas.
— Meu nome está aqui.
— Sim, o seu nome e uma convidada. — eu disse aumentando a tela para ele ver o próprio nome e mais um convite á sua disposição ali na lista. — Singular e feminino.
— Eu cuido de minha mãe, pode ficar tranquila quando seus rins e o fígado. — ele disse e me devolveu o tablet.
— Obrigada. — eu disse demonstrando todo o alívio que corria pelas minhas veias.
Oliver se aproximou, invadindo meu espaço pessoal, e sorriu mostrando todos os seus sentes super brilhantes e super brancos e super certinhos. Tranquei minha respiração levemente para não sentir seu cheiro avassalador.
— Disponha, eu sou seu herói. — ele disse chegando ainda mais perto. — E você está deslumbrante, Felicity. Guarde uma dança para mim e mantenha seus três favores...
Com isso dito, ele beijou minha bochecha perigosamente perto da minha boca, e se afastou e voltou para rodinha onde estava sua noiva e outra ricaços que eu não lembrava o nome. Eu quis chorar. Por que ele estava fazendo isso comigo? Tortura psicológica depois um mês no trabalho? Ele estava brincando comigo? Ele perdeu a noção do perigo?
Ou será que você que perdeu?
Fechei os olhos e acalmei a minha respiração.
— Srta. Smoak. Temos uma emergência na cozinha com o salmão. — disse um garçom chegando até mim. Eu assenti e me dirigi até a cozinha, mas tudo que estava em minha mente era o sorriso idiota de Oliver Queen, o cheiro idiota de Oliver Queen e a risada idiota de Oliver Queen.
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O martelo bateu na mesa e uma das primeira edições de "Um Sonho de Uma Noite de Verão" foi comprado pelo Tenente Palermo. E foi o último item, graças ao bom Deus. Meus saltos estavam começando fazerem minhas panturrilhas latejarem e o coque não estava ajudando em nada a pequena dor de cabeça que eu estava começando a ter. Tinha certeza que se tornaria uma enxaqueca depois. Argh.
Os convidados começaram a se espalhar e banda começou a tocar. A música até que era animada, diferentemente do meu humor. Eu estava parecendo uma velha, resmungando pelos cantos.
Este não era o meu mundo.
— É entediante, eu sei. — disse Moira chegando do meu lado.
— O que?
— A sociedade. — ela disse e eu assenti. — O dinheiro trás o poder e o poder corrompe ás pessoas.
— Dinheiro é só papel, Moira. — eu disse surpreendendo a mim mesma por chamá-la pelo primeiro nome. — Ele não te dá amor e muito menos respeito. Apenas uma ilusão de que pode comprar tudo isso.
— Concordo com você, Felicity. Nem tudo é o que parece. — ela disse e alisou a saia de seu vestido cor de creme. Ela, sem dúvida ou surpresa, era a mulher mais linda e elegante no recinto inteiro. — Tire a noite de folga, mas não se empolgue muito e não caia na lábia destes cavalheiros. Eles não prestam.
Eu assenti e ela voltou para um rodinha onde Alfred estava com uma mulher e um homem muito bem-vestidos. Tomei uma taça de champagne e me senti melhor. Um pouco tonta, porém mais leve.
— Posso cobrar minha dança agora? — perguntou Bruce aparecendo ao meu lado e eu sorri assentindo, guardei meu tablet e o fone bluetooth dentro do pequeno pódio que eu me escorei durante o leilão inteiro.
Fomos para a pista de dança e eu voltei á ficar em seus braços. Bruce transmitia segurança, estabilidade. Diferente de outras pessoas que merecem o prêmio de "Idiota Do Ano". A música era uma melodia suave, acho que era o instrumental de alguma música da Nina Simone. Era o que normalmente tocava em eventos assim, não era?
A conversa fluiu rapidamente e ele me contou que finalmente descobriu o que o Sr. Fox estava trabalhando. Um projeto para a construção de um gerador para cada bairro no Glades. Eu e muitas pessoas que moravam ali, sabíamos e muito bem com quão frequência a energia acabava, ainda mais quando eu decidia fazer uma maratona de League Of Legends ou Halo. Perguntei porquê ele estava investindo tanto no Glades e ele apenas respondeu que queria ajudar e que queria fazer esta homenagem aos avós deles que já moraram lá, antes de se mudarem para Gotham.
