The Perfect Nanny
10 Capítulo 10
Notas iniciais

Se eu dissesse que minha cabeça estava explodindo seria "O" eufemismo do mundo inteiro. Da galáxia inteira. Minha cabeça parecia o show do intervalo do Superbowl, a queima de fogos da Times Square do ano novo, uma orquestra, um jogo de futebol e... Não sei mais o que. Ah sim! Um casamento da realeza austríaca e todos aqueles sinos tocando.
— Uau... É reconfortante saber que alguém está pior que eu. — disse Thea entrando na cozinha. Ela ainda estava usando as roupas de ontem, mas seu cabelo estava amassado, a maquiagem borrada e tinha uma expressão de nojo no rosto.
— Shhh. — silenciei ela levantando o indicador, ela riu baixinho e se sentou ao meu lado no balcão da cozinha.
Serviu café que eu havia feito mais cedo e tomou um gole generoso. Massageei minhas têmporas em busca de alívio que não veio. Thea suspirou dramaticamente e bebeu mais café.
— Eu adorei a noite de ontem, mas nunca mais iremos repetir, okay? — eu disse baixinho e ela riu novamente.
Ouch. Mais sinos e mais Gaga no Superbowl.
— Okay. Combinadíssimo. — ela disse e esticou duas aspirinas para mim.
— Não, obrigada. Eu já tomei quatro. — eu disse e bebi meu café.
— Você é muito engraçada bêbada, mais do que o normal. — disse Thea se virando para mim e eu ri e bufei ao mesmo tempo. — Principalmente perto de homens, e homens lindos, você se embola com as palavras.
— Eu amo a minha versão bêbada, mas eu não confio nela. — eu disse e nós rimos juntas desta vez. — A boa notícia foi que não saímos em nenhuma capa de revista. Sua heterossexualidade está salva.
Ela riu mais uma vez e bebeu mais café.
Sra. Lance entrou na cozinha alisando seu uniforme de governanta e se surpreendeu ao nos ver por ali tão cedo. Qual é... Eram 7h da manhã em ponto, eu não havia dormido nem quatro horas direito.
— Bom dia, meninas. Vejo que as duas já estão bem mais compostas do que ontem. — ela disse e Joe entrou na cozinha colocando seu chapéu de chef branco.
Ele nos deu bom dia também e começou o seu trabalho, a Sra. Queen exigia o café da manhã completo, mesmo que ela só tomasse chá fraco e comesse duas torradas com geleia de framboesa italiana.
— Oh Deus, o que eu fiz ontem Dinah? — perguntou Thea descansando a cabeça no tampão de granito do balcão.
A Sra. Lance riu levemente.
— Nada, graças á Felicity, você não fez nada. — ela disse começando a cortar uma pilha de maçãs. — Vocês chegaram de madrugada e Thea... Seu estado era deplorável, querida.
Thea mexeu a cabeça como se concordasse e eu ri. Iris e Eddie entraram na cozinha e começaram a ajudar Joe rapidamente com as panquecas, ovos e o bacon. Hm. Minha boca encheu d'água da hora que eu ouvi o crepitar do bacon na frigideira e o cheiro inundou o recinto inteiro.
— Sorte á minha que você não vomitou no chão. Só Deus sabe que as meninas da limpeza iria querer a sua cabeça em uma bandeja de prata se tivesse vomitado e Moira tivesse mandado elas refazerem o serviço. — ela disse e eu ri. Eu lembro de ter pensado a mesma coisa ontem. — Com certo esforço, eu consegui te levar para o seu quarto.
— Isso explica como eu cheguei lá. — ela disse levantando a cabeça rápido demais e apontando para Sra. Lance para se arrepender logo depois. — Ai.
Ah! Então foi a Sra. Lance que nos levou para o quarto ontem. A última coisa que eu me lembrava era de cair morta no sofá junto com Thea e o resto era um borrão, o alívio correu pelo meu corpo inteiro.
— Eu vou acordar as crianças... — eu disse me levantando da banqueta, mas Eddie me firmou no assento pelos ombros e Iris colocou um prato na minha frente e de Thea.
— Primeiro, você tem que comer. — disse Iris com tom firme e eu assenti.
O prato de ovos, bacon e três panquecas com cobertura de chocolate estava lindo e provavelmente muito delicioso. Joe tinha uma mão abençoada para cozinhar. — Se seu estômago tiver vazio, é possível que você vomite em Kylie ou pior... Kiera.
Todos riram da piada de Iris e eu me pus a comer ao lado de Thea. A Sra. Lance e a Queen começaram a conversar sobre a festa da Sra. Queen que aconteceria no sábado. Era um pré-evento. Seja lá o que isso quer dizer. Haveriam muitos convidados famosos e importantes, por isso a paranoia da Sra. Queen sobre a limpeza. Hm. Pelo menos alguma coisa era justificável naquela mulher.
Eu comi meu café da manhã, lavei a louça que sujei mesmo recebendo um olhar torto de Joe, e depois corri para o meu quarto. Troquei o pijama e coloquei um vestido leve e branco, calcei sapatilhas e coloquei meus óculos. Meu cabelo estava um ninho de pássaros, mas eu consegui pentear e prender em um rabo de cavalo.
A dor de cabeça deu uma trégua e eu me senti pronta para o batente. Hoje teríamos aula de artes marciais mais uma vez, Kiera estava fora de jogo por causa de seu pulso, mas Kellan ainda teria aula. E Kylie iria querer levar Lily para passear novamente.
Respirei fundo e saí do quarto.
Eu conseguia fazer isso.
—-
Eu simplesmente não conseguia fazer isso. Kylie não parava quieta com Lily no seu colo e ficava mexendo a cabeça toda hora. Era impossível prender as presilhas de brilhantes que Moira mandou colocar no cabelo dela para a festa.
— Kay... Eu vou trancar Lily no meu quarto se você não cooperar comigo. — eu ameacei e ela congelou como estátua. Refiz sua trança e prendi as borboletas de brilhantes em seu cabelo. — Você sabe que sua avó não vai deixar Lily participar, não sabe?
