Notas iniciais
Oie, gente! Tudo bem?? Espero que vocês gostem desse segundo capítulo ♥

“Baby the stars above will light the way
Just take my hand and hear the words I say
Yeah, when the morning comes, I'll always stay
You gotta know, you gotta know that I'm feeling this”

24 de junho de 1977

Some Girls, o mais novo disco dos Rolling Stones, uma banda trouxa da qual James era muito fã, estava tocando em seu quarto. Ele e Sirius estavam esparramados em sua cama, ainda se recuperando da quantidade de comida que tinham almoçado.

— Que horas são? — James perguntou enquanto brincava com o pomo de ouro que havia furtado de Hogwarts há alguns anos.

— Fazem dois minutos desde a última vez que você perguntou – Sirius resmungou.

James se revirou na cama até se sentar.

— Já são uma e meia, Pads. Ela já devia ter chegado, a gente vai acabar se atrasando.

— Qualquer coisa a gente vai sem ela – Sirius respondeu fingindo indiferença. Na realidade, ele estava tão ansioso quanto James para a chegada da menina que não viam há duas semanas.

— Você sabe muito bem que se a gente for sem ela não vamos viver outro dia para contar a história.

— Aonde vocês pensam que vão sem mim?

Uma Marlene de mãos na cintura e sobrancelha arqueada apareceu no batente da porta.

— MARLS! — James correu para abraçá-la.

— Eu também senti saudades – ela disse rindo enquanto os dois se jogavam na cama ao lado de Sirius – Black – ela o cumprimentou com um sorriso de canto.

— Mckinnon – ele deu uma piscadela.

Sirius ficou a encarando por alguns segundos. Ela estava linda, seus cabelos loiros estavam amarrados em um rabo de cavalo alto e seu sorriso estava radiante. Ele tinha sentido a sua falta.

— Faz quanto tempo que você chegou? — James perguntou.

— Já fazem umas duas horas e... — James já estava abrindo a boca para argumentar — ...E, eu só não vim antes porque minha mãe falou que eu nem mais dou atenção pra ela, que eu só vivo aqui...

— Errada ela não tá — Sirius caçoou.

— Calado! — Marlene lhe deu uma encarada indignada seguida de um belo tapão no braço.

— Ai! Doeu.

— Foi essa a intenção — Ela sorriu triunfante – Continuando, como eu estava te contando, James – Marlene virou as costas para Sirius — Mamãe começou com seu drama diário sobre como eu gosto mais de ficar aqui do que lá e eu também fiquei conversando um pouco com a tia Euphemia... Mas, enfim – ela disse se animando — Onde é que a gente vai?

James olhou por cima do ombro de Marlene para encarar Sirius, ambos sorriram animados. Se James tiver falado a verdade para Sirius, Marlene iria adorar o passeio.

— Lembra daquele filme trouxa que lançou no final do ano passado e você queria muito ve...

— LEMBRO! É claro que eu lembro!

— ...Ver, e a gente não conseguiu ir?

— LEMBRO SIM!

— Então, eles estão repassando...

— VAMOS! Por favor!

— Bem, essa era a ideia.

Marlene se jogou nos braços de James agradecendo, e ele riu bagunçando com seus cabelos. Se tinha uma coisa que Marlene amava sobre os trouxas era o cinema, a sétima arte a encantava. E ir ao cinema era uma tradição que ela e James tinham, desde pequeninhos seus pais os levavam para ver filmes trouxas no centro de Londres.

— Não é que eu não goste de ser o responsável por trazer felicidade na vida das pessoas, mas quem viu que o filme estava em cartaz foi o Pads – James disse indicando seu amigo com a cabeça.

Marlene se virou abruptamente para Sirius, seu olhar era uma mistura de surpresa com desconfiança.

— Eu tava passeando por Londres outro dia e passei na frente de um cimema... — Sirius começou a explicar.

— Cinema – Marlene corrigiu.

— Isso, cinema, que seja – Sirius revirou os olhos – E eu vi que o cartaz do filme era parecido com aquele desenho que você fez no meu livro há um tempo atrás.

Marlene o fitou surpresa. Ela gostava muito de desenhar, mesmo acreditando que não o fizesse muito bem, e sempre rabiscava quando estava entediada durante as aulas ou quando se perdia em seus pensamentos. Foi em uma aula de História da Magia, no final do último ano, que ela esboçou os personagens do filme que queria ter visto, e só no final da aula reparou que o livro não era seu e sim de Sirius.