Por um minuto os olhos azuis tristes de Bruce se tornaram dois espelhos do mar da Bahamas e eu perdi o passo. Foi como um balde de água fria. Paramos no meio do salão, mas ninguém parecia se importar o bastante para prestar atenção em nós, muito menos Bruce. Na nossa primeira dança eu havia pisado no pé dele uma duas vezes.
Balancei minha cabeça e encontrei com o olhar de Oliver. Ele estava do outro lado do salão enquanto fingia escutar o que Frank Bertinelli estava dizendo, mas na verdade parecia furioso com o que via. E quem estava no campo de visão dele? Eu, Bruce e mais duzentas e oito pessoas, mas eu sabia que aquela fúria era dirigida para mim.
O que aconteceu com o momento de trégua na cozinha?
Ele acabou?
Sim, ele acabou.
Será?
Agora? Eu realmente achava que sim, subconsciente.
— Está tudo bem?
— Sim. — eu disse e voltei a dançar com Bruce. — Acho que o champagne me deixou tonta. Essas bolhinhas caras e saltos altos são a melhor combinação.
Bruce havia comprado duas aquarelas de Da Vinci, a primeira edição de "Orgulho e Preconceito" e um conjunto de louças chinesas para Alfred. Ás vezes eu me esquecia do fato que ele cagava dinheiro, literalmente. As duas músicas que dançamos acabaram e Bruce foi pegar uma taça de água para mim beber.
— Posso cobrar a minha dança agora que o Wayne finalmente tirou as garras de você?
Eu me virei e encarei Oliver Queen na minha frente, e sem esperar por uma resposta minha, ele me puxou de volta para a pista e deixou sua mão perigosamente perto do meu bumbum. Flashes do que aconteceu na piscina invadiram minha mente e minhas pernas bambearam.
— O que está fazendo? — perguntei quando ele chegou mais perto, se era possível.
Eu não entendia nada sobre esse homem. E isso estava me tirando o sério.
— Não sei se você estava blefando antes... Mas eu não gosto quando me comparam á Bruce Wayne. — ele respondeu e prendi a respiração quando senti a dele bem perto do meu rosto.
Blefando?
— Oliver...
— Sim, Felicity?
Meu decote começou a vibrar. Sim, exatamente isso que você acabou de ler. Ele começou a vibrar. E isso chamou a atenção de Oliver e me distraiu completamente no clima tenso que ele havia criado entre nós.
— Com licença. — eu disse e fui para um canto isolado e peguei o telefone do decote. — Alô?
— Lis?
Era Kiera? Ela estava chorando? Eu não sabia dizer porque a batida de uma música eletrônica insuportável não me deixava escutar nada. Uma porta se bateu e o som foi abafado.
— Kiera? Está tudo bem?
— Não. — soluçou e eu comecei a entrar em pânico com milhares de teorias se formando em minha mente.
— Onde você está?
— Eu vim á uma festa dos amigos de Kellan. Pode vir me buscar? — perguntou com a voz rouca.
— Qual o endereço? Eu estou indo agora! — eu disse caminhando até a saída. Moira já havia me dispensado de qualquer jeito. Kiera passou o endereço e soluçou mais. — Eu estou indo e pode ter certeza que eu vou gritar horrores com você e com o seu irmão, tranque a porta e não deixe ninguém além de mim entrar. Escutou, Kiera?
— Sim, me desculpa. Eu fui muito burra, me desculpe... — ela disse repetidamente e isso não era um bom sinal.
— Eu estou indo. — eu disse e desliguei. Peguei meu casaco e quando me virei para a saída, vi Oliver ali com uma expressão nada boa. — Eu realmente não tenho tempo para isso agora.
— Onde está Kiera? — perguntou e eu mordi meus lábios, ele estava barrando o meu caminho. — Felicity, onde está a minha filha?
— Em uma festa. Bêbada e chorando. Agora eu tenho que ir cuidar dela, porque eu sou a super-babá. — eu disse e empurrei seu braço do caminho. Corri para fora do hotel e dei minhas chaves para o vallet.
— Slade. Leve Helena para casa, eu tenho que lidar com uma emergência agora. — disse Oliver aparecendo e falando no telefone. Slade ainda estava vivo? — Sim e não. Veja se Dinah e Kylie estão bem em casa.