Ela assentiu com cuidado para não mexer a cabeça e eu sorri. Ela poderia ser obediente, quando queria. Kylie estava usando um vestido de festa, verde com borboletas roxas por toda sua extensão. Mais uma especificação de Moira.
— Okay... Se você se comportar na festa e fazer o que sua avó mandar... Eu levo você e a Lily para visitar a mamãe dela. — eu disse saindo de trás dela e me ajoelhando na sua frente.
— Promete? — perguntou com olhinhos brilhantes.
— Prometo.
— Mesmo?
— Mesmo. — eu disse apertando meu dedo mindinho ao redor do dela.
— Está pronta, Kylie? — perguntou Moira entrando no quarto. Ela estava linda. Eu nunca iria achar que ela era uma cinquentona naquele vestido vermelho. Ninguém em sã consciência acharia. — Ótimo, ambas estão lindas.
Kylie sorriu levemente e eu corei feito um tomate. As pestes haviam me enchido de elogios quando me viram, até Kiera que havia adorado o meu cabelo — palavras dela e não minhas, mais uma vez eu estava usando um vestido Mouret. Era longo e azul. Tinha uma fenda lateral, mas nada vulgar. A gola parecia um colar e as costas eram abertas.
— Vamos descer. Temos que recepcionar os convidados. Todos nós. — disse Moira enfatizando a palavra no plural olhando para Kylie que assentiu e prendeu Lily em seu banheiro.
Nós descemos e eu vi Kellan de smoking e gravata. Ele parecia aquele vocalista do My Chemical Romance. Estava elegante e ainda conseguia ser emo. Incrível. Ao lado dele, estava Kiera. Ela estava usando um vestido semelhante ao de Kylie, mas com mais transparências e mais curto do que o da irmã.
— Ah, eu preciso beber antes de me encontrar com aquela gente. — disse Thea aparecendo em um vestido longo preto. Tinha um colar de diamantes no pescoço que ofuscava até o lustre em cima de nossas cabeças.
— Você não vai tomar uma gota de álcool. Já basta o que fez dias atrás. — disse Moira e Thea revirou os olhos pegando uma taça de champagne com um dos garçons.
A Sra. Queen não se referia á vez que eu e Thea saímos juntos, ela se referia á vez que Thea saiu novamente para beber, desta vez sozinha, e bateu a Ferrari vermelha do Sr. Queen. O que provavelmente rendeu algum dinheiro para os paparazzis de plantão e as revistas de fofoca.
Os convidados começaram a entrar e eu até reconhecia alguns rostos de capas de revistas, duas atrizes de filmes que eu gostava, e vários homens velhos e carecas. E o pior de tudo é que eles eram nanicos, mas os egos eram e-nor-mes. Eu precisei bater no ombro de Kylie duas ou três vezes quando ela se recusou a apertar a mão de alguém ou sorrir.
— Só mais um pouquinho... — eu sussurrei em seu ouvido ao me abaixar.
— Lissy, eu estou com fome. — ela resmungou sussurrando. — Eu estou cansada.
— Eu sei, mas só mais um pouquinho e depois a gente vai até a cozinha atacar. — eu prometi e ela assentiu abraçando meu quadril, se limitando á apenas acenar por quem a cumprimentava.
— Eu quero ir embora. — ela disse mais alto, mas ninguém reparou.
Na porta eu vi o motivo de sua pressa.
O Sr. Queen tinha acabado de chegar com sua acompanhante, Helena Bertinelli. É, seria uma boa deixa para nós fugirmos. Toquei o ombro da Sra. Queen que apenas virou o rosto levemente e disse que Kylie estava com fome e pedi para ela deixar eu levar a pequena até a cozinha. Ela concedeu e eu peguei Kylie no colo e corri o mais elegantemente possível em cima dos meus saltos.
— Estava demorando para você duas chegarem. — disse Sra. Lance com um vestido de festa preto que combinava muito com seu conjunto de pérolas. Ela estava linda.
— Estamos com fome. — eu disse e sentei Kylie no balcão.
A Sra. Lance deixou a gente beliscar o buffet e Kylie atacou os quiches de queijo e de alho poró. Nunca vi uma criança gostar tanto de quiche. Eu comi alguns também, porque meu estômago rugiu.
— Meninas... Está na hora de voltar. Moira vai fazer um brinde e quer Kylie com ela. — disse Iris aparecendo na cozinha. Ela também estava usando um festivo de festa dourado que fazia Eddie suspirar toda vez que passava por ela como um bobo apaixonado.
Nós voltamos para a festa e eu vi os Queen reunidos perto da lareira dentro do salão de música. Dei um olhar significativo para Kylie que assentiu e foi correndo até Kellan, e segurou a mão do irmão.
O Sr. Queen parecia deslocado ou até mesmo... Desconfortável, perto dos filhos.
Ah é, ele era o pai de merda.
Fiquei neutra bem longe deles, perto do batente da porta quando Walter bateu em sua taça e todos os convidados se silenciaram. Eles pareciam uma família perfeita americana de comercial de TV. É claro que faltava uma figura feminina e materna ali, mas...
— Olá. — disse uma voz atrás de mim e eu me assustei. Me virei para xingar quem quer que fosse que me deu o susto e... Cacete. Bruce Wayne. Se eu achava que ele ficava lindo de jeans e moleton, claramente, eu não tinha visto ele de smoking. — Se lembra de mim?
— Eu quero agradecer a presença de todos aqui presentes, esta é uma data muito importante para a nossa família...— Moira fazia seu discurso e eu fiquei boquiaberta ao encarar o sorriso educado de Bruce.
— Sim, eu lembro. — respondi com um fiapo de voz.
— Que bom, porque é difícil esquecer você. — ele disse e sorriu mais uma vez. Sexy como inferno. Corei ao pensar nisso e ao lembrar de nosso último encontro. Eu estava no chão, molhada e uma verdadeira bagunça. — Que tal tentarmos outra vez? Oi, eu sou Bruce Wayne.
— Smoak... Felicity. — eu disse e apertei a mão estendida. Eu não conseguia pensar direito porque os olhos deles eram tão lindos. — Quer dizer, Felicity Smoak.
— ... Nós apoiamos uma causa. Lutamos por ela. E pedimos a colaboração de vocês. — Walter agora falava.