— Tentando usar seus talentos artísticos para me conquistar, Mckinnon?

Marlene não esperava que Sirius lembrasse desse momento, nem que tivesse realmente observado o seu desenho. Marlene sorriu para ele, confusa sobre como estava se sentindo.

— Então, vamos? — James disse energético despertando Marlene de seus devaneios. Com um pulo ele se levantou da cama.

Sirius se espreguiçou e, logo depois, se ergueu ao lado de James. Ambos olharam para Marlene impacientes.

— Pera aí, agora? — ela perguntou.

— Sim, agora. Vamos, Marley! Levanta dessa cama – James falou a puxando pelo braço.

— Calma aí, eu só vou me vestir, volto em cinco minutos – ela disse enquanto se encaminhava em direção a porta.

— Você já está vestida – Sirius apontou.

— É, Marley. Essa roupa tá ótima e... — James começou.

Marlene, que já estava quase saindo do quadro, se virou e encarou os dois aborrecida.

— Eu sou obrigada a usar a mesma roupa quase todos os dias do ano, não me entendam mal, eu até gosto de usar uniforme, MAS – ela disse se aproximando deles, James e Sirius recuaram alguns passos – As férias são a minha oportunidade de mostrar o meu bom gosto ao mundo, okay? — os dois concordaram com a cabeça, Marlene sorriu suavizando a voz – Agora, eu só vou me trocar rapidinho. Já volto!

Assim, Marlene saiu correndo do quarto. James e Sirius trocaram olhares descrentes e, simultaneamente, se jogaram na cama.

— Um galeão que ela demora meia hora pra voltar, Prongs.

— 20 minutos, no máximo — James disse enquanto apertava a mão entendida de Sirius.

Em exatos dezenove minutos e trinta segundos depois, Marlene irrompeu no quarto. Ela estava, realmente, mais bem vestida do que antes.

— O que vocês ainda estão fazendo deitados? — os dois olharam indignados para ela — Vamos! — ela disse saindo do quarto tão rápido quanto tinha entrado.

Ao lado de fora da casa, Marlene entrelaçou os braços com James e Sirius e, com um rodopio, os três aparataram. Agora, eles se encontravam em um beco, próximo ao centro de Londres.

— Então, Marls... como foram essas duas semanas... — James começou enquanto eles faziam seu caminho para o cinema. Marlene ainda com os braços entrelaçados aos dois.

— A Lily está bem, se é isso que você quer saber – ela disse direta, arrancando uma risada de Sirius.

— Não era isso que eu queria saber – James respondeu tentando se defender, mas seu rosto corado o denunciou.

— James – Marlene disse parando repentinamente e o encarando – De todas as pessoas no mundo, é comigo e com esse aqui – ela apontou para ela mesma e para Sirius – Que você não precisa ter vergonha. Afinal, não importa o que você diga, a gente sabe que a sua paixão pela minha amiga não está no passado.

James até pensou em abrir a boca para tentar se justificar, falar que eles estavam errados e que ele já tinha superado Lily, o que seria uma grande mentira. James Potter não havia superado Lily Evans. E, não havia motivos para tentar mentir sobre isso, Marlene e Sirius o conheciam muito bem para acreditar em qualquer mentira que ele contasse.

— Vocês convidaram mais alguém para vir? – Marlene perguntou para Sirius. Os dois estavam na fila para pegar as pipocas enquanto James estava comprando os ingressos.

— O Worm disse que vinha.

Marlene sorriu, ela gostava muito de Peter.

— E o Remus?

— A lua cheia foi há quatro dias – Sirius respondeu. Marlene pôde perceber que ele estava um pouco frustrado, ela sabia que Sirius se sentia impotente por não poder ajudar seu amigo nesse período de férias igual fazia quando estavam em Hogwarts – Ele disse que ainda está meio cansado.

