The Outsiders

3 Chapter III – DEAD IN THE ROAD


Notas iniciais
Não seja um leitor fantasma, deixe seu review expressando sua opinião, suas críticas e elogios.
E em nome deste pedido, dedico esse capítulo a todos os leitores da TO que conheço!
Lothus, Zah, seamus, Ammy_Wichester, cristaltec, aniely, pattywichester, Ana Ackles, MarianaAbe... Um beijo nos seus corações! Cada palavra de vocês me deu um pouquinho mais de força e vontade de continuar a dar a cara a tapa nessa nova área de interesse artístico meu e agradeço demais por isso! (risos)
E, só pra não perder o hábito... Mais informações sobre a fic no meu blog: http://slashyaoifanfics.blogspot.com/
OBRIGADA MINHA AMORA PELA RECOMENDAÇÃO!

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Dirigia o mais depressa que podia, mesmo com o risco de ser parado pela polícia. Mas duvidava que isso fosse acontecer, pois por mais depressa que tentasse ir, não tinha um controle realmente bom daquele carro, o que o fazia dirigir mais devagar. Se não estivesse com tanta pressa, lembraria de sentir inveja da destreza que Dean tinha pra guiar aquele Chevy...

E pensar nisso o fez pensar por um momento só por que ele mesmo não estava lá dirigindo pra buscar Sam. Mas claro que riu da própria cara ao pensar nisso. Era demais já ele ter deixado a chave do Impala ‘esquecida’ para que o pudesse pegar.

– ‘Vai por mim, pede pra ele ou liga você’... – imitou o que se lembrava dele ter dito e suspirou. – Como ele sabia...?

Estava entrando na I-70 W agora, se amaldiçoando por não ter perguntado à que altura Sam batera o carro. Olhou à volta uma vez e pegou o celular do bolso do casaco, tentando discar os números conhecidos enquanto olhava a estrada, mas nem sequer precisou disso, ao ver mais à frente alguém sinalizando com uma lanterna, no acostamento da estrada do outro lado.

Pensou na sorte que teve de não ter que dirigir a meia hora que teria para chegar em Topeka e da estrada estar anormalmente vazia. E em como Sam era esperto, arrumando um jeito de pedir ajuda com o que tinha à mão, pois no lugar dele estaria em pânico há essa hora já e não pensaria em nada útil, tinha certeza.

– Hey, bonitão! – berrou o mais alto que pode, parando o carro na pista mais próxima da de sentido inverso mesmo e ligando o pisca alerta. – Precisando de uma carona?


–--



Tentava realmente manter o foco e não se amedrontar com a escuridão da estrada ou os barulhos estranhos no mato atrás de si. Ignorou o vulto sem forma que viu umas 3 ou 4 vezes, pois estava certo demais de que era coisa da sua cabeça. Ou o frio anormal que sentia que parecia congelar sua espinha.


Era só medo, repetia para si. E ia passar logo.

Adam graças a Deus tinha ligado — porque quando tentou, descobriu que não tinha mais créditos -, e falou que ia dar um jeito. Talvez seu pai viesse buscá-lo... E essa ideia lhe arrancou um sorrisinho quase animado.

Mas o barulho de mato e dos grilos parecia cada vez mais algo como passos e gritos desafinados. E o frio... Tentou enrolar-se melhor no casaco, mas nem isso adiantava.

Parecia com alguns dos pesadelos que tinha quando era pequeno. Muitas vezes sonhava estar sozinho num lugar escuro e com mato. Com um frio torturante que parecia vir de dentro pra fora, não o contrário.

Mas normalmente quando sonhava isso, acordava antes desse frio assustador tomar sua espinha e disparar seu coração, como acontecia agora. E normalmente acordava antes, porque sentia a mão quente do irmão sobre seu ombro, sacudindo-o com firmeza.

Péssima hora para pensar em Dean. Agora além de frio e receio sentiu uma irritação quente subir de seu peito para a cabeça. E sabia que isso era mágoa, pura e simplesmente, mas fingia não saber. De que adiantaria nomear isso?

Espantou esses pensamentos quando viu luzes de faróis se aproximando pelo sentido oposto. Era o terceiro carro que passava por si e esperava que esse pelo menos parasse, nem que fosse para lhe ajudar com uma ligação. Mas algo realmente esquentou dentro de si de um jeito bom quando reconheceu o veículo. Era um Chevrolet Impala, modelo 67 preto que reconheceria até mesmo no inferno. E não conseguiu conter o sorriso, pois sentiu-se seguro ao ver aquele carro, mesmo não conseguindo ver direito quem dirigia.

