The Outsiders
2 Capter II – LAWRENCE WAITING
Notas iniciais
O Motel era mais simpático do que pensava, ainda que não tivesse entendido bem qual era a utilidade de uma piscina num lugar de uso comum pra pernoite. Colocou a mala de volta no carro e suspirou desanimado. Mais 13 horas de viagem pelo menos, isso sem contar as inevitáveis paradas e possíveis imprevistos.
Ontem mesmo havia sido parado por um policial rodoviário — provavelmente desconfiado de ver um jovem sozinho à estrada depois das 11 da noite.
Será que ele procurava bebidas?Ele não perguntou nada a respeito. Não que ele parecesse procurar algo realmente, só o fez mostrar seus documentos e o deixou ir com um ‘boa sorte’ que seria providencial, não tivesse sido tão estranho.
E bem que, ironicamente, andava sem sorte nenhuma mesmo...
Espantou esses prensamentos com um menear leve antes de bater o porta-malas.
De volta à estrada Sammy, pensou consigo num sorrisinho irônico. Ao menos logo estaria em casa.
Só não sabia se isso seria uma coisa boa.
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Claro que a primeira coisa que fez quando conseguiu dinheiro suficiente para, foi comprar uma cama de casal para si. Gostava de ter mais espaço pra dormir e gostava ainda mais quando não o tinha por estar dividindo com alguém. E esse alguém de uns tempos pra cá era Lisa, claro. Gostava dela. Era completamente louca e muito divertida. E não podia evitar um sorrisinho malandro ao pensar no lance da Yôga. Deus abençoasse aquela mulher...
Mas naquele momento, olhar praquele quarto e ver aquela cama parecia uma ofensa. Não dividiria o lugar com Sam. Dormiria no chão, mas nunca naquela cama com ele.
E óbvio que assim que expôs o assunto pro pai isso se tornou briga. De novo.
O único quarto com duas camas era o de Adam, pois ele dormia ainda no antigo beliche onde os outros dois Winchester’s filhos dormiam antes do próprio garoto nascer. Mas ele estava irredutível quanto a manter sua privacidade. Era a vez de Dean e ponto. Ninguém mandou ele trocar de cama, pelo menos com a de solteiro ainda caberia um colchão no chão. O que não funcionava agora, a menos que quisesse não ter onde pisar mais naquele quarto.
E olha que a ideia de por aquele lá pra dormir no chão e ter a oportunidade de pisar nele ‘acidentalmente’ não era tão dispensável assim.
Mas ainda assim preferia seu quarto sem ele.
– Vocês são adultos, então que se resolvam! – berrou John cansado daquilo. – Se esse assunto voltar para mim tiro o Impala e o computador de vocês dois, entendido?
– Sim senhor. – concordou o mais velho a contragosto, enquanto o caçula só reclamava baixinho, irritado. Só repetiu a fala do irmão, pois este lhe deu um tapa pouco delicado na nuca, enquanto seu pai esperava a resposta.
– Sim, sim senhor pai... – respondeu emburrado, massageando a área dolorida e lançando um olhar mortal para o irmão.
– Ótimo. Vou abrir a oficina então. Vocês se resolvam, podem fazer qualquer coisa, até mudar de quarto, mas quero que resolvam. Sozinhos. E se essa discussão chegar aos ouvidos de Sammy...
Foi a vez de Dean de reclamar baixinho ao ouvir aquilo, assentindo com a cabeça e indo até a geladeira beber algo. Pegou uma latinha de refrigerante. Sempre tudo parecia rodar em torno do adorado Sammy e suas bichices. Olhou para as prateleiras com refrigerante e cerveja, apostando que logo logo teriam um monte de suco ali também...
– Ótimo, o que vai ser? – Adam inquiriu assim que o pai virou as costas e saiu, cruzando os braços e encarando o mais velho de um jeito quase mandão.
– Vai ser que, ou você dorme com ele, ou eu vou colocar ele pra dormir na casinha de ferramentas lá fora. – retrucou ainda com a porta da geladeira aberta. Pegou mais uma lata de refrigerante e jogou para o irmão, que a pegou no ar com uma cara meio assutada. – Que cara é essa? Não ia jogar na sua cabeça, babaca.