— Você me dá a honra de uma dança? — perguntou. — Eu quero conhecer melhor a garota que salvou a minha bunda.
Por mais que ele seja lindo e sexy, você está trabalhando!
Xinguei a voz do subconsciente com cada palavrão que eu conhecia, mas ela estava certa. Eu odiava concordar com ela. Eu estava trabalhando e não podia flertar com convidados lindos e sexy.
— Por mais que eu gostaria de saber como eu salvei a sua bunda... — eu disse ficando surpresa por não gaguejar. — Eu estou trabalhando.
— Trabalha com os Queen, não é?
— Babá. — eu disse e ele pareceu genuinamente surpreso com isso. — Por que parece tão surpreso, Sr. Wayne?
— Bruce. — me corrigiu e eu corei. — Não tenho nada contra babás, Felicity.
O modo como ele disse meu nome fez minha barriga ficar estranha.
— Fui criado por uma. Na verdade, fui criado por um mordomo/motorista/babá, não sei o que seria sem Alfred. — ele disse com carinho e eu sorri.
— ... Minha esposa acreditava que todos merecem amor, carinho e uma família. — eu paralisei ao ouvir a voz do Sr. Queen. Desviei o olhar de Bruce, mesmo contra vontade, e vi que o Sr. Queen estava falando e estava com Kylie no colo! — E nós acreditamos nisso também, por isso iremos realizar um leilão e todos os artigos vendidos serão doados para orfanatos e instituições carentes. Contamos com a presença de todos!
Os convidados explodiram em aplausos e eu bati palmas levemente confusa. Por que ele está segurando Kylie no colo? Por que ele estava apoiando uma arrecadação para orfanatos e instituições carentes quando mal cuida dos filhos? Por que infernos ele estava segurando Kylie no colo?!
Publicidade?
Hm. Acenei ponderando para o palpite do meu subconsciente. Até poderia ser. O Sr. Queen não saía em manchetes desde o anúncio da morte da Sra. Queen, acho que ele não queria voltar a aparecer nelas como um mau pai.
— Você está me devendo uma dança, Srta. Smoak. — disse Bruce em meu ouvido antes de ir até uma rodinha que deveria ser apenas de CEO's porque Tommy estava ali e cumprimentou Bruce com entusiasmo e um sorriso enorme.
Kylie veio correndo até mim e isso me fez olhar para o Sr. Queen que já estava me olhando. Peguei a pequena no colo e ela acenou para o pai que sorriu levemente e acenou de volta.
— Hora de dormir? — perguntou Moira e Kylie assentiu coçando os olhos. — Muito bem, não irei esquecer do seu ótimo comportamento hoje querida. Boa noite.
Kylie sorriu para a avó e deitou a cabeça em meu ombro. Falsa. Ela só queria subir e brincar com Lily. Nós subimos para o andar de cima e eu a ajudei colocar o pijama e soltar o cabelo. Lily ficou super feliz em sair do banheiro e ter mais espaço para correr. Kylie prometeu que não iria fazer muita bagunça, e com isso eu saí do quarto.
No topo das escadas, Walter falava no telefone com uma expressão concentrada e séria. Nem parecia o lorde inglês galanteador que ficou zanzando como uma sombra de Moira pela casa nestes últimos dias. Ele desligou o telefone e sorriu levemente quando me viu.
— Oh! Srta. Smoak, Moira pediu para lhe falar para aproveitar a festa. — ele disse e eu me surpreendi com isso. Eu tinha permissão da dondoca para me divertir com os ricaços? Uau. O telefone de Walter voltou a tocar e ele pediu licença.
Essa era a minha deixa.
Desci as escadas e tentei não ficar surpresa ao ver Bruce Wayne ali.
— Devo confessar que estava esperando você voltar? — ele perguntou com as mãos nos bolso da calça, parecendo tímido e adorável.
— Eu fiquei devendo uma dança. — eu disse ao terminar de descer os degraus. — Espero que saiba dançar valsa, porque eu não sei.
— Sempre podemos pedir para eles tocarem Madonna. — ele disse e eu arregalei os olhos.
Como ele sabia disso? Thea Queen!
— Eu vou matar...
— Não brigue com ela, eu fui bem persistente.
Eu assenti e nós voltamos juntos para o salão de música. Alguns convidados tinham ido embora no meio tempo em que levei Kylie para o andar de cima, mas o lugar ainda estava cheio. Bruce pegou minha mão com gentileza e me levou até o círculo de casais que dançavam um dos sucessos de Frank Sinatra. Ele me girou com habilidade e começamos a dançar. Sim, eu estava dançando.
Felicity Smoak estava dançando valsa e não estava pisando no pé do par dela? Uau.
Começamos a conversar novamente e ele me disse para que queria hackear aquele nível de segurança. Ele hackeou a própria empresa, porque Lucius Fox estava trabalhando em algo grande e não queria revelar antes de ficar pronto, mas Bruce era curioso demais e invadiu o próprio sistema de segurança. Eu ri com a situação.
Em um ponto da música, ele me girou e outro homem virou meu par.
Merda.
Suspirei ao encarar os olhos azuis de Oliver Queen.
— Srta. Smoak. — ele cumprimentou e eu ignorei sua mão quente em minhas costas nuas.
Ao nosso lado, Bruce estava dançando com Helena Bertinelli.
— Você está bonita.
— Obrigada, Sr. Queen. — eu disse vermelha como uma sirena de ambulância.
Ele estava muito bonito com seu smoking. Era preto como o resto dos homens na festa, mas parecia cair perfeitamente em seu corpo. E seu perfume era muito gostos... Corei ainda mais quando notei que ele me observava atentamente.
Ele era ridiculamente bonito e mais ridiculamente ainda gostoso. Ele parecia uma encarnação perfeita de Adônis, Apolo ou qualquer outro cara que fosse bonito. Muito bonito. Os olhos deles eram tão azuis que pareciam ser um par de néons brilhantes me encarando e não uma pupila normal. Isso sem contar no nariz tortinho e nos lábios finos dele que só completavam o pacote. O corte de cabelo baixo também tinha o seu charme.