Marlene assentiu compreensiva. Ela era uma das poucas pessoas, além dos marotos, que sabia da real situação de Remus. Ele contou a ela no ano passado, mas Marlene sabia que se ele tivesse tido escolha não o teria feito. Mesmo sabendo oficialmente apenas a pouco menos de um ano, ela sempre soube que havia algo de diferente com o amigo. No primeiro ano escolar, ela tinha acreditado na história de que ele era doente e que por vezes precisava se ausentar das aulas. Entretanto, Marlene era esperta, e com o tempo foi percebendo que havia algo que não estava fechando na história. Então ela começou a observá-lo com mais atenção, e finalmente, no terceiro ano, descobriu a verdade sobre Remus, ninguém tinha confirmado sua teoria, mas ela sabia que estava certa. De começo, ela ficou assustada, não há razão em mentir sobre isso, mas não foi um sentimento duradouro. Ela logo percebeu que ele era o Remus de sempre, que a licantropia não mudava nada sobre quem ele era, e sim fazia parte dele.

Marlene nunca mencionou esse assunto a ninguém, nem a Lily, não porquê não confiava nela e sim porquê sabia que esse segredo não era seu para contar. E, mesmo tendo certeza de que James, Sirius e Peter também sabiam sobre a condição do amigo, nunca nem tentou conversar sobre isso com eles. Mas isso mudou no sexto ano, no dia do incidente. Remus se sentiu encurralado e sabia que era o momento de contar para Marlene, e foi pego de surpresa quando ela disse que já sabia.

Os dois eram muito amigos, desde o primeiro ano Remus era uma das pessoas mais próximas de Marlene, e foi por esse motivo que ela se sentiu um pouco desapontada por ele não ter lhe confiado o seu segredo antes. Ele sempre soube que Marlene era uma pessoa compreensiva, mas o medo de contar a verdade e perder seus amigos o dominava. Por isso, foi um alívio ver o sorriso gentil de Marlene quando ele admitiu o que era naquele dia na enfermaria. Remus não conseguiu segurar as lágrimas, chorava compulsivamente enquanto Marlene o abraçava, tranquilizando-o. Desde então, sempre que ele acordava na enfermaria após uma lua cheia, lá estava ela, ao seu lado.

— Doce ou salgada? — Pediu o atendente quando chegou a vez de Sirius e Marlene, ele era um senhor de já uma certa idade e com um olhar simpático.

— Salgada – Marlene disse.

— Doce – Sirius falou.

Os dois se encararam, ambos com a sobrancelha arqueada e um olhar de desafio.

— Sirius, convenhamos – Marlene disse cruzando os braços — a doce é boa, mas é enjoativa.

— Não é não!

— É sim, senhor!

— Que tal vocês comprarem uma mista? — o atendente perguntou, ele parecia estar se divertido com o desentendimento dos jovens.

Sirius pareceu considerar, mas Marlene logo cortou a ideia.

— Não, não, não. Sempre acaba vindo mais doce do que salgada... E isso é um fato! — ela adicionou quando Sirius abriu a boca para argumentar – E, além do mais, o James também prefere salgada – ela disse conclusiva.

— Que tal eu fazer um preço especial pro jovem casal? — o senhor falou.

— O senhor não precisa... — Marlene disse constrangida, finalmente percebendo o quão ridícula era a discussão.

O senhor negou com a cabeça e sorriu.

— Eu faço questão, vocês dois me lembram o meu irmão e minha cunhada – ele disse com um sorriso gentil e um olhar repleto de nostalgia, parecia que estava se lembrando de algo bom, algo que, talvez, tivesse se dissipado de sua vida há muito tempo — Aqui estão — ele entregou as duas pipocas a Sirius.

Marlene lhe entregou o dinheiro de trouxas, ela ficou insistindo em pagar o valor completo por um tempo, mas depois desistiu e sorriu agradecida.

— Eu gostei dele – Sirius disse enquanto iam ao encontro de James.

— Claro que gostou, no final você conseguiu o que queria... – ela provocou, mas logo acrescentou sorrindo – Eu também gostei.

Quando alcançaram James perceberam que ele não estava mais sozinho.

— Pete! — Marlene lhe deu um grande abraço.

— Marley — Peter sorriu e retribuiu o abraço — Tudo certo, Pads?

Sirius deu um de seus famosos sorrisos de lado, entregou as pipocas para Marlene, e abraçou Peter, bagunçando os seus cabelos.

— Qual foi o motivo da demora? — James questionou.

— Seu amigo aqui – Marlene disse indicando Sirius com a cabeça — começou a implicar com o sabor da pipoca.

— Eu que impliquei? — Sirius perguntou revoltado.

— Tá, mas vocês pegaram salgada, né? — James o cortou.

