Notas iniciais
Ciao! Iniciando uma maratona de atualizações depois de um mês sumida, espero que gostem! Obrigada á todos que comentaram na fic e no capítulo passado, alguém notou que eu finalmente consegui responder todos os comentários? ♥ Se sim, eu posso ser boazinha e continuar a maratona amanhã mesmo, se não... Bom, a gente vai vendo e eu aviso vocês hahaha Agradecimento especial para Isadora que recomendou a fic! Obrigada pelas palavras, chance e tempo que você deu a TPN! Esse capítulo é seu! Boa Leitura!

Eu estava encarando o teto branco, escutando os aparelhos ao meu lado fazerem seus ruídos irritantes. Recebia as visitas de vinte em vinte minutos das enfermeiras. Não gostei de nenhuma delas. Mamãe sempre que me via, caía em lágrimas e me abraçava. Pelo terceiro dia seguido.

Tudo isso se tornou uma rotina, e eu já estava de saco cheio.

— Boa tarde, Sr. Queen. Eu trago boas notícias para você. — disse Dra. Snow entrando no meu quarto com um sorriso. — Hoje é o dia da sua alta.

Eu assenti levemente. Ela se aproximou e desligou todos os eletrodos que estavam em mim. Tirando a dor de cabeça e a dor no corpo, eu estava ótimo. E isso estava completamente errado.

— Você quer ir ver as meninas? — perguntou ela e eu assenti. Parecia que eu tinha esquecido como falar. Nada saía. Nenhuma palavra. Ela me ajudou a sentar na cama e depois eu consegui me erguer sozinho. — Kiera apresentou bastante melhora em seu quadro. Ela está descansando agora, mas o hospital quer mantê-la por mais tempo aqui para monitoramento.

Eu assenti e saímos do meu quarto. Thea estava do lado de fora junto com Kellan e Kylie. Os três estavam dormindo, um se apoiando no outro. Slade estava á uma distância razoável perto do balcão de informações do andar privado.

Estava tudo calmo.

Estava tudo em silêncio.

Eu odiei.

— Sr. Queen? — chamou a Dra. Snow e eu me virei para ela. — Por aqui... Kiera está no quarto ao lado do seu.

Me arrastei em passos lentos até a porta branca ao lado da minha e a Dra. abriu, revelando um quarto sóbrio e espaçoso. Mamãe estava dormindo no sofá ao lado da cama onde Kiera estava deitada.

— Vamos sentar aqui... — disse a Dra. e eu me sentei na poltrona vaga ao lado da cama de Kiera. — Volto daqui a pouco com a papelada.

Eu assenti mais um vez e encarei o rosto pálido e machucado de Kiera.

Ela me lembrava tanto Sara, não tanto quanto Kylie, mas a semelhança era grande. O acidente foi como um pesadelo. Um pesadelo vivo. Cada segundo entre aquele caminhão e ela pareciam acontecer em câmera lenta, e não importava o quanto eu fui rápido para puxar ela e Felicity, ela ainda foi atingida.

Sua perna havia quebrado e ela tinha escoriações pelo rosto.

Respirei fundo.

Estávamos vivos no entanto. Eu estou vivo.

Estava respirando. Por eles. Kellan. Kiera. Kylie.

Agora mais do que nunca sabia que tinha que trazer eles para perto de mim novamente. Eu sabia que a vida foi muito benevolente comigo. Eu ainda tinha meus filhos. Eu ainda tinha minha mãe. Eu ainda tinha minha irmã. E eu ainda tinha motivos suficientes para viver, mas não queria.

Por que?

Essa era a pergunta de um milhão de dólares como John dizia.

Lembro das últimas palavras de meu pai antes dele entrar no Queen's Gambit com Quentin Lance, ninguém queria que aquela viagem fosse feita, todos foram contra, mas eles foram mesmo assim. E nas primeiras noites recebíamos ligações e relatos sobre o dia no mar, até que no quinto dia no mar elas pararam.

Meu pai sempre dizia que não devemos correr da morte. Se ainda tivermos algum propósito na vida, ela sabe que ainda não é a sua vez. Se ainda temos algo á aprender, ela sabe esperar. A morte é alguém que devemos acolher como uma antiga amiga e não um bicho de sete cabeças. Eu costumava achar essa linha de pensamento mórbida demais, mas depois do que aconteceu? Eu fico bem mais aliviado que quando foi a hora certa, meu pai estava conformado com seu destino final.

