The Only One

44 Capítulo 42


- Eu estou preocupada com ela, Seth. – Amanda resmungou enquanto terminava de preparar seu café da manhã.

- E eu preocupado com você! Você ainda não se deu conta do perigo que correu? – o lobo estava parado ao lado da bancada da pia, enquanto acompanhava o andar de Amanda para lá e para cá.

- Bella está em perigo. E o maior perigo é ela mesma. Eu nunca a vi daquele jeito. – a humana parou em frente ao lobo para que finalmente conseguissem conversar.

Ela ainda estava atordoada. Tinha contado as coisas superficialmente à Seth assim que ele se recuperou do empurrão que levara da vampira quando ela fugiu em disparada da casa.

- Ela é uma vampira, Amanda. – Seth falou com firmeza olhando-a nos olhos.

- Ela é minha amiga, Seth. – a humana respondeu com sinceridade mantendo seu olhar.

- Mas isso não impediu que ela tentasse te atacar.

- Ela não me atacou. O que aconteceu passou bem longe disso. Eu... Eu cortei meu dedo. Por isso acabei expondo-a a tentação. Se não fosse por esse acidente, Bella jamais me atacaria. Eu sei disso.

- E quanto acha que ela conseguiria manter o controle? Quanto tempo mais ela vai agüentar sem se alimentar direito? – Seth passou as mãos pelo cabelo de forma nervosa – Amanda... Não pense que estou contra Bella. Pelo contrario, sou sempre o primeiro a defendê-la, mas dessa vez ela passou dos limites.

Visivelmente cansado e transtornado, o lobo se jogou na cadeira.

- Não se trata de limites, Seth. – a loira tentava a todo custo defender a amiga, mas...

- Trata-se de limites sim, Amanda. Bella acabou de ultrapassar um muito importante. O que ela pretendia ao ficar tanto tempo sem se alimentar. Ela nunca foi muito boa em cuidar de si mesma, mas colocar outras pessoas em risco, colocar você em risco... Isso foi muito grave. Aliás, essa sua teimosia me lembra muito Bella quando humana.

Desde que conhecera Seth, Amanda nunca o tinha visto falar tão serio. Era estranho vê-lo falar de Bella naquele tom. Seu lobo era sempre o primeiro a estar disposto a defender sua amiga vampira.

- Seth, é que... – Amanda sentou-se no colo dele – Eu sinto-me inútil. Sou uma simples e fraca humana.

- E a única forma que você viu para ajudar foi ser o lanchinho da Bella? – o lobo falou com acidez.

Amanda o encarou séria, visivelmente irritada com a infeliz escolha de palavras do lobo, saiu do seu colo e sentou-se na cadeira ao lado para poder tomar café. Seth se remexeu na cadeira incomodado, respirou fundo e tocou a mão da loira quando ela enchia um copo com suco.

- Meu bem... Você não ia ajudar Bella afinal. Como acha que ela reagiria se machucasse você? Tem idéia da culpa, do remorso que ela sentiria se no final... – ele respirou fundo e apertou a pequena mão entre as suas e a beijou com delicadeza, depois finalizou – Se no final ela perdesse o controle e não conseguisse parar.

Mesmo a contragosto, a loira teve que levar aquilo em consideração.

- Então o que faremos Seth? Ela não pode continuar sem se alimentar, teremos que assaltar o banco de sangue de algum hospital? Se comigo ela poderia perder o controle, imagine se ela topar com algum desconhecido.

- Eu sinceramente não sei o que fazer. Precisamos achar um jeito. Preciso falar com Jake. Ele é o único capaz de fazê-la parar e ouvir de verdade. Deus... São tantos problemas, tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. – o lobo apoiou os cotovelos sobre a mesa e massageou as têmporas como se aquilo fosse o suficiente para aliviar a tensão.

Foi à vez de Amanda pegar as grandes mãos do lobo entre as suas. Com carinho ela massageou os nós dos dedos quentes. Queria poder através daquele toque tirar toda a tensão e toda a sensação e sentimento ruim que ele pudesse ter. Eram tão bons aqueles momentos em que os dois ficavam assim, quietos, sozinhos... Seth tinha algo em torno de si, uma energia, uma aura aconchegante. Ele era cativamente de uma forma natural.

