The Perfect Nanny
13 Capítulo 13
Notas iniciais
— É guerra agora, Kiera!
Tirei os olhos do notebook no meu colo e olhei para cima á tempo de ver Kellan entrando na mini-van fulo da vida, enquanto Kiera vinha desfilando com um sorriso satisfeito no rosto. Ah meu Deus, a guerra de pipocas ontem, da qual Kellan ganhou, não foi o suficiente? Eu ainda estava tirando milho de pipoca do meu cabelo!
— Ow. O que aconteceu? — perguntei ao nervosinho do meu lado que me ignorou enquanto bufava mais que um búfalo.
— Own, ele está bravinho. — disse Kiera apertando a bochecha de Kellan que rosnou.
Sim, ele rosnou.
— Eu só comentei para o Instrutor Turner que talvez fosse melhor adiar o teste de direção do Kellan para segunda-feira que vem, já que da última vez ele quase atropelou a diretora no estacionamento. — disse Kiera ajudando Kylie com o cinto de segurança. — E venhamos e convenhamos, o seu cabelo não ajuda. Eu nem precisei dizer nada sobre as crianças e os sacrifícios satânicos.
— Estou começando a ficar criativo, você quer ficar sem sobrancelha ou sem cabelo? — perguntou Kellan olhando para o banco de trás.
Kiera ficou branca e começou a afagar seu cabelo enquanto eu e Kylie ríamos da interação dos dois. Fechei o notebook e liguei o motor. Era um dia praticamente normal na vida dos Queen.
— Se você ousar entrar no meu quarto, talvez eu deva ter uma conversinha com a Lana sobre você. — disse Kiera e vi pelo espelho que ela observava as unhas com um olhar falsamente despreocupado enquanto Kellan só faltava soltar fumaça de tanta raiva da irmã.
É, um dia normal.
—-
A Mansão Queen estava super tranquila. Moira estava ocupada com o leilão que seria em poucos dias e mal parava em casa junto com a Sra. Lance e Thea. Walter estava trabalhando também. A única agitação do meu dia era brincar com Lily e ajudar Kylie com o dever de matemática.
— Felicity?— chamaram e eu coloquei minha cabeça no corredor. Kiera. Seu cabelo e sobrancelhas estavam intactos. Ainda. Será que Kellan realmente teria coragem de raspar a irmã?
— Sim?
— O que achou? — perguntou apontando para a parede. Oh! Era o quadro de grafite que fizemos no Jolly Rogers todas juntas, semana passada. Ela pendurou na parede! — Está alinhado?
Dei três passos para trás e analisei. Sim, estava alinhado.
— Sim.
— Minha parede não tem mais espaço. — ela explicou meio vermelhinha e eu assenti. — Eu vou brincar com Lily.
Ri de sua desculpa e quando voltei para o quarto de Kylie. Ela tinha terminado o dever de matemática e estava fazendo o de russo agora. Sim, a garotinha tinha sete anos de idade e já estava aprendendo o básico de russo, chinês e francês.
Ela parecia saber o que fazer então voltei para o notebook e uma página do Starling City Post apareceu e quem estava bem na capa? Sr. Queen e Srta. Bertinelli. "O Titã dos Negócios e Princesa do Petróleo"? Sério, quem faz essas manchetes? Abri a matéria morrendo de curiosidade e li que a mídia havia fotografado os dois em alguns restaurantes sozinhos ou acompanhados dos pais de Helena ou de Moira e Walter.
Em uma das fotos, Kylie apareceu no colo do Sr. Queen.
Nenhum homem deveria ficar tão bonito assim segurando uma criança.
Lembro de ter pensado a mesma coisa sobre Tommy segurando Kylie.
Nem comece, você sabe o que aconteceu da última vez!
Okay. Espera. Essas fotos foram de noite passada?! Então, enquanto eu estava no meio de uma guerra de pipoca, Kylie estava jantando com as cobras?! Entendi agora o porquê dos maiores declinarem o convite de Moira. Eles consegue ler nas entrelinhas, e aparentemente eu ainda não tinha essa habilidade para com as coisas que Moira dizia. Ela parecia estar tão feliz ontem, pensei que quisesse uma noite diferenciada com os netos mesmos.
Oh, que ingenuidade á minha.
— Ahm... Kay? — chamei e ela levantou a cabeça dos livros. — Você jantou com o seu pai ontem?
Ela assentiu.
— Junto com noiva dele?
Ela assentiu de novo.
— O que você fez com ela? — perguntei e Kylie abriu o sorriso psicopata mais fofo do mundo. Ela negou com a cabeça e eu apertei os olhos. — Eu sei que você fez alguma coisa, Kay. O que foi?
— Eu posso ter, sem querer, cortado o cabelo dela... — ela sussurrou baixinho e eu arregalei os olhos. — Mas ela nem notou. Ainda. O sapo não funcionou, então...
Com isso, ela saiu correndo do seu quarto. Que sapo?! Busquei fotos da noite passada de Helena e vi um vão no meio de sua costas. Não era muito grande, mas ela com certeza iria perceber. Não sei como os paparazzis não haviam percebido! A mulher iria surtar.
Ignorei o olhar reprovador que estava recebendo do meu subconsciente, não sabia o porquê e nem queria, mas fiquei satisfeita. Muito satisfeita.
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— Kellan. — chamei cutucando ele no ombro. Ele resmungou, e não acordou. — Kellan.
— Cinco minutos. — ele pediu e virou de lado e eu ri.
— Kellan. — chamei de novo e ele soltou um suspiro enquanto abraçava seu travesseiro com a boca aberta. — Kellan!
— O que? — perguntou e eu ri. Ele se virou e me encarou com olhos confusos e a cara amassada. — Você matou Kiera?
— Não.
— Então me deixe dormir. — ele disse e rolou para o lado.
— Não... — eu disse e puxei seu ombro.
— Se você não quer ajuda para esconder o corpo da minha irmã morta, por que está aqui? — perguntou um pouco mais acordado e menos paciente.
— Eu vou te dar umas aulinhas de direção para você não fracassar totalmente naquele teste. — eu disse e isso chamou atenção dele. — Então se vista.
Ele assentiu e se levantou em um pulo, mas ao fazer isso, derrubou dois livros de robótica que estavam no pé da cama que fizeram um barulho que ecoou pelo quarto inteiro.
— Silenciosamente se não for pedir muito. — eu disse e ele pegou um montinho de roupa que estava em um puff preto e correu para o banheiro.