— Eu queria me desculpar com o senhor. — eu disse e ele ergueu uma sobrancelha para mim. Perigosamente sex... Opa. Nem pensar. — Me desculpar por ter gritado, duas vezes, com o senhor. Eu surtei no hospital porque eu nunca vi alguém vomitando sangue e depois porque o senhor foi muito arrogante comigo na academia, não estou falando que o senhor sempre é arrogante por mais que algo me diga que é, mas... Eu vou calar a boca em 3.. 2... 1.
Ele me girou uma vez e parecia ter lembrado do que havia acontecido.
— Está desculpada, Srta. Smoak. — ele disse e sorriu levemente.
Eu ainda tenho emprego. Graças á Deus.
Aquela coisa no meu estômago se agitou novamente e eu sorri. Meu estômago está embrulhado e eu estava ficando com calor. Ah meu Deus me recuso a acreditar que estava hiper-ventilando... Socorro!
— Oliver? — chamou uma voz e o Sr. Queen se afastou, colocando uma distância segura entre nós dois, mas ainda sentia sua mão quente em minhas costas desprotegidas. Nós estávamos tão perto assim? Encarei a mulher com um batom vermelho ridículo, Helena, e ela não parecia feliz. — Estou cansada, pode me levar para casa?
Senti os dedos do Sr. Queen se apertarem em minhas costas e reprimi o suspiro.
— Boa noite, Sr. Queen. — eu disse acenando e me afastando por completo dele e de seu calor.
Acenei para Helena que retribuiu e voltei para a segurança dos braços de Bruce.
— Ah obrigada! A Sra. Barrett já estava começando a me cantar. — ele disse e eu ri e me permiti respirar aliviada quando ele me girou enquanto outra música começava.
Segura.
Sim, eu estava segura agora.
—-
— Sabe Lily, eu esperava ser chamada na escola depois que as aulas realmente começassem e não no primeiro dia! — eu exclamei para a filhote que estava ao meu lado na mini-van.
Nós tínhamos acabado de voltar do veterinário e das comprinhas no petshop, quando eu recebi uma ligação da escola das pestes. Algum deles aprontou e eu apostava que era Kylie. A escola que mais parecia um reformatório apareceu em meu campo de vista e eu parei o carro no estacionamento largo que tinha ali.
— Você vem comigo. — eu disse pegando a coleira de Lily. — Eu não vou entrar lá sozinha.
Nós saímos do carro e eu caminhei até a entrada.
Empurrei as portas duplas e me surpreendi com o interior da escola. Era normal demais para ter uma fachada que parecia uma prisão, só faltava o arame farpado nos muros. Caminhei o corredor inteiro, vendo algumas classes tendo aula com professores e outras vazias. A placa "Diretoria" me chamou atenção e eu fui até com uma Lily curiosa que cheirava tudo em seu caminho.
No corredor havia cadeiras e duas delas estavam ocupadas. Kiera estava em uma e na sua frente estava uma garota ruiva que estava com a roupa arruinada por algo marrom e pegajoso.
Espere... Kiera?! Eu fui chamada aqui por causa de Kiera?!
Ela era a última das pestes que eu poderia sequer pensar que teria aprontado alguma coisa na escola. Lily reconheceu Kiera e foi até ela e começou a morder seu sapato. Quando a Queen me viu, abriu um sorriso que murchou ao ver a minha cara séria. O que era sinal suficiente para ela saber que estava enrascada quando chegasse em casa também.
— Srta. Smoak? — chamaram e eu vi uma mulher oriental em um terninho social me olhando duramente. — Eu sou a Diretora Tatsu Yamashiro.
— Muito prazer. — eu disse apertando a mão dela. — Sobre o que se trata?
— Vamos entrar, meninas. — disse a Sra. Yamashiro e todas entramos juntas. As meninas se sentaram em cadeiras opostas novamente, e Kiera manteve Lily em seu colo.
— É de meu conhecimento que a Srta. Queen e a Srta. Clarke brigaram violentamente no intervalo entre as aulas. — disse a diretora e eu fiquei surpresa.
Kiera brigou? Violentamente? Com o que? Suas unhas postiças?
— As duas foram paradas por colegas de classe e um dos inspetores de corredor as trouxe até o meu gabinete.
— E qual foi o motivo da briga? — perguntei e a diretora suspirou.
— A Srta. Clarke afirma que a Srta. Queen começou a briga. — disse a diretora e eu percebi que ela tinha uma testa enorme.
Foco!
Okay. Focando.
— Kiera? — perguntei e ela olhou para mim e depois assentiu.
— Sim, fui eu que comecei a briga mesmo. Porque está vadiazinha aqui acha muito engraçado tentar afogar crianças do fundamental nos banheiros. Eu não ligava antes, mas ela escolheu a minha irmã desta vez. — disse Kiera e eu me surpreendi mais uma vez.
Kiera arrumou briga por causa de Kylie?
— No começo do ano, talvez, eu nem ligasse, mas eu faço uma terapia extensiva sobre isso e quis fazer meu terapeuta orgulhoso por isso fiz o que fiz. Ela estava afogando minha irmã de seis anos em uma privada! — ela exclamou ficando com o rosto vermelho e contorcido de raiva. — Confie em mim Sra. Yamashiro, foi bem melhor eu lidar com a situação do que o meu irmão.
— A escola já é ciente que a sua irmã é vítima de bullying, Srta. Queen. Estamos tentando prover proteção á ela dentro destas paredes... — começou a diretora, mas Kiera soltou uma risada melódica e completamente sarcástica.
— Bom, não está parecendo suficiente porque minha irmã quase morreu afogada em uma privada hoje, não foi? — cuspiu Kiera e toquei seu ombro. — E eu jogaria não apenas café, mas a minha bandeja inteira nela novamente.
— Kiera, chega. — eu disse e ela recostou na cadeira, furiosa. — Vá levar Lily para ver Kylie e depois me encontre no carro.
Ela assentiu e levantou da cadeira segurando a coleira de Lily, deu um olhar ameaçador para a tal Clarke antes de sair. Eu sempre pensei que Kiera fosse uma patricinha que lutava com as unhas postiças e sua chapinha, mas hoje ela me fez ver que suas unhas se tornavam garras e que ela poderia colocar suas aulas de Aikido em práticas em dois tempos.