Marlene sorriu convencida para Sirius, que revirou os olhos em resposta.

*

— É isso... — Marlene disse pensativa enquanto eles saiam da sala de cinema – eu nunca vou namorar, nunca, porque ninguém jamais vai alcançar as expectativas que eu criei depois de ver o Han Solo.

— Ele nem era tão extraordinário assim – disse Sirius.

— Nem começa a implicar porque eu sei que ele também é o seu personagem preferido do filme – ela rebateu – E a Leia! Que mulher.

Marlene ficou tagarelando o caminho inteiro até o beco onde eles iriam desaparatar. Os três se despediram de Peter e, com um rodopio, desapareceram na imensidão.

*

Já era madrugada, o relógio de cabeceira indicava que eram duas da manhã, mas Sirius não conseguia dormir. Ir ao cinema tinha sido uma boa distração, porém, quando estava sozinho em seu quarto, não conseguia afastar os seus pensamentos.

Ele ouviu batidas de leve em sua porta. Sirius já sabia quem estava do lado de fora mesmo antes de ver os cabelos loiros passando pela porta e se dirigindo a sua cama. Sirius não se mexeu, continuou encarando teto igual estava fazendo antes dela entrar. Marlene se deitou ao seu lado e o imitou. Ambos olhavam para a parede branca como se estivessem olhando para um céu estrelado, perdidos nas supostas figuras formadas pelas estrelas.

— Eu pensei que você tinha ido para casa – ele disse finalmente, com os olhos ainda fixos no teto.

— Eu fiquei com preguiça de atravessar o quintal.

Sirius esboçou um sorriso, mas não disse nada. Ele sabia porque ela estava ali. O silêncio entre os dois perdurou por alguns minutos.

— Faz um ano hoje, não faz? — ela perguntou.

Sirius assentiu com a cabeça.

— Está tudo bem... — ela disse – Ainda se sentir mal por causa disso.

— Não é que eu sinta falta deles, sabe? Eu realmente não sinto. Na verdade, eu não consigo me lembrar de um momento no qual eu gostei de morar naquela casa. É só que...

— Eu sei – disse Marlene compreensiva. Ela sabia que falar sobre sentimentos era algo difícil para Sirius, ainda mais sobre os que ele tinha em relação a família.

Sirius agora a olhava. Ele tinha certeza de que ela o entendia sem que ele precisasse dizer mais nenhuma palavra, e por isso, ele a agradeceu mentalmente. Lentamente, ele deslizou sua mão ao encontro da de Marlene, entrelaçando os seus dedos aos dela.

24 de junho de 1976

Já era tarde, mas Sirius não conseguia dormir, tinha sido uma noite muito turbulenta. Ele finalmente havia abandonado aquele lugar que despreza tanto e que o desprezava também. E a única certeza que tinha essa noite, ao bater a porta do Largo Grimmauld, número 12, era de que nunca mais entraria por aquela porta novamente. Sirius foi para o único lugar que já havia chamado de casa, além de Hogwarts, ele nem precisou pensar ao aparatar, parecia que seu subconsciente o estava guiando. Quando se deu por si, já estava na frente da casa dos Potter, batendo na porta com sua mão trêmula, já não sabia se tremia de ódio, excitação ou medo.

Quem abriu a porta foi James, ele olhou de Sirius a seu malão. Sirius não sabia que expressão estava tomando conta de seu rosto, mas James pareceu entender a situação.

— Você até que demorou bastante – disse James o abraçando.

Fleamont, Euphemia e Marlene estavam na sala, curiosos sobre quem seria a repentina visita. Nenhum deles pareceu surpreso ao ver quem era e o motivo de sua vinda, muito pelo contrário, tanto Euphemia quanto Fleamont tinham um olhar de compreensão em seus rostos, como se sempre soubessem que esse momento chegaria. Os Potter o acolheram, sem hesitação, sem receio, com uma naturalidade admirável. Euphemia o tomou nos braços e o abraçou como se ele fosse um filho que não via há muito tempo, e que finalmente estava voltando para casa, e o mesmo fez Fleamont.

Horas depois de sua chegada, Sirius se encontrava no quarto que ele usava todas as vezes que vinha passar alguns dias nos Potter, mas que agora, era oficialmente seu. Ninguém o fez muitas perguntas quando ele chegou, além de James, eles sabiam que Sirius os contaria o que aconteceu quando estivesse pronto.

