The Outsiders

5 Chapter V – THE DAMN LETTER


Notas iniciais
Bom, como sempre esse capítulo como toda a história em si vai pra minha amiga, amora, pra mulher da minha vida e minha amante não-carnal dona Lothus!
Pensem o que quiser, mas eu AMO essa mulher! Obrigada por existir na minha vida amora!

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Abriu o envelope velho sem exatamente muito cuidado, rasgando mais a lateral já danificada, mas pouco se importou. Segurou o papel ainda mais amarelado por excesso de manuseio nos dedos, desdobrando-o para encontrar uma caligrafia inclinada e meio torta. Parecia que a caneta tremeu um bocado nos dedos do autor.


“Eu sabia! Eu disse e sabia, mas ninguém acreditou em mim... E agora ela está lá, colada no teto... Queimando...

Droga, vocês vão achar que eu estou louco não é? Mas eu disse. E eu estava certo.

Isso não é filho meu! Não é meu, é cria do demônio! Ele matou a Dith... Ele a matou! Eu não posso ficar com isso, ele quer me matar também, eu sei...

Mas ele não pode se eu o fizer antes, certo?

Mary, John... Vocês não gostam tanto dele? Não queriam um irmãozinho pro pequeno Dean brincar? Cuidem se quiserem então!

Ou dêem se preferirem, porque, estou avisando, ele é um maldito... Ou joguem no lixo! Sim, é uma grande idéia... Eu o jogaria, se ele não quisesse me matar...

Façam o que preferirem com ele e não me culpem depois, porque ele é maldito. Matou minha esposa e qualquer chance de eu ter uma família de verdade.

Mas não posso matar, ou ele me mata antes... E ele quer muito me matar, dá pra ver nesse brilho amarelo demoníaco nos olhos dele...

Mas ele não pode se eu o fizer antes, certo? Ele não pode...

Não se eu fizer antes.”


Leu a carta em silêncio, os seus olhos crescendo como pratos a cada palavra que conseguia entender da caligrafia torta e corrida e quando chegou ao fim, entendeu bem porque o papel estava tão vincado, porque ele mesmo amassou-o de raiva.

– De quem esse filho da puta achava que tava falando? – sussurrou possesso, porque definitivamente não era do Sammy que ele conhecia. Okay que ele próprio o amaldiçoara algumas boas vezes, mas vamos lá, era completamente diferente! Esse lunático estava falando a sério! Falando de um bebê! Queria matar um bebê! O Sammy que ele conhecia.

Aquele bebê gordinho que sempre pegava no colo e que babava na sua mão toda quando o mordia com a boquinha banguela e então ria. O garotinho que vivia de joelhos ralados, ou com aquele olhar de cachorrinho que caiu da mudança. O menino que nunca se dava bem nos primeiros dias de aula na escola. Que lia demais, comia bem demais de um jeito saudável demais e que fazia tudo certo demais. Que era incapaz de fazer mal a uma merda de inseto. Que cresceu demais e que agora era mais alto que ele. O Sammy que sempre quis proteger de tudo e de todos e que protegia até de si mesmo, mesmo que ninguém jamais entendesse isso. Nem ele mesmo.

O que diabos podia ter de demoníaco naquele cara lá embaixo com seu pai?

Aquele homem estava drogado — só podia ser -, pra pensar que logo Sam seria capaz de fazer qualquer coisa. Era só se ater melhor ao que ele escrevera!

Queimar no teto?

Cria do demônio?

Brilho amarelo demoníaco?

Ninguém tinha avisado praquele bastardo que isso era fisicamente impossível? Ou que todo o impeto assassino que ele via, ele via num bebê recém-nascido que nem sabia sentar ainda?

– Cristo... E isso era parente da mamãe... – suspirou com desdém, desamassando a carta e guardando-a de volta no envelope. – Até nunca mais ‘tio Sam’, foi bom o Sammy nunca ter ouvido falar de você...


–--


Estremeceu quando o degrau rangeu sob seus pés, pensando imediatamente que alguém ouvira, mas depois riu baixinho de si, avançando as escadas rumo ao quarto.

É, tecnicamente estava fugindo da cozinha. Mas não tinha culpa se seu pai e Adam inventaram de preparar um jantar eles mesmos... E como sabia que quando era Dean quem ficava no comando da cozinha, sobrava serviço pra todos — além de alguns bons palavrões também.

E, mesmo, não interessava se eles iam fazer carne recheada, não queria ter que ficar na pia como sempre acontecia quando vinha pra casa. Parecia até mesmo proposital, essa mania de por ele na pia, porque todos sabiam como — mesmo sem reclamar sobre — ele detestava lavar louça.

