The Outsiders
8 Chapter VIII – SILENT LUCIDITY
Notas iniciais
-> http://www.youtube.com/watch?v=kkpLONtRjn4 (Walk All Over You - à partir de 1:54 min)
-> http://www.youtube.com/watch?v=9mcDkmxA548 (Highway To Hell)
Também aparecerá o nome dessa musica aqui: http://www.youtube.com/watch?v=2fJtC5QLYmk (Get It Hot)Só não a coloquei pois era musica demais pra pouco espaço. Lothus está comigo e ajudou (como sempre) a escolher qual seria tirada, mas vale a pena ouvir também, mesmo fora do contexto da história porque a musica é foda.
Obrigada amora por sempre estar aí pra ajudar, até mesmo quando não é conveniente! Eu te amo, sério.Bom, a todos uma boa leitura!
Ah, como sempre, informações extras (no caso imagens desse capítulo) no meu blog: http://slashyaoifanfics.blogspot.com/2011/07/demorou-mas-chegou-capitulo-novo-na.html
beijos
Ao contrário do que pensou que seria, o final de semana foi passado em família. Passado em casa e num clima inegavelmente tenso.
Todo o tempo, parecia que tinham algo a falar uns para os outros, mas ninguém dizia nada. Permaneciam naquele clima sufocante, de palavras não ditas. E aquela sensação de que estavam lhe escondendo algo era irritantemente incômoda e o fazia se sentir excluído. Idiota.
E por mais que tentasse, não conseguia pensar em nada que conseguisse fazer Sam e Dean se juntarem pra o que quer que fosse. Muito menos em algo que pudesse fazer com que o excluíssem assim, até porque não podia ser nada realmente grave, certo? Afinal, se fosse, com certeza eles dois não perderiam tempo em apontar o dedo um na cara do outro como sempre faziam.
Tentou mesmo fingir que estava tudo bem e tomar seu café naquela segunda como se nada tivesse acontecido, mas chegou uma hora que aquele clima pesado lhe incomodou tanto que sequer conseguia engolir a comida sem se sentir nauseado. Por isso afastou o prato de cereais com um bufo irritado e cruzou os braços, esperando que alguém falasse algo.
Mas ninguém disse nada, ou mesmo pareceu notar sua reação.
– Então... Depois da aula vou ficar um pouco na biblioteca estudando pra prova de Inglês, certo? – avisou para ninguém em especial, esperando que pelo menos assim olhassem para ele, mas aparentemente só seu pai o ouvira, concordando com um aceno meio apressado de cabeça para logo depois voltar aos seus pensamentos, os olhos fixos no jornal daquela manhã.
Bufou outra vez. Oque diabos estava acontecendo com eles?
–--
Abriu a oficina naquele dia com uma sensação horrível de que aquilo não significava mais o que sempre significou. Não parecia algo familiar agora, pelo menos não com seus dois filhos logo atrás de si, provavelmente encarando suas costas daquele jeito questionador, perdido, de quem sabe demais sem saber sobre o quê.
E aquilo era tão desgastante e frustrante! Não queria aquilo pros seus meninos, inferno, como não queria!
Mas estava ficando ridiculamente desagradável esconder tudo aquilo e não conseguia não se sentir sufocado com isso. Ser constantemente observado e ver aqueles olhares questionadores demais, toda maldita vez que procurava o olhar de seus garotos.
Não precisou pensar muito pra perceber que não era mais somente Dean que descobrira bem mais do que devia.
Mas não conseguia saber o que era pior. Continuar com aquilo ou falar a verdade. E só Deus sabia como não queria ter que fazê-lo. Só sabia que aquilo estava insustentável e quando se deu conta de que conseguira chegar quase ao horário de almoço evitando falar mais do que o básico com seus próprios filhos, não suportou mais. Disse que precisava pesquisar mais algumas peças que estavam faltando na oficina enquanto tomava de volta a jaqueta e rumava à porta sem esperar resposta, mas quando chegou próximo à ela, parou ao ouvir a voz de Sam soar inquietada, quase desesperada.