– Hey, bonitão! – ouviu a voz masculina berrar enquanto parava o carro na ultima pista do sentido inverso e ligava o pisca alerta. – Precisando de uma carona?

E apesar de ver cabelos loiros e levemente espetados quando o rapaz se inclinou pela janela, seu sorriso murchou um pouco quando viu que era sim seu irmão, mas o mais novo.

– Pensei que estivesse esperando amanhecer pra vir me buscar Adam! – berrou de volta, tornando a sorrir completo e saudoso ao ouvir a gargalhada divertida do caçula.

– Vêm logo antes que eu mude de ideia e vá embora! – ameaçou de brincadeira e buzinou, apressando-o. – Rápido, rápido que esse outdoor no meio do nada tá me dando arrepios!

– Outdoor? Eu aqui no meio do nada, no escuro, passando frio, ouvindo cara barulhinho de grilo desse maldito mato e você com medo de um outdoor? – riu divertido, balançando a cabeça negativamente. Pegou a mala então, caminhando depressa para o outro lado da pista antes que finalmente passasse algum carro e, ironicamente, fosse atropelado.

Pulou a mureta com facilidade e jogou a mala no porta-malas do carro quando Adam o abriu. Pensou ter visto algo se mover perto do seu carro capotado e virou depressa. Imaginou ver o movimento de um tecido leve desaparecer e balançou a cabeça, certo demais de que estava vendo coisas e se voltou então para o irmão, que bateu o porta-malas e virou para si.

– Você dirige? – o garoto pediu com um bico, enquanto lhe estendia a chave. – Esse caro é muito ruim de dirigir!

– Isso é quase uma heresia Dam... – respondeu, pegando a chave do automóvel com prazer. – Aprendi a dirigir nele, sabia?

– Isso explica porque capotou seu carro no meio do nada... AI! – exclamou indignado quando Sam lhe beliscou, rindo logo depois.

– Ai como estava com saudades... – murmurou ainda em meio as risadas contidas, que morreram logo, tomadas por um ar grave. – Vamos logo pra casa?

– Claro... Você está até com a boca meio roxa Sam! Faz tantas horas assim que tá aqui? Não tá tão frio assim ainda, cara. – perguntou enquanto já se acomodava com gosto no banco do passageiro.

– Falo o que você quiser no caminho Dam, só vamos sair daqui antes... Tem um retorno lá atrás, certo? Espero que não se assuste com a barbeiragem.

– Vai voltar até o retorno de Ré? Não é a toa que capotou o carro... – provocou outra vez, recebendo um olhar repreendedor e um sorrisinho mal disfarçado do irmão, que somente ligou o carro e engatou a Ré, voltando o percurso com cuidado, em silencio.

Não sabia direito o porquê, talvez fosse o vento cortante, o mato mal tratado, a falta de iluminação, ou o clima de filme de terror, mas queria sair o mais rápido possível daquela estrada.


–--



–... Esquece esse papo da garota Adam, pelo amor de Deus. – ouviu a voz suplicante do Winchester do meio soar junto ao ronco do motor de sua garota e conteve o meio sorriso que ameaçou tomar seus lábios. – Já disse, estava no Mc e ela me abordou. Estava conversando com ela. Conversando.


– Não acredito que você seja tão lerdo Sam! Ela tava na sua, tá na cara! Porque não pegou? – e pelo tom, Adam estava indignado com a versão do irmão para os acontecimentos do telefone. – Você têm que ter pegado!

– Não ‘peguei’ ninguém, desiste. – um momento de silencio lá fora, ao som das portas batendo e do porta-malas, logo depois. – Mas... como você pegou o Impala, Dam?

– Eu? Ahn... Dean deixou a chaves à mão... então saí e peguei.

– Ele vai te matar... – ouviu o suspiro preocupado do outro e podia jurar que ele devia estar passando as mãos nos cabelos.

– Foi por uma boa causa, ele vai entender. – afirmou convicto, fazendo o outro rir antes de finalmente entrarem distraídos pela porta, sem perceber a presença na sala.

– Espero que esteja certo...

– Certo do quê? – perguntou como se não tivesse ouvido nada antes, os olhos pregados na TV, fingindo prestar atenção num programa qualquer que passava. Teve que conter o sorrisinho ladino outra vez ao ver que assustara os dois.