Amanda afastou uma das mãos e tocou o rosto moreno. Correu os dedos pela lateral e subiu até a testa tentando desmanchar as rugas de preocupação que estavam ali. Em alguns segundos elas se foram, dando lugar a covinhas de um sorriso um pouco mais relaxado.

Mas naqueles tempos, nada permanecia em paz por muito tempo. Uma batida na porta dos fundos da cozinha tirou lobo e humana daquele pequeno momento de tranqüilidade.

Os dois se viraram ao mesmo tempo para o som. Amanda imediatamente reconheceu a ex-cunhada de Bella. Uma loira deslumbrante a acompanhava, devia ser a tal de Rosalie.

Seth não pareceu se incomodar tanto assim ao ser interrompido. Assim que Amanda foi abrir a porta, ele se levantou e virou de frente para a entrada. Postura séria, braços cruzados sobre o peito. A baixinha passou diretamente por Amanda e colocou-se no meio da cozinha sem cerimônia. Poderiam ver aquilo como uma tremenda falta de educação, não fosse por seu semblante perturbado.

- Bella...

- Ela não está aqui. – Amanda conseguiu falar antes que Alice terminasse e isso pareceu irritar um pouco a vampira.

- Eu sei que ela não está aqui. Mas vim por ela. – a baixinha ignorou-a totalmente e voltou sua atenção a Seth – Ela entrou na reserva. Nós tentamos impedi-la, mas ela não nos ouviu. Seth, dois jovens lobos estão atrás dela!

O lobo imediatamente descruzou os braços e os deixou cair ao lado do corpo, sem fala e com os olhos arregalados, ele passou pelas três no meio da cozinha e se encaminhou para a saída. Assim que sua mão tocou a maçaneta, ele ouviu ao longe um uivo longo e alto. Era um chamado.

Abriu a porta e correu para a floresta sabendo que estava sendo seguido por Alice e Rosalie. Amanda não teve alternativa a não ser permanecer parada no meio da cozinha vendo todos desaparecerem diante de seus fracos olhos humanos.

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- Vai ficar tudo bem Senhora Lup. – Jacob estava na varanda da casa da família de Louis, tentando tranqüilizar seus pais.

- Por Deus, eu nunca imaginei que essas histórias pudessem ser reais. Digo, eu respeito nossas tradições, ouço as lendas desde criança, mas... – a mãe do garoto ainda estava nervosa.

Levaram alguns bons minutos para que a mulher pudesse voltar a falar logo após Jacob ter contado tudo o que estava acontecendo com seu filho mais velho. Ele também tratou de preveni-la, porque possivelmente seu filho mais novo também vai se transformar.

- Senhora Lup, como já lhe disse, faz séculos desde que um Lup se transformou. Mesmo assim, os genes foram passados geração após geração.

- E os meus meninos foram os “premiados”! — ela falou em um tom de desgosto, afinal, qual a mãe que gostaria da idéia de ver os filhos se transformando em lobos gigantes e caçando vampiros.

- Meu bem, tudo vai se resolver com o tempo. Agora nós precisamos nos interar melhor do assunto para poder ajudar nossos meninos. – o marido parecia bem mais tranqüilo e disposto a aceitar tudo.

- Estarei à disposição para o que vocês precisarem. E tem o conselho, composto pelas famílias e por antigos lobos. Qualquer coisa que precisarem, nós estaremos aqui.

- E onde meu filho está agora?

- Com os outros garotos, na casa de Sam. Logo ele estará em casa, fiquem tranqüilos. – Jacob usava seu tom de voz firme e tranqüilo. Uma tática aperfeiçoada durante décadas pareceu funcionar.

- Obrigada, Jacob. – Senhor Lup agradeceu com um forte aperto de mão.

- É meu dever. Não há o que me agradecer. – o alfa retribuiu o cumprimento – Senhora Lup, desculpe-me se...

- Está tudo bem, querido! Não deve ser mais fácil para você do que é para mim. Afinal, você tem uma carga muito grande sobre seus ombros. Espero que tudo fique bem.

Jacob sorriu levemente. Ela estava certa, mas o mais estranho foi ver a mulher com quase metade da idade dele, tratando-o como se ele fosse apenas um garoto.

Com mais um aceno de cabeça ele se despediu do casal. Tomou o rumo da casa dos Clearwater por dentro da floresta. Precisava ficar um pouco sozinho. Estava exausto, suas pálpebras começavam a pesar. Deus... Não conseguia se lembrar da ultima vez que tivera uma noite de sono tranqüila.