Ele guardou o telefone na mesma hora em que o vallet chegou com a Mercedes que tinha virado minha xodó. Oliver se apressou e tomou o lugar do motorista e eu não poderia sentar e discutir, mesmo se quisesse. Me sentei no lugar do carona e digitei o endereço no GPS.
Ele só dirigiu.
Não falou nenhuma palavra, mas a expressão dele já falava tudo. Oliver estava mais do que furioso. Na verdade, eu não estava muito atrás. Eles realmente esperaram eu sair para o evento da avó para saírem escondidos e irem até uma festa? Eu não teria me oposto em momento algum, com as condições que eles não voltassem na manhã do outro dia e que mantivessem o meu número da discagem rápida.
Kiera parecia ter entendido metade disso sem eu ao menos falar, pelo menos.
Não passe pano. Eles estão bem encrencados.
Eu sei! Eu estava brava com Kellan por ter deixado sua irmã beber e ficar no estado que estava. Eu estava brava porque poderia estar muito bem me divertindo com Bruce Wayne agora. E eu estava furiosa com o idiota ao meu lado!
Quando chegamos no endereço, o bairro inteiro deveria estar dando a mesma festa.
— Oh meu Deus... — eu disse quando vi adolescentes pulando do telhado e caindo em uma piscina. Do telhado! Sem falar na quantidade de garotos e garotas bêbadas e se amassando nos gramados mesmo. — Eu vou matar a Kiera. E vou trucidar o Kellan.
Oliver não disse nada, apenas encostou no meio da rua, pois o meio fio estava ocupado tendo uma competição de quem bebe mais plantando bananeira em cima de uma barril de metal. Com certeza, era cerveja ali. E aqueles pirralhos não tinha idade para isso. Eu entrei na casa de número 834 sem me importar de empurrar os pivetes no meu caminho.
Sabia que Oliver estava bem atrás de mim, porque ele não precisava empurrar ninguém, as pessoas abriam caminho para ele. Provavelmente com medo da expressão furiosa e assassina com que ele estava em seu rosto. Subi para o segundo andar e entrei em cada quarto até achar o banheiro certo, sem me importar de interromper qualquer coisa.
— Kiera? Você está aí? — perguntei batendo na porta do último banheiro.
Sem resposta. A porta estava trancada, o que não ajudava muito. Eu suspirei.
— Kiera? — chamei de novo. — Abra a port...
Eu soltei um grito agudo quando Oliver literalmente arrombou a porta com um chute, revelando uma Kiera adormecida dentro de uma banheira e com um vestido curto demais para uma garota de apenas dezesseis anos.
Corri até ela e chequei seu pulso, estava forte. Ela só estava dormindo e babando.
— Kiera? — bati em seu rosto levemente e ela resmungou. — Graças á Deus.
Oliver ergueu ela com facilidade em seus braços, enquanto eu ajuntava suas coisas que estavam pelo chão. Sapatos. Okay. Bolsa. Okay. Jaqueta. Okay. Nós descemos e ninguém pareceu se importar conosco, só estava bebendo e dançando. Parecia um verdadeiro pandemônio.
— E Kellan? — perguntei quando Oliver me entregou Kiera no banco de trás.
Ela estava sonolenta ainda e rapidamente se aconchegou em meu colo. Oliver havia jogado o resto de suas coisas aos meus pés e eu conseguia ver que ele não estava no clima para conversas ou dicas de como ser um pai mais decente.
— Se ele achou o caminho para vir até aqui, acha o caminho para voltar para casa. — ele disse e fechou a porta.
— Oliver ele está, provavelmente, bêbado e com uma habilitação de motorista. — eu disse e ele negou ligando o motor.
— Não, ele está muito ocupado beijando uma garota no gramado ao seu lado e os documentos dele estão na bolsa de Kiera junto com as chaves do carro. — ele respondeu e eu olhei para ambos os lados e achei Kellan beijando Alannah enquanto segurava uma garrafa de vodka russa quase vazia. Chequei a bolsa de Kiera e Oliver estava certo. Os documentos dos dois estavam ali junto com as chaves de um carro. Notei o chaveiro verde néon e reconheci ser da Ferrari vermelha de Oliver. Aquela que eu fui obrigada dirigir quando Thea e eu bebemos demais. Não foi o meu melhor momento, eu admito. — Se ele dirigir, quem sabe uma noite na cadeia não o ensine alguma coisa.