– Não é por isso. – revirou os olhos e suspirou um pouco incerto antes de prosseguir. – É que não entendo. Você parece ter tanta raiva dele o tempo todo Dean! Que que ele fez?
– Do que tá falando? Você bebeu? – fechou a porta finalmente, encostando-se na pia da cozinha e abrindo a lata, tomando um longo gole.
– Ok que vocês viviam se pegando de tapa, mas não era assim. Tipo, parece que vocês se odeiam agora! – respondeu em ar pensativo. Como nunca pensou nisso antes, aliás? Fazia um tempo já. Quer dizer, pra ele parecia desde sempre, via-os se matar desde os seus 7 anos, mas piorou demais depois que Sam resolveu fazer faculdade. – Tipo, papai vive falando como vocês eram unidos quando eram pequenos...
– Olha, não sei qual é essa do teu papinho não, mas realmente não tá fazendo sentido nenhum, só pra você saber. – respondeu indiferentemente, tomando mais um gole da lata antes de largá-la na pia. – Você decide, ou no seu quarto, ou na casinha de ferramentas. No meu não. Tô indo pra oficina.
Seguiu o mais velho com os olhos até ele sumir pela porta com um rangido desta. Era típico isso. Parecia um tabu. Era só colocar as palavras você e Sam e se dando bem na mesma frase que o mais velho desconversava e saía.
Talvez até por isso quase não falasse isso. Mas tinha certeza que essa época existiu. Viu nas fotos que seu pai trouxera pra casa ontem mesmo, um mini Dean e um Sammy menor ainda, abraçados e sorrindo largamente, com direito a chifrinho no menor por parte do loiro e tudo. Era companheirismo isso. Era praticamente a mesma forma que era tratado pelos irmãos hoje em dia, aliás. Não era possível que eles se odiassem hoje sem motivo nenhum!
Passou a mão direita pelos seus fios loiros e suspirou irritado. O jeito era dar um tapa no próprio quarto antes que Sam chegasse. Ia deixar passar dessa vez. Mas só dessa e em consideração ao irmão do meio.
E Dean ia ainda se ver com ele, isso sim.
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Só parou efetivamente, em um McDonald’s na VineStreetemHays, numa parada de almoço/lanche-da-tarde.
Foi ao banheiro do fastfood antes de pedir algo e antes de sair lavou os olhos, que ardiam. Céus, como estava realmente morto! Faziam o quê? 9 horas que estava dirigindo? Eram 5 da tarde segundo seu relógio. Dirigira 10 horas então, aparentemente.
Pensou em pedir uma salada, mas acabou optando por um Angus Chipotle BBQ Bacon e refrigerante. Com fitas. E quando mordeu o lanche, aquilo tinha um gosto tão de casa que até o assustou e acabou o motivando a comer com vontade — já que também, a única coisa que consumira além do café da manhã, isso a umas 6 da manhã, foi um pacote de biscoitos que comprara num posto de beira-de-estrada.
– Sozinho...? – uma moça lhe perguntou sorridente, segurando uma bandeja, mas o dela era um Filet-O-Fish. Ficou olhando-a lá parada, um tanto confuso e ela riu. – Ok, é que aquele cara sentado naquela mesa do outro lado estava me cantando e eu disse que estava com você, sinto muito.
– Ah. Não, não, claro... Estou sozinho sim, não quer sentar? – sua voz lhe pareceu confusa e mesmo a moça sendo bonita, não gostou de olhá-la muito, pois era loira.
– Obrigada. – agradeceu e sentou a sua frente. – Meu nome é Beth, muito prazer.
Terminou de mastigar o que mordera enquanto ela agradecia e voltou a olhá-la. – Sou Sam, o prazer é meu. – respondeu por educação, mas logo voltou sua atenção às batatas fritas.