Na verdade, ele lembrava sim. Tinha sido nos dias que seguiram o retorno dele e Bella do Brasil. Aqueles poucos dias onde ele pode sentir o quão bom podia ser dormir e acordar acompanhado da mulher de sua vida.

Precisava falar com ela. Precisava deixar de sentir pena de si mesmo, de se achar o injustiçado. Precisava colocar tudo em pratos limpos. Eles sempre foram verdadeiros um com o outro, isso era o que importava e não poderia se perder agora. Mas... Ele precisava de um bom banho e algumas horas de sono antes.

Assim que avistou a casa de Seth percebeu que tudo isso ficaria para mais tarde, Leah estava sentada sozinha na pequena varanda. Jacob revirou os olhos, sabia que seria impossível passar por ela sem que conversassem. Apertou os olhos com força e os esfregou com as costas das mãos forçando suas pálpebras a se abrirem, funcionou... Um pouco.

- Bom dia, Leah! – falou com um entusiasmo que não possuía – Seth já voltou com os garotos?

- Todos já estão em suas devidas casas, e Seth foi para Forks. – sem bom dia, aquilo era um mau sinal.

- O mau humor é porque ele foi ver Amanda? – Jacob debochou e sentou-se ao lado de sua antiga beta – Não gostou da nova cunhada, Lee?! – cutucou a loba com o ombro provocando mais.

Leah revirou os olhos e depois o encarou com aquela cara de “Estou te mandando para àquele lugar”. Ele gargalhou, apesar de tudo, era ótimo estar de novo em casa com as pessoas que ele amava.

- Eu gostei da branquela! – Leah fez bico e deu de ombros. Jacob a encarou boquiaberto. – Sério! Ela é legal, já está acostumada com toda essa loucura e ainda gosta de crianças. Conseguiu acalmar Lian em menos de 5 minutos.

- Certo. Conquistou o filho, então conquistou a mãe. – Jacob sorriu.

- Coisas de mãe! – a loba falou com um sorriso bobo do rosto.

- Coisas de mãe loba. – o alfa retribuiu o sorriso.

- Até quando... Até onde essas coisas vão, hein Jake?! As transformações... – Falou com pesar.

- Eu bem que gostaria de ter as respostas, Lee. Ou quem sabe o poder para parar tudo agora. São tantos garotos... – o lobo passou as mãos pelo cabelo.

- É... A cada volta que dou pela reserva vejo mais garotos com todas as características de antes da transformação.

- Foram anos de exposição. Ainda não é possível precisar quantos meninos se transformarão. Mas tenho certeza que as coisas não pararam por aí.

- Estamos aqui para ajudar você, Jake. Mas, eu não quero isso para o meu filho. Lian vai crescer sabendo de onde veio, de todos os costumes, as crenças, as lendas do povo Quileute, mas...

- Eu sei Lee. Exigi muito mais do que deveria de vocês nesses últimos anos. Não posso pedir que sacrifiquem a vida normal que estão levando por mim. – Jacob falou sinceramente olhando nos olhos de sua antiga beta – Pedi que viessem porque precisava colocar vocês a par de tudo. Você e o Embry têm me ajudado muito com as famílias dos garotos, mas eu sei que vocês têm uma vida longe de La Push agora.

- Você também deveria ter uma, Jake. Todos esses anos de transformação...

- O que está feito, está feito. Eu sei que se formos analisar friamente, tudo começou por causa disso. A curiosidade de Simon foi despertada quando ele nos viu aqui na reserva, exatamente iguais depois de anos. No fundo, eu sou o culpado por essa bagunça.

- Jake... Se vitimizar não é para você! Por favor! Seu pai sempre disse que tudo tem um motivo para acontecer... Não estou sendo conformista, longe disso. Mas, com os anos aprendi que algumas coisas, principalmente no que diz respeito à magia do nosso povo, estão fora do nosso alcance.

Os dois se entreolharam em silencio. O tempo tinha mostrado que a “amarga” loba, podia ser a mais sincera e sensata do bando, e também, a melhor amiga que Jacob podia um dia sonhar em ter.

- Bella está fora do seu alcance agora!

- Não me diga que a culpa por tudo...