Esperei pacientemente enquanto ouvia barulhos vindo da porta. Desodorante. Descarga. Torneira. Escova de dentes. A torneira mais uma vez e Kellan saiu pronto de lá.
Nós descemos, nas pontinhas dos pés, até a garagem e eu peguei a Mercedes que já havia usado algumas vezes. Kellan sentou ao meu lado e eu liguei o carro. O motor nem fazia tanto barulho assim. Saí da garagem e um dos seguranças que estava na cabide perto do portão acenou.
Hm. Slade ainda não tinha aparecido na Mansão ainda?
Dirigi até o centro da cidade em silêncio, até achei que Kellan tivesse capotado do meu lado, mas ele estava bem acordado. Cheguei no estacionamento da Queen Consolidated e acenei para o segurança de plantão.
— Nós não vamos nos ferrar com isso, vamos? — perguntou Kellan e eu sorri quando o segurança abriu o portão do estacionamento. — Como foi que voc...?
— Eu sou Felicity Smoak, esqueceu? — eu perguntei de volta e Kellan ficou com a boca ligeiramente aberta.
Tudo bem, eu posso ter falsificado um e-mail da conta de Slade para o chefe de segurança do prédio liberando o estacionamento para nossa pista de treinamento, mas foi por uma boa causa! As notas de direção de Kellan eram menores do que as notas em seu boletim e isso já dizia muito. Ele tinha que arrasar neste teste e mostrar para a diretora que ele iria melhorar.
Dirigi até o último andar do estacionamento que era descoberto e estava completamente vazio e pronto para o nosso pré-teste. Saí do carro com o tablet em mãos, Kellan pulou para o assento do motorista e percebi que suas mãos estavam trêmulas quando ele pegou no volante.
— Ok, eu vou acompanhar daqui de fora. Você sabe o que fazer. — eu disse tirando uma macha de cabelo que entrou no meu rosto por causa do vento. — Pronto?
Ele assentiu e eu observei a tela. Estava tudo ótimo. Kellan acelerou e começou a dirigir pelo estacionamento, incrivelmente, bem. Por que suas notas de direção eram tão ruins se ele dirigia tão bem? Ele não derrubou nenhum cone sequer! Ainda precisava melhorar na baliza, mas ele dirigia muito bem.
— Kellan, por que suas notas são tão baixas se você dirige tão bem? — eu perguntei quando ele voltou para perto de mim. Ele desviou o olhar e ficou corado. Mesmo ainda estando escuro por ser madrugada, sabia que ele tinha corado. — Okay, vai de ré agora então.
Ele assentiu e fez o mesmo percurso. Digitei rapidamente em meu tablet e não demorei muito para descobrir que o tal Instrutor Turner era David Turner, pai de Alannah Turner. Awn, que fofinho. Ele estava nervoso porque era o pai de Alannah avaliando ele. E os comentários do coroa não eram lá os melhores. Kiera realmente não ajudou em nada dizendo que Kellan quase atropelou a diretora, o homem já achava que Kellan era satânico.
— Sabe o que nós podemos fazer para melhorar a sua imagem na frente do Instrutor Turner? — perguntei assim que entrei no carro novamente. O Sol já estava querendo nascer. Dei um voto de confiança para Kellan e ele foi dirigindo para casa desta vez.
— O que? — perguntou ultrapassando um caminhão de lixo habilmente.
— Primeiro, você tem que parar de matar aula e melhorar suas notas. — eu disse me soltando do cinto de segurança e mostrando o tablet para ele quando paramos em um farol vermelho. Ele acenou levemente vendo o quanto seu boletim estava apaixonado. — Segundo, você tem que dar um jeito neste cabelo.
Ele freou bruscamente e bati a minha cabeça no painel.
— Ai. — eu disse massageando a testa.
— Desculpe. O que vocês tem contra o meu cabelo? — perguntou ele voltando a dirigir normalmente sem freadas bruscas.
— Eu não tenho nada contra o seu cabelo, só acho que você deveria lavar ele mais vezes, mas isso tiraria a tinta mais rápido. — eu disse e nós viramos em uma curva. — Eu tive a minha fase Mortiça Adams também.
Começamos a conversar sobre esta minha fase e a ida para o MIT, a faculdade que Kellan também queria cursar, e o que ele queria para o futuro dele. Rimos de coisas idiotas do meu passado e eu contei mais histórias sobre meus empregos. O emprego no SexShop onde eu, acidentalmente, coloquei fogo em um vibrador. Ou o emprego no cinema em que eu, acidentalmente de novo, explodi a panela de pipoca.
Era divertido de lembrar. E Kellan riu. Bastante.
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— Curtis. Faça o seu melhor para deixar esse garoto loiro de novo. Ele tem um teste de direção em duas horas e tem que estar impecável. — eu disse com as mãos nos ombros de Kellan enquanto Curtis assentiu sorrindo.
Depois de muita saliva gasta, Kellan concordou em cortar e tentar tirar a tinta do cabelo. O teste de direção dele seria em poucas horas e ele só tinha que cortar aquele ninho de rato. Fiquei folheando uma revista na recepção enquanto Curtis cuidava dele e vi mais fotos do Sr. Queen com Helena em eventos chiques de Starling City. Em uma das fotos em particular, Helena estava com as mãos penduradas nos ombros do Sr. Queen e parecia muito feliz.
Você conhece a sensação...
Sim, e eu não preciso ser lembrada disso vozinha chata. Quase joguei a revista longe e concluí que precisava de um café urgente. Avisei Kellan que só respondeu um "Hm" enquanto recebia aquela massagem dos Deuses na cabeça. Fui até a Starbucks mais próxima, fiz meu pedido e esperei olhando um cartaz que dizia como era o processo de colheita do café.
— Felicity?— chamaram e eu me virei, dando de cara com Bruce Wayne.
Desta vez, ele estava usando jeans e o moleton. Aquele aspecto de nerd gostosão rondando ele de todos os lados possíveis. Uau. Eu sorri levemente e tentei não babar.
— Bruce. — eu disse depois de um tempo e ele sorriu. — Uau. Faz tempo que eu não te vejo.
— E isso é completamente sua culpa, porque eu te dei meu número. — ele disse com um sorriso brincalhão que exibia seus dentes perfeitos.
— Você deu? Sério? E eu não te liguei? — perguntei em disparada e o sorriso dele se alargou. — Eu realmente não lembro de você ter me dado. Você quer tomar um café?
Ele já está com um copo na mão...