– O que faz aqui há essa hora Sam? – ela realmente parecia interessada em conversar, uma vez que sequer desembalou o próprio lanche e o observava atenta, obrigando-o a comer o mais comportado possível.
– No Mc? – definitivamente estava lerdo, percebeu. Balançou a cabeça suavemente e bebeu de sua coca. – Hm, voltando pra casa, Beth. É Beth, não é?
– É! – ela pareceu feliz por ele se lembrar de seu nome e só então tomou um gole de seu suco. – Indo pra onde?
– Posso devolver a pergunta? – estava começando a se sentir desconfortável com as perguntas da moça e, olhando-a melhor, dava para perceber que ela estava interessada.
– Saindo de casa, Sam. – ela sorriu. – Vou visitar meus tios na California.
California. Controlou-se para não franzir o cenho em desgosto ao ouvir falar de lá. – Hm. Então ainda esta no começo da viagem... – comentou distraidamente, voltando a beber seu refrigerante e só parando quando sentiu o celular vibrar ao bolso. – Com licença. – pediu e se levantou. – Alô?... Sim, tudo bem sim pai. Está no viva voz? Porque estou ouvindo a voz do Adam aí... Ah, oi pra você também... Estou em Hays. Dentro de 4 horas estou por aí... Não. Não. Não pai, sem paradas, quero chegar logo aí!... Mais de 3 horas? Ann... – hesitou responder, seu pai o mataria se soubesse das 10 horas direto sem pausas pra descanso, mas se mentisse ele saberia só de calcular a distancia. – É... Não exatamente. Pai... Eu sei. Eu vou chegar inteiro. Claro que minha voz está cansada! Estou na estrada desde as 6 da manhã!... Com algumas paradas. Claro que sim. Estava comendo agora, na verdade...
– Sam, estou te esperando aqui, viu? – ouviu Beth falar às suas costas, e respirou assustado, ouvindo risadas no outro lado da linha.
– Não, espera! Pai, Dam, não é nada disso não! – sentiu o rosto corar e baixou o olhar. De que adiantaria explicar? – Quer saber? Esquece, estou desligando ok? Até mais tarde.
Desligou o aparelho e suspirou constrangido, passando a mão pelos cabelos.
– O que houve Sam?
– Eu... vou ter que ir indo Beth. Mas... Foi um prazer conhecê-la. Espero que faça uma boa viagem. – respondeu apressadamente, pegando o resto de seu lanche e colocando-o no saco de viagem para levar consigo. – Tchau.
–--
Estavam fechando a oficina duas horas antes para dar tempo de terminar de arrumar as coisas que faltavam em casa.
Isso... Segundo seu pai, pois na verdade sabia que estavam fechando duas horas mais cedo pra que John pudesse ficar andando de um lado ao outro da sala até que seu precioso filho chegasse.
Terminou de trancar tudo e, quando chegaram, deram com Adam na sala, andando de um lado ao outro exatamente como seu pai logo faria.
– Quando ele chega? – o garoto perguntou ansioso.
– Não sei meu filho.
– Liga pra ele pai! Não pode estar tão longe! – era até engraçado ver a vontade que o caçula estava de ver o irmão, principalmente se fosse pra recordar que ele não estava querendo dividir o quarto com ele de jeito nenhum.
Riu ironicamente a esse pensamento e sentou no sofá, despreocupado, enquanto via os dois se encolhendo em cima do celular do pai, discando na chamada rápida o numero de Sam.
– Põe no viva voz. – Adam pediu, mas teve que colocar pro pai, que se atrapalhou com o comando.
– Alô?... – a voz do moreno ecoou pela sala um tanto apressada.
– Oi meu filho, está tudo bem? – John perguntou enquanto Adam ficava repetindo atrás dele que queria falar com o irmão. Como se não desse pra ouvir, estava no viva voz, caramba!
– Sim, tudo bem sim pai. Está no viva voz? Porque estou ouvindo a voz do Adam aí...
– Fala Sam!! – o garoto berrou animado atrás do pai, e Dean teve que tapar a boca para não rir dele por isso.
–Ah, oi pra você também...
– Onde você está?
