The Only One

43 Capítulo 41


Ainda era madrugada, em poucos minutos Jacob chegaria a La Push e depois a Forks. Não estava traçando nenhum roteiro pra sua conversa com Bella. Naquele momento deixou seus sentidos de lobo guiarem seu caminho de volta.

Tudo era a floresta. A brisa fria da noite de outono, porém seca, deixava claro que a manhã seguinte seria de sol, portanto, Bella “presa” em casa. Pelo menos isso estava certo. Alguns minutos depois ele percebeu que somente isso estava certo mesmo.

Jacob já estava dentro dos limites da reserva quando três novas mentes totalmente confusas se “chocaram” contra a dele.

- Merda... – ele praguejou já sabendo do que se tratava.

Tentou se concentrar ele mesmo e pegar fragmentos dos pensamentos dos recém transformados para poder saber que quem se tratava.

- Por Deus... Tem um lobo enorme me seguindo. Alguém me ajude. Merda... Ele está rosnando pra mim. Socorro!!!!

- Filho da... Eu torci meu tornozelo! Ai não... O que aconteceu com o meu pé? Meu corpo... Eu tenho pêlos... Mãããeee...! Que merda, eu to uivando??? Uivando???

- É só um sonho... Um sonho! Se eu apertar bem os olhos e me concentrar eu vou acordar confortavelmente na minha cama.

- Não feche os olhos! – Jacob tentou avisar, mas não deu tempo. O jovem lobo pardo se chocou contra uma arvore e a partiu no meio.

O lobo marrom que vinha atrás também não conseguiu parar e o que ia a frente foi acertado por um dos galhos espatifados.

Jacob chegou a tempo de ver um bolo de patas, pêlos, caudas, galhos, folhas descer um barranco, com uma trilha sonora composta por muitos rosnados e principalmente ganidos de dor.

Mais problemas para resolver. Sua conversa com Bella teria que ficar para mais tarde. Concentrou-se em seus novos “irmãos”, ou seriam filhos de alcatéia?

Os três garotos se levantaram totalmente confusos, ao mesmo tempo em que parecia que iriam se atacar, parecia que eles se colocariam a correr novamente. O alfa tirou totalmente os pensamentos ligados à Bella da cabeça, respirou fundo e assumiu sua autoridade máxima.

- Acalmem-se os três. – ele falou em seu típico tom de alfa.

Os três pequenos e jovens lobos instintivamente colocaram-se em linha. Sentados sobre as patas traseiras e com os focinhos e orelhas baixos, encaravam Jacob com olhares assustados e confusos.

- Er... – o lobo marrom esboçou uma tentativa de fala, mas logo silenciou ao encontrar o olhar do alfa.

- Olhem para mim. Não sou um monstro, assim como vocês também não são. Para poder explicar tudo, preciso que vocês prestem totalmente à atenção em mim. Respirem fundo, Ok? – depois de todos assentirem, Jacob começou a dosar as informações dadas aos garotos.

Aquela era uma tarefa pra lá de cansativa para um alfa. Repassar todas as historias, as lendas da tribo, mesclar isso as experiências já vividas por ele mesmo. Tinha sido mais fácil com o grupo anterior, quando Seth estava junto para dividir essa tarefa. Mas seu beta só voltaria em algumas horas, assim que amanhecesse, e até lá, os novos garotos teriam que aprender o máximo que Jacob pudesse passar.

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Deus... Como sentia falta daquilo!

Sangue humano, direto da veia. Quente, denso, carregado de adrenalina... O ritmo acelerado do coração humano tornava as veias mais visíveis sob a sensível cobertura humana. A vampira estava hipnotizada com o constante pulsar da veia jugular, cada vez mais cheia, cada vez mais aparente.

Deu mais dois passos em direção à humana fazendo com que o corpo frágil batesse contra a parede. Os olhos acinzentados estavam fixos no local exato onde ela estava prestes a cravar as presas.

Estava fora de si, entregue totalmente aos seus instintos mais primitivos de predadora mor. Recostou seu rosto na curvatura do delicado pescoço humano, passou a língua cheia de veneno sobre a pele morna fazendo com que o local adormecesse. A humana gemeu levemente e estremeceu, quase todo o medo se fora, e agora sua presa tremia em expectativa ao que viria a seguir. Bella não sabia ao certo como acontecia essa entrega, mas nem fazia questão de saber... Aquilo era incrível!

- Bella... – a voz da humana a tirou levemente do transe.

O timbre humano tocou alguma parte sua que estava dormente desde que a vampira vira os respingos de sangue se espalharem pela cozinha.

Que diabos estava acontecendo? Não era apenas uma voz humana, era a voz de sua amiga... Sua única amiga em anos de solidão e reclusão. Era a voz de Amanda!