— Você não pode falar ass...
— Posso e vou porque são meus filhos, Felicity! Olha o estado dos dois! — ele gritou e eu me encolhi ao redor de Kiera que estava dormindo em meu colo. Sua respiração estava uniforme e por mais que seu hálito cheirasse a cerveja, algo me dizia que ela não iria acordar tão cedo. — Está na hora de fazermos algumas mudanças drásticas naquela casa.
E por mais que eu odiasse dizer ou até mesmo pensar isso, ele estava certo. Kiera estava fedendo a álcool e sua roupa estava toda amassada. Kellan não estava muito atrás.
Deus... Aonde eu fui me meter?
—-
Eu estava sentada no sofá da sala de estar. Kylie estava com Iris e Eddie na cozinha á meu pedido tomando seu lanche da tarde e colorindo alguns desenhos. Moira e a Sra. Lance estavam sentadas nas poltronas ao meu lado esquerdo e Oliver estava perto da janela com um copo de uísque na mão.
A noite tinha sido turbulenta demais. Suspirei.
Depois que havíamos chegado na Mansão, eu dei banho e vesti Kiera como se fosse uma criança de dois anos com a ajuda da Sra. Lance, porque ela não estava sóbria o suficiente para fazer isso sozinha. Fiz ela engolir quase três litros de água para se hidratar e deixei ela dormir por fim depois de me assegurar que ela teria aspirinas e um balde próximo de sua cama. Apostava meu salário ridiculamente alto que ela nem se lembraria do que havia acontecido.
Kellan havia chegado em casa ás quatro da manhã com Slade, mais bêbado que a irmã. Aparentemente, Oliver havia mandado Slade atrás de Kellan para que nada realmente perigoso acontecesse com o filho e quando as coisas se acalmassem trazê-lo para casa em segurança. Aparentemente o segurança chegou bem a tempo de manter Kellan fora da cadeia como Oliver havia previsto. Um dos vizinhos chamou a polícia e eles acabaram com aquele mini-inferno no meio do subúrbio bem rápido.
Oliver cuidou de Kellan e a coisa foi horrível, porque Kellan lavou seu banheiro com vômito. Enquanto eu arrumava a cama para ele junto com algumas aspirinas e mais um balde, eu conseguia ouvir os grunhidos e gemidos vindo de um Kellan bem bêbado.
Kiera também decidiu vomitar no meio da madrugada e eu quis levar ambos para o hospital, mas Oliver não deixou. Ele disse que era normal isso acontecer para quem não está acostumado á beber. Eu sabia disso, mas ainda sim me preocupava. E conseguia ouvir a voz de mamãe cantarolar na minha cabeça com seu ditado favorito.
"Não beba demais até aprender a beber demais."
Hoje eu sabia que isso fazia muito sentido, mas quando tinha a idade das pestes? Não mesmo. Por isso estava dividida em querer defendê-los e querer me bandear para o outro lado da casa que queria mandá-los para um internato e ou convento, o que funcionasse melhor.
Depois que Oliver deu banho em Kellan, eu limpei a nojeira que ele havia deixado no banheiro.
Eu e Oliver nos revezamos em pequenos turnos para podermos tirar todo o cheiro e o vômito de nós mesmos e eu fui primeiro. Coloquei meus pijamas favoritos e mais confortáveis que tinha e arrastei uma das poltronas do quarto para o corredor. Oliver apareceu depois de cinco minutos e fez o mesmo.
Nós ficamos em silêncio a madrugada inteira. Eu não tinha coragem ou qualquer tipo de vontade para trazer qualquer tópico á tona para alguma conversa. Ele, muito menos. Dividimos uma garrafa de uísque apesar da situação irônica e ficamos em silêncio monitorando os dois. O silêncio não foi desconfortável como eu achei que seria, me lembrou nossa conversa na cozinha e eu vi nos olhos de Oliver o quão bravo ele estava com a situação, mas isso também mostrava o quanto ele se importava com os gêmeos.
As pestes melhoraram, eventualmente.
Ouvi sons de passos e vi Kiera entrar na sala. Ela ainda estava de pijamas e parecia estar com a pior ressaca do mundo. Bem feito. Isso poderia servir como castigo pelo o que ela fez. Sabe aquela vontade que eu tive de matar Kiera? Ela não havia passado ainda.