Aliás, sabia que da parte de Dean era proposital. Ele sempre fazia questão de sujar mais louça que o necessário quando era ele que tinha que lavar e, cara, como aquilo era irritante!

Por isso que estava fugindo da cozinha, rumo ao quarto que agora dividia com Adam. E se lhe perguntassem algo, ele faria a cara mais apática do mundo para que pensassem que estava em meio a uma crise depressiva e o deixassem em paz. E no fim nem estaria mentindo mesmo, porque ainda estava muito abalado.

Era quase impossível não pensar em Jess depois daquele sonho, devaneio, visão, ou o-que-quer-que-fosse horrível que teve na sala. Não conseguia esquecer os olhos baços, desbotados e inexpressivos, iluminados secamente como duas bolas de gude o encarando fixamente enquanto o sangue que escorria ia sendo consumido pelo fogo, como se fosse gasolina.


Balançou a cabeça com vontade, tentando afastar esses pensamentos e segurou no batente da porta mais ou menos como Dean havia feito de manhã enquanto coçava os olhos úmidos cansadamente, tentando ignorar aquele aperto sufocante que tomou seu peito. Precisava de algo pra se distrair com urgência para não cair no choro feito uma garotinha e então a ideia de ter que lavar a droga da louça nem pareceu mais tão insuportável assim.

Mas ao ver o computador do quarto convenientemente ligado, pensou em como aquilo era definitivamente mais interessante do que lavar louça.

– Preciso olhar meus e-mails de qualquer forma... – justificou-se para o nada, pensando então se algum de seus amigos de Stanford poderia ter lhe mandado algo. –... Se sim com certeza é pra me mandar pro inferno também... – riu tristemente. Principalmente por saber que eles teriam razão, já que trancou a matrícula e foi embora sem mais nem menos, sem se preocupar em avisar alguém.

Mas quando abriu uma nova página, apareceu aquela mensagenzinha sobre restaurar a última sessão ou ir pra home page. E a curiosidade de saber o que estavam vendo no computador antes dele entrar invadiu-o, fazendo seu dedo coçar para clicar no restaurar última sessão.

E seu dedo era rápido do gatilho, vencendo seu bom-senso no debate interno do ‘olho-ou-não-olho’, já que estava curioso, mas não era da conta dele. E suspirou quase divertido ao ver a janela do Google pular com a pesquisa sobre preços de baterias ali.

Mas o sorrisinho que se formou no seu rosto foi morrendo quando viu outras guias se abrindo, sobre acidentes da US-40 E, parando de abrir quando a janela de um jornal abriu, revelando a manchete velha de uma morte lá em 13 de maio de 1998...

Sentiu o sangue gelar e levantou de uma vez, derrubando a cadeira quando viu a foto da moça da manchete.

– Não... – exclamou incrédulo. Era ela! Puta merda... era ela! A mulher ensanguentada da estrada! – Não, não... Não! Não-não pode ser! Quer dizer... Não!... – aquilo não fazia sentido nenhum! Como podia ter visto ela? Ela morreu em 98!, pensava consigo, inquieto, enquanto andava de um lado para o outro do quarto. – Eu estou ficando louco... É, eu estou ficando louco! Maluco! Era só o que me faltava...Ter visto-... E ela seria o quê? Um-um fantasma? Cara... estou ficando muito louco...

Parou de andar então, voltando para a mesa do computador, maximizando a tela outra vez, lendo agora a nota do jornal com atenção.

Não... não podia estar ficando louco. Alguém pesquisou aquilo antes dele, por isso que estava ali...

E pela janela de baterias automotivas, apostava que havia sido seu pai.

Tinha algo muito errado naquilo tudo.

– Só me falta fantasmas existirem... – suspirou com desgosto, confuso, perdendo toda a vontade de ver qualquer outra coisa no computador. É, talvez estivesse mesmo ficando maluquinho.

Fechou as guias e deixou o computador como o encontrou, descendo apressado rumo à cozinha.

Agora lavar louça não parecia mesmo uma má ideia.


–--


–... Sam, tem algo errado? – seu pai finalmente perguntou o que todos queriam saber, encarando o rapaz que só brincava de espalhar a comida no prato e nada comia, distraído, absorto em algo.

– Quê? Hã?... Não! Não, está tudo bem pai... – respondeu no automático, mesmo sabendo que sua cara de enterro desmentia claramente o que dizia. Mas não podia falar — ao menos não à mesa — sem mais nem menos sobre a história da mulher da estrada sem se entregar como um intrometido que fica fuçando o que os outros estavam fazendo. E também não estava com nem um pingo de vontade de falar sobre o pesadelo com a Jess.