Piscou algumas vezes e finalmente conseguiu desviar o foco. Olhou para a face humana que estava de perfil, os olhos levemente fechados, os lábios entreabertos soltavam o ar em lufadas quentes e rápidas.

Bella sentia o mundo girar a sua volta, sua garganta queimava, o veneno escorria de suas presas... Só um pouco, um pouquinho. Ela conseguia controlar, sabia que conseguia, era uma vampira experiente. Seria rápido, prazeroso para ambas, mas aquela experiência ficaria gravada na mente dela e de Amanda para sempre, já que ela não poderia manipular sua mente.

Não poderia viver com aquilo...

Mais do que sua garganta, seu peito começou a doer... O vento balançou as cortinas que encobriam a janela da cozinha, uma fresta se abriu e alguns raios de sol penetraram encontrando diretamente a pele marmórea da vampira.

- Oh... – um gritinho de espanto foi dado por Amanda assim que o brilho intenso tomou conta do cômodo.

Rapidamente Bella se afastou. Com um único movimento, ela já se encontrava recostada atrás da porta que dava para os fundos da casa. Longe dos raios de sol, longe de Amanda. Quebrou o contato visual com a humana. Deixou que suas costas deslizassem pela parede. Sentada no chão, abraçou os joelhos e colocou a cabeça entre eles...

Ar... Ela precisava de ar puro, precisava clarear e ordenar suas ideias. Precisava voltar a ser racional...

- Bella... Por favor, eu, eu... Me desculpe! Você não se alimenta há dias... E... – a humana saiu da sua posição junto à parede oposta de onde a vampira estava, e veio caminhando para o meio do cômodo.

- Não! Fique onde está! Não se aproxime, Amanda! – Bella rosnou.

Dentro de si, Bella estava dilacerada. As emoções e sensações se chocavam umas contra as outras. Ela precisava clarear a mente. Precisava de silencio, de um espaço aberto.

Amanda foi até a pia. Lavou a mão e enrolou o dedo com algumas toalhas de papel. Não podia negar que estava com medo no inicio com a reação de Bella, ou agora quando ela gritara para que se afastasse, mas era sua amiga que estava ali. E ela não estava nada bem.

- Bella, eu posso ajudar! Eu confio em você, e... – Amanda já estava há apenas alguns passos da vampira.

- Não! Eu não posso! Eu não consigo... – Bella levantou o olhar e encarou sua amiga.

Amanda mais uma vez se assustou. Os olhos de Bella estavam negros e brilhavam, realmente pareciam de um grande felino, um predador acuado; por cautela, ela parou com a aproximação.

- Você... Precisa! Pelo menos um pouco...

- Não! – a vampira rosnou entre dentes – Um pouco não será o suficiente! Eu não conseguiria parar. Você não faz idéia do risco que correu há alguns segundos atrás? Do risco que ainda está correndo ao ficar no mesmo espaço que eu?

Bella levou as mãos à cabeça, depois esfregou o rosto com força como se pudesse tirar o cheiro que parecia estar impregnado nela agora. Parou de respirar, mas nada adiantava. Ela precisava sair dali...

- Você não pode sair assim nesse estado. E se... E se você machucar alguém? – Amanda começou a contornar a mesa.

- E se eu machucar você? – Bella falou em um tom cortante – Porque é isso que vai acontecer se você não ficar onde está agora.

O cheiro de sangue novamente se tornava mais forte. O curativo improvisado na mão de Amanda estava ensopado do elixir da imortalidade para a vampira e ela sentia toda a sua visão nublar. Levantou-se lentamente, fechou os olhos e parou de respirar, precisava encontrar forças para resistir à tentação e sair de casa o mais rápido possível. Os deuses pareceram ouvir suas preces.

A porta ao seu lado se abriu lentamente e os cheiros da floresta misturados ao do lobo trouxeram luz à escuridão que parecia prestes a engoli-la.

- Amanda? – a voz vacilante de seu amigo terminou por despertá-la.

Muito rápido para os olhos humanos conseguirem captar as imagens, Bella saiu pela porta aberta fazendo-a se chocar contra a parede e empurrando Seth contra o balcão.

Os poucos vizinhos acordados àquela hora da manhã tiveram apenas o vislumbre do reflexo do sol sobre a pele da vampira. Todos eles acreditaram ser apenas o sol batendo nos vidros de algumas janelas ou espelhos das casas.

Dentro da casa ficaram uma humana assustada com tudo o que acontecera nos últimos minutos e um lobo totalmente confuso. Floresta adentro, Bella corria o máximo que conseguia, mas não parecia suficiente para se afastar da tentação.