— Ah! Você já está bebendo café. Quem sabe um drink? Tipo vinho ou uma cerveja... Não que eu queira te embebedar, longe disso! Você gosta de chá gelado? Quer tomar uma chá gelado? — perguntei e ele riu.
— Respire, Felicity. — ele disse colocando a mão em meu ombro e eu me derreti. — Eu adoraria tomar chá gelado com você.
Assenti.
— Você está passeando pelo shopping?
Assenti de novo.
— Está acompanhada?
Assenti mais uma vez.
— As crianças Queen?
Assenti novamente.
— Vai me dar seu número?
Assenti. Pescando o celular no bolso do moleton, ele me entregou, eu anotei meu número e meu nome foi gritado pela atendente. Peguei meu café e voltei para perto dele.
— Você tem que ir agora? — perguntou e eu assenti mordendo os lábios.
Ele se inclinou levemente e beijou minha bochecha, eu me derreti mais do que o café em minhas mãos que foi derramado na mão dele neste meio-tempo. Ele resmungou baixinho e eu comecei a me desesperar.
— Desculpe, desculpe mesmo... — eu disse e coloquei trezentos guardanapos em cima da mão dele. — Está doendo? Quer ir á um médico? Deus...
— Relaxe. — ele disse rindo. — Estou bem e já tive queimaduras mais sérias que essa.
Eu assenti e peguei meu café quentinho novamente e acenei um tchauzinho para Bruce que retribuiu, mas não antes de perguntar se ele estava realmente bem. Deus, ele era tão lindo. No caminho de volta para o salão, eu me derreti mais que a calda de chocolate por cima da espuminha do café.
— E aí? Ficou aceitável? — perguntou Kellan assim que eu cheguei perto de onde Curtis estava e quase derramei meu café. Novamente.
— Quem é você e o que você fez com a Peste N°1? — perguntei chocada ao ver ele se olhar no espelho inseguro enquanto mexia no cabelo ainda úmido. Ele estava fodidamente loiro e nunca pareceu mais com o Sr. Queen do que agora.
Paguei o corte de Kellan e quando andávamos pelo shopping fazendo hora até dar o horário de sua prova, eu flagrava Kellan olhar com dúvida para seu cabelo em algumas vitrines. Ele estava atraindo vários olhares de garotas e nem percebia! Acho que ele passou muito tempo sendo emo/gótico.
No caminho até de volta á escola, Kellan começou a tremer e suar. Nem a música, nem o meu falatório conseguia distrair ele. Não o culpava. O futuro sogrão que iria aplicar o teste, mas eu tenho certeza que o coroa iria ficar mais suscetível á aprovação quando visse o cabelo novo de Kellan. Até que hoje ele estava decente demais para ser Kellan Queen. Usando jeans e uma camiseta de mangas compridas, estava que estava dobradas até o cotovelo, e tênis.
— Relaxe e mantenha as mãos firme no volante. Finja que ele não está lá. Finja que você ainda está no estacionamento praticando comigo. — eu disse quando saímos do carro, já estacionado, enquanto o Instrutor Turner esperava Kellan com uma prancheta em mãos. Até que o coroa era bem conservado.
Kellan assentiu e foi até onde o Turner estava. Os dois trocaram um aperto de mãos silencioso e entraram no carro da auto-escola. Kellan foi até a pista e iniciou o circuito. Não derramou nenhum cone nas curvas. YES! Não atropelou nenhum dos bonecos no caminho. YES! Desviou de dois ônibus da escola em zig-zag. YES! E por fim, estacionou.
De onde eu estava dava para ver que ficou meio tortinho, mas como eles estavam dentro do carro, o Turner não iria notar. Então... Yes?! Os dois saíram do carro e eu levantei meus polegares para Kellan que sorriu levemente. O Turner falou alguma coisa para Kellan que o pegou de surpresa e depois entregou algo para a Peste N°1 que assentiu enquanto ouvia o que quer o homem falava. Mais um aperto de mãos e depois Kellan voltou para onde eu estava.
— E aí? — perguntei ansiosa, quase pipocando no chão.
— Eu acho que vou ter que tirar outra foto. — ele resmungou e mostrou a carteira de habilitação que tinha a foto do emo/gótico bem diferente do garoto na minha frente.
— AH! — eu soltei um grito e abracei ele. Kellan riu, mas não me afastou enquanto eu o apertava e pulava ao mesmo tempo. Depois eu entreguei as chaves da mini-van para ele. — Você dirige, Sr. Recém-Habilitado.
—-
Assim que passamos dos portões da Mansão Queen, eu vi a Sra. Lance e Kylie junto com sua fiel escudeira peluda colhendo rosas junto com Shado no jardim da frente, mas o sorriso forçado da Sra. Lance não me enganava. Da última vez que ela estava com aquela cara, Moira Queen estava quebrando a casa inteira.
— Pare aqui. — eu disse e Kellan assentiu. — Estacione na garagem depois.
Kellan assentiu e eu saí do carro. Deus, o que foi agora? Caminhei até a entrada com passos hesitantes, tomando cuidado para não levar uma outra quase-garrafada na cabeça e entrei na casa. O hall estava vazio e a sala de música fechada. Okay. Terreno limpo. Fui mais para frente e escutei os gritos, mas não era de Moira e sim de Kiera.
— Eu não vou aceitar esse casamento.— gritou Kiera saindo da sala de estar, vindo logo atrás dela estava o Sr. Queen e Helena. Com cabelo cortado nos ombros.
— Kiera... — agora foi Moira.
— Não. A resposta é "Não". — ela gritou e parou no começo das escadas.
— Você não pode diz...
— Se você disser "Sim, eu aceito", prepare-se para viver em um inferno. — disse Kiera olhando alternadamente para o Sr. Queen e Helena.
Moira apareceu logo depois com um sorriso? Ela estava adorando o escândalo! Com isso dito, ou melhor gritado, Kiera subiu as escadas e depois uma porta se bateu.
— O que que deu nela agora, Lissy? — perguntou Kellan entrando atrás de mim com um ar brincalhão. — Ela quebrou outra unh...? Oh.
Bem-vindos á 4° Edição dos Jogos Babalísticos, e que Kylie sempre esteja ao seu favor!
Eu acenei em concordância ao meu subconsciente que estava vestindo sua armadura para a batalha eminente. Ainda não sabia quem ia lutar contra mim, sabia que ficaria do lado de Kellan.
— Onde vocês estavam? — perguntou Sr. Queen depois do que parecia ter sido dez minutos puros de silêncio desconfortável no hall de entrada.