- Você ouviu uma palavra do que te disse?! – Leah, o encarou incrédula – Não culpo ninguém por nada, Jake. Na verdade aqueles que podem ser responsabilizados por algo já foram punidos. E isso eu me custo, mas admito que devo justamente à Bella.

Leah o encarou por alguns segundos medindo suas expressões. Falar sobre Bella com Jacob era estranho. Durante anos conviveu com ele, e sabia que desde o dia em que deixaram a reserva algo do seu amigo tinha ficado para trás, e no fundo, Leah sabia o que era. Jacob sempre seria de Bella e Bella de Jacob. Por mais que os anos passassem, por mais que momentos de descontração acontecessem, não era a mesma coisa. Bella sempre seria o assunto mal resolvido de seu amigo.

- Você mesmo disse que algumas coisas fogem de nosso controle, do nosso alcance... Eu te digo que o que eu sinto por Bella é exatamente isso. Anos, décadas, e eu sinto-me exatamente do mesmo jeito em relação a ela. Nem o fato dela ter se tornado algo que eu deveria repudiar fez com que eu pudesse me afastar. Sinto como se estivéssemos ligados por algo muito além do que a racionalidade pode explicar. Eu a amo Lee, e eu me importo com ela, mesmo que tudo que eu conheço me diga para odiá-la.

A sinceridade de Jacob nas palavras e no olhar doeu em Leah. Seu instinto maternal dizia para ela sacudir, estapear seu amigo e fazê-lo enxergar que as coisas não podiam ser. Que ele estava se agarrando a uma falsa e instável chance de ser feliz. Mas o que ela fez, foi sorrir desconcertada e puxá-lo para um abraço apertado.

- Eu queria ter o poder de transformá-la em humana de novo para que vocês pudessem ser felizes juntos dessa vez. – a loba falou com sinceridade – Mas só posso te desejar boa sorte! — Obrigado, Lee. – ele suspirou cansado – Agora preciso de um bom banho e algumas horas de sono.

- Vai lá. Vou atrás do meu marido e meu filho. Eles devem estar na praia.

Com um aceno eles se despediram. Jacob entrou na casa dos Clearwater mais uma vez. Era a sua casa agora. Caminhou diretamente para o banheiro. Enfiou-se debaixo da ducha morna. Toda a sua musculatura estava tensionada, pelas constantes transformações e pelo fardo que começava a pesar sobre seus ombros depois de anos.

A vida dos garotos estava sobre suas costas, e pela primeira vez ele duvidou que pudesse dar conta daquilo. Não conseguia sequer colocar a própria vida em ordem, como seria cuidar da vida alheia.

Depois do que pareceram horas, ele saiu do chuveiro a contra gosto. O banho o tinha relaxado mais do que ele esperava, mas não tanto quanto gostaria. Enrolou-se na toalha e seguiu até o quarto decidido a ter pelo menos umas quatro horas de sono. Jogou-se na cama do jeito que estava e apagou instantaneamente.

Não soube precisar quanto tempo conseguiu dormir, mas acordou instantaneamente ao ouvir um uivo alto. Ele já podia reconhecer: Gabriel.

Pulou a janela do quarto e correu imediatamente para a floresta nos fundos da casa, assim que teve a cobertura das arvores, se transformou. Uivou de volta, era a única forma de avisar que estava a caminho, já que ainda não conseguia captar os pensamentos dos garotos.

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Estava preparada para dar um fim a tudo. Esperou pela dor, o que recebeu foi uma forte trombada de um enorme corpo peludo. Levantou os olhos a tempo de ver o lobo que uivara há segundos atrás se prostrar em sua frente de forma protetora. Aquilo definitivamente jamais passaria por sua cabeça. Podia ver o lobo furioso de relance.

Bella percebeu que eles conversavam mentalmente, mas o que ela ouvia era apenas rosnados, respirações ofegantes e a terra sendo remexida enquanto o lobo escuro tentava passar por “seu defensor”. Estava paralisada, mesmo com todos os seus instintos exigindo que ela aproveitasse e corresse em direção aos penhascos.

O lobo mais claro deu dois passos para trás tocando-a com suas grandes patas. Então ela voltou à realidade. O lobo escuro tentava passar e pega-la, o mais claro desviava as investidas. Eles pareciam prestes a se atacarem.

Ela se afastou um pouco mais para poder melhor seu campo de visão. Seu olhar se encontrou com o do lobo escuro, ele bufava e babava com os dentes arreganhados. Em um momento de distração ele investiu novamente, e mais uma vez foi bloqueado pelo irmão com uma cabeçada nas costelas.