– Não vai sozinho pai... – pediu antes que conseguisse se controlar e só ao ver o olhar preocupado de seu pai sob si, percebeu o quão neurótico estava ficando.
– Só vou dar um pulo em casa, não demoro. – respondeu, tentando soar despreocupado e tranquilo e saiu a passos apressados. Sem olhar para trás.
Não podia fazer isso com eles. Tinha que tirar aquilo da cabeça deles de algum jeito, mas não podia deixar que soubessem de tudo.
–--
Assistiu o pai sair sem esboçar reação.
O que estava acontecendo?
Sentia o tempo todo um medo incontrolável de que algo acontecesse com algum deles enquanto não estivesse por perto e não conseguia afastar essa sensação de que tinha algo errado demais em tudo.
Estava ficando completamente paranóico.
Lançou um olhar angustiado na direção de Dean, que terminava de mexer na moto do rapaz que viria buscá-la hoje e lembrou o que imaginara da outra vez. Todo aquele sangue... Suspendeu a respiração por um momento e não conseguiu não ver que isso não era bom para ninguém, nem pra ele e muito menos pra sua família. E somando isso tudo àquela sensação desgraçada de que estava pondo todos em perigo apenas por estar por perto, decidiu que teria que dar um fim a isso.
Em definitivo.
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Tamborilou os dedos ansiosamente sobre a mesa do computador enquanto esperava a página carregar. Maldita hora pra internet resolver não funcionar...
Não conseguira grande coisa na sexta feira. Apenas descobriu que a mulher em questão havia sido morta pelo marido quando descobriu que ele a traía.
Algo fútil, uma morte sem sentido enquanto eles viajavam naquela quarta-feira. Do que descobriu e o que deduziu como óbvio, a mulher o seguira escondida à cidade vizinha e ele a descobriu. Ele a trazia de volta, ela perdeu a cabeça e o ameaçou com a faca. Briga, confusão dentro do carro e quem acabou com a faca enterrada ao corpo foi ela. O homem entrou em pânico e a jogou do carro em movimento. Fim da história. Cara preso, morreu pouco tempo depois por conta dos problemas cardíacos que tinha.
Era obvio que agora a mulher assombrava a estrada em busca de alguma vingança. Um espírito raivoso.
Pensou seriamente se ela não seria uma mulher de branco, enquanto ainda batucava os dedos, agora distraidamente, sobre a mesa do computador. Mas esqueceu seus pensamentos ao ver que finalmente a página carregara.
Sim, novamente a pesquisa sobre os acidentes na US-40 E. Queria encontrar o padrão dela, entender porque atacaria seu Sammy, mas quando a página que escolhera abriu, esqueceu o que viera procurar, pois deparou-se com algo muito maior do que esperava.
– Mas que m-...? – exclamou baixinho, somente para si, enquanto rolava os olhos pela matéria relacionada à anterior.
“UMA FAMÍLIA MARCADA PELA TRAGÉDIA”.
–”... Acidente na US-40 E nesta quarta-feira, 13 de setembro de 2006...”. “Sem amigos presentes no enterro...”. “O rapaz de 23 anos, Jason Scott, que viajava com uma possível amante...”. São os garotos de quem Dean ouviu falar... – sussurrou confuso, repetindo trechos aleatórios em voz alta para ter certeza do que lia. – “Família marcada por tragédias...”? “... incêndio começou no quarto do bebê de seis meses, sem motivos aparentes, vitimando sua mãe, Joanne Scott...”. “Testemunhas afirmam ter visto um homem caminhando dentro da casa em chamas...”. Homem...? – afastou-se da tela com um suspiro surpreso, sem se dar ao trabalho de terminar de ler. Claro, não era algo realmente inteligente, acreditar em uma matéria sensacionalista como aquela, mas... As informações batiam.