— Você se importa agora? — perguntou Kellan de volta.
Ow. Ponto para Kellan. Eu não podia responder o Sr. Queen assim, na verdade eu até podia, mas ficaria desempregada e eu já brinquei com a sorte várias vezes e não queria me foder de vez. Kellan tomou essa pelo time hoje.
Alguém precisava dizer, certo?
— Nós estávamos no teste de direção de Kellan. E ele passou. — eu disse orgulhosa e Kellan revirou os olhos. Ele era tão parecido com Kiera quando fazia isso.
Duh. Eles são gêmeos.
— Uau. Meus parabéns. — disse Helena com um tom envergonhado.
— Sim, meus parabéns. — disseram Oliver e Moira juntos.
— Obrigado, Srta Bertinelli. — respondeu Kellan quando eu belisquei ele bem discretamente. Ficou claro que os agradecimentos eram só para a morena no recinto e ninguém mais.
— Ahm, eu vou checar Kiera. — eu disse quando recebi um dos olhares impassíveis de Sr. Queen.
Foi impossível não me lembrar de certas coisas da madrugada gelada na piscina.
— Srta. Smoak, ela já tem 16 anos e é bem grandinha. — disse ele e eu congelei na escada. — Kiera só quer chamar atenção.
— Ela não teria que fazer tudo isso se você desse atenção á ela, Oliver. — disse Moira.
Ow. Ponto para Moira.
É impressão minha ou estão todos contra Oliver Queen?
Sim.
— Felicity, vá preparar Kylie para o jantar, por favor. — disse Moira e eu assenti indo na direção oposta e arrastei Kellan comigo, porque se olhares matassem...
—-
— Boa noite, família... — disse Kiera aparecendo na sala de jantar com o cabelo molhado. Ela deveria ter vindo direto do banho depois de praticar a tarde inteira no estúdio de dança. O sorriso dela morreu assim que viu Helena e o Sr. Queen na mesa. — Oh, retiro minhas palavras.
A mesa foi servida. Moira estava em uma cabeceira, o Sr. Queen na outra com Helena ao seu lado. Kellan, Kiera, Kylie e eu estávamos bem no meio da mesa longe deles á qualquer custo. Penne á bolonhesa. Corri e coloquei um guardanapo no pescoço de Kylie antes que ela pudesse alcançar os talheres na mesa. E depois coloquei o meu guardanapo em seu colo, você sabe... Só para garantir.
Moira parecia mais do que satisfeita com a situação e isso me deu arrepios. Onde estava Walter mesmo? Ah é, trabalhando no banco. Merda. Eu estou, literalmente, sozinha no meio de um fogo cruzado. Thea estava fora também visitando algumas boates que eram sua concorrência e a Sra. Lance sabia melhor do que ficar na mesa com o resto de nós.
— Então Helena, o que você gosta de fazer? — perguntou Moira bebendo de seu vinho.
— Ahm, eu gosto de pintar e tocar violino. — a morena respondeu e eu ajudei Kylie á enrolar o penne ao redor do garfo.
— Está envolvida em algum projeto?
— Sim, eu estou trabalhando em conjunto com Bruce Wayne no centro juvenil que a empresa dele está construindo no Glades. — ela disse e eu olhei para ela quando ela mencionou o nome de Bruce.
Eles estavam trabalhando juntos? Hm. Não me importo.
Não mesmo?
— Você terminou a faculdade, não? Sua madrasta comentou no jantar que você tinha terminado. — disse Moira e Helena assentiu segurando o garfo no ar.
— Sim, senhora. Oxford foi uma experiência maravilhosa.
— Em que campo irá trabalhar? — perguntou Moira e Helena suspirou baixinho ainda com o garfo no ar. A massa estava deliciosa e o molho divino. Quando Joe e a Sra. Lance trabalhavam juntos na frente do fogão... Deus, eu já engordo só com o pensamento disso.
— Eu não sei ainda, quero me dedicar á filantropia. — respondeu Helena e finalmente colocou o garfo dentro da boca. — Eu acredito que as pessoas, inclusive os jovens, não devem ter medo do mundo. Afinal, o mundo será deles.
Moira levantou uma das sobrancelhas. Ela era uma ótima atriz. Acho que aquele interesse que parecia tão genuíno estava enganando todos na mesa, até o Sr. Queen, mas eu sabia com toda certeza do mundo que ela estava planejando alguma coisa contra esse noivado... Casamento... Ah, contra Helena. A morena não era tola ou muito menos ingênua, sabia com quem estava lidando e frases feitas e discursos motivacionais não impressionavam Moira Queen.
— Eu acho que medo por ser uma coisa boa. — opinou Kiera pousando seus talheres no prato ruidosamente.
— Por quê, Kiera? — perguntou Helena e Kiera sorriu.
Sim, ela sorriu. Posso entrar em pânico agora?
Sim.
— Medo pode ser uma coisa muito boa, porquê ele te previne de subestimar as pessoas erradas. — disse Kiera e Sr. Queen pousou seus talheres ruidosamente também.
Ele também sabia onde isso iria dar.
Não é que ele conhecia bem os filhos apesar de ser um pai de merda?
— Você sabe... De cometer erros sobre o quanto você pode atacar uma pessoa, até que ela ataque de volta. Sobrevivência vem do medo. — disse Kiera observando as pontas de seu cabelo.
— Você fala como se fosse uma sobrevivente, Kiera. Como se tivesse sobrevivido á um campo de concentração ou á uma noite inteira com Donald Trump. — disse Helena querendo fazer graça e Kiera apenas se recostou em sua cadeira. — Acho que temos isso em comum.
— Mães mortas, Helena. — disse Kiera e eu vi que ela terminou seu prato mais rápido que Kylie. — Essa é a única coisa que temos em comum.
Todos pararam de comer, menos Kylie que não estava dando a mínima bola para a conversa na mesa. Graças á Deus. Kellan olhava sua irmã com um olhar bem estranho, era o mesmo olhar que eu recebi da Sra. Queen dias atrás. Moira estava encarando o filho, e o filho encarava a filha dele. Chocados. Era exatamente o nome para se dar nas expressão dos Queen. Eles estavam chocados.
Oh sim, tocar no nome de Sara Queen entre essas paredes era no mínimo polêmico.
— Kiera, eu acho que está na hora de você ir fazer o seu dever de casa. — eu disse com toda a coragem que eu tinha quebrando o silêncio e ela assentiu e saiu da mesa com elegância.