Ele caiu sobre alguns arbustos e assim que se recuperou do susto de ter sido golpeado voltou novamente a atacar Bella. Mas uma vez ela deu alguns passos para trás, enquanto o lobo claro se erguia sobre as patas traseiras para depois descer e bater com as dianteiras no chão.

A vampira entendeu que ele queria ganhar tempo. Não estava deixando Bella ir embora, mas tinha entendido que ela não fugiria. Talvez quisesse conversar?

Ao longe mais um uivo foi ouvido, e depois outro. Aqueles ela conhecia, Jacob e Seth. Era por isso que o lobo mais claro estava retardando o irmão furioso. O alfa e o beta é que decidiriam o que fazer com ela.

- Não vou fugir. – ela gritou em uma tentativa desesperada de parar a briga que estava prestes a acontecer entre os dois irmãos.

Os dois lobos pararam por alguns instantes, olharam para ela de relance. Bastou que ela e o lobo mais claro relaxassem um pouco e o outro furioso investiu uma ultima vez.

Bella viu o ataque em câmera lenta. A enorme pata escura se aproximando dela, o calor irradiando dos lobos deixou-a anestesiada, não se mexeu e foi jogada contra as arvores atrás de si.

Sentiu um peso enorme sobre seu corpo pressionando-a contra o chão e depois algo quente escorrendo pelo seu rosto. Abriu os olhos, libertou as mãos quase enterradas no chão e apoiou-se em algo para poder levantar. Ouviu um ganido de dor em resposta ao seu toque.

Limpou os olhos atordoada, e aí sim percebeu. Ela estava debaixo do lobo mais claro e estava banhada em sangue... Sangue dele. Olhou ao redor e viu o lobo escuro com o olhar perdido. Ele deu dois passos na direção dela, parecia disposto a terminar o serviço. Ela não poderia se defender, estava presa.

- Pare agora! – ela gritou.

Ele rosnou de volta, com a fúria se reascendendo nos imensos olhos negros.

- Não seja estúpido! Como foi capaz de machucar seu próprio irmão? – Bella também sentia um ódio absurdo percorrer seu corpo.

Com cuidado ela conseguiu sair debaixo do corpo do jovem lobo ferido. Agora era hora de ela assumir uma postura protetora. Totalmente suja e esfarrapada ficou de pé.

- Agora você escolhe: ou desconta todo esse ódio reprimido sobre mim e acaba logo com isso, ou, salva o seu irmão. O que vai ser hã? – ela reprimia o rosnado que estava preso em seu peito juntamente com a vontade de socar o lobo a sua frente até que ele ficasse no mesmo estado do irmão.

A carranca do lobo escuro se desfez e com um olhar triste ele olhou para cima e uivou. A vampira entendeu imediatamente que era um pedido de ajuda. Logo depois ele foi em direção a alguns arbustos. Assim, que ele saiu de seu campo de visão, Bella voltou sua atenção ao lobo caído.

- Deus... Porque você tinha que ter ficado na frente, hã? – ela se abaixou e com cuidado foi afastando os pêlos ao redor do pescoço do lobo até a junção com a pata dianteira. Ali estavam os ferimentos, as marcas das garras do irmão. Quatro cortes profundos, até o osso. O sangue jorrava em um ponto mais profundo. – Isso vai doer, eu vou pressionar esse ponto aqui para poder estancar um pouco, pelo menos até você começar a se curar, ou alguém chegar. Concentre-se e tente voltar a sua forma normal, por favor.

Bella tentava a todo custo concentrar-se apenas na tarefa de salvar a vida do garoto. Parou de respirar e concentrou seu olhar nos olhos dele, desviando a atenção do liquido quente e vermelho que escorria por seus dedos. Todos os limites tinham sido ultrapassados por ela, estava desejando o sangue de um lobo... Nada podia ser pior.

- Afaste-se dele! – a voz era quase um rosnado.

Bella levantou os olhos e encarou o garoto há alguns metros de onde ela estava. Seu corpo tremia levemente.

- Acalme-se você! Estou tentando ajudá-lo!

Um ganido de dor fez com que ambos voltassem sua atenção para o lobo ferido.