Incêndio no quarto do bebê... A mãe morreu... E a história do homem dentro da casa?
Não foi exatamente o que os vizinhos dos Campbell lhe disseram quando foi lá a procura de Samuel e seu filho, depois de receber a notícia?
Certo, Sam tinha dias de vida quando isso aconteceu, mas esse argumento não funcionou tão bem assim para acabar com as suas preocupações quando pensou no que seu filho disse sobre ter sonhado com o homem de olhos amarelos... Seis meses...
Passou os dedos ansiosamente pelos cabelos agora ligeiramente grisalhos, pensando seriamente sobre o que deveria fazer.
– O Bobby... Claro, o Bobby pode me ajudar! – levantou-se prontamente, fechando as telas que abriu e tomando o cuidado de excluir o histórico, como vira o filho caçula fazer uma vez.
Agarrou a jaqueta que deixara largada sobre a cama de seu filho enquanto olhava o relógio, tentando contabilizar em quanto tempo chegaria à casa do velho amigo se saísse ainda agora. Demoraria bem umas 7 horas...
Bom, era isso, não tinha tempo a perder. Iria até o Bobby hoje mesmo. Ele saberia como ajudá-lo.
–--
Já era horário de almoço. Tinha acabado de baixar os portões, deixando apenas a portinha de metal aberta, mas ainda assim evitou olhar para trás, pois sabia que Sam estava logo ali e não tinha ideia do que falar para ele.
Aquilo estava insustentável. O ar parecia ácido e ver a expressão miserável que o mais novo sustentava sem nem mesmo fazer ideia lhe trazia uma sensação desagradável no fundo do estômago.
– Vou dar um pulo na Lisa. – avisou antes mesmo de processar o que dizia e quando virou para pegar sua blusa, ainda meio surpreso pela própria ideia, viu os olhos esverdeados se prenderem aos seus por um momento.
– Ah... claro... Eu tomo conta das coisas. – respondeu um tanto ansioso, vendo o cenho conhecido se franzir por um momento.
– Ok... – concordou meio desconfiado, mas ainda assim saiu sem olhar para trás. Tinha suas coisas pra resolver e sair pelo menor tempo que fosse daquele clima esquisito que caíra sobre sua família era muito mais que bem-vindo de qualquer forma.
–--
Continuou lá por mais três minutos após a saída de Dean, novamente estático, observando fixamente a porta.
Era sua chance.
Algo pareceu despertar em si àquela ideia. Era exatamente o momento de dar um fim a tudo aquilo... Respirou fundo e vestiu sua blusa antes de fechar a oficina por completo. Teria que ser discreto com seu pai em casa, mas depois de tanto conviver com o sono leve da sua ex, ao menos aprendera a ser silencioso.
Mas aparentemente a sorte resolveu lhe sorrir naquele momento. A caminhonete do pai não parecia estar na garagem. Entrou e subiu com cuidado, mas a casa realmente estava vazia. Suspirou para si então e entrou no seu quarto, puxando uma mochila do maleiro do irmão.
Não conseguiu evitar hesitar. Não queria aquilo. Mas só de fechar os olhos e reviver mentalmente aquelas imagens horríveis... Se ficar significava por sua família em risco, aquilo era o melhor que tinha a fazer.
Pegou uma peça de roupa e colocou dentro da mochila com os dedos meio trêmulos. E logo pôs outra e mais outra. E quando virou para a mesa do computador em busca de seus documentos, percebeu o porta-retratos, meio escondido por uma caneca suja, esquecida ali. Sorriu para a foto, aquela daquele ultimo churrasco há uns dois anos atrás e acariciou-a com a ponta dos dedos. E num impulso pegou-o e colocou-o na mochila também.
Olhou à volta mais uma vez, pensando se pegara o básico ao menos e então suspirou cansado, olhando pela ultima vez para o seu quarto.
Engoliu com força aquele nó na sua garganta e saiu a passos rápidos.