Kellan pareceu ficar realmente interessado em como as coisas iriam seguir e mesmo tendo terminado seu jantar, ele ficou na mesa. Kylie subiu para ficar com Lily e, esperançosamente, se aprontar para dormir sozinha, porque eu não iria sair desta mesa até Kellan sair também.
— Querido, eu vi que você cortou seu cabelo e devo dizer que ficou lindo. — disse Moira colocando a mão no braço de Kellan que sorriu para a avó, sinceramente, e assentiu.
— Kellan, eu gostaria de perguntar um favor á você. — disse Helena e eu me virei completamente para ela agora.
O que ela quer com a minha Peste N°1?
Se acalme.
Para o inferno a calma. Eu estou morrendo de vontade de enfiar todo aquele macarrão restante no prato dela, goela é abaixo, e ver ela sufocar até a morte por causa de um simples pelinha de tomate. Respire. Inspire. Respire. Inspire.
Suspire agora.
— Como eu disse, estou trabalhando com Bruce no centro juvenil. Você acha que alguém da sua escola iria se interessar? — perguntou ela e Kellan sorriu, agora ele que parecia estar chocado.
— É um centro juvenil, Srta. Bertinelli. No Glades. — ele pontuou e ela assentiu. — Eu achei que você estava fazendo isso pelo bem da comunidade, mas se quer atrair os alunos da minha escola, faça um centro em Lamb Valley.
Helena assentiu. Bom, ele foi educado pelo menos.
— Vou ser sincero com você, Srta. Bertinelli. Aqui mesmo. Na frente de todos. Eu não tenho uma opinião negativa sobre esse noivado. Eu realmente não me importo com quem meu pai vai casar. — ele disse dando ombros e se virando para Helena. De igual para igual. Ele parecia tão adulto agora. — O que eu me importo é ter dois estranhos na minha casa onde eu moro com as minhas irmãs querendo bagunçar a nossa rotina com presentes, festas e sabe-Deus o que mais você tem planejado para comprar Kiera.
— Uh, Kellan...
— Não precisa se dar ao trabalho de parecer envergonhada, Srta. Bertinelli. Nem eu e nem minhas irmãs vamos entrar no seu caminho diretamente, mas nós chegamos primeiro que você. Não o contrário. Tenha isso em mente. — ele disse firme e olhou para a avó e o pai. — Todos vocês, na verdade.
— Kellan, querido. Não está na hora de ir dormir? — perguntou Moira.
— Eu não tenho sete anos, Vovó, mas se isso for um pedido para eu sair da mesa... — ele se levantou e eu também. — Eu fui criado com tubarões, e chegou em um ponto que eu aprendi a não sangrar. Você deveria aprender também se realmente quer viver por aqui, Srta. Bertinelli.
Eu pedi licença e saí também.
Deus.
Todos os jantares seriam deste jeito se eles se casassem? Kiera soltando indiretas bem diretas para Helena. Moira fingindo ser a sogra do ano. Kellan em cima do muro, eu não sabia ao certo se ele queria ou não que o pai se casasse, mas se essa guerra que ambos os lados tanto ameaçam em ter realmente se tornar realidade, eu sei que ele iria ficar do lado de Kiera. E os dois iriam proteger Kylie. E eu, com certeza, iria proteger os três.
Em meio tanta tensão, ódio e movimentos contra matrimônio ocorrendo na Mansão Queen, eu percebi que Moira estava mais carinhosa com os três. Elogiou o cabelo de Kellan, limpou o molho da boca de Kylie uma vez durante o jantar e olhava para Kiera com orgulho. Ela não estava mais berrando ordens pela casa inteira, ou muito menos pressionando á mim ou á qualquer outro empregado.
Algo aconteceu com ela e isso a mudou.
Para melhor ou para pior?
Não sei, subconsciente. A parte boa é que eu não estou com o medo que sentia antes dela. Esse medo foi direcionado para Kiera. Ela era a perigosa. E as palavras de Dig começaram a me atormentar.
—-
Flash-Back — On.
— Sim. Assim que estudar o contrato e o perfil de cada uma das crianças, você vai se encontrar com a Srta. Queen para uma entrevista formal. — explicou e eu assenti acompanhando seu raciocínio. — Acho que você só vai ter problema com a filha do meio. Kiera.
— Por que? — perguntei interessada ao abrir na primeira página do fichário.
— Não posso contar. Sigilo profissional. — ele disse.
Flash-Back — Off
—-
Será que ele poderia a me ajudar a entender Kiera por outra perspectiva? Por mais que ela esteja certa, que o Sr. Queen não leia mentes, eu vejo que este circo inteiro está machucando ela, mas qual seria a razão? Será que é por que o Sr. Queen "superou" a perda da Sra. Queen? Ou por que ela se sente realmente deixada de lado? Ele deu aquele colar lindo para ela. Tudo bem. Ela achou que ele estava tentando comprá-la, uma pequena parte de mim concordava, mas outra parte de mim quer acreditar que ele está tentando se reconectar com eles.
Prova A: O colar para Kiera.
Prova B: A aula com Kellan no Instituto Al Ghul.
Prova C: Ele pegou Kylie no colo na festa da Sra. Queen e eles tiveram um momento entre pai e filha. E depois mais um momento durante o jantar com os Bertinelli.
Eu não estava sendo tão ingênua assim de pensar que o Sr. Queen pode ser um cara decente, estava? Sara Lance-Queen, ela poderia ser a prova D que o Sr. Queen era um cara decente. De acordo com todo mundo nesta casa, ela era o amor em carne e osso e amava o Sr. Queen.
Ela morreu e ele mudou exatamente por isso.
Suspirei.
Kylie já estava dormindo quando eu cheguei em seu quarto. De pijama e de dentes escovados. E sim, eu senti o bafo e abri a boca dela para checar. Kellan estava deitado em sua cama, segurando uma bola de basquete e olhando para o teto. A ironia disso é que ele, pela primeira vez, pareceu uma garoto da sua idade.
— Boa noite, Kellan. — eu disse e olhou para mim na porta.
— Você não precisa vir aqui todo dia só para me dizer isso, Lis. — ele disse e eu sorri.
— Sim, eu preciso. — ele voltou a olhar para o teto. — Estou aqui do lado se precisar de qualquer coisa.
Ele assentiu e eu fechei a porta. Caminhei até a porta de Kiera e entrei no quarto. O chuveiro estava ligado e o pijama estirado em uma cadeira. A caixa com o colar estava perto de seus travesseiros, mas foi um papel no chão que me chamou atenção.