As arvores passavam ao seu redor como borrões, hora ou outra passava por pequenas clareiras. Passou por sua antiga casa sem sequer se dar conta de que era observada pelas duas vampiras amigas.

Rosalie e Alice se assustaram ao ver Bella passar pelos limites das terras dos Cullens. A confusão foi ainda maior quando a pequena vampira viu diante de seus olhos sua amiga faminta se alimentando de humanos. Os olhos negros de sede aos poucos voltavam a ter o tom acinzentado brilhante de sempre. Isso acontecia à medida que Bella drenava um, dois, três, quatro... Uma pilha de corpos caia aos seus pés, e ao fundo a gargalhava frenética de Aro dava um tom ainda mais macabro à cena. E depois tudo sumia!

- Os lobos! – Alice sussurrou assim que voltou de seu transe.

- O que está falando, Alice? – não precisou Rose terminar.

O som das patas pesadas contra o solo poderia ser ouvido há quilômetros de distancia por um vampiro. Sem pensar duas vezes, Rosalie e Alice puseram-se em perseguição à sua amiga.

- A sede... Bella está sedenta. Ela não vai ver os lobos se aproximarem. Temos que avisá-la. – a pequena vampira avisou a loira.

Dentro dos limites de suas terras as duas puderam ver os jovens lobos se aproximarem. Dois deles, muito parecidos entre si e também com Jacob recém transformado. Os dois estavam em perseguição a Bella, mas, diminuíram o ritmo ao se darem conta das outras duas vampiras do outro lado do riacho que servia como divisa entre os dois territórios.

Ambos rosnaram alto, o lobo de pelagem mais escura ameaçou cruzar os limites do tratado, mas foi interceptado pelo outro. Durante alguns segundos eles mantiveram a atenção nas duas. Alice tentou negociar.

- Não somos suas inimigas, assim como Bella! O nome da vampira que está nas suas terras é Bella, Bella Swan. Vocês já devem ter ouvido falar dela. Ela é amiga de Jacob e Seth. Dos outros antigos lobos também, Sam, Embry, Jared...

- Somos Cullens. Não machucamos humanos. Jacob e Seth devem ter falado isso para vocês. – Rosalie continuou – Somos vegetarianos. Bella é da nossa família. Ela só está perdida, precisa de nossa ajuda. Por favor...

O lobo com o contorno dos olhos mais claro parecia prestar a atenção no que as duas falavam, no entanto, o outro mais escuro ignorou-as completamente e voltou sua perseguição à Bella. As duas vampiras estavam de mãos atadas.

- Alice, precisamos fazer algo. – Rosalie falou exasperada.

- Eu... Eu não sei Rose. Não podemos entrar em território Quileute. Também não tenho o contato da Bella. – a pequena vampira andava em círculos, tentando a todo custo ver algo do futuro.

- A humana. É isso! – a loira falou dando um salto – Bella tem uma amiga humana que mora com ela em Forks, não é mesmo?

Alice apenas assentiu e as duas correram em direção à Forks.

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Bella entrava cada vez mais no território dos lobos sem sequer se dar conta de que estava sendo perseguida por Gabriel e Brian. Ela queria chegar ao mar. Queria mergulhar na água fria naquela época do ano e poder apagar tudo ao seu redor.

- Para o mar. Para o mar. Para o mar... – esse pensamento estava fixo na cabeça de Bella. Apenas o cheiro da maresia a faria esquecer o perfume convidativo do sangue humano que acabara de sentir e estava prestes a provar. O veneno escorria por suas presas e enchia sua boca... Ela mataria se tivesse provado...

- Não... Não e não! – gritou mentalmente para si mesma.

Quase tinha perdido o controle. Se não fosse à chegada de Seth ela teria...

- Como eu pude desejar o sangue... Não, não!! – sacudiu a cabeça – O mar... O mar estava próximo!

Já ouvia o barulho das ondas batendo contra os paredões de rocha, podia sentir o vento úmido e frio soprando contra seu rosto, clareando seus pensamentos...

Então, um único segundo de distração foi suficiente para que Bella não percebesse que tinha companhia, só se deu conta do imenso lobo avermelhado quando suas garras foram cravadas em suas costas e arremessaram-na contra várias arvores.

Sem tempo para se defender, a vampira foi rodopiando e batendo em galhos até se chocar contra um barranco. Mal conseguiu se levantar, e o hálito quente do lobo já pôde ser sentido bem próximo. Antes que os dentes afiados se fechassem ao redor de seu corpo, Bella conseguiu saltar por cima dele e se abrigar em cima de uma grande arvore.

