The Outsiders

7 Chapter VII – WHAT SHOULD NEVER BE


Notas iniciais
Primeiro capítulo de uma parceria que sempre existiu sutilmente e que ganhou um espaço muito mais que merecido! Amora, bem-vinda mais uma vez pra TO! Espero que use seus direitos de co-autora como Deus manda, ok?
Muito obrigada aos leitores dessa história, mesmo. Também por conta de vocês, ela cresceu tanto que tive que pedir ajuda aqui pra leva-la direito, olha só! (risos)Vocês são especiais e suas opiniões mais ainda!!
Por isso não poupem verbo, quero saber tudo o que puderem me dizer!Obrigada mesmo por estarem aqui comigo! Conosco agora, aliás. ♥

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– Certo... e como ela vai ser? – perguntou em meio a um sorrisinho contente, acariciando-lhe os ombros nus.

– Ah, não sei... Uma com cercas brancas...? – respondeu em meio a uma risada boba e se encostou mais ao peito forte do moreno, que apenas acompanhou os risos e suspirou enquanto entrelaçava seus dedos e olhava o anel em sua mão.

– Ficou perfeito... – observou o anel com cuidado e acariciou a mão menor com o polegar, sem conseguir tirar aquele sorrisinho idiota da face.

Você é perfeito. – disse sem pensar, desencostando de seu peito para poder olhá-lo nos olhos. – Eu te amo tanto Sam...

– E eu você Jess... – acariciou o rosto macio e corado com carinho e tomou aqueles lábios nos seus rapidamente, como se quisesse provar o que dizia. – Eu te amo. – respondeu outra vez e o sorriso que recebeu poderia iluminar o quarteirão inteiro.

– Certo, agora chega disso! É gay demais até pra mim! – riu-se um pouco desconcertada e bateu no colchão com a mão livre, voltando a se encostar no peito do agora noivo como se ele fosse apenas um travesseiro dos grandes.

–Sério, as vezes você fala...

–... Igual ao seu irmão... Sei. – completou visivelmente divertida e encarou-o de soslaio antes de voltar à atenção pra TV finalmente. – Eu nem o conheço Sam, é feio ficar depondo contra ele.

– Ué, depondo contra? Pensei que se achasse um pouquinho mais... Ai! – não conseguiu evitar provocar e gargalhou ao receber um beliscão na coxa. – Monstra, isso dói, sabia?

– Vai falando aí baby... beliscãozinho de amor não dói. – volveu irônica, ainda sem desviar o olhar da tela da televisão do quarto.

– Ah é...?

– Não... você-! Você não pode, grandão!... Hey, assim dói! – tentou repreendê-lo e bateu algumas vezes nas mãos grandes e rápidas dele, mas não conseguiu evitar gargalhar também, principalmente quando os beliscões foram substituídos por cócegas. – Pára, pára, pára! Eu me... eu me rendo!...

– Pede penico.

– Idiota! – xingou-o enquanto se contorcia e gargalhava sob as mãos dele e ouviu a risada gostosa dele em resposta, que a largou então.

– Por isso que aceitou casar comigo, hein?

– Claro, quer oportunidade melhor do que essa? Casar com um idiota, filho de mecânico, cuja família nem conheço... E que se bobear vai me detestar, ainda por cima!

– Pensei que fosse casar com um brilhante futuro advogado, filho de um cara incrível e com dois irmãos impagáveis. E cuja família irá te idolatrar assim que conhecerem seu maravilhoso senso de humor...

– Pode ser também... – respondeu em tom manhoso e voltou a se recostar em seu peito. – Um advogado boa pinta, vestido de terno e gravata voltando pra nossa casa depois de um dia de cão... Mas, sabe? Não quero cercas brancas... Talvez roxas.

– Jess!

– Ou verdes... O que acha?...


– Hey! Acorda caramba! – sentiu cutucões desconfortáveis em suas costelas e virou na cama, entreabrindo os olhos e dando de cara com Adam mais uma vez, que o encarava impaciente. – Cara, café! É a quadragésima vez que te chamo!


– Eu... – levantou a cabeça para falar com o irmão, mas só conseguiu suspirar e derrubar-se de novo sobre o travesseiro, fechando os olhos, resignado ao ver que era só um sonho. Não era real... – Estou indo.

– Ótimo, vai tomar um banho pra acordar e não acaba com toda a água quente, ok? – respondeu já se afastando do beliche e ligou outra vez o computador.

– Adam...

– Eu já tomei café, se for isso que vai perguntar. E acho bom se apressar que daqui a pouco o pai e o Dean tão indo pra oficina.