– Estou em Hays. Dentro de 4 horas estou por aí...
– Vai parar em Salina, não é Sammy? – sentiu o tom autoritário do pai dali do sofá e se ajeitou melhor nele.
–Não.
– Sam-...
– Não. Não pai, sem paradas, quero chegar logo aí!...
– Ok, que seja... Mas, não dirigiu mais de 3 horas seguidas, certo? – continuou com o tom de comando, mesmo sabendo que não adiantaria de nada. Seus filhos conseguiam ser piores que ele mesmo!
– Mais de 3 horas? Ann... – elehesitou por um momento. –É... Não exatamente.
– Francamente Samuel!
– Pai...
– Certo, a responsabilidade é sua. Faça o que quiser. – respondeu contrariado, e suspirou. – Só chegue vivo, tá?
– Eu sei. Eu vou chegar inteiro.
– Não sei se acredito, sua voz está tão cansada!
– Claro que minha voz está cansada! Estou na estrada desde as 6 da manhã!...
– Eu não-...
– Com algumas paradas. – completou antes que tivesse que ouvir mais bronca.
–Certo, espero que esteja falando a verdade.
–Claro que sim. Estava comendo agora, na verdade... – ouviram uma voz de mulher ao fundo chamando-o e sua respiração acelerar. E Adam caiu na gargalhada, incitando o próprio John a rir.
– Não era esse tipo de comida que estávamos esperando aqui Sammy! – Adam conseguiu balbuciar no meio das gargalhadas
– Sinceramente, agora é até compreensível seu tom cansado meu filho. – John tentou se manter sério, mas também acabou rindo alto. Dean a essa altura tinha levantado do sofá num pulo surpreso.
– Não, espera! Pai, Dam, não nada disso não! – o desespero e constrangimento na voz do rapaz foram palpáveis, mas logo se tornou impaciência. – Quer saber? Esquece, estou desligando ok? Até mais tarde.
E ele realmente desligou sem esperar um tchau, o que gerou mais piadas da parte de Adam, que segurava a barriga de tanto rir.
– Essa foi chocante! O Sam? Cara, se fosse o Dean eu até entendida, mas-... – parou de falar quando o mais velho passou por ele a passos duros, subindo as escadas. – Hey, Dean! Eu estou brincando!
– Dean, onde você vai? – o moreno mais velho também foi pego de surpresa pela mudança brusca de humor do filho. Encarou o outro — que deu de ombros, confuso -, antes de perceber que ele parara o avanço nas escadas e se voltou para ele.
– Quarto. Posso? – e não esperou resposta, só continuou subindo de dois em dois degraus, batendo a porta do quarto com força assim que entrou.
Legal, quer dizer que ele não pode sair com a Lisa pra ficar dando uma de comitê de boas vindas, enquanto o moleque saía por ai, passando o rodo nas paradas de estrada?
Sentiu o sangue subir para a cabeça e socou a parede, imaginando que fosse a cara certinha daquele cretino idiota.
Respirou fundo e sentou na cama, pensando na grande ofensa que isso era, mesmo sabendo que não era. Preferia crer mil vezes que estava se roendo de inveja do que pensar por um segundo que aquilo poderia ser qualquer outra coisa.
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Sentou no sofá um tanto frustrado. Bem que tentara subir pra falar com Dean, mas seu pai o impediu, falando que fosse lá o que fosse que deu nele, com certeza ele ia preferir ficar em paz.
Agora seu velho estava limpando a cozinha com um produto de cheiro engraçado, passando no chão manchado — isso porque já tinham limpado no dia anterior também -, com um pano velho.
– Pai... – chamou-o baixinho, mas viu quando seu velho virou para si, atento. A audição dele não era brincadeira.
– Diga Adam.
– Hn... O Dean e o Sam se odeiam desde sempre? – hesitou em perguntar por um momento e claro que John largou o que estava fazendo pra sentar no sofá com ele, o encarando com o cenho franzido.