Me virei para a garota ao meu lado e não vi um pingo de remorso em seus olhos.
Eu que estava querendo arrumar briga com ela agora.
— Entendo que haverá uma punição para ambos os lados. — eu disse a diretora tirou seu olhar duro da garota e olhou para mim.
— Não. A Srta. Queen será punida, a Srta Clarke, expulsa. — disse a mulher e a Clarke quase teve um infarto e começou a argumentar. — Poupe saliva Emma, você sabe que temos zero tolerância para bullying e violência nesta escola e esta foi a sua segunda chance. Aguarde seus pais no corredor.
Clarke se levantou e voltou para o corredor dando passos duros e furiosos.
Bem feito, vadia mirim.
— Estou tirando a Srta. Queen das líderes de torcida, do grêmio estudantil, no comitê do baile e do time de vólei. — disse a diretora assinando alguns papéis e eu assenti me sentando na cadeira que Kiera ocupou. — Temporariamente. Essa será a punição dela.
— Entendo.
— Eu gostaria de abordar um outro assunto que envolve as crianças Queen se a senhorita não se importar. — ela disse e cruzou as mãos em cima da mesa. — Com todo respeito, Srta. Smoak, precisamos ter mudanças radicais no comportamento dos três. A começar por Kellan.
— O que ele fez? — perguntei e a diretora me ofereceu uma pasta azul.
— Kellan é muito inteligente, mas desperdiça seu tempo e potencial. As notas dele decaíram muito e ele está na corda bamba, só não foi reprovado porque está no clube de ciências da escola. — ela disse e tinha razão. A melhor nota que Kellan tinha era um 6 em cálculo. — Ele vêm matando aula para se encontrar com seus amigos e isso afetou seu rendimento.
Devolvi a pasta e ela me entregou outra. Kylie.
— Kylie é muito inteligente e seu QI é muito alto para uma criança de seis anos, mas como Kiera já falou ela é um alvo fácil de bullying. A escola tenta protegê-la ao máximo e eu até coloquei uma inspetora exclusivamente para ela, mas ainda é muito pouco. — ela disse e pareceu sentida.
— Se há uma inspetora, como Emma conseguiu atacá-la? — eu perguntei olhando com orgulho as notas de Kylie, as mais altas da turma pelo jeito.
— Na hora do intervalo, nós tivemos uma reunião de volta ás aulas com os inspetores e Kylie almoça no banheiro. Acho que foi coincidência Emma ter encontrado ela lá, mas aconteceu o que aconteceu. — ela disse e eu assenti. A minha pestinha deveria estar com medo de vir para escola agora. — Eu não tenho reclamações quanto á Kiera, o ocorrido de hoje foi o primeiro delito dela.
Eu assenti e devolvi a pasta.
— Com todo respeito, Srta. Smoak... Estas crianças não precisam de uma babá, precisam de uma mãe. Ou um pai responsável. Já cansei de mandar cartas intimando a presença do Sr. Queen aqui e recebi um recado de sua secretária no qual ele me mandava para o inferno de modo formal e taciturno como sempre. — ela disse e eu ergui uma sobrancelha. Eu conseguia imaginar isso acontecendo. — E se este é comprometimento dele com a educação acadêmica dos três, não consigo imaginar o que acontece em casa.
Eu quis gritar que nada acontecia em casa, porque eles tinham á mim e a Sra. Lance, mas seria deselegante. Eu senti compaixão e raiva pelas pestes. Oliver Queen podia dançar mais do que bem e ter olhos azuis lindos, mas como eu já havia dito antes ele era uma merda de pai. Ele parecia ser um fantasma na vida dos três. E era ele que deveria estar fulo da vida por sua filha caçula ter sido atacada.
— E como eu posso ajudar? — eu perguntei e ela pareceu surpresa.
— Bom, as babás não duram nem uma semana naquela casa. O fato da senhorita estar em sua terceira já é esperançoso para mudarmos a situação atual. — ela disse. — O Sr. Queen...
— Foda-se o Sr. Queen, diretora. — eu disse e ela quase teve uma síncope com o palavrão. — Eu participo afetivamente da vida acadêmica, clínica, alimentar e rotineira dos três, então eu irei assumir a responsabilidade por eles. Com Oliver Queen, eu me resolvo depois. Irei deixar meu número como novo contado de emergência dos três, onde está advertência de Kiera?
A diretora me entregou o papel, atônica. Eu assinei e devolvi. Eu poderia estar fazendo a melhor coisa da minha vida ou a pior merda dela, mas não liguei. Não deixaria Kellan reprovar, Kiera matar alguém e muito menos Kylie sofrer bullying no meu turno.
Não mesmo.
Quando voltei para o estacionamento vi Kylie no colo de Kellan que ria junto com Kiera e dois caras e uma garota. Me aproximei e Kylie se jogou em mim. Eu a abracei com força.
— Vai ficar tudo bem. — eu disse afagando seus cabelos úmidos. Estava cheirando a cândida e fez meu nariz coçar.
— Eu sei! A minha irmã é demais! — ela exclamou sorrindo e fazendo todos nós rirmos.
— E eu pensando que teria que marcar algumas seções de terapia á mais para você. — eu disse e ela riu alto.
— Lissy, esses são Nate, Chris e Alannah. — apresentou Kiera e cada acenou quando ouviu seu nome... Alannah? Aquela Alannah que Kellan estava mandando mensagens tarde da noite? Uau. Kellan não era bobo. Ela era loira, tinha olhos castanhos (graças á Deus, chega de olhos azuis me rodeando), e um sorriso simpático.
— Okay... Por mais que eu adore bagunça, o que infernos vocês estão fazendo aqui fora e por que não estão na sala de aula? — eu perguntei fazendo a minha cara séria assustadora. Os quatro correram para dentro e ficamos apenas eu, Kiera e Kylie no estacionamento. — Bom, acho que temos uma tarde livre só de meninas. O que querem fazer?
Pelas caras que as duas fizeram, elas nunca tiveram uma tarde livre.