– Não é isso... – hesitou e esfregou as mãos no rosto, cansado ainda. Sentia como se não tivesse dormido nada. Olhou para as costas do mais novo e mordeu os lábios, pensando se deveria perguntar se ele falava sério ontem quando disse que não ia à aula e só pensar nisso já lhe trouxe aquele aperto no peito e garganta outra vez. Suspirou pesadamente. – Vou indo...


–--



Terminou de comer seus ovos mexidos enquanto encarava as costas do pai, que apenas cantarolava alguma coisa e lavava a frigideira. Sua cabeça doía e quando olhou no espelho de manhã, depois de uma ducha, viu claramente as olheiras que denunciavam a sua falta de sono na noite anterior. Sacudiu a cabeça de leve, pensando em como introduzir o assunto sem que seu pai o desviasse.


Olhou compenetrado para a porta da cozinha, esperando para ver se alguém aparecia e então olhou de novo pro seu pai, que enxugava as mãos no pano de prato agora.

– Algum problema filho? Não dormiu bem por causa da história de Lisa? – ouviu-o perguntar ainda de costas para si e conteve a risadinha irônica que ameaçou escapar-lhe. Afastou a cadeira da mesa e se encostou a ela com desleixo, medindo as costas do homem que era seu herói desde sempre.

– Não... passei a noite em claro por outra coisa. – começou e seu tom denunciava um quê de acusação que John não entendeu.

Virou-se para encarar o primogênito, confuso com a forma como ele lhe falou. Nunca o ouviu falar assim.

– Eu li a carta do tio Sam. – sorriu um sorrisinho malicioso quando falou isso e viu claramente a surpresa que tomou o rosto de seu próprio pai ser rapidamente substituída por ansiedade.

– Dean... Você... isso não-. Como pegou ela? – tentou se indignar com aquilo, mas sentir o olhar pesado de seu próprio filho sob si o desarmou completamente.

– Estava no caderno, claro, e como acabei com ele realmente não vem ao caso. – tornou seco e levantou, caminhando em direção ao mais velho, que permanecia estático, apertando o pano de prato entre os dedos. – Pai, o que significa isso? – não conseguiu manter o tom firme durante muito tempo, não com o seu pai. Olhou-o no fundo dos olhos e pediu aquela resposta, recebendo um suspiro ansioso em resposta.

– Filho... – pensou em pedir para esquecerem isso, mas Dean parecia decidido. Perturbado com aquilo, talvez. Desviou do mais novo e caminhou incerto até a sala, ouvindo os passos apertados de seu garoto atrás de si.

Ele não ia desistir.

– Me responde pai! O que significa isso? Você sabia que a namoradinha do seu filho também morreu num incêndio? Como? Porque a mãe dele morreu do mesmo jeito que essa Jessica? Porque o pai dele escreveu aquilo? Hein? Pai, ele falava sobre matá-lo!

– Não! – exclamou nervoso, dando um passo em direção ao loiro, que recuou-o sem querer. – Nunca mais fale disso, está me ouvindo Dean? Está me ouvindo!? Eleestava louco de dor pelo o que tinha acontecido com a Meredith, não estava pensando direito e mesmo quando pensava, também não batia bem das ideias!

– Ok... e como pode ser só loucura do cara, se a mãe do Sam morreu do mesmo jeito que essa tal Jessica? Como as três mortes podem estar ligadas ao Sam pai? Como? Porque elas estão! E aquela história de queimar no teto! O senhor leu a carta! O senhor sabe de alguma coisa!

– Chega Dean! – bradou de novo, calando-o. – Chega. Não vamos mais falar sobre isso. – baixou o tom de voz e fez menção a voltar para a cozinha, mas estagnou ao ouvir a voz de seu filho soar perdida, ansiosa.

– Eu vi esses olhos amarelos antes pai... Eu sonhei com eles ontem, eu já os tinha visto. Ele estava perto do berço do Sammy e eu não consegui impedi-lo de chegar perto dele. – fechou os olhos com força ao ouvir aquilo e se voltou outra vez para o rapaz, que tentava disfarçar os olhos marejados.

– Foi só um sonho filho... Você está estressado e confuso... Estão acontecendo coisas demais de uma vez não é? – foi sua vez de dissimular, sorrindo um sorriso de conforto para o seu garoto, que só o encarou duvidoso antes de soltar o ar dos pulmões de uma vez, como se isso o machucasse.

– Eu não tô ficando louco.

–Claro que não... só está cansado Dean...

– O assunto não acabou ainda pai. – murmurou em resposta e saiu da sala a passos largos rumo à cozinha.