– Odiar? Não acha que é uma palavra meio forte...? Eu sei que eles sempre tiveram seus desentendimentos. Também, não poderiam ser mais diferentes um do outro... Mas, ódio? Dean protegia Sammy até da própria sombra, quando eram menores. Até os 12 anos do Dean, vira e mexe encontrava eles dormindo juntos no beliche de baixo... – interrompeu-se e riu baixinho, pousando a mão na testa. – Dean sempre se fazia de machinho e fugia do assunto, então sempre perguntava pro Sammy, que sempre respondia que tinha pesadelos e o irmão lhe socorria. Só dormia livre deles quando Dean estava por perto. E eu sabia que ele só dormia depois de ver que o Sam havia dormido, porque ele sempre tinha olheiras terríveis logo de manhã...
– O que deu neles então? Só me lembro de ver eles brigando! – encostou-se melhor no sofá, interessado no assunto e encarou o rosto bem conservado de seu pai. Coçou o nariz umas duas vezes também, pois o cheiro do produto era realmente engraçado.
– Hmm... Não sei direito Dam... Acho que realmente foi por volta dos seus 7 anos. Sam estava com 14, foi dormir na casa de um amiguinho, mas voltou pra casa no meio da madrugada. Dean estava puto por ele ter ido e quando o viu entrar no quarto no meio da noite, começaram a discutir. Acho que essa foi a primeira briga verdadeira deles que eu presenciei, pois estavam quase se socando o chão quando cheguei e apartei. Depois disso Dean ficou mais arisco com o irmão, mas ainda assim nada de anormal. Soava como implicância só...
– Mas então...?
– Mas então, acho que por volta dos 20 e 16 anos e cada um, logo no dia que eu tinha organizado para conhecer as namoradinhas deles na época — porque você sabe bem que não foram poucas, certo? -, eles brigaram de novo, e desta vez eu ouvi algo que não esperava ouvir nunca. – John fez uma pausa grave e tapou sua boca por um momento, suspirando.
– O quê? Difícil imaginar algo pior do que eu já vi aqui pai... – o garoto comentou, ansioso pra saber. Desistiu de sentar direito e cruzou as pernas em cima do sofá, virando na direção do pai.
– Sam deu um soco no seu irmão... – parou ao ver a expressão chocada do filho e riu. – Eu sei que normalmente quem começa é o Dean, mas não é isso Adam. Ele socou e Dean não revidou. Levantou limpando o sangue do canto da boca e berrou pra ele que eles não eram irmãos. Chamou-o de monstro, disse que ele era amaldiçoado e que graças a ele, agora também era um maldito. Adam, eu perdi o chão quando ouvi isso. Não consegui intervir na briga ou castigá-los naquele dia, só subi pro meu quarto e... – parou antes de dizer que se agarrou ao retrato de Mary. Suspirou. – Não sei bem o que aconteceu, mas algo se quebrou e nenhum deles nunca disse nada a respeito.
– Queria saber por que ele se apega tanto ao fato de Sam não ser nosso irmão de sangue pai. Tipo, não é como se eu fosse 100% irmão dele também, mas ele não joga isso na minha cara como faz na do Sam.
– Também queria saber... mas... – levantou-se então, pronto para voltar pra cozinha. – Deixe-os. De certa forma, pelo menos ainda é algo que os dois dividem. Deve parecer estranho, mas prefiro que eles briguem a se evitarem. Acho que isso ainda é melhor que indiferença. Vou voltar pra cozinha... Vê se tem mais algo pra arrumar por aí e dá um jeito filho, quero essa casa tinindo pra quando o Sammy chegar.
– Ok... – levantou esquadrinhando a sala e os cômodos próximos, mas logo subiu, não para o seu quarto, mas pro quarto de John. Queria ver outra vez as coisas da caixa que ele tinha subido, talvez lá tivessem mais respostas praquela situação estranha. – Tem algo de errado nisso tudo, eu sinto.
–--
Estava próximo de Maple Hill, o que devia dar mais ou menos mais uns 56 minutos de viagem, se suas contas não estivessem erradas.