— Okay. Entrem no carro. — eu disse e elas obedeceram.
Kylie se apossou de Lily no banco de trás e Kiera se sentou ao meu lado. Eu sabia do melhor ligar do mundo quando se quer fugir do mundo normal. Jolly Rogers. E eu também sei que estou velha o suficiente para frequentar um parque de diversão, mas desta vez eu tinha crianças me acompanhando, então sem olhares feios dos operadores de brinquedos.
Eu dirigi até o interior de Starling, quase chegando nos limites da cidade, e quando Kylie viu as montanhas-russas de longe, pirou legal. Kiera também gostou da ideia, mas não ficou quicando no banco como uma pipoca como sua irmã mais nova. Tirou fotos e fez boomerangs para o Instagram e até tirou uma foto comigo e com Kylie.
Nós compramos entrada e Kylie parecia ter entrado em uma outra dimensão.
— Não liga, ela nunca veio em um parque de diversão. — disse Kiera ao ver meu olhar assustado em Kylie.
— E você?
— Eu já vim em passeios de escola e uma vez com a minha tia. — ela disse e segurou a coleira de Lily para Kylie poder ir ver uma das montanhas russas mais de perto.
Hm. Então pelo menos isso eles tiveram na infância deles. Nós fomos em todos os brinquedos que Kylie dava altura. Roda Gigante. Cadeiras Voadoras. Barco Vicking. Xícaras Dançantes. Casa Maluca. Eu e Kiera revezamos para ficarmos com Lily nos brinquedos em que ela não podia entrar.
— Vamos comer? — perguntei e elas assentiram.
Ambas estavam suadas e com o uniforme da escola completamente sujo, mas isso poderia ser resolvido quando elas forem nos brinquedos aquáticos. Nós comemos hambúrguer e pizza com bastante refrigerante. Eu estava quebrando a tal dieta que só fazia eles comerem brócolis e vagem todos os dias, mas eu não ligava. Algumas calorias á mais, não faria nenhum mal. Kiera tirava foto á todo instante e parecia feliz. Assim como Kylie. Nós até posamos para um artista que fez um quadro grafitado nosso e apenas por dez dólares!
A vida poderia ser completamente bagunçada e um caos, mas a simplicidade fazia tudo ser levemente ressaltado. Pequenas vitórias. Memórias orgânicas. As crianças não precisavam estudar na escola mais cara, ter as roupas mais caras, para serem felizes e eu iria ensinar isso para os três.
Como eu havia dito o problema dos uniformes foi embora assim que elas saíram da ala aquática do parque enquanto eu estava em um quiosque dividindo um sorvete com Lily.
— Lissy! Foi muito legal. A gente subiu muito alto... — Kylie disse abrindo os braços para demonstrar o quão alto foi. — ... E depois caiu com tudo na água!
Ela simulou uma explosão agora e me fez rir junto com Kiera. Compramos várias bugigangas que vendiam em barraquinha e até algumas coisinhas para Kellan, tiramos mais fotos e comemos mais besteira.
Kylie ficou medo de um palhaço e fez Lily morder ele — eu não sabia que ela já estava ensinando este tipo de coisa — e a filhote fez um estrago com a canela do palhaço. Eu tive que me desculpar muito para prevenir um processo com o tal palhaço que apenas acenou e nos mandou ir embora e levar Lily conosco.
— Está na hora de irmos pegar o Kellan. — eu disse enquanto as duas devoravam um algodão doce maior do que elas próprias.
No caminho de volta, nós três cantamos todas as músicas que estavam tocando na estação de rádio. Todas mesmo. As que nós sabíamos cantar. E as que nós não sabíamos cantar. Foi uma loucura. Chegamos na frente da escola e eu vi Kellan beijando Alannah.
— Oh meu Deus... — eu disse e Kiera seguiu o meu olhar e arregalou os olhos e sua boca caiu no chão.
— Oh meu Deus... — ela repetiu.
— O que foi? — perguntou Kylie no banco de trás.
— Nada. — respondemos juntas e disfarçamos quando Kellan se despediu de Alannah e procurou por nós no estacionamento.
Kiera me deu um olhar que dizia "Cala boca" e eu assenti.
Kellan entrou no banco de trás e Kylie manteve ele ocupado contando sobre o nosso dia no parque de diversões, que por sinal fez ele se sentir um pouco traído por nós termos ido sem ele, mas não era como se ele tivesse perdido muita coisa porque estava beijando Alannah.
Quando chegamos na mansão, Dinah estava perto da porta da frente conversando com Slade. Ambos tinham expressões muito sérias. Muito sérias até para Slade. Eu parei a mini-van ali mesmo e Dinah veio até nós.
— Crianças. Preciso que vocês venham comigo. — ela disse e os três obedeceram e saíram do carro.
Eu saí também e Slade assumiu o volante sem eu poder protestar nenhuma vez.
Olhei ao redor e me perguntei o que faria agora. O que estava acontecendo? Por que Dinah levou as crianças? Por que Slade foi estacionar a mini-van sem ao menos soltar um "guria" para mim? Fui para dentro da casa e me arrependi assim que pisei no hall e quase levei uma garrafada de uísque na cabeça. Ela foi jogada e se espatifou no meio do hall de entrada.
O que diabos...?
— Pare de quebrar as coisas, mãe. — disse uma voz rouca já familiar.
O Sr. Queen estava em casa á essa hora?
Acho que estou começando a entender.
— Eu não tenho direito de falar?— exclamou Moira em fúria.
Ah meu Deus. Eles estavam discutindo?
— Sobre a minha vida amorosa? Não. — respondeu a voz calma do Sr. Queen.
Arrisquei um passo e vi que eles estavam dentro da sala de música e Sra. Queen já havia quebrado várias coisas enquanto andava de um lado para o outro, raivosa. Na verdade, raivosa era apelido para o estado de Moira agora. Cadê o Walter? Ou Thea? Por que eu tenho que ficar sozinha com eles? Dei um passo em direção á cozinha e outra garrafa voou e quase me acertou na cabeça.
Okay. Já entendi. Ficar aqui. Paradinha.