"Kiera, eu sei que a sua primeira reação á este colar será achar que estou tentando comprar uma trégua sobre o meu noivado com Helena, mas não estou. O seu bisavô criou um costume que passou para o seu avô e ele passou para mim. O costume em nossa família é passar o colar da bisavó Grace Queen em diante na hora certa, seu aniversário de 17 anos está chegando, então eu acho que a hora certa chegou. Ele já foi de sua avó, sua mãe e sua tia. Agora ele é seu. Faça bom uso."
Uau.
Será que é por isso que ela estava tão mexida quando eu a vi encarando o colar?
Coloquei o papel no exato lugar que ele estava no chão e fui até a porta do banheiro. E além do barulho da água do chuveiro, eu conseguia ouvir os soluços de Kiera. Abaixei a mão e desisti de bater na porta. Meu coração se apertou com Kiera chorando em seu banheiro sozinha, mas eu não podia forçá-la á falar comigo. Fui até sua escrivaninha e escrevi outro bilhete que a faria pensar um pouco mais sobre tudo isso.
"Eu sei que é mais fácil acreditar que ele quer te comprar com presentes caros e alguma atenção, mas é uma mão dupla Kiera. Por mais que você queira que ele esteja presente na sua vida, não vejo nenhum esforço para isso acontecer vindo de você. Sei que ele é seu pai e você não deveria fazer ele prestar atenção em você, mas as coisas não são sempre do jeito que nós queremos. Você pode declarar guerra contra Helena, contra sua avó e contra seus irmãos, mas se algo der errado, eu vou estar aqui para cuidar de você. A sua babá preferida."
Deixei perto do colar. Ela iria achar. Saí de seu quarto com o coração mais aliviado e dei de cara com Moira no corredor. Ela estava encarando o grafite que Kiera havia pendurado no corredor.
— Eu vou querer saber quando isso aconteceu? — perguntou e eu sorri.
— Eu acho que não, Sra. Queen.
— Felicity, eu acho que já passamos do ponto em que você para de me chamar de "Sra. Queen". — ela disse e se virou para mim. — Kellan e Kiera estão certos em se revoltarem contra Helena, parece que só assim Oliver presta atenção neles. E Kylie...
— O que tem ela?
— Quem você acha que ensinou as artimanhas que ela tanto pregava nas babás? Kiera. — ela disse e eu sorri um pouco. Irmãs, de fato. — E quem você acha que ensinou Kiera?
Ela estava insinuando que quem ensinou Kiera e consequentemente Kylie á aprontarem foi ela mesmo? Uau. Eu estou dizendo muito "Uau" para uma noite só, mas novamente, estávamos falando da família Queen. E agregados.
— Eu irei falar com meus netos e com meu filho. Não iremos ter paz nesta casa até que um acordo seja feito. — ela disse e suspirou. — Como se isso não bastasse, Kara decide ficar com pneumonia tão perto do leilão...
Me senti mal por Moira e por Kara. A primeira estava trabalhando muito para o leilão sair perfeito e de acordo com o plano e a pobre assistente estava com pneumonia. Era horrível. Eu já tive três vezes em um ano só. Era horrível mesmo.
— Eu posso tentar ajudá-la. — eu me ofereci, receosa. — Eu consigo fazer qualquer coisa desde que tenha um tablet ou um notebook em mãos. A não ser esconder um corpo, porque isso seria um crime e iria ser difícil achar um cachorro morto, muito carvão e vinagre.
Ela pareceu confusa por um breve instante.
— Kara é minha assistente pessoal. Ela iria recepcionar os convidados no leilão. Acha que pode fazer isso, Felicity? — perguntou e cruzou os braços como se tivesse me analisando com outra lente. — Pessoas importantes, políticos, famosos...
— Sim, eu consigo. — eu disse e ela assentiu. — Me perdoe, Sra. Queen, mas eu lido com a sua família e os amigos das mesma. Acho que eu sei com que tipo estou lidando.
— Irei mandar Kara te mandar os detalhes por e-mail e nós iremos nos reunir amanhã para montar o cronograma. Boa noite. — ela disse e depois caminhou em direção á ala proibida, mas algo á fez parar e olhar para mim novamente. — Por que usar carvão, vinagre e um cachorro morto?
— O vinagre acelera a decomposição do cadáver, o carvão tira o cheiro e seria mais inteligente enterrar debaixo de um cachorro morto caso os peritos forenses chegassem perto, iriam achar o cachorro e não o corpo em si. — eu expliquei e ela assentiu.
Ela estava sorrindo? Ah meu Deus, ela estava sorrindo!
Você está feliz por que a Medusa está sorrindo?
Ah, é. Deus. Ela estava sorrindo.
—-
Mamãe me mandou inúmeras mensagens só para me lembrar que o meu aniversário era no final de semana. Como se eu não estivesse ciente deste fato. Tecnicamente, hoje já é terça-feira. Minha folguinha. O leilão era na sexta á noite e meu aniversário no sábado. Eu iria conseguir aguentar uma noite com figurões engomadinhos e depois o furação Smoak em um curto espaço de horas?
Espero que sim.
Já era de madrugada e eu ainda estava acordada. Acho que estava esperando Kiera gritar e declarar morte á Helena. Coloquei meus óculos e me levantei da cama. Vesti um moleton e calcei minhas pantufas. Saí do quarto e desci as escadas, vou fazer um chocolate quente e assistir um pouco de TV.
Sim, ótimo plano.
Senti uma espécie de dejá-vú quando revi as luzes da piscina pela porta do final do corredor. Fechei os olhos e me recusei a lembrar do que aconteceu ou dos sonhos que eu tive depois do que aconteceu. Eu só tinha dado uns amassos com o meu chefe que é lindo e gostoso demais para próprio bem dele e agora ele ia casar, e os filhos estavam fazendo um remake da Guerra Fria dentro da Mansão. Por que eu aceitei este emprego mesmo? Hmm. O aluguel e a Netflix.
Entrei na cozinha e liguei as luzes. Peguei o leite, o achocolatado e mais uma vez assaltei o estoque de Joe atrás de mini-marshmallows, mas como ele não tinha, peguei a lata de chantily mesmo. Ascendi o fogo e coloquei o leite para esquentar.
Sentei na ilha de granito, esperando.
Eu estava começando a ficar cansada de formular teorias sobre o Sr. Queen.