Ela sentou no sofá e cruzou as pernas em posição de índio, depois cruzou os braços e suspirou por fim. Ela estava na defensiva, mas parecia estar á ponto de explodir em lágrimas á qualquer instante. Ela sabia que havia feito merda e que iria ouvir por isso. Kellan também apareceu, usando seus pijamas e com uma cara horrível. Ele sentou ao lado de Kiera e escorregou no sofá com os braços cruzados.
Já era quase a hora do jantar. Sim, eles dormiram o dia inteiro.
— Quem fala primeiro? — eu perguntei e os dois abaixaram a cabeça, se recusando á olhar nos meus olhos. — Podem começar pela parte em que vocês não pediram permissão para ir á qualquer festa.
— Nós não temos que pedir permis... — começou Kellan com um tom de voz arrogante.
— Sim, vocês tem. Ambos são menores de idade e nós respondemos pelo o que vocês fazem fora desta casa. — disse Moira com um tom cruelmente calmo. — O que aconteceu ontem foi um absurdo!
— Nós não manchamos a sua imagem perfeita, vovó. — disse Kiera ácida.
— Oh querida, não seria a imagem de Moira que você iria manchar, ou a imagem de seu pai. Seria a sua e toda a credibilidade que você tanto preza descendo pelo ralo. Queria sair em capas de revistas quase semi-nua? O que os olheiros iriam pensar, Kiera? Não estamos falando deles e sim de você, do seu futuro! Você sequer pensou nisso, pensou? — perguntou a Sra. Lance e Kiera voltou á abaixar a cabeça, envergonhada.
Levar bronca de Moira poderia ser ruim, mas da Sra. Lance? Era horrível!
— É sério que estamos tendo essa conversa? — perguntou Kellan cansado.
— É sério que você deixou a sua irmã de dezesseis anos beber á ponto de entrar em um coma alcoólico ou pior? — perguntei frisando muito a palavra "pior" e Kellan suspirou.
— Eu não sabia que ela iria também. Eu nem me lembro te visto ela lá. — ele rebateu.
— Mas você se lembra de ter ficado beijando Alannah a noite inteira, não lembra? Ou lembra de ter virado garrafa atrás de garrafa? Também se lembra que você me disse que estaria na casa de Nate e não em um festa, não lembra? — eu perguntei e ele me encarou sem palavras. — Foi o que eu pensei.
— Lissy...
— Poupe saliva, Kellan. Você mentiu e foi pego. — eu disse cortando ele.
Ficamos em silêncio até que eu vi Kiera fungando e lutando com suas lágrimas.
— Você não vai falar nada? — perguntou ela com a voz rouca olhando para Oliver.
Oliver se virou e estava sem expressão alguma e se sentou ao meu lado.
Seu corpo radiava tensão.
— O que você quer que eu fale? Que eu saí as pressas com medo de alguém entrar naquele banheiro onde você estava e te machucar? Ou que eu tive que arrombar a porta porque você estava bêbada demais para ficar em pé e abrir? — ele perguntou com uma voz serena e Kiera derramou uma lágrima solitária, já Kellan esfregou o rosto com suas mãos. — E você. Quer que eu fale que tive que te trazer nos ombros desde o portão porque estava bêbado demais que nem conseguia andar? Que você só não foi preso por um golpe de muita sorte?
Kellan não gostou das palavras do pai, mas elas não deixavam de ser verdade.
— Ou que eu e Felicity ficamos limpando o vômito dos dois a madrugada inteira? Dando banho em dois adolescentes de 17 anos como se fossem bebês de 2?
Os dois olharam para mim e para ele, surpresos.
— Foi uma noite bem longa. — eu disse e Kiera limpou o rosto.
— Isso é muito hipocrisia para mim ouvir. — disse Kellan se levantando. — Você nunca se importou e você é paga para se importar.
As palavras de Kellan foram como socos no estômago e na cara ao mesmo tempo.
Doeram mais do que deveriam doer.
— Então, você fez tudo isso para chamar a minha atenção? — perguntou Oliver e Kellan parou perto da porta e se virou para nós. — Parabéns, você conseguiu ela.
— Nossa, se encher a cara era o que eu precisava para chamar atenção, deveria ter bebido todo aquele álcool no enterro de mamãe. — disse Kellan olhando para Kiera que havia se recomposto. — Oh sim, você já fez isso sozinho. Foda-se, estou saindo.