— Eu deveria ter de dado uma lição quando você me apareceu com Makenna Hall aqui. Como se não bastasse ela, você vem me dizer que está noivo de Helena Bertinelli?!— exclamou novamente sem se importar de parecer uma louca gritando aos quatro ventos do mundo.
Quem é Makenna Hall?
Shh, subconsciente.
— Pare de quebrar as coisas! Isso me irrita. — exclamou o Sr. Queen perdendo a linha também.
Uh-oh. Isso não vai acabar bem.
— Você deveria gastar mais tempo com seus três filhos do que ficar fodendo com toda vadia que aparece na sua frente. Eles precisam de você. — ela exclamou e eu sorri esticando o punhos para cima. Isso aí! Vai Moira! Vai Moira! — Enquanto você rodava o mundo com aquela piranha, seus filhos ficaram em casa nas férias. Nas férias, Oliver. Parece que são órfãos deste jeito!
Mais um ponto para Sra. Queen. Quem faz os filhos passarem as férias inteira dentro de casa enquanto está viajando pelo mundo com a noiva? Oliver Queen. Foi a minha vez de ficar brava e quando eu ia entrar para falar algumas verdades, mesmo que isso custasse meu emprego, eu vi o Sr. Queen destruir a adega de vidro onde estava as garrafas que Moira estava tacando pelos ares.
Isso me assustou como inferno e eu recuei um passo, voltando para a minha zona segura. Vários cacos de vidro pelo chão, assim como bebida, Moira descontrolada e o Sr. Queen apoiado na parede ofegante e irritado. Aonde eu fui me meter?
Tarde demais para se arrepender...
Estava demorando para você voltar, não é subconsciente? Você não consegue calar a boca, né? Parece que você só gosta de apontar as merdas que eu faço. Balancei a cabeça e parei de discutir comigo mesma quando Moira voltou a falar.
— Helena Bertinelli vai ser a sua ruína. — sentenciou Moira com aquela voz fria dela, aposto que estava com o seu olhar Medusa no rosto. — Ela vai tirar de você o que lhe resta. Sua família. Filhos. Irmã. Amigos. E sua mãe. Sem contar que vai tirar todo o patrimônio que seu pai construiu.
Decidi dar uma espiadinha de leve.
— E é exatamente por isso que você é a última a saber de qualquer coisa. — Oliver se virou e aquele rosto que eu já achei bonito estava contorcido em fúria. Ele também tinha um olhar congelante e sua postura era pra lá de intimidante. — Quando papai morreu, quando Sara morreu...
— Você vai ficar sozinho. Você e a bebida. — ela disse com a voz embargada. Ela estava chorando? Bem, chorando ou não, ela jogou uma garrafa de Jack Daniels no chão sem hesitar. — Eu nunca pensei que falaria isso, mas você me decepcionou Oliver. De tudo que você já me fez passar, esse foi o pior golpe. Seu pai iria se decepcionar também, assim como Sara.
Ouch. Esse foi um fatality final.
Quem é que vai limpar essa bagunça?
Cala boca! Gritei internamente e apoiei as costas na parede quando o Sr. Queen saiu do salão de música em passos duros e subiu a escada indo para a ala proibida enquanto Moira terminava de quebrar tudo que era de vidro dentro daquela sala.
Então eu ouvi mais passos e vi Kellan subindo as escadas em passos duros como seu pai havia feito á pouco tempo. Depois uma porta foi batida com extrema violência e eu fechei os olhos. Será que Helena seria capaz do que Moira havia dito? Ela não pareceu ser ruim na festa da Sra. Queen. Só um pouco chata, mas que rico não era chato?
Kiera e Kylie reapareceram, completamente alheias ao clima tenso que havia sido formado na mansão. Moira saiu da sala de música segurando uma garrafa de conhaque e se trancou em seu escritório. A Sra. Lance retornou e me deu um olhar cúmplice ao mandar duas meninas limparem a bagunça na sala de música com as portas fechadas.
Eu ajudei Kylie a tomar banho e se vestir. Ela ficou assistindo Netflix com Lily em sua cama e Kiera foi praticar no estúdio de dança. Tomei um banho e depois peguei a chave universal que estava enterrada em minha gaveta de calcinhas, com um suspiro e toda coragem que eu tinha no corpo, fui até a porta de Kellan e abri.
O quarto estava bem mais arrumado do que da última vez que eu entrei e Kellan estava sentado na frente de seu computador com fones de ouvido. Rock pesado. Eu sabia que ajudava, porque você não conseguia ouvir seus próprios pensamentos com a música alta, mas o efeito não era permanente.
Fechei a porta e sentei em sua cama. Depois de dez minutos, ele notou que eu estava ali e não disse nada. Não me expulsou. Não gritou. Não me xingou. Ele não disse nada. Eu acabei deitando em sua cama e olhei para o teto branco. Era igual ao do meu quarto.
E esperei. Eu não vou sair daqui até ele falar comigo.
— Eu pensava que ter ele em casa poderia melhorar as coisas, mas você não tem ideia de quanto eu peço para ele não estar aqui mais. — ele disse depois de um tempo. O computador e os fones foram postos de lado e Kellan tinha um olhar vazio. — Aquele circo lá embaixo só é o começo, Lis. Ele vai trazer ela para cá, vai casar com ela... Vovó vai enlouquecer. Tia Thea vai se mudar de vez. E nós teremos que ficar aqui.
Ele virou a cadeira e ficou de frente para mim. Kellan parecia muito cansado para alguém da idade dele. Ele deveria estar curtindo com seus amigos, aprendendo a dirigir, fumando algum baseado, namorando... Qualquer coisa, menos escutando que seu pai preferiu passar tempo com uma mulher completamente desconhecida do que com ele.
— Vai ser uma guerra entre a minha avó, minha tia e minha futura madrasta. — ele disse e suspirou. — Sem falar no que Kylie pode aprontar com ela. E Kiera... Deus.
Eu sorri ao imaginar Helena com o cabelo em chamas ou sem sobrancelhas.
Kellan passou a mão no rosto.
— Eu não sei muito sobre relação de pai-e-filho. Eu não tive um pai enquanto eu crescia. — eu disse e ele pareceu se surpreender com isso. — Só era eu e minha mãe depois que ele abandonou a gente.