Segurou o volante com mais força, desejando que sua casa estivesse na próxima curva, não a mais de 50 mi dali. Se bem que a próxima curva seria só em Topeka, a umas 27,5 mi dali também...
Olhou para o saco amassado em cima do banco do seu carro, do McDonald’s de algumas boas horas atrás. Estava com fome de novo já. E com sono. E com o cair da noite também estava fazendo frio. Sentiu vontade de rir. Aquilo só poderia ser brincadeira.
E com o tempo, o frio só foi aumentando. E tinha esquecido seu casaco dentro da mala, ainda por cima. Estava dirigindo pela US-40 E e já não aguentava mais de sono. Daria tudo por um café naquele momento e tudo o que conseguia pensar era em chegar em casa e abraçar sua família. Sua sorte era que a estrada estava vazia e que passara pelo primeiro pedágio tranquilamente, pois na verdade não estava mesmo em condições de continuar dirigindo.
Talvez por isso mesmo, quando viu uma mulher ensanguentada de camisola no meio da estrada e freou bruscamente, não estranhou o fato da mulher desaparecer. Mas quando o carro capotou umas três vezes antes de parar, o fato de não ter se machucado pareceu um milagre. Soltou o cinto e caiu no teto do carro. Tentou abrir a porta, mas ela estava travada então saiu pela janela que estourara na primeira capotada.
Conseguiu reaver sua mala, mas o carro com certeza era perda total. E só então percebeu que estava sozinho numa estrada escura com um carro capotado e não tinha como chegar em casa.
– Merda... – sussurrou consigo, procurando a lanterna que trouxera e a blusa. Vestiu-se e acendeu-a, torcendo para que alguém passasse por ali. Não que realmente acreditasse na possibilidade de conseguir carona agora à noite.
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– Pai! Pai! – berrou e desceu as escadas, mas não o encontrou. Talvez tivesse saído pra comprar alguma coisa, pensou consigo, irritado e praguejou. – Adam!
– Que é Dean! – ouviu o menino berrar do próprio quarto e suspirou aliviado por um momento enquanto subia novamente até lá.
– Não acha que seu irmãozinho já deveria ter chegado? – perguntou numa indiferença fingida e sentou na cadeira do computador, enquanto Adam virava mais uma pagina do seu comix.
– Não sei, que horas são? – fingiu-se desentendido, enquanto ajeitava o caderno que achara na caixa de seu pai embaixo do corpo discretamente. Sabia que passava das nove e estava ansioso com isso também, mas queria ver se Dean também estava mesmo.
– Umas 9:45... – comentou e levantou, passando as mãos pelos fios loiros. – Quando o pai chegar, fala pra ele ligar pro Sam.
– E por que eu faria isso? – perguntou então, tentando entender o pedido do irmão.
– Vai por mim, pede pra ele ou liga você. – falou e saiu, deixando a chave do Impala sobre a mesa do computador antes de bater a porta do quarto.
Aquela sensação não lhe enganava. Sabia que tinha algo errado. Só esperava que Adam não fosse tão lerdo a ponto de ignorar seu aviso ou não ver as chaves ali.
Mas quando ouviu a voz do garoto ecoar no quarto e depois os passos apressados dele porta afora, conseguiu soltar o ar dos seus pulmões, ainda que não entendesse como, podia sentir aquilo. Pois simplesmente sabia que tinha algo errado quando levantou de sua cama num salto, acordando talvez de algum cochilo. E aparentemente estava certo.
Mas não estava nem um pouco preocupado com isso. Mesmo., pensou.
–--
Notas finais
Link do site do McDonalds em inglês a fins de visualização do lanche do Sam - http://www.mcdonalds.com/us/en/food/full_menu/sandwiches.html
Dean Winchester 27 anos (24 de Janeiro de1979)
Sam Winchester 23 anos (02 de Maio de 1983)
Adam Winchester 16 anos (29 de Setembro de 1990)
John Winchester 52 anos (1954)
Ano de 2006 Inicio da história.
Qualquer informação extra, consulte meu blog:
http://slashyaoifanfics.blogspot.com/
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