- Gabe... Desculpe-me, por favor! Eu... Eu... Seth já está a caminho. Ele sabe o que fazer. – o garoto se ajoelhou ao lado do irmão com os olhos cheios de água.

- Segure aqui! – Bella chamou-o para perto – Agora! Se quiser ajudar o seu irmão é isso que pode fazer. Desculpas não vão fazê-lo se curar mais depressa, nem aliviarão a dor.

Surpreso com a reação da vampira, Brian se aproximou receoso e fez o que ela disse.

- Concentre-se, Gabriel. Você precisa voltar à forma humana. Vai perder menos sangue e seu corpo humano é mais fácil e rápido de ser curado. Por favor, tente!

Ganindo de dor, ele finalmente conseguiu. Sem a cobertura dos pêlos, os machucados pareciam piores, e quantidade de sangue muito maior. A vampira desviou a atenção imediatamente. Não podia mais ficar ali nem mais um segundo.

- Espere por Seth, e quem mais estiver a caminho. – ela falou em um fio de voz – Tenho que sair daqui.

E assim ela fugiu.

Sem conseguir pensar no que faria no momento seguinte, Bella só queria ir para o mar. Lá então, longe de tudo e todos poderia clarear as idéias e pensar melhor em tudo.

As arvores começavam a ralear, e a abertura para a imensidão de água fria apareceu diante de seus olhos. O vento trazia a umidade do mar, e nuvens mais escuras anunciavam que logo choveria. Imersa naquele momento Bella sorriu e inspirou fundo. Diminuiu um pouco sua corrida para poder apreciar melhor toda aquela beleza. Flashes passaram diante de seus olhos, todas as vezes que ela estivera ali.

La Push era parte de sua vida desde sempre. Então, a passos lentos ela se aproximou da borda, mais uma vez inspirou o ar puro, limpo, abriu os passos e com um pequeno salto lançou-se em queda livre. A sensação era ainda melhor do que se lembrava. Mantendo os olhos fechados seu corpo era que captava tudo ao seu redor... Até mesmo a variação brusca de temperatura.

Em milésimos de segundo, o ar ficou morno e então quente. Pêlos roçaram levemente sua face, em seguida a pele lisa, macia e braços quentes a envolveram protetoramente. Abriu seus olhos e encontrou duas esferas negras encarando-a com angustia.

Jacob estava abraçado a ela, e os dois juntos em queda livre. Eram segundos aos olhos humanos, mas para eles era como se os ponteiros de um relógio estivessem se arrastando em câmera lenta.

- Não vou deixar que vá. – então ele a apertou ainda mais contra si.

Um soluço seco escapou da garganta dela. Seu peito se inflou instantaneamente, era como se mais uma vez Jacob a estivesse salvando naquele mesmo penhasco. Devolvendo-a à vida.

Com um beijo, Bella inverteu a posição dos dois, fazendo com que as próprias costas se chocassem contra as rochas no fundo do penhasco.

Não sentiu suas roupas de rasgarem, nem a água fria tocar sua pele assim que eles submergiram... Naqueles breves segundos só o que ela sentia era o calor de Jacob ao redor de si, até que uma onda os envolveu e jogou-os contra o paredão de rochas...

Então o calor sumiu e o frio a engoliu!

Notas finais
N/A: Outro dia comentei com a beta que a fic já estava acabando, aew ela fez aqueeeeele drama de praxe... Por fim, nesse feriado me inspirei, coloquei algumas musicas do novo CD do Chris Brown e... Saiu esse cap.
Num era pra ele acabar assim, mas tbm num era pra ele ficar tão grande, enfim, resolvi dividir.
Não me apedrejem, continuem no espírito natalino, comentem bastante e quem sabe as coisas não voltam a fluir nessa ultima semana do ano. Han?
Obrigada de coração àquelas que ainda permanecem aqui. A fic criou proporções maiores do que eu imaginava, mas agora ela está realmente chegando ao fim.
Desejo um Feliz Natal atrasado e um excelente 2013 adiantado!!
Beijos
Ritinha
N/B: Depois de um fim de cap desse não há nota que fique decente. Nossa, as att desse fim de ano foram só para me fazer passar raiva e aí vem a ritinha, onde eu tinha um pingo de esperança, e me dá isso. Eu vou morrer de curiosidade até 2013 kkkkkk.
Então queridas, comentem!!! Para eu poder ler, digo, betar logo....
Bjks, Katy Clearwater