No meu caso, as coisas eram bem diferentes. Eu não morri, então não aprendi e muito menos fiz tudo que eu tinha que fazer neste mundo. Eu tenho que aprender a ser feliz novamente. Eu tenho que viver por meus filhos, sim, mas não porque eles são a única razão. Eu tenho que viver porque eu quero viver.

Olhei novamente para Kiera e apertei sua mão. Um simples toque me fez lembrar de como foi o dia em que nasceu. Foi uma bagunça. Ninguém estava preparado e Sara queria matar todos á sua frente enquanto agarrava a sua barriga inchada. Ri baixinho ao lembrar de suas ameaças idiotas do tipo: "Se vocês não tirarem essas coisas de mim, eu enfio meu sapato pela sua garganta" ou "Vocês tem que me dar as drogas boas, e não uma mini-injeçãozinha, vocês querem ver eu colocar este hospital para baixo?". Os primeiros passos de Kiera. A primeira palavra que foi "papa" e deixou Sara furiosa, mas ao mesmo tempo orgulhosa pela nossa filha. O primeiro ano. O primeiro dente caído. O primeiro dia na escola que Sara chorou horrores. O primeiro acampamento que fez Sara pesquisar todos os tipos de repelentes fabricados no mundo.

E depois mais nada.

Sara morreu e Kylie nasceu.

No primeiro cenário eu culpei Kylie pela morte de Sara, e depois quis me matar por sequer pensar deste jeito. Uma emergência no berçário me fez sair do necrotério mais cedo do que eu planejava, e ver aquelas mãozinhas miúdas balançando no ar, elas devolveram o fôlego do qual eu havia segurado por tempo demais. Eu entendi o sacrifício de Sara. Eu entendi o que realmente significava ser um pai.

Não fez doer menos, mas eu consegui uma pequena e falhante luz no meio da escuridão que havia me engolido. A mesma escuridão que eu não iria permitir tocar em nenhum dos três enquanto eu estivesse vivo. Nos primeiros dias eram apenas refeições juntas e algumas histórias para dormir. Depois apenas uma refeição. Um feriado. E de pouco em pouco me tornei um fantasma naquela casa e mantive a escuridão longe de todos eles.

Hoje eu sei que foi uma má decisão, mas naquela época parecia ser a melhor escolha do meu leque. Não me arrependia. Iria escolher assim novamente se fosse dada a chance.

Beijei a mão de Kiera e notei que estava chorando. Deus.

— Pai? — chamou uma voz rouca e baixa e eu me levantei na hora.

Kiera abriu os olhos preguiçosamente. Parecia cansada e fraca, mas sua mão apertava a minha com bastante força e estava quente. Ela piscou algumas vezes e eu me recuperei.

— Hey... — eu disse e ela ficou olhando para mim.

— O que aconteceu? — perguntou e depois com sua mão livre tocou a garganta.

— Descanse, Kiera. — eu disse e ela me encarou e depois assentiu.

Eu repousei sua mão no colchão e ela abriu os olhos rapidamente.

— Não vai...

— Nem pensei em ir. — eu disse e voltei a me sentar na poltrona.

Ela sorriu levemente e se entregou ao sono.

—-

A visão que a janela me oferecia me deixou estático. Meus olhos estavam focados em um ponto. Eu reconhecia esse sentimento. Essa sensação. Parecia um dejá-vú doloroso. O quarto. Os aparelhos. A cama. E a mulher loira ali dentro.

Felicity foi o pior quadro de nós três. Ela foi posta em coma induzido para o inchaço de sua cabeça diminuir devido á batida em seu crânio, e seu corpo se recuperar. Dra. Snow não me contou toda a verdade e eu fiquei agradecido por ela não ter contado. Só aquela imagem já estava me fazendo encolher como um garotinho com medo.

Meus pulmões não queriam trabalhar.

Todas as escoriações, os hematomas, os fios ligados á ela... Céus.

Eu precisava dela. Não conseguia nem pensar em algum quadro médico que não dissesse que ela ficaria bem e voltaria á dançar e gritar com todos pela mansão. Nós tínhamos um acordo. Eu me importava com ela. E isso não tinha mais volta.

Eu não queria que tivesse volta.

Fechei meus olhos quando o fantasma de Sara morrendo em meus braços voltou para assombrar minha mente mais uma vez. Não. Ela não. Senti as garras negras recuarem um pouco, mas ainda estavam ali. Tudo parecia muito pior do que naquela época. O porquê disso ainda era uma grande incógnita para mim. Eu me sentia completamente impotente.

— Oliver? — chamaram e eu me virei lentamente.