– Dean! – Sam exclamou mais animado do que gostaria e ao ver que o irmão não se viraria nem para olhá-lo, sentiu a felicidade de vê-lo dar lugar àquele sentimento comum a tudo referente ao mais velho: decepção. – Hey...

– Hey Sammy... Ouvi o Dam roubando o meu carro e saindo apressado. O que houve? – comentou forçando-se a continuar fixo na televisão e ouviu o moreno suspirar enquanto sentava ao seu lado, aparentemente esgotado.

– Ele capotou o carro Dean! – Adam disse antes que Sam tivesse a chance de abrir a boca. E só então o mais velho virou-se para eles de um jeito surpreso. Mas ao contrário do que esperava, ele não disse nada, só ficou olhando de um para o outro, esperando que um deles continuasse.

– Ahn... Onde está o pai...? – perguntou antes que qualquer um dos loiros resolvesse falar algo e recebeu um olhar atravessado do caçula, enquanto Dean só o olhava mais atento agora.

Capotou o carro? Você não tá machucado.

– Tive sorte, só isso. Cadê ele?

– Foi buscar o jantar e já volta. – respondeu mais seco ao ser cortado daquela forma pelo mais novo.

– Certo. Eu vou... Tomar um banho então. – respondeu hesitante, buscando o olhar de Adam como apoio.

– Você vai ficar no meu quarto tá? – o garoto falou, olhando o moreno de um jeito satisfeito. Mesmo sem a privacidade que gostaria, era bom ter seu irmão ali.

– Ok. – respondeu simplesmente e subiu, deixando os outros dois sozinhos.

Esperou alguns minutos, até ouvir o barulho da porta do banheiro se fechando e o do registro sendo aberto — barulho esse que era bem audível uma vez que a casa era velha. – Ok, como você sabia?

– Sabia de quê? – fez-se de desentendido e voltou a olhar para a TV, sabia bem demais sobre o que o ultimo Winchester queria falar.

– Não se faça de besta Dean, não você. – respondeu um tanto irritado, vendo o mais velho fingir que não o ouviu. – Como sabia que tinha acontecido algo com o Sam?

– Não sei. – respondeu com descaso, mas foi sincero. – Eu só sabia. Que diferença isso faz?

– Toda! Dean, o carro estava capotado no meio do nada num lugar de dar arrepios. Até eu ouvi barulhos estranhos, como se o mato berrasse ou sei lá... Já parou pra pensar que é um milagre ele não ter se machucado? Ou que isso que te deu pode ter salvado a vida dele?

– Que exagero Adam... Ele só ia dormir no mato ou sei lá. – agora estava mentindo. Sabia bem que ele estava em perigo de algum jeito e por isso teve tanta pressa em avisar quem quer que fosse. Sua sorte é que Adam não comentara nada sobre ter sido ideia dele ligar ou por ter deixado as chaves para ele.

Sei... – sentiu a ironia na voz do garoto e lhe lançou um olhar atravessado antes de voltar a olhar pra TV.

– Ele tá aqui, não tá? Pronto, fim de papo.

– Por hora. – o mais novo completou, numa ameaça velada que novamente preferiu ignorar. – O pai foi mesmo pegar jantar?

– Foi. Acho que vai ser pizza. – respondeu desinteressado, vendo que Adam, apesar de adorar pizza, não gostou muito da ideia. Revirou os olhos. – Amanhã podemos fingir que usamos a cozinha, ok? Não tem porque querer impressionar ele, a menos que esteja tentando levá-lo pra cam-...

Não conseguiu terminar de falar porque o caçula pulou em cima dele, cutucando-o. – Você é besta de falar um troço desses! Ele é nosso irmão, seu tapado! E eu não sou veado! – o garoto berrou entre ofendido e divertidíssimo, cutucando as costelas do irmão que agora estava deitado embaixo dele no sofá, devido ao susto. Mas sua alegria durou pouco, pois logo ele inverteu as posições e prendeu suas mãos com um sorrisinho superior.

– Ele não é nosso irmão... Fraquelo. – provocou, vendo o garoto se debater tentando se livrar. – E pode até não ser, mas se defende feito um. – e alargou o sorriso enquanto o largava.

– Babaca... – murmurou irritado por ter perdido outra vez. Mas não conseguiu deixar de pensar que ele dissera aquilo de novo.

– Perdedor. – respondeu enquanto voltava a sentar para ver a TV, só mais atento ao caso de Adam resolver pular em cima dele mais uma vez.