–--
Como assim, ‘ela viajou’?
Se jogou dentro do carro e socou o volante com força, frustrado. E não era só pelo fato dela ter praticamente fugido, mas sim de ele ter se dado ao trabalho de ir até lá e descobrir isso pelos vizinhos dela! Ou ex-vizinhos, que fosse...
E o pior de tudo é que para fazer sua jornada frustrada, largara Sam sozinho na oficina, mesmo estando tão óbvio que algo o atormentava e muito.
Dirigiu depressa o curto percurso da casa dela à oficina, mas quando passou em frente a ela e percebeu-a fechada, algo fez o ar ficar subitamente pesado e difícil de respirar. Tinha algo muito errado...
Passou reto com o carro, observando a frente da sua casa, igualmente fechada e apertou o volante com mais força. Fez menção a parar o carro, mas então divisou uma figura alta quase à esquina da Rhode Island St e acelerou o carro sem pensar duas vezes. Sabia que era Sam ali, mesmo que de longe e sabia então o que estava acontecendo. Ele também ia fugir.
Passou à frente dele e jogou o carro para o lado bruscamente, despertando-o de seus pensamentos. e ouviu quando ele murmurou algo ao ver seu caminho fechado pelo Impala.
– Entra no carro. – mandou assim que abriu a porta do passageiro e o ouviu bufar, passando a mão pelos cabelos daquele jeito tão dele.
– Pra quê? Você nem me quer por perto mesmo.
– Entra na porra do carro Sam. Agora! – viu-o bufar outra vez e apertar a alça da mochila entre os dedos antes de desistir e entrar no carro, batendo a porta com mais força que o necessário, talvez para irritá-lo mesmo, mas guardou silencio sobre isso.
Ajeitou o carro e continuou a descer a rua, ignorando a expressão cada vez mais curiosa que tomava conta do cenho claramente abatido do irmão.
– Pra onde estamos indo? – ouviu-o murmurar e sorriu ladino, colocando o toca-fitas pra rodar de onde parara.
[...] Paradise ain't far from there
–...I wanna walk all over you... – cantarolou, ignorando a pergunta do moreno. Lançou um olhar por cima do ombro para o banco de trás, onde tinha uma caixa de isopor. É... pelo menos as cervejas que tinha comprado pra levar pra casa da Lisa teriam uma utilidade...
I wanna walk all over you
I wanna walk all over you
Do all the things you want me to, babe
I wanna walk all over you […]
Continuou dirigindo ao som de AC/DC e mesmo seu irmão vendo-o seguir a oeste, em direção à Massachusetts St, continuou calado, agora visivelmente abatido outra vez.
Permaneceram em silêncio durante quase todo o percurso, apesar da música e só quando estavam pegando a primeira à direita na N1415 Rd, ao som de Get It Hot, é que seu irmão resolveu falar outra vez, encarando-o confuso.
– Clinton Lake? Sério? – falou irônico, mas outra vez não teve resposta e isso estava ficando irritante. Nem deveria estar ali!
Observou seu irmão parar, não tão perto do lago, mas sim no meio do mato e árvores secas — no melhor estilo outonal — e sair do carro com uma caixa de isopor. E resolveu segui-lo.
– Certo, quer me explicar por que tudo isso? – perguntou no tom mais claro daquele dia, mas ainda assim pegou a garrafa que lhe era estendida pelo mais velho, que não desviou o olhar de uma árvore seca e realmente retorcida.
– Então é isso? Vai bancar o covarde e fugir? – ouviu-o dizer como se não fosse com ninguém em especial enquanto tomava um longo gole. Abriu a sua também.
– Eu... – torceu a boca, procurando o que responder, mas foi interrompido pelo outro, que só então o encarou.
– Estava fugindo como um maldito covarde! Você é um Winchester e os Winchesters não fogem de nada, nunca. Lembre-se disso.