Donna Smoak. Suas roupas com cores vibrantes foram substituídas por moletons e jeans gastos. Seu rosto feliz estava abatido e suas linhas de expressão mais visíveis. Ela parecia bem melhor do que mamãe, mas sabia que não estava em posição para igualar as duas.

— Quer um café? — perguntou e eu neguei.

— O que aconteceu com ela? — perguntei com um tom de voz baixo.

— Quando Kiera caíu, Felicity a puxou, mas as duas caíram. Um paparazzi conseguiu tirar Kiera da rua quando você apareceu ela também, mas quando virou para pegar Felicity, não houve tempo do caminhão desviar de vocês dois. — ela contou e apertou meu ombro levemente. — Está se sentindo melhor?

Essa compaixão era hereditária?

— Estaria melhor se ela não estivesse ali dentro. — fui sincero e ela assentiu.

— Ela vai sair dali logo e depois irá gritar com todo mundo. — ela cochichou e eu sorri um pouco. — Oliver quero faça duas coisas por mim.

— Diga. — eu respondi sem hesitar e sem tirar os olhos da babá dos meus filhos que parecia estar dormindo.

— Primeiro, vá ver seus filhos e mostre seu amor por eles. — ela disse e tocou meu braço levemente. — Eu sei o quanto isso pode ser difícil para você, mas faça de qualquer jeito. Eles precisam de um pai agora mais do que nunca.

— E a segunda coisa?

— Quando minha filha sair dali, pare de enrolar e me dê netos lindos. — ela disse sorrindo e depois foi até o balcão de informações do andar da UTI falar com a enfermeira. E eu fui fazer o que ela mandou eu fazer. Pelo o que eu conseguia fazer agora.

Não ousava em nem pensar por muito tempo em todos os momentos que tive com Felicity Smoak. Ou eu iria começar a me desesperar, e com desespero a escuridão voltava. Voltei para o andar em que estava instalado e vi mamãe abraçando Thea, enquanto Kylie e Kellan estavam sentados com expressões sonolentas.

— Ollie! — exclamou Thea assim que me viu sair do elevador. Eu ainda estava com aquele pijama estranho hospitalar, mas pelo menos não era uma daquelas camisolas descartáveis. — Trouxe suas roupas.

Eu assenti e me virei para Kylie. Ela estava com a mesma roupa de ontem e parecia cansada demais para uma criança. Kellan não estava atrás.

— Hey... Vamos para casa? — eu perguntei quando a peguei no colo. Ela negou com a cabeça. — Por que não?

Ela exibiu o pulso e eu vi uma pulseira ali. Colorida e cheia de contas com letras.

"F & K, Para Sempre ♥"

Ela batucou o indicador na letra "F" e eu entendi tudo.

— Ela está dormindo. E eu acho que ela gostaria que você dormisse também... — eu disse e ela pareceu indecisa agora. — E a Lily? Acho que ela pode estar com saudade de você.

Ela pensou. Respirou fundo. E assentiu por fim.

— Vamos para casa então. — disse mamãe atrás de mim.

— Eu fico com Kiera. — disse Thea e eu assenti.

Kylie quis ir dar um último beijo em Kiera e eu fui me trocar. Tirei o pijama hospitalar e vesti as roupas que Thea trouxe para mim. Assim que saí pronto do banheiro, vi Kellan sentado na minha cama. Ele parecia o mais abatido de todos nós.

— Kellan? — chamei e ele maneou a cabeça.

Fui até a sua frente e vi que ele encarava o chão.

— Eu não... — ele disse e respirou fundo. — Eu não consigo ir lá em cima.

Ah sim, ele foi o único que não foi ver Felicity ainda. Dr. Snow havia comentado ontem. Ele esfregou as mãos no rosto e depois fechou os olhos com força. Antes que qualquer lágrima pudesse escorrer em seu rosto, eu o puxei para cima e fechei meus braços ao seu redor.

— Pai... — ele disse e me apertou com bastante força.

Minhas costelas protestaram assim como o meu corpo inteiro, mas eu não reclamei. Eu também precisava disso, e não me importava a dor que eu sentia no meu corpo. O alívio emocional era maior. Bem maior. Então eu o abracei de volta com toda a força que ainda me restava.

—-

— Oliver? Kiera? Kellan? — gritaram do hall, enquanto estávamos todos na sala de estar. Apenas juntos. Depois de um tempo, Laurel Lance apareceu debaixo do arco que separava a sala de estar do hall de entrada. Estava com o rosto manchado de lágrimas e as roupas amassadas. — Oh meu Deus!