Voltei a me deitar na cama e olhar para o teto.
— Kellan, eu não sei como resolver este problema. Não sei como resolver nem os meus problemas que estão se acumulando. Eu acho que as pessoas perdem tempo tentando resolver tudo, toda hora... — eu disse divagando por um momento e vi ele sorrir levemente. — O que eu posso dizer é que todo este tempo que fiquei aqui neste manicômio, é que vocês três são maravilhosos. Kiera é rabugenta ás vezes, mas é questão de convivência. Ela está trabalhando nisso e está melhorando.
Ele assentiu e sorriu mais um pouco.
— Eu amo as idas até o instituto, os passeios secretos, as comidas secretas... Eu amei até virar um bolo ambulante! — eu disse e ele riu. — Mas estes momentos que tive só foram porque eu estava com vocês. E aí está a razão que você está procurando, você não precisa de um pai ou uma família perfeita para ser feliz... É só ter Felicity Smoak na sua vida.
Ele riu abertamente do meu tom falsamente egocêntrico.
— Foda-se Oliver Queen. Foda-se Moira Queen. Fodam-se todos. — eu disse e me levantei. — Você só precisa das suas irmãs e elas só precisam de você. E da Lily agora. E de mim também.
— Sempre fomos órfãos. — ele disse e me encarou. — Até você chegar.
— Mesmo antes de eu chegar vocês já tinham a Sra. Lance que vale por dois pais e dois avós. Thea também, mesmo sendo porra-louca daquele jeito dela. — eu disse e ele assentiu. — Todos eles amam vocês, e o seu pai e a sua avó também. Do jeito estranho deles, mas eles amam sim.
Kellan se levantou e me engoliu em um abraço.
Eu sorri.
Nada mal, Smoak.
—-
Eu não sabia qual era a pior parte. Estar usando um vestido tão apertado que parecia uma segunda pele ou estar em cima de saltos enormes. Oh sim, a pior parte provavelmente era passar uma noite inteira perto do Sr. Queen e sua noivinha perfeita e não poder dar uma surra nele.
— Thea, pare de beber! — resmungou Tommy pela terceira vez ao ver Thea com uma taça de champagne na mão.
Roy ainda não havia voltado, eu acho.
— Eu preciso estar bêbada para aturar esta noite, Tommy. Você também deveria estar bebendo. — ela disse e eu concordei com ela em partes.
A mansão recebeu uma faxina exclusiva para esta noite. O Sr. Queen havia convidado sua noiva e a família dela para um jantar, para ambas famílias se conhecerem e se acostumarem com a ideia do noivado.
Me refugiei em meu quarto e encarei o teto.
Esta noite vai ser muito longa.
Coloque sapatos confortáveis então.
Analisei meu reflexo no espelho de corpo inteiro e suspirei. Estava bonita. Usando um dos vestidos que minha mãe havia me dado, que ainda estava com etiqueta. Era azul turquesa, com alças grossas e decote comportado. Ele era bem justo ao corpo que parecia uma segunda pele, mas nada que fosse remotamente vulgar. O coque banana que Kiera havia me ajudado á fazer ainda estava intacto, assim como a maquiagem leve que eu havia passado depois de assistir alguns tutoriais no Youtube.
Quando fui checar Kylie, ouvi meu nome ser gritado do outro lado do corredor.
Na ala proibida.
— Felicity! — gritaram novamente e eu quase desmaiei de tanto alívio ao ouvir a voz de Moira.
Corri até ela e entrei em seus quarto e a vi na frente de uma penteadeira vestindo brincos de diamantes. Ela estava usando um vestido longo e preto. Até para declarar guerra contra a futura nora, aquela mulher estava bem-vestida.
— Me ajude com o meu colar. — ela disse e eu me aproximei. Peguei a corrente de ouro com mãos trêmulas. — Você sabe o que irá acontecer hoje?
— O Sr. Queen irá apresentar a noiva para família. — eu disse lutando contra o fecho e Moira assentiu.
Eu fiquei com medo.
Por que ela estava me perguntando isso dentro de quatro paredes?
Ela vai me fazer ser cúmplice de assassinato?
— E você também o que eu penso sobre este jantar?
— Sim, a senhora provou o seu ponto pela tarde. Com bastante ênfase. — eu disse e ela assentiu mais uma vez e eu fechei o colar.
— Então preciso dizer o porquê de você estar aqui? — perguntou novamente. A-HÁ! Eu sabia. Ela vai matar a Bertinelli e precisa de ajuda para se livrar do corpo. — Nós duas sabemos que você não quer Helena dentro desta casa. Assim como Kellan, Kiera e Kylie não querem. Então se livre dela.
Eu vou ter que matar e esconder o corpo sozinha?!
Preste atenção nas entrelinhas, Felicity!
Ignorei a voz do meu subconsciente e foquei minha atenção em Moira.
— Como irei me livrar dela se mal á conheço? — perguntei com medo da resposta.
— Exista. — ela disse e tirou algo de seu porta-jóias. Ela iria ficar com o pescoço torto se colocasse mais um colar. — Vire-se.
Eu me virei e logo senti o colar. Ela está me emprestando um colar de diamantes que vale mais do que todos os órgãos em meus corpo? Parece que sim. Ela girou meus ombros e me analisou. No final, ela sorriu. Isso é bom, né?
Não!
— Pode ir. Veja se Kylie já está pronta. — ela disse e eu assenti.
Corri para o quarto de Kylie e me agarrei nela como se fosse uma tábua de salvação. Ela estava linda. Usando um vestido branco — que só passou pela minha aprovação quando a Sra. Lance disse que não haveria macarronada no cardápio — e sapatilhas combinando. Eu deixei seu cabelo solto com apenas um arquinho. Lily também estava pronta, ela estava usando uma saia de tutu rosa e roxa.
— Eu quero tanto conhecer a noiva do papai. — ela disse e eu me surpreendi com isso. Muito mesmo. — Aí depois eu posso colocar cola no xampu dela ou tinta no sabonete!
Ri, aliviada, com seus planos.
Eu iria surtar se Kylie gostasse de Helena.
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