O lobo ficou embaixo, rosnando, cravando as patas no chão e jogando terra para todos os lados. A vampira conseguiu ver algo de familiar naqueles olhos, mas só se deu conta de que se tratava de um dos gêmeos, netos de Rachel, quando o outro lobo muito parecido, só que com a pelagem da cara mais clara, se juntou ao irmão.

Sem saída! Sua sede a arrastou até aquele momento. Encurralada em cima de uma arvores com dois jovens lobos raivosos logo abaixo, e o pior, eram os netos de sua antiga amiga.

Bella não podia machucá-los. Até poderia sair machucada, mas nunca faria mal a nenhum dos garotos. Negociar seria uma opção? Até seria, só quem antes de formular algum tipo de argumento, o lobo mais escuro em uma tentativa de fazê-la descer deu um salto e bateu com força contra a árvore.

Sem esperar por aquilo, Bella caiu entre os dois lobos. De frente para o lobo com os olhos claros a vampira vacilou. Estavam em uma pequena clareira, ela não podia saltar até outra árvore sem passar pelos lobos, em poucos segundos ela tentou negociar.

- Sou amiga. Vocês devem se lembrar de mim, Bella Swan, amiga da avó e do tio de vocês. – ela mal conseguiu falar e teve que saltar para desviar da mordida poderosa do lobo mais escuro.

Esse parecia incontrolável, tomado de imensa fúria e desejo em destroçá-la, o outro, no entanto pareceu reconhecê-la, tanto que não atacava mesmo tendo os pêlos do dorso todos arrepiados. Mesmo sem atacar ele estava obstruindo sua única saída para o mar, que era o único lugar para o qual pretendia ir.

Só podia desviar dos ataques, vez ou outra percebia a comunicação mental entre os dois, mas não fazia idéia das informações que trocavam. O lobo com a pelagem do rosto mais claro, apenas bufava, com os dentes arreganhados remexia terra sob suas imensas patas, seguia todos os movimentos de Bella e impedia que ela escapasse daquele pequeno espaço.

Era essa a estratégia deles então, um a perseguia e mantinha toda a sua atenção enquanto o outro preparava o ataque final. A vampira estava exausta, não tinha forças para lutar, nem para agüentar as investidas do lobo furioso, muito menos um ataque surpresa daquele que aparentava mais calma, mas, muito mais letalidade pela forma com que a encarava.

Numa ultima tentativa, Bella correu de uma borda da clareira até a outra, com o lobo furioso atrás de si, quando percebeu que o lobo escuro mais uma vez estava as suas costas, ela deu mortal por cima dele, voltando ao centro da clareira. Mais uma vez entre os dois lobos, dessa vez ela parou, esticou os braços em sinal para que eles parassem e os encarou, um de cada vez falando em alto e bom tom.

- Não vou machucar vocês. Não vou! – então em um suspiro resignado ela deixou seus braços caírem ao lado do corpo e abaixou a cabeça desistindo de tudo.

Alguns segundos ouvindo apenas as respirações pesadas dos dois imensos lobos, que na verdade não passavam de garotos. Meninos que viram seu mundo girar de ponta cabeça.

Bella no fundo sabia que em parte a culpa era sua. Lá atrás, décadas atrás, ela tinha contribuído para que aquela maldição voltasse às terras Quileutes. Não a maldição por ver meninos se transformarem em lobos protetores, mas a maldição dos vampiros a rondar aquele povo mágico.

Tirando-a do breve momento de torpor, um uivo reverberou pela floresta. Bella levantou a cabeça a tempo de ver o lobo mais claro com a cabeça erguida e de olhos fechados uivando para os céus. De alguma forma, Bella compreendeu aquilo como um chamado. Ou seria sua sentença de morte?

Do outro lado da clareira, o lobo mais escuro avançou com toda a sua fúria contra ela.

Daquela vez, Bella não ia se mexer!

Notas finais
N/A: Beta já deu explicações. Eu só darei as minhas nos próximos capítulos, por favor, não me matem, ou não saberão jamais o final dessa história (que já se aproxima).
Ainda mereço reviews e recomendações???? >.
Beijos
Ritinha
N/B: O cap demorou porque eu betei ele no trampo e esqueci ele por lá. Mas enfim... kkkkk Sou cabeçuda mesmo.
Agora ao cap, ritinha e essa mania de acabar os caps nesses momentos cruciais. Gente eu prometo que assim que cruzar com ela eu dou uns petelecos e vai ser em nome de todas nós kkkkk. Cadê o Jake numa hora dessas?
Bom galerinha, vamos comentar para descobrir onde anda nosso beta mara e que ele chegue a tempo porque se a Bella morrer eu dou um troço, ela podia ter morrido quando ainda era casada com o Edgay, mas agora nope. O Jake vai sofrer a.a
Bjks, Katy Clearwater