— Tia Laurel? — chamou Kellan chegando e Laurel o engoliu em um abraço.

— Ah meu Deus! Vocês estão bem! Eu vi o acidente! Tem um vídeo... E é tão horrível... — disse Laurel gaguejando.

Eu teria levantando e ido pegar um copo de água para ela, mas Kylie estava dormindo no meu colo junto com Lily. Mamãe pareceu entender e serviu algumas doses de uísque. Bebeu uma e deu a outra para Laurel.

— Você está tremendo... — disse mamãe e eu vi que não apenas as mãos, mas sim o corpo inteiro de Laurel estava tremendo. — Beba.

— Onde está Kiera? — perguntou depois de virar o copo.

— Ela ainda está no hospital com Thea. — respondeu mamãe. Kylie se remexeu em meu colo e eu ninei ela até ela ficar quietinha de novo. Lily rolou de meu colo para o sofá, mas não acordou.

Mamãe começou a contar tudo para Laurel que ouviu atentamente e não disse nada. Quando o relato acabou, ela simplesmente abraçou Kellan novamente e Dinah que havia chegado com Joe e Slade.

— E a babá? O que vai acontecer com ela? — perguntou Laurel depois que tudo se acalmou. Depois que ela se acalmou.

Felicty está na UTI ainda, seu estado é crítico ainda. Estão esperando ela se estabilizar para fazerem outra cirurgia. — respondeu mamãe e eu trouxe Kylie ainda mais perto.

Eu estava agarrado na esperança, que parecia ser minha única amiga agora. Na esperança que Felicity iria se recuperar logo. Eu precisava acreditar nisso. Eu estava cansado, os músculos voltaram a doer, sentia que meus curativos precisavam ser trocados, mas o pior era o frio. O mesmo arrepio que senti quando entrei naquele necrotério seis anos atrás. Eu estava sentindo frio, mesmo tendo o corpo quente de Kylie junto de mim. Eu precisava acreditar que conseguiria sobreviver á tudo isso novamente.

Felicity não podia simplesmente... Morrer. Não. Ela não podia.

Apenas o fato de saber que ela estava lá dentro daquele quarto branco apenas esperando para entrar na sala cirúrgica novamente, correndo risco de vida, era o que mais me preocupava. Mesmo com Donna no hospital, ela estava sozinha. Meu peito se comprimiu de um jeito que eu não senti á muito tempo. Ofeguei levemente. Eu tinha que manter o controle da minha mente que teimava em projetar cenários horrorosos, e o controle das emoções. Difícil. Era tão difícil. E eu estava sem prática, mas sempre podia tentar.

Depois da morte de Sara, o caminho para a auto-destruição foi a escolha mais fácil que eu fiz. A mais simples. Prática. Me refugiar para o canto mais sombrio e apenas ficar lá. Alguns dias passavam mais rápidos que outros. Mas com Felicity, uma forma torta, nova, me fazia recusar qualquer diagnóstico que não previsse uma grande melhora em seu quadro.

O porquê, eu não sabia.

Eu não sabia nada em relação á Felicity Smoak.

Eu queria mudar. Recomeçar.

Sim, recomeçar, mas não sabia como. Felicity é quem estava me ajudando com isso até agora. E agora ela está lá. Deitada naquele quarto branco. Sozinha. Eu quero gritar para ela acordar e voltar a me ajudar na estúpida Operação Babá, mas me sentia mudo.

Eu já sabia o quão amarga á morte é. Já provei quando meu pai morreu, quando Quentin morreu, quando Sara morreu... Mas eu sobrevivi. Meu coração parecia estar destruído, mas ainda batia. Lentamente. Ritmado com as respirações lentas que Felicity dava no hospital com ajuda de aparelhos.

— Oliver? — chamou mamãe e eu tirei o nariz do cabelo de Kylie e a fitei. — Vá por ela na cama. Tome um banho e seus remédios. E vá dormir.

Eu assenti e levantei com certo esforço, mas Kylie não acordou. Lily por outro lado, sim. A cadelinha ficou levemente preguiçosa, mas me seguiu escada á cima e ainda até empurrou a porta do quarto de Kylie para mim. Tão pequena e tão inteligente. Assim como a dona.

Troquei a roupa de Kylie por uma camisola e a cobri com a manta. Lily se deitou perto de sua barriga. Dei um beijo de boa noite em Kylie e afaguei a cabecinha de Lily. Deixei o abajur ligado para caso Kylie tiver um pesadelo. Eu sabia que ela tinha tendência á ter muitos, ainda mais se Felicity não estivesse dormindo com ela.