–--



Quando começou a descer as escadas às pressas pra tomar o café, não percebeu a movimentação tensa lá embaixo. Não pelo menos até chegar à metade dela e ouvir os dois entrarem pela sala, Dean exigindo respostas.


Ia virar as costas e subir outra vez, aflito por ver algo tão raro quanto Dean enfrentando seu pai, mas aquilo definitivamente não era da sua conta. Provavelmente era sobre aquela história da tal Lisa e sua gravidez outra vez...

Mas travou sem sequer ter subido dois degraus ao ouvir o que Dean dissera e retrocedeu o caminho de novo, incapaz de terminar de descer ou mesmo de subir. Sentiu algo horrível dentro de si, como se seu coração garganta e pulmões estivessem tentando se comprimir uns aos outros, impedindo-o de respirar. De pensar.

Como ele sabia da história da Jess? E que história era essa de ligação, morte? O que estava acontecendo?... E tudo o que o mais velho dizia parecia acertá-lo como um soco e cada coincidencia parecia queimar atrás de seus olhos e quando Dean saiu de perto do pai rumo à cozinha foi que percebeu que estava sentado às escadas, segurando seus cabelos com força e podia jurar que sua cabeça iria explodir a qualquer momento.

Não se importou em tentar ser discreto, só subiu as escadas o mais rápido que pôde e entrou no quarto de seu irmão, procurando freneticamente o tal caderno que ele disse ter em mãos. Não precisou de muito esforço para vê-lo largado sobre a cama, parcialmente escondido por um travesseiro e não pensou duas vezes antes de se arremessar sobre a cama, como se mais alguém estivesse tentando pegá-lo. E quando sacudiu-o com violência e o envelope carcomido caiu, agarrou-o com força, tentando abri-lo com as mãos meio trêmulas.

Desdobrou o papel amarelado e vincado, lendo-o apressado apesar da letra difícil de entender e quando conseguiu chegar ao fim da carta, não eram só suas mãos que tremiam agora e sua cabeça pareceu rodar dentro dela mesma. E lembrou então da voz quase perdida de Dean falando que vira aqueles olhos amarelos antes...

– Olhos amarelos... – murmurou para si com a voz falha e fechou os olhos com força, lembrando daqueles olhos que vira ontem, deitado em sua cama. Abriu a carta meio amassada em suas mãos e leu outra vez aquele começo. ‘E agora ela está lá, colada no teto... Queimando...’ – Jess...

– O que você está fazendo aqui? – perguntou surpreso ao ver o moreno sobre sua cama, meio sentado, meio jogado e quando ele o encarou, sem entender as lagrimas que ameaçavam cair de seus olhos, até perceber o que ele segurava. – O que tá fazendo com isso!

– Ela queimou no teto. Ela queimou no teto Dean! Ela-... – tentou falar, mas sua voz saía confusa, rouca. Encarou o rosto bonito do mais velho e sentiu o nó da sua garganta apertar outra vez, fazendo-o ofegar

– Sam, ele era lunático. Nada aí... – tentou consolá-lo, pois ele parecia bem perturbado, mas calou-se ao ser interrompido pelo mais novo, que agarrou sua blusa pelo peito enquanto respirava superficialmente

– No sofá... eu vi! Dean... Eu!... Jess... ela... – tentou se controlar e respirar fundo, mas puxar o ar pareceu doer em si, procurou o fundo dos olhos do outro e apertou mais a blusa entre seus dedos. – O que tá acontecendo Dean...? O que tá acontecendo aqui!

– Sam... – tentou chamá-lo, mas interrompeu-se ao vê-lo quebrar o contado com seus olhos, fixando-se na porta do seu quarto por um segundo antes de voltar a si ainda mais angustiado, porém mais calmo.

– Eu estava ontem falando com o Adam... e quando fechei os olhos eu senti de novo aquela dor de cabeça... Eu vi Dean. Eu vi os olhos amarelos. – sua voz saiu baixa e o que disse pareceu abalar o mais velho, que se afastou por um momento e piscou algumas vezes como se tivesse viajado no que ouviu.

– Sammy... lá embaixo...

– Eu ouvi tudo.

– O que-...

– Vocês definitivamente deviam ter escolhido um lugar menos acessível se queriam privacidade. – respondeu sorrindo amargamente e baixou a vista, ouvindo o outro suspirar impacientemente. – O papai... – interrompeu-se e espremeu ainda mais a carta nos dedos. – Ele pesquisou sobre acidentes na estrada onde capotei o carro. Uma das matérias era sobre uma morte lá, de uma Samantha Smits... Era a mulher da estrada. A mulher que eu vi Dean!... Eu-... Eu vi um fantasma? Como isso é possível...?