– Aconteceu alguma coisa? – desta vez John se virou para Dean, encarando-o. Afinal Sam estava estranho desde que voltaram da oficina.

Encarou-o de volta, quase ofendido com a insinuação silenciosa de que aquela cara de limão azedo do Winchester do meio era sua culpa e olhou para o mais novo com o cenho franzido, vendo-o devolver o olhar brevemente e menear a cabeça quase imperceptivelmente, como se pedisse para que não falasse nada sobre a cena do sofá.

– Hn... – lançou mais um olhar pro mais novo, antes de voltar a encarar o pai e então de novo o outro. – Isso tudo é por causa do cara da moto te secando Sammy?

– Como?

– Opa!

– Quê? – exclamou surpreso, vendo Dean lhe lançar um sorrisinho maldoso e se voltar para o caçula, que pareceu subitamente animado com a conversa do jantar.

– É, eu tava ocupado e foi ele que atendeu... Deve ter sido amor à primeira vista porque o Sammy tá com essa cara de idiota desde então... – respondeu divertido com a expressão chocada do moreno, que adquiria um tom realmente engraçado de vermelho enquanto ouvia.

– Dean! – realmente esqueceu o que quer que fosse que o incomodava, só conseguiu ficar olhando espantado para a cara do mais velho, que falava aquilo pro irmãozinho como se fosse fato. – Meu, o cara não fez nada. Só queria uma mão com a moto!

– Cara, você tinha que ver a cara que ele ficou quando o Sammy tirou a camisa...

– Eita, pra quê isso Sam?

– Eu... Eu sei lá! Fiquei nervoso porque não sabia o que fazer e resolvi tirar porque tava incomodando... – sentia o rosto quente e quis se xingar por estar realmente vermelho.

– Streep... – repetiu o que falou mais cedo, divertidíssimo com a expressão desesperada no rosto dele. Bom, ao menos não estava mais pensando no que quer que fosse que o estava incomodando. – Sério Dam, só faltou o cara gozar quando viu...

– Puta merda, cala a boca Dean! – exclamou irritado, em meio à gargalhada compulsiva de Adam, levantando da cadeira.

– Garotos! – o pai finalmente se pronunciou, obrigando todos a voltarem a comer. Claro que depois disso a expressão quase perdida do moreno se transformara num franzir irritado de cenho e ele passou finalmente a comer, mesmo que o fizesse como se quisesse matar o boi outra vez. Mas Dean permaneceu sorrindo discretamente, e Adam ainda tentava controlar a vontade de rir, mesmo que vez ou outra Sam lhe lançasse um olhar cortante.

Mas agradeceu aos céus quando os ânimos melhoraram na hora da sobremesa, que era uma bela torta de chocolate — desta vez comprada.

Então se instalou uma conversa amena sobre qualquer bobagem e daí sim sentiu orgulho do jantar em família que estavam tendo.

Pelo menos até o celular de Dean começar a tocar.

Olhou-o sério e o garoto não atendeu na primeira. Mas daí ligaram de novo e de novo e quando já estava pra quarta tentativa, Dean desistiu de obedecer o pai e com um olhar que claramente lhe pedia desculpas, foi até o aparelho largado na sala, atendendo-o com um alô que soou surpreso de longe.

– O que foi...? Aqui? – uma pausa longa, acompanhada de um suspiro. – Está na porta? Ok, eu abro.

– O que há Dean? – John berrou em direção à porta, ouvindo barulho de chaves e passos.

–A Lisa tá na porta. – ouviu em resposta, mas o tom pareceu meio tenso, preocupado.

– Lisa?

– É, é a garota com quem Dean está saindo... – o loiro lhe explicou, balançando a mão como se não fosse nada de mais.

Eles chegaram a falar dela na sua frente? Porque sequer sabia que seu irmão estava saindo com alguém. Aliás, estar saindo implicava em recorrência, e vê-lo com a mesma garota por mais de 3 dias já era um feito.

Despertou de seus pensamentos ao ver a figura alta do irmão junto a uma moça morena bonita, de cabelos quase negros. Estava abraçada discretamente à cintura dele, mas parecia realmente aflita.

– Ok, dêem logo oi pra Lisa pra podermos subir. – Dean falou, segurando os ombros da moça, que parecia quase tremer.

– Boa noite... – ela murmurou e sorriu um tanto desconfortável, encarando os três à mesa antes de se aproximar de Sam em especial. – Muito prazer, você deve ser o irmão do meio de Dean, certo? Samuel...?