Baixou a cabeça ao ouvir isso. E de alguma forma, não sabia se ele realmente havia sido seco como achou ou se só estava sensível demais. Mas ainda assim riu baixo e sem humor, apertando a garrafa entre os dedos compridos. – Sou? Mas não é você que adora lembrar todo mundo que eu não sou? – comentou entre a ironia e a melancolia, os olhos rasos d’água, era fato, mas esqueceu sua dor ao ouvir o barulho da garrafa semi-cheia se espatifando contra a árvore velha. E ao levantar a vista, encontrou o rosto bonito do loiro afogueado de raiva.
– OK! – ouviu-o berrar, enquanto se afastava do capô do carro, se pondo à sua frente. – Quer saber? Que diferença faz se pra mim você é ou não um Winchester, se pro pai você é?! Se pro Dam também e pra mamãe...? O que interessa, é que você não tem o direito de mais uma vez pegar a porra da sua mochila e sair da minha vida-... Nossa!...Da vida deles, inferno! Toda vez é assim!... Você chega, faz todo mundo ficar à sua volta, querer você por perto, e então você não aguenta e simplesmente cai fora! E isso machuca, porque, você pode não entender isso, mas as pessoas têm sentimentos, ok?
Guardou silêncio durante toda a explosão do outro e não conseguiu não ficar confuso. Ele realmente disse ‘minha vida’, não? Aquilo foi involuntário, espontâneo e significava algo, certo? Por algum motivo, talvez Dean ainda se importasse.
Encarou-o em ar pedinte, mesmo notando o desconforto que isso trazia ao outro e apertou outra vez a própria garrava. Precisava saber daquilo. – Afinal de contas, o que é que você tem contra mim Dean? O que eu fiz pra você?
– Eu... Eu não sei, tá legal? – desviou o olhar e voltou para perto do capô, ainda meio na defensiva. – Simplesmente você me irrita! – e pegou outra garrafa dentro do isopor, abrindo-a e tomando outro gole longo. Sua garganta estava seca.
Bebeu da sua também, encarando a árvore antiga e seca, agora batizada com a outra cerveja do mais velho e suspirou mais aliviado. Não que tivessem chegado a qualquer conclusão ou mesmo parecessem querer chegar, mas de repente, ficar ali quieto tomando cerveja ao lado dele, com aquela vista, parecia algo agradável a se fazer mesmo com o vento correndo entre as folhas secas, assoviando baixinho.
Estava chegando à metade da sua garrafa quando viu Dean pegar o celular do bolso da blusa e discar algum numero de maneira ágil, levando-o logo à orelha.
– Pai, é o Dean. Sam e eu não estamos em casa, ok? Fechamos a oficina mais cedo. Então... Liga de volta quando pegar a mensagem. – desligou o aparelho com um suspiro preso na garganta. Seu pai sempre atendia o celular...
– Ele também saiu Dean... A caminhonete não estava na garagem... – preferiu não terminar sua frase, deixando-a solta no ar e lançou um olhar de esguelha pro mais velho, que só deu de ombros antes de terminar sua cerveja.
– Vamos pra casa Sammy... – disse em tom baixo, largando a garrafa vazia em qualquer lugar antes de entrar outra vez no carro, perdendo o sorrisinho saudoso que o mais novo deu ao ouvir aquele apelido bobo sem o tom de ironia que o mais velho sempre usava.
–--
Encostou a ponta dos dedos no vidro frio da janela, enquanto olhava distraído para a paisagem da S Lawrence Trafficway. Tinham terminado de ouvir a fita e ela já tinha sido rebobinada e colocada pra tocar desde o começo outra vez, enchendo o carro agora com o som da Highway to Hell. Guardavam silencio de novo, até porque de certa forma, não tinham o hábito de conversar entre si. Mas estranhamente, o silencio não parecia tão incômodo como deveria. Na verdade quase podia agradecer por ele.