Leves batidas na porta quebraram o silêncio do ambiente.

— Pode entrar – disse Sirius.

Ele esperava ver o rosto de James passando pela porta. Fazia mais ou menos uma hora desde que amigo o havia deixado sozinho, os dois tinham ficado horas na sala enquanto Sirius contava o que havia acontecido.

— Você nunca mais vai precisar voltar para lá, Sirius – James havia dito. James nunca tinha visto seu amigo em um estado tão vulnerável como nesta noite, o que o deixou assustado. Porém, Sirius tentou ao máximo não demonstrar o quão abalado estava, mas James o conhecia melhor do que ninguém. Ele sabia que o amigo estava longe de estar bem.

Sirius ficou surpreso ao ver que quem entrava no quarto era Marlene, e não James.

— Eu pensei que talvez você estivesse precisando de uma companhia – ela disse timidamente, como se tivesse pensado muito antes de tomar a decisão de entrar no quarto.

— Você pensou certo – falou Sirius.

E a garota estava mesmo certa, ele realmente precisava de companhia. De começo, quando deu boa noite a James e se dirigiu ao quarto, Sirius pensou que queria ficar sozinho, o que acabou por descobrir que não era verdade. Esta noite, ele queria qualquer coisa exceto a solidão.

Devagar, Marlene se encaminhou até a cama de Sirius, deitando-se ao seu lado.

— Você fez a coisa certa – ela disse.

Sirius assentiu, e Marlene pôde ver que seus olhos estavam marejados. Ela nunca o tinha visto chorar antes.

— Eu sei que fiz – ele disse depois de um tempo — Então porquê é que eu me sinto assim?

— Assim como?

— Como se eu estivesse sozinho – ele respondeu simplesmente – Se eu disser que os amava eu estaria mentido, esse sentimento já morreu em mim há muito tempo. Eu sempre falei que eles não eram a minha família, mas agora é oficial, eu realmente não tenho uma família. E eu finalmente estou percebendo o que isso significa.

— Sirius...

— É verdade, Marlene. Eu não tenho ninguém além de mim mesmo. Família são as pessoas que, independente do que acontecer, sempre vão estar ao seu lado. E eu não tenho isso, na verdade, eu nunca tive.

— Isso é mentira, Sirius.

Marlene o olhava séria, como se ele a tivesse ofendido profundamente.

— Nós somos a sua família — ela disse com severidade, como se estivesse o reprendendo.

— Eu não quero parecer ingrato, Marley – ele falou, tentando se explicar – James é o meu melhor amigo, a pessoa mais importante que eu tenho, e Euphemia e Fleamont foram mais pais pra mim nesses últimos anos do que os meus a vida inteira, mas você sabe que no final não é a mesma coisa.

— É claro que é! — ela disse, a irritação tomava conta de sua voz – Como é que você não pode ver isso, Sirius? Como é que você não percebe que você faz tanto parte dessa família como qualquer um de nós? Você não é o melhor amigo de James, você é o irmão dele. Agora, olhe para mim – Marlene pediu – Por favor, tire essa ideia de que você não tem família da cabeça, porque é mentira. Você tem pessoas que sempre vão estar do seu lado, independente do que aconteça, você tem uma família. E ela está aqui, nesta casa.

Sem permissão, as lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Sirius, mas ele não se sentiu envergonhado por isso. Ele segurou a mão de Marlene e a apertou com força.

— Obrigado – foi a única coisa que ele conseguiu dizer, porém pareceu ser o suficiente para ela. Marlene sorriu levemente em resposta.

— Você pode ficar aqui esta noite? — Sirius perguntou após um tempo.

— Sim.

Sirius se aconchegou em seus braços, deixando as lágrimas solitárias escorrerem pelo seu rosto. Ela acariciou os seus cabelos até que ambos pegassem no sono. E assim, os dois dormiram, absortos na escuridão do quarto iluminado apenas pela luz das estrelas através da pequena janela.

Um ano depois, essa mesma cena se repetia, mas dessa vez, foi Marlene que se abrigou em seus braços.

— Você pode ficar aqui esta noite? — ele perguntou em um sussurro.

— Sim.

Notas finais
E aí? O que acharam? Deixem nos comentários. Espero que tenham gostado. Beijos ♥