– Pode me chamar de Sam. – levantou-se e apertou a mão que ela lhe estendia. – O prazer é meu. Lisa, não é? An, desculpe, mas você é...? – não poderia explicar porque, mas sentiu necessidade de fingir que não sabia quem ela era e olhou dela para o mais velho com o cenho igualmente franzido. Quase pode sentir a cara de ponto de interrogação de Adam às suas costas.

–... Uma... amiga... do Dean. – respondeu um pouco incerta, olhando para o loiro mais velho também antes de voltar a encarar seu irmão.

– Ok, apresentados. Agora licença que nós temos que conversar. – cortou logo de uma vez aquela formalidade idiota e puxou a moça pela cintura rumo à porta, perguntando baixinho quando pensou que não podia mais ser ouvido se estava tudo bem com ela. Mas ele ainda podia ser ouvido.

– O que será que houve? – não conseguiu evitar o tom preocupado enquanto encarava a porta da cozinha. Lisa era uma boa garota, apesar de meio descabeçada, e realmente gostava dela. Voltou-se para os filhos, mas nenhum deles pareceu lhe ouvir, pois Sam voltou a comer sua torta em silencio e Adam o encarava confuso.

– Por que você perguntou aquilo? Eu te disse que ela era a garota do Dean! – exclamou então, fazendo Sam encará-lo e dar de ombros devagar.

– Eu não sei... – respondeu no tom mais desentendido que conseguiu e voltou a comer, pensando exatamente a mesma coisa. Não tinha motivos para aquilo e sabia que tinha sido uma pergunta inconveniente.

Mas apesar disso não conseguia se arrepender nem um pouco de ter perguntado.


–--


Como?... Lisa... é meu? – perguntou tenso, observando a garota andar de um lado a outro do seu quarto, ansiosa.

– Dean, e o que importa isso? É meu isso é fato! – respondeu ansiosa e passou a mão pelos cabelos outra vez pensando se aquilo poderia ser algum pesadelo.

– É meu? – insistiu menos delicadamente desta vez, levantando da cama.

– Dean, te conheço há 1 mês! Como poderia ser seu? – exclamou mais ansiosa ainda, finalmente parando de andar. – Estou de 2 meses... Oh meu Deus...

– Sabe quem é o pai? – perguntou então, um tanto mais aliviado.

– Um motoqueiro que conheci num bar... – suspirou profundamente e procurou os olhos verdes conhecidos com os seus marejados. – Dean, eu nem me lembro do nome dele!

– E o que você vai fazer...?

– Vou ter, claro, que pergunta é essa! – estava na cara que tinha perguntado a coisa errada pelo quê de irritação e ofensa na voz dela quando o respondeu. – É meu filho Dean! Que droga de ser humano eu seria se impedisse ele de vir ao mundo? Ou se o abandonasse?

– Claro... – concordou com as mãos a frente do corpo, na defensiva, e se aproximou dela, segurando seus braços finos, sentindo a pele gelada ao toque. – Só não sei o que dizer...

– Não diz nada, só me abraça pelo amor de Deus... – abraçou-a prontamente a esse pedido, sentindo que ela começara a chorar assustada em seu peito. – Que droga de mãe eu vou ser...? – ela balbuciou, a voz saindo abafada.

– Você vai se sair bem Lisa... – tentou consola-la e acariciou os fios escuros dela um tanto desajeitadamente, ouvindo-a suspirar outra vez antes de quebrar o abraço, se afastando lentamente.

– Desculpa por isso. Nem é problema seu... Eu... Olha, eu sinto m-... Eu tenho que ir, sim? – e dizendo isso depressa, deixou o quarto de paredes negras, descendo imediatamente pelas escadas. Largando-o confuso.

E, claro, não daria um minuto para alguém surgir à porta, perguntando o que acontecera.

Mas não foi seu pai, como pensou que seria e sim Adam, trazendo o seu pedaço de torta que largara na mesa para atender a garota.

– Esqueceu por lá e resolvi trazer. – levantou um pouco mais o prato como que para deixá-lo mais a vista e deu um meio sorriso sem mostrar os dentes.

– E veio perguntar o que aconteceu... – completou a frase sem olhar para o irmão ou para a torta, só se jogou de novo na cama com um bufo cansado.

– Na verdade não ia. Isso até esbarrar com Lisa nas escadas e ver que ela saiu chorando como se você tivesse batido nela... – justificou-se num tom ameno e quase divertido, arqueando as sobrancelhas e se aproximando. – Mas como já vi que não quer falar, pelo menos come a torta. Ah! E leva o prato pra baixo depois, pelo amor de Deus!