–--



Terminou o banho agora bem mais relaxado do que quando entrou. Aquela sensação de perigo agora completamente esquecida, mas também todo o sono que sentia antes e o cansaço que ainda pesava no seu corpo não eram o suficiente para sua mente querer descansar agora. Seus olhos não fechavam.


Por isso decidiu descer mesmo e ficar com os irmãos na sala. Talvez dessa vez tivesse um pouco mais de sorte e não brigasse com Dean, como sempre acontecia quando se viam.

Mas quando desceu os primeiros degraus viu Adam pular em cima de Dean e cutucá-lo com gosto, berrando algo que não entendeu direito pela forma enrolada que ele falara, não conseguiu evitar um sorrisinho saudoso. Realmente não tinha percebido como sua família fizera falta...

Viu Dean inverter as posições com facilidade e pensou o que seu pai não falaria se visse o outro quase sentado em cima do Adam e o prendendo pelos pulsos. No minimo iria achar que era briga...

Deviam ter traumatizado o pai com isso, dada a frequência com que se batiam, refletiu num meio sorriso.

– Ele não é nosso irmão... – ouviu então Dean, mesmo a voz estando realmente mais baixa do que estava a do caçula e sentiu o ar que entrou nos seus pulmões comprimirem seu peito de um jeito desconfortável, impedindo-o de ouvir todo o resto.

De novo isso?, pensou com desgosto. Desde aquela briga há anos que o mais velho vira e mexe agora jogava isso na sua cara como se fosse um crime. Isso porque antes ele não se importava... Ou talvez nem mesmo soubesse. Será que era isso?

Duvidava muito...

Sentiu-se arrependido. Talvez voltar pra casa não tivesse sido realmente uma boa ideia. Não no estado de espírito que se encontrava atualmente.

– Sammy! – só percebeu que seu pai chegara quando ele o chamou carinhosamente, fechando a porta da casa com o pé enquanto tentava equilibrar as 3 caixas de pizza que comprara.

E aparentemente os outros dois só o perceberam agora também que seu pai o chamara. E quase poderia jurar que Dean desviou o olhar e baixou a vista quando o viu no meio da escada.

– Er... Oi pai... – cumprimentou-o um tanto sem graça, coçando a sobrancelha esquerda.

– Pai, o Sam capotou o carro dele! – Adam tratou de avacalhar o momento pai-e-filho, contando logo a parte mais preocupante da história, o que fez John arregalar os olhos e quase derrubar as caixas de pizza no chão.

– Ele o quê? – exclamou surpreso olhando pro mais novo. – Você o quê? – repetiu desta vez olhando para o moreno — de cima a baixo, preocupadamente, como se verificasse se ele estava com algum osso saltando para fora do corpo -, que ergueu as mãos lentamente à frente do corpo, num pedido mudo de calma.

– Eu estava dirigindo no limite de velocidade da estrada pai. – informou antes que ele perguntasse. – Mas daí apareceu uma mulher no meio da estrada, toda ensanguentada, de camisola... – franziu o cenho sem acreditar em si mesmo, de tão absurdo que parecia. – Ela apareceu do nada, e com o susto eu freei com tudo. Não sei como ele capotou, mas quando vi, não tinha mulher nenhuma e o carro estava de ponta cabeça. Eu... devia estar cansado... Devo ter imaginado coisas...

Falou sem certeza alguma de ser uma alucinação. A mulher pareceu real demais quando a viu, mas seria loucura achar qualquer outra coisa. E ao ver a expressão de seu pai, sentiu um arrepio desagradável. Ele parecia absorto em pensamentos, o cenho franzido e grave. Engoliu em seco, esperando uma bronca de virar a madrugada.

– Bem... – ouviu a voz do homem e abriu os olhos que sequer percebeu que fechara. – Que dia é hoje?

Os três filhos permaneceram em um silencio confuso à pergunta do pai, Adam encarando o ar chocado de Sam com as sobrancelhas arqueadas e Dean com os olhos baixos.

– 13. – respondeu então o irmão mais velho, percebendo que ninguém mais se manifestaria.

– 13 de setembro... – o mais velho murmurou para si, voltando a alinhar as caixas de pizza. – Bem, dos males o menor, pelo menos não se machucou, certo Sammy?

– Não... Não senhor... – respondeu ainda mais confuso com a reação serena de seu pai. Mas que diabos, ele tinha acabado de perder o carro que seu pai o ajudara a pagar! Deveria estar de castigo pelos próximos 10 anos, não recebendo ‘tapinhas no braço’ por estar vivo.