Senti Oliver ficar rígido ao meu lado e me levantei do sofá. Olhei para Kellan e caminhei até ele. Observando atentamente seu comportamento e seu olhar, eu conseguia dizer com a mais absoluta certeza que ele se arrependia da noite passada, mas não aceitava que seu pai ausente lhe desse sermões.
Mas eu não era o pai ausente.
— Sim, eu sou paga para me importar com você. — eu disse. — Eu poderia ter deixado você engasgar no próprio vômito no primeiro dia que entrei nesta casa, poderia ter deixado a sua irmã ser alvo de bullying na escola ou poderia ter deixado sua outra irmã com o pulso aberto agonizando de dor. Eu poderia ter deixado você se foder naquele teste de direção...
Ele trocou o peso de uma perna para a outra, desconfortável.
— Mas eu fiz tudo isso, porque sou paga para me importar. — eu repeti suas palavras e ri sem um rastro de humor. — Você pode estar com raiva de seu pai por ele ser ausente. Pode estar com raiva da sua avó por ela ser do jeito que é. Você até pode estar com raiva de si mesmo, mas não ouse falar comigo deste jeito, porque eu sou aquela que esteve do seu lado este tempo inteiro, e no final o único que irá se machucar é você.
— Você não é minha mãe. — ele disse em voz baixa e seus olhos se marejaram levemente. — Ela está morta.
— Sim, ela está morta. E não, eu não sou sua mãe, pois se eu fosse, estaria mais do que desapontada por ter um filho como você. — eu disse e me virei para o restante.
Moira parecia levemente abalada pelo tudo que eu disse assim como a Sra. Lance, Oliver estava com aquela expressão no rosto que agora eu sabia identificar, ele queria falar algo, mas não sabia se iria melhorar ou piorar a situação. Eu já havia começado a notar o padrão de comportamento de cada um.
— Acho que esta é uma ótima oportunidade de vocês conversarem e colocarem os assuntos em ordem como família. Todos devem ter uma voz aqui... — eu disse gesticulando na direção de Kellan e Kiera. — Mas todos devem lembrar quem são os adultos e de quem pertence a palavra final.
Olhei para Oliver e ele assentiu minimamente entendendo minha deixa.
— Eu vou me recolher, acho que minha opinião como babá não deveria interferir em assuntos de família. E vocês todos precisam de uma conversa sincera sem distrações. — eu disse e com um último olhar para Kellan que estava olhando para o chão, eu saí da sala.
— Felicity... — chamou Kiera com a voz embargada, mas eu não me virei.
Me refugiei no meu quarto e tirei os óculos quando as lágrimas começaram a cair. Tranquei minha porta e deixei meu corpo deslizar até o chão.
Deus. Por que doía tanto?
Porque você sabe exatamente como eles se sentem.
Agora não é a hora, subconsciente. Eu não preciso de uma vozinha dentro da minha cabeça para me lembrar que meu pai me abandonou quando eu era pequena, eu não preciso de uma vozinha para me lembrar que assim como eles eu me isolei e machuquei minha mãe em todo este processo.
Amor.
Assim como Oliver, os gêmeos não sabiam amar e nem serem amados.
"Eles sofreram uma grande perda e eu sei que você tem um coração gigante, Felicity."
Deus, por que Digg me mandou para cá? Ele sabe como os Queen são e como eu sou. É um desastre certo. Eu iria me importar e iria me machucar no final. Boom. Dito e feito. Eu me importei e agora sentia o que parecia ser um fuzilamento dentro do meu coração. Escorreguei até o chão e limpei o rosto.
Era patético e cliché ficar chorando em um quarto escuro, mas acho que minha vida agora era sim. Tem sido por um tempo já. Ser babá e ter uma queda pelo chefe? Ter outra queda por um cara milionário e praticamente incansável depois de esbarrar nele continuamente? Cliché poderia ser o nome da minha biografia.
Apertei meus olhos e solucei baixinho. Isso era ridículo. Eu não chorava assim á eras. E por quê? Porque dois adolescentes remelentos encheram a cara e disseram algumas verdades para mim e doeu? Uau. Eu acho que não sou a super babá que pensei que era, mas essa não foi a primeira decepção desta noite.
Paciência. A vida não era justa com ninguém.
Estava na hora de todos nesta casa começarem a aprender isso.
Eu, principalmente.
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