– Eu ouvi a conversa de dois tiras... na noite que você chegou. – limpou a garganta e balançou a cabeça, meio incerto, não queria tocar no assunto da briga. – Num bar. Bom... Aconteceu outro acidente na mesma altura da estrada onde você sofreu o seu e as vitimas viram uma mulher também.

– Eles-...

– Mortos. – confirmou e notou a careta de dor no rosto do mais novo, que baixou o olhar outra vez, finalmente largando a carta de lado.

– Era pra ter sido eu, sabe?... – levantou o rosto e riu desgostoso, sentindo os olhos rasos d’água outra vez. Pressionou-os com os dedos e fungou, tentando se controlar.

– Não, não era. Se fosse pra ser, você nem sequer estaria aqui. – respondeu prontamente. Tentou não soar grosso, mas sua voz saiu mais seca, incomodada com a afirmação do moreno.

– Não, claro que era! Olha bem pra isso tudo Dean, eu sou amaldiçoado! – alterou o tom de voz e sorriu de um jeito torto, cínico, abrindo os braços como se se mostrasse para ele. – A mulher que me pôs no mundo morreu num incêndio, o cara que devia ser meu pai me largou na porta de vocês, me amaldiçoando e se matou! E agora a única mulher que eu já amei na minha vida morreu exatamente do mesmo jeito que a minha mãe biológica e pra melhorar ainda mais a situação, aparentemente enquanto voltava pra casa, topei com um fantasma raivoso que não me matou, mas fez isso com seja lá quem passou lá depois de mim!

– Realmente Sam... Não lembrava dessa sua veia pro melodrama. Deu até vontade de assistir Titanic de novo.

– Isso não é brincadeira Dean.

– É claro que é, e daquelas de bem mau-gosto, ainda por cima. Tá ouvindo o que você tá falando? Como se isso tudo fosse sua culpa? Não sei que porra que é essa história da estrada, mas titio Sam era demente e isso até eu com 4 anos de idade sabia. Ponto.

– Mas a minha mãe, ela-.

– Sua mãe se chamava Mary Campbell Winchester, esposa do seu pai John Winchester. E ela morreu quando você tinha 6 meses, entendeu? Ou vai negar isso agora?

– E... e essas visões, as dores de cabeça? E o sonho com a Jess? Ela estava no teto Dean! No teto! E eu nem sabia que essa maldita carta existia! Como? E esses malditos olhos amarelos?

Bufou cansado e bagunçou os cabelos curtos com a mão direita, encarando o rosto jovem à sua frente, marcado por aquela expressão angustiante que o fazia parecer tão miserável. Não tinha o que responder já que o que ele perguntava era exatamente o que queria saber. Exatamente o que John não parecia disposto a responder.

– Pensei que já tivessem ido pra oficina. Já viram que horas são? – quase sorriu de alívio ao ver a silhueta magrela de Adam encostada no beiral da sua porta, mas mudou de ideia assim que viu a cara de preocupação que ele fez ao olhar melhor para Sam. Acabou olhando junto, e agradeceu mentalmente por Sam ter largado a carta meio amassada sobre a cama desfeita, porque a coberta se confundia com o papel amarelado, olhando de longe. – O que foi Sam?

– Nada. – respondeu prontamente e fungou, rindo logo em seguida da resposta idiota. – Só estava... conversando com o Dean...

– Conversando? Vocês? – respondeu o óbvio, erguendo as sobrancelhas em ar descrente.

– Difícil de acreditar, né? – comentou irônico e sorriu de lado, ainda se sentindo nervoso com aquilo tudo. Mas Sam estava certo, era melhor deixar Adam fora disso.

– Estava perguntando umas coisas sobre a oficina pra ele. – completou da forma mais convincente que pode, lançando um olhar torto ao mais velho pela ironia antes de olhar outra vez pro mais novo. E Dean não conseguiu deixar de se impressionar com a capacidade dele de dissimular.

– Ok, e essa sua cara arrastada é por quê?

– Porque o cara da moto não deve aparecer por lá hoje. – respondeu por ele e não conseguiu evitar o sorrisinho de escárnio quando aquela expressão abatida deixou-lhe o rosto, sendo substituída por aquela cara engraçada que ele sempre fazia quando o irritava.

– Dean!

– Ah é, é? – não conseguiu resistir à provocação do loiro mais velho e sorriu jocoso também, fazendo Sam corar — provavelmente de irritação.

– Claro que não!

– Tá respondendo rápido demais pra ser inocente...

– Ahhahah, muito engraçado. – tornou enquanto cruzava os braços, sua expressão demonstrando que não achava graça nenhuma daquilo. – Adam tem razão, já era pra termos ido pra lá.