– Vamos comer meninos... Não tenho mais idade pra ficar passando fome. – comentou num meio sorriso ainda um pouco preocupado, mas encerrou qualquer tentativa de retorno àquele assunto.

Ouviu Adam contando a história da garota do Mc no lugar de Sam, que o acotovelou umas 2 ou 3 vezes, quando ele soltava alguma piadinha maliciosa ou o chamava de frouxo por não ter catado a garota, perguntou de Lisa para Dean e até mesmo ouviu a descrição de Sam sobre o motel que ficara hospedado. E tudo parecia bem, até tocar no assunto da faculdade e perceber que o rapaz ficou tenso e desconfortável, baixando a cabeça e suspirando silenciosamente.

– Verdade, você não explicou o porquê disso Sam. Você já tava no segundo ano, meu! – o caçula comentou preocupado. – Aconteceu alguma coisa não é? Você tava bem lá! Aí, não tinha até uma namorada por lá ou algo assim?

Sentiu o ar lhe fugir por um momento ao ouvir aquilo e largou o pedaço de pizza de muzzarela no prato. – É... – concordou com uma careta de desgosto. – Tinha. Ahn... Então, pai. Eu queria saber se posso dar uma mão na oficina. Não queria ficar parado por aqui sem fazer nada.

– Devia voltar pra sua faculdadezinha então, se não quer ficar parado. – comentou antes que conseguisse se segurar, fazendo todos da mesa olharem-no.

– Dean... – sussurrou seu pai em tom de aviso. Não queria confusão e sabia que tinha algo errado com Sam em relação à Stanford.

– Eu não vou voltar pra lá, não interessa o quanto queira se livrar de mim. – retrucou o moreno em tom irritado, afastando-se um pouco da mesa e se escorando no encosto da cadeira.

– Pensei que ficar aqui com a sua família fosse ‘desperdiçar seu futuro’, não foi isso que disse daquela vez? – tornou a falar sarcasticamente, mesmo com o olhar fulminante de seu pai. – Acho que foi exatamente isso...

– Sim, eu disse isso sim. – respondeu levantando o queixo, desafiador. – Era o que eu queria fazer. Ir pra faculdade, me formar...

– E o que mudou então? – retrucou firmemente, cruzando os braços à frente do corpo, enquanto via a rosto do mais novo se avermelhar lentamente.

Tudo mudou. – respondeu simplesmente, quase cuspindo as palavras e se levantou da mesa. – Com licença.

– Isso tudo é dor-de-cotovelo? Que foi, o namoradinho deu um pé na bunda? – provocou irritado, levantando também. Era muita cara de pau daquele cara, voltar a se enfiar naquela casa depois de falar tudo o que falou pra fugir de lá e ir pra faculdade. – Como era o nome dele mesmo? Jessie?

– ERA JESSICA! – berrou com toda a vontade que tinha, desde que tudo aconteceu. – ERA JESSICA E ELA ERA MINHA NOIVA ATÉ DUAS SEMANAS ATRÁS!

– Sam... – John levantou também, vendo toda a raiva que o rosto do filho demonstrava se transformar em algo perdido e desolado.

– Ela morreu pai!I baixou o tom de voz quando se virou para ele, sentindo as lágrimas queimarem seu rosto. – Eu a pedi em casamento, estava tudo bem. E daí-... – não conseguiu continuar a falar, sufocando um soluço. – Por isso que tranquei a faculdade. Não quero um futuro. Não sem ela...

Todos guardaram silencio então. O ar parecia pesado e desagradável de respirar. E após fitar com pesar a expressão dolorida de seu irmão do meio, as lágrimas agora correndo soltas e ininterruptas dos olhos apertados — ainda que ele fizesse força pra não chorar -, virou com raiva para o mais velho, disposto a xingá-lo de tudo e mais um pouco.

Mas quando o viu, toda a vontade de berrar que ele era um puto, cretino e insensível morreu na garganta, junto à crescente surpresa de ver que os olhos dele estavam marejados enquanto olhavam para o moreno, a boca apertada numa careta dolorida. Mas não durou muito tempo, logo o mais velho virou as costas e saiu pisando duro, porta afora, ignorando quando seu pai berrou, chamando-o.

– Eu... Sinto muito Sam... – murmurou hesitante para ele, colocando a mão sobre seu ombro, ainda que a diferença de altura não lhe fosse favorável.