Living easy, livin' free
Season ticket, on a one, way ride
Suspirou silenciosamente, encostando a testa ao vidro gelado também. Eram tantas coisas pra pensar... E coisas que sequer faziam sentido.
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Aquilo tudo parecia um roteiro de filme de terror de quinta e essa percepção das coisas conseguia fazer com que se sentisse ridículo por ter mesmo pensado em fugir, mesmo que aquela sensação não sumisse.
Don't need reason, don't need rhyme
Ain't nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too
Quer dizer, iria fugir por que, exatamente? Nem mesmo sabia o que realmente estava o perturbando, se fosse pensar sinceramente. E, ok, tinha todo aquele papo sobrenatural da estrada, e as coincidências estranhas e aquela carta do seu pai biológico, mas... Céus, parecia tão insano pensar em acreditar nisso! Pelo menos, pensar sem provas...
Talvez fosse melhor mesmo tentar conversar com seu pai antes de qualquer coisa. Com calma.
I'm on the highway to hell
On the highway to hell
Highway to hell
I'm on the highway to hell […]
– Que merda é essa?... – despertou dos seus pensamentos ao ouvir a voz do irmão enquanto desligava o som. E quando percebeu que já estavam na W 23rd St e que Dean virava o carro pro norte, entrando na Louisiana St– logo atrás dos carros de polícia que viravam para lá a toda -, não conseguiu evitar sentir aquele desconforto pesado novamente tomar seu peito. Aquela era a rua da escola do Adam.
– Dean, acha que...? – nem precisou terminar a frase quando viu mais à frente os carros parando descuidadamente sobre a calçada, em frente à Lawrence High School.
Engoliu em seco como se tivesse pedras de gelo entaladas na garganta e saiu do carro ao mesmo tempo que o mais velho, correndo na direção oposta a dos estudantes, que deixavam a escola em pânico. Conseguiu ouvir um tira berrando para eles que não era para entrar, mas o homem parecia receoso de entrar para impedi-los e não teria a menor chance contra eles numa corrida, de qualquer forma.
Seguiram contra a corrente cacofônica de alunos apavorados, seguindo para o foco da confusão, entre esbarrões, sem pensar duas vezes. Adam poderia estar lá!
Pegou o celular e quase derrubou-o com o esbarrão de um grandão do futebol — que berrava com horror que alguém surtara lá dentro enquanto o alarme de incêndio era acionado em algum lugar — e discou o numero do seu irmão ansiosamente. Talvez ele estivesse lá fora, talvez nem tivesse passado perto do foco de confusão, ou mesmo tivesse fugido de lá com aquela habilidade própria da família.
Mas ele não atendia.
Continuaram empurrando os estudantes, forçando passagem e xingou baixinho pelos corredores parecerem infinitamente maiores do que deveriam. Mas quando chegaram próximo à área da biblioteca, a multidão foi se desfazendo, e tudo o que se podia ouvir eram berros vindos lá de dentro, abafados pelo alarme estridente tocando ao longe.
Olharam-se por um momento apenas e assentiram, entrando ao mesmo tempo na sala, encontrando um caos muito maior do que somente uma briga na biblioteca.
Havia sangue, pessoas desmaiadas no chão e outras estranhamente prensadas contra as prateleiras vazias. Todos os livros caídos também, abertos e amassados descuidadamente, alguns manchados com o liquido rubro em quantidade espalhado pelo piso sóbrio, enquanto uma única pessoa permanecia de pé em meio a tudo aquilo, de costas para a porta.
– Adam! – ouviu seu irmão berrar e segurou-o antes que avançasse na direção do garoto estático. – Inferno, me larga, é o Dam ali!
Puxou-o com mais força quando sentiu que o mais velho tentava se soltar e crispou os dedos no casaco do outro ao ver os músculos das costas do caçula se mexerem lentamente, como se tencionasse virar, mas então tudo o que fez foi rir uma risada aguda, profunda e macabra antes do corpo cair no chão desengonçadamente, como um saco vazio.
–--
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