Quem é esse homem? Um bilionário que emprega mais de quarenta mil pessoas? Um pai distante e frio para Kiera e Kellan? Um completo estranho para Kylie? Um filho prodígio? Um irmão? Um amigo? Ou o pior caso de todos... Um homem tentando se salvar? Era mentalmente e fisicamente cansativo demais, até para mim.
— Insônia?— perguntou uma voz atrás de mim e eu me assustei/arrepiei quando eu vi o Sr. Queen entrar na cozinha de pijama também. Não sei se era o pijama dele, era uma camisa branca e uma calça de moleton que caía perfeitamente em seus quadris.
Não que eu tenha reparado nisso.
— Estou esperando Kiera começar a gritar e ir atrás da Srta. Bertinelli com sua chapinha. — eu disse e ele sorriu levemente. Abriu a geladeira e pegou tudo que precisava para fazer um sanduíche.
Ficamos em silêncio.
— Nós estragamos o seu noivado? — perguntei esperançosa.
Ele não precisava casar com Helena só para aumentar seu patrimônio como Tommy havia fofocado durante o jantar com os Bertinelli. Já era rico mais do que o suficiente!
— Não sei. Helena é imprevisível, mas eu lido com ela depois. Já estou acostumado com isso, Srta. Smoak. — ele respondeu cortando a metade de uma baguete. — Quem você acha que paga as viagens e festas de minha mãe? Quem você acha que paga as regalias e processos que Thea arruma? Quem você acha que paga tudo do bom e do melhor para Kiera, Kellan e Kylie?
Ele suspirou e passou maionese nas bandas do pão.
— Como eu disse, estou acostumado.
Assenti levemente ganhando uma nova perspectiva. Alguém tinha que ser adulto nesse meio de fantasia em que todos eles moravam. A Sra. Queen queria ser sempre a dona da razão, Thea sempre procurava um bode expiatório e as crianças nem recebiam o direito de ter uma voz sequer. Era injusto, mas era a realidade.
— Depois de alguns meses após a morte de Sara, todos disseram para eu seguir em frente. — ele disse colocando rodelas de tomate em cima do pão e eu paralisei. Ele estava falando da esposa falecida? E falando sobre ela comigo enquanto fazia um sanduíche? Eu devo estar alucinando né? — Como se fosse algo tão fácil, se eles soubessem...
— Que não é tão fácil assim. — completei enquanto brincava com a alça da caneca na minha frente e ele lutava contra a mussarela. — Recomeçar á muito mais difícil que esquecer. E esquecer é quase uma missão impossível.
— Sim. E isso é tudo o que posso fazer por eles. — ele disse e pareceu uma sentença para vida inteira.
— Posso ser honesta? — perguntei e ele assentiu vencendo a luta contra a mussarela.
— Quando a senhorita não é?
Corei forte.
— Eu entendo que a morte da sua esposa te mudou, que o passado te mudou, Sr. Queen. — eu disse e respirei fundo. — Você a amava, mas isso não significa que não pode amar outra pessoa e ser feliz. Você tem três pessoas para amar incondicionalmente, pedacinhos que Sara deixou. Eles não precisam de uma fortuna de mais de sete dígitos, eles só precisam de alguém que se importe.
— Eu não sei me importar, Srta. Smoak. E eles têm tudo que querem. Eu pago pessoas como você para se importar se estão comendo, dormindo e fazendo a lição de casa. — ele disse colocando fatias de peito de peru e alface em cima da mussarela. Eu me encolhi com o tom de voz que ele usou. — Não me leve á mal, da última vez que eu me importei...
— Coisas ruins aconteceram. — eu completei novamente e ele assentiu novamente. O leite ferveu e eu me levantei. Desliguei o fogo, servi o leite na caneca misturei com o achocolatado. — Disse que está acostumado á pagar pelo preço de tudo isso, e ao fazer isso já está se importando com todos eles, não está?
Ele parou de colocar os peperonnis e olhou para mim, cético.
— Para alguém que não frequenta muito a mansão, você é o assunto preferido de todo mundo por aqui... — eu disse balançando a garrafa de chantily levemente. — Sua mãe, sua irmã e até mesmo as crianças, ás vezes.
Ele parou o que estava fazendo e me encarou como se duvidasse.
— Você é o filho mais velho e com certeza é o orgulho da Sra. Queen. — eu disse e eu vi os cantinhos de sua boca se curvarem em um sorriso minimo, fiz uma torre de chantily no topo da caneca. — Ela pode ter gritado horrores com você e quase me dado um traumatizo craniano com aqueles lançamentos de garrafas pra lá e pra cá, mas só faz isso porque te ama e quer o seu bem.
Ele pareceu surpreso por eu saber da briga que os dois tiveram, mas quem na casa não sabia sobre aquele briga? O Sr. Queen limpou a bagunça que fez enquanto eu falava.
— Você é o irmão mais velho de Thea e o melhor amigo de Tommy. E não sabe o quanto aqueles dois falam de você. — eu disse e ele me olhou com uma sobrancelha erguida, segurando a porta da geladeira. — Eu acho que posso escrever um livro com as histórias da faculdade.
Ele gemeu de desgosto e eu ri. Peguei outra caneca e fiz mais um chocolate quente com torre de chantily por cima e empurrei para perto do prato onde estava seu sanduíche enorme já feito.
— Eu vejo que Kellan gosta de te ter por perto, mas com o drama que acontece ao redor de todos vocês, ele prefere evitar. O que já fiz muita coisa, ele é bem maduro para um adolescente de quase 17 anos. — eu disse com leve pesar encarando meu chantily começar afundar pelos cantos. — Ele tenta evitar conflitos que envolvam ele ou as irmãs.
Suspirei levemente.
— Kiera gosta de receber atenção tanto sua como da Sra. Queen, mesmo que isso signifique começar a gritar e ameaçar a Srta. Bertinelli. — dei de ombros e vi parado perto da geladeira ainda, escutando. — Como toda garota, só quer ser a princesinha do papai.
— Ela é. — ele afirmou ainda de costas e eu sorri.
— Eu sei que o que eu fiz com Lily e Kylie foi errado, mas o senhor deveria ter visto o brilho nos olhos dela quando eu disse que o presente era seu. Outra que só quer sua atenção, mas tem medo de pedir e depois receber. — eu disse. — Antes de dormir, ela me conta como é abraçar você e como seu cheiro é gostoso, por favor, não leve isso por outro lado...
Ele riu com a minha vergonha.
— Eu sei que você tem medo de machucar eles, mas já está fazendo isso sendo distante e frio. — eu disse com a voz calma e ele assentiu novamente, pensativo.
E eu continuei.