– Cala a boca... – ele respondeu, mas o puxou para um abraço. E mesmo sendo mais alto, encolheu-se e enfiou o rosto na curva do pescoço do irmão, permitindo-se soluçar então, enquanto recebia o carinho de seu pai nos cabelos castanhos. E soluçou ainda mais ao pensar em como o cheiro do Adam era parecido com o de Dean e em como queria que fosse ele ali, lhe abraçando e consolando de uma perda que parecia insuperável, pois Dean sempre fora seu porto-seguro e agora que não o tinha mais, sentia-se ainda mais perdido e infeliz.


–--



– Uma dose de uísque, amigão. Sem gelo. – falou pro barman, que, apesar de prender a atenção por mais de um minuto nos seus olhos avermelhados e meio úmidos, não comentou nada. – Duplo.


– É pra já.

Suspirou impacientemente e olhou à volta somente por um segundo. Eram 11: 41pm, pleno final de quarta-feira, quase começo de quinta e ainda assim o bar estava razoavelmente movimentado. Repleto de bêbados miseráveis caindo pelos cantos. E lá estava ele também... Não estava em posição de reclamar de ninguém.

Pegou o copo ligeiramente manchado quando lhe entregaram e tomou um longo gole.

Era mesmo um covarde, pensou. Fugiu de casa com o rabo entre as pernas e nem mesmo teve coragem de procurar Lisa, porque sabia também que se fosse, ela lhe esperaria com o sermão pronto.

Noiva... – murmurou para si, ironicamente, antes de tomar outro gole igualmente longo. Quanto tinha perdido da vida de Sam para descobrir assim sobre algo desse porte? Ele, noivo!

– E a vadia ainda por cima morreu... – murmurou para si, balançando a cabeça. Se ao menos tivesse uma vaga ideia do que acontecia na vida dele, não teria falado aquilo. Não que estivesse arrependido, onde já se viu? Nem para seu pai ele contara nada! Ele também era o culpado, no fim das contas...


Estava tão concentrado nos seus pensamentos que nem percebera os dois policiais que se sentaram ao seu lado no balcão do bar. Ao menos, até um deles chamar o outro pelo seu nome.


– O que foi aquilo Dean? Dois acidentes na mesma altura da estrada no mesmo dia? – o policial negro falou pro companheiro, loiro também, mas gordinho, que só suspirou inconformado.

Não conseguiu evitar um sorrisinho irônico ao ouvir isso. Policial Dean... É... Até que não soava tão mal.

– Bom, o primeiro abandonou o carro, mas pelo menos sinalizou o local. Deve ter pegado carona e sumido... Mas e o segundo? Josh, era só um casal de jovens...

Levantou a cabeça quase que instintivamente ao ouvir a história do ‘abandonou o carro’. Peraí, dois acidentes na mesma altura da estrada... Um abandona o carro e sinaliza o acidente?...

– O resgate não chegou a tempo mesmo, né?

– Só para levarem a garota pra morrer a caminho do socorro. Você a viu!

– Não consegui olhar... – o policial negro admitiu um tanto envergonhado. – Era como se eu estivesse vendo a minha Claire lá.

– Graças a Deus meu menino está bem longe estudando nem New York...

– Mas sabe, o que me abalou mais foi ela não parar de falar daquela mulher...

– Eles deviam estar bêbados! Vê o absurdo disso? Dirigir alcoolizado... Vai me dizer que realmente acredita que uma mulher ensanguentada iria aparecer no meio da estrada? Isso não faz sentido nenhum. Talvez estivessem drogados, isso sim...


Não se focou mais no blablablá pseudo-alcoolizado dos tiras, só levantou e pagou o drink, indo para o seu carro o mais depressa possível.


Qual era a possibilidade de haver dois acidentes na mesma altura da estrada e de as duas vítimas dos respectivos acidentes terem visto uma mulher ensanguentada?

Bateu a porta do Impala com mais força que o necessário, lembrando da reação do pai à história de Sam.

Que dia é hoje...? – repetiu incrédulo enquanto dava a partida. – Preciso falar com o pai...

Devia estar ficando louco para pensar em acreditar numa história assim. Ou talvez fosse mais fraco pra bebidas do que jamais pensou que seria, mas sabia que tinha que falar com seu velho.

Ele ia saber o que fazer, como sempre.


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Notas finais
É, quem disse que consegui esperar? Mais um capítulo para vocês!
Obrigada demais pelos reviews meus amores! E outra vez, vale a dica: Mais informações sobre a história (rotas, imagens, informações extras) no meu blog http://slashyaoifanfics.blogspot.com/
beijos!!