– Ela saiu mal assim? – perguntou prontamente, sentando novamente na cama e ignorando todo o papo referente à torta.

– Você gosta mesmo dela né?

– Dam, ela é bonita, engraçada, divertida e o melhor: nunca demonstrou qualquer interesse em ter algum compromisso comigo. Como eu não iria gostar dela?

– Mas você só sai com ela! – retrucou, deixando o prato sobre o móvel do lado da cama. – Vamos encarar os fatos, vocês praticamente namoram.

– Mas ela nunca quis me apresentar pros pais dela... – rebateu num tom irônico, voltando a deitar outra vez, com as mãos apoiadas na nuca.

– Você é que apresentou.

– Isso foi um acidente. – sublinhou bem as palavras pra que ele entendesse. – O pai não deveria estar acordado até àquela hora.

– E você não devia ter trazido ela aqui se não queria correr o risco. – caramba, tudo isso pra não admitir que gostava dela pra valer? Começou até a sentir tontura de tantas voltas no mesmo lugar que aquilo dava. – Ok, você faça como quiser, mas por que ela estava tão arrasada? Vocês terminaram?

– Pensei que não fosse perguntar. – não se deu ao trabalho de disfarçar o sarcasmo e viu a testa do mais novo se franzir irritadamente, só por um instante.

– ‘Até esbarrar com Lisa nas escadas e ver que ela saiu chorando como se você tivesse batido nela’, lembra? – disse e suspirou baixinho, sentando na cama, ao lado do tronco largado de Dean, que o encarou por baixo com as sobrancelhas arqueadas. – Terminaram?

– Ela tá grávida. – respondeu direto e a agilidade que o caçula demonstrou ao levantar da cama e se afastar para perto da porta foi algo quase invejável. Teria até mesmo rido, mas não estava exatamente no clima no momento.

– VOCÊ VAI SER PAI? – o garoto berrou sem se importar em ser ouvido, fazendo o mais velho levantar de um pulo também, tapando sua boca depressa.

– Maravilha! Valeu mesmo por alardear pra casa toda! – bufou, finalmente largando a boca do menor, que o encarava com ela entreaberta numa expressão quase idiota. Passou as mãos no rosto e respirou fundo, sentindo o ar entrar gelado no peito ao pensar que agora provavelmente teria que dar satisfações ao pai. – Não, não é meu.

– Como sabe que não?

– Ela me disse.

– Legal, e você acredita? Já parou pra pensar que ela pode ter dito que não é pra ver se você assume mesmo assim ou qualquer coisa do gênero?

– Dam, ela foi bem clara. Tá de 2 meses e nos conhecemos a 1. Como pode ser meu?

– Com vocês se conhecendo a 1 mês, quase 2...? – merda. O que tinha de errado com a sua família que ninguém conseguia ficar longe de problemas? Sentiu até arrepios ao pensar na possibilidade de Dean como pai... Aquilo era quase tão surreal quando imaginá-lo gay!

– Não é meu. Ela diria se fosse. – disse num tom convicto, sem margens para alongar o assunto. Mesmo que na verdade não estivesse tão certo assim. Iria procurar Lisa no dia seguinte, por via das dúvidas, porque mesmo que não fosse admitir, o que Adam disse fazia sentido.

– Eu ouvi berros, está tudo bem por aqui? – fechou os olhos com força ao olhar por cima do ombro do irmão e ver seu pai de braços cruzados e com aquela expressão que dizia claramente pra se explicarem, sentindo o sangue gelar nas veias.

E conhecendo o bocão que o irmão tinha, era bem capaz de Adam o entregar que nem fez com Sam sobre a história do carro no dia anterior.

– Ah... Então, eu acho que o senhor e o Dean têm que conversar pai... – é, ele conseguiu fazer pior, falando aquilo daquele jeito e pousando uma mão nos ombros do seu velho quase com pesar. Seria revanche pelo episódio do caderno? – Licença pra quem fica... – e saiu de fininho, dando de ombros por trás do pai quando o encarou quase acusadoramente.


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Notas finais
Não me matem, não me odeiem, esperem o próximo capítulo comigo e juro que tento compensar por essa!
Meus amores, muito obrigada por cada review! 37 até agora e isso é tão especial pra mim que nem sei o que dizer.
Por isso adiantei a postagem, mesmo que saiba que vai ter gente querendo meu fígado depois dessa, mas é tudo em nome do enredo!
beijos!