— Thea só quer achar o seu lugar no mundo, ela vive com essas expectativas de ser tão bem sucedida quanto o senhor, mas ela se frustra muito e tenta descontar com as bebedeiras e as polêmicas que se envolve. Outra que gosta de receber atenção e não dá o braço a torcer. — eu disse e Oliver assentiu como se soubesse muito bem o que eu falava. — Ela se volta para Roy no final das contas, porque ele se tornou a única pessoa constante na vida dela. Sua mãe está sempre viajando, você sempre trabalhando, e as crianças são, bem... Crianças.
— Thea é complicada. — foi tudo que ele disse. — Ela é minha meia-irmã na verdade e meia irmã de Tommy. Meus pais não foram exatamente fiéis nos vinte anos de casamentos que tiveram e Thea foi resultado de um caso entre minha mãe e o pai de Tommy.
Cala boca. Choquei total agora. Eu sabia que estava faltando uma amante ou algo do tipo para toda essa realidade dentro dessa mansão se tornar um roteiro perfeito de novela.
No caso a amante seríamos nós ou Moira?
Cala boca subconsciente.
— Bom, eu, com certeza, não esperava por essa. — eu disse e decidi que era o melhor momento para tomar um gole do meu chocolate quente. — Eu não sei muito quanto á Tommy, mas vejo que vocês são bem próximos e ele tem um certo receio de dizer o que realmente pensa por medo do senhor se afastar.
— E você? O que você acha sobre mim? — perguntou e puxou a caneca de chocolate dele para perto de si.
— Meu pai abandonou... Me abandonou quando eu era pequena. Minha mãe entrou em depressão por causa disso. Foi uma guerra colocar a vida nos eixos, eu me encontrava sozinha na maioria das vezes e como o senhor sabe, eu não sou muito... Normal. — disse franzindo as sobrancelhas e ele voltou a sorrir minimamente. — Eu nunca tive esse senso de estabilidade. Sempre pulei de emprego em emprego. Nunca mantive um relacionamento por tempo demais... Eu não coloco a culpa disso tudo no abandono do meu pai, mas foi um dos fatores principais.
Uma leve pausa.
— Isso é o que um pai ausente pode fazer. No caso das crianças, são dois pais ausentes. Morte é bem diferente de ausência, Sr. Queen. E ficar sabendo que seu pai arranja tempo para sair em jantares com clientes e namoradas do que ficar em casa com os filhos não é muito legal. Os gêmeos sabem disso e Kylie está aprendendo essa diferença também. — rodei a caneca duas vezes enquanto deixava o significado de minhas palavras pairarem no ar entre nós. — Eu acho que o senhor sofreu um perda inestimável, e se afundou no trabalho para não ter que pensar nisso. Seus filhos são a prova viva do que o senhor teve com a sua esposa, e tudo bem sentir saudade e ficar triste, mas não pode condenar a vida deles por causa disso.
Suspirei levemente. Dar conselhos era difícil ás vezes.
— Kylie nunca teve uma festa de aniversário por causa da morte da mãe. Kellan nunca tive comido um hambúrguer antes e ele tem quase 17 anos! — exclamei deixando o fato me horrorizar mais uma vez. — Eu não deveria estar aqui dentro ganhando rios de dinheiro para fazer algo tão simples assim que é amar e cuidar deles. Esse trabalho é do senhor, da sua irmã e da sua mãe. Não me demita por dizer isso, mas o senhor é um pai de merda.
— Eu sei. — suspirou cansado e se colocou a comer. — Eu quero mudar isso.
— Eu acredito que o senhor quer consertar tudo ao seu redor, mas dinheiro vai até certo ponto. — suspirei. — E bem no fundo, no fundo, no fundinho mesmo... Achando petróleo, você sabe que eu estou certa.
O Sr. Queen abriu um sorriso brilhante e culpado e foi apenas aí que eu percebi que tínhamos nos aproximado consideravelmente. Acho que apenas uns três palmos de distância nos separava. Eu conseguia sentir aquele calor que só ele tinha. Na verdade, estávamos lado á lado na ilha de granito.
— Você pode me ajudar?
— Com o que, Sr. Queen? — perguntei colocando a caneca para baixo depois de um grande gole.
— Eu quero... — ele começou e depois parou como se estivesse procurando as palavras para explicar que a cegonha não existe para uma criança de quatro anos. — Eu quero poder conviver com a minha família novamente e ver meus filhos crescerem.
Eu quase cuspi o achocolatado. Santo Google! Isso significava exatamente o que eu achava que significava! Ele era exatamente o pior caso. Um homem tentando se salvar, mas do que ele estava tentando se salvar?
— Bem-Vindo á Operação Babá. — eu disse e ele me olhou curioso. — Eu estava com um planinho pronto para juntar essa família de novo, estava começando pela Sra. Queen porque o senhor eu nunca vejo pela casa e bem a Sra. Queen não é bem discreta. Não que ela fique gritando pela casa como uma doida, porque ela fica e também não é porquê ela não se importa com os netos, porque eu acho que ela se importa no jeito sinistro dela... Deus. Eu vou calar a boca 3... 2... 1.
Bati a mão na testa mais do que constrangida, enquanto ele ria bem baixinho.
— Mas se eu consegui ter progresso com ela, terei progresso com o senhor também. — eu prometi e terminei a minha caneca passando o dedo pelo chantily que estava na borda.
— Pare de me chamar de "Sr. Queen". — ele disse de boca cheia e eu ri baixinho.
— Pare de me chamar de "Srta. Smoak", então. — rebati levantando da banqueta e indo até a pia. Ficamos em silêncio mais uma vez, enquanto eu lavava a caneca usada. Não foi desconfortável como das últimas vezes. — Boa noite, Oliver.
Ele olhou para mim e sorriu levemente. Peguei o pano de prato e tirei a maionese que estava no canto de sua boca.
— Agora eu vejo de onde Kylie tirou seus modos á mesa. — eu disse e ele sorriu mais um pouco.
— Boa noite, Felicity.
Voltei para o meu quarto e concluí que Jesus ia com a minha cara de verdade, porque Ele não deixou o Sr. Qu... Oliver comentar sobre o nosso pequeno momento na piscina. Deixei meu corpo cair na cama como fruta podre cai da árvore e encarei o teto.
Como eu vou ajudar ele a se aproximar de Kylie e Kellan? E Kiera então?
Simples, coloque sua capa de Super Babá e use o poder dos seus gritos.
É, eu acho que até que pode funcionar.
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