Saí do quarto e encostei a porta levemente. Ao me virar para sair do corredor, algo na parede me fez parar. Era um quadro. De Kiera, Felicity e Kylie. Elas estavam sorrindo e sujas de sorvete. Apoiei meu braço na parede, em um dos lados do quadro e abaixei a cabeça.

Meu corpo estava doendo. Meu curativo precisava ser trocado.

Me encaminhei para o meu quarto. Me despi no caminho até o banheiro e arranquei o curativo no ombro. Doze pontos. Um estilhaço de metal da colisão entre o caminhão e os carros que estavam perto de nós havia ficado preso em meu ombro.

O box de vidro me recepcionou e o jato de água quente me acolheu.

Durante quatro dias, eu não me permiti pensar em nada além da recuperação de Felicity e Kiera. Agora Kiera já estava estabilizada. O que era um grande alívio, mas agora era Felicity quem recebia toda a atenção do meu subconsciente.

Aquela noite na piscina.

Aquela noite no quarto dela.

Aquela noite no meu quarto.

Ela é teimosa, topetuda e insuportável, ás vezes. Ela é amorosa, carinhosa, e apaixonada também. Companheira. Deus. Por que parece que estou preso em um quarto sem porta e janelas? No escuro? Porque Felicity era aquela pequena e falha luz me fazendo companhia dentro da escuridão.

E a sensação das garras negras no peito só me lembravam que ela estava começando a ficar mais fraca á cada segundo. Ela estava se apagando. E eu não podia fazer nada contra isso.

—-

— Oliver... Você deveria estar em casa! — ralhou Donna assim que me viu no corredor até a UTI.

O horário de visitas era bem restrito, mas eu poderia observar Felicity através da janela. Simplesmente não conseguia dormir. E depois de deixar um Kellan insone encarregado de Kylie, simplesmente decidi vir para cá.

— Eu não consigo dormir sabendo que ela ainda está aqui. — eu fui sincero e caminhei até a janela. Mas não encontrei nenhuma loira por ali. Apenas um senhor de idade, uma adolescente e uma mulher. — O-Onde está ela?

— A cirurgia foi um sucesso. Eles conseguiram extrair o coágulo do cérebro dela e agora... Ela está vindo para o quarto, estão limpando ela. Sem mais cirurgias para Felicity. — disse Donna e parecia estar bem aliviada com as notícias. Eu quase desabei no chão com suas palavras. — Eu iria contar para vocês amanhã, e chamá-lo para o horário de visita.

Deus... Obrigado.

— Uma enfermeira deve vir aqui avisar quando ela estiver lá... — ela disse e sorriu com os olhos marejados. — Minha bebê está melhor!

— Sim, ela está. — eu disse sorrindo sem ao menos perceber, e Donna me engoliu em um abraço. — Ela está bem, Donna.

Depois de alguns minutos, ela me soltou e minhas costelas agradeceram.

Foi até o banheiro dar um jeito na rosto marcado de choro, quando uma enfermeira veio até mim. Ela era baixinha, negra e tinha um cabelo bem curto.

— Felicity Smoak? — perguntou e eu assenti, alerta. — Quinto andar. Quarto 210.

— Obrigado. — eu disse indo em direção aos elevadores.

Não foi difícil achar o quarto de Felicity. O que foi difícil foi abrir a porta e ver o que tinha do outro lado dela. Minha mão estava congelada na maçaneta. O quarto tinha paredes azuis, mas a garota entubada e machucada ainda estava deitada na cama, imóvel e cada vez mais pálida. Sem resistir, caminhei até lá e toquei sua mão.

Gelada demais.

Tirei um dos fios de cabelo que estavam fora do lugar e toquei sua bochecha. Estava faltando aquele rubor adorável, e calor que só Felicity tinha ali. Olhei para uma das telas que estavam ali perto e vi o batimento cardíaco dela. Ritmado. Assim como a minha respiração. Chegava ser engraçado até.

Puxei a cadeira e sentei ao seu lado.

Segurei sua mão com cuidado e esquentei ela com o meu próprio calor.

Era uma questão de espera, e sorte ou não, a escuridão me ensinou bem.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem! Indiquem! Recomendem! Favoritem! https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/779525/Coaching_Daddy/ L.W PS: Venham conversar comigo no Twitter! Meu nome por lá é @juju100_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics por lá também! PS²: Vamos bater #350 comentários? Ou mais uma recomendação?