– Viu? É a esperança de encontrar o camarada...

– Dean, cala a boca?

– Não. – respondeu com gosto, aliviado pelo assunto ter desviado, ao menos um minuto, pra algo bobo como aquilo. Mas dava pra ver no fundo os olhos esverdeados do irmão que aquilo não tinha sido esquecido e só então parou pra pensar se seu pai se sentia desconfortável assim com suas perguntas.

Ficaram se encarando em silencio, meio que se questionando mutuamente. Dava pra ver que Sam queria retomar o assunto assim como dava pra ver que Dean não queria ter que voltar a ele até conseguir alguma resposta pra dar.

– Ok, vão ficar aí flertando mesmo? – chamou a atenção pra si quando cansou de ver a troca de olhares silenciosa entre os mais velhos. Ainda mais porque sabia que eles estavam escondendo alguma coisa, porque, Dean e Sam conversando amigavelmente? Só se tivesse algo muito sério por trás...

– Ahn... Eu vou... esperando, lá embaixo enquanto a Samantha se arruma. – desviou o olhar e sorriu em provocação mais uma vez antes de sair, um tanto desconfortável pela troca de olhares e as perguntas silenciosas que nem mesmo tinha como responder. – E caiam fora logo do meu quarto.


–--



Viu o pai desligar o telefone a tempo de ser abordado por um cliente e suspirou impaciente. Olhou de relance para onde o irmão mais novo estava e percebeu que ele o encarava, disfarçou o olhar e voltou para baixo do carro com um suspiro curto. Se pensou por um momento que fosse que o fato de estarem só os três lá seria propício para retomar o assunto, mudou de ideia ao perceber que não tinha como tentar discutir algo assim com o entra-e-sai de gente naquele lugar. Tava na cara que seria só mais um dia normal de serviço e foi a primeira vez que constatar isso o frustrou.


Sam não se encontrava muito diferente. Aquele assunto ainda atravessado em sua garganta, pondo-o inquieto, enquanto tinha que fingir que não.

Mexia nos papéis tentando organizá-los, mas não conseguia se prender às datas ou aos assuntos deles, só conseguia olhar de Dean para seu pai, procurando alguma brecha que nunca vinha pra retomar o assunto.

Fixou sua atenção ao pai. Sabia que se alguém tinha alguma resposta, era ele, não Dean. Mas John parecia especialmente ocupado naquele dia, uma vez que se não entrava um cliente, vinha algum conhecido da vizinhança conversar com ele. O bom e velho John era um cara querido no bairro.

Desistiu dos papéis com um movimento brusco, jogando-os de volta sobre o móvel antigo numa exclamação estrangulada e ironicamente discreta. Sentou de qualquer jeito na cadeira perto de onde o telefone sem-fio deveria estar, encostando a nuca em seu encosto.

Era óbvio que não conseguiria falar com o pai ali e provavelmente teria o mesmo sucesso em casa também...

Fechou os olhos com força e não conseguiu deixar de se questionar sobre o que estava acontecendo. Como aquilo tudo tinha ligação com ele? E por quê? E não conseguiu evitar um sorrisinho sem humor ao pensar que tinha o mesmo nome que o cara que o largou na porta do seu pai, John.

Porque aquele homem lá não era seu pai, John era.

Mas, talvez o homem não estivesse louco, não é? Talvez ele só estivesse certo.

E esse pensamento doía.

Mas dele, lhe veio um estalo assustador. Lembrou dos tais olhos amarelos e sentiu seu corpo gelar com a ideia de que talvez, ficando ali, estivesse pondo sua família em perigo. E como esse outro pensamento abalou-o.

Olhou nervoso de seu pai, agora inocentemente entretido com o motor de algum carro, para o que conseguia ver de seu irmão embaixo do carro. E o vislumbre que sua imaginação, recentemente tétrica e deturpada, o fez ver naquela imagem lhe fechou a garganta.

Tendo apenas a imagem das pernas do irmão largadas para o lado de fora, conseguia ver o sangue que poderia estar pelo chão à sua volta e aquela ideia, mesmo que fantasiosa, era demais para ele.

Respirou fundo tentando se acalmar e entre o desamparo que sentiu ao pensar que talvez aquela imagem realmente pudesse se tornar real se continuasse ali, mal percebeu que seu pai desistira do carro, olhando para os lados agitadamente antes de avisar para ninguém em especial que iria dar uma saída.

Nada de mais, só algo sobre beber um pouco e baterias.


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Notas finais
Informações sobre a fic: http://slashyaoifanfics.blogspot.com/